Notas iniciais
Oolá meninas :D Volteei o/ Capítulo anterior foi tenso e já aviso que este não está diferente u.u kkkk Bora ler? Então vamos lá, espero que vocês gostem, tenham uma boa leitura ^^

Parecia que eu tinha corrido uma maratona.

Meu coração pulava em meu peito e estava sem ar.

Vários pensamentos faziam minha cabeça ferver.

—O que é isso? – perguntei alto erguendo o cartão para que ele pudesse vê-lo bem.

Edward se virou e precisou de um tempo para assimilar o que estava acontecendo. Seus olhos perderam um pouco do brilho, o sorriso em seu rosto sumiu e aquela postura nervosa de mais cedo, voltou a possuí-lo.

—Um cartão?

Ele tentou descontrair, ou talvez, desconversar, contudo aquilo só serviu para me deixar com mais raiva.

—Edward, é bom você não fazer piadinhas. – dei um passo em sua direção. —Ou eu juro que faço você engolir essa merda de papel. – Edward mordeu os lábios parecendo ter consciência de alguma coisa que eu não sabia. —Porque tem o número que eu suponho ser da Gianna anotado nele?

Ele respirou fundo, correu a mão pelos cabelos e então, se aproximou de mim.

—Eu posso explicar.

Aquelas palavrinhas causaram dentro de mim. Eu as odiava. Sempre que alguém as usava era porque tinha culpa no cartório.

—Primeiro de tudo, não é o que você está pensando.

—E como você sabe o que eu estou pensando? – o desafiei. —Lê mentes por acaso?

Ele ignorou a ironia cortante em minha voz e então, se aproximou mais um pouco. Puxei minha mão quando Edward tentou pegá-la.

—Gianna e eu somos só amigos. – senti a necessidade que ele tinha em deixar claro aquilo. Contudo no momento, não tinha certeza de mais nada. —Nunca aconteceu nada entre nós dois e....

—Edward. – o interrompi. —Não foi isso que eu perguntei. – seus olhos saíram dos meus por um tempo. —Quero saber porque o nome dela está escrito sob esse número. – deixei claro minha questão.

Eu podia sentir o mundo girar. Aquele sentimento estranho estava cada vez mais forte dentro de mim.

Era uma angustia, uma aflição.... Só coisas ruins que me deixavam ainda mais desconfiada.

—Porque ela trocou o número e me passou o novo. – explicou desviando constantemente os olhos dos meus. —E eu o anotei antes de salvar no celular.

—Aham. – aquilo não havia me convencido nem um pouco. —É só isso mesmo? – o questionei estudando sua face. —Porque eu tenho a impressão de que você está mentindo para mim.

—É claro que é só isso, amor. – analisei os movimentos repetitivos e tensos de suas mãos. —Porque eu mentiria para você?

Abri um sorriso irônico.

Aquela pergunta!

Aquela pergunta que era feita em busca de ganhar algum tempo, esse que geralmente era usado para pensar em explicações mais convincentes.

Edward não me enganava.

—Não sei, me diz você. Porque você mentiria para mim? – joguei vendo microrrugas nascer em sua testa em sinal de tensão e nervosismo.

A cabeça de Edward se afundou entre os ombros.

—Bella, sua falta de confiança em mim é realmente preocupante. – tentou mudar de foco, mas aquilo não facilitou em nada.

Me aproximei mais dele, meus olhos buscaram os seus que desviaram várias vezes até pararem.

—Preocupante é o que está acontecendo. – proferi empinando o queixo. —Sei que está, no mínimo, escondendo alguma coisa de mim. – Edward pigarreou coçando a nuca. —E tenho certeza que não é uma coisa boa. – seus olhos saíram dos meus. —Mas seja o que for, uma hora eu vou ficar sabendo.

Minha mão bateu contra o seu peito soltando o cartão que logo fora recuperada por suas mãos aflitas.

Lhe dei as costas, ignorando seus chamados.

—Bella, ainda não acabados conversar. – ele me parou segurando meu braço.

Meu corpo virou em um gesto involuntário. Meu peito bateu contra o seu e pude ver, pela primeira vez, a determinação em seus olhos.

—Você mal me deixou explicar...

—Explicar, Edward? – perguntei irônica. —Não quero explicações vagas. Eu quero a verdade. – minha voz caiu um pouco.

Estava cansada daquilo. Queria a paz novamente. Queria me livrar da desconfiança e do medo.

—Me diz o que está acontecendo. – lhe pedi. —Seja o que for, pode me dizer... Eu juro que vou tentar entender. – estava sendo sincera com ele.

Sabia que Edward estava metido em algo ruim, no entanto, eu estava disposta a concertar o que fosse.

—Bella... – ele começou, mas um suspiro profundo o interrompeu. —Não está acontecendo nada.

Mordi meu lábio inferior, a sensação de estar vivendo um Déjà vu correu por meu corpo.

Foi impossível não me lembrar daquele fatídico dia. O dia que tomou dez anos da minha vida, que fez acreditar em uma mentira e ficar uma década no mais puro sofrimento.

O dia em que descobri a “traição” e tentei conversar, tentei entender e ia tentar perdoar.

Mas Edward não quis. Ele não quis e eu já sabia seus motivos para sua recusa há dez anos, porém naquela noite, não havia explicação coerente.

Puxei meu braço de sua mão e me afastei.

—Ok. Você quem sabe.

Ele não me seguiu, nem insistiu mais em falar comigo.

Aquela fora uma das piores noites da minha vida. Edward não dormiu comigo, ele fora para sua casa e a distância entre nós só serviu para me perturbar mais.

Eu queria que ele tivesse ficado, que tivesse insistido, ao menos, em sua mentira. Que me garantisse que ia ficar tudo bem.

Mas ele não fez. Ele me deixou sozinha com meus pensamentos e sentimentos.

Vi o dia amanhecer pela janela, as horas passarem no despertador e o cansaço só crescer dentro de mim.

Estava esgotada. Fisicamente e psicologicamente.

Sábado chegou chuvoso e frio. O que só serviu para aumentar minha falta de ânimo.

Foi no mínimo estranho ficar em casa sem a presença de Edward. Nos últimos sete meses e meio, desde que ele e eu nos reconciliamos que sempre estávamos juntos.

Ou na casa dele, ou na minha.

E agora, eu estava sozinha. Sozinha com meus pensamentos e medo.

Respirando fundo, esfreguei a mão no rosto e tratei de abrir um sorriso quando recebi meu pai em casa.

—Boa tarde, princesa. – murmurou ao me abraçar.

—Boa tarde, pai. – respondi beijando seu rosto. —Entre. – liberei sua passagem abrindo mais a porta.

Sorrindo, Charlie adentrou em casa e já foi se sentar no sofá. Não deixei de reparar em como ele estava bonito e arrumado.

Usava terno cinza escuro. O paletó aberto deixava à mostra a camisa social branca.

—Porque a mamãe não veio?

—Ela nem sabe que estou aqui. – confidenciou me deixando sem entender. —Fui confirmar nossa reserva no restaurante aqui perto e só passei para te dar um beijo. – esclareceu enquanto arrumava o relógio dourado no pulso.

—Hmm... – soltei em provocação. —Vão sair, é?

Seu sorriso mais aberto confirmou minha pergunta.

—Sim, vamos jantar fora. – seu tom de voz deixou claro o ânimo. —É uma pré comemoração aos trinta e cinco anos de casados.

—O romance está no ar então! – cantarolei batendo leves palminhas, Charlie maneou a cabeça rindo. —Mas pai, vocês só fazem trinta e cinco anos de casados no mês que vem.

Ele respirou fundo e então, sorriu amarelo.

—Diga isso a sua mãe. – pediu arqueando as mãos. —Ela quer fazer algo especial toda semana, até chegar o dia da festa da nossa bodas de coral. – soltei um riso ouvindo sua explicação.

—Bodas de coral? – indaguei. —Isso existe?

—Segundo ela sim. – Charlie alegou rolando os olhos. —Você sabe como a sua mãe é meio pirada das ideias. – suas palavras me fizeram rir alto. —E eu acabo entrando em suas loucuras. – completou com um sorriso nos lábios. —Tudo para agradá-la.

—Awn, que lindo! – Charlie se engrandeceu. —Mas o senhor não me engana. – deixei um tapinha em sua perna. —Sei muito bem que está fazendo isso para fugir do sofá.

—Ah, filha! – exclamou com uma falsa indignação. —Qual é? Eu nem pensei nisso.

—Aham. – assenti chacoalhando a cabeça. —E eu não te conheço de certo, não é Charlie?

Ele apenas encolheu os ombro, mas logo seguiu minha risada.

—Tem tempo para um café com sua filha? – perguntei me pondo de pé.

—Sempre. – Charlie concordou me seguindo até a cozinha. —Filha, não comente com sua mãe sobre o sofá, ok?

De costas a ele, continuei arrumando a cafeteira.

—Pode deixar, pai.

Ele respirou fundo ficando um tempo em silencio. Abrindo o forno, retirei a forma com os bolinhos de chocolate que havia feito.

Charlie os encarou por um tempo quando os deixei sobre o balcão.

—Edward está trabalhando? – sua pergunta cortou o clima bom que havia me possuído quando ele chegara.

Edward.

Porque um simples nome era capaz de me desestabilizar completamente?

—Não. – neguei com um suspiro. —Não, ele está de folga hoje.

Olhei rapidamente para Charlie que pareceu estranhar minha resposta.

—Uh.

Sua falta de palavras foi um sinal bem claro. Sabia que Charlie estava, no mínimo, estranhando os fatos.

—Vocês estão bem?

Respirando fundo, retirei a jarra da cafeteira. O cheiro de café preencheu a cozinha.

—Estamos pai. – não passei muita confiança a ele. —Só... Passando por uma crise. – completei pegando dois pratos e duas xícaras. —Coisa normal de relacionamentos, não é?

Tentei sorrir, mas certamente, não consegui nada melhor que uma careta.

—Hm. – ele abaixou o olhar por um momento. —É só uma crise mesmo?

Soltei o ar pela boca assentindo com a cabeça, mentalmente eu pedia que ele não insistisse no assunto. Não que eu não gostasse de dividir aquele tipo de assunto com Charlie, o problema é que eu não queria dividir aquele assunto com ninguém.

Queria resolver aquilo com Edward. Só com ele, sem perturbar mais ninguém.

—Sim. Só um momento ruim.

Charlie aceitou meu sorriso forçado e minha voz sem confiança.

Era isso o que eu mais gostava nele: Charlie entendia os limites de tudo.

—Planos para hoje à noite? – mudou de assunto enquanto comíamos os bolinhos macios.

—Sim. – confirmei com um grande sorriso. —Vou cuidar de Mia. Alice e Emmet vão sair e irei ficar com ela para eles.

—Terá uma ótima companhia, então. – me lançou uma piscadela bebericando seu café.

—Com certeza.

—Ela é uma gracinha.

—Sim, é linda. – suspirei me lembrando de seus traços delicados. —Uma princesinha.

—É... Sabe que a vendo, até concordo com sua mãe. – ergui os olhos até os dele, sem entender. —Você bem que podia nos dar uns netinhos.

Rolando os olhos, recebi suas risadas divertidas.

—Não tão cedo. – deixei claro. —Não tão cedo.

Charlie levou minha resposta na brincadeira, sem insistências ou pressões. Passar aquele tempo com ele, fora de grande ajuda.

Foi bom sair por um tempo do mar de pensamentos e sentimentos ruins que eu me encontrava.

—Fica mais um pouco, aposto que mamãe ainda está se arrumando. – murmurei enquanto o acompanhava até seu carro.

Charlie passou a mão por meu braço quando a brisa gelada se chocou contra nós dois. Estava friozinho, porém já não chovia mais, o que era um alívio.

Sempre odiei dias chuvosos.

—Certamente ela ainda está se arrumando. – concordou comigo quando paramos em frente ao veículo Prisma prata. —Mas você conhece sua mãe, basta uma pequena demora para que ela comece a imaginar coisas...

Rindo, assenti com a cabeça. Os risos de Charlie acompanharam os meus por um tempo, até que seus olhos pareceram focalizar algo atrás de mim.

O frio na nuca me avisou que era ele, mas mesmo assim eu me virei. E mesmo já tendo o visto milhares e milhares de vezes, eu nunca me acostumaria com sua beleza extraordinária.

Caminhando em nossa direção, Edward mantinha as mãos na calça jeans escura. Usava uma blusa de moletom preta e lisa, a touca da peça cobria seu cabelo cômico e destacava ainda mais sua pele e seus olhos.

Contive o suspiro quando ele se colocou ao meu lado. Podia sentir o calor que ele irradiava. Seus olhos vieram até os meus, mas não permiti que aquele contato durasse mais que dois segundos.

Havia muita coisa pendente entre nós dois.

—Oi Charlie. – cumprimentou com um sorriso.

—Como vai, Edward? – os dois trocaram um aperto de mão.

Ele maneou a cabeça, deixando claro que não sabia a resposta.

—Tudo bem com você, com a Renée? – mudou o foco voltando a colocar a mão no bolso.

—Estamos bem. – Charlie sorriu intercalando o olhar entre nós dois. —Estamos lhe esperando para jantar. – proferiu deixando um tapa no ombro de Edward.

—Vou adorar. – sua voz era pura simpatia. —E também espero vocês aqui em casa.

—Precisamos marcar. – ele lhe lançou uma piscadela e então, se afastou um passo. —Bom, já vou indo. – erguendo a mão, Charlie afagou minha bochecha. —Até mais, querida.

—Até, pai. – sorri a ele, que logo se dirigiu a Edward.

—Tchau, Edward.

—Tchau, Charlie.

Papai então se afastou, deu a volta no carro e logo partiu pela rua que caiu no mais profundo silencio.

O tempo que ficamos ali parados, foi no mínimo constrangedor.

Eu não disse nada, estava esperando que Edward tomasse a atitude.

Respirando fundo, me virei. Sua demora e o frio, me deixaram impaciente.

Era como se ele não estivesse se esforçando para que voltássemos ao normal, para que nos entendêssemos.

—Bella, espera. – pediu quando estava prestes a entrar em casa. —Quero conversar com você.

Mordendo o canto dos lábios, eu me virei. Seus olhos vieram para os meus no mesmo instante em que ergui a cabeça.

Um arrepio passou por mim.

—Não gosto do que está acontecendo. – começou com a voz calma. —Estávamos tão bem e agora tudo está péssimo.

Eu o ouvi em silencio.

—Você tem que confiar em mim, Bella. – alegou decidido. —Se não as coisas sempre vão ficar tensas e ruins.

Passando a mão por meu cabelo, eu respirei fundo.

—Como quer que eu confie em você sendo que não me dá motivos para isso? – Edward recuou o corpo com a minha pergunta. —Você mente, desconversa e foge quando lhe faço perguntas. – acusei vendo-o apertar os lábios. —Não está sendo honesto comigo, sei que está acontecendo algo e mesmo assim... – abrindo a boca, tomei fôlego. —Mesmo assim, você não me conta a verdade.

Nós dois ficamos um tempo quietos, apenas nos encarando.

—Como quer que eu confie em você, Edward? Como?

Ele até abriu os lábios para responder, porém a buzina do carro conhecido o impediu. Nós nos viramos a tempo de ver Emmet estacionar o veículo grande em frente à minha casa.

Não evitei o sorriso. Mia havia chegado.

—Olhe, se ela der trabalho, pode nos ligar, ok? – Emmet passou as instruções. —Tem tudo o que precisa nas bolsas. O leite, as mamadeiras, fraldas...

—Pode deixar, Emmet. Já cuidei da Mia antes. – murmurei enquanto a ninava. Ela estava adormecida e realmente encantadora com os dois rabinhos na cabeça.

—Meu Deus, que coisa difícil de montar. – Edward proferiu ao voltar para sala. Emmet havia lhe dado o berço portátil de Mia, para que ele o instalasse em meu quarto.

—Diante dos seus limites mentais... – Emmet o provocou rindo, antes de se aproximar e beijar a cabeça de Mia. —Certo, então eu já vou. – suspirou retirando as chaves do bolso. —Cuide bem da minha filha, hein?

—Claro. – rolei os olhos ao confirmar. —Divirtam-se. – acenei para ele que sorriu malicioso antes de sair pela porta.

E mais uma vez o silencio reinou assim que Edward e eu ficamos sozinhos.

Eu continuei a chacoalha-la mesmo quando o senti se aproximar.

—Quer dividir uma pizza? – perguntou mais baixo. Prendendo o ar na garganta, ignorei o fato de os cabelos da minha nuca terem se eriçado por conta da voz sensual de Edward.

—Não, eu... – fiz uma breve pausa. —Eu estou sem fome.

Edward respirou fundo, se colocando a minha frente, ele pareceu cansado.

—Bella, vamos conversar...

—Edward, só vou aceitar conversar com você se for me contar o que está acontecendo. – joguei limpo. —Já disse que pode me dizer qualquer coisa. Não tem porque esconder.

Ele abaixou a cabeça por um tempo.

—Você não intende...

—É algo tão absurdo assim? – questionei com medo. —Você está me traindo por acaso?

Eu realmente senti medo de sua resposta. Edward ergueu a cabeça e me encarou. Seu semblante surpreso me fez tremer por dentro.

Havia algo no fundo de seus olhos, que só serviu para me apavorar mais.

—Ok. – ele soltou arqueando as mãos. —Se acha que é isso que está acontecendo, tudo bem. – murmurou se afastando uns passos. —Eu tentei, Bella.

Senti uma enorme vontade em segui-lo quando ele saiu porta a fora.

Eu sentia que as coisas estavam desmoronando e doía demais perceber aquilo.

Queria poder esquecer todos os fatos que me fizeram duvidar dele, mas aquela maldita confiança só crescia dentro de mim.

Frustrada, soltei o ar pela boca.

Mais uma tentativa falha de abrir a maldita lata do leite em pó.

Porque diabos, alguém fecharia aquilo com tanta força?

Bufando, usei uma toalha para segurar a tampa e usando toda a minha força, tentei mais uma vez.

Nada.

A lata continuava tão fechada quanto antes.

Respirando fundo, recostei no balcão pensando no que eu iria fazer.

Mia ainda estava dormindo, contudo eu sabia que ela iria acordar com fome e precisava deixar seu leite pronto.

Rolando os olhos, peguei a lata de leite e a babá eletrônica.

A única opção, era ir até Edward e pedir que ele abrisse a lata.

E fora isso que eu fiz após me certificar que Mia ainda dormia bem em seu berço e não correria nenhum perigo em ficar cinco minutos sozinha.

Abrindo a porta de sua casa, estranhei ao encontrar o silencio. A maioria das luzes estavam apagadas e só alguns abajures iluminavam o hall de entrada.

—Edward? – o chamei e nada de ter uma resposta.

Ele não estava na sala, na cozinha, nem em nenhum dos outros cômodos do primeiro piso.

Batendo as unhas na tampa da lata, subi até o segundo andar. Estava pronta para chama-lo de novo, quando ouvi sua voz baixa e preocupada.

—Não faz isso comigo. – o ouvi pedir enquanto me aproximava da porta do quarto entreaberta. —Sabe que eu quero isso tanto quanto você...

Prendi o ar na garganta ficando em silencio. Olhando pela abertura da porta, eu podia vê-lo sentado nos pés de sua cama, com Heron ao seu lado.

—Eu sei... Eu sei Gi. – sua voz estava baixa, mas podia sentir o temor em sua voz. —Mas você não pode desistir de mim, não depois de tudo o que eu fiz até agora.

Recostei contra a parede. Meu coração pulava dentro de mim e um gosto ruim apertava minha boca.

—Sei que não quer problemas e não terá, eu juro. – prometeu, sua voz era tão intensa e calorosa que me feriaram como lamina afiada. —É... É ela está desconfiada, mas não vai descobrir. – garantiu novamente. —Bella não tem certeza de nada, ela não vai nos pegar.

Recebi suas palavras como um soco na cara. Tive de apoiar a mão livre no aparador, sentia minhas pernas tremerem tamanho o nervoso que me consumia.

—Por favor, Gi. – implorou. —Por favor, me dê só mais uma chance. – fechei os olhos tomando fôlego pela boca. —Dessa vez vai dar tudo certo. – ela pareceu interrompê-lo.

Voltando a abrir os olhos, vi sua silhueta no quarto mal iluminado. Forçando a vista o observei esfregar a mão na cabeça.

—Olha, vamos nos encontrar. Não dá para tratar disso por telefone... – engoli o ar com força, tentando me manter firme. —Não, aqui não. Bella pode nos ver e eu não quero isso.

Duas lágrimas silenciosas rolaram por meu rosto. Estava difícil até de respirar, a vontade que eu tinha era de ir até ele e estapeá-lo por completo.

—É, pode ser em Denver. – pareceu mais aliviado. —Claro, claro. Não eu não vou me atrasar. – garantiu soltando um riso suave por fim. —Amanhã as onze, então. – proferiu animado. —Certo, Gi. Pode deixar. – ouvi sua respiração profunda. —Você não vai se arrepender. Obrigado. Boa noite.

Um silencio longo me informou que a conversa havia acabado. Esfreguei a mão no rosto e tentei recobrar os sentidos.

Precisava sair dali, antes que ele me visse.

Com cuidado para não fazer barulho apressei o passo no corredor e desci as escadas correndo.

Meus dedos trêmulos se atrapalharam um pouco ao abrir a porta e segurar a lata, mas uma vez fora de sua casa, pude finalmente liberar todo aquele acúmulo ruim dentro de mim.

Edward estava me traindo.

Ter consciência daquilo feria mais que qualquer coisa. Transtornava e tirava o chão.

Meu peito subia e descia em uma velocidade impar quando entrei em casa. Recostando na porta, fechei os olhos e tentei me recompor.

Sem sucesso.

O choro me abateu com força e perambulando de um lado para o outro na sala, tentei pensar no que eu faria.

Passava as mãos pelos cabelos, mordia meus lábios e me engasgava em meio aos soluços.

Não tinha ideia de como agir.

A única coisa coerente em minha cabeça era a dor que ferroava dentro de mim.

Porque ele estava fazendo aquilo? Porque não havia sido, ao menos, sincero comigo?

A babá eletrônica vibrou em meu bolso, meu coração parou de bater por uns segundos e assustada me lembrei de Mia.

Como eu podia ser tão estúpida a ponto de esquecer que ela estava sob minha guarda aquela noite?

—Acordou, amorzinho? – minha voz falhou um pouco, respirando fundo, a tirei do berço desmontável cobrindo-a com o cobertor.

Mia me olhou sonolenta antes de recostar a cabeça em meu ombro, ainda sugando sua chupeta ela logo adormeceu.

Afagando suas costas, caminhei pelo quarto.

Uma agonia mental, atrelada a um sufoco semelhante ao da asma, e uma dor no peito me deixavam desnorteada.

Me sentia perdida. Perdida no meio do nada, do mais sombrio e frio vácuo.

Sentando nos pés da cama, respirei fundo. Com os olhos fechados busquei o ultimo resquício de coerência que existia dentro de mim.

Não era hora de chorar. Era hora de manter a calma, a frieza e a inteligência.

Eu precisaria delas, precisaria ser calma, fria e inteligente para surpreendê-lo.

Iria atrás dele. Edward não iria escapar dessa vez e iria ser pego com a mão na massa.

Notas finais
Eita que as coisas estão feias haha Gente, comecem a se despedir porque a fic tá chegando ao fim :( Só faltam 5 capítulos para o fim :'( Enfim... Nos vemos semana que vem, espero que tenham gostado :D Uma boa semana a todas, beijos.