Notas iniciais
Olá gente :D Como vocês estão? Antes de seguirmos para o capítulo, gostaria de agradecer a uma pessoa muuuuito especial, pela linda recomendação *--* Claudia, muito obrigada por ter recomendado a fic e por cada elogio. Obrigada também pelos conselhos, pelas conversas bastante esclarecedoras que me fizeram ver com "outros olhos" alguns acontecimentos. Muito obrigada mesmo :* Voltando, capítulo tá postado, bora ler! Espero que gosteem, boa leitura :D

Estava pálida. Muito pálida.

Olheiras profundas se acentuaram abaixo dos meus olhos assim que removi a maquiagem.

Claro que eu sabia que elas não iam desaparecer da noite para o dia, com uma simples camada de base e corretivo, mas me olhando no espelho da penteadeira branca em meu antigo quarto na casa dos meus pais, só conseguia observar como elas estavam cada vez piores.

Com um suspiro resignado, continuei a passar o algodão pela minha pele retirando aos poucos as camadas de maquiagem.

O que eu queria? Que minha aparência estivesse intacta enquanto desmoronava por dentro?

Soltei o ar pela boca com exaustão.

Na última semana, era exatamente aquilo que eu estava fazendo.

Me maquiando para cobrir os efeitos do choro, colocando um sorriso forçado no rosto para convencer as pessoas de que eu estava bem e formando discursos, e mais discursos para convencer a mim mesma disso.

Pensava que fosse mais fácil fingir que não dói, do que admitir que isso estava me matando aos poucos, no entanto eu me enganei plenamente.

Na verdade, não havia um caminho mais fácil, porque para tudo quanto é lugar que eu ia, ele não estava.

Minhas manhãs que prometiam mais um dia sem ele eram tristes, tão tristes quanto as noites que cumpriram a promessa.

Tentar levar uma vida normal, como se nada estivesse acontecendo, era torturador demais.

Meus ombros ficavam cada vez mais pesados e tudo o que eu mais queria, era me recluir no quarto e chorar.

Chorar de raiva, de tristeza, de vontade de estar com ele...

Não tinha jeito. Eu nunca iria levar uma vida normal, não depois dele.

Edward me tirara o chão, mas me dera o céu. E depois de tocar as estrelas, o solo parecia sem graça demais.

Três batidas na porta me sugaram da bolha de pensamentos que havia entrado. Maneei a cabeça e olhando por cima do ombro, vi a figura de Renée aparecer no vão aberto.

—Posso entrar? – com a garganta contraída, apenas concordei com um aceno.

Com um sorriso leve, Renée entrou no quarto e fechou a porta atrás de si. O robe cinza chumbo esvoaçou sobre o carpete quando ela caminhou até mim.

—Você está bem? – seus olhos me analisaram.

Tomando ar pela boca pigarrei para limpar a voz.

—Estou.

Mamãe esticou a mão e segurou meu queixo, erguendo minha cabeça, ela me estudou por longos segundos.

—Anda muito abatida, filha. – proferiu com um suspiro preocupado. —Tão pálida.... Está passando mal?

Neguei com a cabeça puxando sua mão de meu rosto e pegando-a entre as minhas.

—Estou com um pouco de azia, exagerei no champanhe. – contei. —Meu período menstrual também está adiantado, sabe... Meus seios estavam bem doloridos, tive algumas cólicas e hoje descobri o motivo. – sorri amarelo sabendo que Renée ainda não estava convencida. —Deve ser por isso...

—Não é. – me interrompeu. —Você e eu sabemos muito bem o motivo.

—Mãe. – olhando em seus olhos, deixei claro como estava incomodada. —Não vamos falar disso, por favor.

—Tudo bem, não vou insistir. – colocando meu cabelo atrás da orelha, Renée ficou um tempo em silencio. —Quando quiser conversar, estarei aqui.

Lhe emiti um sorriso fraco, mas de coração.

—Só vim lhe dar um beijo de boa noite e já estou indo deitar, você vai ficar bem?

—Sim, vou terminar de tirar a maquiagem e já vou dormir. – minha voz tremeu um pouco e eu soube que Renée havia percebido, contudo, não comentou nada a respeito.

—Durma bem, meu amor. – se inclinando, ela beijou meu rosto antes de se levantar. —Se precisar, é só chamar.

Tentar ser forte cansava.

Toda aquela realidade devastadora, estava me cansando.

Não aguentava mais ir dormir todos os dias pedindo para que na manhã seguinte, tudo voltasse a ser como era.

Evitar o choro fora tudo o que eu fiz durante o jantar de pré comemoração do aniversário de casamento dos meus pais.

Mesmo que eu estivesse muito feliz por eles, não consegui ser forte o suficiente, não consegui fingir que estava bem, pois todas as minhas foças estavam sendo usadas para evitar o choro.

Haviam muitas pessoas, familiares, amigos, vizinhos... Mas ele... Ele não estava.

E tudo o que eu precisava era ele.

Naquela altura do campeonato, depois de tanto tempo longe dele, a raiva, a magoa e o ciúme já tinham sido encobertas pela saudade.

Deitada naquela cama de casal que parecia grande demais para só uma pessoa, vi as horas se arrastarem pelo relógio e a noite passar pelas cortinas claras da janela.

Esperei o relógio apitar para me levantar. Oito horas em ponto.

Letárgica tomei um banho rápido, vestindo uma calça de ginástica preta e uma regata azul larga por cima do top negro. Prendi o cabelo no alto após calçar os tênis.

Correr seria bom para espairecer.

—Bom dia. – meu pai foi o primeiro saldar, erguendo os olhos do jornal que segurava ele me emitiu um sorriso carinhoso quando beijei seu rosto.

Renée que fritava bacon deixou a frigideira de lado, para vir beijar minha testa.

—Bom dia. – proferiu me observando analiticamente. —Sente-se, fiz panquecas para você.

Com a face contraída, apenas neguei com a cabeça. Somente ao ouvir a palavra “panqueca” meu estômago começou a doer.

—Não estou com fome, mãe....

—Mas vai comer. – interrompeu me forçando a sentar. —Pelo menos umas frutas.

Ficando de pé, puxei uma maça da cesta a minha frente.

—Vou comer enquanto corro. – chacoalhei a fruta no ar, fazendo-a bufar.

Renée até tentou me impedir de sair, mas eu realmente precisava correr um pouco. Dando uma mordida na maça, puxei a porta da frente antes de arrumar o cós da calça sobre minha barriga.

Meu abdômen estava inchado e os primeiros sinais da dor, já começavam a chegar.

Deixando o assunto de lado, ergui a cabeça pronta para começar a correr, mas dois olhos verdes me impediram.

O mundo parou, minhas pernas tremeram, as palavras fugiram e o meu coração falhou. Um arrepio passou por meu corpo paralisando cada parte minha.

Edward estava bem a minha frente, parado, as mãos nos bolsos da calça jeans verde, ostentava seus ombros largos dentro de uma camisa jeans clara, os olhos presos em mim.

No momento em que nossos olhares se encontrarem, foi como se a vida voltasse a soprar pra mim.

Meu corpo começou a formigar quando ele se aproximou alguns passos, as batidas do meu coração eram tão fortes que chegavam a me incomodar.

Era incrível como a mesma pessoa que me destruía, era a única capaz de me reerguer completamente.

—Oi. – sua voz rouca saiu nervosa, contudo não me liguei a leve tremulação do som, tudo o que prendia minha atenção era o fato de ele estar cada vez mais perto.

—Oi. – minha voz quase não saiu. Maneando a cabeça, dei um passo para trás aumentando a distância entre Edward e eu. Pigarreei tentando recobrar um pouco dos sentidos do meu corpo. —O que está fazendo aqui?

Ele respirou fundo eliminando o sorriso dos lábios, ergueu os ombros demonstrando uma tensão imensa.

—Eu queria falar com você, será que dá para gente conversar? – vi a ansiedade brilhar em seus olhos quando fiquei em silencio. —Por favor, Bella. Preciso muito disso. – praticamente suplicou.

Puxando o ar pela boca, concordei com a cabeça.

—Tudo bem, vamos entrar e...

—Não. – interrompeu impedindo-me de virar. —Você ia correr, não é? – assenti com a cabeça. —Podemos caminhar então, porque correr com essas calças... – Edward abaixou o olhar para o próprio corpo e instantaneamente, fiz o mesmo.

Encarar aquelas pernas torneadas era um sortilégio e tive de fazer uma força muito grande para desviar os olhos delas.

—Ok. – concordei por fim, Edward sorriu e virando o corpo me convidou com um aceno de cabeça.

Caminhar ao seu lado mantendo uma distância considerável e sem nenhuma possibilidade de haver um toque entre nós dois, era uma tortura.

Nós atravessamos a rua em silencio e continuamos seguindo em sentido norte pelo passeio.

—Eu sei que você precisa de um tempo e não vim aqui com o intuito de fazer ele ser reduzido. – começou a proferir com certo embaralho. —A menos que você queira, é claro. – colocou rapidamente.

Contive o riso, ele ficava fofo quando se embolava nas palavras.

—Enfim, errei duas vezes com você, Bella, e precisei te perder duas vezes para acordar. – olhando-o de soslaio o vi engolir a seco. —Achava que estava agindo certo, que estava fazendo o melhor para você, mas no fim, só conseguir te fazer sofrer.

Nós dois caminhávamos lentamente pela calçada, a rua não apresentava movimento algum.

—Durante todo esse tempo, desde que você foi embora, tudo o que eu conseguia pensar era nos motivos que tive para te fazer ir. – respirou fundo. —E talvez seja isso que não me fez perceber ‘como ’ eu te fiz ir.

Quando eu o olhei e encontrei seu olhar esmeraldino, tive te tomar uma grande lufada de ar. Seus olhos me deixaram momentaneamente abobalhada.

Talvez fosse a sinceridade que eles emitiam, talvez o brilho intenso, ou quem sabe, somente a saudade que senti de ter aqueles orbes lindos sobre mim.

—Não é porque, é como. – voltou a falar erguendo a cabeça e encarando o horizonte deserto. —Uma grande mulher me disse que a mentira encobre a grandeza de qualquer ato. – pareceu refletir nos poucos segundos que ficou em silencio. —E eu menti para você, várias vezes.... – parando de caminhar, Edward se colocou a minha frente. —Talvez se eu tivesse lhe contado tudo eu não teria perdido você.

Engolindo o ar fiquei imóvel quando ele se aproximou um passo. Estava difícil prestar atenção em suas palavras quando ele estava tão perto, quando toda a saudade que senti dele ameaçava explodir por meu peito...

—Eu devia ter lhe contado que no momento que você desceu da viatura do seu pai, naquele primeiro dia de aula, eu fiquei fascinado pelo seu jeito. – seus olhos reluziam. —Feita de puro carisma, delicadeza... – um sorriso delineou sua boca. —Não foi difícil me apaixonar por você, com todo aquele charme, simpatia, inteligência... Ficava impressionado com sua intelectualidade, como você entendia de todos os assuntos e sabia conversar sobre tudo. – sua voz era carinhosa. —Devia ter lhe contado que desde o primeiro momento, eu quis ser diferente com você, porque você era diferente de todas as outras.

Inspirando profundamente, me mantive quieta. Meu coração batia em ritmo acelerado.

—Eu devia ter contado a você como fiquei surpreso ao te ver descer as escadas da casa dos seus pais, na noite do nosso primeiro encontro. Você, seu jeans apertado e o poder que os dois tinham de me deixar maluco. – não contive o sorriso, era impossível não me lembrar também. —Você não exibia um decote exagerado, não estava em cima de saltos altos, nem muito maquiada, mas era a mulher mais sensual que eu já tinha visto em toda minha vida. – Edward abaixou a cabeça, parando por um momento, antes de continuar. —Devia ter lhe dito, como adorei ouvir você falando sobre seus autores e cantores preferidos, como achei incrível quando me deu aquela explicação sobre as estrelas e como você achava que elas guardavam nossos futuros.

A nostalgia ia me domando e os momentos correndo por meus olhos com filmes.

—Devia ter lhe contado, como pedi a elas para me reservarem um único destino: Você. – sua voz era tão limpa e sincera que me deixava sem chão. —Devia ter falado que eu tive minha primeira vez com você, porque foi a primeira vez que eu amei uma mulher, a primeira vez que não foi apenas sexo.

Não duvidava daquilo, nossa primeira vez, havia sido inesquecível. Se eu tinha alguma dúvida sobre o amor de Edward, elas se esvaíram naquela noite.

—Eu deveria ter lhe contado, como me orgulhava ver sua dedicação aos estudos, como ficava encantado por persistir no seu sonho. Devia ter lhe dito que mesmo morrendo de medo de não fazer parte dele, tudo o que eu mais queria era que você realizasse seu sonho. – seu maxilar ficou duro por um tempo curto. —Devia ter dito a você como eu me sentia um nada por não poder te oferecer tudo o que a bolsa de estudos oferecia, como eu queria ser suficiente o bastante para que você ficasse.... Mas eu não era. – ele respirou fundo. —Eu deveria ter lhe dito tudo isso e então... Deixado você ir. – sua voz saiu meio angustiada. —Deveria ter dito a verdade e evitado todo esse sofrimento que eu te causei.

Maneando a cabeça, saí do transe que suas últimas revelações me causaram.

—Você sempre fez parte dos meus sonhos, Edward. – proferi atraindo seu olhar. —Eu queria ir para Columbia, mas queria muito mais estar com você...

—Eu sei disso. – ele me interrompeu passando a mão pelo cabelo. —Eu ouvi você dizendo que pensava em desistir para sua mãe, mas eu não podia permitir isso, Bella. – seus olhos assumiram um brilho triste. —Não podia deixar você trocar uma oportunidade tão incrível, por um cara que não tinha nada para te oferecer. – cerrou o maxilar mantendo os olhos nos meus. —Você sempre foi inteligente, determinada, esforçada... Você estava pronta para ganhar o mundo, Bella e eu... Eu era apenas um rapaz imaturo, repetente, que odiava ir para a escola. – Edward inalou o ar com força. —Não podia prender você, não tinha nada para oferecer a você...

—Amor, Edward. Você me oferecia amor. – dessa vez, eu o interrompi. —Você me amava, me fazia feliz, como não tinha nada para me oferecer?

—Na época, isso não parecia o bastante. – murmurou baixo. —Eu fui um idiota por inventar a traição, fui idiota por deixar você ir e não lutar por você. – correu a mão pelo cabelo em ato claro de nervosismo. —Fui um idiota por não ter ido atrás de você, por ter entrado em um relacionamento e iludido uma pessoa por cinco anos, só para tentar te esquecer...

—Seu namoro de cinco anos durou tanto tempo só por isso? Porque você tentava me esquece com outra? – perguntei meio descrente.

—Sim. – confirmou maneando a cabeça. —Você disse que me procurava em todos os caras, eu fiz isso por um longo tempo, mas cada vez que percebia que você era única e jamais acharia outra, se quer, parecida, sentia uma parte minha morrer. – aquilo eu conseguia entender, havia tido aquele sentimento várias vezes. —Então tentei me apegar a uma pessoa. Tentei curar um amor com outro, contudo eu jamais amei alguém além de você.

Fechei os olhos lubrificando meus lábios com a ponta da língua. Eram tantas revelações, mal conseguia compreender tudo.

—Eu fui um idiota ao deixar você acreditar mais uma vez em uma traição, por deixar você pensar que eu tenho um caso com a mulher do meu chefe...

Estanquei ao ouvir suas últimas palavras.

Um caso com a mulher do meu chefe.

Aquilo quicou em minha cabeça, até encontrar um sentido.

—Gianna e Laurent...

—São casados. – completou. —Eu deveria ter lhe contado isso, tive tantas oportunidades... – bufou emitindo certa raiva. —Fui adiando, esquecendo, deixando de lado.... – encolhendo os ombros, ele voltou a pôr as mãos nos bolsos. —Eu sei que eu não mereço sua confiança, porque eu menti para você e a mentira acaba com tudo. – com o tom mais leve, Edward proferiu. —De novo me vem aquela insegurança... Aquela sensação de que você é boa demais para mim. – aquilo soou tão absurdo, mas Edward não me deixou falar. —Mas dessa vez, dessa vez eu não posso deixar você ir, sem ao menos lutar e uma grande mulher me disse que a verdade e a sinceridade são as melhores armas.

Perplexa, eu estava perplexa.

Desde quando Edward se sentia inferior a mim? Como ele podia sentir aquilo?

—Ok. – soltei o ar pela boca, sem ter a mínima ideia do que falar. Meus pensamentos estavam a mil.

—Eu sei que você precisa de um tempo e eu respeito sua decisão, só precisava te dizer tudo isso.

Seus olhos pareceram ansiosos por uma resposta, mas ainda estava desconexa demais para falar alguma coisa.

Assentindo com a cabeça, vi um sorriso decepcionado aparecer em sua boca.

Nada daquilo fazia o menor sentido para mim. Edward sentindo insegurança? Era absurdo demais.

Ele era lindo, tinha traços raros, um corpo maravilhoso.... Se alguém tinha que sentir insegurança, era eu.

Sempre me senti comum demais para ele e agora.... Soltando o ar pela boca entrei em casa.

Renée desviou os olhos da TV voltando-os para mim.

—Demorou, hein...

—Estava com Edward. – a interrompi, vendo sua boca se formar em um perfeito ‘o’.

—Sério? – levantando da poltrona, ela correu até mim, segurou minhas mãos e me puxou para sentar no sofá. —Voltaram?

Rolando os olhos, neguei com a cabeça.

—O encontrei na porta de casa, assim que saí para correr. – comecei a contar. —Ele disse que precisava falar comigo, então fomos dar uma volta. – Renée assentiu com a cabeça, mantendo os olhos em mim. —Ele me disse tanta coisa, mãe.... Ainda estou.... Perplexa.

—Coisas? Que coisas? – indagou curiosa. —Não foi grosseiro, foi?

Tirei o cabelo do rosto ao negar, mais uma vez, com a cabeça.

—O que ele disse?

—Disse que percebeu como errou comigo, que não deveria ter mentido.... Que por melhor que fossem suas intenções, a mentira cobriu tudo. – mordendo o canto do lábio, respirei fundo. —Mãe, ele disse que sentia inferior a mim.... Sabe, inseguro.

Renée não pareceu tão impressionada quanto eu ficara.

—Que eu era inteligente demais e ele, apenas um garoto repetente. – aquilo ainda não fazia o menor sentido para mim. —Isso é tão absurdo...

—Absurdo por que? – perguntou me interrompendo.

Erguendo os olhos até os seus tomei uma grande quantidade de ar pela boca.

—Porque é, mãe! Edward é lindo de morrer, sempre atraiu multidões de mulher por onde quer que fosse.... Eu tenho motivos para ter insegurança, ele não.

Rolando os olhos, mamãe se arrumou no sofá.

—Isso que você acabou de dizer é absurdo. – colocou com o tom firme. —Todo mundo se sente inseguro, Bella.

—Mas mãe, eu nunca dei motivos...

—Filha, a gente não dá motivos. – voltou a me interromper. —A insegurança não precisa de motivos. – sua mão tocou meu rosto. —É só a gente olhar para quem ama, sentir como a pessoa é incrível, como ela é especial.... Só por amar demais a gente se sente inseguro.

Soltei o ar pela boca, abaixando a cabeça.

—Não é só mulher que sente insegurança, Bella.

Recostando no sofá, mordi meu lábio com força, ainda refletindo sobre tudo.

—Ele disse só isso?

—Não. – minha voz saiu mais fraca. —Disse que estava arrependido por ter mentido, que deveria ter falado a verdade... – passei a mão pelo rosto meio perdida. —Falou que namorou cinco anos só para tentar me esquecer, mas não acredito nisso, não.

—E porque não?

—Porque cinco anos é muito tempo mãe, ninguém fica cinco anos com uma pessoa sem gostar dela.

Renée maneou a cabeça, esticou o braço e pegou minha mão.

—Existem casamentos que duram décadas e não há um pingo de amor entre as duas partes. – as voz saiu doce. —Cada um tem uma maneira de levar a vida, de tentar esquecer.... Ele namorou quando vocês não estavam mais juntos, ele tentou seguir a vida sem você, do mesmo jeito que você tentou seguir a vida sem ele. – mordi o lábio ainda em silencio. —Não há nada de errado nisso.

Engoli a saliva com certa dificuldade. Minha cabeça estava a mil.

—A Gianna é esposa do chefe dele. – olhando-a de soslaio, contei mais baixo.

—E daí?

—E daí que se eu soubesse disso, não teria sentido tanto ciúme dela. – assumi encolhendo os ombros.

—Então se você soubesse que a mulher é casada, você não teria sentido tanto ciúme? – indagou, assenti meramente com a cabeça. Renée maneou a cabeça em ato claro de desaprovação. —Bella, isso é ilógico. – soltou com um suspiro. —Ter ciúme das amigas dele, sendo elas comprometidas ou não, é péssimo.

No fundo eu também sentia que era.

—Edward tem amigos, você tem amigos. E os dois tem que respeitar isso, os dois tem que confiar um no outro...

—É esse o problema, mãe! – engolindo seco, a olhei. —Confiar é difícil para mim. Tudo o que aconteceu deixou uma ferida muito grande e quando ela está cicatrizando, alguma coisa faz ela sangrar de novo.

Renée esticou os braços e me puxou para um abraço. Recostando a cabeça em seu peito, respirei fundo, havia tanta coisa entre Edward e eu...

—Você tem que parar de cutucar a ferida, é você que a faz sangrar de novo. – sua mão afagou meu cabelo. —Se por qualquer coisinha você lembrar do que aconteceu, começar a desconfiar, não sentar e conversar abertamente com ele, a ferida nunca vai fechar. Edward e você nunca darão certo. – fechei os olhos ao sentir seu beijo em minha testa. —Tem todo um passado entre vocês, certos traumas que os dois carregam e só vão conseguir superar isso se derem a mão e tentarem juntos.

Segurando meu rosto, Renée me fez olhá-la nos olhos.

—Uma relação é baseada nisso, companheirismo, respeito, liberdade, diálogo.

Soltei o ar pela boca, sorrindo fracamente a ela. Mamãe limpou a lágrima que caiu por meu rosto com os dedos, antes de me abraçar mais uma vez.

A manhã havia sido bem intensa. Foram tantas revelações, tantos pensamentos embaralhados...

Deitada no sofá da sala, mal conseguia ficar parada. Tudo aquilo estava me angustiando, me sufocando.

Estava coberta de incertezas. Coberta de dúvidas e medos.

O que eu poderia fazer? Dar mais uma chance, e conversar mais uma vez, e repetir o mesmo discurso, e ouvir o mesmo discurso?

Esfreguei as mãos no rosto, ainda me sentindo perdida.

—Bella. – Charlie chamou empurrando levemente meu braço, estourando a bolha que havia entrado, senti no sofá o encarando. —Sua mãe está mandando você ir almoçar.

Ainda meio alheia, apenas concordei com a cabeça. Charlie respirou fundo antes de sentar do meu lado.

—Você não anda muito bem, não é?

Sua pergunta me fez respirar fundo. Erguendo a cabeça, o encarei. Charlie teve sua resposta ali.

—Me sinto perdida, pai. – assumi com a voz baixa. —Já se sentiu assim, olhando para todos os lados sem saber para onde ir?

Charlie maneou a cabeça em concordância.

—Já. – refletiu por um tempo. —Muitas vezes.

—E o que fez para se encontrar, pai? Como soube que caminho seguir?

Charlie respirou fundo, ficou um tempo em silencio e então, sorriu com o canto da boca.

—Olhei para todas as direções, vi o que cada uma me dava e tirava. E então, segui aquela que levava até sua mãe. – suas palavras me fizeram sorrir. —Porque apesar dos problemas, dos conflitos e das crises, era nela que eu me encontrava. E era com ela que eu queria estar.

Encarando o tapete sob meus pés, fiquei um bom tempo em silêncio, refletindo sobre suas palavras.

—Sabe filha, tive oportunidade de intervir e evitar duas tragédias, mas fiquei calado e isso só resultou em sofrimento. – seu braço passou por mim me puxando para mais perto. —Então acho que agora é a hora de eu falar. – beijou minha cabeça fazendo uma breve pausa. —Nós homens, somos bem lentos, as vezes só percebemos que estamos errando, quando as coisas fogem do nosso controle. – erguendo a cabeça, eu o olhei. —Mas Edward ama você, qualquer um percebe isso. – aquilo me agradou imensamente. —Ele mentiu, e reconheceu que errou. Isso é uma prova de amadurecimento. – seus dedos colocaram meu cabelo atrás da orelha. —Eu tenho certeza de que tudo o que ele precisa agora, é de uma chance para se redimir, para acertar, para fazer valer a pena, sabe?

Assenti com a cabeça em silencio.

—E olhando para você, vendo como sofreu, como ainda ama ele.... Eu vejo que você também merece essa chance. – respirei fundo sentindo as batidas fortes do meu coração. —Vocês já perderam muito tempo.

Mordendo meu lábio inferior, repassei todas as suas palavras.

Foi como se alguém tivesse aplicado uma dose de adrenalina em minhas veias, meu coração falhou por um segundo para então, voltar a bater com toda força e intensidade.

Levantei do sofá em um pulo, parando para pegar as chaves do meu carro no aparador e então correr porta a fora.

Estava afobada, apressada.... Um misto de sentimentos que só faziam por me deixar sem ar.

Saindo com o carro da garagem, ainda tive tempo de ver meus pais no jardim, mamãe reclamava sobre minha falta de fome e o fato de eu ainda não ter almoçado.

A resposta de Charlie me fez sorrir: Deixe ela ir, eles já perderam muito tempo.

Sim, nós havíamos perdido muito tempo, sendo idiotas, confusos e inseguros.

Mas naquele momento, nada daquilo tinha mais importância. Nenhum passado, nenhuma mentira ou erro.

Porque apesar dos problemas, dos conflitos e das crises, era nele que eu me encontrava. E era com ele que eu queria estar. Edward era o caminho que eu queria seguir.

Notas finais
Algo me diz que no próximo vai ter reconciliação :3 Também, já estava hora, né? hehe Cláudia, mais uma vez, muito obrigada pela recomendação :* Próximo é só terça :D Espero que tenham gostado, fiquem bem. Beijoos :*