De Volta Para Você
31 Bônus - Eterno
Notas iniciais
Um giro perfeito e finalmente pude me olhar no espelho.
A imagem que fletia a pura brancura com renda, véu, pérolas e tiara, me encantou.
Havia sonhado várias vezes com aquele momento, mas nem de longe me imaginara tão bonita.
Começando pelo meu vestido, ele era lindo!
O modelo era delicado, simples, puro e tão rico em detalhes quanto de sensibilidade, que mesmo sozinho ele era capaz de me arrancar suspiros.
Ele era tomara que caia, todo incrustado por pequenos cristais, se ajustava por toda minha cintura e quadris e então, se abria em um mar de tule branco com aplicações de renda a partir dos meus joelhos.
A gravidez inesperada, nos fez antecipar todos os preparativos e os planos de nos casarmos só final do ano, foram completamente esquecidos.
Era final de maio, a primavera já se despedia e o verão já vinha se aproximando.
Estava uma tarde tão agradável que até a natureza conspirava a nosso favor.
Minha maquiagem estava perfeita. Sobrancelhas bonitas e desenhadas, realçavam meu olhar. A sombra esfumaçada mesclava o tom rosado, dourado e preto, os cílios postiços e o delineador davam o toque final.
O blush rosado destacava as maçãs do meu rosto, deixando-o levemente mais fino e por fim, o batom cor de rosa impassioned que marcava cada curvinha da minha boca.
Erguendo o braço que sustentava a pulseira de diamantes —que vinha do mesmo conjunto dos brincos, da gargantilha e da tiara que usava—, toquei a joia em minha cabeça. Ela estava entre o topete e o coque largo em formato de rosquinha.
Era incrivelmente linda, cheia de pontos redondos incrustados por brilhantes que só faziam por destacar ainda mais o penteado.
O véu estava preso por baixo do coque e descia como uma longa cascata branca, havia algumas aplicações de renda na barra e vários pontos de cristais por todo seu cumprimento, era simplesmente perfeito!
—Oh, meu Deus! Você está tão linda. – Renée se colocou a minha frente, os olhos marejados foram salvos por mais um lenço que a coordenadora da equipe contratada lhe entregara.
Rindo apenas suspirei.
Já havia perdido as contas de quantas vezes ela havia me dito aquilo. Ela e todas as outras ao meu redor.
—Obrigada, mãe. – agradeci descendo do pequeno tablado de madeira com a ajuda de Esme. —Você também está linda.
O sorriso em seu rosto ficou maior, destacando a cor nude em seus lábios. Renée estava mesmo muito linda, seu vestido era ombro a ombro, marcado na cintura e solto pelo restante do seu corpo, o tom rosa queimado era incrível.
Seu cabelo estava preso em um coque muito bem arrumado. Preso entre o centro da cabeça e a nuca, ele valorizava seus traços refinados e seus brincos de ouro.
—O vestido é mais lindo do que eu me lembrava. – Esme analisou tocando a pedraria cristalina que fora bordada a mão por todo o corpete. Suspirei concordando com a cabeça. —Não está apertando a barriga? – seu tom saiu do deslumbre e passou para preocupação em um segundo.
A olhando, neguei com um aceno. O vestido estava mesmo bem juntos, mas não provocava nenhum aperto.
—Não, estou bem. – murmurei vendo-a sorrir largamente.
Se havia uma coisa que não faria falta ao meu bebê, era o gene da beleza. Ele estava presente em todos os lados da nossa família. E não seria nada mal, que ele ou ela, herdasse um pouco da de Esme.
Ela já era linda em dias normais, mas naquela tarde, Esme batera todos os recordes.
O penteado era um clássico coque com caracóis, preso no alto, no centro da sua cabeça e destacando a cor acobreada tão bela e única.
As joias de ouro e topázio, tinham todo o destaque no colo e nas orelhas, o tom rosado era o mesmo presente na sombra em seus olhos e no vestido de renda que contornava todo o seu corpo curvilíneo.
Duas batidas na porta me fizeram desviar a atenção de Esme, a placa branca de madeira correu para o lado e então, revelou uma imagem que me fez suspirar tamanha graciosidade.
Alice trazia nos braços, a dama de honra mais linda do mundo!
Mia estava realmente um encanto, o vestido tinha o corpete de tule e renda branca, a saia era rodada de cetim rosa claro.
Seu cabelo preto estava preso em um coque alto, bem feito no formato de uma rosquinha, uma grinalda com pequenos lírios rosados enfeitava sua cabeça e por fim, a franja que fora posta de lado que a deixara ainda mais fofa.
—A daminha de honra está pronta! – Alice cantarolou sorridente.
Esme e Renée se derreteram a frente de Mia, e quando ela fora entregue a avó, pude ver como Alice estava bonita.
Seu vestido também era rosa, seguindo assim, a cor padrão da decoração escolhida. Ele era todo de tule e renda, a cor rosada destacando sua pele alva, o estilo sereia demarcava cada volta do seu corpo.
Ela prendera um pouco do cabelo atrás da cabeça e quando me deu as costas para brincar com Mia, fiquei encantada com a cascata de cachos que caía por suas costas.
Respirei fundo, olhando com satisfação as quatro mulheres mais importantes da minha vida conversarem e rirem.
Não havia nada mais prazeroso no mundo do que dividir um momento tão especial quanto aquele com elas.
Elas eram a minha família, a minha base.
—Já são cinco e meia. – a coordenadora parou a minha frente me emitindo um sorriso leve. —Está na hora de ir. – suas mãos ergueram até as minha e me estenderam o lindo buquê de lírios rosa em cascata.
Tomei fôlego pela boca, erguendo a cabeça, notei que todas elas me olhavam.
É, estava na hora de ir.
Meu estômago se contorceu tamanha ansiedade que sentia e quando me olhei, pela última vez no espelho antes de sair do quarto, senti em cada poro da minha pele o que estava prestes a acontecer.
Ia me casar.
Não iria ficar sentada no banco da igreja observando a felicidade alheia, não ouviria o sino badalar anunciando a entrada de outra pessoa... Não, aquela tarde era toda minha.
Todos os olhos, toda a atenção, até os badalares do sino... Era o meu momento, o meu dia, o meu casamento.
Esme e Renée, seguiram na frente, elas entrariam antes na igreja e Alice, que ainda mantinha a filha nos braços, me deu um rápido abraço antes de ir também.
Tentava memorizar cada detalhe, cada respiração e pensamento que corria por minha cabeça, enquanto descia a grande escada central da casa de Esme.
Queria gravar tudo para mais tarde poder reviver cada segundo.
—Ual. – a voz de Charlie saiu arrastada, não precisei procurar muito para encontra-lo. Lá estava ele, nos pés da grande escada, vestindo um belo smoking preto de corte fino, segurava uma taça de champanhe em uma das mãos e um sorriso largo no rosto. —Filha, você está linda. – seus olhos lacrimejados revelaram como ele estava emocionado.
Sorrindo, aceitei sua mão livre para descer o último degrau da escada.
—Obrigada pai. – Charlie suspirou e fechou os olhos por um momento antes de beijar as costas da minha mão.
—Seu eu pudesse eu voltaria no tempo. – murmurou com o timbre embargado. —Só para te ver crescer lentamente... Te ver correndo pela casa, brincando com suas amiguinhas, alegrando minhas manhãs... – fez uma pausa, abaixou o rosto e soltou minha mão para poder limpar o canto dos olhos. —É muito bom ver um filho crescendo, você vai passar por isso e vai me entender.... E é ainda melhor quando eles realizam seus sonhos e ficam assim, felizes. – sorrindo fiz uma força absurda para controlar o choro. —Sou muito grato a Deus por ele ter me dado você. – Charlie respirou fundo e então voltou a sorrir. —Quero que você seja muito feliz, Bella.
Soltando o ar pela boca o abracei com cuidado para não amassar as flores do meu buquê.
—Eu te amo pai. – sussurrei engolindo o nó em minha garganta.
—Eu também te amo querida. – beijou minha testa fazendo um curto silencio. —Acho que nós precisamos ir, ouvi alguém falar que a noiva já está atrasada.
Rindo me afastei dele.
—Já estou dez anos atrasada, então vamos logo. – Charlie riu com gosto das minhas palavras, deixou a taça quase vazia sobre o aparador e então me levou até o carro que me esperava —um lindo Chevrolet Fleetmaster 1947 Conversível branco.
Do lado de fora da casa de Carlisle e Esme, a equipe contratada estava a mil por hora, nossa festa seria nos fundos e pelo pouco que observei da janela do quarto, estava tudo maravilhoso.
Haviam mesas espalhadas por todo o jardim, arranjos perfeitos com lírios cor de rosa e belas toalhas de mesa de seda.
Estava tudo perfeito indo muito além do que eu esperava.
Quando o carro fez a última curva até o templo de Louisville meu coração passou a bater mais forte.
O grande momento se anunciava, proclamando toda sua glória e repercutindo em ecos de sentimentos mistos dentro de mim.
Alegria, felicidade, encantamento, realização... Claro que sim! Medo, talvez. Afinal, o novo é algo que assusta um pouco.
Fora da igreja estava apenas a equipe que contratamos para organizar a cerimônia. Eles me receberam com um mar de elogios e amplos sorrisos.
Tentei retribuir com alguma atenção, mas foi difícil.
Nada mais ocupava lugar em minha cabeça, a não ser o fato de que o homem que eu tanto amava, estava me esperando no altar, pronto para me receber definitivamente como sua mulher e ser, de uma vez por todas, meu marido.
Charlie me deu o braço na porta da igreja, ali parada, tive de respirar fundo várias vezes controlando o choro que queria sair de mim.
Eles ajeitaram meu vestido e o véu, falaram sobre a posição que eu deveria manter o buquê e então, as portas começaram a se abrir.
O sol já se despedia no horizonte quando os sinos começaram a tocar.
Que momento sublime!
Mal conseguia acreditar que os sinos estavam sendo tocados apenas para mim.
Então foi como se as vibrações que saiam do sino, fossem um calmante para o meu corpo. Elas me relaxaram instantaneamente.
Os acordes de Home de Michael Bublé começaram a soar assim que dei o primeiro passo em direção ao altar.
O tempo ficou estacionado em sua lógica maluca e ligeira, como se até ele, o mestre de tudo e todos, estivesse desejando que desse tudo certo.
Eu queria olhar tudo, o tapete de veludo branco que levava até os degraus do altar, os arranjos de lírios cor de rosa, postos sobre colunas de vidro com velas artesanais, os convidados e nossa maravilhosa família, contudo, não consegui.
Só conseguia olhar para ele, para o sorriso grande que se abriu em sua boca assim que as portas se abriram, para o brilho intenso que faziam seus olhos resplandecerem.... Só conseguia olhar para Edward e ver que ele sentia tudo o que eu estava sentindo.
Ele estava lá, parado no altar, me esperando.
Estava mais lindo do que nunca em sua farda de gala e o quepe, a cor branca absolutamente impecável.
O caminho até ele pareceu longo demais, quando finalmente paramos em frente aos degraus, Edward os desceu estendendo a mão e capturando a minha, oferecida por Charlie.
Recebi um rápido beijo no rosto de papai que logo se uniu a Renée no canto esquerdo do altar.
Edward não precisou dizer uma palavra para que eu entendesse o que ele estava pensando, a mesma fascinação que existia em seus olhos, existia dentro de mim.
Ele segurou em meu queixo com toda delicadeza possível para poder beijar minha testa. Fechei os olhos suspirando profundamente, tamanho meu contentamento.
Com os dedos entrelaçados, ficamos de frente para o padre que logo, começou seu discurso sobre amor e união.
Aquele momento mais parecia um sonho, um história que eu havia inventado.... Mas não era. Era tudo real, era a história que Edward e eu escrevíamos, de mãos dadas.
Nós voltamos a ficar de frente para o outro, quando o padre pediu as alianças. Alice carregou Mia até nós dois, essa que fez um ótimo trabalho segurando o travesseirinho com os anéis.
—Você está linda. – Edward sussurrou enquanto nossas alianças eram abençoadas.
—Você também. – respondi vendo o sorriso em seu rosto ficar ainda maior.
Vê-lo sorrir era um dos prazeres mais intensos que eu tinha. Talvez essa fosse uma das partes de amar alguém incondicionalmente, a gente fica feliz apenas por fazer o outro sorrir.
Edward foi o primeiro a pegar a aliança e eu logo o segui, quando ele segurou minha mão esquerda comecei a tremer.
Estávamos quase lá e o peso do momento caiu sobre mim.
Mais alguns instantes e logo estaríamos definitivamente juntos.
—Eu, Edward Cullen, aceito você, Isabella Swan. – começou afagando meus dedos. —Eu aceito você e suas manias, aceito seus medos, suas inseguranças e suas fraquezas.
—Eu, Isabella Swan, aceito você, Edward Cullen. – minha voz falhou um pouco me obrigando a pigarrear. —Eu aceito você e suas dúvidas, suas indecisões e seus assuntos não acabados. – murmurei vendo Edward respirar fundo e posicionar a aliança a frente de meu dedo, um instante depois o lindo anel de ouro já brilhava em meu dedo anelar.
—Eu aceito seus problemas, suas crises e toda a sua confusão. – continuou enquanto eu pegava sua mão e me preparava para colocar a aliança em seu dedo.
—Eu aceito seus erros, seus defeitos, suas quedas e seus tropeços. – proferi segurando sua mão, meu coração batia muito forte.
—Eu aceito os seus “sins” e cada um dos seus “nãos”. – Edward voltou a falar, meus olhos saíram dos seus durante os segundos que levei para colocar o anel em seu dedo.
—Eu aceito e quero você. – seus dedos se entrelaçaram aos meus, nossas mãos caíram entre nossos corpos.
—Porque você é tudo o que eu preciso.
—Para sempre. – sussurrei vendo o sorriso em seu rosto ficar ainda maior.
—Para sempre. – me lançou uma piscadela, encerrando nossos votos compartilhados.
O padre deu a benção final e Edward pode enfim, me beijar.
Quando sua boca tocou a minha senti como se tudo tivesse desaparecido. Era apenas nós dois.
Edward e eu.
Casados, finalmente.
Apesar dos erros, apesar do problemas e de todos os obstáculos que ficaram no caminho que nos ligava, ele havia conseguido, de novo, Edward chegara lá.
Ou aqui em mim. Lá no fundo. Onde eu não achei que ele conseguiria.
Feito flor, ele me tirara as pétalas, uma a uma, me descobrira, dia a dia, e encontrara o bem-me-quer.
Ele me dava forças, me ensinava, me dava a mão e me levava pelo caminho que a vida tinha para nós dois. Edward me enchia de versos, de canções já esquecidas, de sonhos novos e bonitos para sonhar.
Edward era, de um milhão de jeitos, maneiras e sorrisos diferentes, a melhor coisa que poderia ter me acontecido e me dera o melhor presente que eu já ganhara na vida: um filho.
Sabia que o nosso “para sempre” era verdadeiro. Que os nossos planos iam se tornar realidade. Que todo o nosso amor só ia continuar a crescer. Que as brigas iriam nos fortalecer.
Edward e eu não éramos iguais, mas nos completávamos com nossas diferenças.
E isso iria continuar, iria durar, iria ser eterno.
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