De Volta Para Você
16 Presente
Notas iniciais
O salão estava lotado.
Haviam pessoas para tudo o que é lado. No jardim de entrada, na área externa dos fundo, em roda da piscina, na pista de dança, nos balcões de bebidas, nas cabines privativas... Não sabia ao certo, mas podia apostar que havia mais de cem pessoas ali.
Enquanto passava por elas, tentando com aflição encontrar alguém conhecido, me surpreendia com o novo designer do salão.
Ele havia mudado muito. Muito mesmo.
Pouca coisa lembrava aquele humilde espaço neutro que recebera minha festa de dezesseis anos.
As características curvas e o glamour clássico do bar foram restabelecidos, enquanto o mobiliário foi radicalmente atualizado, e tecnologias inovadoras estavam integradas ao projeto de maneira bastante discreta.
Tudo havia sido aprimorado, a funcionalidade principalmente, implementando bares extras, entradas VIP, uma Sala Verde e espaços transformativos que podiam ser abertos para eventos ou isolados para as funções privadas.
Estimuladores sensoriais e diferentes materiais se intermeavam: aço inox espelhado, couro, madeira, bronze, veludo, níquel, carpetes, e pedras exóticas.
O efeito era completo, imersivo. Real era uma experiência rica e em camadas —que nos leva a sair da zona e conforto e desfrutar do espaço.
Intimista, moderna e sofisticada, a festa de Edward se encaixava perfeitamente em cada espaço luxuoso.
Ambas a iluminação e o som estavam sendo programados e controlados pelo DJ —definindo o clima, a ambiência, o ritmo e a cor do Real. O som literalmente preenchia o ambiente enquanto a iluminação jogava com todas as superfícies.
—Bella! – quase chorei de emoção ao me deparar com Jéssica e Mike. —Achei que não viesse. – ela teve de gritar por causa da música alta quando me abraçou.
—Pois é. – encolhi os ombros sem saber o que dizer. Para a minha sorte, Mike se aproximou.
—E aí, Bella?! – sua mão se estendeu a mim, sorrindo a apertei.
—E aí?! – piscando divertido, ele sorriu antes de tomar sua cerveja. —Sabe onde Alice está? – indaguei a Jéssica, tendo de repetir a pergunta por causa do som alto.
—Hm... Amor, onde Alice e Emmet estavam? – meio perdida, Jéssica se virou para Mike.
—Sentados em frente ao balcão principal de drinks.
—Ah, é! – Jéssica pareceu se lembrar. —Ela estava com os pés muito inchados, teve que sentar. – penalizou.
—Uh, onde fica esse balcão? Parece que tudo mudou por aqui. – rindo, ela se aproximou e me explicou apontando por entre os convidados. —Obrigada, Jéss.
Me lançando um beijo no ar, ela se afastou com o marido.
Meio perdida, segui o caminho tendo muitas vezes, de me espremer no meio das pessoas.
Soltei o ar pela boca aliviada, quando avistei Alice sentada em um dos bancos de couro negro. Emmet, que estava ao seu lado recostado no balcão alto de pedra ondulada, foi o primeiro a me notar.
Primeiro ele sorriu para mim, então inclinou a cabeça e cochichou algo no ouvido de Alice que logo me olhou. Seu sorriso foi vitorioso.
—Olha só! – disse alto quando parei a sua frente. —Que surpresa! – se inclinando beijei seu rosto e em seguida, o de Emmet.
Abrindo a boca para responder, me calei ao ver a mão de Alice se estender a Emmet que bufando, retirou cem pratas da carteira e depositou em sua palma.
—O que é isso? – gritei em meio à música cruzando os braços. —Vocês dois apostaram a minha custa ou o que?
—Apostamos. – Emmet disse naturalmente puxando a taça de cima do balcão e tomando uma grande quantidade. —E eu perdi.
Abrindo a boca, me vi sem reação.
—Eu ganhei! – Alice cantarolou feliz guardando o dinheiro na bolsa. —Sabia que você não ia fazer essa desfeita com seu... Amigo. – ela escolheu bem a última palavra para usar.
Ainda perplexa, observei Alice se virar para Emmet e murmurar:
—Amor, vai chamar o Ed. – mandou com um sorriso. —Diga para ele vir receber um convidado especial.
As luzes giratórias e faiscantes não me deixaram ter certeza, mas para mim ela havia piscado ao marido que abriu um sorriso tão travesso quanto o seu, ao se afastar.
—Hey, moço! – chamou o barman. —Traz um cosmopolitan para a minha amiga aqui. – e apontou para mim.
—O que você está aprontando, Alice? – perguntei próxima do seu ouvido, quando sentei ao seu lado.
—O que?
—Não se faça de desentendida, você sabe...
—A única coisa que eu sei é que os padrinhos da minha filha estão finalmente se entendendo. – me interrompeu. —E isso me deixa tão feliz quanto Edward vai ficar quando ver você aqui.
Rolando os olhos, recebi a bebida do barman.
—Você não presta. – acusei virando o liquido de uma vez.
—Uou! – soltou batendo palminhas. —Amigo, traz mais um. – mandou ao moço que sorrindo, se afastou. —Hm, olhe só, o aniversariante está chegando. – abriu um sorriso malicioso e apontou com a cabeça.
Prendo o ar em meus pulmões, virei a cabeça para ver Emmet caminhar em nossa direção, com Edward ao seu enlaço.
Foi impossível olhá-lo e não me encantar.
Estava tão lindo!
A começar pela calça branca, justa e bem moldada ao redor de suas pernas torneadas. Um blaser de cor parda tinha as magas dobradas até o início do antebraço e cobria boa parte da camisa cinza escura.
O chapéu panamá em sua cabeça tinha o caimento leve para cima, deixando a frente de seu cabelo a mostra. A cor castanha era a mesma dos oxfords em seus pés.
Quando seus olhos caíram em mim, um sorriso grandioso e iluminado estampou sua boca fazendo meu coração bater mais forte.
—Limpa a baba, linda! – provocou me cutucando com o cotovelo. Pigarreando sem jeito, abaixei a cabeça coçando minha nuca. —Ed, meu amor, olha só quem apareceu!
Não sabia exatamente o motivo, mas estava morrendo de vergonha.
—É, estou vendo. – olhando-o por baixo dos cílios, vi que seu sorriso estava ainda maior.
—Amor, quero ir ao banheiro. – Alice disse esticando os braços para Emmet que a ajudou descer do banco.
—Já voltamos. – ele murmurou antes de sumir no bolo de pessoas com Alice.
Mordendo o lábio inferior, Edward falhou ao tentar conter o sorriso.
—Não acredito que você veio. – com dois passos ele se aproximou, deixando seu corpo praticamente colado ao meu.
—É, eu vim. – concordei lubrificando minha boca com a ponta da língua.
Edward deixou a cerveja sobre o balcão para segurar meu rosto.
—Algum motivo especial causou essa mudança repentina?
Puxando o ar pela boca, apoiei minhas mãos em sua cintura. Edward estava tão próximo de mim que nada mais que não fosse seu corpo, seus olhos ou sua boca tinha importância para mim.
—Sim. – soltei por fim. —Eu percebi que a única opinião que me importa é a sua. – confessei. —Não ligo para o que os outros vão pensar ou falar, a única pessoa que eu quero agradar é você.
Seus olhos verdes ficaram ainda mais brilhantes.
—Então quer dizer que eu posso beijar você aqui, na frente de todo mundo, para todas essas pessoas verem?
Sorrindo, apenas assenti com a cabeça. Edward pareceu ficar ainda mais contente, seu corpo colou mais no meu, sua mão agarrou minha nuca enquanto a outra se apossou da minha cintura.
Edward me puxou com firmeza e um segundo depois, colou sua boca na minha.
Ele me prensou no balcão alcançando lugares inimagináveis com sua língua. Minhas mãos se fortificaram em seu quadril, puxando-o para mais perto com uma urgência fora do comum.
Quando nossas bocas se separaram, inspirei com tanta ênfase quanto alguém que havia acabado de dar um longo mergulho tomava ar.
Edward me olhou pronto para dizer alguma coisa, contudo a chegada do meu novo drink o calara.
Segurando a taça de coquetel virei toda a bebida de uma vez na boca. O liquido gelado desceu com extrema facilidade por minha garganta, dessa vez, surpreendendo a Edward que tomava sua cerveja.
—Vem. – seus dedos se entrelaçaram aos meus. —Vamos dar uma volta.
Engoli a seco.
Não que beijá-lo na frente de todo mundo fosse sinônimo de manter a discrição, contudo, circular por sua festa chamaria muito mais atenção.
—Alice e Emmet ele...
—Eles já foram. – me cortou derrubando minha única desculpa. —Emmet me disse antes de encontrarmos vocês, Alice está cansada.
Assentindo com a cabeça, belisquei meu lábio inferior antes de me virar para o barman.
—Quero a bebida mais forte que tiver. – anunciei depressa. —Em dose dupla, ok?
Tamborilando os dedos no balcão de pedra, ouvi os risinhos de Edward. Ele se acomodou atrás de mim, beijando meu pescoço vez ou outra, enquanto me esperava.
Assim que o homem me entregou o copo comprido e fino, exibindo um guarda-chuvinha rosa, cereja e laranja, eu o virei de uma vez.
A bebida era refrescante e forte. Forte mesmo. Me deixou alheia as coisas que aconteciam ao meu redor por longos minutos e quando essa sensação passou, fui abatida pela mais intensa e maravilhosa felicidade.
O meu “foda-se” estava devidamente ativado. Sentia como se pudesse fazer qualquer coisa.
E fiz.
Me apresentei aos colegas de trabalho de Edward com um sorriso enorme no rosto. O beijei no meio de todo mundo. Chamei-o de amor para quem pudesse ouvir —por causa do som alto.
A noite passou em uma velocidade impressionante, não tão impressionante quanto o fato de ter me sentido absolutamente à vontade: Dançando, cantando, conversando, beijando.
Sabia que tudo aquilo era resultado das dezenas de coquetéis que tomei, mas nem me importava.
A madrugada estava alta quando o cansaço começara a aparecer. Me apoiando nos ombros de Edward sentei em um dos bancos em frente ao balcão externo.
Ou eu estava enxergando muito, ou o céu já começava a clarear com pequenos raios alaranjados.
—Você bebeu muito, linda. – tirando o cabelo do meu rosto, ele soou repreensivo, contudo o sorriso em seu rosto deixava claro que Edward não estava bravo. —Precisa comer algo doce. Vou pegar para você.
Meus dedos rodearam sua camisa o impedido de se afastar.
—Não quero comer, eu estou bem. – garanti olhando em seus olhos. —Só estou ficando cansada.
Edward sorriu, beijou minha testa e então rodeou os braços por meu corpo me abraçando.
—Quer ir para casa?
—Na verdade, eu quero sim. – respondi após um longo bocejo.
Ele beijou minha têmpora antes de se afastar
—Ok, sou avisar a... Gianna! – o modo diferente como Edward dissera o nome, me fez erguer a cabeça. Ao perceber seu sorriso direcionado para algo que vinha atrás de mim, girei a cabeça.
Não foi o a terrível compreensão de que a terra realmente girava que me deixou tonta. Fora a figura alta, feminina e atraente parada um pouco diante.
A mulher era dona de uma pele caucasiana linda, seu rosto fino era contornado por lindas ondas acobreadas que chegavam —de modo impressionante— até a volta do seu quadril.
—Finalmente eu te encontrei! – ela disse abrindo um pouco mais o sorriso. —Nos desencontramos durante toda a noite.
Apertando a boca, a vi se aproximar ostentando nas mãos uma bela caixinha retangular de embrulho dourado.
Edward se afastou mais de mim para abraça-la e eu quis soca-lo.
—Parabéns. – ela disse mais baixo com os braços enlaçados em seu pescoço. E dessa vez, eu quis soca-la.
—Obrigado, Gi.
Gi.
Mais que porra era aquela? Que merda de intimidade que havia entre eles?
—Seu presente, é algo simples, mas espero que goste. – ainda ignorando minha existência no mundo, Edward pegou a caixa, todo sorridente a desembrulhou e pareceu amar o relógio prateado.
Simples? Que tipo de pessoa dá um Rolex a outra e diz que é algo simples?
Apertei os dentes com tanta força que eles rangeram um pouco alto demais, senti minhas bochechas arderem quando os dois pares de olhos verdes se voltaram para mim.
—Ah, Gianna, essa é a Bella...
—Namorada dele. – estendi a mão a mulher, interrompendo a apresentação de Edward. —E você é?
—Uma amiga. – respondeu meu sem jeito enquanto apertava minha mão. —É um prazer.
—Todo seu. – cruzando os braços, soltei as palavras sem sentir. Não me importei com a cara corada da mulher ou com o olhar pasmado de Edward.
—Bom. – passou a mão no cabelo que chacoalhou com perfeição. —Vou ir tomar um coquetel. – deu a desculpa. —Nos vemos depois.
Acenando com a mão, ela se distanciou até sumir na multidão.
—Bella! – Edward se virou para mim, a feição séria. —O que foi aquilo?
—Eu que te pergunto. O que foi aquilo? – empinei o queixo. —Que intimidade toda era aquela?
—Gianna é uma das minhas amigas mais antigas...
—Não importa. – o calei. —Tenho amigos que conheci no jardim de infância e nem por isso fico me pendurando no pescoço deles. – ele fez menção de dizer algo, contudo eu o impedi. —Ainda mais quando esses amigos são comprometidos.
Um sorriso contornou sua boca me deixando ainda mais furiosa.
—Está com ciúme?
Bufando cerrei os olhos.
—É claro que eu não estou com ciúme. – coloquei decidida. —Só achei ridículo essa mulher chegar e grudar em você...
Sua risada alta me interrompeu. Ele estava se divertindo.
—Para de rir! Não estou fazendo nenhuma piada.
—Você fica linda enciumada. – seu polegar traçou uma linha imaginária por meu rosto.
—Não estou... – seu sorriso irônico me fez desistir da negativa. —Quer saber... Vou para casa.
Prendo o ar na boca bati as mãos em seus ombros afastando-o o suficiente para saltar do banquinho.
—Hey, espera. – Edward tentou segurar meu braço, contudo logo me desvencilhei. —Bella!
Passando entre as pessoas, tentei sair o mais rápido possível do salão, mas o fato de estar meio bêbada e de salto, não me deixou obter muito êxito e Edward acabou me alcançando no estacionamento.
—Ou, calma. – segurando meu braço, ele me puxou. —Não precisa ficar brava, eu estava brincando. – seu tom doce, começou a me desarmar. —E você sabe que a única pessoa que eu quero, é você.
Engolindo seco, senti o gosto amargo da insegurança em minha boca.
—Ela é muito bonita, não acha? – perguntei a contragosto.
—Não. – erguendo os olhos até os seus, tentei encontrar algum vestígio de mentira, contudo não havia nada. —Eu acho você linda. – ele era sincero. —E acho também que bebeu um pouquinho demais. – encolhendo os ombros, não tive como contestar. —Vem princesa, vamos embora.
Ele beijou minha testa com carinho e passando seus dedos pelos meus, me puxou até o corredor dos carros.
—Eu vou no meu e você no seu?
—Claro que não. – negou rolando os olhos. —Vamos no seu. – retirando a chave da bolsa, apertei o botão do alarme, assim que ouvimos o apito caminhamos até meu carro. —Entre e fique aí. – Edward mandou quando sentei no banco do passageiro. —Vou entregar minhas chaves para um amigo e já volto.
Sem contestar, passei o cinto por meu corpo. Edward me beijou antes de fechar a porta e sair.
Não sabia se era sono, cansaço ou a grande quantidade de bebidas que ingeri durante a noite, mas caí no sono mais profundo assim que recostei a cabeça no banco de couro.
O sol já entrava pela janela quando finalmente acordei. Logo percebi que não estava no meu quarto e sim no de Edward, esse que ressonava tranquilo ao meu lado.
Esticando os braços, me espreguicei e só então percebi que não estava mais dentro do meu vestido preto, nem com minhas sandálias de salto alto.
Era uma regata cinza —que era claramente de Edward— que cobria meu corpo.
Respirando fundo, senti as ferroadas em minha cabeça. Sabia que era resultado da grande quantidade de bebida alcoólica que eu havia tomado, mas no momento aquilo não me incomodava.
Olhando no criado mudo, vi o relógio digital apitar oito horas em ponto e um pouco abaixo, exibir a data tão esperada: Oito de agosto.
Sorrindo, me virei para Edward ignorando o forte latejar em minha cabeça. Ele estava tão lindo dormindo de bruços, os lábios abertos e os olhos cerrados.
Erguendo a mão, retirei o cabelo da sua testa descendo os dedos por sua bochecha, maxilar e pescoço. Ele apenas respirou mais fundo permanecendo adormecido.
Me aproximando mais dele, tracei um longo caminho de beijos por seu ombro, subindo para sua garganta, seu queixo, até alcançar sua boca.
Segurei seu lábio inferior com os dentes e o suguei rapidamente, aquilo fora o suficiente para despertá-lo.
Erguendo a cabeça, Edward me olhou meio confuso e perdido. Sorrindo me aproximei ainda mais.
—Bom dia. – murmurei antes de deixar um rápido beijo sobre sua boca. —E feliz aniversário.
O sorriso apareceu em sua boca fazendo meus batimentos acelerarem. Edward girou na cama e eu logo deitei sobre seu peito.
—Bom dia, linda. – respondeu beijando meu pescoço. —Faz tempo que eu não recebo um cumprimento tão bom assim.
Sorrindo voltei a beijá-lo.
—Ia dar seu presente agora de manhã, mas vou deixar para te dar a noite.
Rindo Edward nos virou na cama me deixando por baixo de seu corpo.
—Não quero nada além de você, aliás, meu presente é você. – falou olhando nos meus olhos.
Tive de respirar fundo várias vezes, sua declaração me deixou totalmente desconcertada.
—Bobo. – soltei sem mais nada coerente para dizer. —Não faça desfeita com meu presente. – ralhei enlaçando os braços em seu pescoço. —Ou melhor, meus presentes.
Edward abaixou a cabeça, seu nariz tocando o meu.
—Não vou fazer. – garantiu com uma piscadela antes de me beijar.
Minhas mãos mergulharam em seus cabelos, seu corpo ia comprimindo cada vez mais o meu, afastando as pernas, deixei que ele se encaixasse entre ela e todo o clima do quarto mudasse.
De calmo para urgente, contudo, concluir nosso desejo de sexo matinal, não fora possível graças ao toque pertinente de seu celular.
Seus pais, eu soube assim que ele atendeu. Carlisle e Esme cantarolavam felizes pela linha telefônica palavras alegres para Edward, que ria e sorria ao meu lado.
Quieta eu apenas o observava, agradecendo mentalmente por ele ter me esperado por tanto tempo. Eu tinha muita sorte em tê-lo.
—O que foi? – perguntei assim que ele desligou com a cara fechada.
—Meus pais. – soltou o ar pela boca. —Estão me esperando na casa deles, querem passar o dia comigo.
Rindo tentei não mostrar a ele como aquilo me desagradava. Não queria me afastar de Edward, mas também não podia de maneira alguma impedir que ele fosse ficar com seus pais.
—Não quero ir. – assumiu deitando a cabeça em minha barriga.
—Edward!
—O que? – se fazendo de desentendido, ele me olhou. —Não me entenda mal, eu amo meus pais, mas queria ficar com você. – explicou antes de beijar meu queixo. —Amanhã eu vou para Denver e vou ficar dias sem te ver.
Denver. Edward iria para Denver e ficaria quinze dias longe de mim. Eu tinha me esquecido desse —terrível— fato.
O pensamento me deixou com a boca amarga.
—Vai ficar longe deles também. – abaixei os olhos para nossos dedos entrelaçados. Se mostrasse a Edward como aquilo me chateava, ele não iria para casa de seus pais e eu não queria que ele furasse com Carlisle e Esme de maneira alguma.
—É diferente. – beijou meus dedos. —Eu fiquei longe de você durante dez anos.
Prendendo o ar na garganta, ergui os olhos até encontrar os seus.
—Estou aqui agora. – minha mão pousou em seu rosto.
Edward sorriu, virando um pouco a cabeça deixou um beijo em minha palma antes de se aproximar e me beijar.
—Você podia ir comigo, não é? – Edward chamou me olhando esperançoso.
—Edward... – senti meu estomago gelar.
—Meus pais te amam. – me interrompeu. —Eles vão adorar saber que estamos juntos.
Respirando fundo mordi meu lábio inferior.
—Vamos? – chamou novamente sem desconectar seus olhos dos meus.
Eu sabia que se fosse com ele para a casa dos seus pais iria deixar mais que claro nosso namoro.
Seus pais iam surtar. Meus pais iam surtar. Alice e Emmet iam surtar.
Não tinha certeza se era uma boa ideia.
—Edward... – comecei, contudo ele logo me interrompeu de novo.
—Bella, por favor! – pediu deixando um rápido beijo em minha boca. —O maior presente que você pode me dar é ir comigo. – jogou sujo, ainda com aqueles olhos claros nos meus. —Vamos amor?
Mordendo minha boca eu me vi mais em uma vez em uma encruzilhada.
O que eu ia fazer?
Ir e assumir de vez nosso namoro ou ficar e ir com mais calma?
Eu não sabia. Mais uma vez.
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