Notas iniciais
Oii lindezas!! Eu sei, estou atrazada! ¬¬ Miiil desculpas, mas é que tive uns trabalhos para concluir e só agora, sobrou tempo! Boom, sem mais, vamos ler :) Espero que gostem, boa leitura ^^

Quando Alice e eu saímos da pequena boutique, tudo o que eu conseguia pensar era em como o sol estava quente.

Não queria ficar penalizada, mas Edward havia trabalhado a noite toda e estava, provavelmente, arrumando meu jardim de baixo do sol quente.

Respirando fundo, tentei esclarecer as coisas, visto que, do jeito que ele era sacana era bem provável que não estivesse arrumando porcaria nenhuma.

Somente o pensamento me deixou irritada. Ai dele se não arrumasse tudo, consertasse minha grama, limpasse minha jacuzzi e replantasse minhas florezinhas.

Cerrando os dentes, acelerei o carro.

É, ele bem que merecia estar queimando naquele sol! Afina, a culpa era toda dele que não prendera o cachorro deixando-o livre para acabar com os jardins alheios.

—Uoou, pode ir mais devagar Lewis Hamilton? – Alice perguntou rindo, contudo eu podia sentir a represália em sua voz.

Diminui a velocidade do meu Mini Cooper, lhe lançando um sorriso como pedido de desculpas.

—Obrigada, Mia e eu agradecemos. – rolando os olhos, parei o carro em frente ao pequeno restaurante.

Não deixei de me sentir nostálgica ao olhá-lo. A paisagem verde, o aroma de incensos e as sombras frescas das arvores.

Era o mesmo restaurante, o mesmo lugar, o mesmo dono, mas tudo parecia tão diferente.

—Não quer almoçar conosco mesmo?

Voltou a me chamar, pegando sua bolsa, com certa dificuldade antes de me olhar.

Maneando a cabeça, eu neguei. Ela iria se encontrar com Esme e eu não queria me colocar no meio, sabia que aquele almoço era entre sogra e nora e eu não fazia parte daquele círculo.

—Não, Alie. Vou dar uma passadinha na casa de Jéssica, quero ver aquela maluca.

Rindo, ela abriu a porta.

—Maluca vai ficar você com os meninos dela. – murmurou me fazendo rir. —Droga, preciso parar de falar deles, vai que Mia vem para me fazer pagar a língua.

Dessa vez eu ri alto, Alice me deu a língua descendo do carro.

—Se ela for pagar tudo o que você já disse dos outros, ela está perdida! – falei fazendo-a bufar. —Deus, tenha piedade.

—Está tão engraçadinha, não é? – cerrou os olhos soando irônica. —Bom, eu só falo a verdade.

—Verdade? Uhum.

—Boba. – murmurou antes de fechar a porta do carro. —Nos vemos a noite, não é?

—Claro! As sete.

Lancei uma piscadela a ela, garantindo que eu não havia esquecido o horário do jantar.

Alice me lançou um beijo antes de acenar, retribuindo, sai com o carro pela rua.

O caminho até a casa de Jéssica era um tanto quanto confuso, visto que ela estava morando em um dos bairros novos onde eu nunca tinha ido.

Chegar até lá, me custou bons trinta minutos em um percurso que, provavelmente, não dura nem quinze.

Saindo do carro, olhei em direção a casa branca de madeira e janelas escuras, com uma grande varanda. A frente ficava um enorme jardim, onde bicicletas se uniam a outros brinquedos para dar cor a grama verde e por fim, a frente havia a caixinha do correio em forma de nave espacial.

Sorri concluindo que havia acertado, era aquela mesma. Afinal, batia e muito bem com a descrição dada por Jéss.

Enquanto caminhava pelo passeio de pedras até a porta de entrada, já pude ouvir as risadas infantis altas.

Mordi meu lábio antes de tocar a campainha, Alice já havia dito várias vezes que os três filhos de Jéssica eram terríveis, praticamente destruíam a casa ou tudo o que tocavam.

Maneando a cabeça, abri um sorriso quando a porta se abriu e a figura de uma pequena garotinha apareceu.

Ela me olhou fixamente, como se tentasse me reconhecer. Seus olhos eram de um castanho intenso, assim como seus cabelos lisos e curtos. A franja em sua testa, só deixava seu rosto mais redondo e fofo.

Era uma gracinha, não devia ter mais do que sete anos.

—Penélope, quantas vezes eu já te disse para não atender a porta?

Não tive tempo para me apresentar a garotinha, Jéssica logo se aproximou ralhando com a menina ainda sem notar minha presença.

Dizer que sua aparência não me surpreendeu, seria uma mentira absurda, visto que, ela havia envelhecido mais do que eu esperava.

Seu rosto não estava coberto por maquiagem, como ela costumava deixar, seu cabelo não tinha o mesmo brilho e o liso perfeito não podia ser notado pelo coque mal feito.

É claro que haviam se passado dez anos, ela tinha casado e gerado três bebês, mas eu não esperava que ela tivesse se abatido tanto.

Quando seus olhos se voltaram para mim, tratei de espantar qualquer expressão de surpresa que podia haver em meu rosto.

—Bella! – ela exclamou alto antes de esticar os braços e me puxar para um abraço, o qual, eu retribui com imensa intensidade.

Eu havia sentido muita falta dela, Jéssica e eu nos tornamos muito amigas no colegial, e mesmo quando eu me mudei para Nova York, nós ainda nos comunicávamos.

—Ainda não acredito que está de volta!

Segurando minha mão, ela me puxou para dentro de sua casa.

—Às vezes nem eu. – murmurei rindo. —É tão bom estar aqui.... Senti tanta falta de você!

—Awn, eu também senti muito a sua falta...

Suas palavras foram interrompidas por um barulho forte de pancada e então, o de estilhaços se espalhando pelo chão.

—Oh, Deus! – ela soltou parecendo cansada. —Bella, pode me dar licença um instantinho? Preciso ir ver o que aqueles garotos quebraram dessa vez.

Rindo, apenas maneei a cabeça em concordância.

—Filha seja educada e leve a amiga da mamãe até a sala, ok?

Jéssica voltou seus olhos para a garotinha que ainda me olhava cismada, contudo, ela não contestou o pedido da mãe e me guiou até a sala de estar da casa.

—Pode sentar se quiser, mamãe já vai descer. – pela primeira vez, ela falou comigo. Eu sorri com seu jeito meigo, educado e meio tímido.

—Obrigada lindinha.

Agradeci antes de vê-la sair correndo da sala. Sentando no sofá cinza em frente ao painel de eletrônicos, observei a decoração simples, mas bem-feita.

O tom cinza claro era mesclado com o branco e o azul bebê, deixando a sala ampla e clara.

As paredes estavam cheias de quadros de fotos que exibiam com louvor, imagens dos momentos marcantes na vida deles.

Momentos esses que eu não participei.

Como o casamento de Jessica e Mike —o qual eu faltara mesmo sendo convidada para ser a dama de honra—, dando as desculpas mais esfarrapadas e idiotas, tudo para não encontrar com Edward, que era o padrinho.

Em um quadro central —o maior de todos— estava uma foto dos trigêmeos. Vendo a garotinha a minha frente, eu soube que era recente.

Ela estava no meio dos irmãos, os três sorriam exibindo lindas janelinhas, coisa típica da idade em que estavam.

Eles eram realmente idênticos. A pele clarinha, o cabelo castanho, os olhos redondinhos.

Não sabia dizer se eram mais parecidos com Mike ou com Jéssica, visto a mistura de traços bem-feita nos rostinhos infantis.

—Ah, esses meninos são terríveis. – parecendo cansada, Jéssica apareceu na sala.

Ri de suas palavras, me arrumando no sofá.

—Eles estão tão grandes! – murmurei me relembrando do dia em que ela me avisara que eles haviam nascido.

Não parecia fazer tanto tempo assim.

—Estão. – seu sorriso saiu com um misto de orgulho e tristeza. —Filhos crescem muito rápido, você vai ver quando tiver o seu.

Suas palavras me fizeram suspirar.

Eu queria ter um bebê, só que ainda estava cedo demais.

Mesmo com quase trinta anos, ainda não me sentia pronta para ser mãe.

—Mas e você? Como está?

Mudando de assunto, Jéssica me fitou curiosa.

—Estou bem, você sabe... Tentando me readequar em Louisville. – soltando uma risada baixa, mordi o lábio meio sem jeito. —Tudo mudou por aqui, está tudo tão diferente.

—Claro que mudou, as coisas evoluem! Você mesmo, está muito diferente. – seu sorriso era terno. —Está um mulherão, Nova York te fez muito bem!

Rindo, eu discordei dela, mentalmente.

Nova York me tornou mais madura, acompanhou meu desenvolvimento e progresso profissional, mas de resto, só fizera por me deixar ainda mais estressada e aflita.

Eu até gostava de lá, porém eu era e sempre seria a garota do interior, não a da cidade grande.

—Aposto que está namorando, não está?

Ah, aquela pergunta!

Aquela linda e constrangedora pergunta que todo mundo teimava em me fazer.

Porque a minha vida amorosa era tão importante assim?

—Não, na verdade, já faz um tempo que estou solteira.

Jéssica pareceu meio sem jeito, cruzou as pernas e então, tratou de desconversar.

—Está só curtindo, não é? – soltou um riso baixo. —Certinha. – esticando a mão, ela deixou um tapinha em minha perna. —Encontrei com a sua mãe esses dias e ela pareceu bem chateada ao dizer que você não quis ir morar com eles.

Rolando os olhos, cruzei minhas pernas.

Renée e seus dramas.

—Minha mãe é tão melancólica! – soltei antes de bufar. —Ela não entende que eu preciso ter minha casa, minhas coisas....

—Coisas de mãe. – proferiu com um meio sorriso. —Mas e então, está gostando da nova casa? Dos vizinhos?

Estreitando os olhos, eu notei a segunda intensão em sua pergunta. Inclinando o corpo, a fitei fixamente. Jéssica pigarreou, seus olhos saíram dos meus.

—Não acredito! – soltei deixando meus braços caírem ao lado do meu corpo. —Você sabe, não é?

—Eu sei? Do que?

—Jéssica!

Arqueando as mãos, ela suspirou.

—Só quero deixar claro que eu fui contra, disse para Alice que não era uma boa ideia, mas você a conhece!

Bufando, esfreguei a mão no rosto.

—Não sei porque ela fez isso. – assumi com um suspiro cansado. —Ela sabe tudo o que aconteceu, o que Edward fez.

—Eu disse isso a ela. – Jéssica alegou, parecia sincera. —Mas ela disse que você já superou e que não havia nada demais, que a casa era perfeita para você.

Voltei a bufar, meus dedos correram pelo meu cabelo.

—É claro que eu já superei. – tentei soar o mais verdadeira possível. —Mesmo assim, ser vizinha de um ex, é patético! Ainda mais quando esse ex é Edward Cullen.

Passando a mão pelo cabelo, Jéssica entortou a cabeça, seu olhar era meio temeroso.

—Bom, Edward mudou muito. Não é o mesmo de antes.

Apoiando a cabeça na mão, mantive os olhos fixos em Jéssica, descrente de suas palavras.

Porque todo mundo me dizia aquilo também? Edward havia se tornado um santo? Era isso?

—Você diz isso por que ele é amigo do seu marido e agora, é seu amigo também.

O fato de Edward ter conquistado minhas amigas, me irritava extremamente. Elas o detestavam, conjuraram ódio eterno por ele quando o mesmo me traiu e agora, estavam ali, defendendo-o como se Edward fosse a vítima da história.

Outro barulho forte no andar de cima, interrompeu nossa conversa. Pedindo licença, Jéssica correu até os filhos que haviam aprontado mais uma vez.

Falar sobre Edward, me fez lembrar o que ocorrera mais cedo em meu jardim e eu decidi ir embora, ver como andava as coisas.

Assim que me despedi, segui para a casa com a mesma dificuldade de andar pela cidade.

Aquilo me deixou irritada.

Como é que eu, uma cidadã legitima de Louisville, não conseguia mais andar na cidade em que eu cresci?

Como é que minhas amigas, minhas melhores amigas, estavam tão amorosas com o cara que me traiu?

Batendo a mão no volante, eu respirei fundo para me controlar.

A resposta era tão simples.

Tempo.

O tempo havia agido em tudo.

Mudado a cidade, apagando erros, construindo amizades.

Louisville cresceu, Alice, Jéssica e até minha mãe haviam superado o que Edward fizera.

Mas eu não.

A principal, a que já deveria ter passado por cima de tudo, que deveria ter seguido em frente, ainda estava lá, enterrada nas areias do passado.

Magoada, ressentida e o pior de tudo, ainda amando aquele ser desprezível, o qual todos diziam que havia mudado.

Certamente eu fui uma pessoa horrível na vida passada. Hitler talvez. Ou quem sabe, uma das bruxas de Salem.

É, só podia ser isso.

Soltando o ar pela boca eu desci do carro, rodando a chave no dedo caminhei até a porta, encontrando uma casa silenciosa.

A curiosidade queimava em mim, aumentando a cada passo que eu dava em direção aos fundos de casa.

É claro que ter Edward em minha casa era além de incomodo, muito excitante.

Eu só não sabia parte dessas sensações era maior.

Assim que atravessei as portas para a varanda, eu vi que alguns reparos já haviam sido feitos.

Minha jacuzzi estava limpa, assim como minhas estátuas de gesso —que não estavam mais cobertas por aquela massa que eu preferia pensar ser barro.

O deque não estava mais imundo, não havia mais pegadas gigantes na minha madeira, que estava perfeitamente lustrada.

Minhas flores ainda estavam destruídas, meu gramado ainda estava esburacado, mas aquilo não era nada comparado ao caos de mais cedo.

Cruzando os braços, avistei a diante o dono do causado da catástrofe do meu jardim.

Ele estava inclinado para frente, sem camisa e com uma mangueira em mãos. A água caia diretamente em sua cabeça molhando o cabelo cobre.

Mordendo o lábio, caminhei em direção a ele, sem deixar de analisar, é claro, seu tórax definido.

Edward havia mesmo mudado, pelo menos, fisicamente.

Quando nós namorávamos, ele já era lindo.

Dono do cabelo mais cômico e chamativo, dos olhos mais penetrantes.... Contudo, ele não era tão forte.

Não, Edward tinha os músculos definidos, mas ainda era magro.

Agora, depois de tanto tempo, seu corpo havia evoluído. Muito.

Chacoalhando a cabeça, eu pigarreei assim que ele ergueu os olhos até os meus. Tentei me manter firme, no entanto, o sorriso que surgira no canto de seus lábios desenhados, não facilitou meu trabalho.

—Está quente, não é?

Quando subiu a mão e passou pelo cabelo, jogando os fios para trás, eu fui conduzida a mais profunda sessão de hipnose.

Acontecera como um comercial, em câmera lenta.

Seus olhos verdes ficaram unidos aos meus, mordeu o canto do seu lábio inferior e então, voltou a abrir o sorriso.

Se estava quente? Muito.

Soltando o ar pela boca, eu abaixei os olhos. Uma raiva imensa se apossou de mim, assim que cai na real.

O que eu estava fazendo? Eu não era trouxa o suficiente para me deixar levar por Edward mais uma vez, era?

Não, claro que não!

—Nada insuportável. – murmurei arqueando o queixo. —Vi que já está tudo limpo... – minha voz falhou quando ele deixou a mangueira cair no gramado e deu um passo em minha direção.

Meu sentido de alerta piscou.

A distância ente nós, já não era tão segura.

—Está sim, como viu, deixei o seu jardim na mais perfeita ordem.

Seus olhos estavam estreitos, mas lançavam desafios a cada segundo aos meus. Eu não podia vence-los, sabia disso e fora então, que tomei a péssima decisão de abaixar o olhar.

Péssima porque o que estava abaixo dos olhos perturbadores de Edward, era o seu peitoral atlético, todo esculpido em perfeitos gominhos onde gotas de água desciam sem resistência.

Prender o suspiro foi difícil. Muito difícil.

—Muito bem. – soltei sem conseguir esconde o quão afetada eu estava. —Não fez mais que a obrigação. – respirando força, tentei me estabilizar, dando dois passos para trás.

—Vou pedir para os paisagistas que trabalham com a minha mãe, virem arrumar suas flores e seu gramado.

—Ok. – minha resposta foi seca e rápida. Tudo o que eu queria, era sair daquela situação que já estava fugindo do meu controle.

Por dez anos, meu corpo pedira pelo dele. Implorara por seus toques, seus beijos e agora... Agora, estávamos perto demais para o bem da minha sanidade mental.

Sem dizer mais nada, eu lhe dei as costas, contudo, toda e qualquer intenção que eu tinha de me afastar foi por água a baixo, quando seus dedos envolveram meu braço.

Prendi a respiração deixando o ar parado em minha garganta. Seus dedos estavam molhados, pressionavam minha pele com a força certa. Certa para me faze relembrar de coisas que eu lutei para enterrar na área mais funda e isolada do meu cérebro, fazendo questão de manter longe do meu coração.

Parada ali, ainda de costas para ele, eu percebi que todo meu esforço fora em vão, afinal, bastou um só toque, para trazer tudo de volta.

Eu quis xingá-lo, afastá-lo e até estapeá-lo, porém meu copo não me respondia. Eu era uma refém ali, refém dele. Mais uma vez.

—Hey, espera. – sua voz soou mais rouca, talvez pelo volume que fora baixado. —Eu quero conversar com você.

Quantas vezes eu quis ouvir aquilo mesmo? Milhares, certamente.

Sempre quis que ele contasse o que havia o levado a me trair, no entanto, Edward nunca fizera questão de me explicar.

Quando eu o colocara contra a parede, ele simplesmente assumira. Sem pedido de desculpas, sem explicações. Nada.

E agora, depois de tanto tempo ele estava ali, dizendo que queria conversar comigo e eu, muito idiota, já começava a misturar a coisas.

Nem podia dizer que vivia desenterrando o passado, porque eu nunca o enterrei, de fato.

—Não temos nada para conversar.

Afirmei tentando me afastar. O fato de ele ser bem mais forte que eu, impediu que eu fizesse o que queria: Correr para dentro de casa, um lugar seguro, longe dele.

—Claro que temos. – suas palavras firmes antecederam o puxão que ele exercera sob mim. Feito uma marionete, apenas deixei que meu corpo virasse e colidisse contra o seu.

Eu ofeguei, congelei, sai de orbita.

Fiquei ali, diante ele, com os olhos arregalados, o coração disparando e o corpo saltitando de desejo.

Seu peito molhado, exalava o mesmo perfume inebriante de antes. Eu senti meus mamilos enrijecerem de uma vez, se pronunciando contra o bojo do meu sutiã, que começava a ser molhado pelo peitoral de Edward.

—Me solta.

Quase não tinha voz e meus lábios ainda teimaram sem querer obedecer ao comando do meu cérebro. Eu queria dizer, queria me afastar, no entanto, nada correspondia a minha mente. Meu idiota coração havia assumido o controle.

—Você não quer que eu te solte. – sua mão livre subiu até meu rosto, com carinho, ele acomodou minha bochecha em sua palma.

Contive o suspiro ao perceber que o encaixe ainda era perfeito.

—E eu não quero te soltar.

Engoli a seco com sua fala.

Edward tinha razão, eu não queria, ele não queria.... Mas eu precisava.

Com relutância, ergui os braços e apoiando as mãos em seu peito, o empurrei. O ato fora rápido, porque sabia que se meus dedos sentissem o calor do seu corpo por mais do que alguns segundos, eu estava perdida.

—Não temos nada para conversar. – bati o pé, reafirmando. Graças aos seus, estava recuperando a lucidez. —E é melhor que não encoste em mim de novo, ou eu...

—Ou você o que? – mordendo o lábio inferior, ele me desafiou com o olhar.

Quis chorar de frustração. Sabia que não era capaz de vencê-lo, não era tão forte assim.

Sendo uma advogada, sempre fui dona dos melhores argumentos, mas Edward sempre me deixou sem fala.

Foi então que eu caí na real. Não podia vence-lo, era melhor tirar meu time de campo.

Bufei alto, girei nos calcanhares e praticamente corri para dentro de casa.

Eu merecia aplausos, é merecia sim.

No fundo, eu sabia que aquilo havia sido a maior bandeira. Eu tinha me comportado como uma adolescente.

Mastigando meu lábio inferior, tentei evitar pensar que havia uma adolescente dentro de mim. A adolescente que fora traída e machucada pelo cara que ela amava. Ama.

Eu precisava de uma distração, ou ia ficar maluca.

Edward ia me deixar maluca, ia sim.

Depois de tomar um longo banho, eu ainda me sentia desnorteada. Muita coisa estava voltando. Lembranças, dores, traumas...

Era muita coisa, eu não ia conseguir lidar com tudo aquilo.

Porque mesmo eu tinha voltado para Louisville?

Soltando um suspiro, parei o carro em frente à casa de Alice. O céu já começava a escurecer, a lua já estava alta e as estrelas reluzentes.

Depois de horas de aflição, eu dei meu primeiro sorriso antes de tocar a campainha.

Pelo visto, ia ser uma noite bonita.

—Hey, Bella!

Emmet saudou assim que me olhou, eu sorri ficando nas pontas dos pés para poder abraça-lo. Simplesmente o adorava.

—Como você está, Emmet?

—Bem e você? – seu braço forte passou por meus ombros, assim que entrei no hall de entrada.

—Ótima.

Menti com um pigarro, por sorte, ele não percebeu.

—Que bom. – se inclinando, deixou um beijo no alto da minha cabeça. Mantendo o sorriso, permaneci em silencio enquanto Emmet me guiava até a sala de estar externa.

Era um ambiente tão lindo, o chão de madeira, a parede de pedras límpidas. O ar rustico, permanecia no jogo de sofá de fibra sintética, que era além de tudo, muito elegante.

—Alice está no banho, já deve estar descendo. – ele contou, maneando a cabeça, me sentei ficando com a bela vista da piscina deles. —Vai de whisky, champanhe, vinho...?

—O que você estiver bebendo. – proferi lhe lançando uma piscadela.

—Ok, já volto.

Passando a mão pelo cabelo, eu o puxei para o lado deixando-o mais cheio na região destra do meu rosto. Eu amava fazer isso quando ele estava escovado e solto.

—Acho que seu cabelo foi a única coisa que não mudou em você.

Eu me sobressaltei ao ouvir a voz ao meu lado. Prendi a respiração e mesmo já conhecendo o timbre, virei a cabeça apenas para constatar a presença de Edward.

Ele estava recostado na pérgula de madeira, vestia uma camisa polo preta justa, uma calça banca com cinto e tênis despojado.

O cabelo mantinha a perfeição do corte undercut e a barba cerrada, delineava com maestria seu maxilar quadrado.

—Me diz que Alice não te convidou para jantar também. – pedi torcendo para que ele não se aproximasse, o que é claro, ele fez.

Caminhou lentamente em minha direção, até se sentar à minha frente.

—Sinto em te decepcionar, mas ela convidou sim.

Rolei os olhos voltando meus olhos para o céu estralado. Olhar para ele não era seguro.

—Você me odeia, não é?

Sua pergunta me pegou de surpresa, sem me conter, eu o fitei. Seus olhos eram sérios, apesar de ele sorrir terno.

—Ainda me odeia pelo o que aconteceu. – dessa vez, Edward não perguntou.

Arrumando a postura, eu suspirei. Ok, aquilo não era uma boa ideia, mas eu ia conversar com ele. Não ia conseguir me conter.

—E isso te surpreende porquê?

Seus olhos verdes chegaram nos meus, engoli seco diante a intensidade de seus orbes.

—Já faz tanto tempo. – disse lubrificando os lábios com a ponta da língua. —O que não muda nada, é claro... É, acho que eu mereço ser odiado.

Edward abaixou o olhar quando concluiu, parecia meio.... Pesaroso?

—Eu não odeio você.

As palavras escaparam por minha boca, não fui capaz de conte-las. Obviamente eu me arrependi instantaneamente.

—Quero dizer, sim... Eu odiei você... No começo. – quis me socar por gaguejar. —Só que passou. Como você mesmo disse, já tem muito tempo.

O sorriso voltou a crescer em seus lábios.

—Muito tempo... Mas ainda quer distância de mim, certo?

—Certo.

Eu respondi com a cabeça, porque meu coração gritava “errado”.

Edward soltou um riso amargo.

—Isso me desagrada, mas só de saber que você não me odeia, já deixa as coisas melhores. – seus olhos não mentiam, ele estava sendo sincero. —Me desculpe por mais cedo, não devia ter te segurado.... É que, eu queria muito conversar com você.

Eu tive de respirar fundo, muito fundo para conseguir falar.

—Se for algo relacionado ao que aconteceu, esqueça. Já faz muito tempo.

Passando a mão pelo cabelo, Edward maneou a cabeça.

—Pensei que nunca fosse tarde para pedir desculpas. – suas palavras me calaram. —Mas se você quer assim, vou respeitar.

Erguendo o copo, ele bebericou o whisky.

Permaneci em silencio assim que desviei meus olhos dos seus.

Não sabia explicar muito bem, mas sentia que talvez, Alice, Jéssica e Renée tivessem razão.

Ele parecia diferente.

Notas finais
Ai, ai... Esses dois *-* haha Momentos quentes aguardam! e.e Gente, falando aqui rapidinho pq já ta tarde e eu preciso dormir, sobre o bonus de Unico Prazer, as meninas que recomendaram a fic, podem esperar que logo, loguinho ele será enviado a vocês :D Uma maneira de agradecer :3 Bom, agora é só kkk Nos vemos semana que vem! Espero que tenham gostado, Beijõõões da Nick :*