Notas iniciais
Heeey meninas! Estoou de voltaa 0/ E em primeiro lugar, gostaria de agradecer as meninas do meu coração que recomendaram Único Prazer! Carol, Lívia S2 Duas das mais especiais *--* As leitoras mais fofas, simpáticas e gracinhas :3 Muito obrigada as duas, não só pela recomendação, mas também por todos os comentários e palavras gentis ^^ Adoro vocês, um beijoo :* Boom, voltando ao capítulo e a De Volta Para Você, eu espero que vocês gostem ;) haha Façam uma boa leitura, falamos lá em baixo! :D

O clima que se instalou entre Edward e eu, foi no mínimo, estranho.

Ele ficou quieto, eu fiquei quieta.

Quando Alice e Emmet finalmente apareceram, eu soltei toda aquela tensão que eu sentia em um suspiro longo.

Ele ainda me intimidava demais.

E eu acreditando já estar “curada” daquelas sensações e sentimentos perturbadores.

Chacoalhando a cabeça, inalei o ar com força. Assim que ergui o olhar, notei que a atenção de Alice estava em mim.

Os olhos estreitos me fitavam com interesse, curiosidade e certa convicção.

Mordisquei meu lábio inferior vendo-a se aproximar de mim. As mãos sustentavam uma tigela de porcelana onde estava o belo purê de batata.

—O que foi? – indaguei pegando a tigela de suas mãos, ela estava pesada, não era bom que Alice pegasse algo pesado.

—Eu que te pergunto.

Devolveu apoiando as mãos em seu barrigão, não evitei o sorriso antes de lhe dar as costas. Ela já estava entrando no sétimo mês.

—O que foi? – repetindo minha pergunta, Alice me seguiu até a sala de jantar.

Rolei os olhos deixando a tigela ao lado das outras sobre a mesa de madeira. O jantar já estava todo posto, apostava que estava muito apetitoso, Alice sempre cozinhara muito bem.

—Nada, eu hein...

—Isabela Swan, nem tente disfarçar. – sua mão segurou meu braço, com um puxão ela me virou para que pudesse me olhar nos olhos. —O que aconteceu?

Rolando os olhos eu bufei, sabia que contar a ela que Edward e eu trocamos algumas palavras era uma péssima ideia, mas também tinha convicção que fugir dela era impossível.

—Edward e eu conversamos um pouco, e....

—Ai meu Deus! – exclamou me interrompendo, seus olhos já brilharam.

—Alice! – ralhei abaixando o tom de voz, tudo o que eu menos precisava era que ela tivesse um surto sem fundamento. —Nem comece, não falamos nada demais.

Soltando o ar pela boca, Alice não diminuiu seu sorriso.

—Falaram sobre o que então?

—Ele quis se desculpar, pelo o que aconteceu. – comecei controlando minha voz. —Eu disse para ele esquecer, afinal, já faz muito tempo.

Um brilho estranho passou por seus olhos.

—Também perguntou se eu o odiava e eu disse que não. – respirando fundo, fiz uma pausa. —Não mais.

—OK, porque não deixou ele se desculpar?

Passando a mão pelo cabelo, comecei a me arrepender por ter contado a ela.

—Porque não importa mais. Já faz dez anos!

—E daí? – questionou me olhando fixamente. —Bella você deveria ter ouvido as desculpas dele!

—Não, eu não deveria.

Afirmei e mantendo minha atenção nos talheres sobre a mesa, tentei disfarçar. No fundo, eu sentia que deveria ter escutado o que ele tinha a dizer.

Mas para que?

Aquilo só ia me machucar mais.

—Deveria sim.... Não sei porque fica fugindo disso, ou melhor, dele!

Soltando o ar pela boca, eu me virei para olhá-la. Alice enchia —e muito— o saco, quando queria.

—Porque será, hein? – indaguei irônica. —Porque talvez, ele tenha me machucado, me feito passar pela pior fase da minha vida.... Porque talvez, por causa dele, eu tenha ido embora, me afastado das pessoas que eu amo, ido morar em uma cidade estranha e chorado toda a noite durante longos meses tentando imaginar o que eu tinha feito de errado para ele me trair e não me dar se quer, uma explicação. – parando de falar, tomei folego. —Porque agora, as explicações dele, já não fazem mais diferença. Elas só vão me fazer reviver tudo e eu não quero isso.

Alice me olhou por um bom tempo antes de suspirar e me abraçar. Eu não quis no começo, mas sem resistir acabei retribuindo.

—Oh, amiga! – sua voz saiu mais baixa, fechando os olhos aproveitei o carinho que ela deixou em meu cabelo com as pontas dos dedos. —Foi difícil, não foi? Eu sinto...

—Não. – a cortei me afastando, interrompendo nosso abraço. —Não precisa dizer que sente muito, já está tudo bem. Já superei.

Eu tentava respirar entre as palavras, tentava não demonstrar todo o incomodo que apertava meu peito, mas Alice era esperta demais para ser enganada.

—Mesmo? – seus olhos estavam fixos em mim. —Há uns segundos você me pareceu bastante magoada.

—E daí?

—E daí que quando uma coisa ainda te machuca é porque você ainda não superou.

Bufei com suas palavras.

—Sabe, você não merece isso. – segurando minha mão, ela começou. —Não merece viver presa a uma coisa que aconteceu a tantos anos, não merece viver sofrendo e remoendo isso. – engolindo seco, mantive meu olhar baixo. —Você precisa virar a página Bella, parar de mentir para si mesma e superar isso de verdade.

Mordendo meu lábio, permaneci em silencio. No fundo, eu sabia que ela tinha razão.

—Enquanto isso não acontecer, não vai ser feliz de verdade.

Respirando fundo, passei as mãos pelo rosto e tomando coragem, ergui a cabeça para olhá-la.

—Eu tento, Alice. – assumi de uma vez. —Tento mais é difícil. Já era difícil antes quando eu estava longe e agora... Agora que eu estou perto, caramba! – infiltrando a mão pelo cabelo, tomei ar pela boca. —Ver ele, me faz reviver, entende? Me faz lembrar de coisas que eu lutei muito para esquecer. Me machuca, é horrível.

Ela fez uma careta antes de suspirar, esticou os braços e me abraçou novamente.

—Estou me sentindo culpada, sério. – sua voz deixou claro que ela estava sendo sincera. —Não devia ter forçado a reaproximação de vocês assim.

—É, não devia mesmo. – tratei de rir ao final das palavras para deixar o clima menos tenso.

—Ele não teve nada a ver com isso, pode acreditar.

Me afastei um pouco para olhá-la.

—Acha que eu não te conheço? Sei como você é terrível, não precisa de ninguém para aprontar as suas.

Estalando a língua, Alice riu antes de deixar um tapinha em meu braço.

—Boba! – mostrou a língua me fazendo soltar um riso, o clima já estava mais descontraído. —Voltando ao assunto, você precisa se livrar dessa mágoa, ela não te faz bem.

—Eu sei, Alie. – soltei apoiando o corpo na cadeira alta de estofado. —Já tentei, acha que não tentei? – seu silencio deu espaço para que eu continuasse. —Só que eu não consigo... Não sei o porquê, eu só não consigo.

Suspirando, Alice me olhou com carinho antes de sorrir.

—Posso dizer o que eu acho?

Apenas assenti com a cabeça diante seu questionamento.

—Não consegue se livrar dessa mágoa, porque ainda não perdoou ele. – sua voz soou firme. —E ainda não o perdoou, porque ainda gosta dele.

Bingo!

Alice chegou no ponto de tudo, o que nem me surpreendeu, até porque eu sabia que ela já tinha conhecimento de tudo aquilo.

—Ou eu estou enganada?

Seus olhos pararam nos meus emitindo uma confiança palpável. Eu não seria trouxa de tentar enganá-la, no fundo, só estaria mentindo para mim mesma.

—Não. – abaixei o olhar. —Você está certa.

Eu assumi com um suspiro longo, o qual, fora seguido pelo o de Alice.

—Isso é tão complicado. – minha voz vacilou um pouco. —Eu não quero gostar dele, não quero ficar presa no que aconteceu.... Eu quero seguir em frente Alice, quero mesmo, mas...

—Mas? – sua voz doce me incentivou a continuar.

—Voltar para cá, tornou tudo mais difícil, mais complicado.

—Não, eu discordo de você. – sua mão voltou a pegar a minha. —Voltar para cá significa um grande avanço. – mordendo meu lábio inferior, a fitei sem entender. —Você parou de fugir, decidiu encarar de frente. – ela estava tão certa do que dizia, que até começava a me convencer. —Pelo menos em partes.

Estreitando os olhos, deixei claro a ela que não havia compreendido.

—Edward. – o nome fez meu estomago gelar. —Ele é um assunto inacabado na sua vida e você precisa pôr um fim nisso, para poder virar a página de uma vez, entende?

—Não. – sussurrei.

Sorrindo, Alice maneou a cabeça antes de respirar fundo.

—Ele te traiu, você foi embora, dez anos se passaram. – resumiu com eficácia. —Vocês não esclareceram o que aconteceu, não conversaram como deviam.

—Mas eu tentei, Alice! – exclamei interrompendo-a. —Eu tentei conversar com ele, pedi que ele me explicasse o que houve.... Alice, eu estava disposta a perdoá-lo se ele fosse sincero e mostrasse arrependimento. – parando por breves segundos, tomei ar pela boca. —Mas ele não disse nada. Nada!

—Eu sei disso, Bella! – erguendo a mão, tocou meu rosto. —E sim, ele foi um ordinário por não ter contado o que houve, não ter tentado lhe explicar o inexplicável. – assenti com a cabeça concordando com o que ela dizia. —Só que antes, essa conversa ia te liberar de um erro, hoje ela vai te liberar de um passado.

Seus argumentos me tocaram. Eu respirei fundo, várias vezes.

Eu queria me livrar daquele passado trágico. Só eu sabia o quão pesado ele era para ficar carregando.

Simplesmente não aguentava mais e precisava virar a página de vez e não olhar mais para trás.

Mas porque eu sentia de que conversar com Edward e até perdoá-lo, ia causar grandes mudanças em minha vida?

Estava temerosa, aflita. Nunca fui muito a favor de grandes mudanças.

Já estava acostumada a me lembrar de Edward como o cara que despedaçara meu coração, passar noites na angustia tentando imaginar o que eu havia feito de errado e me lastimando com o doloroso “se”.

Encerrar aquilo era dar fim a tudo. A tudo o que eu vivi com Edward, os maus e os bons momentos.

Pode parecer idiotice, mas eu não sabia se queria aquilo.

Não tinha certeza se queria amarrar aquela história em uma pedra bem pesada e deixa-la afundar nas águas do passado, afinal, isso levaria embora minha maior arma, minha maior defesa.

O que eu ia fazer?

Aquela pergunta me atormentou durante todo o jantar, onde ele, o causador de tudo aquilo, estava presente.

Vez ou outra, eu notei alguns olhares seus em minha direção, contudo, não chegamos a trocar mais nenhuma palavra.

Quando voltei para casa, notei que eu não ia conseguir pensar com clareza. Não com ele tão perto.

Foi então que, num ímpeto, em uma loucura mal pensada, arrumei uma mochila de roupas e parti para a casa dos meus pais, que obviamente, me acolheram de braços abertos.

Eu me refugiei em todo aquele conforto e mimo, por três dias.

E pensei. Pensei. Pensei e pensei.

Ainda não entendia porque aquilo era tão difícil. Porque deixar algo ruim para trás era tão difícil?

Mistérios da vida.

Soltei um suspiro de alivio assim que avistei a rua de casa, sem deixar, é claro, de manter o ritmo da minha corrida.

Ainda era meio confuso correr pelas ruas de Louisville, mesmo que eu me arriscasse apenas nas mais próximas de casa.

Maneando a cabeça, me mantive focada no caminho de casa fazendo a última curva necessária para chegar até a bendita rua.

Assim que subi no passeio, fui obrigada a caminhar mais devagar.

Meus músculos se endureceram fazendo minhas penas travarem, o ar faltou em meus pulmões e de repente me senti tremula.

Era ele.

Eu sabia que era, mesmo avistando de longe.

Erguendo a cabeça engoli a seco, continuando de modo temeroso e mais lento até minha casa.

Edward que estava parado em frente a sua, mantinha uma —aparentemente divertida— brincadeira com seu cachorro.

Eu podia ver o frisbee verde voar no ar até ser abocanhado por aquele —imenso— animal.

Os latidos do cachorro se misturavam com os risos de Edward.

Não contive o sorriso ao vê-lo tão descontraído. E lindo.

Estava sem camisa deixando a mostra aquela bela tatuagem no peitoral sarado, o short era negro assim como os tênis adidas, o boné vermelho que estava em sua cabeça tapava seu cômico cabelo cobre e tinha a aba virada para trás.

Quando eu me aproximei mais, ele pareceu me notar, erguendo a cabeça e deixando seus olhos se encontrarem com os meus.

Um sorriso estampou seus lábios, sua mão livre se arqueou e acenou a mim.

Devolvi o cumprimento meio sem jeito.

Edward parecia mesmo diferente do que era e tudo aquilo ainda era novo e perturbador para mim.

—Suas corridas não eram matinais? – ele indagou quando eu estava mais perto.

Receosa, tratei de passar bem longe do seu cachorro. Todo seu tamanho me assustava.

—Eram. – murmurei surpreendida por ele se lembrar. —Ou melhor, são. – e lá fora minha capacidade de raciocinar. —Hoje eu resolvi correr a tarde, o sol estava muito quente.

Dei de ombros tentando não reparar na quantidade perfeita de gominhos que haviam em seu abdômen.

O clima que nos rondava estava pesado, mas eu não tinha certeza se Edward também achava isso.

Ele ainda sorria, ainda estava descontraído e não parecia estar —nem um pouco— sem jeito.

—Bella! – Edward me chamou quando eu estava prestes a entrar em casa. Mantendo o ar preso na garganta, eu me virei. —Já ia esquecendo de te avisar, minha mãe disse que até o fim de semana a equipe de jardinagem dela vem terminar de arrumar seu jardim.

—Ah! – não escondi a surpresa, imaginava que ele havia me abordado por outros motivos. —Tudo bem.

Concordei acenando com a cabeça e respirando fundo.

Eu não sei o motivo, mas algo fez o sorriso voltar a aparecer em sua boca e dessa vez, estava mais largo.

Pigarreando, cocei minha nuca suada. Não evitei a careta e lhe dando as costas, finalmente entrei em casa.

Ok, eu havia me comportado como uma idiota. Mais uma vez.

Soltei o ar pela boca me livrando do short de ginástica, o top e a regata larga, jogando-os no cesto de roupas sujas.

Aquilo já estava ridículo.

Eu precisava parar de bancar a menina traída e agir como a mulher madura e confiante que eu era em Nova York.

Estava na hora de superar aquilo. Tudo aquilo. Inclusive aquele sentimento idiota que ainda nutria por ele.

E foi ali, de baixo do chuveiro, que eu me decidi.

Ia deixar tudo o que acontecera para trás, ia superar e virar a página.

Não aguentava mais ver todo mundo há capítulos de distância de mim, seguindo, escrevendo, vivendo uma nova história.

Eu merecia muito mais do que ficar presa a algo que ocorrera há dez anos atrás.

Mantendo a coerência mental, eu penteei meus cabelos para poder secá-los, enquanto traçava um plano.

O primeiro passo, era perdoar.

Só perdoando, eu ia me livrar da mágoa.

O segundo, superar.

Só superando, eu ia conseguir seguir em frente.

E o terceiro, recomeçar.

Só recomeçando ia deixar para trás aquela faceta de adolescente ferida, que persistia em me acompanhar.

Estava terminando de calçar meus oxford nude, quando ouvi umas batidas na porta.

Ficando de pé, dei uma rápida conferida no espelho.

Ajustei o short laranja em meu corpo, alisando brevemente o tecido fino da minha bata branca de alças finas.

O modelo aberto nas costas, me impedia de usar sutiã, contudo eu não tinha problemas com aquilo. Fora que o decote em V, valorizava bastante meus seios.

Deixando meu visual de lado eu sai do quarto, indo para a sala e tentando adivinhar quem seria.

Provavelmente minha mãe, querendo me arrastar de volta para sua casa, ou tomar um chá gelado enquanto fala mal de Charlie.

Aquilo me fez rir, maneando a cabeça, fiquei pronta para recebe-la com alguma piadinha, mas olhos verdes intensos me impediram.

Ali, parado diante a minha porta, estava ele.

Ainda sem camisa, com o boné virado para trás, short despojado e tênis adidas, Edward mantinha em suas mãos uma tigela de vidro.

A minha tigela de vidro.

Respirei fundo tentando não reparar na linha tênue que seguia por seu peito em direção ao seu ombro, formando assim, um dos vários desenhos de sua tatuagem.

Arrumando a postura, prendi o ar por breves segundos, controlando cada pensamento impróprio que passou por minha cabeça.

—Sim?

Perguntei debilmente, sem nada mais coerente para ser dito. Quis me socar.

Mais que porra!

Porque aquilo sempre acontecia? Porque minha boca agia antes do meu cérebro? Porque?

—Vim devolver sua tigela. – respondeu com um sorrisinho besta brincando no canto seus lábios. —Desculpe pela demora.

—Ah! – exclamei antes de concordar com a cabeça. —Tudo bem.

Edward abaixou os olhos parando por breves segundos em meu decote. Pigarrei estendendo as mãos para receber o recipiente.

Nossos dedos se tocaram por milésimos de segundos na entrega, contudo o mero toque, já fora capaz de me deixar com o estomago gelado e a respiração falha.

—Obrigado, estava deliciosa.

Estreitei os olhos com suas palavras.

—Era uma torta de maça.

—Eu sei. – murmurou zombeteiro, eu podia ver que ele estava se divertindo. Meu embaraço e retardamento diante dele o divertia.

—É que você não gosta de torta de maçã. – bati o pé, usando o argumento certeiro.

Edward soltou um riso, sua língua rosada traçou uma linha de lubrificante por seus lábios carnudos, me deixando hipnotizada.

Merda, porque ele tinha que ser tão sexy?

—Eu não gostava. – sua correção tomou minha atenção. —Agora eu gosto. – piscou diante o fato. —Muita coisa mudou desde que foi embora.

Oh, o ponto chave fora incluso na conversa.

Até ele. Até Edward me dissera aquelas palavras.

Muita coisa mudou desde que foi embora.

É claro que mudou, besta fui eu por pensar diferente, achando que os outros cidadãos de Louisville estivessem presos ao passado, assim como eu. Que ninguém seguiria sua vida, porque a filha do ex chefe de polícia e da professora do colégio, havia ido embora com o coração partido.

É, muito besta da minha parte.

Mordendo meu lábio inferior, aproveitei a deixa que Edward havia me dado.

Era hora de esclarecer as coisas. O momento era oportuno demais para ser desperdiçado.

—É, eu sei. – abaixei os olhos para meus pés. —Você estava certo.

Ainda olhando para baixo, podia ver seu pé batendo contra o chão de modo ritmado. Se eu ainda o conhecia —ao menos um pouco—, podia apostar que aquilo era um ato de ansiedade.

—Oh, estava? – quieta apenas maneei a cabeça em concordância. —Certo sobre o que, exatamente?

Sua confusão e curiosidade, me obrigaram a erguer a cabeça e olhá-lo.

Eu me arrependi devido a intensidade de seus olhos.

Sentia que ele podia ver ao meu fundo. Ler cada pensamento meu, antecipar cada movimento.

Aquilo era perturbador.

Pigarreando, eu respirei fundo. Meu coração batia em uma velocidade impressionante dentro de mim.

—Sobre nunca ser tarde para pedir desculpas. – eu pude ver a surpresa delinear cada traço em seu rosto. —Eu... – abrindo a boca, tomei folego e coragem para dizer o que queria. —Eu estou disposta a desculpar você, por tudo o que aconteceu.

Falei de uma vez, em um só folego.

Edward ficou ali, vários segundos me olhando até finalmente abrir um sorriso. Um lindo sorriso.

—É sério? – indagou parecendo meio incrédula.

Mordendo meu lábio inferior, assenti com a cabeça.

—Ual, eu não... – fez uma pausa retirando o boné da cabeça para correr os dedos por seu cabelo. Aquilo foi bastante sexy. —Eu não esperava isso.

—Pois é...

Soltei debilmente sem saber mais o que falar.

Porque diabos ele me deixava daquele jeito?

Nunca, nenhum juiz, nenhum promotor ou se quer um bandido de pior espécie, havia me intimidado tanto.

Aquilo era uma especialidade dele. Edward Cullen.

—Então você vai ouvir o que eu tenho a dizer? Vai ouvir minhas desculpas?

Seus olhos verdes ficaram tão iluminados, quanto os de uma criança em noite de natal.

Soltando um suspiro, mantive o foco no assunto.

—Bom, eu vou sim. – disse devagar, não queria desapontá-lo, mas também ouvir suas desculpas, explicações ou qualquer outra coisa, seria demais para um dia só. —Mas não hoje, não agora. Por hora, só saiba que eu te desculpo pelo o que houve.

Contraindo os lábios, ele maneou a cabeça antes de sorrir. Seus olhos voltaram a se iluminar.

—Tudo bem. – sorriu grandiosamente voltando a colocar o boné. —Eu espero seu tempo, sem problemas. – tentei sorrir a ele. —Sem querer abusar.... Posso te pedir uma coisa?

Engoli seco.

Ele queria me pedir uma coisa.

O que?

Senti meu corpo tremer diante as hipóteses, então fui obrigada a me apoiar na porta de madeira.

Edward continuava ali, me fitando com expectativa.

—Pode.

Mais uma vez meu coração agira antes do meu cérebro.

Merda!

Eu precisava começar a treinar, aquilo não era bom.

—Já que você me desculpou, acha podemos ser amigos?

Seu pedido me surpreendeu.

Edward Cullen querendo ser amigo de uma mulher?

Quase gargalhei, o que obviamente eu não fiz, visto a constatação que correra por minha mente.

Ele mudara, Bella.

Respirando fundo, concordei com a cabeça, sem ter muita certeza se aquilo ia ser uma boa ideia.

—Sim, podemos.

Minha voz meio que vacilou entre as palavras, o que fora apenas meu cérebro dando seu último grito, na última tentativa de alertar.

Meu idiota coração havia agido novamente.

Ótimo!

No fundo, eu me sentia mais leve. Sentia que estava finalmente, deixando para trás aquele tenebroso passado, mas com Edward ali, a minha frente, exibindo um sorriso tão sedutor, um corpo tão gostoso eu não sabia se tinha acertado em concordar sobre sermos amigos.

Porque, ex namorados não podem ser amigos... Podem?

Notas finais
As coisas estão acontecendo meio que rápido de mais? Sim estão. Motivo? Tudo o que houve entre eles, aconteceu há dez anos! Dez anoos! Não faz uma semana ou um mês e o tempo, faz sim e muuuita diferença sobre essas situações. Sobre a traição, o assunto ainda não morreu, eles vão conversar sobre. Eu, minha pessoa, Nicole, não perdoo algo do tipo, mas se vampiros podem ler pensamentos, podem ser vegetarianos, a minha Bella pode sim perdoar uma traição! ;) Enfim... Eu tenho algumas fanfics para postar, uma finalizada e três em andamento, foi então que em um surto repentino eu decidi escrever mais uma e colocá-la a frente na lista de postagem. E já que agora minhas postagens são semanais, vou aproveitar para começar a postá-la também.... Ou seja, em breve teremos nova fic! Além de ser narrada pelo Edward, ainda é de época! *-----------------------------------------------------------------* Sobre o bônus de Único Prazer, até o Natal ele será entregue! :) Boom gente, por agora é só! Espero mesmo que tenham gostado do capítulo. Lívia, Carol, obrigada mais uma vez! Nos vemos sexta na minha nova fic! haha Se cuidem! Um beijoo :*