Sara não se sentia tão bem assim com a família de um de seus namorados desde... na verdade ela nunca se sentira assim.E nem houveram tantos assim para comparar mas...Gil era especial para ela, desde que a garota o conheceu ela sabia que ele seria único.Então por trás de cada homem ou mulher há sempre uma grande família.

Essa convivência com a família de Gil a fizera ficar com muita saudades da família dela,em SF.Não que ela não considerasse o CSI como uma família, mas às vezes você precisa realmente de um abraço de mãe...

“Hei Sara, já acabamos aqui. Só precisamos pendurar esses trecos por ai. Vamos lá!”.

Sara suspirou aliviada quando ela e Helen penduraram o ultimo enfeite na parede.

“Finalmente acabamos”

“Ficou maravilhoso”

Gil suspirou no ouvido dela vindo por de trás e a abraçando.

“Voce só diz isso por dizer...”

“Não é verdade, vocês se superaram na arrumação” ele disse dando um beijo no pescoço da amada.

“Hummm” ela se virou nos braços dele e deu um selinho, que gradativamente cresceu, e provavelmente iria virar muito mais se Helen não tivesse falado.

“AH o amor é lindo... mas dado o local que vocês estão, acho melhor procurarem um quarto...”

Gil ficou vermelho tomate com a fala da prima e Sara só riu da cara do amado.

“Vem Gil,vamos subir e tomar um banho”

“Só um banho?” ele perguntou sensualmente

“O que você quiser meu bem” ela disse enquanto ele a puxava pelo braço.

“Gente eu não precisava ouvir isso!

Helen gritou pros dois,morrendo de rir.

Capitulo seis

Após o banho o casal ainda demorou no quarto, com Gil insistindo que eles não precisavam receber os convidados do tio.”A festa é dele afinal, deixe ele se virar”. Sara sabia que a tendência anti-social de Gil podia ser a culpada por essa fala, porém naquele momento o que falava mais alto era a vontade de seu amado de se manter o mais longe de Vitor o possível.

Já Gil diria que a verdade era outra.Ele não se considerava um homem crente, nunca acreditou muito nas coisas que a ciência não conseguia provar, porém aquela sensação de que algo de ruim iria acontecer não o deixava. Sendo um cientista tentou calar essa intuição, embora tenha resolvido não dar chance ao acaso de surpreendê-lo. Isto significava tomar conta das coisas que ele queria bem. Neste pacote estavam inclusas as duas mulheres de sua vida: sua mãe e Sara.

Passado um bom tempo Olívia veio procurar pelo casal.Ao abrir a porta já se ouvia o murmurinho de conversa dos primeiros convidados que se espalhavam pela casa.Em seguida , o barulho da música alta vinda do quintal se fez ouvir. Sem outra melhor opção Gil se viu arrastado porta a fora para um mundo o qual não era o seu: o da socialização.

Apesar de há muito tempo ter perdido a habilidade de se comunicar vocalmente, Olivia não via nenhum problema em cumprimentar cada um dos convidados que a ela se dirigiam. Por vezes Gil tinha inveja desta habilidade de sua mãe.

Enquanto ela apresentava Sara a todos sem cerimônia, o casal se contentava em dar um sorriso e um aceno com a cabeça. O problema era que os convidados esperavam um pouco mais da garota, então ela se desdobrara para tentar agradar a todos, em meio aos comentários jogados a eles do tipo “Nossa ,Gil, de onde você tirou essa?” ou “Finalmente!” que o casal escutava dos parentes de Gil.

“Ah Gil! Não faça essa cara para sua mãe! Ninguém mandou você demorar séculos para trazer uma garota para casa.Agora eu tenho que recuperar o tempo perdido” -Olivia acenou a seu filho ao ver as caras que ele fazia de desconforto a cada pessoa que ela falava

Cansado de ser o centro das atenções Gil disse que iria pegar algo para beber, e saiu de cena ao ouvir o pedido da garota “algo com muito álcool”. Ele achou até engraçado o pedido, pois ao que parecia, depois de um início meio tímido, Sara estava se saindo muito bem em responder a todas as perguntas e comentários feitos a ela.

Com duas garrafas de cerveja e uma de refrigerante, Gil procurou um lugar para se sentar, longe de todo o barulho da música extremamente alta que saia das novas caixas de som. Quando se sentou ficou um maravilhoso minuto sozinho, porém sua sorte não durou muito.

“Quem é vivo sempre aparece ! Gilbert Grissom! O filho pródigo retorna a casa,finalmente!”

Ouvir aquela voz trouxe a Grissom boas lembranças. O homem não pode deixar de sorrir e se levantar para cumprimentar Samuel Grissom, irmão de Arthur A. Grissom, o pai de Gil. Sam e Gil possuíam quase a mesma altura, o mesmo tom de pele, só os olhos que se diferenciavam. Gil havia puxado em muito a família de seu falecido pai.

“Olá Sam. Não sabia que Brad havia te convidado”- Gil estava mesmo surpreso com isso.

Não que os dois lados de sua família não se dessem bem. Brad e Sam sempre se gostaram, sem falar de Olívia. Eles haviam dependido muito um do outro quando Arthur morreu ,sendo os dois muito amigos. E fazia muitos anos que Gil não ouvia falar da família de seu pai.

“Pois é. Foi grande a minha surpresa quando Helen me ligou convidando para a festa. Eu só me comunicava com sua mãe via cartas, muito de vez em quando.”

“E não é? Minha prima realmente queria encher a casa da mamãe...”

“E ela conseguiu.”

Os dois Grissom olharam ao seu redor. O quintal já estava abarrotado de pessoas, das quais Gil reconhecia vagamente de algum passado seu ou aquelas que ele nunca vira na vida. Ele se perdera em observar o comportamento das pessoas na festa e por um momento esquecera que seu tio estava por ali. Foi só quando Sam se dirigiu a ele que se deu conta que,mais uma vez, tinha se fechado em sua mente.

“Mas então Gil,chega de enrolação.Ouvi dizer por aí que você veio acompanhado para casa. .” Não foi uma pergunta,mais uma afirmação.

Na verdade Sam ouvira um pessoal falando de uma jovem a qual Gil parecia carregar sempre a tiracolo. Boatos como sempre já tinham se formado sobre ela, e nem sempre a favoreciam. Coisas como ela ser uma “viúva negra” ou até uma acompanhante que Gil contratara para fingir ser sua namorada. Entre outras coisas é claro.Sam não acreditava muito nestes boatos pois eles não passavam disso,mera intriga da oposição.Mas que tinham o deixado curioso,ah isso tinham.

Por que as pessoas tinham que ser tão fofoqueiras? Foi o primeiro pensamento na cabeça de Gil assim que seu tio terminou sua pergunta.

“É verdade” O homem respondeu enquanto esquadrinhava o quintal a procura de sua amada. “Mamãe está com ela em algum lugar por ai. Tenho certeza que assim que ela terminar com as apresentações elas virão a minha procura”

Seu tio deu uma risada e acenou com a cabeça

“Essa é a nossa Liv, mãe orgulhosa que é.”

Gil resolveu dar mais uns minutos para as duas mulheres de sua vida aparecer antes de sair à procura delas. Não precisou esperar muito. Seus olhos se encheram de brilho ao avistar sua amada.Tanto tempo eles passavam juntos agora que qualquer minuto sem Sara se arrastava por horas.

Sam percebeu o olhar de Grissom e se voltou para onde o sobrinho olhava. De longe avistou a figura de sua querida amiga.Estava acompanhada de uma mulher jovem,morena e alta. Olívia não parava de sorrir. Sam presumiu que fosse a moça de que tantos falavam.

“Olívia, querida! Há quanto tempo”

Sam acenou à Olívia quando as duas chegaram mais perto. Olívia abriu um sorriso maior ainda (se é que isso era possível) e deu um abraço apertado no seu velho amigo. Sara aproveitou e foi logo para os braços de Gil,que sorriu para ela e disse :

“Então ,tio, já que você estava tão curioso deixe-me apresentar minha companheira , Sara.”

“É um prazer conhecê-lo.”

“Igualmente, senhorita”

Notando que a jovem parecia meio desconfortável com toda a atenção recebida, Sam começou a puxar uma conversa leve,agradável. Era óbvio que ele gostaria de saber mais sobre Sara, porém achou que seria melhor se aproximar devagar, a fim de não assustá-la.

A conversa fluía livremente então. Gil, muito mais relaxado com a presença de Sara (e é claro, algumas latas de cerveja a mais) falava sobre sua vida. Desde o pessoal do trabalho até a última peça de teatro a que assistira. Sam conseguia um pouco da informação que queria: Sara trabalhava com Gil, formada em física por Harvard, seus pais ainda eram vivos etc.

A descoberta que mais valera, no entanto, foi a de que a garota se conectava com Gil de uma forma única. O casal parecia ter uma sintonia só encontrada depois de muitos anos de convívio. Por isso Sam se mostrou surpreso quando Sara falou da surpresa que Gil lhe fizera no aniversário de um ano deles.Pouco tempo para uma ligação tão forte.

“Então quer dizer que Gil vinha escondendo o jogo há mais de um ano?!” Sam falou, divertido.

“Não é bem assim,tio. Você também não se esforçou para manter contato.”

“É que eu já não tenho novidades para contar, sabe Gil?” Sam continuou, alfinetando seu sobrinho.

“Ora,Sam.Deixe o meu menino em paz! Ele já não trouxe a garota pra casa?”

Para Gil a humilhação já estava completa.