De Vida Nova

6 Capítulo seis


Annabeth acordou aquela manhã com uma leve ressaca, mas o suficiente para simplesmente odiar o fato de precisar ir para a escola. Sim, a festa foi em plena terça-feira, aqueles americanos eram loucos.

Mas ela tinha que levantar-se de qualquer forma, então pôs os pés em seu tapete felpudo e foi em direção ao banheiro para fazer a higiene matinal. Escovou os dentes, penteou o cabelo e passou uma leve maquiagem no rosto, apenas o suficiente para esconder as olheiras, depois colocou a primeira roupa que viu no armário e desceu as escadas.

Frederick estava na cozinha fazendo omeletes, essa era a única hora do dia em que ele cozinhava.

–Bom dia.

–Bom dia pai.

–Vai ter aulas de direção hoje?

–Não, só amanha de novo.

Annabeth pegou sua omelete e começou a comer.

–Mas não ia fazer três aulas por semana? – Frederick sentou-se também, colocando um copo de suco de laranja para cada um na mesa.

–Sim, tenho aula amanha e sexta, mas a partir de semana que vem vai ser segunda, quarta e sexta.

–Então tá, e quando acha que vai tirar a carteira?

–Porque se importa? – A loira rebateu sem olhar para o pai.

–Annie, por favor... – Sua voz estava suplicante.

–Acabei, estou indo pegar o ônibus.

Ela levantou da mesa e foi pegar sua mochila no canto da cozinha.

–Não quer que eu dê carona?

–Não. Eu me viro, como sempre. – E assim saiu de casa batendo a porta com força.

[...]

Annabeth chegou ao seu armário e o abriu para pegar os livros e cadernos da primeira aula, quando tinha tudo que precisava fechou a porta.

–Percy! Que susto. – Ele estava parado ao lado dela.

–Bom dia flor do dia. – Percy deu um sorriso enorme.

–Eu não to com clima pra cantadas baratas ou flertes ridículos hoje. – Annie saiu andando, mas o garoto a seguiu.

–Eu só disse bom dia, o que aconteceu?

–Nada demais, esquece. – O moreno a encarou, mas ela virou o rosto para frente.

–Anda, o que foi?

–Só tive uma discussãozinha com o meu pai. Como disse, nada demais. – Annabeth deu de ombros.

–Ando tendo isso direto com o meu pai também, por causa da minha madrasta do mal e o filho-meio-demônio dela.

Annie não se segurou e deu um sorriso.

–Madrasta do mal e filho-meio-demônio?

–É, é assim que eu os chamo, Anfitrite é horrível, ela já trata meu pai mal, acha que ele não vai deixá-la por causa de Tritão, imagine eu então!

–Eu não sei muito bem o que dizer. Sinto muito?

–Tá tudo bem, eu nem ligo pra ela, finjo que não escuto e na maior parte ela finge que eu não existo. Mas o filho dela que é o pior. – Percy estremeceu.

–O que ele faz pra merecer o título de “filho-meio-demônio”? – Annie estava começando a achar graça.

–Ele basicamente usa todo seu tempo livre pra me incomodar. Me chuta, rouba minhas coisas, joga sujeira no meu quarto... Esse tipo de coisa. Mas eu geralmente o faço parar quando o penduro pela cueca na maçaneta da porta.

Os dois começaram a rir.

–E porque você não mora com a sua mãe?

–Eu normalente moro, mas ela está viajando agora, para escrever o livro que sempre quis.

–Ela é escritora? – Os olhos da loira brilharam.

–Está se tornando uma, é o primeiro livro dela. Por isso não me importo tanto de ficar com a família do meu pai, ela está feliz fazendo o que tanto ama.

–Isso é muito altruísta Percy. – Annabeth disse tocando no braço dele.

–Espera aí. Eu acabei de receber um elogio e um toque no braço de Annabeth Chase, vulgo brasileirinha?! – Ele fingiu surpresa. – Sinto-me lisonjeado. – E fez uma reverência.

–Cale a boca, idiota. – Annie o empurrou. – Vem, a gente tá atrasado pra primeira aula, palhaço.

Os dois entraram na sala de aula e Annabeth ficou pensando sobre aquela conversa.

Ele de certa forma a entendia, era parecido com ela. Seu pai podia não ter arrumado uma madrasta má e um filho irritante, mas ainda assim não a entendia e nem tinha muito tempo para ela, como o pai de Percy com ele.

Annie sabia que o pai dele, Poseidon Jackson, também era dono de uma empresa, que ia muito bem, diga-se de passagem, e isso o tornava muito ocupado, assim como seu próprio pai, por isso não duvidava que Poseidon não soubesse muito bem o quão ruim era a mulher e o filho mais novo que tinha.

[...]

–Oi meninas. – Annabeth foi até a mesa onde o grupinho “dela” se sentava, mas só Thalia e Rachel estavam lá.

–Oi Annie. –Rachel respondeu de boca cheia.

–Oi. – Thalia estava concentrada em digitar algo furiosamente em seu celular.

–E ai Lia, o que o celular fez pra você para estar sendo castigado pelos seus dedos agora? – Percy disse, zombeteiro.

–Não me enche Jackson, não estou de bom humor. – Ela nem chegou a levar o olhar para responder.

–Pois deveria, já que passou a festa toda ontem se agarrando. E eu sei que amassos deixam as pessoas bem humoradas, ainda mais se for um do tipo esperei-tanto-tempo-para-acontecer.

Thalia lançou um olhar mortal para ele, tão cheio de hostilidade que até Annabeth ficou com medo do que poderia acontecer com Percy.

–Mais uma palavra, Perseu, e eu faço com a sua cabeça o que o verdadeiro Perseu fez com a da Medusa. – E assim ela voltou sua atenção ao celular.

–Cara, essa guria me assusta às vezes. – Percy ficou quieto e começou a comer o que tinha no prato.

Annie começou a rir.

–Perseu? Sério?

O garoto parou de comer e deu de ombros.

–Minha mãe achava legal, por ele ser um herói e tudo o mais.

–Continua sendo estranho. – Rachel murmurou.

–Também acho. – A loira concordou.

–E ai gente. – Silena chegou com o resto do grupinho atrás.

Todos responderam, menos Thalia, que continuava concentrada no celular, até que, de repente, parou e olhou para a porta. Nico estava lá.

Ele veio lentamente, como que para prolongar um pouco o momento antes de ter que encarar a, aparentemente furiosa, Thalia.

–Por onde você andou? – Ela perguntou com uma calma perigosa.

–Eu faltei nas primeiras aulas, estava com ressaca demais pra acordar antes das 10h. – Nico deu de ombros, mas dava pra ver que estava nervoso.

Os que não participavam da conversa olhavam atentos, com o cenho franzido, aquela estranha discussão.

–Aé?! E responder mensagens também não conseguiu? – Cada palavra pingava sarcasmo.

–Calma Lia! O que te deixou assim tão braba? – O garoto não estava entendendo nada. Assim como todos os outros.

–O que?! E porque você não pergunta pra sua vadiazinha particular? – Agora Thalia estava de pé, e, apesar de ser um palmo mais baixa que Nico, tinha uma postura que deixava qualquer um com medo.

–Do que você tá falando? Vadiazinha particular? – Ele estava com uma expressão de completamente perdido.

–Conhecida também como Drew. – A garota deu um sorrisinho falso.

–Espera, o que está acontecendo? – Nico olhou para os outros, que tinham uma expressão tão confusa quanto ele.

–Como se não soubesse seu... seu... Cafajeste! Ridículo! – Ela deu um empurrão no peito dele.

Nico segurou os pulsos de Thalia, que tinha lágrimas de raiva nos olhos, mas estas se recusavam a cair, ela não iria mostrar-se fraca diante dele.

–Thalia Grace, me conte agora o que há com você. – Ele olhava sério no fundo dos olhos da morena.

–Comigo?! Foi você que se agarrou com aquela vaca antes de vir atrás de mim. – Thalia quase cuspiu aquelas palavras, odiando ter que falá-las em voz alta, isso as tornava mais reais.

–O que?! Quem te disse isso? Olha, eu posso ter bebido um pouco demais ontem, mas tenho certeza absoluta que não fiquei com ninguém mais além de você.

Ela deu uma risada de escárnio.

–Quem foi que te disse isso? – Nico perguntou, com uma pontada de raiva na voz.

–Não interessa. – Thalia virou o rosto.

–Foi a própria Drew, não foi? Pelo amor de Deus Thalia, desde quando você acredita no que aquela garota diz?

–Jura que não ficou com ela e nem com mais ninguém? – Agora ela olhava para o chão.

Nico ergueu o queixo dela e deu um beijo, começou com um simples selinho, mas foi se aprofundando até que os dois se beijavam avidamente no meio do refeitório, então palmas e assovios começaram a surgir e os dois pararam, ofegantes.

–Isso responde sua pergunta? – O garoto tinha um sorriso malandro nos lábios.

–Não exatamente. – Lia ergueu o queixo e cruzou os braços, com uma expressão divertida e Nico revirou os olhos.

–Não Lia, eu não fiquei com mais ninguém.

–Ótimo.

E assim os dois voltaram a se beijar furiosamente.

–Vão para um banheiro, seus nojentos! – Clarrise gritou no meio de todos os assovios e palmas.

E Annabeth viu que, se até mesmo Thalia se entregara, ela estava em perigo.

Notas finais
Olha mais um cap fresquinho pra vocês! Gente, esse era meu último capítulo pronto, a partir de agora vou demorar um pouco mais pra postar, só pra vocês não estranharem ou qualquer coisa assim, vou TENTAR não demorar mais que uma semana, mas não posso prometer nada, já que é final de bimestre e eu tô cheia de prova pra estudar e fazer... Mas eu já comecei o próximo capítulo, então esse não deve mesmo demorar muito, e pelo que tenho em mente, acho que vocês vão gostar dele, é bem fofinho/engraçadinho. Reviews são super bem vindos, e tenho que dizer que estou desapontada, no começo eu recebia mais, vocês não estão gostando da história? Por favor, qualquer coisa me falem, se ficou chato, monótono ou qualquer coisa assim, agora que preciso mais ainda de inspiração e incentivo pra postar mais rápido! Enfim, é isso meus leitores lindos, até o próximo. Beijinhos, da Miss Bia.