De Vida Nova

3 Capítulo três


Aquele primeiro dia de aula não ocorreu exatamente como Annabeth tinha previsto, de certa forma foi melhor, já que tinha feito amigos rapidamente, mas também foi pior, olhando de outro ângulo, ela tinha acabado de sair de um relacionamento sufocante, antes de se mudar, e agora tinha um dos caras mais gatos da escola dando em cima dela.

Ele podia não querer nada sério, o que era o mais provável, mas nem para isso Annie estava pronta agora, era simplesmente demais.

A loira pensava nisso enquanto estava deitada em sua cama, na nova casa. Não sabia se um dia chamaria essa casa de “sua”, já que nunca foi muito chegada ao pai e agora estava sendo obrigada a aturar isso, não tinha escolha, porque se tivesse, com certeza não estaria naquele lugar agora.

Não era exatamente a casa o “ruim” da coisa, era um local aconchegante, por mais que o pai fosse o dono de uma empresa muito bem sucedida a casa não era extravagante demais, como a que maioria dos empresários de sucesso havia.

Ela era no estilo sobrado, no térreo ficava a sala de estar, a de jantar, uma cozinha grande — Frederick Chase, o pai de Annabeth, gostava de cozinhar, apesar de agora não ter mais muito tempo — uma área de festas maior ainda para churrascos entre sócios e dois banheiros – além da piscina e uma grande jardim do lado de fora.

Já no primeiro andar tinham três suítes e um banheiro, a maior era de Frederick, mas a de Annabeth não ficava muito para trás, um quarto enorme com paredes cor de marfim, uma cama de casal com uma colcha felpuda, escrivaninha para seus amados desenhos e um espelho que ia do teto até o chão, seu closet e banheiro eram do tamanho exato que ela precisava e até uma banheira ela tinha.

Seria o quarto perfeito, se não fosse o lugar e com a pessoa errada.

O que a fazia não querer estar ali era a circunstância, além de que o pai não tinha tempo para ela nem agora, que tanto precisava.

[...]

No dia seguinte Annabeth acordou um pouco mais disposta, ela teria sua primeira aula de direção naquela manhã, já que a escola tinha um instrutor e os alunos tinham permissão de faltar às aulas normais para ter uma hora daquela aula. Pelo menos uma pequena parte boa em se mudar, ela tiraria a carteira dois anos antes do previsto.

–Bom dia Annie. – Disse Percy assim que ela apareceu na escola.

Ele estava lindo, com uma jaqueta de couro preta, blusa azul e calça jeans. Mas ela não deveria estar pensando aquilo, definitivamente não deveria.

–Quem disse que você pode me chamar de Annie? – Ela respondeu tentando desviar os olhos daqueles ombros largos.

–Uau, calma, pra que tanta hostilidade logo de manhã?

Porque ela precisava mantê-lo afastado.

–Porque é assim que eu trato caras irritantes.

–Tudo bem então, vai ter que aula agora? — Foi como ele tivesse ignorado a frase dela.

–Direção, vou poder tirar a carteira dois anos antes agora que moro aqui. – Annie resolveu parar com a hostilidade. – É a única coisa boa até agora em me mudar.

–Ei! Mas e eu? – Ela revirou os olhos. – Espera aí, no Brasil vocês não tiram a carteira com 18?

–Uhum.

–Então como dois anos antes? – Ele pensou mais um pouco. – Você tem 16?

–É isso aí gênio, deduziu como? Alguma fórmula mágica?

–Então como está no ultimo ano?

A loira deu de ombros.

–Estou um ano adiantada.

–Então além de super gatas as brasileiras são super inteligentes? – Percy perguntou surpreso, mas com um sorriso nos lábios. – Tirei a sorte grande!

–Fingindo que não ouvi a primeira parte... Não, eu realmente sou uma exceção na parte da inteligência, acredite.

–Tudo bem, — Ele deu de ombros – eu provavelmente só vou conhecer você mesmo, brasileirinha.

Annabeth rolou os olhos novamente.

Então eles chegaram à parte de trás da escola, onde as aulas de direção eram dadas.

–Enfim, eu vou pra lá, falar com o professor... – Ela olhou na folha que tinha em mãos – Apolo Solis.

Percy fez uma careta.

–É com ele a aula?

–É, por quê?

–Nada, esquece.

–Então tá, tchau Percy.

–Tchau Annie.

Ela rolou os olhos e o moreno lhe deu um beijo na bochecha, depois se virou e foi embora, para a primeira aula.

Annabeth andou em direção ao carro amarelo, que parecia um taxi, mas escrito “Auto Escola Academia Yanci”, e assim que viu o Sr. Solis achou que sabia o porquê da reação de Percy diante da menção do nome, ele era lindo, e parecia bem novo também, com cabelos loiros, olhos azuis, um bronzeado incrível e o porte atlético.

–Você deve ser Annabeth, a aluna de hoje. – Ele sorriu quando a loira assentiu. – Eu sou o professor Apolo, pode me chamar assim mesmo, odeio esse negócio de “Sr. Solis”.

–Você parece mais um aluno.

–É, muitos alunos novos pensam isso, eu sou bem novo mesmo, estou cursando Letras na faculdade, e enquanto não me formo eu trabalho como professor de direção, mas minha vaga como professor de literatura está garantida na Yanci. – Apolo piscou, fazendo Annabeth enrubescer.

–Ah ta, tudo bem então.

Ele riu.

–Vamos começar a aula? – A garota assentiu. – Muito bem então, pode entrar no carro.

–Você não vai dar nenhuma dica antes?

–Não, na verdade é bem simples, eu te explico lá dentro, entra. – Os dois entraram no carro amarelo e chamativo.

–Olha, você gira a chave, pisa na embreagem, que é o pedal da esquerda, e muda a marcha aqui, — ele apontou para o câmbio de troca de marcha – aí vai soltando devagar o pedal, e depois você já pode acelerar, é o pedal da direita, o do meio é pra frear, e toda vez que for trocar de marcha ou frear você tem que pisar no pedal da embreagem. Entendeu?

–É, acho que sim, eu espero... – Ela respondeu receosa, esperava que essa pequena explicação servisse para pelo menos não bater o carro ou machucar alguém.

–Tenta, não é tão difícil quanto parece, acredite em mim. – Apolo deu um sorriso de incentivo.

Se ele continuasse dando sorrisos assim, aí sim que Annabeth ia acabar fazendo algo errado.

–Tudo bem, lá vamos nós. – Ela fez tudo o que o professor disse e o carro começou a andar lentamente depois de dar alguns trancos. – Até que não é tão difícil.

–Viu, eu te falei, agora vamos dar a volta nesta pista e voltar para o mesmo lugar, mas tem algumas faixas de pedestre no caminho, e você tem que parar, pronta?

Annie engoliu em seco.

–Pronta.

Depois de mais uns 45 minutos de aula, dando voltas na pista de direção, parando nas faixas de pedestre e aumentando gradativamente a velocidade conforme ia ganhando confiança, ela voltou para suas aulas normais, eram bem mais tranqüilas, tinha que admitir.

Annabeth acabou encontrando Thalia e Rachel no corredor perto de seu armário.

–Oi Lia, oi Rach. – Ela sorriu.

–Oi Annie. – As duas falaram ao mesmo tempo e depois riram.

–Onde você estava? — Perguntou a ruiva. — Te procuramos antes da primeira aula.

–Eu tinha aula de direção hoje, o Percy não falou pra vocês?

–Na verdade não o vimos ainda, porque o Percy sabia disso hein? – Thalia inquiriu erguendo as sobrancelhas.

–Não é nada do que vocês estão pensando. – Annabeth rolou os olhos. – Ele estava atrás de mim hoje e eu falei que estava indo para a aula de direção com o professor Apolo.

–E que cara ele fez quando soube que era com o Apolo? – Rachel perguntou, segurando a risada, sendo acompanhada por Thalia.

–Uma não muito boa, por quê?

–É o ciúmes, que fofo. – Lia fez uma cara debochada.

–Coitado gente, deixa o garoto. – A loira saiu em defesa de Percy.

–Iiiih, defendendo ele agora? Já vi que ele tá fazendo um bom trabalho... – Foi a vez de Rach.

–Nem começa Rachel! – Estava começando a se irritar com as insinuações delas.

–Ta bom, ta bom, por enquanto eu paro. – A ruiva piscou. – Então, mudando o assunto, hoje a noite tem uma festa na casa da Piper, os pais dela vão viajar, tá a fim de ir?

–Claro, pode ser, onde é a casa?

–Assim que acabar as aulas vamos pra casa da Pips já nos arrumar, ela faz milagres, pode acreditar! – Thalia respondeu.

–Tudo bem então, posso ir com vocês? Ainda estou nas aulas de direção, vocês sabem. – Annie ficou meio envergonhada.

–Claro, relaxa! Te encontramos quando acabarem as aulas, a gente se vê mais tarde. – Disse Rachel.

–Até depois Annie!

–Tchau garotas!

Annabeth foi para as próximas aulas que tinha pensando no que usaria aquela noite na festa.

Notas finais
Gente, adorei os comentários, mesmo! Agora estou bem mais motivada pra escrever. Então, a parte de baixo da casa da Annie eu me inspirei na minha mesmo, então até que foi fácil de descrevê-la. E o próximo capítulo eu devo postar na quarta, então voltem aqui nesse dia hein, eu gostei especialmente desse 4º cap. Espero que tenha gostado, beijinhos!