De Vida Nova
11 Capítulo onze
Notas iniciais
–O que aconteceu Percy?
–Eu não sei, meu pai simplesmente disse que eu preciso ir pro hospital agora, algo haver com o Tritão. – Ele se levantou.
–Então pode ir, eu pego um táxi. – Annabeth se levantou também.
–Não Annie, vem comigo. Se é com o Tritão, a Anftrite vai estar lá, e eu não aguento mais aquela mulher, quase dei um soco na cara dela hoje de manha. – Percy recolheu as coisas do piquenique.
–Tá bom, eu vou sim. Você pode deixar essas luzes aqui?
–Posso, amanhã eu passo pra recolher tudo. Vamos. – Ele pegou a garota pela mão e ambos foram em direção ao elevador.
Annabeth e Percy ficaram em silêncio enquanto olhavam o visor diminuir os números, e continuaram sem falar uma palavra até chegar ao carro, não havia o que dizer.
–O hospital fica a uns dez minutos daqui. – O moreno comentou.
–E você não faz nem ideia do que possa ser?
–Não, meu pai não escreveu uma palavra além disso, e não consigo imaginar nada, quando passei em casa depois da aula estava tudo normal.
O silêncio se instaurou novamente, nenhum deles queria sequer imaginar o que podia ter acontecido para o pai ligar tantas vezes sabendo que o filho estava em um encontro.
[...]
–Oi, meu nome é Percy Jackson, meu pai Poseidon me disse para vir aqui, tem haver com o meu irmão Tritão, pode me ajudar? – Percy pediu à recepcionista do hospital.
–Claro, deixe-me ver. – A moça começou a pesquisar no computador.
–Percy! – Poseidon falou alto quando viu o filho de longe.
–Não precisa mais, obrigado! – O garoto disse à mulher. – O que aconteceu pai?
Poseidon estava acabado, com a roupa toda desalinhada, cabelos desgrenhados e viam-se marcas de lágrimas na bochecha.
–O Tritão, ele se afogou na piscina. Estão tentando reanimá-lo, mas não está dando certo. – Poseidon colocou a cabeça entre as mãos.
–Mas como isso aconteceu?! Ele sabe nadar tão bem, foi você mesmo quem o ensinou!
–Ele estava brincando com o skate ao redor da piscina, aí se desequilibrou, bateu a cabeça e desmaiou, então não tinha como ele nadar.
–Meu Deus! Mas quanto tempo ele ficou lá dentro?
–Os médicos acham que foi algo entre 15 e 20 minutos. Mas para um garotinho daquele tamanho já é o suficiente para algo trágico. – O pai passou as mãos pelo cabelo, bagunçando-o mais ainda.
–E como ninguém percebeu antes que ele caiu? – Percy imitou o gesto do pai.
–Nós estávamos vendo TV, até que Anfitrite percebeu que não ouvia mais as rodinhas do skate ou qualquer som de Tritão, e foi olhar lá fora. – Uma lágrima rolou e Poseidon abaixou a cabeça.
–Eu sinto muito senhor Poseidon. – Annabeth finalmente falou alguma coisa.
O mais velho não tinha percebido que a garota estava ali até aquele momento, ele levantou a cabeça.
–Obrigado, você deve ser Annabeth, o encontro de Percy. – Tentou forçar um sorriso.
–Eu sou sim.
–Queria que tivéssemos nos conhecido de outra forma. – Poseidon suspirou.
–Eu também. – A loira concordou.
–NÃO! NÃO! É MENTIRA!
Os três viraram a cabeça quando ouviram a gritaria, era Anfitrite, ela se debatia nos braços de um enfermeiro, o rosto vermelho, e gritava a plenos pulmões.
–VOCÊS ESTÃO MENTINDO! ME SOLTA!
Poseidon foi correndo até a mulher.
–Anfitrite, o que foi? O que está acontecendo? – Ele assumiu o lugar do enfermeiro e a segurou.
–Eles falaram que o Tritão morreu, mas é mentira, eu sei que é. Você tem que achar o Tritão, trás ele pra cá Poseidon. – Anfitrite segurou o rosto de Poseidon e o olhou nos olhos. – Eu quero o meu filho.
–Acalme-se Trite, por favor. Se eles falaram que... que não tem mais nada que possa ser feito pelo Tritão, é porque não tem, eles não estão mentindo querida.
–Você também? Todo mundo mente pra mim, mas eu não vou acreditar. Eu quero o meu filho AGORA! Você só está falando isso porque tem o Percy, então não liga se perder Tritão, mas pra mim ele é o único, então eu não posso perdê-lo. E não vou, porque tudo isso é MENTIRA.
–Nunca mais diga isso – Poseidon disse baixinho, cada palavra carregada de ira. – Eu amo Tritão tanto quanto amo Percy, e não suportaria perder nenhum dos dois. Mas Tritão se foi Anfitrite, não há nada que você ou eu ou os médicos possamos fazer.
–MENTIROSO! – Ela puxou seu braço com força, deixando-o vermelho, e saiu correndo para o corredor de onde veio, para onde estava Tritão.
–Eu vou atrás dela. – Poseidon se virou para Perc y e Annabeth que assistiam tudo chocados. – Vá pra casa Percy. Annabeth, você é bem-vinda lá se quiser.
E assim ele foi atrás da mulher, correndo também.
–Eu... Eu não acredito que, de uma hora para outra... Eu simplesmente não tenho mais um irmão. – Percy estava atordoado, sem saber o que pensar ou como agir.
Tinha uma parte em seu íntimo, uma parte que ele não deixaria nunca sair, que não estava triste por Tritão não estar mais lá para incomodá-lo. Ele sabia que não amava o irmão, nem sequer gostava dele, mas ainda assim surpreendeu-se por ter uma parte sua que pensava assim daquela situação.
–Eu sei, eu não tenho irmãos, mas deve ser muito difícil. – Annabeth pegou a mão do garoto. – Vamos para sua casa, eu fico um pouco lá até seu pai voltar.
Percy apenas assentiu e ambos se dirigiram ao carro.
–Eu dirijo, mas se tiver polícia a gente troca de lugar, tá bom? – Ele assentiu novamente.
A garota entrou no lado do motorista e quando Percy já havia entrado também ela deu partida. Não sabia bem o que falar, não era muito sentimental, então não tinha ideia de como agir naquele momento, deveria apenas segurar a mão dele e não falar nada? Incentivá-lo a falar de seus sentimentos? Ou discursar algo sobre a morte ela mesma? E se fosse isso, o que deveria falar?! Eram muitas dúvidas, então apenas ficou quieta e dirigiu, seguindo as ordens do garoto para chegar à casa dele.
[...]
Quando finalmente chegaram, Annabeth ainda não sabia o que fazer, então decidiu simplesmente se deixar levar e ver no que dava, faria o que acharia ser certo ao momento.
–Quer subir? – Percy inquiriu.
–Claro, mas você não quer que eu te prepare algo? Sei lá, um chocolate quente? Me acalma sempre, é só dizer onde ficam as coisas. – É, era um bom começo.
–Eu não estou muito como o dono da casa assim, mas acho que é uma boa ideia. Eu te ajudo.
O garoto foi até um armário no canto da cozinha, linda e elegante, por sinal, e pegou uma barra de chocolate amargo e depois abriu uma gaveta enorme para pegar uma panela.
–É só isso que eu sei que precisa pra chocolate quente, o que mais?
–Creme de leite e leite, onde ficam?
–O leite na geladeira, e o creme pode deixar que eu pego.
Annabeth foi até a geladeira cromada dos Jackson, abriu a porta e procurou o leite, mas até achar naquela monstruosidade enorme, demorou um pouco.
–Pronto, temos tudo aqui. – Ela disse colocando o leite na bancada junto com os outros ingredientes.
–Ah, espera! – Percy voltou o armário de onde saíra creme de leite e pegou um tubo de chantilly. – Agora sim.
A garota revirou os olhos.
–Formiga.
–Ei! Chocolate quente sem chantilly não é chocolate quente!
–Claro Percy. Mas vamos começar, me ajude a quebrar a barra de chocolate.
Não foi uma tarefa difícil, e em dois minutos essa parte estava pronta.
–Agora acende o fogão, eu vou derreter o chocolate.
Percy fez o que ela mandou e levou o tabuleiro com o chocolate para perto do fogo, Annabeth começou a colocar os pedaços e foi mexendo até derreterem por completo.
–Agora trás as outras coisas aqui também.
Ela colocou o resto dos ingredientes dentro e mexeu tudo, no final havia uma substância cremosa que parecia deliciosa.
–Já tá pronto? – O moreno perguntou.
–Uhum, vamos colocar em xícaras e aí podemos subir, mas temos que esperar esfriar um pouco antes de bebermos. – Annabeth desligou o fogão e tirou a panela dali.
–Não esqueça o chantilly. – Percy trouxe duas xícaras e a loira derramou o chocolate quente dentro delas.
–Claro. – Ela revirou os olhos mais uma vez. – Essa parte fica com você, pode colocar.
O garoto encheu tanto as xícaras com o chantilly que não se via mais a parte do chocolate. Ele pegou duas colheres, entregou-as à Annabeth, segurou as xícaras e foi em direção à escada.
–Este é o meu quarto. – Ele encolheu os ombros, como se fosse pouca coisa.
Mas não era. O quarto era maior que o de Annabeth, mas não tinha closet, então a diferença era aceitável. Tinha azul em praticamente todas as coisas, de todos os tons, o edredom da cama era de um azul muito escuro, quase preto, e era contrastado pela cortina que era azul bebê, quase branca. As paredes eram algo perto do azul celeste, não muito mais escuras que a cortina.
Além da cama de casal, ele tinha também uma escrivaninha preta e uma cadeira com rodinhas combinando, e, acima dela, oposta à cama, uma enorme TV de plasma estava presa à parede. Isso sem contar os controles de Xbox e de Play Station 4, e os pôsteres de bandas e filmes. Nenhum deles tinha mulheres seminuas, para a felicidade de Annabeth.
–Gostei do quarto. Aconchegante e... Azul. – Ela disse, dando uma volta ao redor do próprio corpo, para poder ver tudo.
Percy deu uma risada sem graça.
–É, eu gosto de azul.
–Eu também.
Eles deixaram as colheres e as xícaras na escrivaninha e se sentaram na beirada da cama, sem saber o que falar. O clima pesado de antes havia voltado, Annabeth percebera.
–Olha Percy, eu não sei muito bem o que falar e... – Ela foi interrompida.
–Não precisa falar nada. Eu sei que não é uma coisa muito fácil de se achar algo pra amenizar, você estando aqui já está muito bom.
A garota sorriu — pelo menos ele entendia que ela não sabia o que fazer — e segurou a mão dele. Um arrepio percorreu o corpo de ambos quando houve o contato, e viraram-se um para o outro.
Ela viu o desejo nos olhos de Percy, e achou que pelo menos aquilo seria uma distração para o sentimento de perda, não seria nada desrespeitoso com a situação, nada. Era apenas para ajudá-lo. Foi isso que Annabeth colocou na cabeça para se aproximar mais do moreno, e deixar seus lábios a centímetros de distância. A escolha ainda seria dele.
E Percy não demorou a escolher, atacou furiosamente a boca da garota, e ao mesmo tempo levou suas mãos à cintura dela, a fim de puxá-la para mais perto.
Assim que sentiu aquela boca na sua e as mãos fortes em sua cintura, Annabeth deu um fim às próprias, e levou-as até a nuca do garoto, puxando e sentindo aquele cabelo macio. Quando ela puxou mais forte, Percy gemeu baixinho de encontro a sua boca, e pegou-a no colo para poder deitá-la na cama.
Eles continuaram entre beijos, alternando entre selvagem e avassalador e suave e doce, o moreno estava em cima de Annabeth, prensando-a contra a cama, mas apoiado nos cotovelos para ela não sentir todo o seu peso.
Mas, de repente, o clima mudou, e, entre um dos beijos furiosos e selvagens, Percy levou suas mãos até os botões da blusa da loira, e começou a abrir um por um muito rapidamente. Quando chegou ao último e viu que havia outra por baixo, bufou de frustração.
Annabeth não sabia se o parava ou o deixavaele continuar com aquilo, ela ainda não tinha certeza se estava pronta, mas queria que Percy ficasse bem e se distraísse da morte do irmão, então, sem saber o que fazer, deixou-o continuar, e o garoto encarou aquilo como uma permissão definitiva.
Entretanto, quando ele ia tirar a blusa que ainda estava lá, eles ouviram o barulho de chaves girando, e a porta sendo aberta.
–Percy? – Poseidon falou alto lá de baixo.
–Estou em casa pai, a Annie tá aqui também. – Mas depois sussurrou para apenas Annabeth ouvir. – Merda, de novo.
–Tudo bem, ela pode ficar se quiser. – Só pela voz dava para distinguir a tristeza que ele estava sentindo.
–Tá bom. – Percy respondeu. – Você quer ficar?
–Só pra gente tomar o chocolate quente, depois já vou, está tarde. – Ela estava ruborizada até a raiz do cabelo.
–Tá legal.
Ambos sentaram na ponta da cama novamente, trinta centímetros separando seus corpos.
Eles tomaram a bebida — que realmente acalmou um pouco Percy — em um silêncio constrangedor, Annabeth não via a hora de ir para casa.
Quando terminaram, o moreno perguntou:
–Quer que eu te leve em casa?
–Não precisa Percy, eu pego um táxi. – Ela se levantou.
–Mas a sua mochila e seu material estão no meu carro, vamos, eu te levo. – Percy se levantou também.
–Tá bom, mas eu tenho que ir realmente agora.
Ele pegou as chaves do carro.
–Vamos.
Os dois desceram a escada e Annabeth deu tchau a Poseidon. Anfitrite não estava à vista.
Dentro do carro e durante todo o caminho de dez minutos até a casa da garota, o silêncio retornou, mas, novamente, não era um silêncio agradável.
Depois do que parecia ter sido uma eternidade, finalmente o portão da casa de Annabeth apareceu, e Percy parou o carro.
–Então... Até segunda, na escola? – O garoto não sabia muito bem o que dizer.
–Até Percy. – Ela deu um beijo no rosto dele e saiu do carro.
–Merda, o que eu fiz de errado?!
Ele se perguntou baixinho ao ver Annabeth entrar em casa, sua bochecha formigando e sua boca ansiando pelo beijo que não receberia.
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