No carro, sentada quase de lado, ela o encarava.

Ele a conhecia o suficiente para saber que ela estava nervosa, apenas esperando uma oportunidade.

_Não gostei da intimidade daquela garota com você !

_Ela é meio efusiva, Sara

_Ah é ? Então este é o novo termo para “espertinha” ?

Ela tinha razão … tinha que concordar com ela.

_Aquilo foi muito íntimo para mim … ridículo… e além disso ela está solteira !

_Eles se separaram ? Como sabe ?

_Havia algumas pessoas comentando.

_Ela é maluca !

_Grissom … estou muito zangada com essa coisa toda e não gostei do jeito que ela tocou em você !

_Eu sei … querida .. não sei o que deu nela para fazer isso.

_Liberdade demais !

_Nunca dei liberdade a ela.

Eles entraram para dentro, Sara parecia mesmo bem zangada. Havia se segurado o máximo para não se deixar abater na frente de outras pessoas, mas agora era diferente.

Ele nunca ia entender as mulheres, estavam tão bem até antes de saírem dali.

Ela foi até a cozinha com seu marido atrás dela. Tomou um copo de água e se encostou na pia, olhando para ele.

_Está brava comigo ?

_O que você acha ?

_Mas … querida. — Ele se aproximou dela com cuidado. Quando ficava zangada, ele sabia que ela não gostava que a tocasse._Eu não fiz nada !

_Deveria ter a colocado em seu lugar !

_E empurrá – la ?

_Não … poderia simplesmente se esquivar !

Ele nem sequer imaginou que ela fosse para cima dele daquele jeito.

_Está bem … você tem razão … eu deveria adivinhar que ia ser “atacado” !

_Não use seu cinismo comigo, Grissom ! Tem outra coisa … até o Adam perguntou dela ! O que foi, de verdade, que aconteceu naquele restaurante ?

_Ah … não ! De novo isso … eu já te disse … acha que eu te escondi alguma coisa ?

_Não sei, talvez tenha “editado” alguns detalhes.

_Não aconteceu nada, ela apenas me cumprimentou.

_Daquele jeito ?

Ele ficou olhando para ela, não podia acreditar que uma coisa boba estava virando uma bola de neve.

Ele suspirou vencido, abriu a boca mas não tinha mais argumentos.

_Já me respondeu.

Ela passou por ele como um furacão e subiu para o quarto.

_Sara ... isso é injusto ... — ele sabia onde aquilo ia dar. Se lembrava da última vez que haviam brigado feio por causa de ciume. Ela ficou três dias sem falar com ele. Chegou até a dormir no quarto de hóspedes.

Tudo por conta de um encontro, por acaso, com Heather. Ele havia saído para jantar com seu filho pequeno enquanto ela estava dobrando o turno. Assim que a viu sozinha, ele confessou que a chamou para se juntar a eles, amigavelmente.

Sara sempre confessou não ter raiva dela, de maneira nenhuma, mas aceitar que eles ficassem assim juntos, como um casal e ainda mais com seu filho no meio daquilo, foi demais para sua cabeça.

Não havia acontecido nada demais, mesmo assim tinha sido difícil para ela ter que engolir a coisa toda.

Mesmo ouvindo a história de sua própria boca, tinha sido bem complicado. A coisa havia ficado pior quando ela pegou uma ligação dela em seu celular.

Ele ligou de volta na frente dela. Era apenas para agradecer pelo favor que ele havia feito junto ao Departamento de Polícia quando entraram em sua casa e fizeram sua empregada de refém, para ter acesso ao seu cofre. Muitas joias haviam sido furtadas. Com um telefonema, foi disponibilizado três agentes para ajudá — la a recuperar seus pertences.

Tudo tinha sido feito às claras, ele havia contado a ela, mas mesmo assim ... ela quase enlouqueceu.

Acabaram fazendo as pazes porque havia caído uma tempestade e ela tinha pavor. Fobia, na verdade !

Ele a acalmou em seus braços, e acabaram fazendo as pazes na quela noite. Após três longos dias de distância.

Ele subiu atrás dela e se sentou na cama.

Desta vez ele não ia deixar chegar a tanto. Não tinha feito nada de errado.

_Querida ... por favor, você vai deixar aquela maluca estragar a nossa noite ?

Ela estava de costas para ele tirando seu colar. Seu tom de voz era suplicante e ele viu quando ela parou de mexer na joia e olhou para ele através do espelho.

Com cuidado, ele foi até ela a abraçando pela cintura e também a encarando através do espelho.

_Nós devíamos estar naquela cama ...

Sua voz rouca estava a cada instante, a amolecendo.

Ele a ajudou a se livrar do colar, depois deslizou os dedos pelo seu pescoço fino.

_Por que você me deixa nervosa ?

_Mas querida ... eu não pude fazer nada, estava morrendo de medo que você pudesse me julgar errado.

_Eu não suporto a ideia de outra mulher se aproximar de você !

_Está tudo bem ... você sabe que eu nunca faria isso ... nunca teria coragem !

Então ela se convenceu, a voz em seu ouvido ... tranquila ... sua mãos quentes pelo seu corpo, a casa somente para eles ….