De Tudo ... Um Pouco !
16 Capítulo 16
Era madrugada e Grissom acordou, o vento na janela deixava o quarto frio e ele estava sem camisa.
Sua mulher dormia enrolada em um canto, longe dele e estava igualmente gelada. Ele a cobriu e foi até o quarto de seu pequeno.
A cama estava vazia, seu banheiro apagado, ele foi até a janela aberta e o viu enrolado em seu cobertor com seu telescópio. Se sentou ao lado dele.
_Está sem sono ?
_Hãham ....
_O que está olhando ?
_As estrelas ...
Ele sorriu e passou um braço em volta dele, depois sentiu uma mão em seu ombro.
_Amor ? O que estão fazendo aí ?
_Vendo as estrelas ... sente -se, querida.
Ela se sentou do outro lado e ele dividiu o cobertor com seus pais.
_Não consegue dormir, querido ?
_Não ...
_Achei que fosse até nosso quarto.
_Fiquei com vontade de ver as estrelas.
_Hum ... você está triste ?
_Não ...
Já fazia quase uma semana que estava em tratamento. E ele havia dito aos pais que não notara nada de diferente, apenas relatava quando ouvia um pouco mais baixo, o que era bastante animador.
_Será que um dia vou conseguir chegar até a lua, papai ?
_Você gostaria ?
_Talvez …
_Nada é impossível, filho !
Ele se virou para sua mãe e tocou seu rosto.
_Se um dia eu não puder mais ouvir, ainda vão me amar ?
_Pelo amor de Deus, Adam. Você é a coisa mais importante das nossas vidas, sempre vamos te amar, não importa o que aconteça e você vai ficar bom, filho ! Nunca mais quero ouvir uma coisa dessas.
Sara estava com os olhos marejados assim como Grissom !
_Por que está pensando nisso ? Você ama a vovó, e tem alguma importância se ela não ouve ? — Grissom se desdobrava para não ser tragado pela angústia. Aquilo era horrível de ouvir, como se tivesse uma enorme ferida aberta e alguém a tocasse por maldade.
_Não … eu amo a vovó e não me importo.
_Viu …
Beth estaria com o neto, logo mais quando o dia raiasse. Eles ainda não haviam falado com ninguém.
_Estou com saudade da Zoe !
Ela estava passando uns dias na casa de seus primos e estaria de volta dentro de dois dias.
_Vocês tem se falado bastante.
_Não é a mesma coisa … mamãe ! Assim como o papai, eu prefiro ter ele aqui do que por telefone !
Grissom ficou embasbacado !
Aquele molequinho estava se saindo um expert em deixá – lo emocionado. Dizia cada coisa que o fazia pensar na vida de uma maneira muito intensa.
Ele era emotivo e fazia com que as pessoas ao redor ficassem perplexas com comentários “infantis” mais adultos que ele já havia visto !
_Ohhh … meu amorzinho … as pessoas, às vezes precisam fazer outras coisas.
_É … eu sei !
Ele olhou pelo telescópio e sorriu.
_As estrelas são bonitas !
Sara beijou seus olhos e se agarrou mais a ele, com frio.
_É gostoso ficar aqui, mas faz um friozinho ! Vamos entrar ?
Eles se levantaram e Adam quis que a mãe dormisse com ele, então ela inflou um colchão que Grissom tinha aos montes e ajeitou o chão do quarto dele.
_Fique aqui, também, papai !
_Está bem !
Ele fez uma tenda prendendo um cobertor na estante e apagou a luz, pegou sua lanterna e acendeu.
Os três pareciam exploradores em uma floresta desconhecida.
_Na floresta é assim também, papai ?
_É sim, usamos lanternas o tempo todo, quando o sol se põe.
_Sente saudade de lá ?
_Não ! Gosto muito mais de estar aqui, com vocês !
_Mas precisa trabalhar para trazer dinheiro, não é ?
Ele começou a rir, seu filho estava certo.
_É … também.
_E se você trabalhasse mais perto ? Poderia te ver todos os dias e a mamãe também !
_Estou pensando nisso !
_Jura ? Você ouviu isso, mamãe ?
_Ouvi meu amor – Sara respondeu.
Ele abraçou seu pai como se tivesse recebido o melhor presente do mundo, depois se enroscou no pescoço de sua mãe, apagou sua lanterna e ficou quietinho.
Sara atravessou um braço sobre ele e alcançou com a mão, a barriga de seu marido, assim tocava os dois ao mesmo tempo.
_Boa noite, meu pequeno. Boa noite, amor !
_Boa noite, mamãe !
_Boa noite querida.
Grissom beijou sua mulher por cima da cabeça de Adam e lhe sorriu.
_E lá vamos nós dormir em uma barraca !
Adam deu uma risadinha gostosa, e eles se olharam mais uma vez.
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