De Tudo ... Um Pouco !
1 Capítulo 1
_Adam !
Ela o chamou por cima do muro que delimitava sua casa e a de seu vizinho Jay.
_Oi mamãe … — ela ouviu ele respondeu de dentro da casa.
_Venha … filho, você tem dentista e estamos em cima da hora.
O garoto largou o controle da locomotiva e desligou a chave geral que ficava debaixo da mesa.
_Tio Jay … a Zoe pode ir conosco ?
_Tem que pedir a sua mãe primeiro.
Ele correu para fora e sua mãe o esperava no carro.
_Mamãe … podemos levar a Zoe ?
_Tem que pedir ao tio dela, querido !
_Mas ele disse para pedir a você.
_Você quer ir, Zoe ?
_Sim … tia Sara !
Ela sorriu para a garota delicada e meiga.
_Se é assim … vamos ! Jay ? — ela gritou e ele apontou a cabeça para fora. Ele era bonito, os cabelos negros, os olhos verdes, brilhantes e grandes
_Sim !
_A Zoe vai conosco, ok ?
_Claro … mas antes, quero um super beijo.
A garota correu e agarrou o pescoço do homem elegante, depois o beijou no rosto.
_Tchau tio Jay …
_Tchau princesa.
As crianças se sentaram no branco de trás da Tahoe, sorridentes.
_Filho … o papai ligou … ele chega amanhã !
_Que legal … você vai conhecer o meu pai, Zoe. Ele é incrível, vai gostar dele … tenho certeza.
_Por que ele não mora com vocês ?
_Ele mora sim, é que trabalha do outro lado do mundo, não é mamãe ?
_Sim … — ela o olhou com uma tristeza dissimulada por um sorriso amarelo.
Sentia falta dele. A saudade era enorme, embora se falassem com muita frequência pelo vídeo.
Ele havia sido convidado para uma expedição pelo continente africano, contavam com quase vinte profissionais. O documentário havia sido acordado entre a equipe e a National Geographic Society.
Grissom estava eufórico, mas um tanto preocupado, nunca havia ficado tanto tempo longe de casa.
Eles haviam se mudado a apenas quatro dias para uma casa muito maior, numa excelente localização.
Sara o convenceu a aceitar a proposta, depois de terem combinado de se falarem pelo menos três vezes por semana … e ele ter um canal aberto com o filho. Ele poderia chamá – lo quando quisesse, exceto pelo período das dez da manhã, às quatro da tarde, o horário de pico das filmagens do documentário. Havia até uma cláusula no contrato.
Com tudo acertado ele havia partido, e lá se iam três meses, uma semana e dois dias.
Zoe e seu tio Jay, haviam se mudado dois dias depois que Grissom partira.
Os pais da garota haviam morrido em um acidente de carro e o tio, um solteirão, ficara com a guarda da garota.
Adam e Zoe tinham apenas quatro meses de diferença. Ambos estavam com seis anos.
A garota era extrovertida, extremamente educada e muito inteligente, assim como Adam, com uma pequena diferença, o garoto era um tanto tímido.
Mas havia se identificado com ela de uma maneira impressionante.
Jay sempre dissera a Sara que Adam havia caído do céu, que ele era um anjo que viera para salvá – los.
O maior medo do tio era que a garota ficasse traumatizada com a tragédia que se abatera sobre eles.
Mas ela estava levando as coisas de uma maneira muito adulta. Adorava o tio, ele sempre morara por perto e era presença constante em suas vidas, já que seus pais estavam sempre viajando à trabalho. A mãe, uma modelo em ascenção, e o pai, um fotógrafo profissional.
A garota tinha uma beleza quase aristocrática, magra, com enormes olhos verdes, como os do tio, os cabelos claros e lisos e era um pouco maior que as crianças de sua idade. Mesmo Adam não sendo um garoto baixo, ainda assim ela era quase quatro polegadas maior que ele.
Ela olhou para o filho, conversando com sua amiga tão descontraído e sentiu orgulho dele.
Era um bom menino, muito calmo e solícito, embora fosse de falar muito pouco.
Ás vezes nem parecia que estava em casa !
A amizade com Zoe também havia feito um bem enorme a ele, já que vivia a maior parte do tempo entre adultos. A não ser na escola, mas ainda assim, era o preferido dos professores. Ele era encantador.
Seu rosto muito bonito com traços marcantes, era uma mistura agradável dos dois.
O cabelo liso, castanho claro, caído displicente sobre a testa, o sorriso dela, mas a marquinha no queixo idêntica a de seu pai, assim como os gestos, a forma de olhar, o arquear de sobrancelhas ... exatamente iguais a ele. Os olhos, cor de violeta, eram diferentes de tudo que ela já vira, eles chamavam atenção onde quer que eles fossem. Eram sua marca registrada … impressionantes.
Em todas as fotos que estavam espalhadas pela casa, eles se destacavam, como em revistas de moda, com aqueles famosos modelos ou os astros mais exóticos do mundo do cinema.
Com certeza se tornaria um homem magnifico.
Adorava montar maquetes de aviões antigos. O pai sempre o presenteava com peças trazidas de muitos lugares por onde passava.
A casa possuía um escritório que comportava suas “obras”, todas muito bem cuidadas, e em seu quarto o seu favorito. Uma réplica perfeita de um Spitfire dos anos 30, de quase um metro e meio de comprimento. Era maravilhoso, havia sido montado por ele e o pai, possuía controle remoto e era seu orgulho.
O telefone dele tocou e ele olhou no visor curioso.
_Papai !
_Oi filho … — havia um barulho de estalos que tornava a audição um tanto difícil.
_Você vem amanhã ? — O rosto se iluminou em um sorriso e ele olhou para sua amiga, estava fascinado com o telefonema.
_Sim … estou com tanta saudade que tinha que falar com você !
_Eu estava na casa da Zoe, papai ! Ela tem uma locomotiva, nós montamos sozinhos, sem ajuda de ninguém.
_Impressionante … parabéns, meu filho !
_Papai ! Precisar conhecer a Zoe, ela é muito esperta e … seu tio é muito legal.
Grissom arqueou as sobrancelhas, Sara já havia comentado sobre os novos vizinhos, e que o filho havia se identificado muito com eles. Isso era bom.
A garota sorriu e baixou a cabeça.
_Tenho certeza que sim … agora preciso desligar. Amo vocês !
_Também te amo !
Ele se ajeitou no banco e olhou para Zoe, depois para sua mãe. Estava feliz, e com muitas saudades.
Sara chegou no consultório e olhou para o relógio. Mais um minuto e se atrasariam.
Notas finais
Gostaram do Adam ?
E da Zoe e o Jay ?
Até a próxima !
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