De Tudo ... Um Pouco !
22 Capítulo 22
Adam passava a maior parte do tempo com Beth e Zoe. O garoto amava a avó e saber que sua amiga havia gostado dela só o deixou mais orgulhoso.
Os dois estavam com Beth envolvidos no quebra cabeças gigante. A avó fazia tudo o que ele pedia.
Grissom e Sara no sofá.
Ela estava com um livro em uma das mãos, a outra pousava sobre o peito de seu marido, e ele lia o jornal deitado em seu colo.
_Adam … queria te dizer uma coisa ! — Zoe parecia meio apreensiva.
Entretido com as peças ele apenas respondeu.
_Claro, pode falar !
_Todos os dias antes de dormir estou pedindo para você ficar bom.
Os dois pararam e ficaram olhando para eles.
Adam olhou para ela surpreso. Os olhos grandes, a analisando como se tivesse três vezes a sua idade.
_Você está fazendo isso ? Por que ?
_Para que fique bom !
_E se eu não ficar ? Não vai mais gostar de mim ?
Sara levou a mão à boca. Grissom se sentou e passou um braço pelo ombro de sua mulher. Nem imaginava onde aquela conversa ia chegar. Sua mãe estava de cabeça baixa compenetrada em encontrar as peças certas.
Com sua mãozinha delicada ela tocou seu rosto.
_Não diga bobagens, para mim … isso nunca vai acontecer … não vai mudar nada, você é muito bobo ! Só não quero que fique triste … oras.
Os olhos de Sara se encheram de lágrimas. Era emocionante !
_Hum … — Ele abaixou seus olhos para o chão e ela retirou sua mão do rostinho dele.
_Além do mais eu prometo que vou aprender tudo sobre a linguagem dos … gestos.
Sara riu e segurou a mão de Grissom.
_Sinais … — ele disse baixinho.
_Como ?
_Linguagem dos sinais … é assim que se diz.
_Ah tá ... linguagem dos sinais … é legal, eu gostei.
_Vou consultar um … outro médico ! Quer ir comigo ?
Ele a encarava com um jeitinho especial. Ele era mesmo apaixonante !
_Preciso pedir ao meu tio. — Depois bem baixinho ela continuou. _E você precisava pedir aos seus pais. Meu tio me disse que não podemos fazer tudo o que queremos. Pra isso temos que crescer mais.
Foi a vez de Grissom sorrir.
Adam se virou para sua avó e tocou seu braço.
Com gestos, ele perguntou à avó o que ela achava de Zoe ir junto ao médico.
Ela respondeu que ia ser bom para ele, mas ela tinha que pedir ao tio e ele, aos seus pais.
Ele sorriu e olhou em direção a eles, depois correu até o sofá.
_Mamãe … hum … se o tio da Zoe deixar ela pode ir junto comigo no médico ?
_Por mim, está tudo bem, meu amor.
_E você papai, o que acha ?
_Bem … se ele deixar … então tudo bem também.
Ele abraçou sua mãe, depois seu pai e saiu correndo de volta para elas.
_Amor … essa coisa dele se preocupar tanto com o que vão achar dele, acha que é normal ?
_Bem … isso também me preocupa um pouco … acho que existe um limite para essas coisas e não tenho certeza se isso faz bem a ele.
….......
Bem mais tarde, Grissom o levantou nos seus ombros e subiu a escada com ele para seu quarto, acompanhado de sua mulher.
Eles haviam combinado de conversar com ele.
Enquanto seu pai fechava os botões de seu pijama, sua mãe começou naturalmente.
_Filho … o que você faria se o seu melhor amigo tivesse um defeito ?
_Como a Zoe por exemplo ?
_Isso.
Ele olhou para cima e pareceu pensar bastante.
_Ia gostar dela do mesmo jeito.
_E se ela fizesse alguma coisa que não lhe agradasse. — Seu pai completou.
_Por que ? O que foi que ela fez ?
Ele raciocinava rápido e sempre tinha perguntas em vez de respostas.
O que eles queriam ? Era filho de Gilbert Grissom !
_Não meu bem, estamos falando de exemplos.
_Não sei … ia ficar chateado.
_Mas ia deixar de gostar dela ?
_Não … eu ia só ficar chateado.
_Para sempre ?
_Ah não, para sempre não. Você mesmo me disse que a gente tem que aceitar as pessoas como elas são, além do mais temos que … hum … que fazer as coisas com natural.
Ela levantou as sobrancelhas, estavam no caminho certo.
_É com naturalidade, meu amor. É assim que falamos.
_Isso !
Grissom o pegou no colo e o sentou na pia, pegou sua escova de dentes e deslizou a pasta entregando a ele.
_É bom agradar as pessoas, mas nem sempre conseguimos.
_Isso é ruim, não é papai ? — Ele fazia movimentos circulares com a escoa do jeito que seu pai havia lhe ensinado.
_Bastante ruim, mas as vezes é bom … não conseguimos ser perfeitos, sempre !
Ele enxaguou a boca e aceitou a toalha que sua mãe lhe deu.
Depois foi para sua cama.
Seu pai se sentou ao lado dele e sua mãe nos pés, fazendo massagem nos dedinhos pequenos.
_Gosto disso.
_Ah … igual a sua mãe ! Às vezes ela não me deixa dormir só para fazer massagens no pé dela.
Sara começou a rir, e ele a acompanhou.
_É verdade mamãe ?
_Sim … — ela confessou vencida.
_Bom então vamos ver se você entendeu. Nem sempre conseguimos agradar toda hora, é ruim, mas não precisamos ser perfeitos.
_É … eu acho que entendi.
_Então o que acha de parar de se preocupar se os outros vão gostar de você ou não ! Sabe, na verdade é bom pensar nisso, mas não toda hora. Você é nosso garoto, nós te amamos, assim como a vovó, a Zoe, os seus amigos. Até a sua professora ! Olha quanta gente.
_Hãham … eu acho que fico pensando … deve ser ruim as pessoas não gostar de você !
_Mas não é o seu caso, ok ?
_Ok ! Tem bastante gente que gosta de mim, não é papai ?
_É ..pensa bem … todo mundo que você conhece !
_E se um dia alguém não gostar ?
_Não faz mal … pense naquelas que gostam !
_É verdade ! Eu não tinha pensado nisso !
Ele bocejou e fechou os olhos.
Seus pais puxaram sua coberta e juntos beijaram seu rostinho corado. Um de cada lado.
_Nós te amamos muito !
_Eu sei !
Eles saíram do quarto, ele havia dormido imediatamente.
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