De Tudo ... Um Pouco !
10 Capítulo 10
Ele pegou seu filho no colo, queria chorar, mas não podia fazer isso na frente dele !
Sara se agarrou a eles, beijando suas costas magras.
_O que está acontecendo, papai ?
Os olhos deles brilhavam com a força que faziam para não se desmancharem em lágrimas. Mas Sara não conseguiu.
_Está tudo bem, vai ficar tudo bem !
_Porque está chorando mamãe, eu fiz alguma coisa errada ? Eu não ouvi … de verdade … é isso não é ? Está brava comigo porque não respondi ?
_Não meu amor … não é nada disso.
_Você brigaram … vai viajar de novo papai ? — Ele estava apavorado buscando uma resposta. Ninguém chorava à toa. As mãozinhas macias segurando o rosto de seu pai, áspero pela barba por fazer, à pedido de sua mulher. _Me responde … o que eu fiz ?
Os olhos dele estavam cheios de água também, não entendia o que era tudo aquilo, porque o pai o segurava tão forte e sua mãe estava tão triste. Até há pouco tempo atrás, estavam rindo e brincando.
_Está tudo bem, meu filho !
Ele suspirou e tentou manter a calma, talvez estivesse enganado, talvez ele apenas fosse até mais disperso que ele próprio. Rezou em silêncio para que aquilo fosse apenas engano.
_Vamos tomar sorvete ? — Ele olhou para sua mulher, tentando passar confiança e um pouco de calma.
_Mas … eu quero saber.
Ele precisava de uma explicação.
Sara tocou seu rostinho delicado e beijou o alto de sua cabeça.
_É que o papai e eu … pensamos que estava com algum problema !
_Que tipo ?
_Você está muito disperso … mas sabemos que não tem culpa, meu amor.
_É que … é …. apenas — ele procurava as palavras certas. _Fico pensando demais !
Seus pais riram para ele.
Estava tudo bem, agora ! Só precisava prestar mais atenção ao seu redor.
_Não está mais bravo, papai ?
_Não estava bravo, nem a mamãe … apenas muito preocupados.
_Hum .. achei que … sim.
_E então … vamos ao sorvete ?
Ele colocou o garoto no chão e segurou sua mão.
_Do que vai querer, papai ?
_Creme …
_E você, mamãe ? Já sei … chocolate !
_Isso mesmo.
_O meu também !
Enquanto ele estava concentrado em tomar seu sorvete e preocupado em não sujar a roupa, os dois o olhavam.
Estava havendo um teatro para crianças em um dos palcos montados e ele se virou para eles.
_Posso assistir, mamãe ?
_Vá … mas fique em nosso campo de visão, e não saia de jeito nenhum !
_Tudo bem … até parece que sou um bebê !
Ele limpou as mãos na camisa vermelha, de nada valeu ter tanto cuidado para não cair sorvete.
Sara enfiou um braço no de seu marido e se aconchegou a ele. Estravam sentados, esperando ele se afastar.
_Gil … o que você acha ?
_Eu … não sei querida.
_Tenho tanto medo, amor !
Ele precisava dar força a ela, não se deixar esmorecer, mas estava difícil. Ele se sentia tão impotente.
Adam se levantou e procurou uma cadeira mais perto, sem deixar de obedecer a mãe. De onde estava, ele podia ver seus pais, abraçados, bem juntinhos, olhando para ele.
Queria prestar atenção e havia um garoto maior que ele à sua frente.
_Ele mudou de lugar …
_Será que é para ouvir melhor ?
_Não sei …
_Ele parece bem, Sara. Está se divertindo !
O garoto ria das peripécias de um homem vestido com roupas de rato.
Parecia uma peça baseada no filme Ratatouille, pelo que estavam observando.
Uma mulher muito bonita se aproximou dele e conversou sobre alguma coisa que o fez rir muito.
Ela se sentou ao lado dele, atrapalhando a visão de seus pais. E ele percebeu.
Grissom e Sara viram ele trocar de lugar com ela e apontar com o dedo em direção a eles.
Ele era um garoto obediente, com certeza estava levando à risca o que sua mãe pedira.
_Vamos marcar uma consulta para ele, na segunda feira, e tirar nossas dúvidas.
Sara olhou para ele e parecia assustada.
Ele a abraçou com carinho e beijou seus cabelos, a acalmando.
_Seja o que for … vamos enfrentar juntos, querida.
_É tudo tão desolador.
_Mas devemos acreditar no melhor, senão , estaremos sofrendo por antecipação.
Ele mesmo queria acreditar em suas próprias palavras, mas não era fácil. Era o homem da casa, e tinha que ser forte para dar apoio a eles.
A peça terminou e eles se levantaram.
A mulher viu Adam correr para os braços do pai e foi em direção a eles.
_Você é Gilbert Grissom ?
_Sim … e você é … ?
_Julie Storn, canal 27, sou jornalista. O caso de Mike Dumm, há alguns anos.
_Há … agora me lembro.
_Vocês se casaram ? Ela era de sua equipe, não ? Sara, é isso ?
_Exatamente.
Sara a olhou com surpresa, agora se lembrava dela.
_Na ocasião quis fazer uma entrevista mais específica, mas o senhor se recusou. Me lembro de Sara falar com minha equipe em seu nome.
Era um assunto de muitos anos atrás, ela nem sequer se lembrava mais, mesmo !
_O garoto é muito bonito.
_Obrigado Julie. Temos que ir, com licença.
Grissom segurou na mão de seu filho, e Sara fez o mesmo.
_Se lembra dela, amor ?
_Sobre a entrevista … muito pouco, mas dela ? Absolutamente nada !
Puxando pela memória, Sara se lembrou que ela insistiu muito, chegou a insinuar se ela era sua porta voz e ela respondera que sim !
Eles foram para casa, tinham o aniversário de Jay.
Algumas horas depois, eles se sentavam no jardim da casa de Zoe e seu tio.
Assim que Zoe viu Adam o puxou pela mão.
_Você está bonito ! Já disse que essa cor fica bonita em você !
Grissom e Sara se entreolharam, por isso a insistência dele em colocar aquela camisa azul !
_Que Dom Juanzinho, não ? Puxou ao pai !
_A mim ?? Desde quando ? Sempre fui um cabeça dura, você … mais do que ninguém, sabe disso !
_Um cabeça dura comigo … você quer dizer ! Eu sei o que eu passei !
_Ele é um garoto bonito e temos que nos acostumar !
Sempre que ela falava do passado, ele sorria daquele jeito e mudava de assunto !
_Tem coisas que não mudam mesmo !
_Sabe que não gosto de falar sobre isso. Me incomoda saber o quanto fui um idiota ! E isso já passou … foi há muito tempo. Estamos casados agora, lembra ? E eu te amo cada dia mais !
Pronto ! Quando não se esquivava, sempre vencia !
_Sara, Grissom !
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