De Repente, Pais!

1 Como Edward Cullen consegue estragar uma festa Perfeita


Notas iniciais
Oi, meus amores! 🤍 Bem-vindos à nossa nova comédia romântica! 😂 Preparem-se para muito caos, provocações, tensão e uma bebê que vai roubar todas as cenas. Só uma pergunta... Quanto tempo vocês acham que o Edward Cullen leva para transformar uma festa perfeita em um completo desastre? 👀 Boa leitura! ✨

Capítulo 1: Como Edward Cullen consegue estragar uma festa Perfeita

POV BELLA

A perfeição, conforme aprendi a duras penas ao longo de vinte e oito anos de existência, é uma ilusão extremamente frágil. Ela exige horas de esforço minucioso, uma dose irreal de paciência e, no caso específico da minha vida, a ausência absoluta de Edward Cullen num raio de pelo menos cinco quilômetros. Infelizmente, a última condição era impossível de ser cumprida naquela tarde ensolarada de sábado. Alice Whitlock, em sua eterna e inabalável mania de grandeza festiva, havia transformado o quintal impecável de sua casa em um verdadeiro cenário de conto de fadas em tons de rosa pastel e dourado. Balões flutuavam estrategicamente presas a arcos de hortênsias, mesas de madeira demorada ostentavam doces finos que eu mesma passei as últimas quarenta e oito horas confeitando na minha confeitaria, e o aroma de baunilha fresca misturava-se ao cheiro da grama recém-cortada. Tudo estava milimetricamente calculado para comemorar o primeiro aniversário da pequena Liv, a garotinha que veio ao mundo para dominar completamente os corações de todos nós.

Eu estava curvada sobre a mesa principal, ajustando os últimos detalhes de um topo de bolo esculpido em pasta americana, sentindo o suor leve colar algumas mechas dos meus cabelos castanhos na testa, quando a voz aguda de Alice cortou o ar como uma navalha.

— Isabella Swan, se essa borvoleta de açúcar derreteur um milímetro sequer por causa do calor, eu juro que cancelo sua vida na Internet ! — ela disse, surgindo ao meu lado como um furacão de um metro e cinquenta de pura energia. Seus olhos escuros e expressivos varriam cada centímetro da mesa com uma precisão quase militar, e o vestido florido sem mangas acentuava sua figura esguia e seus movimentos graciosos.

— Relaxa,Alie — respondi, soltando um suspiro longo enquanto ajeitava com cuidado a ponta da fita do bolo de três andares. Minhas mãos estavam levemente manchadas de corante rosa, e a sensação de cansaço nos meus pés era um lembrete físico do trabalho braçal que eu havia investido ali. — A borboleta é de merengue suíço, aguenta até um explosão nuclear. E a estrutura tá mais firme do que a sua sanidade mental depois de organizar três reuniões de planejamento para o aniversário de uma criança que mal aprendeu a andar.

— Não deboche do meu processo criativo! A Liv só faz um ano uma vez na vida, e a filha de Alice e Jasper Whitlock merece nada menos do que o triunfo estético absoluto — ela rebateu, ajeitando uma mexa do seu cabelo curto e repicado antes de dar um passo para trás e me encarar com uma expressão desconfiada. — Falando no meu marido... Onde diabos estão os dois? Eu mandei o Jasper ir ao parque com a bebê há exatamente duas horas para tirá-los do meu caminho enquanto arrumávamos os arranjos de mesa. Ele disse que o Edward ia junto para ajudar a olhar a menina.

Ao ouvir aquele nome, meu estômago deu um nó instantâneo e familiar. Uma sensação incômoda de calor subiu pelo meu pescoço, e eu apertei o pano de prato que segurava entre os dedos com um pouco mais de força do que o necessário.

— Se o Edward foi junto, você pode esperar qualquer coisa, menos pontualidade ou responsabilidade — comentei, tentando manter meu tom de voz o mais neutro e desinteressado possível, embora o mero pensamento na figura dele já fosse o suficiente para desalinhar meu chakras. — Provavelmente ele se distraiu olhando o próprio reflexo no lago do parque ou parou para fletar com alguma loira peituda na praça.

— Você nunca muda, né? — Alice riu baixinho, balançando a cabeça com uma risadinha provocativa enquanto cruzava os braços sobre o peito. — Dez anos de término e você ainda reage ao nome dele como se tivesse tomado um choque elétrico.

— Não reajo a nada, Alice. Apenas constato fatos — retruquei rapidamente, sentindo minhas bochechas esquentarem. Voltei a atenção para o bolo, fingindo ajustar um pequeno detalhe de açúcar só para não ter que olhar nos olhos inquisidores da minha melhor amiga. — O Edward é um egocêntrico com complexo de Deus que acha que o mundo gira ao redor da órbita daquela cabeça bronze desarrumada dele. O fato de ele ter se tornado um médico importante só piorou as coisas em dez vezes.

Antes que Alice pudesse rebater minha declaração carregada de um rancor muito bem cultivado, o barulho do portão lateral de madeira rangendo na entrada do jardim fez com que ambas nos virássemos na mesma hora. E a cena que se revelou diante dos nossos olhos foi, sem sombra de dúvidas, uma das visões mais trágicas e bizarras que aquele quintal perfeitamente decorado já testemunhou.

Entrando pelo corredor de pedras portuguesas vinham três figuras. À frente, Jasper caminhava com um sorriso amarelo e culpado estampado no rosto, os cabelos loiros desalinhados e o peito da sua camisa polo bege coberto por manchas escuras de lama seca. Ao lado dele, Edward Cullen avançava com passos largos, a postura ereta e a arrogância habitual intacta, apesar de estar literalmente coberto de terra da cabeça aos pés. Sua calça jeans escura estava rasgada no joelho, a camiseta branca parecia ter sido passada por um trator em um terreno baldio, e seu rosto alto e esculpido ostentava um risco espesso de lama preta que ia da bochecha esquerda até o queixo. Mas o grande ápice do pesadelo estava nos braços dele: a pequena Liv, vestida com o que antes era um macacãozinho de linho branco caríssimo, gargalhava gostosamente enquanto segurava um punhado de terra fresca com as mãozinhas sujas, tentando enfiar o manjar duvidoso na boca do próprio dente de leite recém-nascido.

Alice soltou um grito que provavelmente fez os pássaros da vizinhança inteira voarem em debandada das árvores.

— JASPER WHITLOCK! — ela esganiçou-se, levando as duas mãos às bochechas em um gesto de puro pânico dramático. — O QUE VOCÊS FIZERAM COM A MINHA FILHA? O QUE VOCÊS FIZERAM COM VOCÊS MESMOS?

Eu fiquei paralisada por dois segundos inteiros, boquiaberta com o absurdo da cena, até que a raiva e a incredulidade tomaram conta do meu peito. Larguei o pano de prato na mesa e dei passos rápidos na direção dos dois patetas, parando a menos de um metro de distância de Edward, sentindo o cheiro característico de terra molhada misturado ao perfume amadeirado e caríssimo que ele teimava em usar mesmo quando ia ao inferno.

— Mas que diabos aconteceu aqui? — perguntei, cruzando os braços e encarando Edward de baixo para cima, deixando claro no meu olhar todo o desprezo que eu conseguia reunir naquela tarde. — Vocês foram passear no parque ou foram recrutados para uma guerra de trincheiras na Primeira Guerra Mundial?

Edward nem se deu ao trabalho de parecer envergonhado. Em vez disso, ele inclinou a cabeça ligeiramente para o lado, e aquele sorriso torto, debochado e absurdamente irritante que eu conhecia desde os meus quatorze anos surgiu em seus lábios desenhados. Seus olhos verdes, incrivelmente vívidos mesmo sob a camada de sujeira, brilharam com uma faísca de diversão pura ao me encarar.

— Boa tarde para você também, Bells — a voz dele veio grave, aveludada e carregada daquele tom sarcástico que fazia minha pressão arterial subir instantaneamente. — Sempre uma visão agradável de se ter aos sábados. Se você quer mesmo saber, fomos vítimas de um ataque surpresa de um cão da raça Golden Retriever hiperativo que decidiu que a nossa pequena Liv precisava aprender a interagir com a natureza em sua forma mais pura.

— A natureza em sua forma mais pura? — dei um passo à frente, quase pisando no sapato enlameado dele, apontando o dedo indicador para o rosto dele. — Edward, a festa de um ano dela começa em menos de quarenta minutos! Ela tá parecendo um filhote de javali que acabou de sair de um brejo! E você... meu Deus, você tá parecendo um mendigo que invadiu o quintal por engano!

— Pelo menos eu sou um mendigo bonito e muito gosto, Meu anjo... — ele rebateu na hora, dando uma piscadela lenta enquanto ajeitava Liv nos braços com uma facilidade irritante. A bebê deu uma risadinha sapeca e esfregou a mãozinha suja de lama bem na gola da camiseta dele, o que só fez o sorriso dele aumentar. — E para sua informação, a Liv adorou. Não é verdade, baixinha? Ela aprendeu mais sobre coordenação motora e imunidade biológica nos últimos vinte minutos do que em todos os brinquedos higienizados que a Alice comprou.

— Você é um irresponsável completo! — esbravejei, sentindo meu sangue ferver enquanto olhava para a sujeira que já ameaçava pingar na grama sintética do espaço da festa. — Jasper, como você deixou esse jumento tomar conta da sua filha?

Jasper, que até então tentava inutilmente limpar a própria camisa com um lenço de papel rasgado, deu um passo para trás, visivelmente com medo da esposa que o encarava como se fosse fuzilá-lo a qualquer segundo.

— Amor, a culpa não foi minha! — Jasper começou a se explicar desesperadamente para Alice, levantando as mãos em sinal de rendição. — O cachorro veio do nada, correu atrás da bola da Liv e derrubou o carrinho. O Edward tentou pegar o carrinho antes que ele rolasse pelo barranco, mas acabou tropeçando na própria perna, caindo de cara no lago de lama e levando a mim e a bolsa de fraldas junto!

— Na própria perna? — duvidei, soltando uma risada seca e sarcástica enquanto voltava meus olhos para Edward. — Típico. Doutor Cullen, o médico mais habilidoso da cidade, destruído pela própria falta de coordenação motora fora do hospital. Se você cuida dos seus pacientes como cuida de um carrinho de bebê, eu tenho pena de quem entra no seu plantão...

Os olhos de Edward se estreitaram levemente, a provocação no rosto dele cedendo lugar a um brilho mais afiado. Ele deu um passo em minha direção, reduzindo o espaço entre nós a quase nada. Eu podia sentir o calor que emanava do corpo dele, a presença física avassaladora que ele sempre exercera sobre mim e que eu odiava admitir que ainda existia.

— Minha coordenação motora no centro hospitalar é impecável, Bella, assim como em várias outras áreas que você parece ter esquecido...mas não se preocupe que eu posso relembrar em 15 minutos...— ele sussurrou com a voz mais baixa, dando uma ênfase perigosa nas últimas palavras, fazendo meu coração dar um baque involuntário no peito. — E quanto ao carrinho, eu salvei a vida da sua afilhada enquanto você estava aqui ocupada fazendo borboletinhas e flores de açúcar. De nada, inclusive.

— Ah, me poupe do seu heroísmo de centavos, Edward! — retruquei, sustentando o olhar dele sem recuar um milímetro sequer, embora as pontas dos meus dedos estivessem formigando com uma mistura de raiva e uma adrenalina absurda. — Você só estragou a roupa da menina e o trabalho de meses da Alice. Agora me dá essa criança aqui antes que você passe tétano ou raiva para ela!

Estendi os braços para pegar Liv, mas Edward deu um passo sutil para o lado, desviando de mim com um sorriso de canto de boca.

— Nem pensar. Você tá de avental limpo e mãos cheias de corante rosa, vai sujar a garota de açúcar. Eu mesmo levo ela para o banho. Sei muito bem o caminho do banheiro lá de cima...

— Não se eu chegar lá primeiro! — tentei pegar a bebê de novo, mas ele levantou o braço um pouco mais alto, usando sua vantagem ridícula de altura para me deixar na desvantagem.

— Quer apostar, Swan? — ele provocou, arqueando uma sobrancelha perfeitamente desenhada, a lama em seu rosto de alguma forma falhando miseravelmente em deixá-lo feio.

— Chega! Os dois, CHEGA! — o grito de Alice ecoou como um estrondo, fazendo até mesmo os dois homens mais altos se encolherem um pouco. Ela caminhou firmemente até nós, pegou Liv dos braços de Edward com um cuidado cirúrgico para não se sujar e encarou o marido e o amigo com um olhar mortal. — Jasper, você vai direto para o banheiro do nosso quarto e se limpe. Edward, você vai para o banheiro de hóspedes e use as roupas sobressalentes que deixou no meu closet no mês passado. E se um dos dois soltar mais um pingo de lama nesta grama, eu garanto que o próximo aniversário da Liv vai ser comemorado sem a presença de nenhum dos dois !

Jasper não esperou uma segunda ordem; saiu em disparada para o interior da casa como um soldado fugindo do tribunal militar. Edward soltou uma risada baixa e rouca, balançando a cabeça enquanto passava a mão pelos cabelos bagunçados, acabando por espalhar ainda mais sujeira nos fios acobreados.

— Você ouviu a chefe, Bells — ele disse, passando ao meu lado a uma distância provocativamente curta. Ao cruzar comigo, ele inclinou o corpo ligeiramente na minha direção e sussurrou bem perto do meu ouvido, a brisa trazendo a quentura do seu hálito contra a minha pele: — Guarda um pouco dessa energia para mais tarde. A festa nem começou e você já tá toda alterada por minha causa.

Antes que eu pudesse responder com algum insulto bem elaborado ou dar um chute na canela dele, ele deu as costas e caminhou a passos largos para a entrada dos fundos da casa, subindo as escadas com a autoconfiança nojenta de sempre.

Fiquei parada no meio do gramado, bufando de raiva, minhas mãos fechadas em punhos ao lado do corpo. Eu o odiava. Odiava o jeito como ele conseguia me desestabilizar com poucas palavras, odiava a facilidade com que ele entrava no meu espaço pessoal e, acima de tudo, odiava o fato de que, mesmo coberto de lama e agindo como um idiota maduro, ele ainda era a criatura mais irritantemente atraente que eu já tinha visto na vida.

— Meu Deus... — suspirei alto, passando as mãos pelo rosto e deixando uma leve mancha de corante rosa na minha própria bochecha sem perceber. — Eu vou ter uma overdose de ódio antes das quatro da tarde.

Alice se aproximou de mim, segurando Liv no colo com uma habilidade impressionante, enquanto a bebê puxava as pontas do cabelo da mãe com curiosidade. A expressão furiosa de Alice deu lugar a um olhar suave, quase nostálgico, temperado com um toque de diversão maliciosa.

— Você sabe que essa briga toda de vocês é patética, né? — Alice comentou, ajeitando o peso de Liv no quadril. — Vocês parecem dois adolescentes de dezesseis anos disputando quem esta com mais tesão reprimido e vai ceder primeiro.

— Ele me provoca, Alice! Você viu! Ele chegou aqui parecendo o Monstro da Lagoa Nessie e agiu como se estivesse no controle da situação! — reclamei, pegando um pano limpo para tentar tirar o excesso de corante das minhas mãos, num gesto nervoso. — Ele é insuportável. Eu não sei como consegui namorar aquele homem por três anos inteiros no ensino médio. Devo ter tido um surto psicótico temporário.

Alice soltou um risinho debochado, caminhando comigo até a área coberta da varanda, onde começamos a separar as roupinhas limpas de Liv na bolsa que estava sobre a mesa de apoio.

— Surto psicótico? Por favor, Bella. Vocês dois eram grudados igual chiclete em sola de sapato e se amam loucamente— ela disse, com os olhos brilhando ao relembrar o passado. — Se não fosse pelo ciúme doentio que vocês tinham um do outro na época, aposto que já estariam casados e com três filhos a essa altura.

— Nem brinque com uma desgraça dessas — respondi, sentindo um arrepio incômodo percorrer minha espinha. — A gente se destruía, Alice. Você sabe muito bem disso. O Edward queria controle, eu queria espaço, ele tinha ciúmes até da minha sombra e eu surtava toda vez que qualquer garota olhava para ele na escola. Era tóxico, era exaustivo e terminar aquele namoro foi a melhor decisão que tomei na minha vida.

Alice me olhou por longos segundos, o rosto ficando um pouco mais sério, embora a afeição por mim estivesse clara em cada detalhe da sua expressão. Ela colocou Liv suavemente em um chiqueirinho portátil que estava montado na varanda e deu um passo para mais perto de mim, encostando a mão no meu ombro.

— Foi a melhor decisão para o momento, talvez — ela disse baixinho, o tom de voz perdendo a dramaticidade de antes e ganhando a sabedoria tranquila de quem acompanhou toda a nossa trajetória de perto. — Mas você não pode negar que a história de vocês é a razão de estarmos todos aqui hoje. Esqueceu que eu e o Jasper só existimos como casal por causa de vocês dois?

Olhei para ela, e por um breve instante, o barulho do vento nas folhas das árvores do quintal pareceu diminuir. As palavras de Alice me puxaram inevitavelmente para trás no tempo, fazendo com que as barreiras que eu passei anos construindo no meu cérebro cedessem espaço para as memórias que eu tentava a todo custo enterrar.

DEZ anos atrás...

A lembrança veio com a clareza dolorosa de um filme em alta definição. O cheiro de grama molhada do campo de futebol do colégio Forks High, o ar frio do outono cortando meu rosto e o som ensurdecedor da torcida nas arquibancadas de madeira. Eu tinha dezessete anos e vestia um casaco jeans três vezes maior do que o meu tamanho que, na verdade, pertencia a Edward. Ele era o capitão do time de futebol da escola, o garoto de cabelos bagunçados e sorriso fácil que fazia o coração de metade das garotas da instituição disparar, mas cujos olhos verdes pareciam procurar apenas os meus no meio da multidão.

Eu estava sentada na arquibancada ao lado de uma garota tímida de cabelos curtos e estilo meio extravagante que tinha acabado de se mudar para a cidade: Alice Brandon . Ela estava no primeiro ano também, encolhida no casaco de lã, parecendo deslocada e assustada com a barulheira dos jogos. Eu tinha notado a presença dela semanas antes na aula de artes e decidi puxar assunto, descobrindo uma menina doce, hiperativa e fascinada por moda.

Naquele dia específico, Edward tinha feito o ponto da vitória no último segundo da partida. O apito final soou e a multidão invadiu o campo. Lembro-me perfeitamente de vê-lo correndo na minha direção, a camisa do uniforme suja de suor e grama, capacete debaixo do braço, o sorriso mais radiante do mundo estampado no rosto. Ele não se importou com as dezenas de pessoas ao redor; correu direto para onde eu estava, passou os braços fortes pela minha cintura e me tirou do chão, girando comigo no ar enquanto eu gargalhava feito uma boba.

— Nós vencemos, Bells! — ele gritou no meu ouvido, a voz rouca pelo esforço físico, antes de selar nossos lábios em um beijo apaixonado, faminto e completamente sem vergonha de quem estivesse olhando.

Quando ele finalmente me colocou no chão, arfante e com os braços ainda em volta do meu pescoço, notou Alice parada ao meu lado, olhando para a cena com um misto de timidez e fascínio.

— Edward, essa é a Alice, a garota da aula de artes de quem te falei — eu disse, ainda sem fôlego, ajeitando a gola do uniforme dele com um carinho que transbordava do meu peito.

Edward deu aquele sorriso acolhedor e verdadeiro que guardava para poucas pessoas.

— Prazer, Alice. Se você é amiga da Bella, já é minha amiga também — ele disse, estendendo a mão para ela. Logo em seguida, virou-se para trás e gritou por cima do ombro, chamando um garoto alto, loiro e magricela que caminhava meio cabisbaixo perto do banco de reservas: — WHITLOCK! Vem cá, cara! Para de fugir e vem conhecer o pessoal!

Jasper se aproximou devagar, com a postura hesitante de quem preferia estar em qualquer outro lugar do mundo que não fosse o centro das atenções. Ele era primo de segundo grau de Edward, vindo de outra cidade para morar com a família Cullen naquele ano. Quando os olhos de Jasper encontraram os de Alice pela primeira vez, sob a luz amarelada dos refletores do estádio, o mundo ao redor pareceu desacelerar. Foi instantâneo. A timidez de Jasper evaporou em um segundo, e o olhar hiperativo de Alice sossegou no mesmo instante.

Nós quatro nos tornamos inseparáveis a partir daquele dia. Éramos o quarteto fantástico do colégio. Passávamos as tardes de sexta-feira na lanchonete da cidade dividindo porções gigantes de batata frita, fazendo viagens de fim de semana para a praia nos carros velhos dos nossos pais, planejando o futuro como se o tempo fosse um recurso infinito. Quando Alice e Jasper finalmente começaram a namorar, fomos nós que comemoramos mais do que ninguém. Edward e eu nos orgulhávamos de ter sido a ponte que uniu aqueles dois.

Mas a mesma intensidade que nos unia era a intensidade que nos destruía.

À medida que o último ano do ensino médio avançava, a pressão da faculdade, a ansiedade em relação ao futuro e as inseguranças da juventude começaram a transformar nosso namoro em um campo de minado. Edward começou a se dedicar excessivamente aos estudos de pré-medicina, e quando não estava estudando, exigia minha atenção total. Eu, por outro lado, estava tentando descobrir o que queria da vida, me sentindo sufocada pela possessividade dele e o meu futuro incerto.

Lembro da nossa última briga como se tivesse acontecido ontem. Era a noite do baile de formatura. Eu estava usando um vestido azul-marinho simples que tinha passado semanas ajustando, e Edward parecia um príncipe de cinema em seu smoking preto. Tudo parecia perfeito até que um garoto do time de basquete me tirou para dançar durante uma música lenta enquanto Edward tinha ido buscar bebidas. Não durou dois minutos. Mas quando Edward voltou e viu a mão do rapaz na minha cintura, o mundo dele ruiu.

Ele não fez um escândalo no meio do salão. Em vez disso, me puxou pelo pulso para o estacionamento escuro do colégio. A discussão que se seguiu foi devastadora.

— Você precisa mesmo dar trela para qualquer um que sorri para você, Isabella? — ele esbravejou, a voz trêmula de raiva e ciúme enquanto andava de um lado para o outro sob a chuva fina que começava a cair.

— Ele só estava me tirando para dançar, Edward! Você demorou mil anos para voltar! — gritei de volta, as lágrimas de frustração já queimando meus olhos. — Você quer me trancar em uma gaiola e jogar a chave fora! Eu não sou uma posse sua!

— Eu não quero te trancar! Eu só quero sentir que você é minha! Mas parece que você tá sempre procurando uma saída, sempre pronta para se afastar de mim! — ele rebateu, os olhos verdes transbordando uma dor que me cortou o peito, embora a raiva dele fosse cega demais para notar a minha própria dor.

— Se é assim que você se sente, então talvez a gente deva parar por aqui! — as palavras saíram da minha boca antes que eu pudesse contê-las, carregadas do peso de meses de mágoas acumuladas. — Eu não aguento mais essa vigilância constante! Eu não aguento mais ter que me explicar por cada respiro que dou!

O silêncio que se seguiu foi mais pesado do que qualquer grito. Edward parou de andar. A chuva ensopava seus cabelos acobreados e colava a camisa do smoking em seu peito. Ele me encarou por longos, intermináveis segundos, a expressão mudando de raiva para uma frieza distante que me deu mais medo do que qualquer discussão.

— Se é isso que você quer, Bella... Então acabou — ele disse, com a voz assustadoramente calma. — Mas saiba que se eu cruzar aquela porta agora, não tem volta.

— Então vá embora! — esbravejei, engolindo o choro.

E ele foi. O som do motor do carro dele arrancando no asfalto molhado naquela noite foi o último capítulo do nosso romance de adolescência. Terminados. Definitivamente.

Nos anos seguintes, a dor deu lugar a um ressentimento petrificado. Tentar manter a amizade com Alice e Jasper tornou-se um exercício complexo de diplomacia. Quando Alice e Jasper se casaram, cinco anos depois, eles fizeram questão de colocar eu e Edward como padrinhos de casamento. Nós aceitamos pelo amor imenso que tínhamos pelos dois, mas passamos a festa inteira trocando farpas sutis e mantendo uma distância segura. Quando a Olivia nasceu e fomos nomeados padrinhos de batismo da bebê, a contragosto de ambas as partes, fomos forçados a aceitar que estaríamos presos à vida um do outro para sempre, quer gostássemos ou não.

— Bells? Alô, Terra chamando Bella — a voz de Alice me trouxe abruptamente de volta ao presente, acompanhada por um estalar leve de dedos na frente do meu rosto.

Pisquei algumas vezes, sentindo o peito apertado e a garganta levemente seca pela viagem dolorosa ao passado. Olhei para Alice, que me observava com um olhar compreensivo e um sorriso triste nos lábios.

— Desculpa... Me distraí — murmurei, balançando a cabeça para afastar os fantasmas de sete anos atrás.

— Eu sei em que você estava pensando — Alice disse suavemente, estendendo a mão para apertar a minha com carinho. — Eu sei o quanto foi difícil para vocês dois naquela época. Mas já se passaram anos, Bella. Vocês amadureceram. O Edward virou esse médico talentoso e dedicado, você construiu sua própria confeitaria do zero... Vocês não são mais aqueles adolescentes inseguros que se destruíam por ciúmes idiotas.

— As pessoas mudam de profissão, Alice, não de essência — rebati com amargura, embora no fundo soubesse que a afirmação era exagerada. — O Edward continua sendo o mesmo homem orgulhoso, controlador, cafajeste e provocador de sempre. A única diferença é que agora ele usa um jaleco branco e tem licença para abrir as pessoas no meio.

— Ele te ama, Bella. E você ainda sente algo por ele, mesmo que tente disfarçar atrás dessa sua carapaça de durona — Alice disse com uma convicção que me deu raiva. — E eu e o Jasper nunca vamos perder a esperança de ver vocês dois juntos de novo. Vocês foram feitos um para o outro, e o destino simplesmente não desistiu de vocês ainda.

— O destino devia arrumar um hobby mais produtivo — ironizei, me afastando da mesa e pegando a bolsa com a roupa limpa de Liv. — Vou levar isso aqui lá para cima antes que o Jasper vista a bebê com uma fronha de travesseiro por falta de opção.

Dei as costas para Alice antes que ela pudesse continuar a pregação romântica e caminhei a passos rápidos em direção à porta de entrada da casa. Subir os degraus de madeira do corredor era como pisar em um terreno minado. A casa dos Whitlock era grande, e o silêncio do segundo andar só era interrompido pelo barulho do chuveiro ligado no banheiro do corredor principal.

Aproximei-me da porta do banheiro de hóspedes, pretendendo apenas deixar a bolsa de roupas na maçaneta e sumir dali antes que Edward saísse do banho. Mas, como o universo parecia ter traçado um plano meticuloso para me desgraçar completamente naquele dia, a porta do banheiro não estava totalmente fechada. Estava entreaberta por uns dois dedos.

E foi exatamente nesse instante que a água do chuveiro parou de cair.

Parei no meio do corredor, congelada. O vapor quente da água começou a escapar pela fresta da porta, trazendo consigo o aroma inconfundível de sabonete masculino e xampu de menta. Eu deveria ter deixado a bolsa no chão e corrido escada abaixo como uma pessoa sensata faria. Mas meus pés pareciam colados ao chão de madeira, e meus olhos, desobedientes e traiçoeiros, se fixaram na fresta.

A porta se abriu um pouco mais, e Edward saiu da área do box com uma toalha branca enrolada na cintura.

Engoli em seco, sentindo todo o ar dos meus pulmões desaparecer em uma fração de segundo.

O tempo definitivamente tinha feito um trabalho impecável na anatomia de Edward Cullen. O garoto alto e magro do colégio tinha dado lugar a um homem de ombros largos, peitoral definido e braços fortes esculpidos por horas longas de plantões e treinos constantes. Gotas de água escorriam pelo seu peito pálido, descendo pelo abdômen trincado até desaparecerem no cós da toalha pendurada perigosamente baixa em seus quadris. Seus cabelos acobreados estavam úmidos e despenteados, caindo de forma bagunçada sobre a testa.

Ele estava de costas para a porta, usando uma toalha menor para secar o rosto e os cabelos, quando de repente parou. Sem se virar, ele soltou um risinho baixo, rouco e irritantemente ciente da minha presença.

— Se você queria uma foto para guardar de recordação, Bells, era só ter pedido — ele disse, virando-se devagar para encarar a porta.

Senti meu rosto queimar instantaneamente num tom de vermelho que faria qualquer morango sentir inveja. Empurrei a porta de uma vez com o pé, entrando no banheiro com a cabeça erguida e tentando ao máximo manter a postura de quem não tinha acabado de ser pego no pulo.

— Não seja ridículo! Eu só vim trazer as roupas da Liv e a sua camisa limpa que a Alice pediu para entregar — menti descaradamente, jogando a bolsa e uma camisa dobrada em cima da bancada da pia com mais força do que o necessário. — E você podia ter a cortesia de fechar a porta enquanto se troca numa casa cheia de gente!

Edward encostou as costas na bancada da pia, cruzando os braços musculosos sobre o peito nu, totalmente despreocupado com o fato de estar vestindo apenas uma toalha que parecia prestes a cair a qualquer movimento mais brusco. O olhar verde dele percorreu meu corpo de cima a baixo, demorando-se nos meus lábios antes de voltar para os meus olhos com uma intensidade provocante.

— A porta estava apenas encostada, Swan. Quem decidiu dar uma espiadinha foi você — ele zombou, ajeitando a toalha na cintura com uma facilidade que me fez dar um passo involuntário para trás. — Mas eu não te culpo. Sei que é difícil resistir quando o espetáculo é de alto nível.

— Você é a criatura mais vaidosa e egocêntrica que já pisou na terra! — esbravejei, dando um passo à frente e apontando o dedo para o peito molhado dele, me arrependendo no milissegundo seguinte quando percebi o quão perto eu estava do corpo dele. — Eu não estava espiando nada! Só estava garantindo que você não ia demorar três horas para se arrumar enquanto a sua afilhada precisa de atenção!

— Ah, claro. A sua preocupação com a rotina da Liv é tocante — ele ironizou, dando um passo curto na minha direção, reduzindo a distância entre nós até que eu pudesse sentir o calor saindo da pele dele. — Mas me diz uma coisa, Bella... Se você me odeia tanto assim, por que seu coração tá batendo como se você tivesse acabado de correr uma maratona?

Olhei para baixo e percebi, com horror, que a minha respiração estava desregulada e o meu peito subia e descia rapidamente. A proximidade dele, o cheiro de sabonete limpo misturado com a memória do toque dele de anos atrás criaram uma tempestade perfeita de sensações na minha cabeça.

— Meu coração tá acelerado de raiva, Edward! Raiva de ter que dividir o mesmo ar com você! — respondi com a voz um pouco mais falhada do que eu gostaria.

Edward deu mais um passo, colando quase completamente o peito no meu. Ele levantou uma das mãos lentamente e, com a ponta dos dedos quentes, tocou suavemente a minha bochecha, limpando a mancha de corante rosa que eu tinha deixado ali mais cedo. O toque dele foi tão leve, tão inesperadamente carinhoso, que meu corpo inteiro estremeceu. Um arrepio violento percorreu minha espinha, e as palavras sumiram da minha garganta como se tivessem sido apagadas.

Ele não se afastou. A ponta dos seus dedos deslizou da minha bochecha até a linha do meu maxilar, seu polegar roçando delicadamente o meu lábio inferior. Os olhos dele escureceram, perdendo aquele tom debochado e assumindo uma gravidade crua que fez meu joelho fraquejar por um segundo.

— Você continua uma péssima mentirosa, Isabella — ele murmurou com a voz grave, quase um sussurro que ressoou direto no fundo do meu peito. — Dez anos... e você ainda treme quando eu chego perto.

— Eu não tremo... — sussurrei de volta, incapaz de desviar o olhar do dele, sentindo a respiração dele bater contra o meu rosto. — Eu não sinto mais nada por você, Edward.

— Então me prova — ele provocou, abaixando o rosto ligeiramente, a boca a milímetros da minha, o cheiro de menta e pele quente me embriagando por completo. — Me olha nos olhos e diz que você não quer que eu te beije agora mesmo...

Minha mente virou um caos absoluto. Uma parte de mim, a parte racional e ferida, gritava para eu dar um tapa no rosto dele e sair correndo daquele banheiro. Mas outra parte, uma parte selvagem, estúpida e desesperada que eu passei anos tentando sufocar, queria apenas puxá-lo pela nuca e fechar a distância entre os nossos lábios.

Ficamos ali, suspensos em um silêncio elétrico e perigoso, o som distante das risadas de Alice e Jasper no andar de baixo servindo como o único lembrete de que o mundo real ainda existia do lado de fora.

— Eu odeio você, Edward Masen — murmurei, a voz saindo como um suspiro fraco, sem qualquer convicção.

— Odeia nada... — ele respondeu com um sorriso fraco e quase triste nos lábios, sem afastar a mão do meu rosto. — Você odeia por não conseguir me esquecer...

Antes que qualquer um de nós dois pudesse cometer uma loucura que mudaria o rumo daquela tarde, ou da nossa vida inteira, o som estridente da campainha da casa tocou no andar de baixo, seguido pela voz escandalosa de Alice gritando do pé da escada:

— BELLA! EDWARD! Os primeiros convidados chegaram! Se vocês não estiverem vestidos e cheirosos em dois minutos, eu vou subir aí e arrastar os dois pelos cabelos!

A voz de Alice quebrou o feitiço como um balde de água fria. Dei um passo brusco para trás, me afastando da mão de Edward como se ela tivesse me queimado. Minha respiração veio desordenada enquanto eu tentava organizar meus pensamentos e recuperar o que restava da minha dignidade.

Edward soltou um suspiro profundo, passando a mão pelos cabelos molhados e fechando os olhos por um segundo para recuperar o controle. Quando reabriu os olhos, a máscara de provocação e sarcasmo já estava de volta no lugar, embora um pouco mais frágil do que antes.

— É melhor você ir, Swan — ele disse, com a voz ligeiramente rouca, voltando a se encostar na bancada. — Não queremos deixar a Alice brava no dia do evento do século.

— Com certeza — respondi friamente, ajeitando a gola da minha blusa com mãos trêmulas e dando passos rápidos em direção à porta. Parei no batente, sem me virar para olhá-lo, e completei: — Vê se veste uma calça antes de descer. Ninguém é obrigado a ver esse espetáculo deprimente de 5 centímetros...

Saí do banheiro sem esperar pela resposta dele, batendo a porta com um pouco mais de força do que o necessário. Caminhei pelo corredor com o coração martelando contra as minhas costelas, as palmas das mãos suadas e a mente em absoluto turbilhão.

A festa de aniversário de um ano da Liv estava apenas começando. E se o primeiro capítulo daquela tarde era um indicativo do que estava por vir, eu precisaria de muito mais do que bolo de açúcar para sobreviver a Edward Cullen sem perder a cabeça, ou o coração, novamente.

A descarga de adrenalina que consumiu minhas veias dentro daquele banheiro ainda fazia minhas mãos tremerem levemente enquanto eu descia os degraus da escada de madeira. Ajustei a saia rodada do meu vestido floral e forcei uma respiração profunda, tentando recompor cada pedaço da fachada de mulher inabalável que eu havia passado os últimos sete anos construindo. No andar de baixo, a casa dos Whitlock já começava a ganhar vida. O som abafado de conversas animadas, risadas infantis e uma playlist suave de bossa nova preenchia a sala de estar, indicando que os convidados de Alice estavam migrando em fluxo contínuo para o jardim dos fundos.

Passei pela cozinha e peguei uma taça de espumante que estava sobre a bancada de mármore, virando metade do líquido gelado de uma vez só para ver se a queimação do álcool anestesiava o formigamento que a ponta dos dedos de Edward havia deixado na minha bochecha.

— Controle-se, Isabella — murmurei para mim mesma, encarando meu reflexo no espelho do corredor. — Ele é só um fantasma do passado que sabe exatamente quais botões apertar.

Ao cruzar a porta de vidro que dava acesso ao quintal, o cenário era completamente diferente do caos de lama de uma hora atrás. As mesas agora estavam ocupadas por casais bem vestidos, avós corujas e crianças correndo pela grama sintética limpa. No centro de tudo, em uma área atapetada com e.v.a. colorido e repleta de brinquedos pedagógicos, a pequena Liv reinava absoluta. Ela vestia um vestidinho de tule rosa e sapatinhos combinando, completamente alheia ao fato de ter quase sido transformada em um croquete de terra mais cedo.

— Bells! Graças a Deus! — Alice veio na minha direção, equilibrando-se em saltos finos com uma graciosidade irritante. — O pessoal do buffet acabou de chegar. Você pode checar se está certo ? Você sabe como eu sou chata com isso.

— Pode deixar, Alie. Já tô indo lá — respondi, aproveitando a oportunidade para me manter ocupada e longe de qualquer perigo iminente.

Passei os vinte minutos seguintes fingindo uma dedicação sobre-humana à supervisão das caldas de chocolate e morango, usando o trabalho como um escudo protetor. Mas a minha paz durou exatamente até o momento em que um murmúrio vindo do centro do jardim fez várias pessoas se virarem.

Olhei por cima do ombro e senti meu estômago dar aquela reviravolta patética outra vez. Edward havia descido. Ele vestia uma calça jeans escura impecável, que desenhava perfeitamente suas pernas longas, e uma camisa social azul-marinho com as mangas dobradas até os cotovelos, revelando os antebraços delineados. Os cabelos acobreados, agora secos, estavam arrumados naquele estilo "desarrumado intencional" que parecia exigir esforço zero, mas resultava em um efeito devastador. Ele cheirava a uma mistura perigosa de sabonete caro e pura arrogância.

Como se possuísse um radar calibrado exclusivamente para me irritar, seus olhos verdes varreram o quintal até encontrarem os meus. Um sorriso de canto de boca, lento e vitorioso, curvou seus lábios. Ele ergueu a taça de bebida que segurava em um brinde silencioso e debochado na minha direção.

Sustentei o olhar com a minha melhor cara de desprezo, dando um gole demorado no meu espumante antes de dar as costas para ele. Mas a verdadeira batalha daquela tarde não seria travada entre mim e ele diretamente, e sim pelo coração da aniversariante.

Liv estava engatinhando pelo tapete colorido quando avistou Edward. No mesmo segundo, a garotinha soltou um grito agudo de pura empolgação, batendo as mãozinhas gorduchas e ignorando solenemente todos os brinquedos reluzentes ao seu redor.

— Dindou! — ela balbuciou na sua linguagem truncada de um ano de idade, esticando os bracinhos rechonchudos na direção dele.

— Oi, minha princesa! — a voz de Edward mudou instantaneamente. A postura rígida e o tom debochado que ele usava comigo desapareceram por completo, dando lugar a uma doçura profunda e genuína. Ele se abaixou na altura da bebê, pegando-a no colo e erguendo-a no ar enquanto ela gargalhava alto. — Quem é a aniversariante mais linda desse mundo todo? É você!

Ver Edward com Liv era uma visão perigosamente hipnotizante. O jeito como ele segurava a menina com um cuidado quase sagrado, com medo de machucá-la apesar do seu tamanho e força, destruía qualquer tentativa minha de manter o ranço intacto. Ele trazia Liv para perto do peito, enchendo a bochecha gordinha dela de beijos barulhentos até a menina cobrir o rosto com as mãos, tendo crises de riso.

Aquilo era demais para o meu orgulho. Eu não podia deixar o Masen monopolizar o amor da minha afilhada.

Caminhei firmemente até o tapete de e.v me abaixando ao lado dele com um sorriso radiante direcionado exclusivamente para a bebê.

— Vem com a dinda, meu amor! — chamei, abrindo os braços e fazendo uma careta engraçada que eu sabia que Liv adorava. — Vem ver os docinhos que a dinda fez especialmente para você, longe desse tio feio e fedido!

Liv piscou os olhinhos redondos e azuis, olhando de mim para Edward, visivelmente dividida entre seus dois humanos favoritos. Ela deu um impulso com o corpo, caindo parcialmente por cima do meu colo e agarrando o colar de pérolas falsas que eu usava.

— Ponto para a dinda — murmurei para Edward, dando um sorriso triunfante e abraçando Liv com força, sentindo o cheirinho gostoso de talco e xampu infantil que ela exalava. — Parece que a preferência aqui é por quem tem bom gosto e não traz sujeira do parque.

Edward soltou uma risada baixa, cruzando as pernas e sentando-se na grama ao meu lado, perto demais para o meu conforto pessoal. Ele apoiou o cotovelo no joelho e o queixo na mão, me encarando com um olhar divertido.

— Não se empolgue, Swan. Ela só foi até você porque a sua roupa parece um papel de presente florido e brilhante — ele provocou, estendendo o dedo indicador para Liv, que imediatamente soltou meu colar para agarrar o dedo dele com a mãozinha inteira. — Liv, conta para a sua dinda quem é que deixa você comer sorvete escondido da sua mãe? Quem é o dindo mais legal do universo?

Liv olhou para ele, deu um sorriso banguela e encostou a testa no ombro de Edward, soltando um suspiro manhoso.

— Viu só? — Edward ergueu as sobrancelhas para mim, o peito estufado de orgulho. — O amor verdadeiro não se compra com doces de confeitaria, Isabella. É uma conexão de almas.

— Conexão de almas? — rolei os olhos com tanta força que quase vi meu próprio cérebro. — Edward, você suborna uma criança de doze meses com açúcar e acha que isso é 'conexão espiritual'? Você é patético. Além do mais, fui eu que passei a noite inteira acordada costurando a fantasia de ursinho que ela usou no ensaio fotográfico!

— E fui eu que passei três horas montando o berço que você comprou no meio da noite e não sabia como encaixar os parafusos — ele rebateu na hora, aproximando o rosto do meu, o tom de voz caindo para aquela frequência grave que arrepiava meus pelos. — Admite, Bella. A gente faz um time impecável na vida dela, por mais que te doa aceitar.

— Um time? Nós somos uma calamidade gerenciada, isso sim — retruquei, embora a proximidade do rosto dele estivesse me desconcentrando completamente.

— Ei! Padrinhos! Parem de flertar ou de brigar, seja lá o que vocês estão fazendo aí no chão, e fiquem parados! — a voz de Jasper cortou a nossa bolha de tensão.

Olhamos para o lado e vimos Jasper parado a poucos metros de distância, segurando uma câmera fotográfica profissional que pendia do seu pescoço. Ele estava limpo e cheiroso agora, usando uma camisa polo clara, e exibia uma expressão de pura diversão com a nossa picuinha.

— A gente não tá flertando! — respondi e Edward disse exatamente a mesma coisa ao mesmo tempo, em uma sintonia irritante.

— Certo, certo, me enganem que eu gosto — Jasper riu, ajeitando a lente da câmera. — A Alice quer uma foto da aniversariante com os padrinhos antes do parabéns. Cheguem mais perto. Edward, abraça a Bella. Bella, finge que não quer esfaquear o Edward durante os próximos cinco segundos.

— Nem pensar — falei, tentando me afastar alguns centímetros.

— Ah, deixa de ser chata, Swan. É para o álbum de um ano da garota — Edward disse, e antes que eu pudesse protestar, passou o braço direito largo e pesado ao redor dos meus ombros, puxando meu corpo com firmeza para junto do dele.

O impacto da lateral do meu corpo contra o peito dele enviou uma descarga elétrica instantânea pela minha espinha. A mão dele pousou no meu ombro, os dedos apertando levemente o tecido do meu vestido. Do outro lado, ele usou o braço esquerdo para segurar Liv, trazendo a bebê para o centro de nós dois. Ficamos colados. Eu podia sentir o calor quase abrasador que saía da pele dele, a firmeza dos seus músculos e a sua respiração desregulando ligeiramente bem perto do meu ouvido.

— Sorria,Bells . Parece que você tá prestes a ir para o corredor da morte — ele debochou bem baixinho, a boca quase tocando a curva do meu pescoço.

— Se você não tirar essa mão do meu ombro nos próximos dois segundos, o próximo enterro vai ser o seu — rosnei entre os dentes, mantendo um sorriso congelado para a câmera.

— Tarde demais, a foto vai sair assim — ele murmurou, apertando meu ombro com um pouco mais de carinho, o polegar roçando a minha pele exposta na gola do vestido em um gesto tão sutil que provavelmente nem Jasper percebeu.

CLICK.

A câmera de Jasper capturou o momento. Liv no meio, dando uma gargalhada deliciosa enquanto puxava a orelha de Edward, e nós dois colados, trocando olhares que transbordavam uma mistura perigosa de faíscas de raiva e uma atração não resolvida que ameaçava incendiar o quintal inteiro.

— Perfeita! — Jasper comemorou, olhando o visor da câmera. — Essa vai direto para o quadro da sala. O amor e o ódio na mesma moldura!

Afastei-me de Edward no mesmo segundo em que o braço dele se soltou, sentindo a minha pele queimar no lugar onde ele tinha me tocado. Levantei-me rapidamente da grama, limpando a saia e tentando disfarçar a minha respiração curta.

— Hora do parabéns, pessoal! — Alice anunciou ao microfone do DJ, chamando a atenção de todos os convidados que começaram a se aglomerar ao redor da mesa principal.

O momento do parabéns foi um espetáculo à parte. A mesa, iluminada por luzes suaves e rodeada por balões, ostentava o bolo que eu havia passado horas confeitando. Jasper pegou Liv no colo, enquanto Alice acendia a velinha com o número '1'. Todos os convidados se aproximaram, batendo palmas no ritmo da música tradicional.

Edward e eu ficamos posicionados lado a lado, logo atrás de Alice e Jasper, atuando como os guardiões oficiais da família. Durante toda a canção, enquanto cantávamos e batíamos palmas, sentia a presença de Edward como um ímã ao meu lado. Em determinado momento, quando Liv esticou os braços para tentar pegar a chama da vela, nós dois nos esticamos na mesma fração de segundo para segurar a mãozinha dela.

Nossas mãos se chocaram no ar. Os dedos longos e quentes de Edward cobriram a minha mão sobre a de Liv. Nossos olhares se cruzaram sobre a cabeça da bebê. O tempo pareceu desacelerar novamente no meio do barulho das palmas e das risadas dos convidados. Por um segundo, a provocação sumiu dos olhos dele, dando lugar a uma vulnerabilidade tão profunda e crua que fez meu peito apertar de saudade do tempo em que aquele olhar era inteiramente meu.

Edward não tirou a mão da minha. Ele apenas entrelaçou nossos dedos suavemente por cima da mãozinha de Liv, nos ajudando a soprar a vela junto com a bebê.

— Parabéns, princesa — ele murmurou, mas os olhos dele não estavam na bebê. Estavam fixos nos meus.

Quando as palmas finais eclodiram e os convidados começaram a comemorar, puxei minha mão devagar, sentindo um nó doloroso se formar na minha garganta. A comédia romântica da nossa convivência era um escudo conveniente, mas momentos como aquele me lembravam de uma verdade assustadora: por baixo de todas as brigas, provocações e ironias, o fantasma do que fomos continuava vivo, esperando apenas uma brecha para nos devorar por inteiro.

Notas finais
E então...? 😂 Quem venceu o primeiro round: Bella ou Edward? Confessem: vocês também surtaram com a cena do banheiro? 👀 E essa foto dos padrinhos (que é a foto da capa da nossa fanfic)... tem ou não tem energia de pôster de filme dos anos 2000? Nos vemos no próximo capítulo! 🤍✨