De Repente Deusas
4 Para piorar tudo, mais uma visita inesperada
Notas iniciais
Laura
Tínhamos acabado de sair da casa grande. Poucas coisas { Luísa: vulgo nada, né?} {Laura: Quieta! Eu estou narrando!} puderam ser entendidas. A profecia de Rachel não saia da minha cabeça.
Mal nos distanciamos do lugar quando Luísa trombou com um menino. Olhei para os dois e o reconheci: Henry Clark, filho de Hefesto. Na verdade, eu conhecia a maioria dos filhos de Hefesto. Era comum ajudarmos eles em alguns projetos.
– Desculpe! Acho que eu...- ela parou de falar e ficou um tanto corada {jade: tipo pimentão}
–Não tudo bem eu estava meio distraído mesmo...- ele disse timidamente
Daí, eu comecei a fazer um bilhão de coisas ao mesmo tempo: balancei para frente e para trás, olhei para baixo, brinquei com os dedos, olhei para todos os lados e ângulos possíveis.
– Her... Laura, vamos indo na frente- disse Jade começando a me empurrar sem esperar minha resposta.
– Hem?- ela me deu um empurrão particularmente forte {Laura: sim jade! Foi forte! Não ! Não sou eu que sou fraca!}- Aí! AÍ! Que foi?
– É bom deixar os pombinhos sozinhos...-olhei para os dois que conversavam meio tensos.- agora... o que eu não entendi é porque você está corada!
– eu... Hã?- coloquei as mãos nas bochechas e vi que elas estavam quentes.- Você vai rir de mim?
– Vou tentar lutar contra isso.
– Toda vez que fico em uma situação desconfortável isso acontece. E ali- eu apontei para os dois- a coisa estava quase impossível de aguentar.
Jade riu e eu revirei os olhos.
– Vamos indo Jade.- sai batendo o pé com ela atrás de mim, ainda rindo.
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Na manhã seguinte, fui acordada por gritinhos animados. Me levantei rapidamente e acabei batendo a cabeça na parte de cima do beliche.
– O que foi?- perguntei assustada.
– Hã?!- vi Clary por a mão no telefone , parar de pular e olhar para mim. Ela dormia na cama de cima.- Ah! Nada! A Annie me contou que Harley chamou ela para ver os fogos!
– Tá! Mas o que eu , você e o meu sono tem a ver com isso?!
– AH! É que ela tinha passado o telefone para o Mateus e ele pediu para eu ir com ele! Ah!- ela voltou a pular na cama e a falar com Annie.
– Você sabe que podem falar sem ser por telefone , né?
– Sei!- Clary deu de ombros.
– ótimo.- sem esperar reação dela peguei o telefone e disse- Annie, a Clarentine está indo falar com você aí , tá? Ok. Beijo, tchau.- devolvi o telefone para ela.- Acho que agora alguém tem que ir ao chalé de Apolo.
– Não me chama de Clarentine! Já disse que não gosto!
– Tá . Desculpa.- disse sendo sincera- mas vocês atrapalharam o meu sono.
Mal me aconcheguei de novo nas cobertas e Clary pulou em cima de mim.
– Eu estou sem ligação e agora , você sem sono. Sai desta cama !- ela puxou as cobertas, me fazendo cair no chão
– Ah! Você não fez isso!- gritei brincando e sai correndo atrás dela por todo o segundo andar do chalé de Atena.
Essa brincadeira foi parar no banheiro , com eu e ela jogando o creme de barbear dos meninos uma na outra.
De repente, Harry, nosso irmão entra no banheiro.
– Ah, poxa! Vocês estão acabando com o meu creme de barbear!
– Cala a boca, Harry!- Clary riu- Você tem 14! Não deve ter nem pelo na perna direito!
– Pra sua informação- ele levanta a perna esquerda e uma pequena parte da calça do pijama- eu tenho sim!
– Credo!- Clary sai do banheiro
– Viu! Traumatizou a menina!- brinquei, fazendo ele e eu mesma rir
– Agora... Tyler me mandou te chamar. Ele quer que você organize a fila para o café da manhã. Mas... toma um banho primeiro.
Eu me olhei de cima á baixo. Estava realmente deplorável.
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Já passavam das três da tarde quando me sentei á sombra de uma árvore para ler meu livro.
Certo tempo depois ouço uma voz dizer:
– As crônicas de Nárnia. É um bom livro.
Olhei para cima e vi o rosto sorridente de Jessica, outra filha de Atena, de 22 anos.
– Oi Jess! O que te trás aqui?
– Vontade de ter paz.- ela disse sentando-se ao meu lado.
– Já entendi a indireta! Estou saindo!- brinquei
– Palhaça!- Jess me puxou de volta para seu lado, rindo.- Aliais, acho que vai ser bom termos uma conversa. Você me parece triste.
– Como sempre, correta.
– É sobre aquilo do jornal?- eu apenas balancei a cabeça afirmativamente.- Olha, Laura eu te conheço desde meus quinze anos , ou seja, dos seus onze. Você é a pessoas mais desastrada e desengonçada que eu conheço.
– Nossa! Já pode parar de elogiar! Assim eu vou ficar envergonhada!- comentei com cinismo
– e...- Jess continuou mesmo assim- Toda vez que você se atrapalha e se machuca, sangra. E a sua extrema falta de sorte já me proporcionaram ver você se machucar feio.
– Tipo...?
– Tipo, quando você passou perto do Leo enquanto ele tentava reviver o Festus. o Dragão nunca tinha saído do lugar. Foi só você chegar perto e...
–Não precisa lembrar.- fiz uma careta ao me recordar da dor.
– Ou quando o seu cadarço desamarrou quando você corria colina a baixo e você desceu rolando. Ou quando começou a chover forte em Nova York quando eu e você fomos fazer compras e um ônibus passou rápido e te molhou inteira. Ou...
– Já entendi! Não sou deusa! Obrigada Jess!- rimos- Eu peguei uma baita pneumonia depois daquilo, né?
– Você ficou uma semana inteira de cama!- Jess riu
– E você? Também não me parece tão feliz...
– Ah!- Jess suspira- Estou preocupada com a Ally...
–Jessica! A Alysson é bem grandinha! Aliais, se a conheço bem, vai ficar tudo bem!
– É você tem razão.- ela disse se levantando, mas eu acho que eu não a convenci- Já está na hora de voltarmos para o chalé, não?
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– Vamos pessoal! Temos uma caça á bandeira para ganhar!- gritava Tyler enquanto eu tentava organizar a fila.
Eu era a conselheira-chefe do chalé, mas até hoje nunca descobri o porque me escolheram. Eu nunca trabalhei muito bem sobre pressão. Muito menos na vanguarda!
Enfim, fila organizada, partimos para a floresta. Desta vez estávamos em aliança com os chalés de Ares, Hades, Hebe, Hipnos, Iris, Dionísio e Afrodite.
Como sempre, nossa estratégia não era muito obvia. Aliais, nem um pouco obvia. O chalé de Ares e Dionísio atacariam os que estivessem guardando a bandeira, enquanto Afrodite e Hebe pegavam-a. Hipnos e Iris cuidavam de distrair os que se aproximassem da área da bandeira. O chalé de Hades se dividiu , uns ajudavam na distração, outros no ataque, outros em pegar a bandeira. Meu chalé também se dividiu: uns pegavam a bandeira, outros guardavam ela. Eu? Tinha que guardar-la.
Não. Eu não fiquei em cima de uma árvore preparada para descer com um cipó como nos filmes. Até porque, as pessoas já esperam isso e eu não sou nem um pouco atlética. Minha estratégia era ficar escondida e, caso alguém se aproximasse, surpreende-los. Pode parecer ridiculamente simples. Mas, sempre deu certo. Nunca subestime a garota que só leva boladas na queimada.
Eu e Tyler rondávamos a área que , supostamente, parecia a mais desprotegida. Até, que vi Luísa passando por ali. Deixei Tyler na vigia e fui atrás dela.
Infelizmente, enquanto corria, pisei em um galho. Isso fez ela ficar em alerta e mirar uma flecha. { Luísa: E a três minutos estava se achando a agente da CIA, né?} {Laura: Cala a boca! Você não me viu, viu?}
Mas, eu sequer respirei e ela baixou um pouco o arco.
De repente, uma garotinha cai perto do riacho e um bicho mais esquisito que eu já vi na vida { Luísa: pensei que se olhasse no espelho de manhã} {Laura: Cai Fora! É a minha vez de narrar!} {Luísa: Tá ! Mas, pula a descrição! Eu já fiz isso!} { Laura: Certo ¬¬}
Eu corri até a menina, para socorre-la. Já contei que sou boa em primeiros socorros?{ Jade: Aleluia ! Você sabe fazer alguma coisa , né?} { Laura: Até você Jade?!}
Então... Jade aparece, lutando. Quando ela foi derrubada, Luísa atirou uma flecha certeira no coração do bicho que se transformou em areia negra. Areia negra?! Eu já tinha lido inúmeros livros e até pesquisado no Google sobre os monstros . Nunca ouvi falar em algum que se dissolvesse em areia negra!
Que foi? Eu passo o ano inteiro aqui! A internet dos Stolls ajuda bastante! { Luísa : Nossa ! Quanta ousadia!}
Enfim... Rapidamente campistas curiosos começaram a chegar. Não muito depois, Quíron também se junta á todos , preocupado.
– O que aconteceu aqui?- ele pergunta.
A garotinha que estava sob meus cuidados solta um gemido fraco. O estado dela era preocupante.
– Quíron! – Eu chamei – Eu preciso de ajuda aqui!
Dito isso, quatro curandeiros de Apolo vieram me ajudar a carrega-la e outros cinco foram socorrer Jade.
Ele disse algo á Luísa e ambos nos acompanharam. Dionísio cuidou de organizar a confusão que ficara para trás.
Chegando na Enfermaria, eu ajudei os curandeiros com Jade e a menina, que descobri se chamar Annie.
– Luísa, pode vir aqui um segundo.- Quíron e a filha de Apolo saíram.
Eu continuei a ajudar nos cuidados com as meninas.
Com o tempo, os curandeiros saíram e eu fiquei ali, sentada em uma cadeira entre Annie e Jade.
Nem Quíron, nem Luísa, nem ninguém apareceu. Já era tarde da noite e eu ainda estava sentada, olhando para a janela atrás de mim. Mexia involuntariamente no meu colar enquanto observava o céu estrelado.
Porque tudo isso? 1º: o monstro era algo que nem eu , nem ninguém já viu ou ouviu falar na vida
2º: o bichinho entrou no acampamento, o que não deveria acontecer sob nenhuma hipótese.
3º Areia negra?!
Eu tinha que entender o que aquilo tudo significava. Nada é acaso. Seria muita loucura acreditar que um dia depois de tudo aquilo que aconteceu no Olimpo um monstro aparece por simples coincidência. Ou estaria eu obcecada com esta história?
O tempo foi passando, meus olhos foram pesando e eu acabei caindo no sono.
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O dia mal tinha amanhecido e eu acordei quando cai da cadeira. A luz do sol nascente inundava o ambiente.
Vi que Jade não estava mais em sua cama, mas Annie acabara de acordar com o baque que fiz ao cair.
– Passou a noite aqui?- a menina perguntou
– Acho que sim- me levantei sorrindo.- E você, como está?
– Bem... Eu acho.- sorri novamente e me sentei na borda da cama dela.
– Se lembra de algo ?
– Um bicho muito estranho me dando uma patada, eu caindo perto do rio e você fazendo algo em cima de mim.
Passamos um tempo conversando até Quíron aparecer.
– Se sentindo melhor Annie?
– Muito. Pronta pra outra.
– Laura- Quíron sorri- Você poderia acompanhar ela ate o chalé de Apolo?
– pronta, Annie?
Eu ajudo ela a se levantar e saímos da enfermaria conversando.
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Faziam três dias desde o incidente na caça a bandeira, mas eu não parava de fazer-me as mesma perguntas... Era como se eu sentisse que algo estivesse prestes a dar muito errado. E dessa vez não tem nada a ver com a Luísa e suas invenções. { Luísa: Ei! Elas são maneiras , tá?} { Jade: garota ,você já foi expulsa de uma escola porque explodiu o banheiro feminino enquanto fazia uma das suas experiências “legais”} { Luísa : quieta Mortiça Adams versão loira!}
Era fim de tarde, eu andava pela praia dos fogos, com as sandálias nas mãos , molhando os pés. Quando cheguei no extremo dela, me sentei na areia.
Continuava magoada com essa história de poder ser uma deusa. Tinha medo de ficar louca e egoísta como a maioria deles. Poder é como veneno. Todos acabam enlouquecendo.
De repente, o som de cascos me tira de meus devaneios. Olho para o meu lado e vejo Jack, o sátiro que me trouxe para o acampamento sentado ao meu lado.
– Você parece triste. E não é de hoje! O que foi?
– Tudo. – Eu apoio minha cabeça dentre os joelhos que estavam encolhidos.- Aquela doidera na excursão , agora esse monstro que apareceu na caça a bandeira... Por que tudo isso?
Eu olhei para ele. Ambos não queríamos admitir o que a cada vez se tornava mais possível: o começo de uma nova guerra.
– Você acha que...
– Não sei.- o interrompi- Não importa o que for, não vai ser nada agradável.
Passamos um certo tempo em silencio, apenas ouvindo o som do mar.
– Se lembra de como você era quando eu te trouxe pra cá?- ele perguntou sorrindo
– Uma sem noção?
– Não. Você era uma menina doce, sensível e criativa. Além de, obviamente , esperta.
– E o que eu sou agora?
– A mesma menininha, só que mais corajosa, crescida e menos chorona.- dei um soco no braço dele
– Chorona não!- falei rindo
Passamos um longo e bom tempo relembrando o passado. Estava tudo bem. Eu tinha esquecido meus problemas por um tempo.
Até eles voltarem para mim. Mais reais do que eu os tinha.
Eu ouvi um som da floresta atrás de nós e me virei, segurando a adaga.
– Ouviu isso?- perguntei a Jack, me levantando
Ele assentiu com a cabeça e pegou sua flauta.
De repente, um animal, se aquilo pode-se ser chamado desse jeito, enorme surgiu da floresta. {Luísa: Porra de novo!} { Laura: é de novo! Agora quietinha bomba atômica!}
– Meus deuses!- eu murmurei pasma.
Ele tinha cabeça de leão, as patas eram de touro. O corpo? Era uma espécie de casco cheio de espinhos e o rabo era de serpente.
Ele rugiu alto, mostrando suas presas. Era maiores e mais afiadas do que a de qualquer animal que eu já tivesse conhecido.
O animal se vira e nos encara. Mesmo com as pernas bambas, eu retribuo o olhar. Eu não fazia ideia do quanto ele era racional. Esperava que não fosse o suficiente para perceber que éramos presas fáceis. Encarando-o eu queria passar a mensagem de que eu não tinha medo dele. Como se ele fosse a presa e não eu. Funciona com onças, eu garanto por experiência própria.
Infelizmente ele era racional. E, veio correndo em nossa direção. Jack correu para esquerda, eu a direita, deixando o monstro entrar na água. Ele me encarou e bateu o casco com força no chão. Segurei firmemente o punho da adaga.
Ele correu até mim. Eu desviei o suficiente para ele não me pegar de frente e finquei a lâmina na sua pata direita dianteira. Retirei-a com força, fazendo-o guinchar e me dar um coice. Voei alguns metros e bati a cabeça em uma das árvores que ficavam entre a areia e a grama.
Passeia a mão na minha boca, saia sangue dela. E, ao julgar pela dor que eu sentia nas costas , alguma coisa saíra do lugar.
O monstro arrastou o casco no chão, iria vir na minha direção. Mas, antes que eu ou ele pudesse fazer qualquer coisa, Jack tocou sua flauta. O som pareceu irritar o animal, uma vez que este se virou para o sátiro e correu na direção dele, derrubando-o.
Aquela foi a gota d’água para mim. Ele irritou a garota errada no dia errado. Me levantei, apesar da dor , peguei uma pedra e taquei nele.
Ele se virou para mim , irritado.
– Ei gatinho! Sabe rosnar?- se ele entendeu ou não minha provocação eu não sei. Mas, rosnou para mim.- Que bom! Eu também.
Dobrei um pouco os joelhos , olhei nos olhos dele e rosnei também.
O bicho , ficou irritado, arrastou o casco no chão de novo e correu na minha direção.
Eu dobrei os joelhos o máximo que pude , com a maior força e tensão que tinha.Com toda a minha pouca coragem, aguardei. E, quando ele chegou perto, dei o maior pulo da minha vida, me virei no ar e taquei a adaga bem na direção do coração, acertando-o em cheio. Cai no chão com muita dor . Vi campistas se aproximando, mas não tive tempo para ver quem eram ou o que fizeram. Desmaiei.
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