De Repente, Amor
5 Capítulo 5
Bella's POV
Eu ainda estava na cama, exatamente do jeito que Edward havia me deixado para ir tomar seu banho. O rosto ainda estava enfiado nos lençóis, as mãos ainda agarradas ao colchão. Eu ainda estava de bruços, imóvel.
Por quê? Por que eu havia permitido aquilo? Por que havia deixado com que ele tomasse posse do meu corpo tão completamente? Meu corpo!
Pela primeira vez na vida eu sabia o que era um orgasmo. Não sabia se tinha sido forte ou fraco, mas sabia que tinha sido um. Mesmo sem nunca ter sentido antes. Porque, naquele momento, minha cabeça ficou estranhamente vazia, e eu experimentei um prazer fora dos limites da consciência. Sim, definitivamente tinha sido um orgasmo.
O que eu ainda demorava a entender era como tinha conseguido sentir prazer. E por que, meu Deus, por que diabos eu havia deixado que ele terminasse, que ele me mostrasse de quais sensações meu corpo ainda carecia.
- Merda! Merda, merda, merda!
Eu me xingava mentalmente, na mesma posição na cama. Me xingava porque agora sabia que nem eu mesma me conhecia completamente. Me xingava por permitir que um cliente, um estranho, tivesse me mostrado aquilo.
E me xingava principalmente porque, eu sabia, seria impossível colocar Edward no nível de importância dos outros clientes agora.
A porta do banheiro se abriu lentamente e eu me endireitei o mais rápido que pude. Fui deitar nos travesseiros, de costas na cama, coberta pelo lençol. Ele saiu enxugando os cabelos com a minha toalha.
- Desculpa, tive que usá-la. Você deveria colocar mais toalhas no banheiro pros seus clientes...
- Ok, avise a Tanya para me comprar quinze toalhas por dia.
Ele parou, me olhando, processando a informação.
- É verdade... — Concluiu.
Esperei em silêncio.
- Você atende quinze clientes por noite?
- Não... Uns dez. — Respondi, meio a contragosto. Por que estávamos conversando sobre aquilo?
- Entendo... — Ele falou, pensando um pouco e fazendo uma careta para si mesmo. — Bom, tenho que ir. Amanhã nos falamos.
E assim, sem dizer mais nada, saiu.
...
Acordei na manhã seguinte com o sonho fresco na minha memória: Edward. Lençóis. Sexo e orgasmo. Dinheiro.
- Ótimo. Minha própria consciência contra mim.
Levantei de mau humor. Tomei um banho, passei meu creme para machucados e fui tomar café. Conversei por algum tempo com algumas meninas, mas já estava novamente no meu quarto, trancada, lendo.
Sentia-me protegida ali. Era meu castelo particular, meu esconderijo. Embora gostasse da companhia e da conversa das meninas e de Tanya, eu sempre passava a maior parte do meu tempo sozinha no quarto. Algumas garotas me achavam anti-social. Eu não ligava.
Naquele dia, mais do que nunca, eu precisava ler. Sempre gostei de livros porque eles sempre me levavam para uma realidade alternativa. Uma ficção onde eu poderia vagar com meus pensamentos até o limite da imaginação. Muitas vezes me pegavai imaginando meu próprio rosto em certos personagens. E sim, eu sempre me achava patética por isso.
Mas naquele dia, eu não conseguia me concentrar nas histórias.
Será que ele viria essa noite? "Amanhã nos falamos", ele disse. Será que foi só por falar? Será que me escolheria outra vez? Talvez escolhesse a garota nova. Talvez nem viesse.
Merda. Ele me fez gozar. Como ele fez isso? Merda!
E dessa forma, o dia passou. Metade do tempo eu me concentrava na história em minhas mãos, mas a outra metade era sempre ocupada pelas lembranças de Edward, da noite anterior e da dúvida sobre o que seria de hoje à noite.
Às 21h eu desci para o salão, para o que seria mais uma noite de trabalho desagradável. Mas aquela noite não seria como as outras.
Seria pior. Muito pior.
...
- Olá, querida.
Virei-me e vi um rapaz bonito, próximo aos 25 anos, falando em uma voz gentil comigo.
- Olá.
- Como é o seu nome? — Ele perguntou.
- Isabella Swan. Muito prazer. — Era mentira. Eu não sentia prazer algum em conhecê-lo, porque sabia o que ele queria comigo.
- Lindo nome. Chame-me de James.
- Olá, James.
- Tenho que te dizer que você é linda. Fico até espantado que ninguém nessa espelunca ainda tenha te escolhido.
Sorri, um sorriso desanimado e falso.
- Então, já que está livre, poderíamos nos divertir um pouco. O que acha? — Ele falou, colocando uma mecha de cabelo atrás da minha orelha.
Sorri o mesmo sorriso outra vez.
- Claro, James. Eu vou subir pro meu quarto, é o terceiro do corredor. Me dê cinco minutos e suba, vou estar esperando.
- Mal posso esperar, Isabella. — E sorriu, seus olhos com malícia.
Cinco minutos depois, vi a porta se abrindo. James entrou no quarto e trancou a porta.
- Estou com muita, muita fome, Isabella. Você vai ter algum trabalho essa noite. Já falei com Tanya, pagarei o necessário. — E dizendo isso, ele tirou um cheque da carteira, preenchendo-o. — Você é minha essa noite.
Aquilo significava que eu teria que transar somente com ele? De certa forma, fiquei aliviada. Como sempre, era melhor do que me deitar com vários homens.
Por alguma razão, no entanto, eu me sentia ligeiramente desanimada em saber que não poderia voltar ao salão para um novo cliente.
Ele depositou o cheque na escrivaninha e veio em minha direção, tirando a blusa e, do bolso, várias cartelas unidas de preservativos.
A noite estava só começando.
...
Eram um pouco mais de 23h, já estávamos no nosso 5º round. James parecia nunca se cansar. Eu, por outro lado, já não aguentava mais aquele homem.
Ele não era delicado. Dava ordens como quem fala com criados, esperando ser atendido imediatamente. Quando eu hesitava, ele prontamente me segurava com força e, sem pedir permissão, fazia o que tinha em mente. Mas ele não era o único cliente assim: A maioria agia desse jeito. O problema é que eu tinha outra pessoa em mente. Uma pessoa mais delicada, mais preocupada. Alguém que tinha me proporcionado, de alguma forma, prazer...
- Eu quero você por trás.
Isso me fez acordar do meu piloto automático.
- Eu não faço anal. — Falei categoricamente.
- Como é? Claro que faz anal! Você é uma puta!
- Uma puta que não faz anal. Essa é a minha condição!
- Condição? Eu estou pagando, e eu quero te comer por trás!
Com violência, ele me virou na cama, afastando minhas pernas com os joelhos e segurando minhas mãos às minhas costas.
- Pára com isso! Eu não quero! — Falei alto, tentando soar ameaçadora.
- Foda-se o que você quer! Eu quero! E eu vou te comer do jeito que eu quiser!
- SOCORRO!
- Cala a boca, vadia! — Ele agarrou meus cabelos com força, me causando uma dor aguda.
- Me larga! SOCORRO!
James então pegou sua camisa amassada de cima da cama com uma das mãos, enquanto a outra ainda prendia meus pulsos às minhas costas. Me largou por um momento, mas logo me imobilizou, sentando-se em cima de mim.
Ele puxou meus cabelos para trás, levantando minha cabeça, e a próxima coisa que eu sabia era que estava amordaçada com um pedaço de pano, que ia da minha boca até um nó atrás da cabeça.
Eu tentava gritar, mas meus gritos eram abafados pelo tecido. James agarrou meus pulsos outra vez e separou minhas pernas. Eu me debatia em desespero. Não era possível, ele não ia me obrigar a fazer aquilo!
- Hhhmpppfff!!
Ele então me virou de barriga para cima.
- Se você não colaborar, sua puta, eu juro por Deus que vai se arrepender.
Tentei falar, mas o pano me impedia.
- Vire-se de costas e fique de quatro. Agora.
Não. Eu não ia ficar de quatro. Eu não ia deixar que ele fizesse aquilo comigo. Tentei me desvencilhar dele, socando-lhe e chutando o máximo que conseguia. Estava preparada para sair correndo por aquela porta, completamente nua e amordaçada, se preciso fosse.
E então ele finalmente perdeu a paciência, me batendo com força no rosto.
Eu senti dor, mas mesmo assim continuei lutando com ele. James segurou minhas mãos em cima da cabeça, no travesseiro, e me bateu novamente.
- Vou te ensinar a ser uma puta obediente!
E então ele me bateu de novo. E de novo. E de novo.
Meu rosto já estava em chamas, e eu não tinha forças para competir com James. Ele era extremamente forte.
E me bateu de novo. E outra vez. O próximo golpe mais forte do que o anterior.
Por fim, desisti de lutar. Ele continuava me batendo — Cada tapa virava minha cabeça e eu não tinha forças para voltar a olhá-lo. Minhas lágrimas escorriam pelo rosto. Eu queria gritar, queria chorar e socá-lo até que o matasse. Mas não podia. Eu estava presa. Indefesa.
Quando ele cansou de me bater no rosto, me virou de costas, me forçando a ficar de quadro. Segurando meu quadril, guiou-se para minha entrada de trás e meteu com força.
Eu senti uma dor intensa, e mais lágrimas brotaram dos meus olhos. Aquele lugar não estava nem um pouco lubrificado, mas James não parecia se importar.
E então, meteu de novo, com mais força. E outra vez. E repetidas vezes. E a cada vez, eu sentia a mesma coisa: Dor. Dor. Muita dor. Mais dor.
As lágrimas surgiam silenciosamente em meus olhos a cada estocada. Eu não acreditava que aquilo estava acontecendo. Por favor, alguém arrombe essa porta! Por favor, por favor! Pare de me machucar, por favor!
Mas ele não parava, e continuava me batendo em todos os lugares do meu corpo. Puxava meus cabelos, me batia e metia em mim. Entre uma surra e outra, aproximava-se do meu ouvido e gemia com vontade, lambendo-me e mordendo com força meu pescoço.
E eu só podia chorar, compulsiva e silenciosamente.
Não há mais nada a ser narrado daquela noite.
Ao final de uma hora e meia, ele tirou sua camisa da minha boca, se vestiu, deu um beijo e uma lambida nas minhas costas e falou ao meu ouvido:
- Que puta gostosa você é, amor. Seu cuzinho é uma delícia. Espero não ter te machucado muito.
E dizendo isso, saiu do quarto, me deixando sozinha.
Eu permaneci na mesma posição por diversos minutos, de bruços, largada na cama. Meu corpo todo ardia pelos tapas e socos. Meu rosto ardia, e eu o sentia inchado pelo choro e pela violência. Eu ardia por dentro e por fora. Tudo doía. Eu estava destroçada.
Finalmente consegui juntar forças para me levantar da cama e ir tomar um banho, que melhorou minhas dores. As físicas pelo menos.
Cheguei à conclusão de que aquilo havia demorado muito para acontecer. Como um certo cliente havia me dito uma vez, "qualquer puta faz anal". Eu não fazia, e o fato de que, até aquele dia, nenhum homem tinha decidido me pegar à força, era realmente inacreditável.
Até aquele dia.
Voltei ao quarto, passei meu creme para hematomas, apaguei a luz e fui me deitar na cama, para finalmente poder dormir.
E chorei o resto da noite.
Notas finais
Mas eu sei como é tenso acompanhar uma fic inacabada, então prometo postar logo assim que puder. Espero também que a criatividade venha.
E obrigada pelas reviews.
Bjos, Mel.
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