De Repente, Amor
33 Capítulo 33
Bella’s POV
O que seria uma visita rápida, apenas para dar um “alô”, se estendeu por algumas horas. Talvez porque Alice estivesse lá, tagarelando sobre sua gravidez e tudo que já havia aprendido com ela. Ou talvez porque Esme insistisse para que ficássemos para o lanche da tarde, como um pretexto para manter ali a família reunida. Ou então porque não queríamos ir embora mesmo, como se uma força invisível nos prendesse ali e fizesse com que não quiséssemos ir a nenhum outro lugar ou estar na companhia de mais ninguém além daquelas pessoas.
Mas como Edward precisava saber o que havia sido feito da nossa bagagem (já que eu não sabia sequer sob a responsabilidade de quem elas estavam), saímos de lá às 19h em ponto, mesmo que Esme insistisse para que dormíssemos por ali.
- Amanhã nos vemos outra vez, mãe. Estamos realmente a dois quarteirões de distância. São menos de cem passos.
Mas como, na cabeça doentia de Edward, caminhar era uma tarefa excepcionalmente perigosa para uma grávida, ele não abriu mão de mais um taxi até a nossa casa. Resolvi não contrariá-lo, talvez porque estivesse cansada e com dor nas costas.
Chegamos um minuto depois. Já estava quase escurecendo. Paramos em frente a um portão de ferro cheio de detalhes, que foi aberto imediatamente por Edward. Ao passar por ele, entramos em um jardim, e mesmo que fosse difícil enxergar bem, eu sabia que era grande — embora modesto, se comparado à casa dos Cullen.
- Pode esperar um minutinho aqui? Tenho que fazer uma coisa. — Edward apertou minha mão com carinho, falando ao pé do meu ouvido.
- Depende. Você vai voltar? — Perguntei de maneira retórica, sentindo o cheiro maravilhoso da grama me tomar por todos os lados e me fazer quase entrar em algum tipo de transe.
Ele riu.
- Um minuto.
E dizendo isso, caminhou para frente. Segui sua silhueta com os olhos, e foi só quando Edward sumiu atrás de uma parede que me dei conta de que havia uma casa logo à nossa frente. Mas era difícil descrevê-la, já que a noite começava a cair aos poucos.
O barulho de grilos estava alto. Outra vez, inspirei com força para sentir o cheiro do mato fresco. Junto com ele, pude sentir também o perfume de algumas flores noturnas. Eram doces. De um doce intenso, quase místico. Outra vez me senti bem.
Foi de repente, e quando me dei conta, as imagens à minha volta iam tomando forma diante dos meus olhos. Muitos postes de luz baixos se acenderam ao mesmo tempo, alguns com luz branca e outros com luz verde. O lugar havia se materializado à minha volta, e me vi no meio do jardim mais lindo que já havia visto na vida.
Era de um verde tão vivo e intenso que parecia recém pintado. Aqui e ali, tufos de flores incrivelmente coloridas prendiam a atenção dos olhos, como se estivessem ali unicamente para dar mais vida a algo que já era belo. Alguns dos postes, agora acesos, dispunham-se em todos os lugares, distribuídos de uma forma que desse para visualizar cada canto daquele lugar. Alguns outros alinhavam-se com uma trilha perfeita e caprichada que formava o caminho de pedras planas, pelo qual devíamos passar para que a grama se mantivesse linda e nova daquele jeito.
Era mais ou menos como estar em um jardim encantado, e eu não me surpreenderia, de forma alguma, se encontrasse uma fada passeando por ali.
Olhei para frente, agora encarando a casa a poucos metros de nós, iluminada também em muitos pontos por pequenas lâmpadas presas à extensão das paredes. Como Edward havia me dito, era mesmo menor que a casa de seus pais. Mas isso não significava, de forma alguma, que fosse pequena.
Havia uma varanda com bancos clássicos e cercada por um muro baixo, que parecia, quase em sua totalidade, coberto por algum tipo de trepadeira. Dela, pendiam flores brancas muito pequenas e delicadas, fazendo um lindo contraste com o verde vivo do mato. Os bancos combinavam com o branco perfeito da casa inteira, em um estilo clássico muito parecido com o da casa de Esme e Carlisle. Aqui também havia dois andares, o segundo mostrando duas janelas muito grandes e posicionadas exatamente acima do telhado que cobria a varanda, me fazendo concluir que naquela casa havia, pelo menos, dois quartos.
A porta era de madeira escura, contrastando com o tom claro da pintura. Havia uma árvore muito grande e cheia ao lado da casa, iluminada por um poste particularmente alto e forte, que se mantinha embrulhado entre os galhos tortos. Via-se, por isso, que a árvore era totalmente preenchida por flores de um rosa incrivelmente vivo. Varri os olhos outra vez pelo lugar, tentando colocar todos os pequenos detalhes juntos e vivos em minha memória.
Tudo, absolutamente tudo ali era perfeito.
E eu sequer havia entrado na casa.
- E então? — Ouvi uma voz outra vez ao pé do meu ouvido e senti braços me abraçando por trás. Ele chegou perto demais. O perfume de Edward havia se misturado com todos aqueles perfumes que pesavam no ar, e tive a sensação de que, se existisse um paraíso, ele devia ser exatamente daquela forma.
- É... Eu não sei como dizer isso... — Tentei organizar os pensamentos e falhei vergonhosamente.
- Gostou?
Soltei um riso debochado. Era uma pergunta boba, para dizer o mínimo. A pergunta chegava a ser idiota.
- É humanamente impossível não gostar daqui... E “inumanamente” também. — Respondi em um tom baixo proposital, querendo que os sons do jardim continuassem mais altos que a minha voz. Era como se eu estivesse imersa em uma atmosfera de magia, e eu sabia que não estava sonhando. Nenhum sonho poderia ser tão perfeito.
- Vamos. — Edward falou, me puxando delicadamente com uma das mãos.
Assim que passamos pela porta escura, em tom de mogno, senti o clima acolhedor, diferente do refrescante do jardim. Não era, no entanto, desagradável. As noites da Inglaterra costumavam ser frias, e ter uma casa quente para se aquecer era ideal.
Olhei em volta e por um momento tudo de que tive ciência foi uma total escuridão, já que todas as luzes do interior da casa se mantinham apagadas. Mas no segundo seguinte, Edward alcançou o interruptor e, com um clique, cinco ou seis lâmpadas se acenderam, mostrando que estávamos os dois agora em pé diante de um hall, com as escadas imediatamente à esquerda e, à direita, uma grande sala de estar.
Sem esperar, entrei no cômodo.
O lugar era completamente diferente do apartamento de Edward nos Estados Unidos. Se lá o interior dava uma impressão minimalista e completamente moderna, com toda a mobília seguindo um padrão reto e muito seco, limitando-se ao branco e preto, aqui a aparência era mais clássica, com cadeiras e poltronas fofas e acolchoadas, muito cheias de curvas, e tudo em vários tons de creme e marrom. O chão era coberto por um carpete bege fofo, o que não impedia a existência de vários tapetes menores e coloridos, embora todos puxassem para o mesmo tom. As mesas, cadeiras e móveis eram detalhadamente trabalhados, dando ao ambiente um aspecto da era vitoriana. A um canto, um enorme piano clássico de cauda se mostrava imponente em meio a tantos detalhes, na frente de uma das cortinas grandes que cobriam as janelas do mesmo tamanho. Um lustre que aparentava ser feito de minúsculos pedaços de cristais pendia do teto e iluminava tudo em volta. Havia almofadas por toda a parte, uma lareira grande e com entalhes dourados ficava à frente das poltronas e sofás. Entre eles, se estendia um tapete felpudo e de aparência confortável. Do outro lado, mais cadeiras e sofás se dispunham à frente de um móvel gigantesco, quase uma estante, apresentando, além de vários objetos de decoração antigos, uma televisão moderna e fina. E eu tinha certeza, embora não soubesse como, que aquela era a mesma tv que ficava na sala do apartamento de Edward.
- Tudo certo. — Ouvi alguém falar, e como se tivesse sido trazida de volta, olhei para ele. Como minha expressão devia estar um pouco confusa, ele explicou — As malas. Estão todas aqui.
Encarei toda a bagagem, agora disposta de forma caprichada no chão, próxima ao pé da escada. Me dei conta de que talvez demorasse alguns dias para notar a ausência dela.
Ignorei-o. Caminhei um pouco aturdida, passando por um espelho muito grande e dando dois passos para a cozinha.
O chão era coberto por tábuas corridas em tom de madeira clara, tão polidas que refletiam todos os pequenos e fortes pontos de luz no teto. No centro, uma bancada muito grande com mármore mais escura era decorada em volta por seis bancos altos, fazendo dela um tipo de mesa, mas que ainda cedia lugar a uma pia grande e brilhante e um fogão de seis bocas. Havia uma fruteira enorme bem no centro, além de pequenos enfeites. As quatro paredes eram totalmente cobertas por armários e bancadas em tom de mogno.
- Gostou?
Ignorei-o outra vez. Edward tinha que parar de perguntar aquilo. O simples fato dele não ter certeza quanto à minha resposta me irritava.
Caminhei mais um pouco pelo corredor com ele atrás de mim. As lado esquerdo, uma porta se abria para o que parecia uma biblioteca-escritório, coberto de cima a baixo e de um canto a outro por estantes de madeira vazias. A grande janela na parede oposta, à mostra pelas cortinas recolhidas, mostravam uma parte do jardim que eu não havia chegado a ver. Ficava na lateral da casa.
Mais adiante, outra porta mostrava uma grande sala de jantar, com uma mesa de dez lugares. Dois lustres penduravam-se do teto e, na parede ao fundo, mais uma janela mostrava o resto do jardim deixado na sala anterior.
No final do hall, havia uma divisão que deixava, à direita, a ampla área de serviço. Do outro lado, era preciso ainda fazer uma curva à esquerda para entrar no recinto.
Havia um tipo de bar pequeno, com algumas bebidas à mostra. Luzes amarelas em pontos muito pequenos no teto davam um tom âmbar ao lugar. Logo mais a frente, algumas cadeiras de piscina estavam dispostas em ângulos perfeitos, e depois delas, a piscina em si. Não era reta, mas sim cheia de bordas, e de um azul tão vivo que chegava a ser escuro. A escada era submersa, formada pelos mesmos azulejos do fundo.
O lugar era fechado. A parede mais à esquerda era formada por portas de vidro, de correr, que mostravam o resto do jardim ainda iluminado lá fora e mais um lugar de lazer, com churrasqueira e, ao que parecia, uma mesa de sinuca. As outras paredes eram maciças e claras. O chão era formado por tábuas de madeira escura, com pequenas frestas entre elas. Pelos cantos, surgiam vasos grandes de plantas, dando um tom mais natural ao lugar. À frente da porta de vidro, uma escada dava para o andar de cima.
Não consegui raciocinar por algum tempo.
- Vamos ver o resto. — Ouvi outra vez sua voz atrás de mim, muito perto do meu ouvido. Tremi um pouco, caminhando de maneira mecânica para a escada.
Chegamos ao andar de cima em um tipo de varanda para a área da piscina. Imaginei como seria uma festa naquele lugar. Mais à frente, entramos em um corredor amplo e comprido. Havia três portas à direita.
A primeira pertencia a uma suíte de casal bastante confortável e já toda mobiliada. A segunda pertencia a um banheiro social, todo em mármore claro, com absolutamente tudo que um banheiro poderia ter. A última escondia um tipo de sala de vídeo, onde uma das paredes consistia, inteiramente, em um tipo de rack com um home theater e a maior tv que eu já havia visto em toda a minha vida. A outra parede era, de um lado ao outro, ocupado por um largo e gigantesco sofá preto, de aparência incrivelmente fofa, com travesseiros por todos os lados, inclusive jogados no tapete felpudo. Era praticamente um cinema particular.
Ao final do corredor ficava a escada que daria para o andar de baixo, no hall de entrada, onde nossa bagagem continuava esperando. Exatamente em frente à sala de cinema, um corredor perpendicular mostrava mais três portas: duas do lado direito (com as janelas visíveis à frente da casa) e uma do esquerdo.
Abri a primeira porta à direita e encontrei uma suíte de solteiro, neutra. Também totalmente mobiliada. Ao abrir a segunda porta, meu coração deu um salto.
As paredes do quarto eram, na sua metade superior, brancas, e na inferior, de um amarelo muito suave. Os móveis incrivelmente delicados eram tão brancos e pequenos que pareciam sujáveis e quebráveis ao menor toque. No canto mais iluminado e suspenso por dois degraus havia um berço claro coberto por um mosquiteiro elegante e branco. Em volta, vários ursos de pelúcia e bonecas de todos os tipos davam ao ambiente uma aparência de conto de fadas. Aquele quarto pertencia, definitivamente, a uma princesa.
- Amarelo é neutro. Não vamos precisar pintar de outra cor se das próximas vezes vierem meninos.
Continuei pregada ali, encarando tudo de boca aberta. Já não me importava parecer uma idiota. Eu estava deslumbrada com aquilo, e não pretendia fingir naturalidade.
- Ahn... — Ele recomeçou, já que eu continuei na mesma posição por algum tempo, talvez sem respirar — Quer ver o nosso quarto?
Não me mexi. Eu ainda analisava cada detalhe, por menor que ele fosse. O sofá com babados, a mesinha e cadeiras no estilo vitoriano, os cristais que pendiam do teto. O armário entalhado com minúcias, o tapete fofo redondo e até, meu Deus, um unicórnio colorido de balanço!
- Amor? — Edward insistiu, talvez com medo de que eu estivesse morta. Encarei-o um pouco aturdida. — Falta o nosso quarto...
Me mexi por impulso, caminhando até a porta do outro lado da parede e abrindo-a sem esperar por ele.
Era um quarto grande. Gigantesco. Seria fácil brincar de pique-pega ali dentro.
Na parede oposta, de frente para a porta, ficava a cama de casal com lençóis em tons de bege e marrom. Ela era elevada em dois degraus, dando àquela peça um efeito superior ao resto do quarto. Havia muitos travesseiros arrumados de forma reta sobre o colchão, combinando com o edredom fofo. Atrás da cabeceira, apenas uma linha fina de luz dava um ar mais iluminado e claro à parede onde a cama ficava. Duas poltronas e uma luminária grande se dispunham a um canto para leitura. A tv fina, fixada à parede à frente da cama, era maior que a da sala. A parede à esquerda era lisa, com uma porta apenas, dando para o closet quase três vezes maior que o do apartamento antigo de Edward. Na parede à direita, uma outra porta abria-se para um banheiro igualmente grande e espaçoso, com louças e mármores que se misturavam entre tons de preto, tabaco, bege e branco. A banheira era grande e redonda e ficava em um dos cantos. O box, imediatamente ao seu lado, era espaçoso e podia comportar facilmente dez pessoas ali dentro. Havia duas pias de mármore escuro separadas, uma para cada um dos ocupantes do quarto. O vaso sanitário era da mesma mármore. Havia ainda um banco de três lugares, duas bancadas e, como se não fosse suficiente, um minúsculo jardim.
Voltei para o meio do quarto, e esse processo exigiu dez passos contados.
E então, parei.
Eu não sabia como agir. Não sabia o que fazer ou o que dizer. Não sabia sequer para onde olhar.
- Você gostou? — Edward repetiu.
Encarei-o, agora completamente ciente da sua presença ali. Aquilo me soava como uma pergunta retórica, mas ele a fazia como quem realmente não soubesse a resposta.
- Eu... — Não consegui continuar. Era necessário deixar claro o que eu estava sentindo, mas não sabia se existia uma combinação certa de palavras que me permitisse isso. Aquilo era, para dizer o mínimo, perfeito. Simplesmente perfeito.
Aliás, era mais do que perfeito. Chegava a ser exagerado.
Mas Edward, com sua incrível capacidade de não entender minhas reações, se apressou em falar:
- Nós podemos mudar algumas coisas, se você quiser, claro. Só não te deixei participar porque queria fazer uma surpresa, mas podemos...
Me movi para frente sem pensar, e quando notei que o movimento me faria beijá-lo, parei a menos de um centímetro da boca dele, encarando-o nos olhos.
- Cale-se. — Falei — E não ouse mudar um único travesseiro de lugar. Eu amo, amo absolutamente tudo aqui. Cada cor, cada tecido, cada centímetro. Amo o clima, amo o estilo, amo o cheiro daqui. Amo tudo que esse lugar me faz sentir, amo o fato de você estar aqui comigo. Amo você. Amo muito você. E ainda acho que é tudo muito perfeito pra não ser um sonho. Então posso te pedir uma coisa? — Falei, olhando-o nos olhos e tomando suas duas mãos nas minhas, como se elas coubessem ali — Por favor, prometa que se eu acordar você vai estar do meu lado.
Ele sorriu diante das minhas palavras, provavelmente porque elas não faziam sentido nenhum. Mas não me importei, encarando-o como quem espera por uma resposta.
- Prometo. — Ele finalmente falou, encostando sua testa na minha.
Beijei-o uma vez, e outra vez, e repetidas vezes. Seus braços deram uma volta completa na minha cintura, me puxando mais para perto de si. Fiquei nas pontas dos pés, me esticando ao máximo para alcançar sua boca.
Ele se abaixou para aprofundar o beijo. Prendi seus cabelos entre meus dedos e não o permiti que se afastasse nenhum centímetro, e foi quando todos os pêlos do meu corpo já estavam eriçados que Edward, em um movimento muito rápido, agarrou minhas pernas e fez com que elas se prendessem à sua cintura.
Não ousei abrir os olhos, forçando meus sapatos com cada um dos pés e deixando-os caírem em qualquer lugar. No segundo seguinte, me senti afundar completamente no colchão macio, me perdendo no meio dos edredons. Ele se deitou sobre mim, passeando a boca pelo meu pescoço, e me senti de alguma forma protegida ali. Quando sua boca voltou à minha, me agarrei a ele com força, tentando tirar seu casaco e sua calça com um pouco de pressa.
- Já vamos estrear a cama? — Ele perguntou, rindo baixinho no meu ouvido enquanto se afastava um pouco, me dando espaço para finalmente desafivelar o maldito cinto.
- Não se você continuar com essa lerdeza...
Abri os botões e o zíper da sua calça, puxando-a de qualquer jeito para baixo, junto com a boxer. Eu sequer conseguia ver o que estava fazendo, mas sabia que se continuasse empurrando para longe todo o tecido que meus dedos tocassem, conseguiria tê-lo como eu queria: Nu.
Comecei a me contorcer, tentando sair das minhas próprias roupas. Edward me ajudou, puxando minha calça para baixo e, ao mesmo tempo, abrindo os botões da minha camisa. Quando senti minha calcinha ser jogada em algum lugar, abri as pernas e deixei que ele se colocasse entre elas de joelhos na cama. Senti meu quadril ser suspenso por uma de suas mãos, e um segundo depois o senti entrando em mim.
Durou alguns minutos. Minhas unhas e dentes pareciam ter vontade própria contra a pele dele. Pedi desculpas algumas vezes, mas desisti assim que me dei conta de que ele parecia não se importar, embora seus ombros e costas provavelmente estivessem em carne viva. Edward já estava se acostumando com minha libido, mas naquele momento ela estava um pouco maior: O perfume dele, misturado com o cheiro daqueles travesseiros, estava me entorpecendo de uma tal maneira que eu queria simplesmente devorá-lo. Talvez literalmente.
E quanto menos eu me importava em feri-lo, mais cuidado ele tinha comigo. Embora eu desejasse profundamente que Edward me pegasse com mais força, comecei a aceitar que sexo selvagem teria mesmo que ficar para depois da gravidez.
Ao final, acabamos os dois cansados demais para levantar. Me agarrei a ele e deixei que seus dedos brincassem no meu cabelo.
- Gostou mesmo? — Ele perguntou baixinho, quebrando um longo silêncio e retomando o assunto de antes.
- Não. Não tem sauna a vapor nem quadra de tênis. — Respondi irônica, ainda de olhos fechados.
- Posso providenciar isso. Tem espaço...
- Faça isso e eu te mato. — Respondi, beliscando com vontade seu braço — Já não foi o suficiente tudo que gastou pra comprar essa mansão?
- Não gastei um centavo com a casa. Ela sempre foi minha.
Encarei-o curiosa.
- Sério?
- Sério. Alice e Emmet têm casas por aqui também. Eu só tive que mobiliar...
Gemi, escondendo o rosto no peito dele. Eu tinha total convicção de que a mobília, por si só, devia ter custado uma fortuna. Mas, de qualquer forma, era realmente bom saber que Edward não havia comprado aquela casa só pra “garantir o meu conforto”, coisa que exigia muito menos que aquele palácio.
Me preparei para responder alguma coisa, mas meus estômago trovejou.
- Estou com fome. — Falei, um pouco envergonhada pelo barulho.
Ele se desvencilhou do meu abraço e se levantou, ficando de pé ao lado da cama e me oferecendo uma mão.
- Vamos tomar um banho. Preparo alguma coisa pra você depois.
Eu estava realmente faminta. Mas por algum motivo, Edward me estendendo a mão, maravilhosamente nu e pronto para me dar banho parecia mais convidativo.
- Ok. — Comecei, aceitando seu apoio e me levantando — Vamos fazer uma caminhada até o banheiro. Acho que vou comprar patins pra chegar mais rápido lá.
Inexplicavelmente, ele ficou sem graça, e imediatamente me arrependi de ter feito a brincadeira.
- Podemos colocar a cama mais no canto...
- Ei... — Falei me aproximando dele de pé em cima da cama e segurando seu rosto entre as mãos — Estava brincando. É perfeito.
Ele me encarou, ainda duvidoso, e sua cara de cachorrinho abandonado me fez querer enchê-lo de beijos.
- Eu não tinha certeza quanto à decoração, quanto à pintura... Não sabia se estaria bom pra você...
- Edward, tudo está bom pra mim, contanto que você venha incluído no pacote.
Ele sorriu como uma criança contente e beijou a ponta do meu nariz.
- Agora, vamos logo. Ainda estou com fome. — E apenas para tornar o clima mais descontraído, pulei em seu colo e, envolvendo minhas pernas na sua cintura, adicionei — Mas você me leva. É realmente muito longe.
E ele me carregou como quem carrega um bebê no colo, rumo ao tão, tão distante banheiro.
...
Havia apenas duas malas no quarto: Uma minha e outra de Edward. As restantes permaneceram exatamente onde estiveram a noite anterior toda: Ao pé da escada.
Arrumaríamos os armários depois.
- Bom dia! — Ele me recebeu com uma voz entusiasmada na cozinha, preparando algumas torradas enquanto passeava de lá para cá com um pano de prato estrategicamente dobrado sobre o ombro, dando aquele ar de cozinheiro caseiro.
- Bom dia. — Respondi ainda sonolenta, mas ao sair do corredor forrado por um carpete creme (assim como o restante da casa) e entrar na cozinha, com piso de tábua corrida, o atrito entre minha meia e o chão não foi o suficiente para me manter equilibrada. Escorreguei um pouco, patinando de forma idiota enquanto tentava reestabelecer o equilíbrio e não cair. Quando consegui, me segurando na porta, olhei-o outra vez.
Ele estava branco feito papel, uma das mãos estendidas com um pote de mel no ar e os olhos tão arregalados que quase saltavam das órbitas. Edward me encarava estático, falando lentamente, em choque.
- Não... Caia...
Achei engraçado o fato de ele conseguir pronunciar aquelas palavras sem aparentemente mover nenhum músculo.
- Não caí.
- Quase caiu...
- Então... "Quase".
Fiz menção de caminhar ao seu encontro, mas ele deu um grito estranho e agudo, então sequer cheguei a me mover.
- Porra, não me assusta assim! — Falei, querendo dar um tapa nele.
- Não... Se... Mova! — Ele falou, como se eu estivesse prestes a entrar em um campo de guerra cheio de minas terrestres.
Esperei até que ele viesse até mim, me levando para fora da cozinha de volta ao carpete fofo do corredor.
Ele suspirou.
- Espera aqui. Pelo amor de Deus, não entre nessa cozinha.
Edward subiu de dois em dois degraus e eu esperei, já rindo sozinha de todo aquele drama. Quando ele voltou, trazia nas mãos duas pantufas rosa-chiclete.
- Calce isso. É emborrachado embaixo.
Eu calcei sem objeções, mas só porque estava com fome. Em situações normais, debater com Edward sobre seus cuidados exagerados era divertido.
- No final dessa gravidez você vai estar mais grisalho, ansioso e estressado.
- Só, pelo amor de todos os santos, não se machuque.
- Ok. Posso descer pelo corrimão da escada?
Ele me encarou chocado, como se eu tivesse acabado de admitir que usava drogas.
- Estou brincando. — Falei, já com medo que ele tivesse ataques convulsivos de pânico.
Não tinha como negar que eu me divertia com os exageros dele, embora isso fosse cruel. Ele realmente sofria com medo de que algo acontecesse comigo e, consequentemente, à sua filha, mas suas idéias de proteção eram tão absurdas que chegavam a ser engraçadas.
Tomamos o café da manhã preparado por Edward bem devagar. Eu queria ver tudo outra vez, cada pequeno detalhe daquela casa agora na luz do dia, mas sabia que teria tempo de sobra para isso depois. Por isso, aproveitei os pães integrais, as geléias, os sucos e tudo mais que estava à minha disposição.
- Vamos almoçar na casa dos meus pais. Tudo bem? — Ele falou, sentando-se no banco ao meu lado e espalmando a mão na minha barriga, como sempre.
- Não vamos estrear a nossa cozinha? — Perguntei, já um pouco desanimada, mas nem tanto. Passar tempo com os Cullen sempre era divertido.
- Eu já estreei. — Ele sorriu debochado para mim.
- Mas eu não. — Fiz cara de traída.
- Podemos estrear depois. — Ele balbuciou ao pé do meu ouvido, envolvendo seu outro braço na minha cintura — Você pode me ensinar a fazer aquela sua sobremesa. Podemos comer juntos hoje à noite.
Eu sempre achei incrível a capacidade que Edward tinha de conseguir tornar imoral com tanta rapidez uma conversa comum, fosse com palavras ou com toques, sem nem ao menos falar com todas as letras o que ele queria dizer. E o único motivo pelo qual eu não reclamava daquilo era porque eu adorava.
- Depende. — Respondi, entrando no jogo, encarando-o de forma doce mas tentando provocá-lo — Você vai comer tudo?
Ele soltou um gemido baixo, me encarando nos olhos. Edward ainda não sabia parecer tão sedutor e “fodão” quando eu respondia às suas provocações no mesmo nível, e ao contrário, acabava se entregando.
- Vou. — Ele respondeu baixo, puxando o banco em que eu estava sentada mais para perto de si. — Como tudo se você deixar...
Com a maior naturalidade, peguei outra torrada com geléia e mordi um pedaço, fazendo cara de paisagem. Era claro que eu sempre tentava parecer casual nesses momentos, mas a verdade era que eu mesma queria sair por cima na situação. Mesmo que sua proximidade sempre me deixasse louca de vontade de dar a ele o que ele queria. E conforme a gravidez avançava, mais difícil era controlar esses impulsos de jogá-lo em cima de uma mesa, arrancar suas calças e montar nele como se aquela fossa a última trepada da minha vida.
- Tudo bem. Eu te ensino a fazer hoje à noite. — Parei, encarando-o com um olhar de dona da situação, e apoiei um braço no banco onde ele estava sentado, entre suas pernas, fazendo com que meu braço tocasse propositalmente e sem a menor cerimônia seu membro já bastante animado — Mas se você deixar uma única gota...
Ele soltou outro gemido, tentando se controlar ao falar ainda mais perto da minha boca e agarrando meu braço sem se dar conta, prensando-o com ainda mais força contra seu membro:
- Não vou deixar... Você sabe disso...
Continuei encarando-o, como se o desafiasse a perder o controle. Quando Edward parecia prestes a implorar para me comer, fiquei de pé e me afastei.
- Ok. Vamos logo. Seus pais e seus irmãos já devem estar nos esperando.
Recolhi meu prato e meu copo, levando-os até a pia que ficava naquele mesmo balcão e comecei a lavá-los, parecendo distraída. Não o encarei outra vez, e ele não voltou a falar. Terminei de limpar as coisas, calcei minhas pantufas rosa chiclete e subi para o quarto, apressando-o a fazer o mesmo e trazer as malas quando subisse.
Não demorou muito tempo, e Edward apareceu sem mala alguma no quarto.
- Vai mesmo me deixar assim? — Ele perguntou, como se exigisse uma resposta.
Me fiz de desentendida.
- "Assim" como?
- Você sabe como. Essa gravidez está te deixando cruel.
Senti vontade de rir, mas me contive.
- Não sei do que você está falando.
Ele se aproximou de mim um pouco rápido, e por um segundo imaginei que ele fosse me atacar. Mas, ao contrário, parou na minha frente e, tomando minha mão sem cuidado, forçou-a contra seu membro outra vez. Ele estava duro como uma pedra.
- Estou falando disso. — Ele disse, me olhando como se sentisse dor.
- Simples palavras conseguem fazer isso com você? — Perguntei, fingindo surpresa. Eu sabia que ele estava daquela forma sem nem mesmo precisar tocá-lo.
- Você sabe que sim.
Edward falava como um menino triste, e aquilo era adorável.
- Bom, já estamos atrasados... — Comecei, mas fui interrompida no mesmo segundo por palavras e por mãos bastante animadas.
- Podemos nos atrasar mais um pouquinho.
- Não... — Comecei, tentando me desvencilhar dos braços e da boca dele — Controle seu tesão!
- A culpa é sua! Não me julgue!
Eu estava lutando, mas sabia que não adiantaria, simplesmente porque não estava me empenhando o suficiente. Se eu realmente deixasse claro que não queria, Edward pararia com aquilo, mesmo contrariado. Mas seus hormônios em fúria de um menino de 17 anos estavam enfurecendo os meus próprios hormônios, até certo ponto controlados.
- Se seus pais ou seus irmãos mencionarem o nosso atraso, vou deixar claro que a culpa foi sua.
Segurei sua blusa pela gola e o virei, empurrando-o para a cama atrás de nós e pulando em cima dele como um tigre pula em cima da presa.
…
Conseguimos ficar prontos 1 hora depois. Saí antes, ficando à sua espera no jardim.
Àquela hora do dia, aquele lugar parecia mais brilhante e vivo do que à noite. Não era, entretanto, necessariamente mais bonito. Mas agora podia-se ver a verdadeira extensão do lugar, com seus vários arbustos fofos, flores coloridas e cheias àquela época do ano, árvores de vários tamanhos e bancos brancos espalhados aqui e ali. Tanto de dia quanto de noite, era lindo. Cada um desses momentos tinha seu charme particular.
Quando Edward finalmente me encontrou do lado de fora da casa, deixou claro que iríamos de taxi. Ignorei-o solenemente, pegando minha bolsa e simplesmente caminhando para o portão. Ignorando também seus protestos, lembrei-o dos conselhos do Dr. Becker relacionados à saúde, que incluíam, além de outras coisas, caminhadas curtas e exposição moderada ao sol.
Ele finalmente cedeu.
A primeira coisa que ouvi de Alice assim que pisamos na casa dos pais de Edward foi um “estão atrasados!”. Encarei-o com um olhar assassino, mas não estava realmente irritada.
- Tenho certeza que é justificado. — Jasper começou, sempre tentando explicar as coisas — Mudanças sempre tomam muito tempo.
- Claro, amor. — Alice continuou, segurando carinhosamente sua mão, enquanto virava outra vez para Edward — Da próxima vez, transe mais rápido.
Corei imediatamente, não pela provocação, mas porque era Alice. E Alice era esquisita. E sabia sempre de tudo.
- Ei, pára com isso. — Ele falou, me abraçando de forma carinhosa por trás — Está deixando a minha namorada sem graça.
Alice e Jasper olharam para ele de uma maneira esquisita por algum tempo. Minha vergonha passou imediatamente ao lembrar de que ainda havia alguma coisa sendo escondida de mim, e aqueles olhares eram relacionados a esse mistério.
- O que foi? — Perguntei, olhando do casal para Edward.
- Nada. — Ele respondeu, me dando um sorriso sem graça e um beijo na testa.
Ignorei-o.
- Alice, o que foi?
- Seu namorado é um lerdo. — Ela respondeu, dando ênfase à palavra "namorado".
- Por quê? — Insisti.
- Podemos conversar? — Ela perguntou, já puxando Edward pela mão e se afastando com ele.
Por que diabos ninguém me dizia o que estava acontecendo?
- Jasper...
- Não sei de nada. Sou só o marido da bruxinha. — Ele respondeu, pedindo licença e se retirando.
E eu estava começando a ficar puta.
Fiquei ali por algum tempo, talvez esperando Edward voltar e preparando minhas perguntas.
- Bellinha!
Mal ouvi a voz de Emmet e me virei para ele, segurando-o pela gola e o jogando contra a primeira parede do hall de entrada.
- O que estão escondendo de mim? — Perguntei ameaçadoramente nas pontas dos pés, conseguindo passar da altura dos ombros de Emmet. Era uma cena patética. Ele parecia um pouco surpreso, mas ainda assim, divertido.
- Escondendo? Não sei de nada!
- Sabe sim! Você está rindo!
- Não sei não. Quem está escondendo alguma coisa de você?
- Edward! Eu sei que ele está!
- Eu juro que não faço idéia!
Soltei sua gola e ele se ajeitou outra vez, tentando esconder um sorriso debochado que insistia em aparecer nos lábios dele.
Levei um susto quando Emmet falou de repente, empregando uma entonação de desespero na voz.
- Meu Deus! Bella, será que ele vai assumir que é bicha?
Dei um soco nele.
- Ai! Por que você gosta tanto de me bater? — Ele perguntou, coçando o local socado.
- Porque você gosta de me irritar! — Respondi, já meio arrependida da agressão — Desculpa.
- Grávidas... — Ele revirou os olhos teatralmente.
- O que tem as grávidas? — Alice apareceu ao seu lado, quase como quem aparece em uma nuvenzinha mágica. Ela era menor que eu, principalmente ao lado de Emmet, mas de alguma forma conseguia parecer ameaçadora.
- Nada. — Ele respondeu, já andando para longe da irmã — São uns amores.
- Alice... — Comecei, já um pouco sem paciência — O que est...
- Bella, quer ir ao shopping? — Ela me interrompeu, parecendo animada.
- Como é?
Edward havia, assim como a irmã, aparecido em uma fumacinha mágica.
- Depois do almoço, claro. — Ela adicionou, sem sequer olhar para o irmão.
- Ela não pode ir ao shopping! — Ele advertiu, ignorando o fato de que Alice o ignorava.
- E por que não? — Emmet perguntou, curioso.
- Porque ela está grávida!
Formou-se aquele silêncio desagradável. Alice olhava para Edward como quem olha para uma bactéria insignificante mas nojenta. Edward provavelmente achava que tinha dado um argumento convincente, e Emmet simplesmente não tinha o que responder.
Escondi o rosto nas mãos, com vergonha.
- O...k...
- Então, Bella... Quer ir? — Alice repetiu, fingindo que Edward não estava ali.
- Estou falando sério, porra! Aquele shopping é cheio de gente estabanada! Imagina se alguém esbarra nela?
- É verdade, Alice. Alguém pode encostar na Bella... — Emmet começou, e se eu não conhecesse seu jeito irônico de ser, pensaria que ele estava falando realmente sério.
Ironicamente, Edward não pareceu notar isso.
- Exato! E se alguma coisa acontecer a ela ou...
- Edward, pelo amor de Deus! Vamos ver vitrines, passear, tomar sorvete e dar uma voltinha na montanha russa. Não é nada demais!
Edward continuou olhando para ela sem expressão nenhuma.
- Alice... Ele está ficando verde. — Emmet concluiu — Retire o que disse.
Olhei para ele, já com vontade de rir, mas notei que seu rosto realmente tinha um tom esverdeado.
- Alice, podemos ir ao shopping amanhã? Tenho que convencê-lo primeiro. — Falei, já um pouco preocupada com sua aparência.
Ela suspirou.
- Tudo bem. — E olhando para ele, falou, antes de sair: — Bocó.
Emmet a seguiu, fazendo cara de enterro.
- Eu sempre te disse que essa sua preocupação era exagerada...
- Não me importo com o que eles pensam. Por favor, não vá ao shopping com ela. — Ele implorou, fazendo cara de cãozinho abandonado ao pedir aquilo.
- Edward, ela estava brincando! É claro que não vamos na montanha russa.
- Amor, Alice é louca. Eu não duvido de absolutamente nada que ela fala...
- Bom, se ela é louca, eu não sou. Você tem que parar com essa neurose, e estou falando sério. Eu sei dizer o que é perigoso ou não, e da mesma forma que você não colocaria nossa filha em risco, eu também não faria isso. Não sou incapaz de tomar conta de mim mesma, e seu exagero soa como desconfiança.
- Eu confio em você! — Ele disse, um pouco desesperado.
- Não é o que parece. Eu não sou uma criança, então, por favor, pare de querer decidir as coisas por mim.
Ele procurou, ainda por alguns segundos, algo para responder. Quando finalmente se deu conta de que seu acervo de argumentos havia se esgotado, suspirou e fez cara de triste.
- Sabem... — Esme surgiu na escada, descendo degrau por degrau de forma graciosa — Quando minha neta chega na minha casa, eu espero ser avisada.
Ela desceu o último degrau e olhou de cara feia para Edward, como se ele fosse o culpado. Depois voltou a sorrir, me abraçando de forma carinhosa e colocando a mão gentilmente na minha barriga.
- Gostou da casa? — Ela perguntou.
- Não tinha como não gostar. É maravilhosa.
- Tenho que ir lá um dia. Carlisle escondeu de mim que estava mobiliando a casa a mando de Edward.
- Pode aparecer lá quando quiser... Certo? — E, de repente, olhei para ele, sem querer pedindo permissão para dizer aquilo. Ainda era difícil aceitar aquela casa como minha, e convidar alguém a entrar nela parecia errado sem o consentimento do verdadeiro dono.
- É claro. — Edward disse com algum desagrado por entender minha hesitação.
Esme foi abraçar o filho, desistindo da idéia de parecer ofendida com ele.
Fomos para a cozinha junto com ela, com o único intuito de conversar. Encontramos ali a cozinheira que eu lembrava ser um pouco mal humorada. Fiquei em um canto, com medo dela.
Esme falou dos preparativos para a festa de aniversário de Carlisle, que seria na noite do dia seguinte àquele. Seria, como sempre havia sido, uma festa ao ar livre para a família, amigos do trabalho e alguns vizinhos. O enorme jardim seria decorado com mesas, cadeiras, bancos e luzes para a ocasião, e garçons iriam e viriam distribuindo champagne e bebidas não álcoolicas, comidas salgadas de diversos tipos e sobremesas por entre as mesas gigantes, cheias de convidados.
Seria aquele tipo de festa que pessoas ricas costumam fazer, e às quais eu nunca tinha estado presente.
Alice entrou na cozinha e perguntou à cozinheira se ela queria ajuda. A mulher olhou de cara feia para ela, como quem dissesse "sou capaz de fazer meu trabalho muito bem, obrigada", mas Alice não deu a mínima importância, retribuindo com uma careta. A mulher riu, e eu fiquei surpresa.
Ficamos conversando, os quatro, esperando o almoço sair. Jasper e Emmet pareciam estar jogando videogame em algum lugar da casa, e mesmo que eu insistisse para que Edward se juntasse a eles (já que os assuntos naquela cozinha eram todos relacionados a gravidez, o que obviamente era pouquíssimo interessante para homens), ele insistia em ficar ali. Mesmo sem ter nada a dizer.
Era como se ele tivesse medo de me deixar sozinha com as pessoas.
Edward estava começando a parecer mais esquisito que Alice.
- Fome! Tenho fome! Parem de tricotar e façam nossa comida, mulheres! — Emmet irrompeu a cozinha, gritando e assustando todo mundo, imitando um vicking enquanto falava.
A cozinheira, que havia inclusive entrado na conversa da gravidez e parecia, agora, um pouco mais humana e menos ameaçadora, lançou um olhar assassino para Emmet. Ele imitou um vicking outra vez, fingindo não ter medo dela.
- Você já começou a arrumar lá fora? — Esme perguntou, muito calma.
- Jasper e eu estávamos jogando...
- Então não vai almoçar.
- Porra, mãe!
Ver Esme tratando Emmet como um menino de sete anos que não tinha feito o dever de casa e, por isso, ficaria de castigo, era não só engraçado, como também surpreendentemente adorável. Fiz força para não rir e deixá-lo ainda mais contrariado.
- Seu jeito brutamontes tem que servir de alguma coisa. — Alice disse, mexendo em uma cesta de pães sem muito interesse.
- A festa é só amanhã à noite. Vou ter tempo de sobra para distribuir aquelas mesas pelo jardim.
- Você sabe quantas mesas e quantas cadeiras são? — Esme provocou.
- Mais ou menos o mesmo número de todos os anos, certo?
- E você sabe quanto é isso?
- Sei o suficiente pra dizer que dou conta do trabalho. — Emmet falou com cara de dono da situação.
- Então você me dá a sua palavra de que tudo vai estar arrumado pra hora da arrumação dos talheres, pratos, arranjos de flores e tudo mais?
- Claro que sim.
- Ok. — Esme finalizou com uma certeza de vitória disfarçada, e então tive uma estranha sensação de que Emmet não conseguiria fazer o que disse que faria.
...
Alice tomava um suco rico em proteínas, vitaminas e mais sabe-se lá Deus o quê, e me perguntei se ela se entupia daquilo porque estava ficando neurótica com a saúde do filho ou porque gostava mesmo de maçã. De qualquer forma, era assustador observar a quantidade de líquido que seu pequeno corpo comportava, mesmo na gravidez, tanto durante todo o almoço como agora, descansando na sala de estar.
Jasper estava sentado ao seu lado, servindo quase como um grande travesseiro para o conforto dela. Edward estava sentado em uma das poltronas gigantes que havia na sala, capaz de comportar facilmente duas de mim, mesmo grávida. Ele me puxou com cuidado e me fez sentar entre suas pernas, enquanto tomava um licor de alguma coisa e escutava Emmet, com uma garrafa de cerveja na mão, dizer que aquilo era coisa de gente fresca.
- E você, querida? Não quer beber nada? — Esme perguntou, tocando meu braço suavemente, e todo mundo se assustou com o berro de Emmet.
- VOCÊ É MALUCA, MULHER? ELA ESTÁ GRÁVIDA!
Demorou um pouco até entendermos que aquilo era mais uma forma de tirar sarro da cara de Edward. Tirei o pequeno copo vazio de sua mão antes que ele arremessasse no irmão e coloquei na mesinha baixa ao nosso lado.
Esme ignorou Emmet e continuou contando como seus almoços eram solitários, já que Carlisle só voltava do trabalho à noite (às vezes de madrugada), e como ficava feliz em ter a casa cheia de gente. Principalmente porque essa "gente" era a família que ela raramente via e da qual tanto sentia falta. Imaginei que talvez meus almoços começariam a parecer muito com os dela, e que talvez pudéssemos fazer companhia uma à outra.
O clima estava agradável e a conversa parecia uma canção de ninar nos meus ouvidos, me embalando enquanto Edward passeava de um lado para o outro sua mão espalmada e seus dedos pela minha barriga de forma despreocupada. Somado àquilo, o peso da comida me fazia parecer estar à beira da inconsciência, embora fosse possível que alguma coisa servida naquele almoço não tivesse me feito lá muito bem.
Foi quando estava prestes a adormecer recostada nele que senti uma coisa que me fez acordar imediatamente.
Fiquei parada, esperando por algo, embora não soubesse o quê. Talvez sentir aquilo de novo. Talvez Edward se manifestar.
Olhei em volta e vi Esme nos encarando de forma estranha.
Não falei nada. Continuei imóvel, tendo a sensação de que aquilo aconteceria outra vez. As mãos dele já não passeavam mais pela minha barriga: Agora estavam imóveis, esperando pelo que eu esperava também.
- O que foi? — Jasper perguntou, também curioso.
- Definitivamente, eu senti uma coisa... — Edward falou baixo, arrastado, ainda imóvel como eu, e de uma forma completamente repentina, como se simplesmente tivessem brotado ali, cinco mãos estavam tocando a minha barriga.
Olhei confusa para todo mundo, mas eles também estavam quietos, esperando, durante algus segundos, pelo próximo chute.
Nada aconteceu.
- Tem certeza que sentiu? — Alice perguntou, um pouco irônica — Pode ter sido o sistema digestivo da Bella...
- Tenho certeza. — Edward respondeu de forma confiante.
Pouco a pouco, as mãos foram saindo dali, decepcionadas pela ausência de movimento e um pouco incrédulas. Quando a única mão restante voltou a ser a de Edward, eu senti outra vez.
Bastante suave, quase imperceptível, mas, definitivamente, um minúsculo chute.
- De novo! — Ele gritou como um pré-adolescente, quase não contendo a excitação na voz.
- Você está inventando! — Emmet implicou.
- Não estou! Bella?
- Não está. Eu senti também. — Falei.
Tão rápido quanto da primeira vez, as mãos voltaram para a minha barriga. E, outra vez, nada aconteceu.
- Ah, qual é? — Emmet falou, desanimado.
Pela segunda vez, as quatro mãos saíram e a quinta permaneceu no mesmo lugar. Imediatamente, o movimento veio outra vez.
Edward gargalhou como uma criança cujos sonhos tivessem todos sido realizados.
- Eu acho que ela gosta só do toque dele. — Falei distraída, olhando debilmente para o meu próprio umbigo.
Eu não veria nada ali, como gestantes em estágios avançados às vezes viam ao sentirem os chutes do bebê. Eu estava com quase 5 meses, e por isso mesmo os movimentos não eram fortes. Ao contrário: Poderiam passar até desapercebidos caso eu estivesse caminhando ou fazendo alguma coisa.
Mas agora, minha curiosidade estava sendo atiçada pelo comportamento do bebê. Seria possível ela simplesmente reconhecer o toque de Edward? Ou seria idiota considerar essa possibilidade? Será que ela já havia se acostumado a sentir as mãos dele ali, perto dela, como quase sempre estavam?
- Isso é adorável! — Esme falou, enquanto encarava o filho com lágrimas nos olhos.
- Eu queria que esse peste só se mexesse quando Jasper tocasse nele. — Alice falou, se referindo ao seu próprio filho e voltando a beber mais do suco de maçã — Mas acho que ele já quer ser astro de rock ou alguma coisa assim, porque nunca vi uma criança se mexer tanto...
Mas eu não estava escutando. Edward provavelmente ignorava qualquer um naquela sala que não fosse a coisinha minúscula dentro da minha barriga, que insistia em se mexer sutilmente ao seu toque.
Encostei minhas próprias mãos no meu umbigo e esperei. Ela não se mexeu mais, e eu senti uma pontada de ciúme. Ele afastou as minhas mãos com uma das suas, enquanto a outra permanecia na minha barriga. Assim que apenas a mão dele continuou espalmada ali, senti outra vez um movimento leve.
Bufei. Era fofo que ela gostasse de Edward e tudo mais, mas porra! Era EU quem a carregava para cima e para baixo. Era EU quem estava cedendo espaço no meu corpo para que ela se formasse. Seria bacana se ela gostasse de mim também, não?
Continuei me remoendo por mais algum tempo, até chegar à vergonhosa conclusão de que estava exigindo mais atenção de um feto, unicamente porque estava enciumada. Me odiei por isso, mas assim que os movimentos pararam, me senti melhor.
- Ela cansou. — Falei finalmente. Edward parecia um pouco triste, mas não tirou as mãos da minha barriga durante o resto da tarde.
Fomos para casa às 18h, com o pretexto de ter que arrumar os armários e o resto da casa. Edward, embora se mostrasse claramente averso à idéia, me deixou participar dessa tarefa junto com ele, já que apresentei teorias bastante convincentes de que, ao final daquela gravidez, minha vida estaria tão monótona por não poder fazer absolutamente nada que eu acabaria cortando os pulsos por depressão. Aquilo foi o suficiente.
Ele estava tão empenhado em sentir outra vez os movimentos da minha barriga que passou o resto da noite grudado nela. Pensei em lembrá-lo da nossa brincadeira sexual relacionada à sobremesa, mas como estava me sentindo excepcionalmente sonolenta e ele parecia não se importar com nada além do meu umbigo, deixei passar.
Dormi cedo, sem fome, me preparando para o aniversário de Carlisle no dia seguinte.
…
- E então?
Edward mastigava devagar, como se fosse um verdadeiro degustador profissional. Eu esperava pelo seu veredicto um pouco ansiosa. Talvez devesse ter escolhido, como primeira receita, algo mais comum: Capeleti de frango com molho de manteiga e sálvia não era algo que todo mundo gostava, até porque era uma receita de família. E se o primeiro almoço que eu tivesse feito para ele fosse mal recebido, principalmente depois de ter dado um certo trabalho e tomado toda a parte do meu dia para preparar, talvez eu me negasse a cozinhar de novo.
Era provável que o alimento já estivesse bastante triturado dentro da boca dele, mas ele não parava de mastigar. Talvez fosse a minha impaciência de grávida que estivesse me dando nos nervos. Talvez ele não tivesse gostado e estivesse pensando em como poderia dizer, de forma educada e sem ferir meus sentimentos, que estava uma merda.
Quando ele engoliu o bolo mastigado, ao invés de falar, levou outra garfada à boca.
- Não se preocupe. Eu não quero saber se você gostou. Leve o tempo que precisar. — Falei sarcástica ao lado dele.
- Está divino. — Ele respondeu, com a boca ainda um pouco cheia.
Suspirei de alívio.
- Jura?
- Juro.
Me senti exageradamente feliz com a sua resposta. Ultimamente, era necessário muito pouco para me levar aos extremos da alegria ou da tristeza. Quiquei no banco ao lado dele, pegando um prato e me servindo também. Quando deixei claro que não conseguiria comer mais do que aquilo, ele se prontificou a terminar a travessa inteira, jurando que caso eu continuasse desbravando aquela cozinha, ele acabaria com uns quinze quilos a mais.
- Depois do almoço eu vou na casa dos meus pais ver se a minha mãe precisa de alguma coisa. Ela sempre fica agitada em festas. — Ele começou, depois de dar a última garfada — Se quiser ficar aqui...
- Pensei em ir no shopping com a Alice.
Edward se encolheu um pouco, mas logo se recuperou.
- Eu realmente não acho uma boa idéia.
- Por quê? Nós já conversamos sobre eu não ser uma irresponsável inconseqüente, lembra?
- Eu sei, mas... Não é só isso.
- O que é então?
Ele hesitou, mas parecendo não querer levantar suspeitas, continuou de forma apressada.
- Você sabe que ela pode perguntar mais coisas sobre a sua vida...
Aquilo era verdade. A família de Edward poderia vir a descobrir o nosso maior segredo de muitas formas diferentes, e era um motivo para que eu tivesse um pouco de receio de ficar a sós com eles, pelo menos por enquanto. Mas, por algum motivo, eu me sentia mais confiante quanto àquilo, e diria até que poderia lidar com o que quer que Alice usasse para me sondar. Apesar de um pouco esquisita, eu sabia que ela não era enxerida, e caso eu deixasse claro que não queria conversar sobre determinado assunto, ela não insistiria.
Mas eu conhecia Edward muito bem para saber que aquele não era o verdadeiro motivo pelo qual ele não queria me deixar a sós com a irmã.
- Edward, o que você está escondendo de mim? O que todos vocês estão?
- Escondendo? — Ele fez cara de inocente, arregalando os olhos — Não estou escondendo nada de você.
- No dia que chegamos aqui, Emmet ia me perguntar uma coisa...
- Meu pai terminou a pergunta depois, você não lembra?
Encarei-o, pausando propositalmente e dando a ele tempo para parar de atuar.
- Edward, me responda com sinceridade: Você acha que eu sou idiota? — Perguntei, não em um tom ofensivo, mas sim de maneira bastante calma.
- Não!
- Tem certeza?
- Claro que tenho, amor!
- Então por que está tentando me convencer de algo que eu sei, e que você também sabe, que é mentira?
Ele ficou mudo, tentando pensar em alguma resposta inteligente. Nada lhe veio à cabeça. Ele suspirou, triste.
- É algo tão sério assim? — Perguntei, trazendo-o de volta e deixando claro que eu ainda esperava uma resposta.
- Você vai saber...
- Por que não me diz agora?
Ele me olhou um pouco desesperado.
- Eu prometo que você vai saber. Depois da festa do meu pai.
Bufei. Não havia como arrancar aquilo dele, ele simplesmente não diria.
Reuni a louça que sobrou do almoço na pia e comecei a lavá-la, ignorando minha curiosidade mórbida e o início de um pouco de medo. O que quer que fosse, aquilo parecia ser sério, e o fato de não saber do que se tratava todo aquele mistério começou a me deixar realmente nervosa.
Ficamos em silêncio enquanto eu limpava tudo. Eu não insistiria, até porque insistir aumentava minha ansiedade. Quando finalmente acabei a tarefa e enxuguei as mãos no pano de prato mais próximo, tentando parecer indiferente, Edward de pronunciou outra vez.
- Está chateada comigo?
- Não. — Respondi de forma verdadeira — Se tudo que posso fazer é esperar, eu vou esperar. Mas não quero mais falar sobre isso.
Ele assentiu, parecendo um pouco triste.
- Vou ligar pra Alice. Posso pelo menos levar vocês até lá?
- Tudo bem. — Respondi, já deixando a cozinha e indo para o quarto me arrumar — Só vamos logo. Quanto mais rápido eu fizer as coisas, mais rápido as horas vão passar.
…
- Alice, são exatamente 14h. Acredito que às 18h vocês já vão ter feito tudo que...
- Não enche o saco! — Ela respondeu, abrindo a porta do banco de trás e saindo sem se despedir. Olhei para ele do banco do carona.
- Ela disse que voltaríamos de taxi... — Comecei, tentando deixá-lo mais tranquilo.
- Não tem necessidade. Quando acabarem, é só me ligar. Eu venho...
- Não vem não. — Alice enfiou a cabeça pela minha janela, me dando um susto — Pra que tirar você de onde estiver se temos uma fila de taxis na entrada do shopping?
- Não tem problema...
- Edward, eu também estou grávida e ando sozinha todo santo dia. Nunca me aconteceu nada, e acredito que meu filho esteja bem, saudável e confortável. Não faça da Bella uma inválida.
Ele bufou e ela tirou a cabeça da janela, nos dando privacidade outra vez, entendendo que havia vencido aquela briga.
- Você está com o cartão de crédito, né?
- Estou, e acabei de me dar conta de que nunca conversei sobre ele com você. — Respondi, já um pouco amarga.
- Bom, essa conversa vai ter que esperar. Se eu te prender mais um minuto dentro desse carro, Alice vai sacar um revólver da bolsa e me matar.
- Tudo bem. Mas não vou usá-lo. — Impliquei, já me ajeitando para sair.
- E se tiver algo que queira comprar?
- Não vou querer nada.
- Pode ser. — Ele falou, com um certo prazer na voz — Mas ninguém sai de um shopping de mãos vazias se estiver com a minha irmã.
- Eu vou sair. — Falei, decidida.
Ele riu.
- Ok. Então você pode prometer que vai usar o cartão se quiser alguma coisa. Já que não vai querer nada mesmo...
Encarei Edward por algum tempo, pensando na minha resposta.
- Porra, se você quiser ficar pra fazer compras junto com a gente, estaciona o carro e VAMOS LOGO! — Alice falou ao meu lado, do lado de fora, já demonstrando impaciência.
Desafivelei o cinto de segurança e dei um beijo carinhoso nele.
- Toma cuidado, tá? — Ele disse, retribuindo o beijo.
- Pode deixar.
Saí do carro e me juntei à Alice, sentada em um banquinho próximo.
- Use-o! — Ele gritou pela janela aberta antes de acelerar e sumir.
- É sério, como você aguenta o meu irmão?
- Ele só se preocupa em excesso. Mas continua sendo fofo.
Alice fez uma careta, claramente discordando de mim. Entramos no shopping e caminhamos como se estivéssemos em um parque. O lugar não estava muito cheio, embora também não estivesse vazio.
- O que você quer comprar? — Perguntei, só para puxar uma conversa.
- Preciso de uma roupa pra hoje à noite. Você já tem?
- Tenho sim.
- Como é?
- Não sei ainda. Mas sei que tenho, em algum lugar. — Respondi. Algo no meio daquele monte de coisas que Edward insistiu em comprar um dia devia servir para a ocasião.
- Então você não tem nada específico! Vamos comprar! — Ela falou, como se eu tivesse acabado de dizer algo maravilhoso.
- Alice, estou falando sério. Com certeza tenho alguma coisa...
- Certo. Alguma coisa pra uma grávida?
Considerei aquela pergunta por algum tempo, e foi essa hesitação que fez com que Alice me puxasse pela mão e corresse pelo corredor do shopping como uma menininha feliz.
- Vamos! Essa loja tem coisas lindas.
Ela entrou no lugar e correu de encontro a alguns cabides. Uma mocinha veio nos receber com um sorriso falso no rosto. Alice disse que assim que escolhesse o que queria, falaria com ela, e a mulher nos deixou à vontade.
- Alice... — Comecei, tentando fazê-la desistir da idéia.
- Ah, já achei alguma coisa que é a sua cara. Que sem graça.
Ela estendeu na minha frente um vestido xadrez propositalmente fofo e largo.
- É muito bonito, mas...
- Estou sendo boazinha com você. Só estou te pedindo pra experimentar uma única peça. Vamos lá. Se ficar feio, eu vou ser a primeira a te dizer. Não se pode confiar no que essas vendedoras dizem.
Suspirei. O conjunto era mesmo bonito, mas eu sabia que se caísse bem em mim, Alice insistiria para que eu o levasse. E então eu teria que usar o cartão de crédito que Edward me deu. E isso o deixaria feliz de uma forma irritante.
Caminhei para os provadores com ela me empurrando. Quando entrei, em um tipo de sala de espera, me espantei com o tamanho do lugar. Não era parecido, de forma alguma, com os provadores normais que se via em lojas de shoppings comuns. Era enorme, claro e espelhado em todas as paredes.
- Vou ficar esperando aqui. — Ela disse, enquanto sentava em um banco acolchoado e pegava uma revista — Se precisar de mim, grite.
Andei devagar para o corredor com os provadores, com medo de me perder ali. Entrei na primeira cabine e me despi, vestindo em seguida o bendito conjunto. Me olhei no espelho e constatei que sim, a roupa havia ficado bastante bem em mim. Me olhei por mais algum tempo nos vários espelhos dispostos em ângulos diferentes, me dando uma visão completa do meu corpo.
- Ainda está viva? — Ela perguntou depois de algum tempo do lado de fora, batendo sem muita força na porta.
Saí da cabine e ela me encarou como quem gostava do que via.
- Ficou lindo! Realmente, a sua cara. E a sua barriga fica até disfarçada.
Olhei no espelho de novo, vendo que ela estava falando a verdade. Eu não parecia uma gestante.
- Mas se você quiser esconder a sua gravidez, acho melhor desistir. — Ela adicionou, como se lesse meus pensamentos — Tenho certeza que meu irmão vai fazer questão de falar pra todo mundo daquela festa que você está esperando um filho dele. Mas enfim, toma. Vai combinar com o look.
Ela me estendeu uma meia-calça preta opaca, feita de um tecido grosso. Alice continuou me analisando com uma das mãos no queixo, e eu me senti uma árvore de natal sendo decorada. Quando pareceu finalmente ter uma idéia, se virou e saiu dali sem me dar nenhuma satisfação, voltando um minuto depois com uma encharpe preta na mão. Ela finalmente enrolou o pano no meu pescoço com vários nós extravagantes e sorriu.
- Pronto. Está perfeita.
Me olhei outra vez no espelho atrás de mim e fiquei satisfeita com a minha aparência. Tentei me imaginar com a meia-calça preta e um sapato baixo, e a visão definitivamente era agradável.
- Nossa... Estou mesmo bonita...
- Vamos levar.
- Quanto é? — Perguntei.
Ela me olhou como se não entendesse do que se tratava a pergunta.
- Quanto é o quê?
- O vestido.
Mais uma vez, Alice pareceu um pouco perdida, como se tivesse sido pega de surpresa. Como se simplesmente nunca houvesse passado pela sua cabeça considerar o preço do que ela estava decidida a comprar.
- Não faço idéia. Mas ficou lindo em você, temos que levar.
Encarei-a por algum tempo, pensando em como pessoas ricas eram estranhas. Talvez porque elas pudessem se dar ao luxo de serem despreocupadas com tudo, mas aquilo não deixava de ser surreal.
Fechei a porta e me troquei, saindo do provador de forma decidida.
- Temos que ver o preço. — Falei.
- Por quê?
- Porque o cartão de crédito que eu tenho é do Edward.
Ela me olhou como se eu estivesse falando coisas completamente descabidas.
- Exatamente por ser dele você pode gastar quanto quiser.
- Certo... — Falei, ignorando sua lógica — Vamos ver quanto é, ok?
Perguntamos à mocinha que havia nos atendido e ela nos informou o preço. Era, como eu imaginava, bastante alto. Quando pedi à mulher para que nos desse licença e informei à Alice que não queria tanto assim o vestido, ela deu ataque como uma criança desesperada, dizendo que não admitiria que eu não usasse aquele vestido na festa do pai dela.
Como ela parecia estar ficando realmente nervosa, achei melhor não contrariá-la por causa da sua gravidez (e também porque parecia querer me agredir). Comprei o vestido com o cartão de crédito, decidindo pagar a Edward depois, com o pouco dinheiro que ainda me restava.
Depois disso, Alice pareceu feliz outra vez, entrando em mais sete lojas e saindo de cada uma delas com duas sacolas diferentes. Comecei a me preocupar com o peso que ela carregava, me colocando à disposição para dividir as bolsas. Edward obviamente não saberia daquele detalhe.
Lanchamos e tomamos sorvete. Ela tentou me convencer, durante todo o tempo, que deveríamos visitar as lojas para gestantes, já que meu guarda-roupas precisaria ser trocado de qualquer jeito. Foi preciso muita perseverança para convencê-la a deixar aquilo para algum outro dia, nem que fosse o dia seguinte. Minhas costas já começavam a doer um pouco do longo período passeado para lá e para cá. Quando olhei no relógio, constatei que estávamos perto das 17h, e disse a Alice que talvez fosse melhor voltarmos, já que talvez Esme estivesse precisando da nossa ajuda. Ela concordou, dizendo que passaríamos em uma última loja e, então, iríamos embora.
A loja era exclusivamente de vestidos, de diversos modelos e cores. Ao que parecia, a loja também se destacava por fazer vestidos sob medida. Alice se mostrou interessada em alguns vestidos de características específicas, e quando separou dos demais um verde-água de manga comprida, um pouco folgado na área da barriga e comprido, ela me encarou com um brilho estranho nos olhos.
- Experimente.
Cruzei os braços no peito, em tom de reprovação.
- Alice! Já tenho meu vestido pra festa!
- Eu sei! Mas, por favor, só experimente.
- Eu não vou levar!
- Tudo bem! Só quero ver como fica!
- Isso não faz sentido!
- Se você experimentar, nós vamos embora imediatamente.
Encarei-a, buscando algum traço de mentira naquilo. Minhas costas realmente doíam agora.
- Promete? — Perguntei, ainda desconfiada.
- Prometo.
Peguei a peça das mãos dela e caminhei mais uma vez para os provadores, trocando as roupas e me enfiando dentro do vestido. Me olhei no espelho de má vontade, mas nem isso foi o suficiente para tirar a beleza dele.
Eu parecia um tipo de princesa medieval. As mangas finas se ajustavam perfeitamente aos meus braços e a parte folgada disfarçava completamente minha barriga um pouco crescida. Me surpreendi ao notar que minha cintura, ainda assim, continuava destacada.
Alice entrou na cabine sem pedir permissão e, ao me ver, seus olhos brilharam ainda mais.
- Bella...
- Eu sei. É lindo. Mas eu disse que não ia levar...
- Sim, sim... Mas esse vestido parece ter sido feito pra você... Você está... Linda.
Agradeci, olhando outra vez no espelho. Sim, eu estava bonita. Mas, de qualquer forma, aquela não era uma roupa que se vestiria em uma ocasião como um aniversário no jardim, mesmo que o aniversário fosse chique ao nível dos Cullen.
- Por que não compra pra você? — Perguntei, orgulhosa da minha repentina idéia.
- Tenho certeza que não cairia tão bem.
- Você pode experimentar.
- Não, eu prometi que iríamos embora. — Ela falou, parecendo pouco interessada na minha proposta — Qual é a sua altura?
- 1,66 m, por quê?
- Curiosidade. — Ela respondeu de forma simples, e se virou para me deixar trocar de roupa.
Dois minutos depois, como prometido, saímos dali: Eu de mãos vazias e Alice com o cartão de contato da loja.
…
Quando chegamos à casa dos Cullen, de taxi, encontramos Edward, Emmet e Jasper arrumando e forrando mesas e cadeiras pelo jardim na parte de trás da casa. Esme olhava da soleira da porta para os rapazes trabalhando, com um ar inconfundível de razão no rosto.
Emmet parecia um pouco irritado.
- Ele errou quando disse que daria tempo de arrumar sozinho as mesas e cadeiras. E ele odeia errar. — Alice falou, também reparando na expressão de desgosto do irmão — Mamãe quase sempre está certa. E é isso que o deixa ainda mais puto.
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- Alice, você faz isso de propósito? — Ele perguntou, retirando todas as bolsas das minhas mãos e das dela também.
- São roupas, Edward. Não pedras.
- Ainda assim, está pesado pra vocês!
- Fale por si só. Não sou fresca como você, posso carregar umas bolsas de vez em quando. — Alice replicou, mas fez cara de alívio quando teve as mãos livres.
- Comprou alguma coisa? — Ele perguntou, me dando um beijo no rosto e sorrindo de maneira irritante, momentaneamente esquecendo de brigar com Alice.
Não respondi, deixando-o de lado e indo ao encontro de Esme. Isso só fez com que ele risse alto da minha cara, enquanto caminhava atrás de mim.
- Meus netos chegaram! — Esme falou toda feliz, dando um beijo em Alice e em mim quando alcançamos a porta da casa, falando diretamente para a filha — Espero que nenhuma dessas sacolas seja pro seu pai.
Congelei.
Eu tinha ido ao shopping no dia do aniversário de Carlisle. Como demônios eu pude esquecer de comprar uma porra de um presente pra ele?
Olhei para Edward meio desesperada, desejando profundamente que ele me entendesse e que, ao mesmo tempo, não me achasse uma imbecil.
- Amor... Tudo bem?
- Eu esqueci... — Comecei baixo, rezando para que só ele ouvisse — Não acredito que esqueci...
- Não precisava ter comprado nada — Ele respondeu afagando meu ombro como consolo -, eu já comprei.
"Mas eu não!", pensei, ainda puta comigo mesma pela gafe, mas um pouco mais aliviada por saber que pelo menos ele tinha algo para dar
- Ei, Edward! — Emmet gritou de longe — Não é querendo me aproveitar da sua boa vontade em me ajudar, mas será que você podia deixar pra fofocar com as meninas depois?
Ele suspirou ao meu lado, entregando as bolsas para Esme e murmurando algo como "sempre sobra pra mim e pro Jasper...".
Alice me agradeceu pela companhia aquela tarde e pediu licença para subir e se arrumar para a festa. Quis fazer o mesmo, mas Edward ainda estava desempilhando mesas e cadeiras junto com o irmão e o cunhado, espalhando-as pelo jardim. Me sentei nos degraus da escada e fiquei observando-os trabalharem, esperando, sem pressa, pela hora em que poderíamos ir para casa também.
…
Depois de um bom banho quente tomado, o “conjunto-Alice” vestido (a enchape com um nó um pouco menos extravagante e uma sapatilha preta básica e baixa), uma maquiagem leve e clara, e uma massagem divina feita por Edward (o que melhorou consideravelmente minhas dores nas costas), saímos de casa rumo à festa. Chegamos lá por volta das 19h.
O lugar estava iluminado por vários pontos de luz espalhados pelo jardim gigante da parte de trás da casa. Alguns postes mais altos brilhavam em uma cor branca, outros, mas próximos às plantas, em um tom verde vivo. O cheiro de jasmim estava impregnado no ar, e pela primeira vez notei que, à minha volta, um mar de camélias coloridas se espalhava por entre as mesas, os garçons e os poucos convidados já presentes.
Fiquei algum tempo ali, de pé, encarando o lugar. Edward me olhou um pouco preocupado, me perguntando se eu estava me sentindo bem, instantaneamente levando sua mão até a minha barriga.
- Estou ótima. — Respondi, respirando profundamente todos os perfumes daquela noite. Segurei a mão dele e me agarrei ao seu braço, só porque queria senti-lo mais perto de mim, e caminhei com ele em direção às mesas.
Vimos Carlisle e fomos falar com ele. Edward deu um grande abraço-de-macho no pai e me deu espaço para cumprimentá-lo logo em seguida.
- Ei, hoje é meu aniversário... Que tal chutar a mão do vovô? — Ele começou, com uma mão na minha barriga, falando diretamente com ela. Quando nada aconteceu, ele continuou: — Não? Tudo bem.
- Boa tentativa, pai. — Edward falou em um tom de vitória — Mas a exclusividade ainda é minha.
Esme se juntou a nós, perguntando se eu queria comer alguma coisa. Uma banda com mais ou menos seis músicos tocava um jazz bem calmo em um canto. Carlisle levou Edward aos poucos convidados presentes, apresentando-o como o mais novo Cullen a trabalhar na matriz da empresa. Edward, por sua vez, me levou junto, me apresentando como sua namorada-e-mãe-da-sua-filha.
Avistamos Alice, Jasper e Emmet sentados em uma das mesas mais ao canto. Quando todas as pessoas ali já tinham nos sido apresentadas e novas pessoas chegavam, deixamos que Carlisle e Esme recebessem os convidados à vontade e fomos nos juntar aos irmãos de Edward.
- Por que estão em um canto? — Ele perguntou, puxando uma cadeira para que eu sentasse e se sentando ao meu lado logo em seguida.
- Porque Alice pretende comer a festa inteira, mas a festa inteira não cabe dentro dela. Então esse arbusto aqui vai acabar todo vomitado sem que ninguém precise ver isso. — Emmet falou calmamente, bebendo uma cerveja.
Ela sorriu de forma tranquila, nos olhando como quem diz “exatamente”.
Um garçom passou servindo doses de whisky, e Edward aceitou, pedindo que trouxessem um copo de suco para mim. Algumas refeições também estavam sendo servidas, e enquanto Alice aceitava todas para si, Edward aceitava todas para mim. Pedi a ele para que parasse, lembrando-o de que eu não conseguiria comer aquilo tudo.
- Jasper, tem brasileiros na sua família? — Alice perguntou de repente, e aquilo foi tão aleatório que eu tive que prestar atenção.
- Não... Por quê?
- Porque essa criança não pára de sambar na porra da minha barriga!
- Posso sentir? — Perguntei.
- Claro.
Encostei as mãos ali e senti os chutes violentos lá dentro. Me surpreendi com a intensidade dos movimentos.
- Ele deve estar é puto com essa música chata. — Emmet se meteu, gritando para cima, como se os músicos do outro lado do jardim pudessem ouvi-lo — Toca Iron Maiden!
A verdade era que aquela não era uma festa com o intuito baderneiro que Emmet queria. Ninguém ia encher a cara e vomitar no sofá, ninguém ia pular pelado no chafariz, e ninguém ia dançar loucamente na pista de dança. Aquela festa era para pessoas sérias demais, donos de negócios e empresários comportados. Até mesmo Carlisle e Esme eram mais jovens que a esmagadora maioria dos convidados ali presentes, e pessoas da minha idade eram praticamente inexistentes.
- O jeito é beber. — Edward concluiu, se servindo de mais uma dose de whisky.
Passamos quase toda a noite daquela forma. Alice comia tudo que lhe ofereciam, e eu estava vendo a hora que ela explodiria caso realmente não vomitasse no arbusto mais próximo. Emmet bebia cerveja e contava piadas, mesmo que ninguém entendesse a maioria delas. As piadas de Jasper exigiam menos da nossa inteligência, e então conseguíamos rir. Edward passava alguns minutos longe de mim, conversando com pessoas que ele “devia conhecer”. Mas quando voltava para o meu lado, alternava suas ações entre mexer no meu cabelo, espalmar a mão na minha barriga (se certificando de que não perderia mais nenhum chute), beijar minha orelha e ficar me olhando para ter certeza de que eu não estava entediada, e que a noite estava sendo agradável para mim.
Comecei a notar as várias doses de whisky que ele bebia. Àquela altura, já havia sido muitas. Eu tinha perdido a conta, e certamente, ele também.
- Ei... Não quer pegar leve? — Falei em seu ouvido, enquanto Emmet e Jasper conversavam sobre qualquer coisa e Alice falava com uma mulher em outra mesa.
- Com o quê? — Ele respondeu com a voz já arrastada, os olhos totalmente embaçados e molhados.
- Você já bebeu muito.
- Você não gosta quando eu bebo?
- Não tenho nada contra. Mas não vou conseguir te segurar caso tenha que te carregar escada acima.
- Eu peço pro Emmet me carregar...
- Acho que ele está começando a ficar tão bêbado quanto você.
Ele continuou me olhando com seus olhos desfocados. Depois de algum tempo sem se mexer, passou um dos braços por trás das minhas costas e se virou completamente para mim, ignorando o assunto que mantínhamos.
- Eu amo você. — Ele falou, muito próximo ao meu rosto. Tão próximo que consegui sentir o perfume do creme de barbear dele, ignorando completamente o cheiro de álcool em seu hálito. Ele estava bêbado, mas aquelas palavras nunca perdiam o valor quando saíam da boca dele, fosse qual fosse a ocasião.
- Eu também te amo. — Falei, ainda mais perto do seu rosto.
- Vai ficar comigo pra sempre?
Fiz que sim com a cabeça, dando um selinho no canto da sua boca.
- Promete? — Ele insistiu, fechando os olhos e encostando sua testa na minha, e por um momento tive a impressão de que ele estava um pouco emocionado.
Tive vontade de agarrá-lo. Ter Edward alcoolizado, carente, emocionado e se declarando na minha frente era mais do que eu podia lidar.
- Prometo. — Dei um outro selinho nele, desejando intimamente que não estivéssemos cercados de pessoas.
Ele prendeu seus lábios nos meus com um pouco de força e aprofundou o beijo, se esquecendo de onde estávamos. Eu ainda lembrava, mas resolvi aproveitar aquele momento, torcendo para que ninguém estivesse prestando atenção em nós.
- Parem com isso! Estou ficando constrangido com essa putaria!
- Emmet, é sério... Vai à merda... — Edward falou na sua voz arrastada de bêbado, esfregando o rosto no meu pescoço como se fosse um gato, e pela primeira vez também o mandei ir à merda mentalmente.
- Ei, Edward.
Olhei para cima e vi um rapaz que aparentava ter aproximadamente a mesma idade que as pessoas da nossa mesa. Eu nunca havia o visto, mas ele parecia me encarar com curiosidade, embora não tivesse me dirigido a palavra. Edward demorou um pouco para descobrir de onde a voz vinha, e quando se deu conta de quem estava de pé ao lado dele, se levantou e apertou a mão do rapaz, falando em um tom um pouco formal:
- Oi, Jonathan.
- Como estão as coisas? — O outro falou, parando de me encarar.
- Ótimas. — Ele respondeu, me oferecendo a mão para que eu levantasse. Quando levantei, ele continuou — Bella, esse é Jonathan, um amigo. Jonathan, Isabella. Minha namorada...
- É um prazer conhecê-la. — Ele respondeu, apertando de leve minha mão.
- Igualmente. — Respondi, de forma agradável.
- ...e mãe da minha filha que nasce daqui a aproximadamente 4 meses. — Edward adicionou, como se estivesse esperando que as apresentações terminassem para soltar aquilo.
O rapaz arregalou os olhos e sorriu.
- Sério? — Ele falou, olhando para a minha barriga — Meus parabéns...
- Obrigada... — Falei, sorrindo. Mas o sorriso dele vacilou.
- Cara, posso dar uma palavrinha com você?
- Ok. — Edward respondeu, me abraçando e me dando um beijo fofo — Já volto, amor.
Os dois saíram da mesa, caminhando para longe, Jonathan sóbrio e Edward ziguezagueando levemente. Eu não sabia quem era aquele homem, mas tive a impressão que o que quer que fosse a "palavrinha" que ele queria dar com o meu namorado, não era boa.
- Jasper, vou ao banheiro. — Anunciei para a pessoa menos bêbada naquela mesa e me retirei, indo atrás dos dois. Como o lugar estava agora bastante cheio, imaginei que não seria fácil encontrá-los, mas o ponto positivo era que ninguém estava prestando atenção em mim. Minha caça poderia ser feita sem levantar suspeitas.
Dei a volta na casa procurando por vozes conhecidas, e milagrosamente encontrei. A voz arrastada saiu de trás de uma pilastra, em um lugar silencioso, afastado da festa. Só havia os dois lá.
O que ouvi não foi muito, mas foi o suficiente para me atingir.
- ...só estou aqui pra dar o recado: Ela está sozinha de novo... Acho que não deu certo com o outro cara. De qualquer forma, ela veio passar algumas semanas em Londres, e depois volta pro Texas. Eu disse que vinha pra festa do Carlisle e ela imaginou que você estaria aqui. Ela me pediu pra te dizer que está muito arrependida, e que vocês podiam voltar juntos pros Estados Unidos. Disse que estava com saudades e não sei mais o quê.
Edward não respondeu nada por um longo tempo. O outro continuou.
- Ainda acho que ela não merece o seu perdão, mas Lauren continua sendo minha prima. E eu disse que falaria com você, mas vi que você está bem agora. De qualquer forma, o recado está dado.
Meu peito começou a doer. E aquilo, decididamente, não era bom para a gravidez. Fiz força para manter minha respiração silenciosa, embora o que eu realmente quisesse fosse gritar.
- Ok, Jon. — Edward respondeu, suspirando, e eu desejei profundamente poder ver sua verdadeira reação naquele momento — Faça o favor de dar o meu recado à sua prima: Peça pra ela esquecer que eu existo...
Um casal se aproximou e eu me assustei. Não queria que ninguém me visse ali, atrás de uma parede, ouvindo conversas alheias. Corri para o outro lado, tentando não fazer barulho, e virei a esquerda, deixando-os sozinhos novamente.
Os sons da festa me atingiram de novo. Todos pareciam animados com as músicas que tocavam, e os garçons continuavam correndo para lá e para cá com bebidas e refeições.
Mas o que eu realmente ouvia era um enorme zumbido, cru e desagradável, cobrindo e impedindo que toda aquela alegria me atingisse.
Caminhei mecanicamente para a mesa e me sentei. Agarrei o primeiro copo d'água que achei em uma bandeja e agradeci ao garçom só por educação, bebendo grandes goles de uma vez.
Puta que pariu.
Lauren.
Aquela infeliz, filha da puta, tinha que voltar e me atormentar. Tinha que estragar a minha felicidade. Tinha que querer Edward de volta.
Ela queria Edward de volta. Eu estava oficialmente passando mal.
- Ei, Bella! O que foi? — Jasper veio sentar do meu lado, realmente sério.
- Nada. — Falei, me abanando com um guardanapo.
- Sua boca está completamente sem cor! O que foi?
- Nada!
- Emmet, chega aqui! — Ele gritou para o cunhado, que apareceu magicamente ao meu outro lado.
- O que você tem? — Ele perguntou, pegando de um dos garçons algo que parecia uma porção de penne aos quatro queijos e me oferecendo.
- Por favor, parem com isso... — Consegui falar, sentindo minha cabeça ferver e minhas mãos suarem — Você estão chamando atenção...
- Ok, então come isso. Sua pressão não está boa.
Com o único intuito de afastá-los, peguei o garfo tentando não tremer e enfiei um bolo de penne dentro da boca. Poderia ser isopor, e eu não saberia dizer a diferença. Eles encostaram nas cadeiras, fingindo naturalidade mas ainda olhando discretamente para mim. Para minha surpresa, o mal estar que eu sentia foi melhorando aos poucos, e talvez fosse mesmo de um pouco de sal que eu estivesse precisando.
Respirei fundo algumas vezes, pensando em tudo que pudesse ajudar a me acalmar. Primeiro, Edward tinha dito para Lauren esquecê-lo. Eu tinha ouvido perfeitamente aquelas palavras, mesmo que tivesse que sair correndo depois. Segundo, há alguns minutos atrás ele estava se declarando para mim e me pedindo para ficar com ele para sempre. Terceiro, ele não me deixaria para ficar com outra: Eu carregava a filha dele, e pelo que me lembrava, ele era completamente apaixonado por ela.
Fui me acalmando aos poucos, até conseguir diminuir consideravelmente meus tremores. Escondi as mãos embaixo da mesa, fechando os olhos e tentando não lembrar do diálogo que havia acabado de presenciar. Emmet e Jasper continuavam do meu lado, agora mais calmos por se darem conta de que aquilo havia sido "apenas" uma queda de pressão.
Agradeci por Alice não estar ali. Do jeito que ela era, era capaz de notar que havia algo de muito errado comigo.
Eu estava suando, embora o tempo estivesse até bastante fresco. Olhei em volta, me perguntando onde Edward estava que ainda não tinha voltado. Talvez tivesse ficado mais tempo conversando com aquele homem... E talvez tivesse mudado de idéia, ou marcado um encontro com Lauren, nem que fosse para conversarem.
Engoli o choro que veio na garganta e esperei.
Fui pega de surpresa quando ele chegou repentinamente, fazendo com que Jasper se levantasse e sentando de qualquer jeito onde ele estava, ao meu lado. Ele pegou a dose de whisky que havia deixado sobre a mesa antes de sair para conversar e tomou-a de um só gole, já pegando outra dose de um dos garçons. Encarei-o, querendo interrogá-lo, mas não podia.
- O que ele queria? — Perguntei baixo, fingindo naturalidade, mas minha voz saiu ridiculamente trêmula. Felizmente, Edward estava bêbado demais para notar isso.
- Encher o meu saco. — Ele disse, passando outra vez o braço esquerdo por trás das minhas costas e afagando meu ombro.
- Como assim? — Insisti, tentando lidar com as batidas do meu coração, tão pesadas que pareciam socos.
- Nada importante, amor. — Ele disse, me dando um beijo leve no canto dos lábios.
- Edward... Me diz, por favor.
Ele me encarou e eu sorri falsamente, engolindo em seco e lutando contra as lágrimas. Agarrei inconscientemente o pano da sua calça, com tanta força que meus dedos doeram.
- Você está bem? — Ele perguntou, secando o suor do meu pescoço com uma das mãos.
- Estou... Não vai me falar?
- Te falo depois. Tudo bem?
Encarei-o por algum tempo, imaginando se ele realmente me contaria tudo que foi dito naquela conversa.
- Promete?
- Prometo.
- Cara... — Emmet nos interrompeu, sério — Eu não sou exagerado como você, mas a Bella passou um pouco mal há alguns minutos atrás...
Edward me encarou como se eu estivesse em chamas. Desejei que Emmet não estivesse bêbado a ponto de soltar aquela informação desnecessária.
- O que você tem? — Ele perguntou desesperado, largando o copo de whisky em cima da mesa e colocando as mãos na minha barriga.
- Minha pressão caiu, foi só isso...
Ele levou as mãos à cabeça, apertando com os dedos os fios do próprio cabelo. Aquele era Edward bêbado e desesperado, e eu poderia até achar graça caso não estivesse ainda abalada pelo que havia acontecido.
- Vem, amor... Vamos pra casa... — Ele se levantou, cambaleando.
- Ela já está bem, Edward! Deixa de ser idiota! — Emmet começou, mas Edward respondeu em uma voz tão alta e de uma forma tão ríspida que me assustei.
- Me deixa com a porra da minha preocupação! Parem de encher a merda do meu saco, todos vocês! — E virando-se para mim, suavizou a expressão de raiva — Vem... Eu te ajudo.
Emmet fez menção em responder, mas o calei com um gesto.
- Está tudo bem. Eu prefiro ir. — Falei, já me levantando. Era verdade: Eu não estava com vontade nenhuma de ficar. Não mais. Queria ir pra casa, nem que isso significasse conversar com Edward e acabar chorando pelo resto da noite.
Fomos até Carlisle, que conversava animadamente com alguns amigos, e nos despedimos, dando a entender que eu não estava passando muito bem. Pedi desculpas por não ficarmos até o final e desejei outra vez felicidades a ele. Alice veio até nós, notando o estado em que Edward se encontrava e oferecendo Jasper para caminhar conosco pelos dois quarteirões. Edward disse que não precisava, já que pegaríamos um taxi.
Quando chegamos ao nosso jardim, desejei que ele não tivesse recusado a companhia do cunhado. Ele não estava me usando como apoio, e por isso mesmo tropeçava a cada três passos em alguma coisa. As luzes estavam apagadas porque havíamos esquecido de deixá-las acesas ao sairmos, e caminhar por ali àquela hora era realmente difícil até para uma pessoa sóbria. Para um bêbado, devia ser impossível.
- Vou acender as luzes... Não se mexa... Não caia...
Ele soltou minha mão e sumiu no escuro. Rezei para que ele não desse com os dentes em alguma pedra e acabasse tendo que ir parar em um hospital. Antes de tudo ficar em silêncio outra vez, ouvi alguns palavrões proferidos com ódio. Era possível que ele tivesse chutado alguns tocos de madeira ou escorregado.
As luzes se acenderam e outra vez me encontrei no meio do jardim encantado. Edward voltou para a frente da casa, se apoiando pelas paredes e, ao mesmo tempo, tentando parecer equilibrado.
Entramos na casa e eu fiz menção de subir as escadas, mas Edward segurou minha mão.
- Podemos conversar um minuto na sala de estar?
Meu coração acelerou. Minha cabeça pegou fogo outra vez, e um enjôo súbito me tomou. Mas não deixei transparecer nada daquilo. Eu queria parecer forte, pelo menos até o momento em que ele falasse algo sobre a história de Lauren que me fizesse cair no choro em desespero.
Não respondi, caminhando para a sala de estar ciente de que aquela conversa seria desagradável de alguma maneira. Quando chegamos, ele me fez sentar no enorme sofá, mas se manteve de pé.
- Você está bem? — Ele começou.
- Estou. — Menti. Eu não estava bem, e a cada segundo que Edward adiava aquela conversa eu me sentia mais ansiosa e enjoada.
- Suas mãos estão geladas.
- Não se preocupe. — Falei, querendo chegar ao assunto logo.
Ele me ignorou, soltando minhas mãos e saindo da sala. Permaneci ali sentada por algum tempo, esperando-o voltar e remoendo minha ansiedade. Tudo que eu queria era que ele me dissesse a verdade. Se Edward mentisse sobre o assunto que teve com o tal Jonathan, eu teria que confessar o que ouvi e pedir uma explicação a ele. E eu queria que ele me contasse o que exatamente ele respondeu depois que eu fui embora. E eu queria que ele me dissesse que estava pouco se fudendo para quem quer que fosse, e que ainda me amava, e que nada poderia abalar o que sentia por mim. Nem mesmo a volta de uma antiga paixão à vida dele.
Um barulho alto me trouxe de volta, me assustando e me fazendo levantar imediatamente. Antes que eu pudesse correr para o corredor, ouvi-o gritar de algum lugar:
- Estou bem! Por favor, fique aí!
O que diabos tinha acontecido? O que diabos ele estava fazendo?
- Se você não voltar em trinta segundos, eu vou aí te buscar! — Gritei, tentando não ficar ainda mais nervosa.
Segundos depois, ele entrou outra vez na sala, ainda se apoiando na porta. Trazia um copo com suco em uma nas mãos, e na outra um guardanapo de papel quase totalmente manchado de vermelho. Olhei para seu rosto e vi sangue espalhado.
- QUE PORRA...
- Calma! Eu só caí na cozinha... Bati com o nariz, mas estou bem... — Ele começou, se ajoelhando no chão à minha frente e me oferecendo o copo — Só queria pegar alguma coisa pra você beber, mas aquela merda escorrega...
Subitamente, comecei a chorar. Meus nervos estavam à flor da pele naquele momento, tanto pela ansiedade do assunto que viria como pelo medo de Edward ter quebrado algum osso do corpo e não ter notado por estar tão bêbado. Minha gravidez se encarregou de juntar tudo e me fazer explodir em lágrimas e soluços.
- Desculpa! Desculpa te deixar tão nervosa! — Ele falou, agora realmente desesperado.
Limpei o rosto rapidamente, tomando da mão dele o copo e depositando-o na mesinha ao lado do sofá.
- Fala logo. Pelo amor de Deus.
Ele hesitou, ainda todo ensangüentado, engasgando sozinho em seu próprio desespero.
- Não era pra ser assim! — Ele começou, quase chorando — Isso tinha que ser perfeito! Mas está dando tudo errado! Emmet está certo, eu sou um covarde... Eu preciso aprender a fazer isso sóbrio... Me desculpa por estragar essa noite, mas eu te disse que você saberia depois da festa...
Encarei-o um pouco confusa. Aquele não era o assunto que eu estava esperando. Na verdade, eu não fazia a menor idéia do que ele estava falando, mas mesmo assim, prestei muita atenção no que ele tinha para dizer. O que quer que fosse, para deixá-lo naquele estado, só poderia ser algo realmente importante.
E então, ele tirou do bolso da camisa uma caixa preta pequena e quadrada. O objeto quase escorregou de suas mãos, e foi só então que notei o quanto ele tremia. Edward agarrou com firmeza a caixinha e a abriu, revelando um anel dourado razoavelmente grosso e muito brilhante.
- Você é a pessoa mais importante da minha vida. E eu sei que poderia continuar com essa verdade da forma como estamos, mas eu quero oficializar isso. Quero poder te apresentar às pessoas como minha mulher. Quero formar uma família com você nos padrões da sociedade, e mesmo que isso não seja essencial, mesmo que você não ache importante e talvez não queira, eu sonho com o dia em que vou poder ouvir alguém te chamar de “Sra. Cullen”. É bobo, eu sei, mas eu sou assim.
“Mais uma vez, desculpa não ter coragem de fazer isso direito. Desculpa não conseguir pedir a sua mão estando sóbrio. E desculpa estragar tudo. Mas se a sua resposta não for a que eu quero ouvir, ao menos vai ser mais fácil aguentar se eu estiver dessa forma.”
“Se você negar, eu não me importo. Vou continuar te amando, vou continuar do seu lado e vou continuar me comprometendo a fazer você feliz pelo resto da vida.”
“Mas se você quiser me fazer o homem mais feliz do mundo, por favor, diga que sim: Aceita se casar comigo... Daqui a uma semana?”
Notas finais
Espero que vocês gostem desse capítulo. Ele deu um certo trabalho pra escrever.
Ah, deixa eu colocar aqui uma coisa que muita gente já falou, e eu sempre esqueci de comentar: Gente, o bebê não vai nascer com os olhos azuis iguais aos do pai nem com os olhos verdes iguais aos da mãe, porque, nessa fic, a Bella tem olhos marrom-chocolate e o Edward tem olhos dourado-âmbar. XD
Lembrem-se disso.
Obrigada pelas reviews e pelas indicações! E muito, muito obrigada pela força que algumas de vocês me dão no twitter (@Mel_RK). Love you all.
Beijos, Mel.
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