TERCEIRO MÊS

Bella's POV

Acordei com o canto de um pássaro em algum lugar. Não me lembrava de ter um sono assim tão leve, por isso a sensação de simplesmente ser arrancada dos meus sonhos tão facilmente era estranha. Mas não me importei.

Me espreguicei, ainda de olhos fechados, me virando completamente na cama e, no processo, dando de cara com Edward.

Ele vestia um conjunto básico cinza — calça de moletom e camisa simples. Me lembrei que, na noite anterior, não cheguei a vê-lo tirar o paletó antes de nós dois cairmos no sono. Por isso, tudo indicava que ele já estava acordado havia algum tempo, embora seus cabelos ainda estivessem um pouco úmidos do banho que não o vi tomar.

Ele me encarava de forma séria. Seus olhos estavam tão claros e translúcidos aquela manhã que pareciam ser feitos de vidro.

- Adivinha? — Ele falou, ainda me encarando, a poucos centímetros de mim, com uma expressão de ansiedade e surpresa.

Ainda confusa pelo sono, não notei que ele parecia um pouco divertido. Por isso, aquela pergunta, me pegando desprevenida, fez com que eu me assustasse.

- Que foi? — Perguntei, já preocupada, tentando deixar minha voz clara, embora ainda muito rouca.

- Eu vou ser pai.

Encarei-o por um bom tempo, tentando colocar os pensamentos em ordem e finalmente entendendo o que ele estava dizendo. Enfiei o rosto no travesseiro e murmurei contra ele.

- Não me assusta assim!

Ouvi-o sorrir ao meu lado, enquanto beijava meu pescoço de um jeito fofo.

- Mas é verdade, não te contaram? — Ele começou, respirando contra meus cabelos, enquanto um braço envolvia a minha cintura — Eu vou ser pai mesmo!

- Me contaram. — Provoquei, ainda contra o travesseiro — Antes mesmo de contarem pra você.

Senti seu abraço afrouxar um pouco à minha volta.

- É... Eu devia estar lá nessa hora.

Encarei-o outra vez, talvez querendo me desculpar por alguma coisa.

- Eu não sabia o que era... Pensei que fosse outra coisa... Desculpa.

- Tudo bem... — Ele falou, penteando para trás com os dedos os fios do meu cabelo, mas ainda assim consegui ver um pequeno traço de uma tristeza verdadeira por não ter recebido a notícia junto comigo.

- Você pode acompanhar de perto a gravidez a partir de agora. Já é alguma coisa, né?

Ele sorriu de uma forma um pouco maléfica, e por um momento tive medo do que se passava na cabeça dele.

- Ah, não se preocupe. Eu vou estar muito presente.

No exato momento que minha resposta seria dada, o celular de Edward tocou no criado mudo ao seu lado. Ambos olhamos para o telefone, mas nenhum dos dois se mexeu.

- Não vai atender? — Perguntei, quando me dei conta de que Edward parecia um pouco longe daquela dimensão.

- Você acha que é necessário? — Ele me perguntou, com uma cara triste.

- Pode ser alguém importante. Alguém querendo falar com você.

Ele soltou um muxoxo de descontentamento e se afastou de mim com relutância, rolando na cama para alcançar o aparelho que ainda tocava a mesma música irritante.

- Ah, claro... — Ouvi-o dizer logo depois de identificar a quem pertencia a chamada. Quando ele voltou a deitar ao meu lado, destravou o aparelho e atendeu a ligação, sem, entretanto, posicioná-lo próximo ao ouvido.

Encarei a situação um pouco curiosa.

- Você está no alto-falante, mãe.

Era Esme. Talvez seu instinto materno a tivesse avisado que aquela era uma boa hora para ligar e se inteirar da vida do filho.

- Edward... — Ouvi-a dizer, e sua voz parecia estranhamente controlada. Como se ela estivesse se forçando a não gritar — Alice me ligou...

- Eu estranharia se aquela fofoqueirazinha não tivesse ligado. — Ele rebateu de bom humor, encarando debilmente o celular, assim como eu.

Lembrei que, na noite anterior, Alice havia ligado para Edward. Mas eu não sabia o teor da conversa que eles tiveram, porque além de ter sido rápida, muito poucas palavras haviam sido trocadas.

Então, Alice havia ligado para Esme. Mas o que ela tinha contado? E ainda, do que exatamente ela sabia?

- É verdade? — A voz chorosa de Esme soou outra vez, e subitamente respondi à minha própria pergunta mentalmente: Tudo. Alice sabia de tudo.

Edward me encarou, como se me pedisse para prosseguir. Ponderei por um momento se deveria ser eu a dar a notícia a ela, mas como ele parecia animado com a idéia, fiz sua vontade.

- Oi Esme... — Comecei, apenas para informá-la de que eu também estava ali — Bem... Sim... É verdade.

Houve alguns segundos de silêncio, até que um grito agudo chegou aos nossos ouvidos através da ligação, fazendo com que Edward distanciasse o aparelho e apertasse um botão — provavelmente cancelando o alto-falante -, calando imediatamente o gritinho da mãe do outro lado da linha.

Ele colocou o celular próximo ao seu ouvido, agora mantendo a conversa apenas entre os dois. Edward sorria de uma forma tão feliz que, por mais que eu não soubesse o que Esme estava falando, senti vontade de sorrir também. Ainda assim, pude captar fragmentos do diálogo apenas analisando as respostas que ele dava. Coisas como “há quanto tempo”, “quando vocês souberam” e “como Bella está” com certeza foram perguntadas.

Momentos depois, Carlisle entrou na conversa também. Edward parecia radiante em contar detalhadamente para os dois a novidade, e a cada resposta seu sorriso se alargava ainda mais, o que automaticamente fazia com que meu coração perdesse algumas batidas e minha respiração saísse em suspiros apaixonados. Vez ou outra ele olhava para mim, com um olhar de preocupação um pouco exagerado e esquisito. Nessas horas, tudo que eu fazia era sorrir para ele, apenas com a intenção de dizê-lo, sem interromper sua ligação, que estava tudo bem.

Foi quando, depois de muito tempo, fiz menção de me levantar, que ele pareceu mais apreensivo.

- Pai, tenho que desligar agora. Bella quer ir ao banheiro. Até mais, um beijo.

E assim, sem mais nem menos, desligou, vindo ao meu encontro e se pondo de pé à minha frente. Encarei-o um pouco surpresa, imaginando Carlisle naquele exato momento ainda olhando para o telefone com um ar de “que porra foi essa?”

- O que foi aquilo? — Perguntei, ainda sentada.

- O quê?

- Você acabou de desligar na cara do seu pai.

- Não fiz isso. Me despedi. Só tive que fazer rápido antes que você se levantasse sozinha.

Continuei encarando-o como quem encara uma aberração.

- E se eu me levantasse sozinha...? — Perguntei, de forma pausada.

- Você está grávida! — Ele respondeu de forma simples, como se aquele argumento finalizasse a discussão, sem chances para mais debates.

Fiquei em silêncio, ainda o encarando.

- Edward?

- Sim?

- Não seja esquisito.

- Quê? Não estou sendo esquisito! Tenho que tomar conta de você.

Ainda fitando-o, achei melhor não dar corda àquela discussão. Cedo ou tarde ele veria que estava exagerando, então aceitei sua ajuda — mesmo desnecessária — e me levantei da cama, caminhando até o banheiro para fazer minha higiene matinal.

Foi preciso convencê-lo de que não havia necessidade de todo aquele cuidado quando Edward se mostrou relutante em sair do banheiro. Tentei explicar, da maneira mais educada possível, que eu queria fazer xixi e tomar banho sem que ele ficasse como um maníaco psicopata no canto me assistindo.

- Então deixe a porta encostada.

Consenti, já rindo daquele absurdo, porque era muito engraçado vê-lo me tratando como uma pequena bomba-relógio. Ainda assim, não houve como não me sentir extremamente feliz por constatar que meus medos idiotas da noite anterior, que se resumiam nele averso à idéia de ser pai, foram simplesmente por água abaixo. Ele havia não só aceito, como ficado feliz. Muito feliz. Seus olhos não conseguiam esconder isso, o que só aumentava — e muito — a minha própria felicidade.

Quando saí, me deparei com uma mesa cheia das mais diversas comidas, o que, segundo Edward, era para “suprir qualquer vontade que eu pudesse vir a ter”. Tentei dizê-lo que aquilo era demais, provavelmente podendo ser servido para três pessoas, mas ele não pareceu me ouvir.

- Faltam algumas frutas, mas talvez hoje mesmo eu vá comprar... — Ele começou, um pouco distraído enquanto tentava equilibrar tudo aquilo em cima da bancada da cozinha.

- Edward?

- Oi, amor? — Ele disse, se virando para mim como se o que eu estivesse prestes a dizer fosse a coisa mais importante do mundo.

- Não precisa comprar mais nada. Eu não vou conseguir comer nem um décimo disso tudo.

- Como não? Você está grávida!

Então, aquele era o seu mais novo argumento para qualquer assunto que estivesse em pauta.

- Edward — repeti, com toda a paciência e o amor que eu sentia por ele -, o bebê está no meu útero. Não no meu estômago.

- Mas grávidas sentem mais fome...

- Não acho que eu já esteja nessa fase. Eventualmente vou vir a me sentir dessa forma, mas por enquanto...

- Bom — ele me interrompeu -, então tenho que me preocupar pelo menos com a variedade. Digamos, por exemplo, que você resolva sentir desejo de comer... Sorvete de macadâmia.

Encarei-o sem saber direito como agir, mas fazendo uma força sobre-humana para não gargalhar.

- Edward — repeti seu nome mais uma vez, tentando fazer com que ele entendesse que sua atitude estava atingindo um grau de exagero quase preocupante — eu nunca comi uma macadâmia na minha vida. Não sei nem o gosto disso.

- Bom, nós temos que tratar todas as possibilidades, não é? — Ele disse calmamente, me fazendo sentar na cadeira que segurava e se sentando ao meu lado, mais próximo a mim do que o normal.

- Você sabe que tratar todas as possibilidades é impossível, não é? — Perguntei, começando a realmente me preocupar com o que ele dizia.

- Eu sei, amor. Mas sei que tem coisas que eu posso fazer, e vou fazer tudo que estiver ao meu alcance. — Ele disse distraidamente, puxando gentilmente para cima meu casaco e espalmando a mão ali — Você está se sentindo bem hoje?

- Sim.

- Nenhum enjôo?

- Não por enquanto.

- Certo. — Ele pontuou, ainda encarando sua mão na minha barriga. Ficou em silêncio por algum tempo, e depois voltou a falar — Precisamos ir a um obstetra.

- Victoria recomendou o que acompanhou as duas gestações dela.

- Ótimo. Vou ligar pra ela pedindo o contato.

Esperei que ele retirasse a mão dali e fosse se servir de seu próprio café-da-manhã, mas Edward parecia estranhamente congelado naquela posição, seus dedos ainda grudados na pele da minha barriga.

- Não vai comer nada? — Perguntei, tentando trazê-lo de volta.

- Já comi. Enquanto você estava dormindo. — Ele respondeu, me encarando rapidamente e, depois, voltando a olhar para o meu umbigo.

- Certo... — Falei mais para mim mesma, temendo que Edward estivesse começando a desenvolver um certo autismo.

Me servi como pude de suco de maçã e torradas com requeijão. Ele permanecia imóvel, apenas observando o que eu comia e em que quantidade. Me perguntei se ele estava ciente de sua mão fazendo carinho na minha barriga, e se acreditava que o bebê ali dentro podia senti-lo.

- Você já tem algum nome em mente? — Ele perguntou de repente, quebrando o silêncio e me assustando um pouco. Encarei-o e notei que ele estava sorrindo.

- Não... Você tem?

Ele alargou mais o sorriso, voltando a olhar distraidamente para sua mão enquanto fazia círculos na minha pele.

- Ah... Eu gosto de alguns...

Ele parecia uma criança. Uma criança boba e feliz por causa de outra criança.

- E posso saber de algum? — Falei sem conter o sorriso que se formou em meus lábios, encorajando-o a continuar.

- Bom... Se for menino... Eu gosto de Oswald.

Oswald?

Edward queria dar ao nosso filho um nome que só pessoas acima de setenta anos tinham?

- Oswald? — Perguntei, de maneira retórica.

- É.

- Esse era o nome do seu avô? — Ironizei, desejando que ele não ficasse irritado comigo.

- Como você sabe disso?

Outra vez, fiz força para não rir.

- Edward, não acha esse nome um pouco... velho?

- Velho? Não... — Ele respondeu, com a expressão confusa e linda, e tive vontade de agarrá-lo — Acho um nome forte.

- Certo... Vamos torcer para que não seja um menino então. — Falei, não conseguindo conter o riso dessa vez.

- Ei! — Ele fez cara de ofendido — Você tem um nome melhor?

- Não. Mas talvez algo mais atual...

- Tipo?

- Tipo Tyler... Daniel... Ethan...

- Todos feios. — Ele pontuou com uma carranca. Outra vez, tive vontade de agarrá-lo, mas tudo que fiz foi rir.

- E se for menina? — Perguntei, tentando trazer de volta seu bom humor.

- Não sei... — Ele respondeu.

- Eu também não.

Instantaneamente lembrei da menina do meu sonho, e de sua resposta quando disse que ainda não tinha um nome. Isso só fez com que minha intuição ficasse ainda mais forte quanto ao sexo do bebê ser feminino, me assustando um pouco também.

- Hm... Vamos pensar nisso juntos então.

Quando o informei de que já estava satisfeita e me levantei para ir lavar a louça — algo que eu até gostava de fazer — Edward me expulsou da cozinha, e eu tive a certeza de que ele só não o fez a base de pontapés porque seu filho estava na minha barriga.

- O que você quer fazer agora? — Ele perguntou, me levando para a sala.

- Eu queria lavar a louça. — Respondi a contragosto.

- Certo. Isso é por minha conta. Mais alguma idéia?

Minha resposta teria que esperar, porque naquele momento o telefone de Edward tocou mais uma vez.

Como antes, ele atendeu ao aparelho colocando-o no alto-falante, enquanto se sentava comigo no sofá.

- Bom dia, Emmet.

- PORRA, CARA! GRÁVIDOS? VOCÊS ESTÃO GRÁVIDOS?

- Estamos, cara! — Edward respondeu simplesmente, com um sorriso lindo no rosto. Eu sabia o motivo: Aquela novidade tinha sido boa para ele, mas toda vez que mais alguém sabia e reagia daquela maneira, ele se sentia animado quase como se estivesse recebendo a notícia pela primeira vez. Eu sabia disso porque era assim comigo também.

- Eu sabia que era só você começar a comer a sua namorada direito, seu inútil.

Edward corou, e isso foi tão surpreendente que tudo que consegui fazer foi rir.

- Você está no alto-falante, seu infeliz!

- Ih, foi mal! Bellinha, se você estiver aí, foi só forma de dizer!

Eu ia responder, mas Edward rapidamente apertou um botão e trouxe o telefone para sua orelha, tornando a conversa privada outra vez.

- Seu idiota... — Ele começou, mas eu tinha certeza que Emmet não daria papo. Por isso, menos de um minuto depois a gafe havia sido esquecida e Edward estava, outra vez, como uma criança quicando no sofá, enquanto contava todos os detalhes ao irmão.

Conforme ele ia repetindo todas as informações, meu cérebro aproveitava para processá-las. Não porque eu ainda não tivesse aceitado, mas sim porque às vezes a ficha teimava em não cair. E então, lá estava eu, de volta ao estado “meu Deus, estou grávida mesmo...”

- Desculpa... — Ele começou com o celular já desligado, tocando de forma delicada meu queixo e me fazendo voltar à realidade — Emmet é muito grosseiro, mas ele não quis te desrespeitar...

- Eu sei. Não estou chateada. — Falei de forma sincera, retirando sua mão do meu rosto e entrelaçando meus dedos nos dele — Não tem problema.

De repente, reparei que Edward estava perto demais. E a proximidade dele ainda provocava em mim tremores involuntários. Talvez nunca deixasse de provocar. Subitamente, senti uma vontade incontrolável de beijá-lo, mas mais rápido que a minha vontade foi o toque no celular dele. Outra vez.

- Puta que pariu! — Ele xingou, olhando no visor e identificando de quem era a chamada — Oi, Victoria.

Dessa vez eu não ouvi a conversa. Simplesmente deixei que eles conversassem, me encostando no corpo de Edward e deitando a cabeça no seu ombro. Fiquei ali por um bom tempo, me permitindo apenas sentir o perfume das roupas dele e seu corpo se mexendo delicadamente com cada palavra que ele pronunciava.

- Ah, sim, obrigado! Vou ver... Mas ele está lá hoje? — Ele ficou em silêncio por algum momento, esperando a resposta — Ok, vou tentar. Obrigado, Victoria.

Observei-o desligar e acessar seus e-mails do próprio celular.

- Que foi? — Perguntei, querendo me inteirar do assunto.

- Você está bem disposta hoje? — Ele se aproximou da minha orelha e falou contra meus cabelos, enquanto conectava o aparelho à internet.

- Uhum... — Respondi, me esfregando nele como um gato.

- Então nós vamos ao obstetra.

Ah, sim. O médico.

- Vou tentar ligar pra ele e pedir pra te encaixar em algum horário disponível. Victoria me mandou o telefone e o endereço por e-mail.

Assenti com a cabeça, me agarrando nele e ficando por ali.

- Você vem comigo? — Perguntei.

Edward se virou para mim e me olhou como se eu tivesse acabado de perguntar algo tão óbvio que sequer merecia ser respondido.

- É claro que eu vou com você.

Outra vez vi um certo ar maníaco em seus olhos, mas relaxei ao constatar que sua surpresa provavelmente se dava só porque ele havia achado a pergunta estúpida mesmo.

Esperei que ele fizesse a ligação, e se por um lado torcia para que o obstetra não atendesse pacientes as sábados — só porque minha preguiça era monstruosa -, por outro queria já estar em seu consultório recebendo todas as informações que uma mãe de primeira viagem como eu deveria saber.

Depois de alguns minutos usando sua voz mais melodiosa e carente, Edward conseguiu fazer com que a secretária do outro lado da linha nos pusesse no lugar da última paciente do dia que havia cancelado sua consulta. O obstetra só trabalhava de manhã aos sábados.

- Mas eu não fiz nada! — Ele falou, quando o repreendi.

- Fez sim. Usou sua voz sexy pra convencer a secretária. Ela provavelmente vai ter sonhos eróticos com você essa noite.

- Mas ela nem me viu. — Ele sorriu, inspirando profundamente nos meus cabelos (uma mania que ele começava a ganhar e eu começava a adorar) — Além do mais, todas as minhas vozes são sexys. Não posso fazer nada.

- Bom... Você usou o seu tom mais sexy... — Ronronei nele outra vez, falando só por falar, e comecei a me perguntar o que diabos estava acontecendo comigo. Desde quando eu havia me tornado tão carente e grudenta daquela forma?

Mas estava tudo bem, porque ele parecia não se importar. Edward abraçou minha cintura de forma suave, me trazendo até o meio de suas pernas, e uma das mãos voltou para seu mais novo lugar preferido no meu corpo.

- Quando será que começa a crescer? — Ele perguntou, alisando minha barriga por debaixo do casaco.

- Não sei... — Confessei minha ignorância. Será que todas as mulheres deveriam saber de detalhes como aquele?

- O médico deve dizer. — Ele pontuou, me dando um beijo no pescoço.

Ficamos em silêncio por algum tempo. Me permiti prestar atenção unicamente em seus toques, porque meu corpo parecia estranhamente mais sensível a eles.

- Está com medo? — Ele falou ao pé do meu ouvido outra vez, com uma de suas vozes sexys.

- Medo de quê? — Perguntei curiosa.

- Não sei. Algumas mulheres têm medo da gravidez... Se eu fosse você, estaria em pânico agora.

- Por quê?

- Porque... — Ele parou, tentando achar as palavras certas — Tem uma coisinha crescendo dentro de você!

Ri com o fato de Edward ter chamado o próprio filho de “coisinha”.

- E daí? — Perguntei — Espero mesmo que ele cresça bastante. Só espero também que você não desenvolva algum tipo de aversão à minha forma desproporcional.

Ele fez uma careta.

- Até parece que consigo ter algum tipo de aversão a você. Principalmente agora que tem algo meu aí dentro. — Ele falou, fazendo círculos na minha barriga com o indicador.

Sorri abobalhada simplesmente por ouvi-lo dizer aquilo.

- Bom — comecei, voltando ao assunto original -, eu não estou com medo. Talvez tenha na hora do parto. Tem mulheres que morrem...

- Ei! — Ele me interrompeu, beliscando a pele da minha cintura com força, e embora eu soubesse que a força aplicada ali havia sido sem querer, o objetivo do ato certamente era me reprimir — Não fala essas coisas!

- Mas às vezes isso acont...

- Mas não vai acontecer! Quer ficar quietinha?

Ele estava agitado. Eu poderia até dizer irritado.

- Tá... — Consenti, não querendo mais provocá-lo e estragar aquele momento.

Edward me apertou com mais força contra seu corpo, e pude senti-lo tremer um pouco. Cheguei à conclusão de que ele devia estar pensando na possibilidade que eu havia trazido para a conversa.

Me estiquei para trás e alcancei sua boca. O beijei de forma delicada, talvez pedindo desculpas por ter começado um assunto tão inapropriado e o feito se sentir mal. Minhas mãos, como sempre, migraram para sua nuca, e desejei profundamente que aquilo fosse o suficiente para levar para longe aqueles pensamentos.

Surpreendentemente, aquele ato pareceu surtir efeito mais rápido em mim do que nele. Esqueci do mundo à minha volta por algum momento, aprofundando o beijo sem querer e fazendo com que meu corpo começasse a arder lentamente no processo.

Exatamente quando eu me preparava para tocá-lo de formas mais interessantes, ele quebrou nossa ligação, me fitando nos olhos com carinho.

- Temos que nos arrumar. Sua consulta é daqui a uma hora.

E dizendo isso, simplesmente deu um beijo na minha testa, me colocou sentada outra vez no sofá e se levantou, indo para o quarto.

Fiquei ali, me sentindo um pouco abandonada, mas contive a vontade de chorar. Será que ele poderia estar realmente irritado comigo? Eu não havia feito nada de propósito, ele precisava entender isso.

Mas não parecia sequer razoável. Ele não tinha motivos para simplesmente mudar aquele clima de uma hora para outra.

Então, foi ali que Edward começou a ser estranho. Pelo menos quanto a esse assunto.

- Bom dia... Isabella Swan. — Ele completou, olhando para a ficha em suas mãos.

O obstetra — Dr. Becker — era um homem surpreendentemente bonito. Devia ter aproximadamente trinta anos, e era não só alto como musculoso. Um tipo que poderia lembrar tudo, menos um médico.

Edward, provavelmente sendo alertado por seu orgulho masculino ligeiramente ferido e um instinto de macho-alfa muito esquisito, me segurou pela cintura e me trouxe mais para perto de si enquanto entrávamos.

- Bom dia, doutor. — Ele respondeu por mim, puxando uma das cadeiras para que eu me sentasse e fazendo o mesmo em seguida.

- Bom dia. — Ele respondeu, sorrindo de forma educada, enquanto nos encarava e entrelaçava os dedos em cima da mesa — Então... Vocês estão grávidos.

Ele era uma pessoa agradável. Sorria o tempo todo e tentava fazer com que o clima fosse o mais leve possível. Edward, embora visivelmente enciumado — simplesmente porque o médico era atraente — sabia que não havia motivos para ser desagradável ou mal educado com ele. Mas isso não queria dizer que ele faria algum esforço para ser agradável também.

Nossa consulta começou com perguntas subjetivas.

- A gravidez foi planejada? — Ele começou.

- Não. — Respondi — Foi acidental...

- Entendi. E como estão lidando com a ela?

- Muito bem. — Edward respondeu, já animado — Está tudo ótimo.

- Que bom. — O médico falou, abrindo um lindo sorriso.

Edward aproximou sua cadeira da minha inconscientemente

- Há quanto tempo vocês são casados?

- Ah... — Comecei, tirando minha mão esquerda com a aliança de cima da mesa e escondendo-a no meu colo — Não somos casados...

- Ainda. — Edward se apressou em falar, e então olhei para ele assustada.

Não exatamente assustada. Surpresa. Ele já havia me dito, muitas vezes, que queria passar o resto da vida comigo, então era um pouco óbvio que isso poderia significar casamento em algum momento das nossas vidas, mesmo que distante. Ainda assim, vê-lo insinuar isso era algo pelo qual eu não esperava. Não ainda.

Continuei encarando-o como uma perfeita imbecil. Ele me olhou inocentemente, como se não tivesse dito nada demais. Talvez não tivesse mesmo, mas eu estava surpresa, sentindo uma pequena chama de alegria, muito discreta, inflamar meu peito.

- Certo. — O dr. Becker respondeu ainda sorrindo, de forma muito natural — É bom saber que o clima entre o casal é favorável à chegada do mais novo membro da família. Mas então, Isabella...

- Bella. — Corrigi-o como de costume, e como sempre acontecia, Edward bufou ao meu lado. Como nota mental, tinha que perguntá-lo o motivo da clara insatisfação que ele sempre demonstrava, embora, nesse caso, eu imaginasse que o motivo se dava pelo fato do dr. Becker ser bonitão.

- Bella. — Ele se corrigiu — É a sua primeira gravidez?

- É...

- E como vocês descobriram?

Contei toda a história para ele — dessa vez detalhada porque eu sabia dos detalhes. Expliquei o método anticoncepcional usado e meu ciclo menstrual mascarado pelas pílulas. Também citei meus sintomas e todas as dores que havia sentido até então. Quando perguntada, afirmei não ter nenhum tipo de doença genética, como diabetes ou pressão alta, o que poderiam comprometer a saúde do bebê.

- Alguma doença sexualmente transmissível?

- Não. — Respondi.

- Já fez exames?

- Já. — Dessa vez quem respondeu foi Edward, e me pegando outra vez de surpresa, tirou do bolso interno do seu sobretudo alguns papéis dobrados, o que identifiquei, alguns segundos depois, como os papéis dos meus últimos exames.

Eu sequer o tinha visto pegar aquilo.

O doutor examinou as folhas com cuidado por um bom tempo. Edward me encarou como se me pedisse desculpas pela invasão.

- Por que não me falou? — Cochichei para ele, sem realmente estar chateada.

- Achei que você não ia querer trazer. — Ele respondeu arrependido, beijando minha mão delicadamente.

- Bom... — O dr. Becker nos interrompeu educadamente — Esses exames são relativamente recentes. Você só manteve relações com uma pessoa depois de fazê-los?

- Sim. — Respondi com firmeza.

- Entendo. — Ele pausou, me olhando com um pouco de curiosidade, mas ainda assim sendo muito discreto — Parece que você andou preocupada com isso. Não é todo mundo que faz tantos exames assim...

Me mexi na cadeira, um pouco incomodada. Ele havia notado que algo estava estranho, e talvez esse fosse o motivo pelo qual Edward achasse que eu não iria querer mostrar os exames. Seria quase um atestado de culpa. Algo como “Olhe como eu não tenho idéia de quantas doenças posso ter!”

- Bella, nós temos que cuidar muito bem da saúde do seu bebê. — Ele parou, olhando agora para Edward — Do bebê de vocês. Qualquer informação que vocês possam me dar que pudesse vir a afetar o feto de alguma forma... Bom, seria muito valiosa.

Edward me encarou, com uma expressão calma. Encarei-o de volta, agora bastante incomodada. Notei que, além de calma, sua expressão parecia querer me pedir permissão para alguma coisa. E eu imaginava que coisa era essa. Mas ainda assim, não entendia como aquilo podia não afetá-lo.

De qualquer forma, dei a ela a permissão que queria.

- Doutor... — Ele começou, chamando a atenção do médico toda para si — Bella já esteve com muitos homens.

Abaixei a cabeça instantaneamente, olhando para minhas mãos em meu colo. Não por querer me fazer de vítima de alguma forma, mas sim porque ouvir aquilo me fez sentir algo contra o qual eu ainda lutava. Algo que eu estava conseguindo deixar de lado, embora nunca esquecesse completamente.

Senti vergonha.

Não precisei levantar a cabeça para notar que o dr. Becker havia entendido perfeitamente o que Edward quis dizer com aquilo. Qualquer um entenderia. Qualquer um leria aquilo como “ex-prostituta”.

E outra vez, senti a vergonha me estapear. Era difícil confessar aquilo para alguém que ainda não soubesse, derrubando meu muro falso de dignidade que eu vinha construindo pacientemente, tijolo por tijolo. Escancarar algo do passado que devia nunca ter acontecido era constrangedor. Era doloroso.

Senti uma vontade angustiante de chorar.

- Entendo. — A voz do médico soou, e senti um murro no estômago. Eu sabia que devia confiar a ele aquele segredo, porque afinal de contas, ele cuidaria do meu filho. E nada era mais importante que o meu filho.

Mas isso não evitava que eu me sentisse horrível.

- Acredito que ela não tenha nada. — Edward continuou — Mas esses exames...

- Sim. — O dr. Becker o interrompeu — São muito vagos. Não são específicos. Vamos ter que fazer novos exames, mais precisos. Embora eu ache que ela não tenha nada. Normalmente esses exames gerais já acusam alguma coisa, quando a mulher tem alguma doença. Alguma substância alterada no sangue ou algo assim. O dela parece perfeito, mas vamos ter certeza.

Ele parou de falar, e a sala ficou em silêncio. Continuei encarando minhas mãos, sem coragem de desviar o olhar.

- Eu imagino o quanto deve ser difícil confessar isso. — Ele começou, e senti que aquele discurso era para mim, especificamente. — Mas quero dizer a você, Bella, que há mais casos como o seu.

Escutei atentamente, embora ainda lutasse contra as lágrimas.

Ele continuou.

- Já tive casos iguais aqui. Não fique assim, você não é a única. E, sinceramente, devo dizer que não acho que você deva se sentir envergonhada. Não agora, quando optou pela escolha certa. Pelo contrário: Acho que você deve se sentir orgulhosa de si mesma. Mostra que a vida que você levava antes não era pra você.

Edward segurou minha mão outra vez, apertando-a com firmeza. Levantei a cabeça apenas para encarar o dr. Becker, que também me olhava. Relaxei um pouco ao notar que seu olhar, de fato, não trazia nenhum pré-julgamento.

- Ok... — Consegui dizer, enquanto me forçava a sustentar seu olhar. Como resposta, ele apenas sorriu.

Edward apertou minha mão com mais força. Mas eu sabia que não havia sido proposital.

- Bom... — Ele recomeçou — Vamos fazer alguns exames.

- Que tipo de exames? — Edward perguntou.

- São muitos. Hemograma completo, grupo sangüíneo, glicemia, rubéola, hepatite B, sífilis, HIV... Mas isso é pra todos os casos. — Ele se apressou em deixar claro, vendo meu desconforto — Todas as grávidas precisam passar por esses exames. Mas, de fato, vou passar alguns mais específicos pra você.

Eu pensava estar livre desse tipo de doença. Mas agora, depois dessa consulta, nem disso eu poderia ter certeza.

- E se acusar alguma coisa? — Perguntei, deixando o desconforto de lado e fazendo a pergunta em voz alta, agora genuinamente preocupada.

- Se acusar alguma coisa, nós vamos tratar. — Ele sorriu de maneira simples e contagiante, o que, de alguma forma, fez com que eu me sentisse menos mal — É pra isso que estou aqui, não é?

Sorri em resposta, sem nem notar que o havia feito.

- E o sexo do bebê? Ela vai fazer uma ultrassonografia? — Edward perguntou, um pouco mais alto do que o tom habitual de sua voz.

- Ah, sim. Com um pouco mais de três meses, poderemos ter mais certeza do sexo através da ultrassonografia.

- Mas ela está com dois meses ainda. — Sua voz saiu como se ele fosse uma criança cujos sonhos tivessem todos sido roubados dele de uma única vez.

- Bem... Existem métodos em que é possível determinar o sexo antes desse período. Mas são todos caros...

- Quanto é? — Perguntei, mas minha pergunta foi abafada pela indiferença de Edward.

- Quais são? — Ele perguntou.

- Tem a sexagem fetal. É feita através de um exame de sangue, e identifica a ausência ou a presença do cromossomo Y no sangue da mãe. Como esse cromossomo é exclusivo dos homens, a presença dele indica um menino. A ausência, uma menina.

- E quais são as chances de erro? — Ele perguntou, realmente interessado.

- Muito baixas. — O dr. Becker pontuou.

- Ótimo. Pode pedir junto com os outros exames então. — Edward finalizou a questão, com seu mais novo ar de “chefe de família”.

O médico consentiu, anotando tudo em vários papéis.

- Bom, Bella. Quero fazer alguns exames simples com você agora. Pode tirar suas roupas e colocar o roupão no banheir...

- Como? — Edward interveio, e eu podia jurar que estava a ponto de agredi-lo fisicamente caso ele não parasse com aquele ciúme exagerado e desnecessário.

O dr. Becker parecia confuso.

- Eu tenho que fazer alguns exames nela... — Ele começou.

- E ela precisa tirar a roupa pra isso? — Edward perguntou, mas pelo menos seu tom de voz não era rude. Ele sabia ser educado, mesmo puto.

- Bom, eu tenho que checar se há algum nódulo...

- E ela precisa tirar a roupa pra isso? — Ele repetiu.

- Edward? — Chamei-o, um pouco inquisitora.

- Está tudo bem. — O dr. Becker riu e olhou para Edward, como se estivesse pedindo permissão para fazer alguma coisa — Mas gostaria de pelo menos checar os lugares mais importantes. Ela pode manter a roupa. Tudo bem?

Como ele iria tocar em mim, e isso não tinha nada a ver com nenhum outro corpo, me achei no direito de responder.

- Tudo bem. — Respondi, já levantando e caminhando para a outra sala, onde ficava a cama para exames e equipamentos específicos.

O dr. Becker surgiu logo atrás de mim, me ajudando a subir até a cama alta e me deitando lá. Naturalmente, Edward já estava ali, assistindo tudo com os braços cruzados afastado de nós, ainda na porta.

O médico apalpou meu pescoço com cuidado, à procura de nódulos, e simplesmente foi fazendo isso em muitas articulações e quase todas as juntas do meu corpo, se prolongando nos seios, debaixo dos braços e na área da virilha. Por vezes, eu olhava para Edward, que parecia em cólicas, mas ainda assim acompanhava o movimento das mãos dele no meu corpo com um traço de preocupação, como se estivesse atento a qualquer reação estranha do médico.

- Tudo bem. — Ele finalmente falou, me ajudando a levantar. — Você parece ótima. Mas quero que o seu ginecologista faça um exame apurado em você. Vamos acompanhar isso direito.

- Claro. — Concordei, ficando de pé e seguindo outra vez para o escritório, com Edward e o dr. Becker atrás de mim.

O resto da consulta foi preenchido com explicações do médico relacionadas à minha alimentação, dando ênfase nos alimentos que eu deveria evitar. Além disso, fui informada do que poderia ou não poderia fazer, além da frequência com a qual eu deveria manter as visitas ao obstetra, e alguns exercícios físicos aconselhados e os proibidos.

- Conforme você for ficando maior — Ele começou, rindo -, eu vou ficando mais chato com a gravidez. Ok?

Não sei por que demorei tanto para me lembrar de um pequeno detalhe, até então completamente ignorado não só por mim, como também por Edward e até mesmo por Victoria.

- Nós vamos viajar. — Falei, sem me preocupar se aquela informação parecia repentina ou fora de contexto — Vamos nos mudar... Pra Londres.

Encarei Edward, perguntando-o silenciosamente porque ele não havia lembrado aquilo. Ele me olhou distraído no início, mas quando se deu conta de que eu estava certa, suspirou audivelmente e se recostou na cadeira.

- Vamos ter que encontrar outro obstetra. — Ele falou, quase não contendo o sorriso no canto dos lábios.

- Ah, que pena. — O dr. Becker falou, genuinamente sentido, e Edward o encarou com uma cara de "'Que pena' é a puta que o pariu!" — Mas tudo bem. Conheço ótimos obstetras espalhados por Londres. Posso dar a vocês os contatos...

- Eles são da sua idade? — Edward perguntou, e embora fosse perceptível que ele não quisesse soar rude, eu quis repreendê-lo. Encarei-o com ódio, mas ele me olhou como uma criança inocente.

- Desculpe, doutor. — Falei, me voltando para o médico e dando algum tipo de desculpa esdrúxula pela falta de educação — Edward tem andado esquisito desde que soube da gravidez.

- Sei que posso parecer novo — Ele começou, encarando Edward e pronunciando as palavras de uma forma muito educada -, mas posso lhe garantir que levo a sério a minha profissão. Jamais deixaria sua futura esposa e mãe do seu filho carente de atenções médicas. Unicamente atenções médicas.

Eu poderia achar que ele havia entendido errado a hostilidade de Edward, mas sua atitude deixou claro que ele havia entendido — e muito bem — o motivo daquelas pequenas grosserias. No momento seguinte, o médico levou a mão esquerda ao queixo, deixando-a lá como se estivesse apenas se apoiando, mas conseguiu deixar propositalmente em evidência a aliança fina e muito discreta no anelar.

Além de ser um profissional ético, o dr. Becker era casado.

E aquelas verdades com certeza fizeram com que Edward se sentisse um idiota.

- Eu... sei. — Ele falou, abaixando a cabeça muito sem graça.

- E então... — Me voltei para o médico, ignorando Edward solenemente — Eu gostaria sim dos contatos, doutor. Se puder me passar...

Edward não falou mais nada durante a consulta. As outras dúvidas que eu tinha — algumas bem idiotas — foram respondidas sem que ele desse um pio, sequer para opinar.

- Bem, mais alguma pergunta? — O dr. Backer falou, tentando puxar Edward novamente para a conversa.

- Não. — Respondi, sem esperar por ele, que me seguiu na resposta logo depois.

- Não.

- Então, como é muito provável que vocês não estejam mais aqui no próximo mês da gravidez, desejo a você — ele falou, apontando para mim — uma ótima gestação. Tudo vai dar certo, não se preocupe.

- Ok... — Comecei, já me levantando, e fazendo com que Edward se levantasse também — Muito obrigada, doutor. E... Desculpe qualquer coisa.

- Está tudo bem. — Ele sorriu, e se virou para Edward, estendendo a mão — Parabéns pela nova família.

- Obrigado. — Ele disse aceitando a mão estendida, e seu embaraço era evidente. Achei bem feito.

O caminho até o carro foi silencioso, com ele me seguindo, tentando caminhar na mesma velocidade que eu. Edward não disse uma palavra, o que achei ótimo, porque não estava afim de discutir sobre a repentina crise esquisita dele. A viagem também foi silenciosa, embora, vez ou outra, eu notasse que ele me encarava quase que inocentemente.

- Não vai mais falar comigo? — Ele perguntou de repente, mas não me assustei. Me mantive calada, olhando a paisagem, fazendo questão de não esboçar nenhuma reação. Ele não insistiu, voltando a deixar a viagem silenciosa, então aquilo havia sido nossa única forma de interação durante todo o percurso.

Quando chegamos no prédio dele, saí do carro sem dar a ele tempo de dar a volta e abrir minha porta, como eu sabia que faria. Caminhei teatralmente até o elevador, com Edward me seguindo de perto, provavelmente em pânico que eu tropeçasse ou algo assim.

- Por que você não está falando comigo? — Ele insistiu assim que entramos no apartamento. Encarei-o com cara de bronca.

- Você foi um idiota. Por que diabos agiu daquele jeito imaturo? — Perguntei, querendo que ele desse alguma desculpa que fizesse com que meu desgosto passasse.

Ele fechou ainda mais a cara ao me responder:

- Não posso ter ciúmes? Só você?

- Não, não pode, porque eu nunca te dei motivos pra isso. Não foi o seu caso.

Me senti debilmente vitoriosa por deixá-lo sem argumentos. Ele me encarou, claramente tentando pensar em uma boa resposta, mas tudo que se limitou a fazer, depois de alguns segundos em silêncio, foi amarrar mais a cara.

- Não preciso de motivos pra sentir ciúmes de você... — Ele começou, mas eu o interrompi:

- Mas precisa de motivos pra ser rude com os outros. Nunca mais faça isso, foi vergonhoso. — Pontuei, dando as costas para ele e indo para o quarto me deitar.

Ele não me seguiu.

Depois de muitos minutos ali, sozinha, comecei a me criticar pela bronca exagerada. A crise idiota de ciúmes de Edward havia, de fato, sido não só desnecessária como embaraçosa. Mas talvez eu não precisasse ser tão dura com ele. Ele só se sentiu ameaçado. O problema foi não saber lidar com a insegurança.

Fui tirada de meus devaneios quando, momentos depois, Edward surgiu no colchão ao meu lado, me abraçando, pedindo desculpas por ter sido idiota e se lamentando por ter me deixado irritada.

Como era de se imaginar, não consegui ficar puta com ele por muito mais tempo, e segundos depois eu já estava ronronando contra seu peito como um gato manso. Deixei que o clima da nossa pequena reconciliação me deixasse mole como gelatina em seus braços, não me importando com mais nada.

E então, quando eu já estava aceitando o fato de querer ser agarrada e devorada por ele, Edward cortou meu barato mais uma vez.

- Vou preparar o almoço. — Ele concluiu, dando um beijo na minha testa, exatamente como antes.

- Mas... — Comecei, querendo entender por que diabos ele havia jogado um balde de água fria no meu tesão.

- Pode ficar deitada, quando estiver tudo pronto eu te chamo.

E assim, sem mais nem menos, me deixando naquele estado deplorável, ele saiu.

Bufei, amaldiçoando-o por ser um infeliz esquisito.

Meu terceiro mês de gravidez estava começando, e enquanto eu me preocupava unicamente com a minha barriga — que finalmente começava a dar sinais de crescimento -, Edward se preocupava com absolutamente tudo: A empresa, a mudança e a gravidez.

Sua preocupação era exagerada, como eu imaginava que seria. Mas foi só na segunda-feira depois da notícia que notei que seu comportamento superprotetor me daria mais dor de cabeça do que imaginava.

- O que está fazendo? — Ele falou, irrompendo pelo banheiro sem em momento algum pensar que talvez pudesse estar invadindo minha privacidade.

- Escovando os dentes? — Respondi, levantando até a altura de seus olhos a escova de dentes que eu segurava.

- Por que acordou tão cedo?

- Acordei na hora que sempre acordo...

- Exatamente. Acho que você deveria começar a acordar mais tarde...

Olhei-o, genuinamente confusa.

- Meu horário no trabalho não mudou...

- Ahm? Você não pode ir trabalhar! — Ele falou um pouco desesperado, como se eu tivesse acabado de anunciar que estava indo praticar bungee jumping.

- E por que não?

Mas era claro que eu já sabia a resposta. Era a resposta-padrão, motivo de tudo a partir da sexta em que Edward soube da notícia.

- Porque você está grávida!

- E...? — Provoquei.

- “E” que você não pode trabalhar grávida!

- Você lembra que eu já trabalhei grávida durante dois meses, né?

- Porque não sabíamos! Agora que sabemos, temos que fazer a coisa certa. Você e o bebê podem correr riscos!

- Me explique como é que eu posso correr algum risco arrumando livros em ordem alfabética?

- Tem escadas naquela porra!

Bem, era óbvio que ele estava certo quanto a esse ponto. Mas eu não era idiota.

- É claro que eu não vou subir as escadas. Vou fazer o trabalho mais leve.

- Você não vai! — Ele me cortou, já tomado pelo desespero.

- Eu vou! Pára de mandar em mim!

- Não estou mandando! Estou pedindo!

Sua voz saía esganiçada, o que seria muito engraçado se não fosse assustador.

- Edward, pelo amor de Deus. É só no final da gravidez que o trabalho deve ser interrompido. E se isso não for o suficiente pra você, saiba que eu jamais colocaria nosso filho em risco.

Ele parou, um pouco ofegante até, olhando de uma forma maníaca para minha barriga.

Cheguei atrasada no trabalho aquela manhã, por diversos motivos. Primeiro, Edward insistiu para que eu levasse dois casacos, alegando que o tempo ainda estava muito frio, mesmo quando nos aproximávamos da primavera. Segundo, porque me fez tomar um café-da-manhã redobrado, dizendo que minhas energias deveriam estar a postos para o dia de trabalho. Terceiro, porque ficou insistindo em me fazer prometer, por todas as almas sagradas do universo, que eu tomaria cuidado.

Quando finalmente me deixou na biblioteca — porque, mesmo tendo que ir pelo caminho inverso ao que ele fazia todos os dias para ir ao trabalho, Edward se recusou a me deixar ir a pé ou de taxi -, ele parecia ainda mais temeroso.

- Vou te ligar algumas vezes durante o dia, ok?

- Contanto que “algumas vezes” seja um número normal... — Provoquei.

- Por favor, me atenda. Senão eu venho aqui ver por que você não atendeu.

Eu prometi que o faria, mas minha intuição não havia falhado quando imaginei que aquilo não seria o suficiente. Por isso, antes da minha hora de ir embora, Edward simplesmente se materializou ao meu lado, sem se importar se poderia ou não estar em uma área restrita apenas a funcionários da biblioteca. Sem cerimônias, foi atrás do sr. Miller, apenas para explicá-lo, teatralmente, que "havia uma vida dentro de mim, e que, por tudo quanto era mais sagrado, eu não poderia correr riscos". O sr. Miller obviamente tentou explicá-lo que meu trabalho era tão monótono que nada poderia acontecer, mas Edward parecia cético. Fiz uma careta atrás dele, apenas para informar ao sr. Miller que não adiantava discutir com um teimoso maluco.

Seus exageros não melhoravam nem quando estávamos em casa. Agora que uma pequena barriga saliente começava a marcar minhas roupas mais justas, Edward parecia fazer alguma associação bizarra disso com minha alimentação, dizendo que agora eu deveria comer também em dobro. Para não ouvir reclamações, comecei a adotar o hábito de jantar porções pequenas. Era claro que ele queria que eu comesse um boi a cada jantar, mas depois de convencê-lo (aos berros, quando minha paciência se esgotou) de que aquilo seria impossível, ele pareceu aceitar.

E dessa forma, Edward passou a ser um verdadeiro perseguidor na minha vida. Todos os dias eu recebia, pelo menos, cinco ligações suas, me perguntando se havia algo errado e o que eu estava fazendo. Quando ficava exausta daquela perseguição, desligava o celular. Mas não adiantava, porque Edward também tinha o número da biblioteca. E quando eu pedia para o sr. Miller dar qualquer desculpa para que eu não tivesse que falar ao telefone, ele simplesmente aparecia, minutos depois, esbaforido pela porta principal e fazendo um drama shakespeariano.

Sua preocupação e ansiedade aumentaram ainda mais quando fomos fazer os exames passados pelo obstetra — tanto os de praxe quanto o que indicaria o sexo do bebê -, mesmo sabendo que os resultados só sairiam uma semana e meia depois, além dos exames ginecológicos.

Eu já me sentia um pouco sufocada, mas não o suficiente para me incomodar. Aliás, seria muito bom se Edward me sufocasse em determinados momentos.

- Hmmmpf... — Exalei, agarrada a ele na cama. Passava das onze da noite.

- Que foi? Quer alguma coisa? — Ele perguntou, desviando os olhos da tv e me encarando preocupado. Ultimamente, ele sempre me encarava daquele jeito, e aquilo estava começando a me irritar.

- Não foi nada, Edward. — Falei, já meio puta — Só estou te abraçando.

- Ah. Mas você est...

- Estou bem. Não estou enjoada. Nem com fome, nem com sede, nem com dores, nem com frio, nem com calor, nem com sono.

- Ah... — Ele falou, só para ter algo para dizer.

Me agarrei a ele outra vez, encaixando meu rosto na curvatura do seu pescoço e respirando de uma forma propositalmente intensa ali.

Senti-o estremecer de leve.

- Não namoramos há algum tempo... — Falei, tentando recordá-lo, de uma forma sutil, que aquele era um período sem sexo relativamente longo, e, no estado em que me encontrava, desesperadamente longo.

- Ah, amor... Você sabe... — Ele começou, alisando meu braço — Eu ando muito atarefado com a empresa. E o tempo livre que tenho uso pra arrumar aos poucos a mudança e tomar conta de você e do bebê.

- É, eu sei. — Falei, dando beijos suaves pela extensão do seu pescoço — Mas não é como se você não tivesse tempo nenhum livre... Por exemplo, agora...

- Ahm... — Ele começou, se afastando um pouco de mim — Eu estou meio cansado... Sabe, hoje foi um dia difícil.

Continuei abraçada a ele, remoendo um sentimento crescente de rejeição. Mas ao invés de ficar triste e deprimida, me senti incrivelmente puta.

- Você está me dizendo que está tão cansado que não podemos nem curtir um pouco o momento? — Perguntei, controlando minha fúria quase titânica.

- Estou morrendo de sono... — Ele falou, dando um bocejo audível e, eu tinha certeza, falso.

Continuei encarando-o, planejando de quantas formas poderia torturá-lo. Mas depois de algum tempo, tudo que fiz foi engolir em seco e me desvencilhar dele, virando de costas e puxando o edredom todo para mim.

Algum tempo depois, ouvi a tv sendo desligada e seus braços envolverem minha cintura, sua mão tocando como sempre minha barriga.

- Não encosta em mim. Isso provavelmente vai demandar de você muita energia.

Ele pareceu não ligar para o comentário, e se aproximou ainda mais de mim, espalmando sua mão na minha barriga. Aquele pequeno contato, mesmo que inocente, estava me incendiando. Tudo porque Edward havia decidido bancar o monge, e provavelmente estava se divertindo às custas do meu desespero sexual.

Mesmo gostando de sentir sua pele, segurei sua mão com firmeza e retirei-a da minha barriga.

- Bella... — Ele começou, mas o interrompi.

- Estou falando sério. Se você não tem tempo ou disposição, não sou eu que vou ser o estorvo que vai te manter acordado. Bons sonhos, amor.

Puxei a última palavra em um tom de deboche, e com toda a certeza ele percebeu. Ainda assim, não respondeu nada, apenas aceitando com um suspiro de desgosto a distância que eu havia estabelecido entre nós

Mas não adiantava. Na manhã seguinte, seus braços estariam em volta da minha cintura e sua mão sempre estaria espalmada no meu umbigo outra vez.

- Está nervosa?

- Não. — Menti categoricamente.

Eu estava nervosa. Edward e eu estávamos no carro dele, indo ao obstetra com os resultados dos exames. Para manter nossa calma — ou pelo menos tentar — decidimos não ler nada antes do próprio médico, porque se houvesse alguma observação fora do “normal” naqueles laudos, mesmo que não fosse nada demais, não entenderíamos os termos médicos e acabaríamos em pânico, talvez à toa.

Por isso, os envelopes ainda estavam lacrados. Tanto os exames relacionados à minha saúde quando o exame que informava o sexo do bebê.

- Eu estou. — Ele falou, tentando manter os olhos na rua à frente. Edward não precisava sequer anunciar aquilo: Estava óbvio.

Me senti um pouco mal por talvez ser a responsável por não gerar o nosso filho da forma correta. Eu rezava para todos os santos que não houvesse nada naqueles exames, para que o bebê não corresse riscos, principalmente porque ele era a coisa mais importante do mundo agora, mas também porque eu jamais me perdoaria caso algo acontecesse a ele. Porque a culpa seria minha.

- Não vai dar nada... — Falei, um pouco baixo, tentando convencer a mim mesma que era bobagem se preocupar. Se houvesse algo, os exames anteriores teriam apontado.

- Claro que não. — Ele falou ao meu lado, apoiando a mão direita na minha perna e aplicando ali um pouco de força, como se quisesse me passar confiança. Ainda assim, não foi difícil notar o vacilo de insegurança no sorriso que ele deu.

Fiquei calada o resto da viagem. Ele fez o mesmo. Qualquer palavra que soasse entre nós dois naquele momento parecia como uma fagulha na pólvora, nos aproximando de uma explosão de nervos a cada segundo.

Quando chegamos, nosso nervosismo pareceu se intensificar. Tentei parecer calma, porque se Edward percebesse meu estado provavelmente entraria em desespero, dizendo que aquela tensão toda acabaria prejudicando o bebê. E eu acreditaria, e entraria em pânico também. E então seríamos dois pais desesperados à beira de uma síncope.

- Bom dia, Bella. Edward.

Nos sentamos, e me deixei levar pela aura de positividade e animação do dr. Becker. Edward estava tão nervoso que parecia ter simplesmente esquecido de sentir ciúmes.

- Bom dia, doutor. — Ele falou, entregando imediatamente os exames — Não vimos nada porque...

- Porque estávamos com medo. — Concluí, imaginando que talvez falar, naquele momento, pudesse aliviar um pouco a minha tensão.

- Bom, também... — Edward continuou — Mas porque achamos melhor que o senhor visse, e caso houvesse alguma coisa anormal, que nos explicasse. Antes que chegássemos a conclusões erradas.

- Fizeram muito bem. — Ele disse, aceitando os envelopes das mãos de Edward e abrindo-os calmamente, como quem abre uma carta de Natal.

Ele analisou os resultados por algum tempo. Um bom tempo. Talvez semanas. Meu estômago começava a dar reviravoltas aleatórias, fazendo com que eu me sentisse um pouco mais enjoada a cada segundo transcorrido. Edward estava imóvel na cadeira ao meu lado, olhando fixamente para o médico, que ainda virava e desvirava as páginas.

O zumbido do ar condicionado parecia muito mais alto agora, e me incomodava mais também. Estava frio, mas não dei muita atenção a esse pequeno detalhe. Eu podia escutar cada engolida seca que Edward dava, e aquilo estava me deixando à beira de um ataque de nervos. Até o barulho das páginas sendo viradas estavam dando corda à minha iminente explosão.

Se o doutor não tivesse falado alguma coisa naquela hora, eu provavelmente teria gritado.

- Podem respirar aliviados. A mamãe não tem nenhum tipo de problema que possa prejudicar o bebê.

Senti algumas toneladas sumirem das minhas costas. Suspirei profundamente, não porque segui o sentido literal do que o dr. Becker havia dito, mas sim porque o alívio que senti foi tão grande que mal podia lidar com ele. Fechei os olhos e agradeci, mesmo sem saber a quem ou ao que direito, mas sabia que deveria ser grata. E eu estava.

- Eu sabia. — Ouvi Edward falar ao meu lado, mas seu tom de voz entregava o alívio que ele próprio sentia. Eu ainda estava de olhos fechados, leve demais para reagir de alguma forma, mas tinha certeza que ele estava sorrindo.

Senti-o agarrar minhas mãos e apertá-las, me trazendo de volta à realidade.

Abri os olhos e me deparei com o dr. Becker, segurando os dois envelopes idênticos fechados que restaram.

- Dois? — Ele perguntou, um pouco confuso.

- É... Eu pedi pra fazerem duas vezes... Pra não restarem dúvidas. — Edward falou, um pouco tímido.

- Ele gosta de gastar dinheiro à toa... — Falei, completamente distraída pelos papéis nas mãos do médico.

Ele riu.

- Vocês não abriram? — Ele perguntou, nos encarando, e meu coração de repente começou a bater forte outra vez.

- Não. Deixamos pra receber todas as notícias de uma vez. — Edward falou, rindo do ainda recente alívio e da expectativa para mais uma novidade.

- Entendi. — Disse o médico, abrindo sem cerimônias o primeiro envelope. Se eu prestasse atenção, tinha certeza que poderia ouvir as marteladas do meu coração naquele momento. Todos os movimentos do dr. Becker pareciam ser feitos em câmera lenta, e eu tinha certeza que toda aquela adrenalina não podia fazer bem ao bebê.

Edward e eu o encarávamos com atenção absoluta, registrando cada mudança em sua expressão. Como se soubesse disso, ele parecia fazer força para não esboçar reação alguma. De uma forma irritantemente calma, pegou o segundo envelope e abriu, lendo também o laudo daquele exame.

- Bom, os dois deram o mesmo resultado... — Ele começou, me fazendo tremer um pouco — Então acho que realmente não restam dúvidas.

Ele parecia divertido, mas meus nervos estavam em um estado que, se antes o sorriso do médico bonitão parecia deslumbrante, agora eu tinha vontade de socá-lo.

- E então? — Perguntei, e só me dei conta de que a voz era minha depois de ouvi-la.

A resposta veio, provavelmente, em menos de dois segundos. Para mim, no entanto, o silêncio entre aquela pergunta e a resposta pairou no ar por, pelo menos, uma eternidade.

- É uma menina.

Esperei que aquele pedaço de informação fizesse efeito, tanto em mim quanto em Edward, mudo e paralisado ao meu lado. Embora eu tivesse minhas convicções de que, no final das contas, o bebê seria realmente uma menina, ainda assim ouvir a confirmação me fez ficar ainda mais feliz.

Uma menina.

Olhei para Edward, que ainda encarava o médico da mesma forma. Assim como eu — ou talvez mais — ele parecia distante, tentando processar a informação. Não poderia dizer se aquela novidade tinha sido bem aceita por ele ou não, porque ele não esboçava reação alguma.

- Bom, na verdade... — O dr. Becker continou — Posso garantir que não há meninos nessa gestação, mas não devemos descartar a possibilidade de gêmeos ou mais, embora sua barriga não esteja suficientemente grande pra isso. Mas caso haja mais de um bebê, posso dar a vocês a certeza de que todas serão meninas.

Estremeci com a idéia de “gêmeos ou mais”. Como mãe de primeira viagem, se uma gravidez simples já começava a me dar um pouco de pânico, imaginei o que gêmeos não seriam capazes de fazer comigo.

- E como podemos ter certeza... — Comecei a pergunta, mas não precisei terminá-la.

- Vocês vão saber ao certo quantos bebês são depois da primeira ultrassonografia, que pelo que diz aqui na sua ficha, já está agendada. Mas, pela minha experiência, creio que seja uma única menina mesmo.

Prestei bastante atenção em tudo que o dr. Becker dizia, mas era impossível estar completamente atenta a ele enquanto Edward se mantinha ali, em estado catatônico, imóvel com seus pensamentos, incapaz de fazer parte da troca de informações entre nós.

Só consegui relaxar quando, algum tempo depois — provavelmente o tempo necessário para que ele tivesse alguma reação — virei para o lado outra vez e o vi sorrindo debilmente enquanto mantinha seu olhar desfocado na parede atrás do dr. Becker. Aquilo só poderia significar que ele estava feliz.

Respirei mais aliviada. Quando a hora de ir embora chegou, chamei-o com uma voz calma e baixa, quase como se estivesse tentando acordá-lo de um sono profundo. Ele pareceu despertar, e embora ainda estivesse extremamente distraído, agradeceu ao dr. Becker pela atenção com um sorriso radiante no rosto e saiu do consultório, me puxando pela mão.

Aos poucos, ele estava voltando a si.

...

- Meu Deus, e se forem trigêmeas? — Edward perguntou, animado como uma criança em véspera de Natal, quicando levemente na cama e fazendo com que eu pulasse também ao seu lado.

- Não vão ser. — Falei, tentando me cobrir com o edredom.

- Como você sabe? O médico disse que não devemos descartar a possibilidade...

- Bom, eu espero que não seja.

- Por quê? — Ele falou em um tom ofendido, embora eu não imaginasse o que exatamente o ofendeu.

- Não é você que vai parir, né bonitão? — Eu ri, beliscando-o de leve.

- Bom, pelo menos você passaria por isso uma única vez, e eu não encheria mais o seu saco — Ele falou, tentando parecer casual, enquanto se enfiava debaixo do edredom e se agarrava em mim como sempre — Se vier uma só, vamos ter que repetir a dose pelo menos mais duas vezes.

Fiquei calada por algum tempo, de costas para ele. Outra vez, Edward havia me pego de surpresa, se mostrando extremamente confiante em coisas que pareciam banais quando ele falava, mas que eram enormes.

- Você quer ter três filhos? — Perguntei com uma voz fraca, depois de algum tempo.

- Pelo menos. — Ele falou contra meus cabelos de forma calma — Mas eu não tenho pressa.

Fiquei calada mais algum tempo, deixando que a confiança dele me inundasse aos poucos. Eu ainda era insegura em muitos aspectos, mas Edward parecia levar tudo de uma forma tão simples que, com o passar do tempo, me acalmava também.

Quando me virei e fiquei de frente para ele, senti seus músculos contraírem, como normalmente acontecia nos últimos dias. Talvez ele estivesse começando a sentir falta do nosso contato tanto quanto eu sentia, mas naquele momento minha intenção não era seduzi-lo.

- Desculpa se pareço estar desconfortável. — Comecei, muito próxima ao seu rosto.

- Tudo bem... — Ele me abraçou com força — Não precisamos falar sobre isso agora.

- Não, não me incomoda — O interrompi, retribuindo o abraço e o olhando nos olhos — Não estou desconfortável, é só que... Eu nunca pensei que alguém fosse querer planejar esse tipo de coisas comigo.

- Que tipo de coisas?

- Você sabe... Ter uma família... Filhos, casamento... Ainda é um pouco surpreendente pra mim...

Dessa vez, foi ele que ficou em silêncio, me analisando profundamente. Quando voltou a falar, senti meu coração derreter mais um pouco.

- É melhor ir se acostumando então, porque você vai ter que aceitar o fato de me aturar pelo resto da vida.

Me aconcheguei mais nele e sorri, sem me importar com mais nada. Fechei os olhos e fiquei ali, agarrada a ele, sem esperar nada. Por isso, fui pega de surpresa com um beijo carinhoso e doce.

Retribuí o ato, me agarrando involuntariamente no pescoço dele. Eu não queria forçar a barra, não queria mudar a intensidade daquele beijo, mas era impossível controlar a minha libido.

Forcei minha língua contra sua boca, e quando ele abriu seus lábios, me permitindo aprofundar o beijo, quase berrei de alegria. Meu corpo começou a tremer sem que eu pudesse evitar, porque aquele tipo de intimidade há algum tempo me fazia falta. E então, em menos de um minuto, eu estava completamente pronta para ele.

Mas, como sempre, Edward se afastou, mesmo que ofegante.

Senti que estava muito próxima de assassiná-lo.

- Durma. O dia foi pesado pra você hoje. — Ele falou, me dando selinhos de leve e tentando se afastar um pouco de mim.

- Não foi pesado. Não estou com sono. — Falei, um pouco desesperada, ainda agarrada ao seu pescoço. De certa forma, aquilo era mentira: Eu estava mesmo cansada, não porque havia feito muita coisa naquele dia, mas porque passei metade dele tensa com tudo que tinha para saber.

Edward usou seu golpe mais baixo, movendo seus dedos lentamente de cima a baixo nas minhas costas, percorrendo a espinha de forma torturante e lenta. Ele sabia que aquilo era fatal. Sabia que eu dormiria instantaneamente.

Merda.

- Foi sim. E eu tenho certeza que o sono vai chegar. — Ele falou, com sua voz mais melodiosa ao pé do meu ouvido, e embora meu corpo ainda ardesse por ele, fui sendo acalmada aos poucos por sua mão nas minhas costas, enquanto a outra afagava minha barriga, como sempre.

E então, obviamente, eu dormi.

Edward corria o dia inteiro de um lado para o outro, atarefado demais com tudo. Era assim durante toda a semana, e até os fins de semana pareciam corridos. Isso porque havia coisas da empresa ainda pendentes, principalmente no que dizia respeito à mudança da diretoria. Como se não bastasse, nossa mudança se aproximava rapidamente, e caixotes começavam a surgir por todos os lados.

Assim, o tempo que tínhamos juntos, normalmente as noites, eram preenchidos por revisões nas papeladas da empresa e caixotes enfileirados pelos corredores do apartamento dele. Sua atenção em mim, embora redobrada conforme minha barriga aumentava, era nula quando se tratava de sexo, e a coisa se tornava tão estranha que comecei a me preocupar.

Eu estava agora com quase 12 semanas de gestação, e desde o momento que havíamos descoberto sobre a gravidez, Edward não me tocava. Cada tentativa desesperada minha resultava em uma nova desculpa, e mesmo que eu soubesse que ele andava realmente atarefado, era impossível deixar de notar que, se fosse algo relacionado ao bebê, e não a mim, ele parecia completamente alheio ao resto do mundo e dava total atenção às minhas necessidades.

Ele não queria transar comigo.

E eu não sabia o motivo.

E estava subindo pelas paredes.

- Alô?

- Oi, doutor. É a Bella. Isabella Swan. — Falei, tentando parecer casual.

- Olá, Bella. Aconteceu alguma coisa? — O dr. Becker respondeu, do outro lado da linha.

- Não... Nada com o bebê. Estou ótima. Quer dizer, com um pouco de enjôo, e dor nas costas, mas... — parei, tentando voltar ao assunto em pauta — É outra coisa.

- Pode falar.

- Ahm... — Comecei, me sentindo um pouco idiota — Não sei se é com você que eu devo falar sobre isso...

- Podemos tentar. — Ele respondeu, encorajando-me.

Hesitei um pouco, mas lembrei do meu atual estado.

- É sobre Edward.

Ele ficou em silêncio, provavelmente esperando que eu prosseguisse. Como isso não aconteceu, ele voltou a falar.

- Ok, estou ouvindo.

Suspirei.

- Ele... Ele está distante.

- Distante como? Ele não está dando atenção à gravidez?

- Não, não é isso. Ele dá bastante atenção ao bebê. Até me sufoca...

- Então?

- Então... — Comecei, e tive certeza de que estava começando a corar — Ele me dá atenção, mas... Só com coisas relacionadas à gravidez... Entende?

Rezei para que ele entendesse. E como um obstetra experiente, embora novo, ele entendeu.

- Ah. Vocês estão distantes como casal.

- É...

- Ele não mostra interesse...

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Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!

Interrompi-o, um pouco desesperada.

- Não! Ele não me toca! Se recusa a transar comigo! Fica inventando desculpas toda vez que eu tento alguma coisa, desde que soube da gravidez! Eu não aguento mais!

- Calma, Bella.

Me calei, esperando que ele me desse alguma explicação com relação à atitude de Edward, ou que me desse uma solução. Qualquer coisa seria bem vinda.

- Ele deixou de ser carinhoso com você? — Ouvi-o perguntar.

- Não... Ele continua o mesmo... Diz que me ama todos os dias... Mas não me toca de jeito nenhum!

- E antes da gravidez, qual era a frequência com que vocês mantinham relações?

- Quase todos os dias. — Choraminguei, deixando de lado a vergonha — Eu não sei mais o que faço! Estou a ponto de embebedá-lo pra conseguir me aproveitar dele!

Eu sabia que aquilo tinha soado idiota, mas não me importei. Eu era uma mulher desesperada.

- Bella... As reações dos homens no período de gravidez variam. Alguns podem se sentir mais atraídos por suas mulheres, outros mantêm a relação como ela costumava ser, e outros se afastam. Edward parece estar nesse último grupo. Isso não quer dizer que ele não sinta mais tesão, mas às vezes é complicado para o homem. Se antes ele a via como amante, agora ele tem uma imagem mais pura de você. Você é a mãe da filha dele, e isso deve fazer com que ele não consiga te tocar sem se sentir culpado ou achar que está fazendo alguma coisa errada. Muitos homens reagem dessa maneira.

Fiquei olhando para a parede como uma débil mental, simplesmente porque tudo que eu podia fazer era esperar que o dr. Becker me desse alguma solução para aquilo.

- E como... Como diabos eu vou convencê-lo...? — Comecei, amaldiçoando Edward por ser tão esquisito.

- Vocês precisam conversar. Tente entendê-lo, e tente fazer com que ele te entenda. Se não funcionar, marcamos uma conversa nós três. Tudo bem?

Tentei controlar o nó na garganta, me forçando a não chorar.

- Tudo bem.

- E se acalme. Lembre-se que sua carga emocional reflete na sua filha. Conversem hoje, e amanhã você me liga e me diz como foi. Vou ficar no aguardo.

- Ok. — Falei, tentando me acalmar — Obrigada, doutor. E desculpe por ocupar o seu tempo.

- Não precisa se desculpar. Estou aqui pra tornar sua gravidez melhor, lembre-se sempre disso.

- Tudo bem. Obrigada.

- Até amanhã, Bella.

- Até.

Desliguei, com um aperto no peito. Passava um pouco das 19h, e Edward ainda não havia chegado. Tentei retomar a calma, exercitando minha respiração de olhos fechados.

Tentei me recusar a acreditar naquilo. Ele não podia simplesmente ter deixado de me desejar. Não podia me ver com outros olhos. Aquilo era absurdo, e me magoava. Eu era a mãe da filha dele, e só Deus poderia dizer o quão feliz eu me sentia com esse fato. Mas isso não fazia com que eu deixasse de lado o meu papel de mulher. E, como toda mulher, precisava explorar minha sexualidade.

Se aquilo fosse verdade, eu passaria a me sentir apenas uma barriga ambulante, carregando a única coisa valiosa que Edward possuía. E isso me magoava.

Ele não me tocaria pelo resto da gravidez? Se ele me negava com a barriga ainda ligeiramente maior, como seria nos últimos meses da gestação? Ele me evitaria ainda mais?

Por que a falta de intimidade incomodava apenas a mim, e não a ele? Seria possível que Edward estivesse se aliviando de outras maneiras? Seria possível que, me vendo exclusivamente como a mãe da sua filha, ele tivesse procurado outra qualquer que desempenhasse o meu antigo papel? O papel de amante, que satisfaria aos seus desejos limitados por essa gravidez?

Será que ele havia ido atrás de outra mulher? Ou o que seria pior: Será que havia ido atrás de uma prostituta, pagando para que ela fizesse o que EU deveria fazer?

Deus, por que eu estava pensando naquilo?

Talvez estivesse exagerando, ou fazendo suposições absurdas, mas o desespero começou a me tomar de uma tal forma que, agora, eu fazia força para não rir da própria situação. Eu já havia estado no lugar da prostituta, e agora estava no lugar da mulher traída.

Até onde essa ironia poderia ir? O quão cruel ela poderia ser?

A quantas mulheres eu havia feito mal no passado por ser o que era?

Talvez fosse a hora de pagar por esse mal. Pagar pelos meus pecados do passado. Ainda assim, eu não conseguia lidar com isso, e isso era desesperador.

- Não seja idiota! Ele não está te traindo! — Falei em voz alta, controlando a vontade de me estapear. Me forcei a repetir, incessantemente, que aquilo era simplesmente ridículo, e que não havia motivos para tal suspeita.

Mas eu precisava que ele confirmasse isso, para poder respirar direito.

Então, por um motivo ou por outro, eu o colocaria contra a parede aquela noite.

Não passaria daquela noite.

- Oi, amor! — Edward falou de forma alegre enquanto irrompia pela sala e se jogava no sofá ao meu lado. Como sempre fazia, me deu um beijo carinhoso e, seguindo sua mais recente mania, levantou meu casaco e beijou minha barriga, falando com ela como um louco fala com qualquer objeto inanimado — Oi, lindinha.

- Você demorou hoje. — Falei, esquecendo do filme que passava na tv, torcendo para que minha voz não tivesse mostrado toda a hostilidade e a ansiedade dentro de mim.

- Tive várias reuniões de emergência — Ele falou, desanimado — Ela te deu muito trabalho hoje?

Toda vez que Edward falava sobre “ela” comigo, estava se referindo à nossa filha. Eu havia aprendido isso nas últimas semanas.

- Não. Hoje foi um dia tranquilo. Não vomitei nenhuma vez. — Respondi, observando-o se agarrar a mim e esfregar o rosto mais uma vez no meu umbigo. Sua barba um pouco rala fez cócegas nada inocentes em mim, por isso tremi involuntariamente. Meu arrepio, no entanto, não passou desapercebido por ele.

- Que bom. — Ouvi-o dizer, enquanto se afastava repentinamente. Senti a rejeição outra vez, e outra vez segurei a vontade de chorar e agredi-lo. — Vou tomar um banho. O dia hoje foi cansativo...

- Como todos os outros. — Falei de forma amargurada.

Ele notou meu mau humor, mas não falou nada, se virando e indo para o banheiro do seu quarto.

Foi o banho mais demorado que Edward já tomou na vida. Ou talvez tivesse durado o que seus banhos costumavam durar, mas dado meu estado de ansiedade, ele parecia estar trancado no banheiro havia algumas semanas. Estava a ponto de socar a porta, fingindo estar passando mal, mas me contive. Esperei pacientemente — ou quase -, apenas querendo que ele saísse logo e diminuísse minha ansiedade.

Eu precisava conversar com ele.

Caminhei pelo quarto, tentando me conter. Fiquei assim por alguns minutos, até que ele finalmente teve a bondade de se juntar a mim outra vez.

- Está tudo bem? — Ele perguntou, me observando no canto do quarto, de braços cruzados.

- Quero que você sente. — Falei, sem rodeios.

- Por quê? — Ele rebateu, sua voz soando um pouco preocupada.

- Porque quero conversar com você.

Ele me encarou ansioso, e, tomado pela curiosidade, foi se sentar na ponta da cama, só para que eu falasse logo.

- O que foi? É alguma coisa com ela?

- Não. Ela está muito bem. — Respondi, sentindo meu sangue começar a ferver.

- Então o que foi? Você quer alguma coisa?

Encarei-o por algum tempo, tentando achar as palavras certas para começar aquela conversa.

- Quero. Quero uma coisa.

- O que é? — Ele se apressou em falar — Seja o que for, você sabe que pode pedir...

- Quero sexo.

Aquilo pode ter parecido um pouco inapropriado, mas eu não estava me importando muito com isso. O importante era passar o recado, da forma mais limpa e cristalina o possível.

Como Edward não respondeu, finalizei meu pequeno discurso.

- Agora, se for possível.

- Ahm... — Ele falou, se mexendo na ponta da cama e olhando para a parede oposta. Mas eu já estava preparada para a desculpa que viria a seguir, fosse ela qual fosse — É que... Minha cabeça, ela está me matando...

- E desde quando você virou mulher pra negar uma trepada por causa de uma dor de cabeça? — Falei, agora completamente hostil.

Ele me encarou surpreso.

- Eu... Você sabe que meu dia foi cheio... — Ele começou, mas o interrompi sem a menor educação.

- Edward, não seja mentiroso! Se eu dissesse que estava passando mal, você não mediria esforços pra me levar pro primeiro hospital. Mas como tudo que eu quero é transar, depois de SEMANAS na seca, você parece indisposto?

Ele não respondeu, e pelo menos fiquei mais satisfeita por ele não ter insistido na mentira.

- O que diabos está acontecendo? Por que você não encosta um dedo em mim? — Falei, já não conseguindo mais disfarçar minha completa indignação.

- Amor...

- É porque eu vou ser mãe? Porque se for isso, tenho que te informar que continuo sendo mulher. — Falei, de forma amarga e irônica.

- Eu sei...

- Então é isso? — Insisti, já com vontade de chorar outra vez.

- Não! Não é isso!

- O que é então? Você não se sente mais atraído por mim? — Perguntei, sentindo uma leve dor no peito pela possível rejeição.

- Claro que sinto atração por você! — Ele respondeu, parecendo incrédulo.

- É porque eu estou ficando gorda? É a minha barriga? Meu corpo não está como você queria?

Edward suspirou, e por um segundo imaginei que ele estivesse começando a perder a paciência.

- Bella, por favor, não fale besteiras...

- Você tem se aliviado com outras mulheres? — Perguntei antes que pudesse pensar se aquela era uma pergunta adequada.

Ele arregalou os olhos, talvez por surpresa ou talvez por indignação.

- Do que caralhos você está falando? — Ele cuspiu, agora realmente puto.

- Como você está lidando com isso tão bem durante todo esse tempo? — Falei, já tremendo.

- “Tão bem”? Você não sabe o que está dizendo!

- Sei sim! Você não me toca!

- E sabe como é difícil não te tocar quando, toda noite, você tem seus sonhos e fica se esfregando em mim como uma ninfomaníaca?

Olhei-o com um misto de vergonha e indignação.

- E por que diabos você se recusa a me tocar? Porque não me pega de uma vez? Você sabe que eu quero!

- Por que você está grávida!

Fiquei em silêncio, tentando fingir que não tinha acabado de escutar aquilo.

Tentei conter minha respiração, mas não adiantava. Se Edward queria me tirar do sério, ele havia conseguido.

Aquilo era para ser uma pergunta, mas saiu como um berro.

- E QUAL É A PORRA DO PROBLEMA?

- Eu não vou meter em você com a minha filha aí dentro! Se eu machucá-la...

Eu não estava mais ouvindo. Aquilo era tão absurdo, tão incrivelmente idiota, que meu cérebro simplesmente parou de processar o que quer que ele estivesse falando naquele momento. Minha ira se multiplicou por vinte ao saber que minha abstinência forçada se dava unicamente pelo fato de Edward ser tão burro a ponto de achar que algo completamente absurdo como aquilo pudesse vir a acontecer.

- Você... Você... — Comecei, sem saber ao certo se gritava ou partia pra cima dele com uma faca — Você não pode estar falando sério...

- Se eu fizer mal a ela...

- VOCÊ NÃO PODE TOCAR NA PORRA DO BEBÊ! NEM QUE O SEU PAU TIVESSE MEIO METRO! — Berrei, querendo socar cada parte visível do corpo de Edward.

- Não chame nossa filha de “porra”! — Ele respondeu, com um tom de voz indignado e puto, mas se forçando a não gritar no mesmo tom, porque viu que eu estava começando a perder o controle. E aquilo obviamente o deixava preocupado, por causa da nossa filha. Como sempre.

Sem pensar, e só porque não havia nada mais pesado por perto, agarrei um dos travesseiros espalhados pelo chão, ao lado da cama, e joguei com toda força na cara dele. Era óbvio que aquilo não tinha o machucado, mas de qualquer forma, fiquei feliz por poder agredi-lo de algum jeito. Nem que o resultado fosse patético,

- Idiota! — Gritei, saindo do quarto o mais rápido possível, antes que a lágrima de raiva que eu tentava conter escorresse pelo meu rosto — Você é um idiota!

Bati a porta com força, deixando-o sozinho ali.


Edward’s POV

Me mantive sentado, olhando para a porta fechada, pensando qual atitude seria melhor: Deixar que Isabella esfriasse a cabeça e chegasse à conclusão que não valia a pena me matar, ou ir atrás dela e tentar acalmá-la, correndo risco de vida.

Tudo bem, eu era um perfeito ignorante sobre sexo na gravidez. Não sabia porra nenhuma de bebês, afinal, eu era um homem solteiro que nunca pensou em ter um filho. Mas aquela gravidez havia me pego de surpresa, e confesso que não pesquisei muito sobre o assunto depois de saber que seria pai.

Sim, era provável que eu estivesse sendo patético. Aliás, se fosse tomar como referência a reação de Isabella à minha confissão, eu tinha certeza que estava sendo MUITO patético. Mas eu admitia ser suficientemente burro sobre aquele assunto, por isso não sabia se corria algum risco de cutucar a nossa filha. Tudo que me restou, então, foi me privar de um pequeno prazer. Ok, de um prazer importantíssimo.

Mas agora, sentado ali, ainda na mesma posição, comecei a me achar realmente idiota.

Não sei por que nunca havia conversado com ela sobre isso. Talvez temesse que ela não entendesse, ou me achasse um completo ignorante. De qualquer forma, não havia desculpas.

Me levantei, tomando a decisão de ir atrás dela e esclarecer algumas coisas. Mas não cheguei a dar um único passo, porque Isabella já entrava no quarto bufando, com seu celular na mão e os olhos esbugalhados.

Ela era mais ou menos como um Ursinho Carinhoso puto, e isso seria adorável caso eu não estivesse com medo.

Quando ela estendeu o aparelho para que eu pegasse, desviei involuntariamente, pensando que ela me daria um murro no nariz. Quando entendi o que ela queria, peguei o celular de sua mão e trouxe o aparelho à orelha.

- Alô?

- Uaaahhh... Ah, boa noite, Edward. É o dr. Becker. — Ouvi-o dizer, disfarçando o bocejo.

Olhei para Isabella e constatei que seu olhar ainda tinha um brilho incrivelmente assassino. Por isso, mesmo me sentindo mal em interromper o sono do médico — ainda que tenha sido ela a ligar e acordá-lo — continuei falando com ele ao telefone.

- Ah... Boa noite, doutor.

- Bella me ligou e contou que vocês conversaram.

Pela cara que ela fazia, provavelmente ele já sabia de tudo que havíamos conversado.

- É... Nós conversamos... Mais ou menos.

- Ela me disse que você tem algumas dúvidas quanto à possibilidade de manter relações sexuais no período da gravidez.

Ele estava sendo educado, e eu sabia disso. Tinha certeza que Isabella havia contado a situação para ele de uma forma muito menos suave, com alguns palavrões e xingamentos.

- É, eu... Eu não sei direito se posso...

Isabella bufou na minha frente de repente, e outra vez me mexi de forma involuntária para longe dela.

- Edward, veja bem... A primeira coisa que quero deixar claro é que você não é o único a ter essa dúvida. Muitas pessoas acham que sexo durante a gravidez pode afetar o bebê de alguma forma e prejudicar a formação do feto, mas escute bem o que vou dizer: Não há o menor problema em se manter relações durante a gestação.

“A filha de vocês está bem protegida no útero, e o seu órgão sexual não pode, de forma alguma, tocá-la. Não há a menor chance de você machucá-la. Mas é claro que eu aconselho que vocês deixem um pouco de lado práticas como sexo selvagem e posições mais desafiadoras do Kama Sutra. O importante é deixá-la confortável em qualquer posição que ela quiser”.

“Repito: Não há como você fazer mal ao bebê. Ao contrário, tudo que sua filha sente é reflexo de como Bella se sentir. Se ela estiver bem, sua filha estará bem também. Por isso, faça com que sua mulher relaxe. Sexo ajuda bastante nessa parte, além de fortalecer os músculos do períneo, o que ajuda na hora do parto”.

“E se ainda há dúvidas sobre outros métodos, deixe que eu te explique: Não há problema com sexo oral ou anal, com ou sem ejaculação, contanto que haja higiene sempre. Masturbação também é liberado, e não se preocupe quanto aos seios dela. Você pode fazer com eles tudo que fazia antes normalmente, mas como estão mais sensíveis, só tome cuidado pra não machucá-la”.

Mesmo que fosse desagradável ouvir tudo que ele me dizia com Isabella me encarando como se quisesse me matar a qualquer momento, tentei dar total atenção àquelas informações.

- E... E eu posso... Você sabe... Dentro dela?

- Pode ejacular dentro do canal vaginal sem o menor problema. Ela também pode se permitir atingir ao orgasmo. Digo isso porque muitas mulheres têm a idéia errada de que orgasmos podem levar ao aborto. Isso não é verdade.

“Sexo durante a gestação deve ser aproveitado ao máximo, até mesmo porque serve como válvula de escape pra todas as ansiedades desse período. As relações sexuais durante a gravidez só devem ser interrompidas quando houver sangramento ou perda de líquido amniótico, mas esses casos são raros. Fora isso, vocês estão livres pra se envolverem fisicamente. Não se preocupe, vai fazer bem tanto pra vocês quanto pra menina”.

Continuei encarando Isabella de volta, como se estivesse esperando que ela me atacasse a qualquer momento. Me dei conta de que todas as minhas dúvidas haviam sido tiradas quando ouvi, do outro lado da linha, mais um bocejo por falta de perguntas.

- Certo... Ok, obrigado doutor. Desculpe interromper a sua noite...

- Tudo bem. Eu até esperava por isso. Bella estava um pouco chateada no início dessa noite. Acho que você vai ter que se redimir. — Ele disse, dando um risinho de provocação.

- Ah... É, acho que sim. — Respondi, sentindo meu bom humor voltar aos poucos.

- Bom, você tem mais alguma pergunta?

- Não. Obrigado pelas explicações.

- Não há de quê. Agora, aproveite o resto da noite.

- Ok... Obrigado mais uma vez. Boa noite.

- Boa noite.

O telefone ficou mudo do outro lado da linha, e então me dei conta de que agora era a hora de enfrentar toda a fúria da figura minúscula à minha frente.

- Ahm... — Comecei, um pouco sem graça — Desculpa, amor... Eu não sab...

Fui interrompido por seus pequenos punhos, me socando em todas as partes possíveis. Era exatamente como um ursinho de pelúcia devia socar, exceto pelo fato de que doía pra caralho.

- Ai! Amor! — Tentei segurá-la, mas ela era rápida e escorregadia.

- Idiota! — Isabella gritou, me socando com mais força ainda.

Eu estava apanhando como uma garotinha. Me senti uma vergonha para a raça masculina.

- Ei! Foi ruim pra mim também... Ai! Bella!

- Foda-se! Você merecia mais nove ANOS sem sexo por isso! Seu... Seu... Idiota! — Ela pontuou, com mais um soco no meu ombro.

Parecendo cansada em me bater, ela parou e ficou ali, me olhando com a respiração cansada do esforço. Não reagi, apenas esperando pelo momento em que, depois da pequena trégua, Isabella voltaria com tudo para cima de mim, com tapas ainda mais fortes e xingamentos ainda mais agressivos. Era óbvio que eu poderia usar um pouco da força que tinha e segurá-la de verdade, imobilizando-a. Mas eu não faria isso, principalmente porque sabia que merecia cada soco recebido.

Suas mãos estavam cerradas, seus olhos ainda assassinos, mas ela não se moveu mais. Talvez eu tivesse entendido errado, mas considerei sua atitude como uma brecha para que eu agisse da maneira que quisesse. A vez agora era minha.

Então, eu agi.

Agarrei-a sem pensar se seria certo, e se ela aceitaria. Colei meus lábios nos dela com um pouco de força e forcei minha língua contra a dela, sem dar espaço para um beijo carinhoso. Abracei-a com vontade, ainda que tomando cuidado com sua barriga. Como ataquei Isabella com um pouco de força, sabia que seu corpo acabaria se chocando contra a parede em algum momento daquele pequeno segundo, então coloquei uma das mãos atrás de sua cabeça para protegê-la. Quando senti a parede fria nos nós dos meus dedos, tirei-os de lá e agarrei suas costas.

Senti seus dedos se fecharem com força nos meus cabelos como ela sempre fazia, me puxando para perto dela. Prensei-a com ainda mais força contra a parede, e quando mantive a pequena distância entre nossas barrigas, ela se enfureceu e agarrou meu corpo por trás, me puxando com violência para si.

- Tem como você deixar de ser idiota? — Ela falou, completamente sem fôlego contra minha boca, e no segundo seguinte voltou a me beijar com desespero.

Minhas mãos, ainda na sua lombar, desceram e levantaram-na do chão, forçando suas pernas a entrelaçarem-se na minha cintura. Tentei manter meus toques gentis, mas estava sendo muito difícil, principalmente porque ela não parecia querer gentileza. Seu corpo tremia, e eu tinha certeza que não era de frio. Ambos estávamos pegando fogo, e me odiei por saber que todo aquele desespero era culpa minha.

Senti minha camisa ser puxada para cima, e a tirei de qualquer jeito, voltando meus lábios para o pescoço dela. Não que eu precisasse estimulá-la, mas sabia que minha barba rala naquela área deixava Isabella simplesmente louca.

- Meu... Deus! Me come logo! — Ela ofegou contra meu ouvido, e eu acharia aquilo muito engraçado se não estivesse louco de tesão e completamente disposto a fazer o que ela pediu.

Levei Isabella no colo até a cama sem nenhum esforço, deitando-a lá e, desesperado de pressa, arrancando de uma única vez a calça de moletom que ela vestia junto com a calcinha. Aquele era o tipo de situação em que preliminares não seviriam para estimular ninguém, porque ninguém ali precisava de estímulo. Como ela não se opôs à minha pressa, chutei para longe minha calça de qualquer jeito e fui me ajoelhar entre as suas pernas, abrindo-as sem sequer pedir permissão.

Ela tirou o casaco por conta própria. Me posicionei em sua entrada já me movendo para frente, mas ainda com cuidado. Fazer aquilo sabendo que meu membro disputava com a minha própria filha espaço dentro do corpo dela era esquisito, mesmo sabendo, agora, que não havia problema nenhum.

Era uma neura que eu precisava superar.

Indo contra todos os meus desejos mais selvagens, penetrei-a devagar, me acostumando com a sensação e, ao mesmo tempo, lembrando de como era sentir aquilo. Claro que algumas semanas não foram o suficiente para fazer com que eu esquecesse de como era transar, mas foram suficientes para fazer com que meu tesão triplicasse, quase como um adolescente virgem.

Segurei em sua cintura, jurando para mim mesmo que só a penetraria com metado do membro. Obviamente, depois de algumas investidas, me dei conta de que já estava colocando tudo para dentro.

- Estou machucando? — Perguntei, mesmo sem saber como.

- Não... — Ela suspirou, se apertando contra mim e encaixando melhor seu corpo no meu.

Respirei fundo, tentando manter o controle. Entrei milimetricamente nela, observando a forma como seu corpo se contorcia contra o meu. Era óbvio que Isabella não estava satisfeita com aquela lentidão, porque nem eu mesmo estava. Isso ficou óbvio quando, talvez inconscientemente, ela começou a se mexer num movimento de vai e vem contra meu membro, ondulando no colchão à minha frente e fazendo com que eu começasse a tremer.

Lutei bravamente contra aquela cena, que me chamava e me incitava a fazer o que ela queria. Eu sabia o que ela queria. E sabia o quanto ela queria. Mas então, ela abriu aqueles olhos e me encarou.

Eles não pediam que eu fizesse aquilo direito. Eles simplesmente ordenavam.

- Foda-se! — Falei para mim mesmo e segurando com força Isabella pela cintura, penetrei-a agora com tanta vontade que quase me desequilibrei. Se ela sentisse dor, me avisaria. Se não sentisse, só Deus poderia dizer quando aquilo ia acabar.

Ouvi-a gemer, mas por experiência, sabia que eram gemidos puramente de prazer. Deixei alguns sons guturais escaparem da minha própria garganta, alheio a qualquer coisa que não fosse aquela mulher.

Me inclinei para frente, mantendo o corpo ainda suspenso com os braços esticados cada um de cada lado da cabeça dela, e a beijei furiosamente. Ela retribuiu, fechando as pernas na minha cintura e reforçando os movimentos que, agora, ambos fazíamos ao mesmo tempo.

A noite era razoavelmente fria, mas eu estava suando. Só reparei nesse detalhe quando senti suas mãos escorregarem nas minhas costas, desesperadas por apoio. Nos virei na cama abruptamente e cessei o beijo, fazendo com que ela ficasse sentada por cima e ditasse a intensidade e a velocidade dos movimentos.

E então ela cavalgou em mim, daquele jeito lindo que só ela sabia fazer.

- Putaquepariu... Putaquepariu... — Eu respirava e tentava controlar o orgasmo ao mesmo tempo, mas estava falhando nos dois sentidos. Passeei as mãos pelo corpo dela, já ligeiramente modificado pelo avanço da gravidez. Parei na pequena barriga protuberante e me senti incrivelmente atraído por aquilo, mesmo que, em condições normais, aquele excesso não fosse atraente.

Seu corpo estava mudando, e eu estava achando muito sexy. O que, sinceramente, não fazia sentido.

Voltei a encará-la como um todo e notei que seu rosto se contorcia em uma expressão já conhecida. Ela estava muito perto do próprio clímax.

Isabella parecia feita de geléia depois de um orgasmo, e eu precisava segurá-la antes que ela simplesmente derretesse no meu colo. Por isso, sentei imediatamente e a abracei, fazendo uma gaiola em volta dela, enquanto reforçava nossos movimentos.

Seus dedos apertaram os fios dos meus cabelos com muita força, então sabia que era questão de poucos segundos até que ela explodisse. Quando senti seu corpo começar a se abrir e se fechar contra meu membro, apertei-a ainda mais contra mim e aproximei minha orelha de sua boca, apenas para ouvir o som que ela emitiria. Ouvi-la gozando era uma das sensações mais estimulantes que existiam.

- Ahhhhhhhhhhh... Deus... Ahhhhhh...

Não consegui me segurar, e antes que ela conseguisse parar de gemer, eu já estava gozando também.

Depois de algum tempo, o que pareceu ser bastante, quando voltei a mim, ela ainda estava no meu colo, sua cabeça descansando no meu ombro.

- Transar com você sempre foi muito bom... — Comecei, ainda um pouco tonto — Mas dessa vez foi... Meu Deus...

- Talvez porque você tenha privado a nós dois disso por semanas. — Ela rebateu, completamente confortável para ser sincera.

- Então quer dizer que toda vez que ficarmos um tempo sem transar vai ser bom assim? — Falei, provocando-a.

Ela levantou a cabeça e me olhou. Embora parecesse quase inofensiva agora, vi um lampejo do brilho assassino de antes passar pelo seu olhar.

- Você quer ver sua filha nascer? — Isabella perguntou, séria.

- Quero.

- Então não me deixe sem sexo outra vez.

Não tive como deixar de rir. Ela continuou séria, mas logo em seguida me beijou calmamente, segundos depois começando a aprofundar o beijo e fazendo com que meu corpo, ainda colado ao dela, começasse a ferver outra vez.

E recomeçamos a matar as saudades. Uma vez, duas vezes, três vezes. Fizemos de tudo. Ao final da noite, ela parecia tão exausta que tive que servir de apoio durante seu banho. Levei-a para a cama e envolvi vários cobertores em seu corpo, protegendo-a do frio. Quando terminei de me arrumar, fui deitar ao lado dela, mas sabia que Isabella já estaria dormindo.

Abracei-a com firmeza, mas ainda assim, de forma suave. Espalmei minha mão em sua barriga como sempre fazia, de certa forma me desculpando por incomodar a paz da minha pequena princesa. Era idiota, eu sabia, mas ainda assim, queria pensar que ela reconhecia meu toque e minhas intenções cada vez que me aproximava dela.

Encostei o rosto nos cabelos de Isabella e fechei os olhos. Não precisei esperar muito até que o sono viesse, e segundos depois, com um sussurro quase inaudível até mesmo para o silêncio do quarto, desejei boa noite às duas mulheres da minha vida e, sem pensar em mais nada, simplesmente adormeci.

Notas finais
Sim. Eu demorei. Pra car*lho. ME DESCULPEM! D:

Esse capítulo demorou pra sair, primeiro porque eu tive uma crise de criatividade, e segundo porque fiquei completamente sem tempo. Mas sempre que conseguia uma folga, vinha pra cá escrever. Se eu disser que praticamente não saí nem me diverti nesse período, usando todo o tempo livre pra tentar escrever esse capítulo, vocês vão me odiar menos?

Bom, espero que pelo menos tenham gostado do capítulo. Já deu pra tirar a dúvida de uma galera quanto ao sexo do bebê (e a possibilidade de gêmeos). Agora, o único mistério é saber qual vai ser mesmo a cor dos olhos da pequena. :)

Edward babão: Quem não ama? E Bella ninfomaníaca. Combinação perfeita. ;P

Ah... Dedico esse cap à Ma (@MaRobstenLutz), porque o aniversário dela foi dia 30 do mês passado e eu disse que esse capítulo seria dedicado a ela. Só não sabia que ia demorar tanto pra conseguir terminar... Mas de qualquer forma, parabéns (muito) atrasado, chuchu! Esse cap é seu!

E de novo: Obrigadíssima pelas reviews! Me divirto lendo algumas, mas como recebo mais de 100 reviews por capítulo, torna-se inviável responder a tudo. Vocês não têm noção do tempo que leva responder uma a uma. Mas acreditem, adoro todas elas, e leio todas, sem exceção. Reviews me fazem feliz, por isso sempre que vocês tiverem dúvidas em deixar um comentário, lembrem disso. :D

E obrigada ao pessoal que se preocupa comigo! Sei que sumi legal ultimamente, e fico feliz que vocês perguntem por mim. Fico feliz até quando perguntam só pela fic, porque significa que gostam mesmo da minha história.

Só não é legal quando algumas pessoas vêm EXIGIR que eu poste o cap novo logo. ¬_¬ Algumas poucas pessoas realmente foram um pouco grosseiras no pedido, e quero deixar claro que só compartilhei a minha história com os outros porque queria mostrar o que estava na minha imaginação. Isso não significa que eu tenha que deixar de viver pra postar os capítulos sem atrasos. Acreditem, eu não fico à toa. Se um capítulo atrasa, não é por falta de compromisso com as leitoras, mas sim por dificuldades pessoais. Por isso, gostaria de pedir que as pessoas fossem educadas. Entendo perfeitamente a ansiedade, e não tenho absolutamente nada contra aquelas que vieram me perguntar quando saía, e quanto tempo mais ia demorar, e mostraram que estavam com saudades... A essas, agradeço o carinho. Mas, por favor, pra quem é mais impaciente e menos educada: Não me exijam nada. Eu posso responder na mesma moeda da próxima vez, e dizer que “vou postar quando quiser”, ok? ¬_¬

Bom, é isso.

Beijos a todas! Mel