Edward's POV


Saí da empresa uma hora antes: Assim haveria tempo de passar em casa e tomar um bom banho. Minha atitude me fez ter a certeza de que estava, finalmente, enlouquecendo. Querer ficar cheiroso para uma puta? Qual era o meu problema, afinal?

– Que se foda. Vou me sentir melhor depois de um banho. — Falei comigo mesmo.

Tomei uma ducha demorada, e meu stress de todo um dia de trabalho diminuiu. Poucas coisas eram tão prazerosas quanto um banho fresco.

Mais tarde eu já estava no salão de Tanya. Bebia minha dose diária de whisky enquanto encarava as meninas que divertiam seus clientes. Mas onde ela estava, afinal?

– Sozinho essa noite, Edward?

Rose falava com uma voz de manha, enquanto fazia uma massagem suave nos meus ombros.

– Olá, querida. Estava procurando Isabella. Estou aqui há vinte minutos, mas não a encontro.

– Deve ser porque ela já está com um cliente.

Ah, sim. Claro. Um cliente. Por que eu não havia pensado naquilo?

– Bom, daqui a pouco ela deve estar descendo então...

– Não hoje, amor. Parece que o cavalheiro que está com ela — e devo admitir, um pedaço de mau caminho -, pagou caro pela noite inteira da menina. O que quer dizer que você só vai conseguir vê-la amanhã.

Um homem havia pagado para ficar com Isabella a noite inteira? Aquilo era permitido?

– Não sabia que podíamos monopolizar as meninas aqui. — Disfarcei minha amargura com um sorriso falso.

– Meu caro, se tiver dinheiro, você pode fazer o que quiser.

– Entendi. Bom, já que Isabella está ocupada, talvez outra menina possa me alegrar hoje. Ouvi dizer que vocês têm uma novata por aqui.

– Edward, assim você me ofende! Estou sendo o mais agradável possível com você, e você sequer me considera como uma opção? — Rose fingiu estar magoada, fazendo beicinho.

– Rose, querida, só estou procurando novidades. Quem sabe outro dia? — Falei de um jeito falso, beijando seu pescoço. Ela se arrepiou.

– Odeio quando você fala manso, Edward Cullen. Seu poder de sedução é uma maldição pras mulheres.

Ao dizer isso, ela se virou e saiu para buscar a novata que eu havia mencionado.

Então podíamos mesmo monopolizar as putas daquele lugar? Por que ninguém havia me dito isso àquela altura? Eu havia pagado por uma hora inteira, certa vez. Mas uma noite? Toda?

Imaginei Isabella com o homem, naquele momento. Ele deveria estar se divertindo, afinal. Ela era muito boa e, ao contrário da maioria das garotas da Casa, não exalava vulgaridade. De uma forma estranha Isabella parecia uma puta comportada, como se a promiscuidade de sua profissão fosse balanceada pelo ar inocente que emanava dela.

– Ele deve estar se divertindo, isso é claro. Só espero que esteja sendo gentil. — Murmurei para mim mesmo.

Eu não gostava de todos aqueles hematomas no corpo dela, e não queria ver novas marcas. O corpo de uma mulher devia ser bem tratado, delicado e macio, e me irritava ver marcas de violência no corpo de Isabella... Ou no de qualquer mulher, claro.

– Olá. Você é o Edward? — A menina disse, com um olhar tarado.

– Sim, sou eu. E você é...?

– Meu nome é Vanessa. Rose me disse que o cavalheiro mais lindo do salão queria ficar comigo essa noite, então não foi difícil achá-lo.

– Eu sou o cavalheiro mais lindo desse salão? Ora, que piada.

– Sim. De longe. Talvez você não devesse pagar para ter quem quisesse por aqui. Certos homens não devem ser considerados "trabalho". — Ela disse isso percorrendo meu corpo de cima a baixo.

A tal Vanessa era mesmo atiradinha. Era ruiva, cabelos muito lisos, e tinha olhos verde-água. Era linda, de tirar o fôlego, mas algo nela não me agradava.

Aproximando-se de mim, ela falou ao pé do meu ouvido:

– Estou louca pra sentir como é o seu pau. Aposto que vai me fazer gozar tantas vezes que vou perder a consciência.

Vulgar. Ela era extremamente vulgar. Era isso que não me agradava. Mas eu nunca havia me importado com vulgaridade, afinal, estava em um puteiro.

Merda! Por que Isabella tinha que estar ocupada?

Sorrindo para mim, Vanessa me pegou pela mão e me conduziu para o seu quarto. E os trinta minutos seguintes simplesmente passaram. Não me senti excitado como achava que ficaria ao experimentar um novo corpo. Aquele corpo não me agradava, nem aquela personalidade.

Os trinta minutos passaram, eu paguei o que devia e fui embora para casa dormir.


...


No dia seguinte, mais stress. Aparentemente, alguém disse algo que não devia, o que resultou em uma briga interna na empresa, onde cabeças rolariam. Eu, como sempre, no meio dessa bagunça, não sabia nem com quem falar.

– Victoria, faça qualquer coisa para que parem de me ligar. — Meu telefone tocava pela milionésima vez naquele dia, e minha dor de cabeça tomava proporções assustadoras.

– Eu sou só uma secretária...

– E mesmo assim sabe mais dessa empresa do que eu. Eu te imploro, faça qualquer coisa.

Ela suspirou.

– Vou tentar falar com Aro. Ainda temos três reuniões hoje e...

– Cancele. Preciso ir embora daqui.

– Mas o que eu digo...

– Diga que eu estava indisposto.

Não era exatamente uma mentira. Eu precisava sair daquele lugar antes que mandasse todos irem à merda, com exceção de Victoria, que era uma pessoa legal.

Cheguei em casa, tomei um banho morno, procurei algum analgésico e deitei-me na cama, esperando que a dor de cabeça melhorasse. Adormeci, um sono sem sonhos, e acordei quando o relógio marcava 23h.

Eu não queria aceitar, mas eu sabia. Iria à Casa de Tanya aquela noite. Iria talvez todas as noites. Não adiantava tentar levar uma vida menos promíscua, não adiantava me trancar em casa com a TV. Eu acabaria indo para lá, mais cedo ou mais tarde. Era sempre lá que minhas frustrações no trabalho e no resto da minha vida se dissipavam. Sempre havia sido assim.

Àquela altura não era diferente, embora talvez algo a mais me atraísse para lá, e eu não soubesse exatamente o quê.


...


Fui recepcionado por Vanessa na Casa de Tanya. Mal entrei no salão, e ela já se aproximava de mim, mais do que eu desejava.

– Ora, você por aqui de novo. Parece meio tenso.

– Impressão sua. — Falei educadamente.

– Impressão ou não, eu adoraria ajudá-lo hoje.

– Hoje não, Vanessa. Vou deixá-la descansando de ontem à noite.

– Não se preocupe, já estou mais do que descansada. — Sorriu.

Não prestei atenção ao que ela falava.

– Você viu Isabella?

– Você é mesmo obcecado pela Bella, hein? Queria ontem, quer hoje...

– Bella?

– Desculpe, é como a chamamos fora do trabalho. Isabella está indisposta hoje. Não vai descer pro salão.

– E por que não? O que há com ela?

– Ela só não está bem. Deve ser dor de cabeça.

Merda. Aquela era a segunda vez que eu ia àquele lugar com um interesse, e a segunda vez que não conseguia alcançá-lo. Fiquei frustrado, pensava que aquela noite seria relaxante e prazerosa. Eu precisava relaxar, o dia havia sido duro.

É claro que eu poderia escolher qualquer uma das meninas livres naquele salão. Mas eu simplesmente não queria. Queria Isabella, mas sempre havia algo impossibilitando o nosso encontro.

– Ok, Vanessa. — Comecei, esfregando a testa com os dedos. — Obrigado pela informação.

E dizendo isso, me virei para ir embora.

– Não quer ficar com outra pessoa?

– Não. — Eu já estava saindo.

– Não quer beber nada? — Ela gritou, já distante.

– Hoje não. — Disse, entrando no Volvo e dando a partida.

Deixei-a onde estava, olhando uma última vez pelo retrovisor para ver Vanessa parada à porta da Casa enquanto um pedestre despreocupado entrava na rua.

Virei a esquina, desejando minha cama mais do que tudo no mundo.


...


– Victoria?

Ah, graças a Deus! Estava preocupada! Onde está?

– Em casa. Victoria, minhas reuniões...

Isso! Tem cinco cavalheiros já esperando na sua sala há uma hora!

– Você vai fazer essas reuniões.

O quê?

– Você me ouviu. Vai fazer as reuniões no meu lugar. Não estou com disposição pra ir até aí.

Ela ficou em silêncio por algum tempo.

Senhor Cullen, eu sou apenas...

– Uma secretária, eu sei. Mas, no momento, eu estou te dando o poder de decidir tudo por mim. Nós dois sabemos que você toma conta dessa empresa muito melhor do que eu. Conseqüentemente, sabe melhor do que eu o que é bom ou ruim pra ela.

Mas...

– Estou contando com você, Victoria. Eu sei que vai se sair bem.

Ela hesitou.

Tudo bem. Eu vou fazer o meu melhor.

– Obrigado.

E desligou.

Eram 10h da manhã, e eu ainda estava na cama.

Merda. Estava entrando em depressão de novo. Minha falta de ânimo tinha melhorado nos últimos dias, mas parecia voltar com força total.

Eu ficaria naquela cama o dia inteiro. Talvez ligasse a TV, quando cansasse de olhar para o teto. Talvez dormisse de novo. Não importava. Só sabia que não queria me levantar.

Mas a fome chegou com mais rapidez do que eu pensava. Cozinhei alguma coisa com queijo e presunto e fui comer na cama, assistindo ao noticiário. O dia havia sido incrivelmente monótono. Vazio. Duas, três, cinco horas se passavam sem que eu fizesse absolutamente nada.

Resolvi checar meus e-mails para ler alguns contratos e adiantar um pouco do trabalho que me esperava no dia seguinte. Um dos e-mails era de Victoria, dizendo que as reuniões haviam corrido bem, e que grande parte dos problemas estavam se resolvendo.

– Santa Victoria. — Murmurei.

Li nove ou dez contratos sem muito interesse, com a esperança de que a noite chegasse. Mesmo sem interesse, perdi a noção do tempo e a noite chegou. Quando dei por mim, já eram 23:30h.

E, como uma criança prestes a viajar para o Pólo Norte no Natal, eu me vesti para ir à Casa de Tanya.


...


Cheguei ao recinto, o ambiente um pouco mais lotado do que o normal. Claro, essa era a hora que mais clientes iam se divertir.

Caminhei pelo salão, procurando por Isabella. Ao invés disso, encontrei Tanya, próxima ao bar.

– Olá. — Acenei.

– Edward, querido! Onde esteve ontem? Por que não veio?

Eu tinha vindo, mas a única pessoa a me ver foi Vanessa. Como não queria dar muitas explicações, menti.

– Estava muito ocupado ontem.

– Fico feliz que não esteja hoje. Já escolheu sua acompanhante?

– Quero Isabella. Onde ela está?

– Ah, Isabella já está com um cliente...

– MAS QUE MERDA!

Tanya me olhou com curiosidade. Tentei me recompor, passando a mão nos cabelos.

– Também vai ficar a noite inteira com esse?

– Não, ela já deve estar descendo. Mais uns cinco ou dez minutos.

– Vou esperá-la então. E, Tanya, se tiver algum esquema de agendamento, me coloque como o próximo da fila pra ela. — Pelo amor de Deus, que dificuldade era ficar com aquela garota!

– Ela é tão boa assim? — Tanya perguntou, surpresa.

Não respondi. Pedi uma dose de whisky e bebi, sem prestar atenção em mais ninguém.

– Ah, ali está. O cliente dela já saiu do quarto.

Vi um homem de meia idade, grande. Metade forte, metade gordo, e um pouco suado. Tive realmente pena de Isabella.

O homem veio em nossa direção. Alcançando-nos, dirigiu-se à Tanya e falou com uma voz animada:

– Minha cara, que maravilha você tem ali. A boquinha dessa é um paraíso. — E, olhando para mim, sorriu, já indo embora.

Senti uma raiva quente borbulhando dentro de mim como leite fervendo. Raiva daquele homem, raiva do seu sorrisinho amarelo, raiva por saber que Isabella teve que aturá-lo.

– Mais um whisky. — Ordenei à menina do bar.

– Edward, daqui a pouco Isabella vai descer. Vou tomar conta dos outros clientes. Não vai sentir a minha falta, não é?

– Não, Tanya. Fique à vontade. — Falei, dando um gole na dose de bebida que acabava de ser posta à minha frente enquanto via Tanya se afastar, me deixando sozinho no meio do salão.

Analisei silenciosamente os homens daquele ambiente. Isabella havia me dito que atendia dez clientes por noite. Dez clientes do tipo do homem que tinha acabado de sair? Ou dez clientes do meu tipo?

E por que eu achava que ele e eu éramos diferentes em algo? Nós dois pagávamos por sexo. Nós dois éramos patéticos e infelizes. Comíamos garotas de programa porque era fácil, porque o dinheiro ajudava. Porque fugíamos da vida medíocre que levávamos, sem amor, sem ninguém...

Senti uma mão fraca me tocar no ombro direito e, virando-me, encontrei Isabella.

A primeira coisa que notei foi duas marcas em cada canto da sua boca. Dois hematomas vermelhos, que chegavam até suas bochechas. Depois reparei nas olheiras. Reparei também que ela tinha um corte em uma das maçãs do rosto. Embora o corte não fosse profundo, contrastava visivelmente com o tom da sua pele.

Seus cabelos, agora molhados do provável banho que havia tomado, estavam soltos, mas mesmo assim consegui ver muitas marcas em seu pescoço, em maior número e mais escuras que da última vez que a havia visto. Ela vestia uma blusa verde de manga até os pulsos, uma calça jeans e um sapato qualquer. Ainda assim, algumas marcas eram visíveis também nas costas de suas mãos, o que me fazia acreditar que havia muito mais por debaixo daquelas roupas.

Mas que merda é essa?

Pela primeira vez, Isabella falou antes de mim:

– Eu estou livre... — Ela deu um passo a frente, olhando em meus olhos. Senti o conhecido cheiro de amêndoas misturado com shampoo e pasta de dente. Continuava fitando seu pescoço, meus olhos iam dali para os cantos de sua boca. O que diabos havia acontecido com ela?

E então me dei conta do que ela tinha acabado de dizer: Como assim "estou livre"? Ela estava se oferencendo para mim? Olhei em seus olhos de chocolate, ela me encarava de volta com intensidade. Como se pedisse que eu a escolhesse.

– Eu não tenho nenhum cliente agora. Estou livre, se você quiser ficar comigo. — Repetiu.

Sim: Ela estava se oferecendo para mim. E cada palavra que ela pronunciava soava como um pedido. Seus olhos estavam tristes, mas esperançosos.

Até o modo como se oferecia era diferente do de uma puta. Lembrei de Vanessa e pude constatar a diferença gritante entre as duas.

– Oi, Isabella. Está com receio de que alguém desse salão te escolha?

Ela olhou em volta, um pouco acuada.

– Não... É que eu pensei que você quisesse... — Ela hesitou, parecendo sem graça — Você já está de saída?

– Não, cheguei há quinze minutos. Estava esperando por você, já que estava ocupada.

– Ah, sim. — Ela sorriu um pouco, parecendo quase aliviada. — Eu... não estou, agora.

Fitei-a por alguns segundos sem dizer nada.

– Ótimo. — Concluí depois de um bom tempo — Cinco minutos?

– Cinco minutos. — E, dizendo isso, se afastou de mim, rumo às escadas que davam para o corredor com os quartos da Casa.

Notas finais
Gente, obrigada pelas reviews. Só assim eu sei que tem gente acompanhando mesmo a minha história.
Só me sinto um pouco pressionada, mas tudo bem. xD Acho que isso faz parte, e me estimula a andar com a fic.
Esse mês tá complicado pra mim. Julho vai ser mais tranqüilo, então se eu demorar pra postar, por favor, dêem um desconto. Estou fazendo o possível pra atualizar assim que dá.
Pra vocês não criarem expectativas quanto ao próximo capítulo ser uma seqüência desse (quando o Edward finalmente vê a Bella cheia de marcas), não vai ser. Será o POV da Bella, desde a manhã posterior à noite com o James até o momento que ela encontra o Edward (exatamente como termina esse capítulo, mas pelo POV dela).
Depois sim, será o cap. que eles ficam juntos.
Eu senti a necessidade de escrever esse cap. com o POV dela pra mostrar que ela também já tá bem balançada com o Edward. E só pelo ponto de vista DELA vocês vão notar isso.
Vou tentar responder a todas as reviews depois.
Muito obrigada mesmo, que bom que estão gostando!
Bjos, Mel.