Notas iniciais
Não sei se os links que eu coloquei no meio da fic vão funcionar (não sei mexer no Nyah), mas aqui estão as 3 coisas que eu queria detalhar:
O vestido de noiva: http://bit.ly/nS9QCF
O penteado (trança desfiada): http://bit.ly/o4sdrF
Os arranjos de bambu no casamento: http://bit.ly/rhJjK6
Mas, se preferirem, imaginem como quiserem. :P
Boa leitura.

...

Acordei estranhamente ansiosa na quarta-feira, começando a lembrar com mais frequência do tempo que ainda restava para sábado. De alguma forma, me acalmei um pouco assim que Esme nos informou que tudo o que faríamos aquele dia se resumia a provar o buffet. Tudo já havia sido organizado por ela e Alice. Por isso, Edward e eu só tivemos que ir até o local marcado — um tipo de salão de festas um pouco longe dali — para decidir o que entraria ou não no cardápio. Elas foram conosco, apenas para ajudar em alguma eventualidade.

Passamos horas provando doces, chocolates, salgadinhos, canapés, frios de diversos tipos, porções de massas, pratos de sopas e mais outras coisas. Alice ajudou na tarefa, talvez porque quisesse parecer útil ou talvez porque sua gravidez a estava deixando com fome. Edward parecia interessado nesse assunto, e me lembrei por seu gosto pela culinária. Como minhas costas começavam a doer agora com mais rapidez, sentei em uma das cadeiras e permiti que ele resolvesse aquele assunto, escolhendo o que quisesse. Eu realmente não me importava com nada, contanto que ele não faltasse ao casamento.

Naquela noite, Edward e eu tivemos uma pequena discussão. Ao pedir meu documento de identidade e minha certidão de nascimento para finalizar os últimos documentos que faltavam para tornar o casamento possível, descobri que ele havia decidido, sozinho, que nos casaríamos em comunhão total de bens.

Eu não entendia absolutamente nada sobre assuntos jurídicos de matrimônios, mas sabia o suficiente para ter certeza de que casar com Edward, assinando um papel que dizia que toda a fortuna dele era minha também, era, no mínimo, injusto.

- E o que você sugeriria? Separação total de bens? — Ele debochou.

- Seria mais plausível, não?

- Não!

- Me explique então de que maneira eu tenho alguma influência sobre a SUA fortuna.

- Se estou me casando com você, quer dizer que quero que as nossas vidas se unam. O que é meu é seu, e essa é a minha idéia de união.

- E por que eu não posso me unir a você sem precisar tomar as suas coisas...

- Você não está tomando nada. Eu estou dividindo...

- É injusto e claramente vantajoso unicamente pra mim! Só eu ganho com isso!

- E eu não perco nada! Por que você é tão teimosa?

- E por que você sempre decide as coisas sozinho?

- Mas você concordou em deixar os assuntos jurídicos sob minha responsabilidade!

- Mas eu não lembrava que tínhamos que decidir o tipo de regime de bens!

Discutimos por algum tempo, até que minha cabeça começou a doer e Edward pareceu profundamente arrependido de ter começado uma discussão, preocupado demais com o meu estado de nervos e como aquilo poderia afetar a gravidez. Quando eu já estava deitada e sendo devidamente paparicada, ele tentou me convencer em um tom mais calmo de que não havia porquê optarmos por outro tipo de regime de bens, e que, caso eu continuasse com a mesma opinião, poderíamos mudá-lo depois do casamento.

Para tornar as coisas mais fáceis, eu aceitei. Sabia que se continuasse com a minha idéia, o casamento provavelmente acabaria não acontecendo dali a três dias. Além do mais, Edward estava certo: Ele não tinha muito a perder, porque se dependesse só de mim, divórcio não era uma opção.

Na quinta-feira eu já não conseguia esconder minha ansiedade, que foi agravada quando Edward comunicou que iria fazer a prova do terno e que eu não poderia ir junto.

- Por que não? — Perguntei com cara de choro.

- Também quero ser uma surpresa pra você no dia. — Ele falou com um sorriso no rosto enquanto me abraçava.

- Mas... Eu não quero ficar sozinha! — Falei, sentindo o choro chegar bem devagar.

- Você não vai ficar sozinha. Vai ficar com a minha mãe e a minha irmã.

- E quem vai com você? Emmet e Jasper não contam, precisa de uma opinião feminina...

- E vou ter uma opinião feminina.

Encarei-o cheia de dúvidas. Ele ainda sorria de forma gentil, beijando minha testa como se eu fosse uma criança.

- Quem vai com você? — Repeti, um pouco desconfiada, embora não soubesse realmente com o quê. Mas se não era a mãe ou a irmã dele, era alguma mulher aleatória. E qualquer mulher aleatória me incomodava.

Quando Edward se preparou para responder, a campainha tocou ruidosamente.

- Ah, acho que ela chegou. — Ele disse, segurando minha mão e me levando para o hall de entrada.

Quando Victoria entrou na casa junto com Joshua, Julia e Lilly, me perguntei como eu não havia me dado conta da ausência deles para o casamento. Talvez eu estivesse um pouco alheia a tudo, fosse pela correria ou pelo estado letárgico em que eu ainda me encontrava desde que Edward havia pedido a minha mão.

- Sabe há quanto tempo essas malas já estão feitas? — Victoria perguntou, se soltando do abraço de Edward e apontando para a porta.

- Relaxa, Vic. — Emmet disse, surgindo do nada e indo falar com ela — Os convites não vão chegar a tempo pra nenhum dos convidados, então temos mais um motivo pra zoar com a cara dele pelo resto da vida.

Todos se cumprimentaram entre si e eu permaneci ali feito uma pamonha, assistindo a tudo sem me mexer.

- A noiva! — Victoria falou, me tirando daquele estado catatônico. Abracei-a e agradeci aos parabéns, tanto dela quanto de Joshua. Dei um beijo em cada uma das meninas, me sentindo repentinamente mais alegre pela presença delas ali.

- Você está mais gorda... — Julia falou calmamente, já que era muito nova para entender coisas como sutileza. Ela soou tão sincera que não tive como não rir, mesmo com os pedidos de desculpas envergonhados da mãe.

- Julia, ela está grávida. — Joshua falou, rindo também.

- Ah! Tem um bebê aí dentro? — Ela perguntou, encostando a mão na minha barriga. Lilly imitou seu gesto, mesmo sem saber o motivo.

- Tem. Uma menina. — Respondi.

- Mas essa casa fica a cada dia mais linda! — Esme falou, aparecendo tão de repente quanto Emmet e indo abraçar Victoria e Joshua.

Julia parecia um pouco vidrada na minha barriga, e Edward começou a ficar com medo dela. Ele foi grato à Alice por aparecer com sua barriga ainda maior e fazê-la momentaneamente se esquecer de mim.

Depois de um grande almoço, incluindo Carlisle que fizera questão de dar uma escapada do trabalho para a reunião familiar, Edward pediu para Victoria e Emmet que o acompanhassem na prova do terno. Me senti deixada de lado, mas não quis confessar isso a ninguém, tentando parecer mais madura do que eu realmente era.

Aquela tarde teria demorado mais caso eu não tivesse me preocupado em ajudar todo mundo nas finalizações para a cerimônia. Alice tagarelava animadamente no telefone com floristas, enquanto Esme se viarava para conseguir enviar, com urgência, os últimos convites que faltavam. Joshua, por algum milagre, havia conseguido fazer com que Julia e Lilly dormissem de tarde, em um dos quartos de hóspedes, e Jasper coordenava o trabalho dos jardineiros, que precisavam deixar o jardim "impecável", segundo Alice, até o dia seguinte.

Agora que as pessoas começavam a correr, literalmente, para finalizar as últimas pendências da festa, meu coração e meus nervos pareciam entender a realidade aos poucos, deixando claro que dali a dois dias eu me casaria com Edward. Aquilo era real. Aquilo estava acontecendo.

Tentei ficar quieta, escondendo de qualquer um meu nervosismo e minha ansiedade, e pedindo silenciosamente aos deuses que nada desse errado. Que nada que pudesse adiar aquele casamento, de qualquer forma, em qualquer sentido, viesse a acontecer.

Sexta-feira chegou sem a quinta ter realmente ido embora. Quando o relógio marcava 6h da manhã, resolvi me levantar, já que cair no sono parecia uma tarefa impossível para o meu estado de nervos.

Eu sabia que não havia muitos motivos para ficar ansiosa daquela forma, mas não podia evitar. Não era algo que eu controlasse, e o martelar incessante daquele mesmo pensamento dentro da minha cabeça só fazia com que eu não conseguisse me distrair de forma alguma: “Amanhã eu me caso com ele. Amanhã eu me caso com ele.”

Edward se levantou trinta minutos depois de mim, alegando que seu sono havia sido interrompido unicamente pela minha ausência na cama. Invejei-o pela sua calma, como se o dia seguinte fosse ser apenas só mais um sábado qualquer.

- Você dormiu bem? — Ele perguntou, me encarando com uma expressão preocupada.

- Sim. — Menti. Ele não precisava saber que meus olhos não haviam sido pregados nem mesmo por dez minutos, mas eu tinha certeza que o tom de roxo nas minhas pálpebras deixavam esse fato bastante óbvio.

Durante o resto daquele dia, Edward insistiu em me perguntar se estava tudo bem, e conforme as horas passavam, me aproximando mais do grande dia, mais difícil era mentir sobre aquela pergunta. Em determinado ponto, acabei perdendo a paciência e comecei a ser grosseira — mas não era por mal. Tudo que eu queria, realmente, era que ele me deixasse quieta.

O jardim da casa de Esme e Carlisle estava uma loucura. Um caminhão havia trazido várias cadeiras de madeira, mesas, bancadas e algumas tábuas que já estavam sendo unidas a pregadas por alguns homens desconhecidos. Tudo estava mais ou menos empilhado em um canto, e do outro lado podia-se ver mais homens montando ferros e desdobrando forros brancos, como toldos, fazendo força em todas as direções. Jasper, Emmet, Edward, Joshua e até Carlisle, que havia faltado propositalmente ao trabalho, estavam ajudando na arrumação. Havia tanta gente ali, dentro e fora da casa, fazendo tantas coisas diferentes e falando tantas coisas confusas que eu comecei a me sentir realmente agitada.

- Ei... Tudo bem aí? — Ouvi uma voz atrás de mim e me virei, encontrando Victoria com um sorriso simples no rosto vindo parar ao meu lado.

- Nervosa... — Consegui pronunciar, encostada em uma pilastra enquanto assistia a toda aquela preparação.

- Por quê?

- Não sei. — Admiti.

- Bom, é normal ficar nervosa perto do casamento, mesmo sem motivo. É mesmo um dia muito importante.

- É... Importante... — Balbuciei, tentando afrouxar os nós dos dedos — Só espero que eu não acorde agora.

Victoria me olhou de forma divertida.

- Você não está dormindo.

- Eu não tenho essa certeza...

Continuamos em silêncio por algum tempo, assistindo aos homens trabalharem. Edward olhava para a nossa direção sempre que podia, de longe, me dando espaço. Talvez estivesse com medo de mim depois da última resposta que dei a ele.

- Tenho que admitir uma coisa. — Victoria falou outra vez, chamando minha atenção. Ela olhava para longe, sem me encarar — Quando soube o que ele sentia... Eu tentei fazer com que ele esquecesse de você.

Embora eu não soubesse daquilo, não foi um choque ouvir suas palavras. Na verdade, seria estranho caso ela NÃO tivesse tentado, já que qualquer uma na posição dela faria a mesma coisa pelo melhor amigo que, de repente, resolveu se apaixonar por uma puta.

- Tudo bem... — Respondi, sem realmente me ofender — Mas fico feliz que você não tenha conseguido.

- Eu também. — Ela pontuou, dessa vez se virando para mim — Você sabe o poder que tem sobre ele, não sabe? Sabe que ele come na sua mão, e é por isso que é tão fácil fazê-lo sofrer.

Sorri, voltando a encarar as pessoas que trabalhavam no fundo do jardim.

- Ele também tem um poder um pouco estranho sobre mim... Então acho que estamos quites.

- Talvez... — Ela finalizou, um pouco distraída, seguindo meu olhar.

Edward surgiu à nossa frente, e eu me perguntei quanto tempo ele havia demorado para cruzar aquele enorme campo e vir em nossa direção sem que nenhuma das duas tivesse realmente notado isso.

- Ei, está tudo bem?

- Edward, sabe quantas vezes você já me perguntou isso hoje? — Respondi calmamente.

- Eu vi Victoria falando com você... Achei...

Interrompi-o, segurando seu pescoço e dando um selinho gentil em seus lábios.

- Vamos fazer assim: Se eu sentir alguma coisa, eu te digo. Prometo. Ok?

- Ok... — Ele respondeu, ainda não muito convencido.

- Só estou um pouco nervosa. Se ao menos eu pudesse me ocupar com alguma coisa pra ajudar na arrumação...

- Nem pensar. Você não vai fazer esforço nenhum.

Edward era adorável na maior parte do tempo, mas às vezes ele era simplesmente teimoso como uma mula. Antes que eu começasse a gritar com ele, ou o que era pior, começasse a chorar feito uma criança contrariada, virei as costas e entrei, batendo o pé e deixando clara minha indignação por estar sendo tratada como uma inválida.

Ao final da tarde, tudo parecia estar pronto, ou pelo menos era o que haviam me dito. Edward queria que a arrumação da festa também fosse uma surpresa para mim, e talvez eu tivesse conseguido escapar e dar uma espiada nos fundos do jardim caso Emmet não estivesse ajudando o irmão naquele plano.

Mas, de qualquer forma, não era exatamente por aquilo que meu coração disparava o tempo todo.

- É amanhã-ã-ã! — Emmet falou em uma voz dramática, me sacudindo pelo ombro e conseguindo exatamente o que queria: Me deixar um pouquinho mais desesperada.

- Pára com isso, idiota. Não está vendo que ela está nervosa? — Alice falou em um tom de reprovação.

- Qualquer noiva fica nervosa na véspera do casamento, anã.

- Ela está grávida. — Esme lembrou — Não a deixe mais ansiosa, Emmet. Não é bom.

- Amor... — Edward começou, perto da minha orelha — Quer que a gente vá pra casa?

- Quê? — Emmet se meteu outra vez — Casa? Edward, seu retardado, amanhã você vai estar casado! Temos que sair pra sua despedida de solteiro!

Eu continuava muda, apenas escutando todo mundo à minha volta. Era mais saudável ficar quieta, porque talvez, no momento em que eu abrisse a boca, acabaria me descontrolando de verdade.

- Não acha que talvez seja melhor Edward ficar fazendo companhia pra Bella, filho? — Carlisle perguntou, provavelmente notando o quão esquisita eu estava.

- Ele vai sufocá-la pelo resto da vida! Só temos que comemorar, já que hoje é o último dia! — Ele falou animado, virando-se para mim e fazendo uma cara de intelectual — Bella, não se preocupe. Só vamos encher a cara e passar a noite com algumas garotas de programa.

Por algum motivo, aquilo me fez rir e falar pela primeira vez em muito tempo:

- Ele pode beber, mas não vai passar a noite com uma garota de programa.

- E como a senhorita tem tanta certeza disso? — Emmet provocou, levantando uma sobrancelha.

- Eu só sei. — Falei, encarando Edward e rindo sem querer.

- Ok. — Ele falou, ainda tentando fazer drama — Edward, Jasper... Vamos nos arrumar e botar pra fuder.

- Cara... Eu sou casado. — Jasper concluiu calmamente.

- Foda-se! Vamos logo!

- Ok. — Alice falou, sorridente — Bella, vamos nos divertir também.

- QUÊ? PORRA NENHUMA!

Me assustei com o berro agudo de Edward. Eu nem sabia que ele podia fazer aquilo com a voz.

- Ah, e só os bonitões podem aproveitar a noite? — Ela provocou com ar de autoridade.

- Se deixar a minha noiva com você, eu não caso amanhã!

- Não seja tão dramático.

- Isso é injusto! Jasper está com a gente, é o suficiente pra vocês saberem que não vai acontecer nada demais!

- Nossa, estou me sentindo muito pouco divertido agora. — Jasper falou baixinho, e eu ri.

- E eu estou com a Bella! — Alice falou, como se fosse um ótimo argumento.

- Porra! É exatamente por isso que eu não quero...

- Edward, respire. — Victoria se meteu, falando pela primeira vez — Eu fico com elas.

Ele encarou a irmã, como se a desafiasse a me convencer de fazer alguma merda na presença de Victoria.

Demorou um bom tempo até que todo mundo ali convencesse Edward de que, “pelo amor de Deus”, nós não faríamos nada que pudesse se aproximar da palavra “ousado”. Tanto Alice quanto eu estávamos em estágios de gestação relativamente avançadas, e se ele realmente achava que aquele papo de beber vodka e ir parar em um clube de mulheres era verdade, Edward precisava de tratamento psiquiátrico urgentemente.

Quando Emmet, Jasper e ele estavam prontos para sair, fui me despedir.

- Ei... — Agarrei-o pela gola, trazendo-o propositalmente para perto e falando em um tom divertido.

- Ei. — Ele respondeu, se encostando em mim e me abraçando com força — Se chegar mais perto, eu fico.

Sorri, beijando-o de forma simples mas provocante, falando contra seus lábios:

- Lembre-se que você casa amanhã.

- Não tem como esquecer.

- Ah, tem sim. Não sei quantas doses de qualquer coisa o seu irmão vai fazer você beber, e não sei onde vocês vão. Mas só quero que você se lembre de mim.

- Não se preocupe. Vamos acabar bebendo em uma boate qualquer. E, de qualquer forma, eu estou sempre pensando em você, então não tem perigo.

Ele disse isso com sua voz sedutora e carinhosa, como um gato manso, e eu me senti um pouco instável.

- Certo. — Falei, ainda contra sua boca — Vou fingir que você não está tão cheiroso e lindo, e que não vai servir de isca pra vadias solteiras.

- Eu já tenho a minha vadia particular. — Ele falou perto da minha orelha, ainda com aquela voz “vou-te-chupar-toda”- E duvido que alguém chegue aos pés dela. Em qualquer coisa.

Não adiantava quantas vezes ele usaria essa arma. Aquela voz mansa ronronando perto do meu pescoço falando coisas inapropriadas sempre fazia com que meu corpo virasse uma gelatina gigante.

- Você não vai fazer nada demais, né? — Ele perguntou de repente — Não ouça a minha irmã. Ela é maluca, e tenho certeza que nenhuma idéia que ela der vai ser boa...

- Confie em mim. — Falei de maneira simples, beijando-o outra vez — Dependendo da hora que você voltar, eu vou estar na nossa cama te esperando.

Os olhos dele brilharam com aquilo.

- Você acabou de me fazer não querer ir pra lugar nenhum.

- Caralho, vocês vão ter que se aturar pelo resto da vida! — Ouvimos Emmet gritar do carro — Alguém joga um balde de água fria neles?

- Não quero que seu irmão me odeie. Vai logo.

Ele espalmou a mão na minha barriga e me beijou antes de se afastar, dessa vez com uma intensidade que talvez dissesse algo como “se você não estiver acordada quando eu voltar, eu vou te acordar à força”.

No fim das contas, tudo que Victoria, Alice e eu acabamos fazendo se resumiu a conversar sobre nossas gestações e tomar vitamina de pêra durante a noite toda, ouvindo música no sofá da casa de Edward, que eu ainda me obrigava a pensar como “nossa”. Ao menos aquilo havia funcionado: Canalizar meus pensamentos para outra coisa que não fosse o dia seguinte me deixou mais tranquila, ouvindo com atenção toda a experiência de Victoria e o que Alice já tinha para contar também. Era bom ter algo para falar com elas que servisse como distração.

Mas a minha “despedida de solteira” passou rápido demais. Antes da meia-noite, Victoria e Alice já tinham ido embora — não sem antes se certificarem de que eu estava bem. Felizmente, toda aquela vitamina de pêra com leite conseguiu me acalmar de alguma forma.

Tomei um banho e fui me deitar imediatamente, desejando que Edward não estivesse longe. Agora, sozinha ali, eu começava a me agitar de novo, e outra vez fui bombardeada de pensamentos relacionados ao casamento e tudo que poderia dar errado até ele.

Felizmente, o cansaço que meu corpo sentia foi maior que meu nervosismo, então eu dormi.

O cheiro de álcool me puxou para a realidade outra vez, e me perguntei quanto tempo eu havia conseguido dormir. Abri os olhos um pouco desnorteada, e embora estivesse escuro, a pouca iluminação do lado de fora no jardim permitiu que eu identificasse Edward ali, meio em cima de mim, me beijando tão sutilmente que nossos lábios mal se tocavam.

- Hmmm...

- Merda... Não queria te acordar... — Ele falou, e imediatamente identifiquei sua voz arrastada.

- Que horas são?

- Duas, eu acho...

- Você está bêbado. — Falei contra sua boca, passando um braço em volta do seu pescoço.

- Eu sei... — Ele respondeu em um tom de desculpas — Posso acender a luz?

Abri meus olhos de uma vez no escuro, agora realmente atenta.

- Ai, meu Deus... O que foi? — Perguntei, lembrando que Edward bêbado sempre resultava em revelações bombásticas.

Ele se esticou, alcançando a luminária do criado mudo. Eu me sentei, encostada à cabeceira da cama, começando a ficar nervosa outra vez. Encarei-o como se pudesse prever o que ele falaria, notando em seus cabelos completamente bagunçados e no cheiro forte de álcool.

- Desembucha. — Falei de uma vez, sem me preocupar se estava sendo rude ou não. Ele me encarou surpreso, tentando sentar reto na cama.

- Eu... Quero te dar uma coisa...

Pela primeira vez, olhei para suas mãos e notei que elas não estavam vazias. Nelas, havia uma caixa branca de veludo aberta, mostrando um par de brincos em forma de gotas. Pareciam feitos de vidro. Eram belíssimos, delicados e de aparência incrivelmente valiosa.

Olhei outra vez para ele.

- Só isso?

Ele se surpreendeu com a minha resposta, se mexendo na cama e parecendo um pouco sem graça.

- Eu... Você queria mais alguma coisa? Podemos comprar...

- Não, não é isso! — Interrompi-o, tentando me explicar — Era só isso que você tinha pra me mostrar? Não queria falar nada?

- Não... Era só isso...

Suspirei aliviada, agora me permitindo analisar direito a jóia que ele me oferecia.

- São lindos...

- Você pode usar amanhã?

- Claro. — Respondi, fechando a caixa e dando um beijo nele. Felizmente, os brincos combinavam perfeitamente com a gargantilha que fazia parte do meu vestido.

Ele sorriu, embora seus olhos estivessem fora de foco.

- Você está muito bêbado! — Provoquei, rindo da cara dele — Vai acordar de ressaca amanhã e vai dar essa desculpa pra desistir de casar...

- Caso com você até em coma alcoólico. — Ele respondeu, me beijando de forma apaixonada.

- Seria um desafio na hora de responder o “sim”. — Brinquei baixinho, fazendo-o deitar e tirando dele os sapatos e a calça jeans.

- Uau, você está tirando a minha roupa... Que legal.

- Você está muito bêbado pra transar, bonitão.

- Nunca estou muito bêbado pra transar com você. — Edward concluiu, me puxando para cima dele.

- Você tem que dormir! — Falei, já rindo da situação enquanto tentava desabotoar sua camisa — Ou realmente esqueceu que vai se casar amanhã?

- Por isso mesmo! Essa é minha última noite como um homem livre... Nada mais apropriado do que transar, não?

Como ele conseguia raciocinar estando tão bêbado?

- Transar com a sua futura esposa? Não tem nada de realmente interessante nisso.

- Ei! — Ele começou, em um tom falsamente irritado — Eu escolho com quem vou transar na minha despedida de solteiro! Nem nos casamos e você já quer mandar em mim!

Me aproximei de seu rosto e me esfreguei nele de propósito.

- Você adora quando eu mando em você. Eu sei que isso te excita.

- E é por isso que eu quero transar com você. — Ele concluiu, com um sorriso sonso e meio bêbado nos lábios.

Ri outra vez, não achando falhas em sua lógica.

- Foda-se. — Falei para mim mesma, afundando em seus braços e deixando que ele fizesse o que realmente quisesse comigo.

Acordei com uma música um pouco irritante, e só depois de muito tempo me dei conta de que ela pertencia ao meu celular. Era estranho: Eu já havia me desacostumado a receber ligações.

Olhei para o lado de Edward na cama e constatei que ele não estava lá. Enquanto isso, meu celular vibrava e tocava escandalosamente em cima do criado mudo oposto.

- Alô... — Falei, esfregando os olhos e testando minha voz rouca.

- Olha se não é a Bela Adormecida. — Alice falou com uma voz debochada do outro lado — Me diga uma coisa: Você ainda pretende se casar hoje?

Me levantei de uma vez, sendo pega de surpresa pelas palavras de Alice. Infelizmente, o movimento foi rápido demais, e no segundo seguinte me sentei na cama outra vez, completamente tonta.

- Wow... Que horas são? — Perguntei de olhos fechados, tentando me acalmar.

- Meio dia. E agora que eu sei que você já está acordada, estou indo praí. Você tem 5 horas pra se tornar a noiva mais linda do mundo, então escove os dentes, tome um banho e se arrume em menos de 5 minutos.

E simplesmente, sem dizer mais nada, ela desligou.

Tentei ficar de pé outra vez, feliz por não sentir mais aquela tontura inicial. Andei o mais rápido que pude para o banheiro, escovando os dentes sem sequer me olhar no espelho e entrando dentro do chuveiro de uma vez.

Quando saí, enrolada na primeira toalha que vi, encontrei Alice já sentada na cama desfeita, me encarando com aqueles olhinhos dourados e vivos. Levei um susto, mas me recompus rápido.

- Bom dia. — Ela falou sorridente.

- Por que ele não me acordou? Onde aquele filho da puta está?

- Na casa dos nossos pais.

- Ah, que bom que ELE vai ter tempo de se arrumar!

- Bella, respira.

Só então notei meu real estado de nervos. Se nos dias anteriores minha ansiedade chegava a níveis assustadores, hoje eu parecia uma bomba atômica prestes a explodir.

- Ok... O que eu faço? — Perguntei, já em pânico, esperando que ela me guiasse de alguma forma.

- Primeiro, você se acalma. Depois, nós almoçamos. E depois, começamos a te arrumar.

- Certo. Vou me acalmar...

- Ótimo. — Ela começou, tranquila — E respondendo à sua pergunta anterior, Edward não te acordou porque disse que você parecia exausta.

Bem, eu estava exausta. Não dormia há muitas horas, mas isso não significava que o melhor que ele tinha a fazer era me deixar dormir além da hora no dia do nosso casamento!

- Não preguei os olhos na noite anterior...

- Que bom que você conseguiu dormir na véspera. Significa que podemos usar menos maquiagem pra cobrir as olheiras. Mas, em compensação, vamos ter que cobrir um ou dois hematomas.

Arregalei os olhos para ela, procurando agora em mim alguma mancha roxa, mas não encontrei nada.

- A lateral do seu pescoço. — Ela explicou, parecendo calma e divertida ao mesmo tempo — Sinceramente, meu irmão poderia chupar com menos força.

Eu realmente mataria Edward quando o encontrasse.

- Mas não se preocupe. Não é nada que não dê pra esconder.

Suspirei aliviada, esquecendo de me envergonhar.

- Tem certeza?

- Tenho. Agora, se vista de uma vez. Jasper está lá embaixo preparando o almoço. Como você acordou tarde, não vai dar tempo de aproveitar um café da manhã. Almoçamos e depois, mãos à obra!

Era bom que Alice estivesse ali. Se não fosse por ela, eu provavelmente acabaria chorando em um cantinho, ainda enrolada na toalha. Eu não sabia se ela já tinha tudo esquematizado e cronometrado dentro da cabeça, mas sua expressão de dona da situação foi o suficiente para me acalmar um pouco.

Desci alguns minutos depois, vestindo um casaco qualquer, uma calça de moletom e minhas pantufas rosa-chiclete. Encontrei Alice e Jasper conversando animadamente na cozinha, discutindo sobre o almoço e os horários que tínhamos que cumprir.

- Edward não vai almoçar aqui? — Perguntei, embora já soubesse a resposta.

- Não. — Jasper respondeu, pegando alguma coisa na geladeira — A tradição diz que o noivo não pode ver a noiva com o vestido antes do casamento, mas achamos que seria muito mais emocionante se vocês não se vissem de forma nenhuma.

- Isso é injusto. Ele já me viu hoje, quando saiu antes de mim. E não me chamou. — Concluí, fazendo cara de puta.

- Não se preocupe, eu acho que ele ainda estava um pouco bêbado de manhã. Provavelmente a memória dele vai ser afetada.

Para parecer que o tempo passava mais devagar, tentei não falar. Assisti Jasper terminar de preparar o almoço em silêncio, almocei em silêncio e lavei a louça em silêncio. Não sei se ele ou Alice se preocuparam com minha atitude, mas pelo menos pareceram compreensivos.

Quando a equipe de maquiadores e cabeleireiros chegou, às 13h, continuei praticamente em silêncio, falando apenas o necessário, mesmo que meu coração agora batesse realmente rápido. Eram três pessoas, aparentemente de muito bom humor, distribuindo elogios aos quais eu não conseguia prestar atenção. A agitação dentro da casa me trouxe mais próxima à realidade que eu insistia em afastar: As horas estavam passando, e rápido, me fazendo pouco a pouco caminhar para o momento do casamento.

Do meu casamento.

Com ele.

- Ok, então vamos clarear os seus olhos, como fizemos há alguns dias, e dar destaque às formas do seu rosto...

- … seu cabelo já é liso por si só, mas vamos passar uma escova e...

- … o que você acha desses pontos de luz? Acho que vão combinar com...

- … unhas em tom claro, certo? Não acho que combine outra cor aqui, porque...

- … essa base é da tonalidade da sua pele. Vai esconder a sua “pequena diversão” no pescoço, não vai ser difícil...

- Claro.

Eu respondia completamente alheia ao que realmente estava acontecendo. Era automático. Se alguém fizesse alguma besteira, Alice naturalmente gritaria e mandaria consertarem o que quer que estivesse errado.

Me pediram para olhar para cima, olhar para baixo, fazer bico, inclinar o pescoço, abaixar a cabeça, fechar e abrir os olhos, estender as mãos e separar os dedos. Falaram comigo durante toda aquela tarde, e tudo que fiz, além de obedecer, foi responder coisas como “sim”, “aham” e “é”. Alice aparecia de dez em dez minutos, cada vez mais produzida e maquiada, fazendo cara de “está ficando bonita” para mim, e eu sorria para ela puramente por reflexo.

Eu vou me casar em algumas horas. Em algumas horas...

- E então? O que achou?

Pisquei algumas vezes, reparando no espelho à minha frente. Ele mostrava uma pessoa muito parecida comigo, mas infinitamente mais bonita. As maçãs do rosto estavam coradas, os olhos pareciam brilhantes e delineados, a boca parecia até mais sensual. A trança desfiada com cada fio milimetricamente bagunçado me dava uma aparência delicada, mas ao mesmo tempo, elegante.

Eu estava muito mais bonita do que no dia da prova da maquiagem.

- Não gostou? — Alice falou outra vez, me tirando do transe.

- Gostei! Está perfeito. — Falei, olhando para às pessoas à minha volta — Muito obrigada!

Alice e as três pessoas desconhecias riram após um breve suspiro, talvez de alívio ao notarem que eu não daria um escândalo e mandaria refazerem todo o trabalho. Me encarei no espelho outra vez, me certificando de que o descuido de Edward deixado no meu pescoço estava devidamente camuflado. — Eu esqueci de uma coisa... Vocês podem repetir a maquiagem no meu hematoma? Eu tenho que passar uma coisa aqui...

Alcancei meu creme de amêndoas e passei uma camada fina ali, me desculpando por não ter lembrado daquele detalhe antes. Eles não pareceram se importar, e refizeram o trabalho na área do meu pescoço como se fosse algo fácil.

Quando meu look estava oficialmente terminado, olhei em volta procurando por Alice exatamente no momento que ela e a manicure entravam pela porta outra vez, trazendo nas mãos meu vestido com todo o cuidado.

- Hora de se arrumar, noiva. — Ela falou de bom humor, e meu coração deu um salto. Não sei se por causa do que ela trazia, pela forma como me chamou, ou ainda por me fazer notar que estávamos nos aproximando das 17h da tarde.

- Me arrumar... — Balbuciei, entre um suspiro e outro. Minha respiração estava claramente afetada, e como se fosse mágica, um copo de água surgiu na minha frente.

- Ei, você tem que se focar aqui. Se ficar muito nervosa vamos ter que parar pra cuidar de você. — Ela começou de maneira muito séria, e desejei não ser uma grávida frouxa e inútil.

- Eu sei...

- Ok. Um passo de cada vez, e quando você notar, já vai estar entrando no casamento.

- Certo. — Falei, tentando parecer durona.

- Certo. O primeiro passo é se enfiar dentro do vestido. Nós vamos ajudar você.

O maquiador se retirou do quarto, deixando apenas Alice, a cabeleireira e a manicure me ajudando com o vestido e toda a tarefa incrivelmente difícil de me colocar dentro dele sem que meu penteado ou minha maquiagem fossem comprometidos. No final, por algum milagre, todas as acrobacias pareceram dar certo.

Calcei as sapatilhas e quando Alice colocou em mim a gargantilha me lembrei dos brincos que Edward havia me dado na noite anterior. Assim que os coloquei, outra vez como mágica, um buquê recheado de camélias surgiu à minha frente, com fios dourados e folhas soltas e trançadas. Eu não havia visto muitos buquês de noiva na vida, mas eu tinha certeza que aquele era um dos mais lindos que podiam existir.

Fui guiada para dentro do closet, e quando me vi encarando o espelho enorme lá dentro, suspirei.

Eu não era a noiva mais interessante do mundo. Também não era a mais chique, tampouco a mais elegante. Mas eu estava, definitivamente, bonita. Como nunca estivera antes. Tão bonita que, pela primeira vez na vida, tive uma vontade idiota de tirar uma foto de mim mesma apenas para guardar de recordação e lembrar que, um dia, eu estive com aquela aparência.

- Se você quer saber a minha opinião — Alice começou, tentando se esquivar do espelho para que só a minha imagem fosse refletida -, eu acho que você é a noiva mais linda que eu já vi.

Era óbvio que existiam noivas muitos mais bonitas do que eu, mas mesmo assim o elogio de Alice surtiu efeito, trazendo algo dentro de mim que eu não lembrava existir: Eu senti amor próprio, senti minha auto-estima ser tocada de alguma forma, mesmo que discretamente.

- Brigada... — Falei, sorrindo e tentando não chorar — Mesmo que você esteja exagerando...

- Não está não.

Virei para a saída do closet e encontrei Jasper encostado na moldura da porta, vestindo um terno preto muito elegante enquanto me encarava com um sorriso no rosto. Vê-lo vestido daquela forma fez com que meu coração acelerasse outra vez.

- Bom, na verdade... — Ele recomeçou, parecendo divertido — Você é a segunda noiva mais bonita que eu já vi. A primeira se casou comigo. Espero que não se chateie pela sinceridade.

- Tudo bem, estou feliz com o segundo lugar. — Respondi, tentando sorrir de forma tranquila pela gentileza.

- Só acho um pouco perigoso. Edward pode cair morto e gelado quando te vir assim tão bonita.

- Eu espero, do fundo do coração, que isso não aconteça...

- Porra, tenho que me arrumar! — Alice interrompeu batendo na própria testa, se lembrando de repente de que ainda vestia as mesmas roupas de antes, e saiu do closet correndo.

Voltei a me encarar no espelho, testando minha respiração e mentalizando qualquer coisa feliz. Não tive coragem de perguntar a Jasper que horas eram, me concentrando principalmente em ficar calma. Alice estava certa, eu não podia ficar nervosa daquele jeito. Não seria nada bom para o bebê.

Mas quanto mais eu pensava nisso, mais nervosa eu ficava. Além de estar prestes a me casar, tinha que controlar meus nervos por causa da minha filha, mas era difícil ficar calma. Não era da natureza de uma noiva ficar tranquila alguns minutos antes do próprio casamento, por isso eu sabia que ninguém podia exigir isso de mim.

Mas eu tinha que me controlar.

- Tudo bem aí? — Jasper perguntou, como se pudesse ler meus pensamentos.

- Nervosa. — Foi tudo que falei. Ele entenderia.

- Não fique. Nada vai dar errado.

- Acredite, muita coisa pode dar errado. — Falei, de repente pensando em realmente tudo que podia estragar aquele momento, mas resolvendo verbalizar o menor dos meus medos — Eu posso tropeçar no vestido e dar com o nariz no chão. Eu sou bem assim.

- Peça pro seu condutor te segurar.

Estaquei, ainda encarando Jasper como se ele não tivesse dito nada.

Quem iria me levar até o altar? Por que eu não havia pensado naquilo antes?

Aliás, por que eu nunca pensava em nada antes de me dar conta de que era tarde demais para solucionar o problema?

- Jasper... Quem...

- Não se preocupe. Você não vai entrar sozinha.

De repente, senti uma vontade quase incontrolável de chorar. Senti saudade dos meus pais, e desejei, com toda a força da alma, que eles estivessem ali. Nem que fosse para me dizer, com a certeza que eles sempre pareciam ter, que eu seria feliz.

Apesar disso, tentei controlar as lágrimas e parecer forte, mesmo que só por fora. Aquele era um momento muito grande para acumular tristezas e incertezas, e eu sabia que precisava estar inteira para o que estava por vir.

E com o pensamento nos meus pais, desejando que eles estivessem presente até mesmo em espírito, engoli o choro e respirei fundo, saindo do closet de cabeça erguida, sentindo uma coragem que há poucos segundos não estava em mim.

...

Cheguei à frente do jardim da casa de Esme e Carlisle no carro que Jasper dirigia. A cerimônia seria nos fundos, perto do chafariz, por isso não havia perigo em ser vista por ninguém: Todos já estavam em seus lugares.

Caminhei para o lado da casa, sempre encarando o chão, e os batimentos do meu coração pareciam acelerar a cada passo dado. Alice caminhava ao meu lado, tão linda em um vestido longo e vermelho que, por um momento, meu brilho de noiva enfraqueceu. Mas eu não me importava.

- Vejam se não é a noiva. — Ouvi alguém dizer, e ao levantar o rosto, vi Emmet em um terno incrivelmente elegante, me encarando com os olhos brilhantes e sorrindo de orelha a orelha.

- Oi... — Falei, e minha voz falhou. Talvez eu não tivesse empregado a força suficiente para emitir algum som.

Alice e Jasper simplesmente desapareceram, e quando me dei conta, estava sozinha com Emmet.

- Cara dama, aceita minha companhia ao longo do percurso? — Ele perguntou em um tom pomposo, estendendo o braço e piscando divertido.

- Você vai me levar? — Consegui pronunciar, engolindo e sentindo minha garganta se fechar de cinco em cinco segundos.

- Só se você quiser.

Entrelacei meu braço no seu, ainda sendo oferecido, e suspirei. Magicamente, uma música começou a tocar, e mesmo que meu coração estivesse quase saindo pela boca e não conseguisse prestar atenção em nada direito, eu podia dizer que não era a marcha nupcial. Era algo mais suave, menos pesado. Era um som maravilhoso.

- Emmet... Não me deixe cair.

- Não se preocupe, cunhadinha. Consigo te segurar com dois dedos. — Ele falou, rindo de novo e olhando para frente. — A propósito: Você está maravilhosa.

Não consegui responder, já que minha garganta parecia se apertar mais a cada segundo passado, mas ele não parecia estar esperando por alguma palavra minha. Quando ele começou a caminhar, fiz tudo que podia fazer naquele momento: O segui, rumo ao que estava me esperando.

Conforme Emmet ia me guiando, as coisas iam vagamente entrando em foco, mas não muito. Eu não estava realmente prestando atenção à minha volta, e tudo de que tinha noção eram algumas mesas um pouco longe de nós, fileiras de bancos brancos e compridos que se aproximavam enquanto caminhávamos e algumas pessoas, provavelmente olhando para mim. À frente daqueles bancos e daquelas pessoas, no centro, de pé como um sonho perfeito e lindo de uma forma perturbadora, Edward nos encarava com as mãos nos bolsos da calça do terno preto que usava. Ele esbanjava classe e beleza, e mesmo que meus olhos não funcionassem direito de longe, eu sabia que ele estava sorrindo. Simplesmente sabia.

Apertei o pano no braço de Emmet, respirando com um pouco mais de dificuldade. Ele me encarou de forma disfarçada, sem deixar que nossa entrada fosse abalada.

- Tudo bem? — Ele falou, se curvando um pouco para baixo e falando perto de mim. Não paramos de caminhar em momento algum.

Fiz que sim com a cabeça, incapaz de falar. Talvez o que estivesse me deixando naquele estado fosse a expectativa, a antecipação, a demora em chegar logo até o lado de Edward e ouvir o "vocês estão casados". Talvez fosse o meu medo de que alguma coisa desse errado, ou, quem sabe, meu medo em acordar com um sorriso idiota no rosto e dar de cara com as paredes sujas do meu apartamento, voltando à realidade de que nada daquilo podia ser real.

Fechei os olhos e continuei meu percurso, pensando e pedindo fervorosamente em silêncio:

Que eu não acorde agora... Não agora... Não ainda.

Senti Emmet parar de andar ao meu lado e meu coração deu mais um salto. Quando consegui reunir coragem para abrir os olhos, Edward já estava exatamente à minha frente, com um sorriso de tirar o fôlego, os cabelos bagunçados de uma forma hipnótica, me encarando com aqueles olhos dourados desesperadoramente lindos.

- Tome conta da minha filha, ou eu vou atrás de você e te mato. — Emmet falou de palhaçada, e Edward soltou uma gargalhada baixa. Desfiz o nó que unia nossos braços e segurei a mão dele, estendida para mim.

Eu não sabia exatamente o motivo, mas estava sendo tomada por uma vontade súbita de rir, chorar, gritar e agarrá-lo, tudo ao mesmo tempo. A mão dele estava quente perto da minha, embora parecesse tremer um pouco. Fechei meus dedos nos seus com força demais, e ele fingiu sentir dor em uma careta sutil.

Edward se virou para frente ainda me encarando, e de repente notei que tinha mais alguém ali perto. O homem de meia idade, separado de nós por uma pequena mesa de vidro, sorria de maneira simpática, e quando simplesmente começou a falar em voz alta, notei que ele seria a pessoa a realizar o casamento.

Ele falou um monte de coisas, e eu desejava poder prestar atenção nelas. Edward permanecia ali, esquentando o lado direito do meu corpo, e me perguntei se ele estaria ouvindo uma palavra que fosse. Não sei se tudo não passou de uma impressão, mas a cerimônia pareceu muito rápida. Talvez porque alguém tivesse mesmo pedido isso, alegando que toda aquela expectativa até o “aceito” provavelmente não faria muito bem aos nervos de uma gestante. Entretanto, o tempo pareceu se alongar — ou melhor, parar — em determinado momento.

- Se alguém for contra esse matrimônio, que se manifeste e exponha os motivos.

Minha respiração ficou suspensa por alguns segundos, esperando e rezando para que aquele tenebroso silêncio passasse logo.

Eu sempre achei que essa parte do “fale agora ou se cale para sempre” não se usava mais. Aparentemente, tudo o que fizeram se resumiu a mudar um pouco as palavras, mas manter aquele momento angustiante presente.

Talvez eu estivesse paranóica, mas não pude evitar que minha imaginação fértil trabalhasse: Um homem chamando a atenção dos convidados, gritando a plenos pulmões que eu não poderia entrar para aquela família porque meu passado era sujo demais. Lauren, surgindo ao longe e dizendo para quem quisesse ouvir que estava esperando um filho do meu noivo. E que ainda o amava.

Estava a ponto de pular no pescoço do juiz de paz e gritar para que ele continuasse, mas no segundo seguinte, ele voltou a falar. E eu me senti muitas toneladas mais leve, sentindo a mão de Edward apertar com cuidado a minha.

Ele estava de frente para mim, e, instintivamente, fiz o mesmo. Com a mão livre, ele tirou do bolso da calça uma caixa vermelha de veludo e a abriu, revelando lá dentro duas alianças que seriam perfeitamente iguais se fossem do mesmo tamanho.

Edward pegou a menor aliança e olhou profundamente nos meus olhos, me prometendo que seria fiel, que me amaria e que me faria feliz nas palavras formais repetidas do juiz de paz. Quando ele encaixou delicadamente o aro no meu dedo, senti um formigamento bom e meio quente começando da ponta do anelar e subindo pelo resto do meu braço. Ele me encarou outra vez e deu aquela porra de sorriso torto, me fazendo ficar na ponta dos pés, quase perdendo o controle e o agarrando ali mesmo.

Repeti as mesmas palavras que Edward havia acabado de dizer sem realmente prestar atenção nelas, porque tudo que elas juravam já estava prometido, há muito tempo, pelo meu coração. Quando deslizei a aliança maior em seu dedo, contemplei por um momento o aro ali, como se fosse uma prova de que tudo que estava acontecendo era mesmo real.

O juiz de paz disse alguma coisa que resultou em Emmet e Victoria indo até ali para assinar alguns papéis. Imaginei que eles deviam ser as testemunhas do casamento. Foi então a vez de nós dois assinarmos alguns papéis também, e depois das assinaturas, quando tanto Emmet quando Victoria já haviam voltado para seus lugares, o homem falou mais meia dúzia de palavras curtas e ficou em silêncio. Senti a mão quente de Edward segurar com firmeza minha nuca e me virei.

Ele estava de frente para mim, e naquele momento, tudo o que eu mais queria era me afogar naqueles olhos dourados hipnotizantes. Eu queria me perder nele, de todos os jeitos possíveis, e nem sabia o que aqueles pensamentos queriam dizer no final das contas. Ele sorriu de novo, e de novo me senti mais fraca, mais entregue, mais feliz.

Edward se inclinou para mim com muita classe, e aquelas frações de segundos foram, sem sombra de dúvidas, as frações de segundos mais preciosas de toda a minha vida até então.

Ainda não... Que eu não acorde agora, ainda não... Por favor...

Ele me beijou, e o beijo era tão igual a tantos outros que já tínhamos trocado, e, ao mesmo tempo, tão diferente... Era um ato que selava qualquer dúvida, qualquer problema no qual minha cabeça problemática insistia em pensar. E mesmo que eu não tivesse o direito de tomar posse de alguém, aquela verdade agora piscava em luzes neon dentro da minha cabeça.

Ele é meu. É realmente meu.

- Eu amo você. — Falei em um sussurro, ainda de olhos fechados, assim que ele se afastou minimamente dos meus lábios.

- Eu também te amo. — Ele respondeu de forma simples, rindo baixinho contra a minha boca. Foi só então que o som dos aplausos chegou aos poucos aos meus ouvidos, me tirando da nossa bolha e me fazendo ficar completamente consciente, pela primeira vez, de todas as pessoas que nos assistiam ali.

É verdade. Não estávamos sozinhos.

...

O tapete pelo qual eu passei não era vermelho, mas sim branco. O caminho era limitado por arranjos de bambus ocos de altura média, que serviam como vasos rústicos para flores brancas. Eles ficavam ao lado de cada banco, e pela matemática rápida que fiz mentalmente, havia seis ou sete fileiras deles.

No outro lado do jardim, perto do chafariz, algumas mesas redondas e grandes estavam espalhadas, enquanto os convidados — quase todos desconhecidos para mim — conversavam animadamente, alguns de pé, outros sentados e mais alguns dançando ao som de uma banda de três ou quatro homens a um canto. Começava a anoitecer, e o jardim já estava iluminado pelos vários pontos de luz espalhados aqui e ali. Reconheci de longe Emmet e Julia dançando juntos, como se fossem do mesmo tamanho. Joshua acompanhava Victoria com Lilly no colo enquanto sua mulher conversava com Carlisle. Esme falava com algumas mulheres e Alice estava comendo qualquer coisa sentada a uma das mesas, com Jasper ao seu lado. E Edward havia sumido.

Foi quando encarei minha aliança com um sorriso bobo no rosto que senti um casaco branco e fofo cobrir meus ombros e um abraço envolver a minha cintura por trás.

- Você está um sonho. — Ele falou baixinho perto da minha orelha, respirando com força contra ela para que eu me arrepiasse — Um sonho muito cheiroso.

- Meu marido deixou um chupão no meu pescoço. Eu tive que passar um creme.

- Seu marido estava bêbado, tenho certeza que ele não fez por mal. Além do mais, deve ser muito difícil se controlar perto de você.

- Bom, espero que ele pelo menos consiga se controlar em público. — Falei, me virando para ele e deixando claro que o volume nas suas calças não havia passado desapercebido — Acho que me casei com um adolescente de 16 anos.

Ele continuou me olhando em silêncio, prendendo o casaco branco nos meus ombros.

- Acho que você é mesmo a coisa mais linda que eu já vi. — Ele disse com uma voz sexy, passando o indicador pela linha do meu queixo.

- Acho que você ainda não se olhou no espelho.

Ele gargalhou alto, como se eu tivesse acabado de contar uma piada realmente boa.

- Você é engraçada. — Ele finalmente disse, me ajudando a vestir o casaco. Quando estava enfim agasalhada, prendi meus dedos nos fios da sua nuca e o beijei sem nenhum aviso. Não era um beijo sensual, mas sim gentil, suave. Ou, ao menos, essa era a minha intenção antes de Edward começar a me agarrar de uma forma um pouco inapropriada.

- Vai ser realmente bonito se um dos fotógrafos registrarem esse momento. — Debochei contra a sua boca, tentando segurar seus braços.

- Ainda bem que não foi a mamãe que veio chamar vocês aqui. — Emmet disse, saindo de trás de um arbusto e rindo feito uma criança — Ela ficaria constrangida.

- Emmet, você vai ser SEMPRE o meu empata-foda? — Edward falou meio puto.

- Ei, só vim chamar vocês pra algumas fotos. Podem voltar pro matinho depois.

- Não vamos voltar. — Falei de forma divertida — Não quero que minha noite de núpcias aconteça no fundo do jardim dos pais de vocês. Vamos.

Puxei-o pela mão mas ele continuou parado.

- Preciso de um tempinho aqui. — Ele se explicou, colocando a mão nos bolsos.

- Vamos, Bellinha. Meu irmão tem que desarmar a barraca.

Depois de algum tempo, Edward se juntou a nós outra vez. Recebemos mais desejos de felicidade de mais pessoas, todos me elogiando e o parabenizando pela “sorte de casar com uma moça tão bonita”. Imaginei que grande parte daquelas pessoas fossem executivos que ele já conhecia por serem amigos de seu pai, e outros deviam ser apenas amigos de longa data.

Tiramos fotos com praticamente todo mundo ali, mesmo porque não eram tantos convidados assim, e quando anunciaram a hora de cortar o bolo, fui outra vez surpreendida. Em cima da segunda camada enfeitada com glacê, vi uma miniatura incrivelmente bem feita de mim mesma com Edward. Nossas feições eram perfeitas, e eu poderia até ter apreciado mais o capricho da personalização dos noivinhos caso todo mundo não estivesse rindo agora.

A noivinha estava grávida e tinha os olhos revirados, e o noivinho estava efusivamente agarrado à sua barriga, ajoelhado no chão e com cara de pânico.

- Mandou muito bem, Emmet! — Alice falou gargalhando.

- Eu sei. — Ele concluiu.

- Vão à merda. — Edward falou friamente, embora ele também estivesse rindo.

Depois que o bolo foi fatiado e servido, comecei a sentir um pouco de exaustão. Toda a carga de emoções pela qual eu havia passado durante aquele dia estava me cansando. Era como se eu tivesse nadado durante horas sem parar.

Mais fotos, mais pessoas aplaudindo, mais gente bebendo e mais perguntas sobre a minha gestação. Eu estava feliz que todo mundo estivesse bem ali, mas não queria dar realmente uma atenção especial a ninguém que não fosse Edward. Não era falta de educação, mas eu estava exausta e um pouco em transe ainda.

- É uma bela festa. — Alice falou, se sentando ao meu lado em uma das cadeiras livres.

- É... E o mérito é todo seu. Obrigada por tudo.

Ela deu um sorriso e segurou minha mão.

- Espero que você e meu irmão sejam felizes. Ele merece isso, e você também.

- Vamos ser. — Respondi, sentindo a certeza nas minhas próprias palavras. Era muito simples: Nós seríamos felizes porque fomos feitos sob medida um para o outro. Não havia chance de não sermos. Simplesmente não havia.

Os convidados começaram a ir embora aos poucos, e àquela altura eu mesma já estava com uma leve vontade de pegar Edward pela mão e ir para casa a pé mesmo. Não sabia que horas eram, mas imaginava que não fosse muito tarde. E no final, quando olhei em volta e só vi Alice ao meu lado (comendo seu quarto pedaço de bolo), Emmet, Jasper, Edward e Victoria conversando animadamente e Carlisle falando com os músicos junto de Esme, concluí que a festa havia chegado ao fim.

E eu ainda estava um pouco sedada por tudo aquilo.

Bebi o que provavelmente era meu décimo copo de suco de maracujá, sentindo um vento fresco e bastante agradável passar pelo meu rosto. Fechei os olhos e fiquei ali, sentada, calada, fazendo nada mais além de respirar toda a mistura de perfumes daquele jardim.

Por um longo tempo.

- Oi...

Sorri sem abrir os olhos. Poucas coisas eram tão boas quanto ouvir sua voz de repente ao pé do meu ouvido.

- Oi.

- Vamos pra casa ou você prefere ficar aqui? — Ele perguntou de forma irônica, infiltrando os dedos por debaixo da minha trança e fazendo carinho na minha nuca. Minha cabeça ficou mole.

- Se você não parar de fazer isso, prefiro ficar.

- Posso fazer isso na nossa casa também. Debaixo do edredom.

- Vamos. — Concluí, me levantando imediatamente e já caminhando para me despedir das pessoas.

Jasper e Emmet se colocaram à disposição para nos levar de carro, mas Edward disse que não precisava, alegando que ele mesmo iria dirigindo um dos carros do pai emprestado, e então entendi que ele não havia bebido durante aquela noite.

Felizmente o caminho todo se resumia a dois quarteirões. Eu tinha certeza que acabaria dormindo caso passasse cinco minutos sentada no banco macio daquele carro. Quando chegamos ao jardim mágico da nossa casa, me apressei em abrir a porta do carro, mas fui impedida pelo grito de Edward.

- Não grita, porra! — Falei assustada, socando-lhe o ombro. Ele se limitou a rir.

- Você não conhece uma das principais tradições do casamento? O noivo carrega a noiva!

- Pra dentro de casa. — Falei, cética — Se você não notou, ainda não entramos.

- A casa está dentro dos limites daquele portão de ferro pelo qual passamos com o carro.

- Então você fez errado de qualquer jeito. Porque eu já entrei e não estou no seu colo.

- Ah, cala a boca! — Ele fingiu estar irritado e saiu, dando a volta pela frente do carro. Foi minha vez de rir da cara dele.

Edward abriu a porta do carona e me carregou no colo sem muita dificuldade. Me agarrei no pescoço dele usando o sono como pretexto, e quando cruzamos a soleira da porta, ele não me soltou.

- Se você pisar na barra do meu vestido, vai ser tão engraçado... — Falei rindo de mim mesma enquanto ele me carregava para o quarto.

- Você está estragando o romantismo, porra!

Eu não sabia se era o sono ou a leveza que eu sentia, mas tudo parecia muito mais engraçado do que o normal. Se eu não estivesse grávida, consideraria a possibilidade de Alice ter colocado algum alucinógeno no meu suco. Edward parecia me achar engraçada por isso, e ria junto comigo de absolutamente nada em particular.

Ele me colocou sentada na cama com um cuidado meio exagerado, me pedindo para ficar ali e esperá-lo voltar.

- Todas as portas ficaram abertas e as luzes ligadas. Não vou demorar.

E dizendo aquilo, me deu um beijo tão suave que mal pude sentir seus lábios tocarem nos meus. Quando abri os olhos outra vez, ele já não estava mais lá.

Tirei as sapatilhas, os brincos e a gargantilha, me deitando em seguida e encarando o teto. Lembrei de tudo que havia acontecido naquela noite: No meu casamento perfeito, no meu noivo perfeito, na minha nova família perfeita. E conforme os segundos iam passando e Edward não voltava para o quarto, me dei conta de que estava ansiosa de novo. Mas, dessa vez, por outro motivo.

Eu tinha transado com Edward no primeiro dia que nos conhecemos. Claro. Além disso, estava tão acostumada a fazer isso com ele que já era algo tão natural quanto tomar banho ou algo assim. Por isso, aquela ansiedade adolescente que estava fazendo com que as pontas dos meus dedos ficassem geladas podia ser considerada, no mínimo, idiota.

Não era medo. E também não se tratava de insegurança. Eu sabia muito bem o que tinha que fazer e como fazê-lo. Mas, de alguma forma, era como se aquela sensação da expectativa por uma primeira aproximação estivesse me tomando aos poucos. Era quase a mesma sensação de quando me dei conta, pela primeira vez, que estava apaixonada por ele. A diferença era que, diferentemente da primeira vez, eu estava me permitindo desfrutar daquela sensação.

Era o nervosismo bom de uma nova paixão. Só que eu já estava apaixonada por algum tempo, então não fazia sentido.

- Você é muito estranha... — Falei em voz alta para mim mesma, sorrindo de qualquer jeito esparramada na cama.

Ouvi os passos dele subindo as escadas outra vez e meu coração começou a bater muito forte. Sorri outra vez, achando graça do que ele me fazia sentir.

- Feliz? — Ele perguntou ao ver meu sorriso bobo, fechando a porta e indo se sentar ao meu lado na cama.

- Que pergunta estúpida é essa? — Perguntei sem deixar de sorrir — Óbvio que estou!

- Você tem andado muito com a minha irmã. Está começando a falar como ela. — Ele sorriu de volta, passando o indicador na linha do meu maxilar. Meu coração deu mais duas ou três batidas surdas.

- Você faz perguntas idiotas e a culpa é da sua irmã? — Perguntei, me levantando e ficando sentada de frente para ele. Eu sabia que encurtar o espaço entre nós me faria ficar mais nervosa, mas a sensação era tão boa que fiz de propósito.

Ele continuou me encarando por tanto tempo que pensei que quisesse dizer alguma coisa. Mas ao final de um longo silêncio, Edward simplesmente segurou com muita delicadeza meu pescoço e tão lentamente quanto uma maravilhosa tortura, se inclinou para frente e me beijou.

Foi um beijo perfeito. Absolutamente perfeito, em tudo. Bom o suficiente para me manter em um estado de torpor durante um longo tempo, inclusive depois que ele acabou.

- Você foi o primeiro homem que eu beijei... — Soltei em um tom de voz baixa, ainda de olhos fechados, sentindo o rosto dele próximo ao meu. Não sabia o motivo de ter dito aquilo naquele momento, mas também não fazia idéia do porquê aquela era a primeira vez que eu fazia aquela confissão a ele. Mas agora que o silêncio havia se instalado no quarto, eu começava a me sentir meio... idiota.

- Eu fui o primeiro homem que você beijou? — Ele perguntou, parecendo surpreso.

- Foi...

- Isso é sério?

- Não. Eu achei que seria legal contar uma mentira e depois quebrar o clima. — Falei debochada.

- Por que você nunca... Você nunca teve um namorado além de mim?

- Não. — Respondi encarando sua boca e chegando mais perto dele instintivamente.

- Não acredito que eu tive que esperar esse tempo todo pra saber disso... — Ele pontuou com um sorriso no rosto, infiltrando os dedos por baixo da minha trança outra vez e me puxando mais para perto — Por que nunca me disse isso?

- Eu acho que esqueci... — Falei um pouco desorientada pela proximidade, e no segundo seguinte, como se não estivéssemos bem no meio de uma conversa, o beijei distraidamente.

O beijo começou lento, mas não demorou para se tornar algo a mais. Edward levou sua boca para o meu pescoço e deixou com a língua um rastro molhado perto da minha orelha. Meu corpo tremeu involuntariamente, e outra vez eu sorri.

- Está com frio? — Ele perguntou, e notei que aquela não era uma pergunta provocativa, mas sim verdadeiramente ingênua.

- Não. — Respondi, voltando a beijá-lo imediatamente enquanto trabalhava nos botões da sua camisa, no paletó e na gravata.

Quando o despi completamente na parte de cima, Edward trilhou um caminho de beijos no meu pescoço até a minha nuca, indo se sentar atrás de mim. A respiração pesada dele batia direto na pele sensível do meu pescoço, e era muito difícil parar de tremer. Quando senti seus dedos abrirem o ziper do meu vestido devagar, meus músculos se contraíram todos de uma vez, e ele notou.

- Você está bem?

- Aham.

- Parece um pouco tensa. — Ele disse, pontuando a frase com beijos na pele das minhas costas que agora estava exposta. Senti todos os pêlos do meu corpo se eriçarem, e ele notou isso também.

Edward sorriu contra a minha pele e foi tirando o vestido de mim da forma mais gentil e elegante que conseguia. Quando, no final das contas, tudo que eu vestia se resumia a uma calcinha branca (porque não tive tempo de escolher uma coisa mais apropriadamente vulgar para a ocasião, já que aquele dia havia começado aos trancos e barrancos), ele sorriu outra vez e me abraçou por trás. Só porque já haviam se acostumado, suas mãos migraram para a minha barriga.

- Do que está rindo? — Tentei falar em uma voz firme e falhei vergonhosamente.

- Você está nervosa.

- E o que tem isso?

- Eu nunca te vi nervosa assim. — Ele falou calmamente, voltando a beijar o meu pescoço e ronronar ali como um gato cheio de manha. — O que você tem?

- Não sei. — Respondi a verdade.

- Quer deixar pra outro dia?

- NÃO! — Falei enfaticamente e corei em seguida.

- Que bom — Ele concluiu, sussurrando ao pé do meu ouvido enquanto subia suas mãos — Eu também não quero.

As mãos dele percorriam o meu corpo e me tocavam da mesma forma de sempre, e era engraçado como, dessa vez, tudo parecia mais intenso. Minha pele simplesmente se mantinha arrepiada durante o tempo todo, como se o toque dele fosse desconhecido. Mesmo me sentindo um pouco inibida — algo que também nunca havia acontecido -, deixei que minha cabeça repousasse em seu ombro, tendo acesso à sua boca, e o beijei apaixonadamente. As mãos dele pareciam tocar em pontos estratégicos, que costumavam ser tão normais mas que, naquele momento, pareciam fios desencapados.

Quando ele voltou a ficar de frente para mim, tudo que fez foi me encarar por um longo tempo enquanto brincava com seus dedos na minha nuca. Nós dois ficamos em silêncio, como se não soubéssemos o que fazer a partir dali, ou como se não precisássemos fazer nada mesmo.

- Você é absurdamente linda. — Ele falou de repente, tirando alguns fios do meu rosto.

- Amanhã eu tiro a maquiagem. — Brinquei, beijando-o outra vez.

- Você vai continuar absurdamente linda amanhã. — Ele sorriu, pegando minha mão esquerda e beijando meu anelar com a aliança — Sua beleza não se limita à maquiagem. Não se limita nem à sua aparência. Você sempre foi linda, principalmente no que diz respeito ao que ninguém vê.

Eu o encarava feito uma retardada, assistindo-o se declarar contra a palma da minha mão. Eu queria responder, mas não o fiz por dois motivos: Primeiro, eu não sabia o que dizer. Segundo: Nada que eu dissesse valeria tanto a pena a ponto de interrompê-lo.

- Eu não acredito na sorte que tive de te encontrar, e não me conformo por quase ter deixado você ir embora. Então, se você ainda não se deu conta disso, me deixa te avisar: — Ele se inclinou para frente e encostou a boca no meu ouvido — Isso aqui é pra sempre. E o meu “pra sempre” não é como os de hoje em dia, que resolvem acabar por preguiça. O meu “pra sempre” é um pouco mais chato, aquele que não se dá por vencido.

Ele voltou a me encarar com aqueles olhos amarelos brilhantes e lindos, dando um sorriso arrebatador a poucos centímetros de distância do meu rosto. Eu continuei imóvel, e embora não tivesse nada de inteligente para falar, falei mesmo assim. Ou sussurrei.

- Eu gosto de “pra sempre” chatos.

- Então nós realmente combinamos. — Ele disse, e mesmo que meus olhos já estivessem fechados, pude “ouvir” seu sorriso enquanto ele dizia aquilo.

Sem esperar pela minha resposta — talvez porque ele tenha notado que eu nunca conseguia falar merda nenhuma direito — Edward me puxou para o seu colo e, quando fez isso, senti seu membro já completamente rígido contra a minha barriga. E então, porque as coisas não estavam estranhas o suficiente, meu rosto começou a ferver.

- Você ficou vermelha!

- Cala a boca... — Falei, corando ainda mais enquanto tentava desabotoar suas calças embaixo de mim.

- Fui eu que fiz isso? — Ele perguntou, parecendo tão divertido quanto se estivesse em um parque de diversões.

- Cala a boca! — Repeti, abaixando o rosto mas não conseguindo deixar de sorrir. Eu estava corando como uma menininha inexperiente, e vê-lo rindo de mim estava me deixando ainda mais sem graça.

- Você fica ainda mais linda vermelha... — Ele falou enquanto levantava meu rosto com uma das mãos e, com a outra, me puxava outra vez contra sua ereção.

Depois de um pouco de ginástica e uma confusão de mãos, acabamos os dois sem roupas. A noite estava fria, ou talvez fosse a minha ansiedade. Edward parecia tão calmo como em qualquer outro dia, e tive que me concentrar no pensamento de que a estranha naquela situação era eu. Ele voltou a me beijar, e seu beijo parecia mais profundo do que nunca. Sua boca passeava sem pressa pelo meu rosto, meu pescoço, meus ombros e meus seios, confortável o suficiente para não parar um segundo sequer.

Estremeci de leve quando senti suas mãos me levantarem, mas não deixei que ele notasse. Edward se alinhou perfeitamente à minha entrada e esperou que eu me movesse, como era de costume. Como já estávamos mais do que acostumados a fazer.

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Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!

Mas eu não consegui.

Ele me encarou outra vez, ainda sorrindo. Aquilo foi o suficiente para fazer com que eu corasse outra vez.

- Eu não consigo entrar em você. — Edward disse contra o meu pescoço, usando sua voz mais conquistadora — Que tal relaxar?

Sua boca começou a passear muito suavemente de um lado ao outro do meu pescoço, fazendo com que eu me arrepiasse nos lugares em que a pele dele esteve em contato com a minha.

- Eu sei o que tenho que fazer. — Retruquei friamente, tentando tirar qualquer traço de ingenuidade da minha voz. Isso só parecia diverti-lo ainda mais.

- Então por que você não deixa eu me divertir aqui? — Ele perguntou em meio a risos, deslizando uma das mãos para o meio das minhas pernas e esfregando com vontade não só meu clitóris como toda a entrada.

- Hmmm... — Gemi contra a pele do seu rosto, tentando dar uma resposta plausível mas não achando nenhuma.

Ele firmou seu pênis de novo no lugar certo, e como da primeira vez, mal começou a entrar e meu corpo já havia se fechado violentamente contra o muito pouco que já estava quase dentro.

- Amor, você é virgem? — Ele debochou e eu comecei a rir — Vem cá.

Só me dei conta de que já estava deitada com as costas no colchão no segundo seguinte. Claro, ele sabia muito bem qual era a melhor maneira de me deixar relaxada e explodindo de tesão. Ele sabia usar aquela porra daquela língua dele muito bem, e depois de algumas lambidas e chupadas tão boas quanto o paraíso, qualquer virgem frígida estaria louca de vontade de ser espancada por aquela ereção enorme.

E nessa situação, aproveitando tudo que seus dedos e sua língua alternadamente faziam em mim, de olhos fechados e respiração pesada, fui invadida sem nenhum preparo ou aviso.

Respirei fundo, agarrando o travesseiro embaixo da minha cabeça e fazendo força para não gemer alto. Edward esperou um pouco para se mover, me encarando para se certificar de que não havia me machucado. Fiz o possível para informá-lo que estava bem. Ótima, aliás.

Ele então se moveu, ondulando entre as minhas pernas daquele jeito incrível que ele sabia fazer tão bem. Quando suas mãos foram parar na minha cintura e levantaram meus quadris, notei na aliança dourada que brilhava no anelar dele e, por algum motivo, ele pareceu dez vezes mais foda.

E era claro que as vadias soltas por aí também achariam isso. Mas não tinha problema: Eu iria atrás dela e as degolaria caso elas mexessem com o MEU marido.

Meu.

Quando as investidas foram se tornando mais rápidas e mais profundas, cansei de engolir os gemidos e comecei a fazer barulho de verdade, não me importando em momento algum se estava fazendo um escândalo. Mesmo porque Edward parecia estar gostando bastante dos barulhos que eu fazia, escandalosos ou não.

Depois de ir parar no seu colo mais uma vez, ditei o ritmo da transa pelo resto da noite. Consegui controlar nossos orgasmos por um tempo consideravelmente grande, já que nós dois chegávamos aos nossos limites com frequência. Quando nos permiti chegar ao clímax juntos, pela segunda vez, os lençóis já estavam tão amassados que pareciam ter servido de palco para uma luta. Eu estava cansada, suada, provavelmente descabelada e com a maquiagem borrada. Edward continuava um semi-deus, cheiroso e lindo de doer como sempre.

Acho que dormi no seu colo, sentada, enquanto tentava recuperar a respiração constante. A exaustão havia me nocauteado, mas só de me nocautear nos braços dele, já estava bom. Ele cuidaria de mim, e eu confiava nisso com toda a força da alma.

Pelo menos enquanto aquele sonho durasse, eu estaria bem.

Que eu não acorde nunca... Nunca.

Notas finais
Não vou me alongar aqui. Sei que demorei dessa vez. Pra tentar compensar, dou dois capítulos pra vocês.
Desculpem.
E muito obrigada pelas indicações e reviews!
Beijos, Mel.