De Repente, Amor
34 Capítulo 34
Notas iniciais
Boa leitura.
Bella’s POV
Tudo que eu estivera pensando antes daquele momento — qualquer medo, qualquer angústia, qualquer merda — tinha sido completamente esquecido. A dor no meu peito foi diminuindo rapidamente, até deixar de existir. Era como ter recebido uma dose de morfina que gradativamente fazia efeito.
Continuei na mesma posição, sem mover um único músculo, respirando como se aquilo precisasse de concentração. Estava quase silencioso: A respiração dele estava alta demais para não ser ouvida. Ele continuava de joelhos à minha frente, segurando debilmente a caixa com a aliança encaixada ali. O álcool o fazia bambear um pouco para os lados e piscar de maneira lenta, mas ele ainda me encarava com um certo medo no olhar.
Não sei por que fiquei em silêncio tanto tempo. Talvez porque não conseguisse falar. Talvez porque não visse necessidade em responder. Ele sentou em seus calcanhares, parecendo desapontado enquanto se apoiava nas minhas pernas.
- Você pode pensar a respeito... — Ele começou, e o som triste da sua voz me fez piscar depois de muito tempo.
Eu poderia pensar a respeito, mas o fato era que não havia um único motivo para que eu devesse pensar. A proposta era muito simples: Eu poderia casar com o homem que amava feito uma louca, formar uma família com ele, viver o resto da vida ao seu lado e ser feliz para sempre. Ou, poderia dizer "não".
Não era uma decisão muito difícil.
- Pensar a respeito? — Perguntei de maneira simples, em uma voz fraca — Edward... Você realmente... REALMENTE acha que eu tenho alguma outra resposta além de "sim"?
Ele pareceu se iluminar, fazendo uma cara de surpresa tão inocente e verdadeira que era difícil acreditar no fato de que sim, ele duvidava da minha resposta.
- Isso foi um "sim"? — Sua voz saiu um pouco trêmula, mostrando uma incerteza incrivelmente idiota.
- Óbvio. Isso foi um "óbvio". — Respondi no mesmo tom baixo e neutro, com medo de acabar em prantos caso adotasse uma outra postura.
Ele deu o maior sorriso que eu já havia visto, me fazendo esquecer da sua insegurança, do teor alcoólico em seu sangue ou do seu nariz quebrado. Tudo que ele fez foi dar aquele sorriso, e meu coração simplesmente parou de bater por um momento. Em uma fração de segundos, tive uma vontade impulsiva de gritar tão alto que estranhei não tê-lo feito. Mas meu corpo, incluindo minhas cordas vocais, ainda estava anestesiado.
Edward segurou suavemente minha mão esquerda, trazendo-a mais para perto de si. Ainda sorrindo abobalhado, ele retirou com delicadeza a antiga aliança que eu mantinha no anelar há tanto tempo, e com a outra mão, encaixou ali a aliança de noivado. Encarei-o, tentando controlar a vontade de simplesmente me jogar em cima dele e chorar feito uma pamonha. Ele beijou demoradamente minha mão, e quando se afastou, deixou um rastro de sangue nela.
- Merda! — Edward falou, tentando limpar a sujeira com a outra mão.
Sem pensar, puxei de qualquer jeito a encharpe que ainda estava no meu pescoço e, com cuidado, limpei o rosto dele. Inclinei sua cabeça para trás, tentando fazer com que o sangue parasse de escorrer. Ele não disse nada, mas me encarava como uma criança obediente e sonolenta.
Ele parecia indefeso, e vê-lo daquela forma me deixou tão apaixonada que quando a vontade de tomá-lo nos meus braços veio, não hesitei. Me aproximei dele e, segurando seu rosto, beijei-o carinhosamente nos lábios. Era como se o amor que eu sentia não coubesse dentro de mim e transbordasse.
Os resquícios de sangue deixavam um gosto salgado nos lábios dele, mas ignorei. Aprofundei o beijo, forçando minha língua contra a dele. Joguei a encharpe suja de sangue em qualquer lugar e prendi meus dedos em seus cabelos, deslizando para baixo e indo parar no colo dele, no chão.
Desabotoei sua blusa aos poucos, sem pressa, em uma velocidade que sua mente alcoolizada pudesse acompanhar. Edward gemeu contra a minha boca, tateando às cegas os botões ainda fechados mas não conseguindo abri-los, tamanha era sua embriaguez.
- Deixa comigo. — Murmurei na orelha dele, puxando a blusa agora aberta para os lados e despindo-o na parte de cima.
Ele gemeu outra vez, dando uma volta completa com seus braços no meu tronco. Seu corpo e sua cabeça balançavam tanto que tive medo que ele caísse, mesmo já sentado no chão. Me perguntei o que daquela noite seria lembrado no dia seguinte.
Voltei a beijá-lo, forçando mais meu corpo contra seus quadris. Ele mordeu meu lábio inferior com um pouco de força, me fazendo sentir uma leve dor, a qual resolvi ignorar. Abri os botões da sua calça e fiz um certo malabarismo para puxá-la pelas suas pernas junto com a cueca e os sapatos.
- Deite. — Falei perto do seu rosto para que ele entendesse. Edward se deixou cair no tapete fofo com um pouco de força, e eu sabia que aquilo teria machucado caso ele estivesse sóbrio. Levantei apenas para tirar meus sapatos e todas as peças de roupa por baixo do meu vestido. Quando voltei a sentar perto dos seus quadris, notei que não seria necessário nenhum estímulo extra: Ele já estava bastante excitado, embora parecesse sonolento.
Suas mãos apertaram minha cintura com vontade. Ele parecia uma criança impaciente, um pouco desesperado, me puxando cada vez mais contra si. Quando finalmente sentei nele, Edward soltou um gemido tão alto que talvez pudesse ser ouvido do lado de fora da casa. Tapei sua boca com uma das mãos, e ele me olhou como se estivesse arrependido, respirando com dificuldade. Quando finalmente achei que ele se comportaria, afastei minha mão e me movimentei devagar, fazendo-o se acostumar aos poucos com o nosso encaixe. Ele gemeu outra vez, dessa vez baixo, tentando se levantar e ficar sentado, mas muito bêbado para achar um ponto de apoio. Depois de não se decidir entre manter suas mãos nos meus quadris ou continuar procurando com elas algum lugar em que pudesse ajudá-lo a se levantar, Edward finalmente encontrou o sofá, fazendo força suficiente contra ele para conseguir se sentar no chão. Quando o fez, seu corpo oscilou outra vez, e outra vez tive medo de que ele caísse.
Ele não parecia notar seu próprio estado, envolvendo seus braços na minha cintura e hora me beijando, hora sussurrando coisas incompreensíveis contra a minha boca. Suas mãos apertavam as laterais do meu corpo com força, reforçando os movimentos que ele fazia dentro de mim. Ele oscilou mais uma vez, e antes que acabássemos os dois machucados, mandei-o apoiar as costas no sofá.
Ele sorriu distraidamente com o tom exigente na minha voz, virando nós dois para fazer o que eu havia dito. Quando sua cabeça caiu pesadamente sobre o assento do sofá, deixando-o seguro, agarrei seus cabelos com força e beijei-o furiosamente, sentindo o leve gosto de whisky em sua língua e até gostando de senti-lo. Ele retribuiu ao meu desespero de forma igualmente efusiva, passeando suas mãos por todo o meu corpo, por cima do vestido. Seus dedos puxaram o tecido em várias direções diferentes, e imaginei que ele me quisesse sem aquilo.
Tirei-o de uma só vez e voltei a me agarrar nele. Edward pareceu acordar do transe ao sentir minha pele contra seu peito, e no segundo seguinte senti suas mãos me agarrarem com força, me puxando contra seu corpo cada vez que ele investia contra mim. Sua boca foi parar no meu pescoço, mordiscando de leve a pele ali. Ameacei-o em um tom de voz sensual, dizendo que se ele deixasse alguma marca ali, se arrependeria amargamente do descuido. Ele sorriu outra vez, ofegando com tanta força que, por um momento, pensei ser falta de ar.
- Você está vermelho... — Falei, começando a sentir frio pela camada fina de suor que unia nossos corpos.
- Estou... Tentando...
Ele estava tentando não ter um orgasmo, e eu sabia disso. Mas era simplesmente muito difícil não provocá-lo.
- Goza em mim, Edward. — Falei contra a sua boca, com a voz baixa mais ninfomaníaca que conseguia fazer.
- Ahhhh, não faz isso... — Ele começou, me agarrando com ainda mais força enquanto fazia cara de choro. Edward sempre se policiava para chegar ao clímax depois de mim, e eu não sabia se aquilo era cavalheirismo ou algum tipo de fetiche. Mas quando se está bêbado, tudo se torna muito mais difícil de controlar.
- Goza dentro de mim... — Repeti, olhando-o nos olhos como uma maníaca — Eu quero sentir o calor do seu gozo...
Edward começou a tremer com força, e como se fosse possível, ficou ainda mais vermelho. As veias das suas têmporas tornaram-se grossas e evidentes, e eu esperava sinceramente que ele explodisse só de prazer.
Quando sua boca voltou para o meu pescoço, senti-o tentar abafar o grito contra a minha pele, me apertando com tanta força pela cintura que cheguei a sentir dor. Suas mãos foram afrouxando aos poucos depois de alguns segundos, voltando à delicadeza com que ele costumava me tocar.
E daquele jeito Edward ficou. Eu só tinha certeza de que ele ainda estava vivo por causa da sua respiração. Puxei seus cabelos para trás e deixei que sua cabeça caísse no sofá. Ele murmurou alguma coisa, ainda de olhos fechados, e tudo que consegui fazer foi rir.
Até patético ele era lindo.
Parei de encará-lo feito uma imbecil e me levantei de seu colo, indo rapidamente ao banheiro da área de serviço para me limpar. Na volta, encontrei-o dormindo como uma criança, exatamente na mesma posição em que o havia deixado.
Com algum malabarismo, consegui fazê-lo deitar outra vez no tapete e tirar a manta que cobria o sofá para cobrir a nós dois. Estava fora de cogitação tentar carregá-lo para o quarto, porque acabaríamos os dois rolando escada abaixo. Peguei alguns travesseiros da poltrona mais próxima e me deitei junto a ele, encarando meu anelar e lembrando do quão rápido aquela noite passou de um pesadelo para um sonho.
Eu ainda falaria com ele sobre a conversa que ouvi na festa de Carlisle. Mas, por hora, me permiti saborear o momento, me agarrando em seu pescoço embaixo da manta e suspirando um pouco aliviada.
Eu seria esposa dele. Oficialmente. E aquele pensamento não parava de piscar dentro da minha cabeça.
Naquela noite, demorei um pouco para dormir.
…
Era estranho como meu corpo não sentia a falta de descanso. Eu não tinha dormido bem, já que a noite havia sido recheada de pensamentos sobre o meu casamento e o quão irreal aquilo parecia ser. Por isso, era de se esperar que eu acordasse tarde — no mínimo, depois de Edward.
Mas lá estava eu, com os olhos arregalados às 6:15h da manhã, encarando sua expressão tranquila e hipnotizada pelo movimento do seu peito de inspirar e expirar. O tapete embaixo de nós dois era tão fofo e confortável que eu poderia passar horas naquela mesma posição, fazendo exatamente aquilo.
Entretanto, eu tinha um plano. E era preciso pô-lo em prática. Por isso, me levantei de uma vez e procurei durante algum tempo pela caixinha e pela minha aliança antiga. Achei-os jogados de qualquer maneira em um canto do tapete e os peguei, caminhando devagar para fora, tentando não acordar Edward.
Subi e tomei um banho quente, me vestindo com uma roupa casual e voltando para o andar de baixo. Tirei a nova aliança do dedo e a depositei outra vez dentro da caixinha, deixando-a em cima da mesa do escritório e vestindo o anel antigo. Rumei para a cozinha e preparei qualquer coisa de café da manhã. Depois esperei, um tanto animada comigo mesma, imaginando como meu plano se sairia. Quando ouvi seus passos pesados subindo as escadas, comecei a me preparar.
Talvez aquilo fosse ser difícil para ele. Mas Edward tinha que entender. Precisava ser feito.
Algum tempo depois, quando os mesmos passos pesados desceram as escadas e foram direto para a sala de estar outra vez, esperei um minuto e fui de encontro a ele. Quando entrei, encontrei-o tentando estender da forma certa a manta sobre o sofá. Seus olhos estavam um pouco fechados, talvez da ressaca, e seu nariz estava inchado, embora não parecesse quebrado.
Quando Edward olhou para mim, sorriu de forma instintiva, e eu tive que fazer muita força para não retribuir o sorriso e me agarrar a ele como um urso panda. No segundo seguinte, seus olhos deslizaram para minha mão esquerda, e vendo que ali se encontrava a aliança antiga, seu sorriso sumiu completamente, dando lugar a um ar de confusão.
Aquela era a hora de não me deixar levar pela cara de cachorrinho abandonado que Edward sabia fazer tão bem. Era a hora de dar seguimento ao meu plano.
- Bom dia. — Comecei, empregando um tom de naturalidade na voz — Como está o seu nariz?
Ele continuou me encarando com uma expressão de completa confusão. Ficou um tempo na mesma posição, e ao constatar que não chegaria à conclusão nenhuma, fossem quais fosses seus pensamentos, ele coçou a cabeça e fechou os olhos com força, tentando se situar outra vez.
- O que aconteceu ontem? — Edward perguntou com uma voz rouca.
- Nós transamos nesse tapete. — Apontei para o lugar em que ele estava pisando.
- Antes disso...
- Antes disso você arrebentou o nariz na bancada da cozinha e quase me matou de susto.
- Desculpa. Não queria te deixar preocupada... Meu nariz está bom... — Ele falou, parecendo um pouco desconfortável — Mas... Depois disso...
Olhei-o de maneira confiante.
- Depois disso... Nós transamos nesse tapete.
Edward ficou mudo mais uma vez, com o olhar desfocado, claramente tentando se lembrar da ordem dos fatos. Conforme os segundos passavam, sua expressão ficava sempre mais triste, e então tive a certeza de que ele estava pensando exatamente o que eu queria que pensasse: Que o pedido de casamento não havia passado de um sonho. E não passando de um sonho, Edward não tinha a minha resposta. E não tendo a minha resposta, ele teria que fazer o pedido outra vez.
Sóbrio.
Ele me olhou um pouco desesperado, a ponto de começar a chorar. Eu sabia que todas aquelas doses de whisky eram suficientes para fazer com que ele tivesse dúvidas do que havia realmente acontecido e o que havia sido apenas sua imaginação. Minha intenção não era vê-lo sofrer, mas eu precisava ouvir aquela proposta dele enquanto ele estivesse sóbrio. Não significava, de forma alguma, que sua proposta na noite anterior não tivesse valor.
Mas eu simplesmente precisava ouvir aquilo dele. Direito.
- Eu acho... Acho que sonhei com você... — Ele murmurou.
Continuei encarando-o sem esboçar nenhuma reação. Quando entendi que Edward não falaria outra vez, me pronunciei.
- A festa do seu pai já passou. Você tinha uma coisa pra me dizer depois que ela acabasse.
Ele me encarou ainda mais desesperado, deixando sua respiração agora visivelmente mais pesada. Edward coçou os olhos com as mãos, tentando se acalmar de algum jeito.
- Pode me dar mais algum tempo? Algumas horas?
Encarei-o de forma tranquila, pensando no que dizer. Eu poderia fingir irritação e fazer algum drama, mas imaginei que as palavras certas fariam com ele não pudesse voltar atrás.
- Você prometeu. — Falei em um tom calmo e baixo.
Ele suspirou audivelmente, olhando para os lados e procurando mentalmente uma saída. Quando não encontrou nenhuma, coçou os olhos outra vez e levou as mãos até seus cabelos, despenteando-os ainda mais.
- Tudo bem. — Ele começou, e eu tive certeza que ele estava falando consigo mesmo — Tudo bem.
Sem dizer mais nada, Edward saiu da sala e me deixou sozinha ali, de pé, esperando pela sua volta. De repente comecei a ficar nervosa, embora não fizesse muito sentido. Seria a terceira vez que ele se declararia para mim e pediria por um compromisso. Além disso, dessa vez eu estava ciente do que aconteceria, diferente das outras vezes em que fui pega de surpresa. Mas, em compensação, seria a primeira vez que eu o veria fazer aquilo completamente consciente e verdadeiro, sem se esconder por trás da máscara das suas doses de whisky.
Quando Edward entrou na sala outra vez, meu corpo começou a tremer involuntariamente. Cruzei os braços no peito com força, tentando me acalmar e principalmente esconder meus tremores. Não sabia se estava tendo muito sucesso.
O que servia de consolo era o fato de que ele parecia estar muito mais nervoso do que eu.
- Tudo bem. — Ele repetiu, me encarando e parecendo mais confiante do que realmente estava — Eu...
Ele parou, encarando meus braços ainda cruzados no peito e respirando fundo. Edward tomou minhas mãos nas suas — as minhas trêmulas, as dele geladas — e começou a juntar os pequenos fragmentos de pensamentos que passavam pela sua cabeça, suspirando entre uma frase e outra.
- Eu... Eu acho que isso vai ser horrível... Se eu conseguir dizer o que quero dizer. Mas, mesmo assim, leve em consideração só o que eu quero dizer... Ok?
- Ok.
- Ok. — Ele repetiu, apertando minhas mãos com um pouco de força — Eu quero dizer que... Que eu amo muito você. Realmente amo você. E quero passar o resto da minha vida ao seu lado... Porque eu sei que você é a mulher certa pra mim. Sei que você me faria feliz, e sei que consigo te fazer feliz também... Se você me deixar tentar.
Ele soltou minhas mãos e esfregou o rosto de novo, parecendo realmente desesperado.
- Ok... Eu sei que esse discurso está uma merda... Me desculpa por isso... Eu só quero te pedir pra... Pra ficar comigo pra sempre, e pra me dar uma chance de... Você sabe... De te mostrar que nós funcionamos juntos... Como... Marido e mulher...
Edward tirou do bolso da calça de moletom a caixinha preta à qual eu havia sido apresentada na noite anterior. Meu coração deu um salto dentro do peito e eu tive que fazer força para não deixar aquilo transparecer.
- Eu sei que não conversamos muito sobre oficializar o nosso relacionamento... E eu não sei o que você pensa sobre isso... Mas eu só quero que você viva pra sempre do meu lado... Com o meu nome... E...
Ele abriu a caixinha, e assim como na noite anterior, notei que suas mãos tremiam tanto que era visivelmente difícil para ele manter o objeto preso nos seus dedos.
- Ok... Eu vou calar a boca. Mas independente da sua resposta pra pergunta que eu vou fazer, saiba que você vai ter que me aturar pra sempre. Com ou sem isso...
Ele riu sem muita vontade da própria piada. Eu teria rido para encorajá-lo, mas meu coração ainda estava parado na mesma batida, por isso tudo que fiz foi continuar encarando-o sem reação alguma. Ele engoliu em seco e seu sorriso desapareceu.
- Você aceita... Se casar? Comigo?
Ele me ofereceu a caixinha aberta com o aro dourado lá dentro, e meu coração recuperou a batida suspensa. Não sei se demorei muito para responder, mas tive a impressão de que Edward havia se incomodado com o silêncio, se apressando em falar outra vez:
- Talvez você queira pensar um pouco no assunto antes de responder, e eu aceito. Mas se você puder me falar até amanhã... Ou domingo... Só porque eu pensei que nós poderíamos aproveitar que a minha família está toda aqui... E talvez, se você... Se você não tivesse nenhuma objeção, poderíamos nos casar no próximo sábado... Claro, se você quiser! Podemos fazer em outra data e chamá-los outra vez também... Se você achar melhor...
Edward estava completamente perdido nos próprios pensamentos. Chegava a ser curioso como um homem tão poderoso e aparentemente seguro de si parecia, naquele momento, uma criança com um medo incrível da rejeição. Era como olhar dentro dele e ver sua óbvia fragilidade tomando forma e força a cada fração de segundo que minha resposta se mantinha misteriosa.
- Por favor... Por favor, diga que sim. — Ele falou outra vez, e o tom levemente desesperado em sua voz me fez reagir.
- Sim... — Falei de forma simples, encarando-o sem nenhuma expressão, pronunciando cada palavra com uma neutralidade assustadora — Eu aceito me casar com você. Aceito me casar com você daqui a uma semana. Ou daqui a dez minutos. Aceito passar o resto da minha vida ao seu lado, independente do título que a nossa relação tiver. Aceito, de todas as formas, ser sua. Porque eu amo você. Porque eu sempre amei você. E porque duvido que algum dia eu vá deixar de te amar. Eu aceito casar com você. Aqui ou no inferno, com ou sem testemunhas, com ou sem convidados. Eu sou sua e sempre fui, mesmo quando não era você quem me tocava. Eu aceito pertencer a você pra sempre. Aceito mil vezes se for preciso.
Só me dei conta de que já estava chorando quando senti o gosto salgado de uma lágrima escorrendo pelo meu rosto. Ele continuou me encarando sem responder nada, congelado na mesma posição, ainda me oferecendo a aliança e parecendo entender, pouco a pouco, cada palavra que eu dizia.
Quando Edward finalmente se mexeu, foi tão repentino que fui pega completamente de surpresa. Tudo de que eu tinha ciência eram seus braços em volta da minha cintura e seus lábios nos meus, não exatamente desesperados, mas, ainda assim, um pouco eufóricos. Ele me abraçava com força — uma força com a qual eu já havia desacostumado desde o descobrimento da minha gravidez. Notei que seu corpo inteiro tremia, o que fez sua própria voz sair trêmula pelo movimento involuntário que os músculos dele faziam. Me dei conta de que nunca o havia sentido daquela forma.
- Aceita? — Ele perguntou contra a minha boca um pouco ofegante, me prensando contra uma parede qualquer e me apertando mais contra si — Aceita mesmo?
- Como você pode achar que eu não aceitaria, seu idiota? — Retruquei, agora chorando de verdade, rindo ao mesmo tempo e tentando falar contra seu rosto, em meio a lágrimas e beijos.
Ele não respondeu. Ao invés disso, me apertou com mais força contra si mesmo, segurando minhas pernas e forçando-as a envolverem sua cintura. Me agarrei nos cabelos dele e o beijei apaixonadamente, embora respirar estivesse começando a se tornar uma tarefa difícil. Seu celular tocou de repente, me fazendo tremer com o susto. Edward o ignorou.
- É minha irmã. Esqueça. — Ele falou ainda com a voz um pouco trêmula contra a minha boca, me prensando mais na parede para poder tirar os braços dos meus quadris e trazer outra vez a caixinha entre nós sem que eu caísse. Depois de todos aqueles movimentos, achei impressionante que o anel ainda estivesse ali.
Ele tomou minha mão esquerda com muita delicadeza, repetindo o ato da noite anterior como se fosse a primeira vez. Minha aliança antiga foi removida e deu lugar à nova, muito mais grossa e brilhante. Comecei a chorar com ainda mais intensidade, soluçando e engasgando nas minhas próprias lágrimas, e Edward me encarou sorrindo, distribuindo beijos fofos e carinhosos por toda a extensão do meu rosto molhado.
Ele não entendia o que eu estava sentindo, e jamais poderia entender. Ele não sabia como era experimentar uma sensação a qual eu já havia me acostumado a acreditar que jamais poderia sentir. Porque mesmo que meu passado não me assombrasse mais da mesma forma, ainda era difícil acreditar que alguém poderia me querer daquele jeito. Casar e constituir uma família era algo que não estava nos meus planos, e não porque eu não queria, mas sim porque já estava conformada em aceitar que ninguém nunca me daria essa chance.
E ser Edward a pessoa a me dar essa chance era muito, muito bom para parecer verdade.
- Eu amo você. — Falei, encostando minha testa na dele e deixando as lágrimas rolarem livremente pelo rosto — Mesmo você sendo idiota a ponto de ter alguma dúvida...
Ele riu, me beijando outra vez e tocando com o indicador meu queixo, que insistia em tremer por causa do choro.
- Me disseram que você aceitaria... Mas eu estava com medo de arriscar... Seu humor andava mudando muito...
- E você acha que seria o suficiente pra me fazer te negar? Só uma arma apontada pra minha cabeça poderia surtir esse efeito! — Retruquei, dando um soquinho leve em seu ombro e me prendendo ainda mais à sua cintura com as pernas.
Ele segurou minha mão esquerda com a nova aliança e a beijou, fazendo com que minha pele formigasse um pouco.
- Eu sonhei com você... — Ele começou, ainda contra a palma da minha mão — Sonhei que já tinha te pedido em casamento, e que você tinha aceitado... Eu estava tão feliz, mas quando vi sua aliança antiga... Eu entrei em pânico...
- Não foi sonho.
Ele me encarou confuso, com os lábios ainda colados à minha mão.
- Mas...
- Você me pediu em casamento ontem. Bêbado. E eu aceitei. E só então nós transamos no tapete.
Edward não se mexeu, concentrado demais em entender o que eu estava dizendo. Seus lábios estavam imóveis no meu anelar, enquanto seus olhos encaravam os meus um pouco distraídos. Subitamente, considerei a possibilidade dele ficar extremamente puto com a minha atitude, não sabendo por que não havia pensado naquilo antes.
- Você... Já tinha aceitado...?
- Já — Respondi, recomeçando a chorar, dessa vez por medo dele me odiar — Desculpa, eu não queria te deixar nervoso... Mas eu precisava ouvir isso de você sóbrio... É claro que o pedido de ontem teve valor, mas eu queria tanto... Tanto ouvir isso de você estando completamente consciente... Por favor, não fica chateado comigo.
Terminei fazendo um beicinho involuntário, deixando mais lágrimas escorrerem pelo meu rosto já encharcado. Me agarrei ao seu pescoço outra vez, encostando nossas testas e torcendo para que ele não me mandasse ir à merda.
- Tudo bem. — Ele começou, depois de fechar os olhos, suspirar e ficar um longo tempo em silêncio — Eu acho que teria o direito de ficar chateado caso você estivesse errada. Mas você não está. Eu precisava tomar coragem e enfrentar esse meu pânico de tudo que é relacionado a você.
Me agarrei com mais força ao pescoço dele, fazendo um pouco de manha. Fiquei feliz por ser pequena e leve, mesmo grávida, permitindo-o me segurar no colo por tanto tempo sem se cansar.
- Não está chateado? — Perguntei com os olhos embaçados das lágrimas — Jura?
- Não estou chateado. — Ele respondeu, deixando um pouco de lado sua cara séria e dando um sorriso torto tão lindo e safado que tive que me segurar para não molestá-lo — Você disse “sim” duas vezes. Não vou ficar chateado com absolutamente nada hoje.
Ataquei-o de novo, moldando sua língua à minha em um beijo apaixonado e efusivo. Agarrei a caixinha que ele ainda segurava em uma das mãos e a arremessei longe, só porque queria sentir suas duas mãos livres e espalmadas pelo meu corpo.
Quando comecei a sentir um fogo bastante agradável e promíscuo me consumindo aos poucos, o telefone de Edward tocou outra vez.
- PORRA!
Saí do colo dele de um pulo indo atrás do maldito celular. Quando o encontrei tocando a música mais irritante do mundo em cima da estante, atendi sem olhar, me esforçando para não demonstrar que estava puta.
- Alô!
- Oi... Bella?
- Oi, Alice. Sim, seu irmão me pediu em casamento. E sim, eu aceitei.
Assim que calei a boca, senti receio de ter sido grosseira pelo tom que usei com ela. Para minha alegria, Alice não pareceu se chatear.
- Até que enfim! Emmet e eu já estávamos apostando pra ver se ele precisaria de mais uma semana! — Ela falou, parecendo de bom humor e não demonstrando nenhuma surpresa.
Nesse momento, Edward se materializou atrás de mim e, como se fosse a coisa mais natural do mundo, deslizou as mãos pelo meu corpo em lugares sensíveis e de formas extremamente inapropriadas, beijando minha orelha desocupada pelo telefone e dando mordidinhas leves no meu pescoço. Meu corpo inteiro pegou fogo.
- Pois é... — Consegui responder, fechando os olhos com força para não deixar transparecer o desejo na minha voz.
- Temos que comemorar antes de começarmos com os preparativos! 13h no The Wolseley hoje, almoço em família!
Como eu não conseguia falar direito porque Edward havia decidido, de uma forma muito natural, enfiar a mão por dentro da porra da minha calça e brincar com os dedos ali, respondi a primeira coisa rápida que me veio à cabeça.
- Ok...
Ainda brincando com seus dedos em mim, ele se forçou contra o meu corpo unicamente com o propósito de mostrar o quão excitado estava. Joguei minha mão livre para trás, agarrando-o e o apertando mais contra mim.
- Peça ao seu noivo pra não se atrasar! Ele sabe onde é. Esperamos vocês lá. — Ela falou, desligando logo em seguida.
Atirei o celular em qualquer lugar e me virei para ele, segurando-o pela gola da camisa.
- Em quanto tempo temos que sair? — Ele perguntou de maneira provocante, como se meu corpo não estivesse completamente em chamas e como se ele não estivesse perfeitamente ciente disso.
- Depende. Em quanto tempo você consegue me comer? — Respondi, já empurrando-o para o sofá.
Ele sorriu daquela maneira diabólica e linda que só ele sabia fazer, me puxando para si em um beijo furioso e nos deixando cair nas almofadas.
Uma hora depois, já pronta e esperando Edward terminar de se arrumar, sentada na ponta da cama, fui tirada dos meus devaneios por braços fortes em volta da minha cintura, uma boca quente no meu pescoço e uma mistura maravilhosa de perfume, shampoo e pasta de dente. Pisquei algumas vezes ao voltar para a realidade, parando de encarar meu anel enquanto pensava em coisas desagradáveis.
- Já se arrependeu? — Ele brincou, mordendo o lóbulo da minha orelha.
- Se você está esperando por isso, pode esquecer. — Falei, sorrindo de volta, embora não estivesse completamente confortável.
E ele reparou nisso.
- O que houve?
Me virei em seus braços para encará-lo de frente, tentando parecer casual.
- Sobre o que aquele rapaz queria falar com você na festa do seu pai?
Ele piscou algumas vezes, segurando uma das minhas mãos. Desejei, por tudo quanto fosse mais sagrado, que ele não mentisse.
- Por que você é tão curiosa? — Ele perguntou, sorrindo vagamente.
- Só sou curiosa quando minha intuição me manda ser. Me diz... O que ele queria?
Edward suspirou, segurando agora minhas duas mãos nas suas.
- Ele queria me dar um recado. Da Lauren.
Ouvir aquele nome saindo da boca dele fez com que meu peito repentinamente doesse. Eu não sabia dizer se Edward havia notado o quanto aquilo me afetou, mas no segundo seguinte ele já estava explicando tudo:
- Ele é primo dela... Eu a conheci por ele, já que sempre fomos amigos... Mas isso não interessa.
- Qual era o recado? — Perguntei, e desejei profundamente que ele largasse minhas mãos. Edward estava calmo, quase indiferente, e por isso mesmo o frio e o tremor nas minhas mãos se tornavam óbvios contra as mãos firmes dele.
- Que ela estava sozinha. E que se arrependeu de ter me deixado. E que queria tentar outra vez comigo...
Eu já sabia de tudo aquilo, e achei que fosse o suficiente para não perder a calma. Mas estava enganada: Quando Edward parou de falar, apenas para respirar, notei que estava incrivelmente nervosa, enjoada e, além de tudo, chorando.
- O que você respondeu?
- Eu te pedi em casamento. O que você acha que eu respondi? — Ele completou, secando uma lágrima, com um sorriso simples no rosto.
Continuei imóvel e muda, querendo ouvir tudo da boca dele.
- Eu disse a ele pra mandar Lauren me esquecer. Porque ela já não existe mais pra mim. Deixou de existir desde que te conheci. E pedi pra ele dizer a ela que eu nunca estive tão feliz como agora, porque encontrei alguém que realmente vale a pena. Alguém muito mais interessante, muito mais decente e muito melhor do que ela, em todos os aspectos. Alguém que virou o meu vício, muito mais poderoso e tentador do que ela jamais poderia ter sequer pensado em ser. Alguém que me faz muito, muito mais feliz do que ela um dia foi capaz de fazer.
Eu não piscava. Estava atenta a tudo que ele dizia, e mesmo que soubesse que muito provavelmente aquelas não foram as mesmas palavras usadas por ele na noite anterior — nem alguém sóbrio poderia lembrar de tudo isso -, já era o suficiente ouvir aquilo dele agora.
- Eu amo você. Você. E mais ninguém. Entendeu? — Ele concluiu, de uma forma muito simples
Me agarrei à sua gola, como costumava fazer quando me sentia muito apaixonada por ele de repente. Isso acontecia com cada vez mais frequência.
- Quantas vezes por dia posso dizer que te amo sem você me achar um saco? — Perguntei, encostando nossos lábios sem fazer força. Ele riu, me trazendo para cima do seu colo.
- Pode dizer quantas vezes quiser... Contanto que não fique se esfregando em mim enquanto fala isso...
E, outra vez, Edward já estava em ponto de bala.
- Nós acabamos de fazer isso... — Falei toda manhosa contra sua boca.
- Amor... Vou te contar uma coisa que talvez ainda não tenha ficado clara: Você me excita pra caralho.
Pelo volume dentro das suas calças, eu excito mesmo!
- Nós temos hora... — Falei, secando minhas próprias lágrimas contra o rosto dele — Estão nos esperando.
- The Wolseley fica a menos de trinta minutos daqui. — Ele começou, beijando meu pescoço e meu ombro — Se eu olhar no relógio agora e concluir que ainda temos tempo, posso te atacar?
Não respondi, e aquilo obviamente foi um consentimento à sua pergunta. Quando ele trouxe o pulso à frente do rosto, me peguei torcendo fervorosamente para que seu relógio estivesse atrasado.
Edward me encarou de novo, dessa vez com uma expressão diabólica, e antes que ele dissesse qualquer coisa, eu já estava comemorando em silêncio.
...
Chegamos ao The Wolseley um pouco antes das 13:20h. Era um restaurante muito chique, grande e bonito, lotado de pessoas sérias demais. Edward falou com a recepcionista sobre a reserva no nome dos Cullen e nos dirigimos para a mesa com 8 cadeiras, quatro delas já ocupadas por Esme, Emmet, Alice e Jasper.
Nosso pequeno atraso pareceu ter sido perdoado. Fomos recepcionados com vários abraços, beijos e desejos de felicidades. Carlisle estava no trabalho, mas segundo Esme, chegaria em alguns minutos.
- Mas você já tomou uma atitude, Edward? Pensei que eu fosse casar primeiro. — Emmet começou irônico, enquanto sentávamos também
- Você teria que arrumar uma namorada primeiro. — Edward alfinetou meio amargo por estar sendo ridicularizado.
- Se você continuasse com a sua atitude de lesma com Alzheimer pra se declarar de uma vez, acho que eu conseguiria.
- Não podemos deixar de agradecer ao Ballantine's do papai. — Alice entrou no jogo, se referindo à garrafa de whisky que Edward provavelmente havia quase esvaziado na noite anterior — Ei, Emmet. Se Edward finalmente conseguiu pedir a Bella em casamento com umas doses, talvez você consiga uma namorada se tomar também. Parece fazer milagres.
Emmet balbuciou alguma coisa para ela, chamando-a de “projeto de gente” e outros pseudo-xingamentos antes de mandá-la ir à merda em um tom quase sereno. Olhei para Edward ao meu lado e ele me encarou de volta, mantendo no rosto um sorriso quase falso e dissimulado.
- Nada vai me irritar hoje. Você disse “sim”. — Ele falou próximo ao meu ouvido, e tive vontade de rir em quase vê-lo mandando todos ali irem a lugares inapropriados. Mas, ao mesmo tempo, senti uma certa pena dele. Edward era alvo constante das piadas dos irmãos, e vê-lo um pouquinho mordido com as ironias me deu uma enorme vontade de defendê-lo.
- Ele me pediu em casamento hoje também. — Comecei em voz alta e com cara de provocação, para que todos me escutassem — Foi muito melhor do que ontem. Inclusive a nossa pequena comemoração depois...
Emmet fez um “oooooooww” seguido de risos, e Edward parecia um pré-adolescente orgulhoso por ter acabado de provar para a escola inteira que transava bem. Esme, até então calada e se mantendo discreta com relação às piadas de Emmet e Alice, se manifestou com um “Sabia que meu filho mandava bem!”, e eu não consegui deixar de rir da cena grotesca.
- Ei, Edward! — Alice começou, aproveitando a ocasião para mais uma piada — Você não pode fazer isso com a Bella! Ela está grávida!
Antes que Edward pudesse fazer uma cara de “é mesmo um pensamento tão estúpido que chega a ser uma piada... Mas eu fiz exatamente isso”, respondi outra vez, temendo que ele sofresse bullying pelo resto da vida caso um dos irmãos entendesse:
- Ah, mas ele faz. E faz muito bem feito.
Um indiscutível ar de “sou foda” emanava dele sem que eu precisasse olhá-lo para deduzir isso. Antes que Emmet pudesse pensar em mais alguma piada, fomos interrompidos.
- Cheguei! Cheguei! — Carlisle falou em tom de desculpas enquanto dava a volta na grande mesa e caminhava diretamente para Edward — Filhão!
- Desculpa te tirar do trabalho, pai. — Ele começou, já dando o famoso abraço de macho, com direito a socos estrondosos — Eu disse pra mamãe que não precisava...
- Claro que precisava! Você ficou noivo! O mínimo que posso fazer é estar presente na comemoração! — Ele disse todo feliz — Parabéns, filho. Tenho certeza que você vai ser muito feliz.
Edward agradeceu baixinho e liberou o pai do abraço. Carlisle se virou para mim com aquele sorriso torto maléfico igualzinho ao do filho. Me senti compelida a abraçá-lo, mas me contive, optando por simplesmente retribuir o sorriso.
- Aliás, posso dizer já de antemão que vai ser, com certeza, uma das noivas mais lindas que já se viu. — Ele disse, beijando delicadamente minha bochecha e me envolvendo em um abraço gentil — Seja bem-vinda à nossa família, Bella. Agora oficialmente.
- Obrigada.
- É bom não precisar mais manter segredos quanto às intenções do cavalheiro aqui. — Ele falou de bom humor, apontando para Edward e indo sentar ao lado da esposa.
- Eu sabia que estavam escondendo alguma coisa. — Comecei, fingindo estar furiosa enquanto encarava Emmet — E você me jurou que não sabia de nada.
- Sou um exímio representante das artes cênicas, minha cara. Embora quase tenha estragado tudo quando vocês chegaram.
- Pois é. — Edward falou um pouco amargurado, lembrando da manifestação de Emmet que fez com que eu começasse a suspeitar das coisas.
- Ei! Em minha defesa, o plano era você pedi-la em casamento ainda nos Estados Unidos, sua bicha medrosa!
- Edward! — Comecei de repente, movida pela surpresa — Há quanto tempo você pretendia fazer isso?
- Há algum... — Ele balbuciou, como uma criança que acaba de fazer merda.
- O que importa é que está feito, não? — Jasper se manifestou, em defesa do cunhado.
- Com quase uma garrafa inteira de whisky, até eu consigo pedir a Bella em casamento — Alice falou de maneira irônica, sem perder a chance de ridicularizar Edward.
- Eu pedi hoje outra vez, caralho! — Ele respondeu em uma voz um pouco esganiçada, embora ninguém à nossa volta parecesse prestar atenção à nossa mesa. Mas era claro que Alice e Emmet não se importavam com aquela informação, já que nada que pudesse ser usado contra Edward seria extraído dela.
Brindamos com champagne (e suco de morango para mim e para Alice) e almoçamos algo que eu não sabia dizer exatamente o que era, mas era, com certeza, uma das coisas mais gostosas que eu já havia experimentado. Esme e Alice começaram a falar animadamente sobre os preparativos do casamento, já que tudo teria que estar pronto dali a uma semana. Estávamos em 1º de maio, e nos casaríamos dia 9 daquele mês, num sábado.
A alegria delas começou a me contagiar, e poucos minutos depois eu experimentava uma expectativa tão grande e tão boa que me senti mais viva do que nunca. Mas foi quando Esme perguntou para mim e para Edward sobre a decoração e o estilo da cerimônia que me senti realmente diferente.
- O que a noiva quiser. — Edward respondeu, passando um braço pela minha cintura e beijando delicadamente meu rosto.
Todo mundo me encarou, e eu os encarei de volta por algum tempo.
- Ora, vamos! — Alice me encorajou, sorrindo — É só nos contar como você sempre imaginou que o seu casamento seria. Podemos tentar fazer igual!
O que Alice nem ninguém naquela mesa sabia, exceto talvez por Edward, era que eu jamais havia pensado naquilo. Porque, na verdade, eu jamais havia sequer considerado a possibilidade de me casar. Talvez tenha feito isso com meus sete ou oito anos de idade, mas o tempo passado e as decepções que me encontraram na vida foram suficientes para apagar aquela memória, se é que ela existia.
- Eu... Não sei... Eu nunca pensei muito sobre isso...
Alice me olhou como quem olha para um doente mental: Que mulher nunca havia criado seu próprio casamento-dos-sonhos?
- Então, se você quiser... Podemos dar sugestões. — Esme disse, parecendo mais mãe do que nunca.
- Sim! Seria maravilhoso! — Respondi, já respirando um pouco mais aliviada — Qualquer coisa simples... Nada grande ou chamativo...
A verdade era que eu não precisava de nenhuma festa, nenhuma cerimônia e nenhum convidado para me casar. Se fosse preciso, eu casaria com Edward em uma capela de beira de estrada enrolada numa toalha. Bastava que ele, eu e alguém com poder suficiente para nos casar estivessem presentes.
Alice se virou para a mãe e piscou, voltando a sorrir:
- Você sabe o que eu tenho em mente.
Esme assentiu, começando a falar outra vez:
- Ok. Então, que tal isso: Um casamento ao ar livre, no jardim da minha casa. Um altar simples e algumas cadeiras, e arranjos de flores brancas. Uma pequena festa para pessoas mais próximas depois, um pouco de champagne, algumas músicas até a noite, alguns pontos de luz espalhados pelo jardim e... Bom, e tudo mais que você queira. Mas isso é só uma idéia, é claro. Alice e eu achamos que esse estilo combinava com você, mas estamos aqui pra ajudar nas suas decisões.
Ela e Alice me encaravam com expectativa, talvez porque eu não tivesse dito nada durante um bom tempo. Estava imaginando cada pequeno detalhe sobre a imagem que elas me descreviam, e por um momento, tudo o que fiz foi contemplar em silêncio a beleza daquela cena. Era perfeito.
Encarei Edward como uma criança que pede permissão para alguma coisa.
- Gostou da idéia? — Ele perguntou, apertando o abraço na minha cintura e parecendo realmente interessado na minha resposta.
- O que você achou? — Insisti, querendo saber qual era a opinião dele sobre aquilo. Eu não casaria sozinha.
- Contanto que a noiva esteja lá, eu sinceramente não tenho objeções. — Ele falou sorrindo de uma maneira simples.
- Eu... — Comecei, virando outra vez para Esme e Alice e tentando formular a frase certa — É perfeito! Absolutamente perfeito...
Elas riram satisfeitas e piscaram uma para a outra.
- Senhores... — Alice começou, empregando um tom de discurso político às suas palavras para todos sentados àquela mesa — Temos um casamento Cullen pra aprontar. Que comece a festa!
...
Ainda era um pouco difícil acreditar que tudo aquilo era verdade, mas todo mundo parecia disposto a me convencer da realidade. Eu tinha uma semana para ver meu sonho ser realizado, e com a ajuda dos Cullen, principalmente Esme e Alice, meu sonho não só seria realizado como eu tinha uma certa impressão de que acabaria sendo melhor do que eu imaginava.
- No meu casamento, eu lembro de quase ter pirado. E olha que planejei tudo com um ano de antecedência. — Alice falou animada, quando sentamos pela primeira vez com um bloco de papel à nossa frente e canetas de cores diferentes. Esme estava tão animada que parecia ter voltado à adolescência, e então, ironicamente me dei conta de que as pessoas menos agitadas ali eram eu mesma e Edward, que insistia em estar presente em cada escolha que tomássemos.
- Vamos lá. A primeira coisa que precisamos saber é: Quais vão ser as cores? — Esme perguntou, o lápis já em posição de escrita para minha resposta.
- Cores de quê? — Perguntei, um pouco distraída.
- Da decoração.
- Pensei que seria branco. — Edward falou ao meu lado, fazendo cara de dúvida.
- Claro que vai ser branco, seu cabeçudo. — Alice se pronunciou enquanto Esme ria, e agradeci por ter sido ele a falar aquilo, e não eu — Mas os detalhes normalmente são de outras cores.
- E se eu quisesse que o meu casamento tivesse os detalhes brancos? — Ele perguntou mal humorado, dando ênfase à palavra “meu”.
- Você não tem o que querer. Você é só o noivo. É a Bella que decide.
- Você quer tudo branco? — Perguntei baixinho perto do rosto dele.
- Não tenho preferência. Você pode escolher. — Ele respondeu com um sorriso torto enquanto colocava uma mexa de cabelo atrás da minha orelha.
- Eu achei que detalhes em tons de verde clarinho ficaria bonito... Você sabe, já que vamos fazer no jardim... Acho que combinaria.
- Viu só porque homens não têm que se meter em preparativos de casamento? — Alice disse sorrindo e piscando para o irmão, enquanto Esme já anotava a minha idéia.
Olhei para Edward apenas para ter certeza que aquela escolha não o havia desagradado. Ele sorria de forma simples.
Foi necessário o sábado inteiro para colocar no papel algumas idéias “iniciais”, segundo Alice. Discutimos sobre as várias possibilidades de arrumação pelo jardim, contatos de músicos, fotógrafos e garçons, eventualidades como chuva torrencial e frio intenso, modelo dos convites, entre outras coisas. Edward opinava em cada uma das decisões, mas parecia estar ali unicamente para me fazer companhia, já que tudo que eu decidia era prontamente aceitado com um sorriso nos lábios. Deixei coisas menos importantes para depois, embora Alice insistisse que os mínimos detalhes eram essenciais. Me recusei a discutir coisas como cor e textura dos guardanapos, tecido do forro das cadeiras e tamanho dos copos que fariam parte da festa. Deixei claro que esse tipo de coisa poderia ser escolhida por Edward, caso ele quisesse. Mas ele não parecia querer, e no final das contas, essas decisões acabaram sendo de responsabilidade das duas.
- Amanhã mesmo vou procurar maquiadores e cabeleireiros. — Alice falou, batendo palmas como uma criança de cinco anos feliz.
- Eu posso ajudá-los com o bufê, se vocês quiserem. — Esme disse de maneira simpática. Eu concordei, agradecendo às duas pela ajuda.
Ao final daquele dia, me dei conta de que aquela semana seria, provavelmente, o período mais agitado da minha vida até então.
No domingo, Esme e Alice foram à nossa casa de tarde, para continuarmos com a conversa. Edward sempre se sentava ao meu lado, e eu imaginava o quão monótono tudo aquilo era para ele. Por isso mesmo, não podia deixar de admirar seu companheirismo.
- Estou correndo atrás do melhor maquiador de Londres!
Encarei Alice um pouco espantada.
- Mas... Eu não preciso do melhor maquiador de Londres...
- Como não? É o seu casamento!
- Eu sei, mas... Eu não preciso disso tudo. Qualquer maquiador responsável está bom.
- Mas por quê? — Alice parecia não entender meu ponto de vista, já que a palavra “orçamento” nunca havia sido pronunciada até então.
- Porque temos menos de uma semana, e tenho certeza que isso vai levar tempo. Acredite, eu aceito qualquer maquiador de bom grado.
- Ok, ok. — Ela bufou, parecendo entediada — Bom... Preciso da sua aliança.
Encarei-a de maneira interrogativa, cobrindo o anel com a outra mão. Foi uma reação idiota, mas involuntária.
- Por quê? — Perguntei.
- Pra mandar gravar os nomes de vocês.
Continuei parada, pensando se aquela era uma boa idéia. Era óbvio que Alice não daria sumiço na minha aliança, mas eu não estava preparada pra me separar dela. Nem que fosse só por alguns dias.
Mesmo assim, indo totalmente contra a minha vontade, tirei-a de uma vez do anelar e entreguei a ela, já sentindo a ausência do peso do aro ali.
- E como você quer sua maquiagem? — Esme voltou a chamar minha atenção, já com o bloco nas mãos.
- Clara. E discreta. Nada chamativo...
- Bella, você já foi freira?
Edward gargalhou do comentário da irmã. Alice e Esme riram da reação dele, e eu corei.
- Por quê?
- Você parece viver em tons pastéis! Se contenta com tudo, é tímida, discreta, boa demais... Sem contar que tem uma paciência de monge tibetano por aturar Edward.
- Ela é só uma pessoa melhor que você, Alice. — Edward concluiu de forma doce, passando um braço pelas minhas costas e me puxando para si.
Ela o ignorou.
- Na sua despedida de solteira, vou levar você para um clube de mulheres. Vamos nos maquiar feito peruas, fumar maconha, beber vodka até amanhecer e ver homens musculosos e semi-nus no cio dançando de tanguinha.
Esme se limitou a revirar os olhos. Edward ficou calado ao meu lado, provavelmente entendendo que aquilo era uma piada, já que, para início de conversa, nós duas estávamos grávidas.
- Faça isso e eu te degolo enquanto você dorme. — Ele falou, sorrindo de forma tranquila e até gentil.
- Ok. Maquiagem clara. — Esme começou, tentando chamar a atenção de todo mundo para o que realmente importava — E quanto ao penteado, querida? Tem algum em mente?
- Ahm... Um coque? Ou alguma coisa que não deixe meu cabelo completamente solto... — Soou como uma pergunta, porque eu não queria mostrar o quão despreparada estava para aquilo.
- Isso! — Alice voltou sua atenção para mim outra vez — Um coque ou uma trança desfiada! Acho que vai ficar perfeito.
- Eu gosto quando você deixa essa região livre. — Edward falou, infiltrando sua mão por debaixo dos meus cabelos e passando levemente as pontas dos dedos na parte de trás do meu pescoço, passeando pelos ombros. Estremeci com o toque.
Quando Esme entrou no assunto dos convidados, me senti um pouco tensa. De alguma forma (obviamente por Edward), as duas sabiam que meus pais já haviam falecido, pois em nenhum momento perguntaram por eles. Quando deixei claro que não haveria convidados por minha parte, Esme pareceu genuinamente surpresa. Mencionei rapidamente que não havia deixado ninguém importante o suficiente nos Estados Unidos, e antes que alguma das duas pudessem contestar, Edward tomou a palavra, falando alguma coisa na qual eu não prestei atenção, apenas para interromper o fluxo da conversa. Era mais fácil escapar daquela resposta do que dizer que as únicas pessoas vivas com as quais eu realmente me importava não poderiam estar ali.
Já era noite quando Esme e Alice foram embora.
- Seu sanduíche. — Edward falou, entrando no quarto e indo se sentar entre mim e a cabeceira, me mantendo entre suas pernas enquanto aumentava um pouco o volume do filme na TV.
- Edward? — Chamei, mantendo o prato no colo. — Posso te perguntar uma coisa?
- Por que você pergunta isso se sabe que pode? — Ele riu contra minha orelha.
- Você vai chamar aquele seu amigo? Jonathan?
Sua boca ainda estava encostada no meu pescoço, e por isso pude sentir que seu sorriso havia morrido contra a minha pele.
- Não.
- Mas... Ele não é seu amigo? — Murmurei, já me arrependendo de insistir no assunto.
- Não é amigo o suficiente pra estar no meu casamento. E além disso, não quero estragar o meu dia olhando pra ele e lembrando de uma pessoa que quero longe.
Suspirei, ainda de costas para ele, não conseguindo tocar no meu sanduíche e depositando-o em cima do criado mudo ao meu lado.
- Estou ouvindo. — Ele disse, deixando claro que me conhecia o suficiente para saber que eu estava remoendo alguma coisa por dentro, enquanto fazia carinho na minha barriga com o indicador.
- Você ainda sente alguma coisa por ela? Por favor, se sentir... Pode falar.
- Sim, eu sinto algo por ela. Sinto desprezo. Apesar de que, no fundo, eu sou grato a ela por ter sido uma completa vadia e ter me abandonado. Porque, do contrário, eu jamais teria conhecido a mulher da minha vida... — Ele falou, sendo incrivelmente fofo e romântico.
Por isso, o que eu disse logo em seguida foi não só completamente inapropriado, como também incrivelmente idiota.
- ...Que também era uma vadia.
Fiquei imóvel, ainda de costas para Edward, um pouco perdida, me sentindo afogar no silêncio esmagador do quarto. Por que, por que eu havia dito aquilo? O que caralhos eu tinha na cabeça? Merda? Qual era o meu problema?
Se até aquele dia eu ainda não tinha certeza, a partir daquele momento era oficial: Eu sofria de algum retardo mental.
Engoli o que me pareceu serem algumas pedras, mas era só minha própria saliva. Me virei um pouco em seus braços apenas para encará-lo enquanto pedia desculpas por ter arruinado aquele momento, nos fazendo lembrar de coisas bastante desagradáveis que jamais deveriam ter saído do passado.
Olhei para ele com olhos suplicantes, e me surpreendi em vê-lo com uma expressão esquisita no rosto. Ele não parecia puto, mas sim um pouco divertido até. Quando Edward se inclinou para mim e falou ao pé do meu ouvido, precisei de alguns minutos para entender o que ele estava dizendo:
- A minha vadia.
Ele pontuou a frase aplicando um ângulo perfeito naquele sorriso torto, lindo e imoral. Continuei olhando-o com um olhar de peixe morto, ainda atordoada demais para conseguir entender o que ele estava fazendo e formular uma resposta inteligente.
- A sua...?
- Aham. — Ele falou baixo, e eu tive a impressão de ver seus olhos vacilarem por alguns décimos de segundo, para, depois, voltarem a exibir toda a confiança — A minha vadia linda. Só minha.
Continuei encarando-o sem reação, tentando arrancar de sua atitude algo que me confirmasse que Edward estava realmente dizendo, com a maior naturalidade, que eu era a vadia dele. Eu sabia que isso era comum em muitos relacionamentos, mas nós nunca havíamos usado esses apelidos provocantes e "sujos" durante a transa. Talvez porque parecesse inapropriado, ou talvez porque, levando em consideração sua hesitação de alguns segundos atrás, ele temesse que eu pudesse me sentir ofendida.
Quando ele começou a falar outra vez, o sorriso torto não estava mais lá. No lugar dele havia uma expressão um pouco culpada. Meu silêncio provavelmente havia feito com que ele achasse que tinha passado dos limites.
Mas o fato era que eu não tinha me sentido ofendida.
Eu tinha gostado.
- Você ficou chateada? — Ele disse, me olhando como alguém que sentia dor — Me desculpa, eu só achei...
Levei uma das mãos até sua boca e o fiz para de falar.
- Você quer que eu seja a sua vadia, Edward? — Perguntei em um tom levemente provocante, começando a entrar no clima da situação.
Ele continuou me olhando, como se não soubesse qual era a melhor resposta para dar.
- Se você quiser ser...
- Responde a minha pergunta.
Ele permaneceu calado por algum tempo, e eu odiei o fato dele ter se arrependido de brincar daquela forma.
- Eu... Queria...
Me virei entre suas pernas e fiquei de frente para ele. Aproximei minha boca da sua orelha e mordi com um pouco de força a cartilagem, usando os dedos para brincar de forma provocante pela barra da sua calça.
- Queria? — Falei, muito baixo, soltando ali lufadas intensas de ar — Não quer mais?
Ele tremeu, e suas mãos, antes suaves na minha barriga, voaram para a minha cintura e me apertaram.
- Hmmm... — Ele murmurou, fechando os olhos e me apertando contra seu membro completamente duro.
- Eu sempre fui a sua vadia, Edward. — Balbuciei ainda contra seu ouvido em uma voz rouca e propositalmente sexy — Vai precisar me foder quantas vezes mais pra entender isso?
Ele enrolou a língua tentando responder alguma coisa coerente, mas não se importou em se fazer entender. No segundo seguinte, sua boca já estava colada à minha sem muitas cerimônias, unindo-nos em um beijo quente e intenso. Uma de suas mãos migrou para a minha nuca, apertando os fios com vontade. A outra puxou minha calcinha sem o menor pudor e começou a brincar ali, como se eu realmente precisasse ser estimulada.
Puxei o elástico da sua calça de uma só vez e seu pênis pulou para fora, tão firme que chegava a tocar seu próprio umbigo. Passei o indicador pelo líquido viscoso que escorria pela cabeça já inchada e lambi, mas não dei tempo para que ele reagisse de qualquer forma. Segurando-o com firmeza, levantei de seu colo e sentei outra vez nele, de uma só vez, sentindo seu pau enterrar em mim tão fundo quanto era possível.
Edward se agarrou à barra da camisa que eu usava para manter as mãos ocupadas e não me apertar com a força que ele queria. Eu, por outro lado, não tinha o menor cuidado, tocando-o, apertando-o e o arranhando sem me preocupar se deixaria marcas ou não.
Em algum momento daquela noite, a roupa que eu usava foi rasgada e arremessada a algum canto do quarto. Já era madrugada quando consegui dormir agarrada a ele, exausta, sem sequer lembrar de começar a ficar ansiosa pela passagem rápida do tempo, me levando para cada vez mais perto do grande dia.
…
- E o bolo tem que ter, pelo menos, cinco andares!
Esme e eu olhamos para Alice com cara de espanto, mas ela não pareceu notar. Não eram nem 10h da manhã naquela segunda-feira, e talvez eu estivesse ainda com muito sono para entender os exageros dela.
- Você é maluca? — Edward soltou, sem deixar de sorrir — Nosso casamento não vai ter nem 70 convidados.
- Porque você está deixando um monte de gente de fora. — Ela argumentou.
- Só estou chamando quem realmente me importa, Alice. Bella quer uma festa pequena, então vamos fazer uma festa pequena. Vai ser um bolo pra 70 convidados, no máximo. Se encomendar um de cinco andares, pode me dizer onde diabos eu vou enfiar tudo que sobrar?
- Posso. Você pode enfiar n...
- Bella! — Esme interrompeu-a, voltando nossa atenção para as mais de dez revistas espalhadas pela mesa — Quantos andares você gostaria que o bolo tivesse?
- Não sei... — Falei, temendo que Alice simplesmente parasse de falar comigo, ou pior, me assassinasse — Eu pensei em... Dois?
- Eu acho excelente. — Esme falou, dando um sorriso maternal — Dois andares bem largos são mais do que o suficiente. Edward?
- De acordo.
Era surpreendente como conseguíamos decidir as coisas, mesmo com Alice ao nosso lado. Diferentemente do que eu imaginava, ela não estava se metendo em cada pequeno detalhe e batendo o pé por decisões que não lhe cabiam. Mesmo que se mostrasse claramente contra, ela aceitava e não insistia na discussão. E isso, juntamente com a objetividade de Edward e as boas idéias de Esme, fazia com que as decisões fossem tomadas com bastante rapidez.
- Edward, vamos escolher o buquê agora. — Alice falou, abrindo um laptop à nossa frente com ar de executiva — Vá catar cocos.
- Por que eu tenho que sair? — Ele perguntou, um pouco contrariado — Até onde eu sei, é o vestido da noiva que o noivo não pode ver antes do casamento. Essa regra não se aplica ao buquê.
- A noiva inteira tem que ser uma surpresa. Do vestido à cor do esmalte. — Alice retrucou.
- Edward, ela está certa. — Falei, e Alice sorriu triunfante.
Ele sorriu também.
- E você realmente acha que eu não sei qual flor vai estar no seu buquê? — Ele perguntou, divertido, enquanto enrolava uma mecha do meu cabelo no seu indicador.
Encarei-o por um momento, apenas para chegar à óbvia conclusão de que ele estava certo.
Edward sabia a flor que eu escolheria. Porque eu gostava de todas as flores, mas uma era especial. Simplesmente porque ele mesmo a havia tornado especial.
Claro que ele sabia.
- Ei!
Edward e eu olhamos para frente, procurando pelo dono do “ei”, e fomos cegados com um flash.
- Obrigado. — Emmet disse, e como se fosse a coisa mais natural do mundo, se retirou com uma câmera na mão sem se preocupar em explicar absolutamente nada.
- Edward, xô! — Alice falou, chutando as pernas da cadeira dele. Ele fez um movimento esquisito com as mãos, como se quisesse esganá-la, e então me intrometi.
- Edward, estou com fome. Faz um sanduíche pra mim? — Pedi, com cara de abandono.
- Claro, amor! — Ele consentiu, já se levantando — Quer um sanduíche de quê?
- De qualquer coisa gostosa. — Sorri, dando um beijo no seu rosto, e ele saiu para a cozinha.
Não foi necessário um tempo muito grande para decidirmos aquele ponto. Alice buscou na internet uma lista de imagens dos mais variados tipos de buquês de noiva, me dando mais opções. Ao final, optei por um buquê em cascata, muito diferente dos tradicionais (que pareciam pequenos repolhos). E, como Edward já sabia, seria composto por camélias, todas brancas, mescladas com folhas verdes trançadas no arranjo, junto com alguns fios dourados.
- Seu sanduíche, amor. — Ele falou de repente, assustando nós três, e Alice fechou o laptop em um estalo. Edward notou o estado de nervos da irmã e se apressou em falar — Eu não vi nada! Nem estava olhando!
Eu acreditei. Ele parecia sempre mais atento a mim do que a qualquer coisa à nossa volta.
Quando encarei o prato colocado à minha frente, com um sanduíche de três pães, sabe-se lá mais o que entre aquelas fatias e um suco de pêssego como acompanhamento, tentei falar de maneira natural.
- Edward... O que tem nesse sanduíche?
- Requeijão, queijo magro, peito de peru, presunto defumado, alface, tomate, agrião, cenoura ralada, frango desfiado, um pouco de azeitona, ervilhas...
- Entendi... — Interrompi-o, ainda encarando o enorme sanduíche. Eu não estava com fome, mas não admitiria que só havia pedido o sanduíche para tirá-lo da sala antes que ele estrangulasse Alice.
Acabei comendo o lanche inteiro, porque embora eu não estivesse com fome, tudo estava muito bom. Meia hora depois o almoço foi servido, e de uma forma surpreendente, consegui acompanhá-los na refeição também, sem sequer negar a sobremesa. De repente, um pensamento veio à minha cabeça como tortura: Eu me casaria dali a cinco dias, e estaria preocupada com o fato de estar engordando e caber no meu vestido de noiva caso tivesse começado a pensar nele.
Três empregadas surgiram de algum lugar e começaram a retirar a mesa. Esperei todo mundo se espalhar para encurralar Alice em um canto e mostrar meu desespero.
- Alice! O vestido!
O vestido. Era uma das coisas que mais demoravam para serem decididas no processo do casamento, e eu sabia disso. Como diabos não havia pensado nele? Por que já não havíamos começado a procurar por ele?
- O que tem o vestido? — Ela perguntou.
- Eu não tenho um! — Falei, tentando não soar esganiçada.
- Bella, meu irmão demorou um século pra resolver pedir a sua mão. Mas só porque Edward é devagar, não quer dizer que eu tenha que esperar por ele.
Continuei encarando-a, pedindo silenciosamente para que ela explicasse do que se tratava tudo que havia acabado de dizer. Ela revirou os olhos.
- Você acha que minha mãe sempre teve essas revistas de noiva em casa? Acha que sempre tivemos telefones de floristas e decoradores? Desde que Edward nos disse que pediria você em casamento, o que já faz algum tempo, começamos a procurar detalhes que pudessem ajudar na organização. Não podíamos fazer tudo até que tivéssemos a sua resposta, mas como todo mundo — menos ele — tinha certeza da sua resposta, começamos a procurar as coisas sem que você soubesse mesmo assim.
“Por isso eu me dei a liberdade de mandar fazer o seu vestido. E não se preocupe, você vai gostar dele. Pelo menos, gostou da última vez que o vestiu. Apesar de que era verde. Mas imagine-o branco com alguns detalhes bordados, e acho que vai combinar perfeitamente com um casamento discreto e simples.”
Sem ainda responder nada, me lembrei do vestido que Alice me fizera experimentar alguns dias atrás, no shopping. Eu lembrava que era um vestido inapropriado para um aniversário, mas suficientemente interessante para se passar por um vestido de noiva. E se eu fosse levar em consideração o quão belo ele era e como me senti usando-o, poderia dizer que sim: Eu adoraria me casar com ele.
- Mas se você não gostar, podemos procurar outro...
- Não! — Interrompi-a sem muita educação — É perfeito! Obrigada, Alice!
Abracei-a com um pouco de dificuldade por causa das nossas barrigas, fazendo força para não me emocionar.
- Ei, Edward! — Emmet gritou atrás de nós — Achei duas grávidas aqui. Vem ver se uma delas é a que você está procurando!
Naquela tarde, fomos escolher o modelo dos convites. Levando em consideração que tínhamos quatro dias para imprimir os dizeres e enviá-los para os convidados, chegamos ao consenso de que deveria ser algo bem simples. O texto já havia sido pensado por Esme e confirmado por mim e por Edward. Quando fomos informados de que era necessário, pelo menos, uma semana para que todos os convites ficassem prontos, Edward pediu para que Esme e Alice me acompanhassem até o carro, esperando-o lá. Tive a certeza de que ele havia oferecido uma boa quantia para que o processo fosse acelerado, e sabia que a quantia era suficientemente boa para que a oferta fosse prontamente aceita.
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Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!Na terça-feira, Edward pareceu desapontado quando Esme o informou de que ele não poderia nos acompanhar aquele dia.
- Por que não? — Ele pergutou, com cara de cachorrinho abandonado na chuva.
- Porque vamos experimentar o vestido, os adereços, a maquiagem e o penteado.
- Eu posso esperar no carro...
- Querido... — Esme começou de forma gentil — Por que não liga para os contados das mesas, cadeiras, postes de iluminação, músicos... Temos ainda muita coisa para decidir. E, além do mais, você tem que fechar todos os papéis do casamento.
Depois de alguns minutos tentando convencê-lo de que aquilo era mesmo o melhor a ser feito, fomos de carro até uma rua comercial um pouco movimentada, onde, nas vitrines, mostravam-se roupas próprias para casamentos, incluindo trajes de noivos, madrinhas, daminhas e tudo que se podia imaginar. Naquela rua havia uma outra unidade da loja que Alice e eu visitamos no shopping, só que maior.
Não precisamos informar sobre o vestido. Alice simplesmente disse seu nome e uma das atendentes da loja nos encaminhou para a área dos provadores, onde, em uma das cabines, o vestido já nos esperava.
Pendurado em um cabide alto, o vestido não era exatamente como eu me lembrava. Esse apresentava bordados por toda a extensão do tecido, um fio muito fino e dourado cruzado em forma de losango na área da barriga e mangas largas, além das justas que já existiam por baixo, de seda branca com detalhes de renda.
Meu coração começou a bater mais rápido.
- Eu dei a idéia dessas modificações pequenas... — Alice começou no meu ouvido — Mas se você não gostou, podemos voltar ao original.
O vestido parecia brilhar diante dos nossos olhos. Ao lado dele, em uma pequena bancada, estava uma gargantilha com aparência de gotas de vidro que combinava perfeitamente com o vestido, dando o toque final do que eu achava ser a perfeição.
- Está... Lindo! — Consegui falar depois de algum tempo.
Não foi preciso muito para me colocar dentro dele com a ajuda da atendente. Me olhei no espelho apenas para constatar o que eu já sabia: Ele era perfeito, em cada detalhe, em cada costura. Eu parecia uma princesa, um anjo ou qualquer coisa mágica, e precisava me lembrar de agradecer a Alice pelo resto da vida.
Quando saí do provador, as duas me olharam como se eu estivesse brilhando. Esme soltou um suspiro enquanto seus olhos se enchiam d’água.
- Eu sou foda. — Ouvi Alice falar — Pode dizer: É ou não é perfeito?
- Realmente é. — Respondi, olhando em volta para todos os espelhos que me davam visões de ângulos diferentes do meu corpo.
- Você está absolutamente linda. — Esme disse sorrindo, enquanto ajeitava uma das mangas.
- É o meu presente de casamento. — Alice falou baixo ao pé do meu ouvido, e eu agradeci do fundo do coração.
A atendente que havia me ajudado com o vestido trouxe a gargantilha e a fechou ao redor do meu pescoço. Encarei o espelho mais próximo outra vez para ter uma idéia do conjunto. Fiquei por um bom tempo sem dizer nada, imaginando como seria estar vestida daquela forma no meu casamento. Meu coração acelerou outra vez.
- Você acham que Edward vai gostar? — Perguntei distraída, ainda encarando o meu reflexo e o das três mulheres à minha volta.
- Você só pode estar brincando. — Alice debochou, segurando meus cabelos e formando um coque provisório — Ele te acharia linda até se você fosse vestida de astronauta. Assim então...
- Ele vai se apaixonar ainda mais. — Esme falou de uma forma doce.
A atendente não precisou fazer muita coisa. O vestido havia sido feito para as minhas próprias medidas: Alice tinha trabalhado nisso, e eu sabia. A bainha já estava ajustada à minha altura, o que indicava que eu não precisaria usar saltos no jardim da casa de Esme e Carlisle.
Quando eu já estava usando o vestido por tanto tempo que todas nós já havíamos decorado cada detalhe, me troquei com a certeza de que aquele era mesmo o vestido mais perfeito que eu encontraria, e sequer precisava procurar por outros. Talvez porque eu não quisesse mesmo procurar.
Deixamos o vestido na loja e fomos em outra loja, também própria para noivas. Escolhemos uma sapatilha simples e linda, completamente plana, com alguns brilhos e bordados delicados. A escolha não tomou muito tempo, por isso, minutos depois já estávamos no carro outra vez, levando para a casa de Esme os sapatos e o vestido.
Quando chegamos lá, Edward foi expulso por Alice, assim como Emmet e Jasper. Diante dos protestos dos dois últimos por não serem os noivos e, por isso, poderem continuar ali, Alice deixou claro que a presença de qualquer homem à minha volta estava proibida. Eles obedeceram mal humorados, indo embora com Edward.
Nós três, sozinhas em casa com as empregadas, almoçamos qualquer coisa e nos preparamos para a visita da equipe de cabeleireiros e maquiadores que Alice havia contactado. Eles chegaram no horário marcado, trazendo toda a parafernalha própria para aquelas coisas, e eu podia jurar que nunca na vida havia visto tantos tons de rosa para blush.
Com o tempo, fomos vendo a mistura de tons claros no meu rosto delinear e valorizar tudo que deveria ser valorizado ali. Ao final da sessão de maquiagem, me encarei no espelho e me surpreendi com o quão bonita eu realmente estava. A maquiagem era suave, mas estava, incontestavelmente, perfeita.
Ignorando os protestos de Alice quanto às cores claras, passamos para o penteado. Experimentamos vários arranjos, passando de simples fios soltos até tranças trabalhadas e mescladas com outros tipos de penteado. Ao final, talvez porque tenha mesmo combinado mais com o formato do meu rosto e o estilo tanto do vestido quanto da própria festa, decidimos que uma trança desfiada, propositalmente bagunçada e caída para frente sobre um dos ombros, era a melhor opção dentre todas elas, dando a mim mesma um ar mais simples e delicado.
Quando tudo ficou decidido, já estava escurecendo. Esperei que toda aquela equipe fosse embora e tomei um banho rápido para tirar a produção. O vestido, a gargantilha e os sapatos estava guardados em um dos quartos de hóspedes da casa de Esme, e Alice fez questão de prender à porta, sempre fechada, um aviso de que se Edward ou qualquer outro indivíduo do sexo masculino entrasse lá, o casamento seria imediatamente cancelado.
Ao final daquela terça-feira, meus pés e minhas costas doíam um bocado. Eu estava faminta, cansada mas feliz. A idéia de que nosso casamento estava chegando começava a me alcançar, proporcionando um leve frio na barriga toda vez que a imagem de Edward e eu oficializando de uma vez nosso relacionamento vinha na cabeça.
…
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