De Repende Amor
8 Capítulo 8
[Ângela POV On]
Batia a ponta dos dedos sobre a mesa, repetitivas vezes. Queria que a aula de sociologia acabasse logo-além de odiar a matéria, era a ultima aula antes do intervalo-, finge prestar atenção na aula da Senhora Carvalho – uma senhora de 57 anos, de cabelos longos tingidos de loiro, sem dúvidas ela tinha pintado o cabelo em casa. -,ela percebendo que eu a observava,sorriu. Ela despojava de um sorriso acolhedor e gentil. Ouvi saírem da boca dela, as doces palavras “Classe pode descer”. Estava quase atravessando a porta, quando escuto ela falar docemente:
-Eu quero conversar com você, senhorita Brennan. Prometo que serei breve.
Assenti e sentei-me novamente no meu lugar, ela esperou a sala se esvaziar. Eu a encarava curiosa, ela piscou por trás das lentes finas dos seus óculos – me tranqüilizando-.
-Você nunca mais me procurou. –Ela disse, assim que ficamos sozinhas. –Espero que isso, seja um bom sinal. -Ela disse, sorrindo gentil.
Suspirei aliviada, então era sobre isso que ela queria falar. A senhora Carvalho era a minha confidente, já que eu não confiava nem um pouco na psicóloga do colégio. E eu precisava desabafar com alguém sobre o Victor, já que eu não tinha muitas amigas garotas – nenhuma, eu sempre preferi andar com os meninos a com as meninas-, sorri pra ela.
-Decide desistir dele, ele gosta de outra garota. -Encarei meus pés.
-Tem certeza que está tomando a decisão certa, Ângela? Vai deixar uma garota que chegou agora ficar com o garoto que você gosta há anos? Sem ao menos lutar por ele?
-Você diz isso porque não viu o jeito como ele olha pra ele, o jeito como ele pronuncia o nome dela, eu queria poder delatá-lo da minha cabeça.
Ela pôs-se de pé e caminhou em passos largos na minha direção com segurança, sentou na cadeira que fica a minha mesa.
-Você ainda nem tentou, minha querida. Eu te garanto se você ao menos tentasse, iria se surpreender com os resultados. -Balancei a cabeça em sinal negativo, em resposta ao comentário dela. Ela suspirou.
-Ele jamais vai olhar pra mim, do jeito que olha pra ela. Mas obrigado, por tentar me convencer do contrario. -Encarei-a. Ela assentiu. –Será que agora, eu já posso ir?
-Pode sim,querida-ela disse,sorrindo de forma meiga.
Procurei no pátio pelos meninos, consegui achar somente o Victor. Nós perguntamos a Natasha sobre o Hector, ela disse que ele não tinha vindo porque estava doente.
-E então como foi o almoço com a sua mãe?-Perguntei ao Victor, enquanto tomava um suco de uva.
-Ela perguntou se eu era gay.
Engasguei com o suco. Gay? Eu comecei a rir, cuspindo um pouco o suco, mas não me importei. Ele me encarava sério, esperou a minha crise de riso acabar pra falar.
-Eu não acredito que ela achou mesmo que eu fosse gay, só porque bom eu nunca levei nenhuma garota lá em casa.
Ri da expressão de indignação dele, ele me fuzilou com os olhos.
-Só foi sobre isso que conversaram?-Quis saber, em resposta ele balançou a cabeça em sinal negativo.
-Também falamos sobre a Bela.
-Foi?-Fingi interesse.
-É ela disse que se a Bela não acha que eu sou bom o suficiente pra ela é porque ela não é boa o suficiente pra mim. E também disse uma coisa engraçada...
-O que?-Perguntei curiosa.
-É bobagem, ela disse que deve ter uma garota que goste bem ao meu lado só eu que não estou enxergando.
Você não faz idéia do quanto ela está certa, pensei.
-Talvez ela possa ter razão.
-Eu acho à mesma coisa.
Meu coração se acelerou ao ouvir isso. Ele martelava com força. Não pude conter um sorriso de alegria.
-Por que você está sorrindo?
-Porque eu estou muito feliz.
Ele me encarou confuso, o meu sorriso aumentou.
[Ângela POV Off]
[Victor POV On]
O que a minha mãe tinha me dito, não saia da minha cabeça. Quase não dormi pensando naquilo. Eu queria poder ler a mente da Bela, saber exatamente o que ela pensa de mim. Talvez eu devesse investir em outro tipo de garota, numa nerd como eu ou numa garota que eu conseguisse ter uma conversa que durasse mais do que 5 minutos. Talvez a anjinha pudesse me indicar alguém, hoje ela estava diferente. Estava mais bonita do que o normal, ficou incrivelmente feliz depois que eu contei que talvez a minha mãe tivesse razão, ficou radiante. O sinal tocou, mas eu não com paciência pra matemática.
-Ta a fim de matar aula, hoje?
-Eu escutei direito, o maior nerd que eu conheço está me convidando pra matar aula?-Ela arqueou as sobrancelhas, incrédula.
-Uma vez na vida não mata, mas ia topa?
Ela sorriu doce como sempre.
-Claro que eu topo.
Optamos por ir ao shopping, queria ir ao cinema. Tinha vários dramas em cartaz, escolhemos por fim um de romance — o único que parecia realmente bom-, a vendedora de pipoca achou que fossemos um casal. Quando disse que éramos apenas amigos, ela disse que era uma pena porque formamos um casal fofo — fiquei sem graças perante o comentário-, o filme era aquela coisa super chicle. Aonde a garota pobre se apaixona pelo cara rico e os dois sofrem o preconceito da sociedade por viverem em classes sócias diferentes.
Anjinha deitou a cabeça no meu ombro, meu coração se acelerou com aquele contato. Eu não consegui me entender, não dava pra entender.
-Esse filme é tão lindo. -Ela comentou.
-É, lindo mesmo. -Só que eu não me referia ao filme.
Ela sorriu meu coração novamente martelou com força. Não controlei minhas ações, aproximei meu rosto dela instintivamente e quando dei por mim meus lábios estavam pressionando os dela. Ela não me rejeitou, botou a mão na minha nuca e me puxou pra mais perto. Não sei qual foi o final do filme.
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