De Príncipe Á Prisioneiro
7 A Fuga do Príncipe
Notas iniciais
Elídian andava de um lado para o outro em seus aposentos sem saber o que fazer enquanto ouvia os gritos da rainha Prunaprismia atravessando os corredores enquanto a mesma sentia as dores das primeiras contrações que davam sinal de que seu filho estava pronto para vir ao mundo. Desesperada, já com as pontas dos dedos em frangalhos de tanto roer as unhas a princesa correu até a porta e seguiu pelo longo corredor indo até a porta do quarto real onde viu as amas ao redor do leito, secando o suor no rosto da rainha que reclamava suas dores enquanto contorcia seu rosto em uma expressão assustadora. Uma das amas passou pelas costas de Elídian enquanto abria a porta totalmente para trás lhe pedindo licença, para que a segunda que carregava uma bacia de água adentrasse ao cômodo. Pruna avistou a filha enquanto gritava de dor, e se agarrava as cortinas que estavam presas nos lastros da cama de dossel. Elídian arregalou os olhos vendo a situação da mãe e não conseguindo entender por que diabos o rei obrigara a mulher a passar por toda aquela agonia por causa de um herdeiro. Após alguns minutos apenas observando estática diante da porta, a princesa se virou as pressas e correu pelo corredor segurando as saias de seu vestido e logo desceu as escadas indo rumo ao cômodo onde o doutor Cornelius, tutor de Caspian costumava preparar seus remédios.
– Cornelius, Cornelius! –ela invadiu o cômodo, esbaforida.
– Princesa? O que se passa? –disse o homem gentil.
– A rainha... Já começou... –disse segurando as mãos do velho homem.
– O que já começou princesa?
– Ela vai dar a luz logo em breve. Precisamos fazer alguma coisa... –disse com o olhar preocupado e assustado. – Este filho que minha mãe gerou não pode ser um menino de jeito nenhum Cornelius.
– Princesa, este filho manterá vosso pai no trono... –disse em tom pausado e calmo.
– Esse filho será uma desgraça Cornelius... –disse franzindo a testa e apertando as mãos do homem.
– É apenas uma criança princesa...
– Cornelius, se esta criança nascer será o fim de Caspian...
Cornelius entendeu por fim o que desejava a princesa e então se afastou da mesma e andou até as portas fechando-as em seguida voltando a se aproximar de Elídian e levando-a até a janela, para ficarem longe das portas.
– Princesa do que está falando? –perguntou em tom baixo.
– Cornelius, você deve saber o que acontecerá com o príncipe caso meu pai obtenha seu tão sonhado herdeiro... Ele matará Caspian assim que a noticia de um menino recém-nascido chegar aos seus ouvidos. Precisamos fazer alguma coisa antes que essa criança venha ao mundo Cornelius.
– Os guardas receberam ordens para não se afastarem das masmorras enquanto a rainha estiver em trabalho de parto, princesa, como chegaremos perto o suficiente do príncipe para ajudá-lo?
– Eu darei um jeito de tirar aqueles homens de lá... Mas preciso que você me garanta que libertará Caspian daquelas grades...
– Princesa, isso poderá comprometê-la diante do rei.
– Ele é meu pai Cornelius, jamais fará qualquer coisa contra mim. Só peço que tome cuidado... Ele não pode saber que está envolvido nisso.
– Certo. O que faremos?
– Eu distrairei os guardas enquanto você apanha as chaves e se dirige as masmorras. Por tudo que é mais sagrado Cornelius, tire Caspian de lá antes do nascimento dessa criança... –ela disse com os olhos cheios de agonia.
– Eu esperarei por seu sinal princesa...
– Devo me apressar, no estado em que minha mãe se encontra será uma questão de horas até que ela dê a luz. –disse se afastando e se dirigindo a porta. – Salve-o Cornelius... –disse implorando com seus olhos.
– Não se preocupe princesa, a segurança do príncipe é de minha total responsabilidade...
Elídian apenas concordou com um sorriso sem alegria, mas de profundo sentimento e então se retirou as pressas. Cornelius por sua vez passou as mãos sobre a barba branca e respirou fundo pensando na tarefa difícil que lhe aguardava. Ele se preparou juntando capa, e alguns objetos antes de tomar o rumo pelos corredores. Enquanto isso Elídian ouvia novamente os gritos da mãe que vinham do corredor. A cada grito de desespero que vinha daquela mulher, o coração de Elídian era enforcado em seu peito. A princesa não tinha ideia de como se livrar dos guardas para abrir caminho para o tutor do príncipe, ir salvá-lo, mas sentia que cada minuto em que pensava em alguma coisa era um minuto perdido, então sem pensar mais um único segundo a princesa correu novamente até os coredores do andar baixo seguindo rumo às masmorras e do meio do caminho ela gritou para os dois únicos homens que faziam a guarda naquele momento.
– Guardas! Guardas! –eles saíram de onde estavam e seguiram até a princesa. – Subam imediatamente, tem um invasor nos aposentos do palácio. Eu o vi entrando pela janela do meu quarto. Ele carregava um arco e flecha, e era enorme... –ela dizia como se estivesse apavorada. – Deve ter sido enviado para matar o herdeiro do rei... Subam e o encontrem.
– Sim majestade... –dito isso os dois homens subiram as pressas os degraus da escada assim deixando os corredores livres.
Enquanto os homens seguiam com destino aos andares superiores do palácio, a princesa avistou Cornelius passando de fininho pelo corredor baixo e seguindo rumo as masmorras. Aliviada, Elídian seguiu com os guardas para garantir que estes não desceriam até que Caspian e Cornelius estivessem fora do palácio. Já nas masmorras, o tutor se apressou a acordar o príncipe que descansava como podia no piso frio de sua prisão. Ele usou as chaves para abrir as grades e invadiu a prisão logo sendo interrogado pelos olhos confusos de Caspian:
– Cornelius? O que está fazendo? –disse sentindo as mãos do homem lhe ajudando a ficar de pé.
– A rainha logo dará a luz meu príncipe, é necessário que esteja em segurança antes que esta criança chegue.
– Do que está falando Cornelius? –disse com os olhos castanhos arregalados.
– O rei espera um filho homem para tomar seu lugar no trono meu príncipe. Se a rainha lhe der tal graça, o rei ordenará que o matem...
– Me matar? –disse perturbado com a informação.
– Vamos, não temos muito tempo, devo conduzi-lo até os cavalos e o príncipe deve fugir do palácio para proteger sua vida e seu trono...
Sem questionar mais o príncipe fez exatamente o que seu tutor lhe indicara a fazer. Cornelius era um homem de confiança e sábio, se ele dizia que o príncipe deveria partir, então era o que Caspian faria. Ambos se dirigiram as pressas pelos fundos do palácio, enquanto o tutor preparava o príncipe para enfrentar o frio da noite que se fazia presente cobrindo-o com uma capa grossa de tecido macio. Quando Caspian estava sobre o cavalo seu tutor entregou-lhe algo muito valioso.
– Lembra-se das estórias que lhe contei meu príncipe? Sobre os reis e rainhas antigos?
– Sim.
– Isso pertence a uma das rainhas. A rainha gentil, Susana Pevensie. Use isso caso precisar... Se estiver em apuros, basta soprar a trompa e a ajuda virá... –disse entregando o objeto em mãos do príncipe.
– Certo.
– Agora vá... E tome muito cuidado meu príncipe... Que os anjos lhe protejam... –disse dando uma palmada no lombo do cavalo que saiu em disparada carregando o príncipe.
Do alto do palácio, da janela de seu quarto a princesa avistava o cavalo do príncipe conduzindo o mesmo rumo à ponte externa que o levaria para longe do perigo que o ameaçava. Seus olhos se encheram de esperança e ao mesmo tempo de tristeza por saber que aquela poderia ser a ultima vez que ela veria o príncipe, mas seu coração estava tranquilo por saber que o primo estaria seguro a partir daquele momento.
– Princesa tem certeza que viu tal homem? –perguntou um dos guardas.
– Sim, ele estava bem ai onde você está agora e empunhava uma espada... –disse ela voltando a olhar os homens.
– Não era um arco majestade? –disse o seguinte.
– Sim, um arco. –ela corrigiu. – Eu estou apavorada homem, como espera que eu tenha certeza do que o sujeito carregava. Vamos, procurem-nos outros cômodos. O herdeiro do rei pode estar em perigo.
Não demorou muito para se ouvir o choro do bebe recém-nascido ecoando pelo longo corredor. Os guardas correram para proteger a porta ao invés de sair à caça do possível invasor. Lord Sopespian surgiu e foi avisado do acaso, e logo ordenou que um dos homens fosse chamar mais guardas para vasculhar o interior do palácio. Elídian se aproximou devagar e ouviu a notícia dada por uma das amas ao Lord:
– É um menino Lord Sopespian! A rainha deu a luz a um lindo menino.
A princesa sentiu-se aliviada e ao mesmo tempo começou a sentir uma vertigem que escureceu suas vistas, então deu apenas alguns passos em direção ao quarto da rainha e acabou por cair no meio do corredor desmaiando próxima a uma mesa a qual tentou se segurar e apenas conseguiu derrubar um vaso de flores por cima de si. Lord Sopespian ordenou que o guarda fosse avisar o rei do nascimento de seu herdeiro enquanto acudia a princesa desacordada no piso. A jovem sentiu-se sufocada ao perceber o quão perto havia chegado de perder o primo que tanto amava para a morte, que seu corpo foi incapaz de dar conta das emoções fazendo assim com que ela perdesse a consciência.
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