De Primavera À Inverno

5 Capítulo 5 - Lembranças


Notas iniciais
fala pessoas!espero que gostem
mesmo eu estando em provas o fiz com todo carinho pra vocês
E com vocês, mais um capítulo!

Era dia na Soul Society, mais precisamente 10 horas da manhã. Kyouraku estava sentado em sua mesa, organizando e acabando de assinar alguns relatórios.


O escritório estava limpo, apesar de ter um pouco de cheiro de saquê no ambiente. Entretanto, havia uma mesa vazia perto da janela, com algumas canetas num porta-lápis, um bloco de notas e alguns arquivos.Porém tinha algo que não deveria estar ali. Um pequeno jarro de vidro com água guardava duas flores, uma delas era um copo-de-leite e a outra um lírio. As duas flores mais interessantes para o taichou.

A primeira tinha um formato incomum para uma flor, não era a mais bela, mas tinha algo especial e era forte. A segunda, bonita e delicada.Ambas opostas, assim como sua querida Nanao-chan fora.Tão forte e de jeito tão by Text-Enhance\">único como o copo-de-leite e bela e delicada como o lírio.


Uma vez, falara sobre essa duas flores para a tenente...



Estava em um dos telhados da Seretei, aproveitando o vento e observando as nuvens. Elas formavam desenhos engraçados, mas quando ela chegara, tinha o chapéu de palha parcialmente sobre o rosto.


__ Taichou! — ela parecia incrivelmente linda à seus olhos...

__ Ohayo Nanao-chan! — tirou o chapéu por completo para apreciar a bela paisagem a sua frente — Nanao-chan parece com duas flores...


__Taichou, não temos tempo para isso, precisa assinar os relatórios ou levaremos bronca do soutaichou de novo! — porém shunsui não prestava atenção no que Nanao dizia.


__ Um lírio e um copo-de-leite.

__ Hã? Por quê? — desfez o semblante sério e o encarou com curiosidade.

__ Você tem um jeito único e é forte, como o copo-de-leite.Mas também é delicada e bela como o lírio. Minha Nananoo-chan... gracinha, gracinha, gracinha, lovely...Pá!

O capitão se aproximara na tentativa de conseguir um beijo de sua tenente, até ser atingido pelo livro da morena.

__ Vamos logo voltar para o esquadrão, taichou!

Com a cabeça doendo, Shunsui voltou ao esquadrão na companhia de sua querida Nanao-chan.


Todos os dias ele trocava a água.Quando as flores estavam murchando, substituía por novas. Fazia isso inconscientemente, na esperança de num dia qualquer, encontra-la ali com seu livro, observando as flores como se nada tivesse acontecido.


Depois de algum tempo, o Kyouraku tornou-se responsável ainda mantendo seu jeito sorridente e brincalhão de sempre. No entanto, podia-se ver que eram forçadas para esconder a tristeza. Poucas vezes durante aqueles anos, sorrira de fato.

Mas naquele dia estava muito pior. Dificilmente viam-o com um sorriso com um sorriso naquele dia, o mesmo que conseguira Nanao, uma lembrança feliz que se tornou uma das mais tristes.


O céu estava azul com poucas nuvens de algodão. Nanao treinava sozinha seus kidous. Era impressionante seu talento com eles. Podia facilmente fazer um kidou nível 90, que muitos taichous não conseguiam fazer. Geralmente ela treinava no campo dos fundos do esquadrão, mas queria ter um pouco de paz, apenas ela e o vento de companhia, sem direito a nenhum aplauso.


Já era o quarto que fazia tão alto e sem nenhuma pausa. Aperfeiçoara antes alguns de nível 80, por isso estava ficando cansada.

Escondido atrás de uma árvore, Shunsui via sua tenente se esforçando. Depois de mais alguns kidous a morena estava exausta e sem fôlego, porém ela forçara mais um. Antes que a Ise tocasse o chão, foi pega por ele.



Nanao não estava totalmente inconsciente nem ferida, apenas cansada, então o capitão não a levou para o quarto esquadrão. Retirou o seu haori rosa e colocou sobre a morena, mesmo o dia estando claro,fazia um pouco de frio. Pegou-a em seus braços e colocou ela sentada entre ele na sombra de uma árvore.A tenente estava exausta e contra a sua vontade, dormiu.

O capitão a abraçara gentilmente, aproveitando o calor que emanava do corpo dela tão perto do seu.Observou suas delicadas curvas, sentiu o cheiro de seus cabelos, sua pele macia...teve que se controlar pra não fazer nenhuma bobagem, ela parecia um anjo. Que ele adoraria corromper...

Duas horas passaram-se, três e por fim, quatro até que ela despertara ainda nos braços do capitão.

__Hã? — sem entender o que tinha acontecido, a tenente ajeitou os óculos para ver melhor – taichou! — gritou de susto ao reconhece-lo.

Olá Nanao-chan! Dormiu bem? Não sentiu frio, sentiu? — perguntou preocupado.

__ Não taichou — ajeitando os óculos, disse – O que faz aqui?

__ Eu só estava zelando o sono da minha Nanao-chan! — respondeu com seu sorriso costumeiro.

__ Que horas são? — lentamente levantava ainda meia aéria pelo tempo dormindo.

__ Umas 5:30 ...

__ Nani? Mas os relatórios que deviam ter...

__ Nanao – seu tom era sério, levantou-se e ficou olhando sua tenente.

__ Hai?

Ele estava nervoso por dentro, tentando manter a expressão séria, talvez Nanao acreditasse desta vez.Principalmente se estivesse sério.

__ Eu … te amo. — a expressão dele mudara por alguns momentos até voltar a anterior.

No entanto, ele continuou imóvel olhando para ela, queria beija-la e lhe dar muito carinho, como fizera por quase 4 horas. Se sentiu tão bem... como nunca em toda a sua vida. Mas, se o fizesse perderia a chance de faze-la acreditar.

__ Tai...chou? — não aguentou, era tentação demais. Os olhos sobre ele, a boca entre aberta , o vento balançando a sua franja gentilmente...

__ Eu te amo. — sussurrou em seu ouvido.

O livro caíra no chão, devido a surpresa.Apesar de seu coração e corpo gritarem por ele, sua cabeça se meteu.

__ Se me ama, por quê dorme com qualquer uma quase toda noite? — a raiva que guardava consigo vinha de uma vez. Gritava, triste. O vento soprou frio entre os dois, fraco mas firme, carregado de dor.

__ Eu.. queria me consolar, nunca tive você nem mesmo a beijei, não poderia mostrar o quanto a amo. Também queria que ficasse com ciúme – confessou

__ Você... — uma lágrima solitária escapou do rosto da shinigami, mesmo do grande esforço para conte-la – por acaso faz ideia de quanto me machucou?

Mil pensamentos passavam por sua cabeça, ela realmente a amava. Tantos anos reprimindo aquele sentimento que timidamente crescera dentro de si para aquelas palavras serem verdade. Não tinha muitos motivos para esconder sua emoções totalmente agora não é? Começou a socar com as mãos o peitoral forte dele deixando toda a raiva sair de dentro de si, até ele segura-la.

__ Se sofria tanto, por quê nunca me disse? — foi a vez dele ficar com raiva – Por quê?

__ Por que tenho uma coisa chamada orgulho! O que acha que vão dizer? Que só continuo sendo tenente porque tenho um caso com o meu capitão? Que sou interesseira? Além disso não é certo eu ter um caso com o meu superior! — ela não cederia assim tão fácil, poderia admitir seus sentimentos mas o aceitaria assim. Afinal ela ainda era Ise Nanao, orgulhosa e teimosa como sempre.

__ Nanao-chan... não há ninguém aqui para julga-la nem para subestima-la. Não seríamos os primeiros nem os últimos. Sei que me ama Nanao, deixe de ser teimosa, me deixe fazê-la feliz.

__Taichou, também tem outras coisas que nos impedem, família, idade e ... — Ele não queria ouvir, estava cansado dela o rejeitar se o ama. Não deixou ela terminar e tomou seus lábios.

No início Nanao tentou resistir, mas os braços do capitão prenderam sua cintura firmemente. Sem forças pra lutar( e sem vontade também) correspondeu ao beijo.Ela colocou a mão na nuca dele aprofundando o beijo.Ambos os pulmões reclamavam por ar, separam-se, depois de muito teimar com o principal órgão do sistema respiratório.

__ Eu... — vermelha, tentava dizer – eu... eu...-a essa altura o coração do taichou já não se aguentava em seu peito, sabia o que ela ia dizer, mas ainda assim agia como um adolescente apaixonado — eu...te amo.

__ Nanao-chan! — puxou para um abraço apertado, a afundando em seu peito que era retribuído carinhosamente pela jovem– minha Nanao-chan.

__Ha-hai? — ela não o corrigira ou repreendera.

__Está com frio?

__Não – disse ainda no abraço sem entender o motivo real da pergunta

__ Que bom, porque eu não vou solta-la

Ainda nos braços do taichou,disse:

__Tai...Shunsui você ouviu o que eu disse? — afastou-se um pouco para encara-lo.

__Nanao-chan me chamou pelo nome de batismo! — feliz sorria abobalhadamente como uma criança. Ele definitivamente não ouvira o que ela dissera.

__Taichou, aja como um adulto! — nesse momento uma aura negra surgiu em na tenente deixando o capitão com muito medo – Agora vamos, precisamos estragar os relatórios na Ichi Bandai. — dirigia-se de volta, quando ouviu Shunsui.

__ Ah, mas isso é tão chato Nanao-chan...

__ Vamos logo, taichou! — virou-se encarou o Kyouraku que sentiu um frio na espinha apenas com o olhar dela, então deu-se por vencido. Estava tudo bem, ele estava muito feliz nem mesmo a pior branca do Yama-jiji iria tirar a felicidade dele.



Dado tudo feito, pediu a Tatsufa-san para entregar.Foi encontrar com seu amigo, Ukitake, que o animava nessas horas.Caminhou em direção ao bar que sempre bebia, não demorou muito para chegar e encontrou o amigo na sala privada.

__Como vai Kyouraku?



__ Bem. Como vai a sua saúde Ukitake?

__ A mesma de sempre.


__ Ukitake... acha que Nanao ainda está viva?

__Acho.

__ Por quê?

__ O sétimo esquadrão encontrou a carcaça do Onizaki, mas não encontraram o corpo de Nanao. Ela pode estar viva ainda.

__Nosso filho... eu nem pude conhece-lo! Eu ia paparicar tanto aqueles dois!Tinha tantos planos...

As lágrimas queriam sair, mas foram reprimidas. Nanao não gostava de vê-lo triste, então não iria chorar.

__Como foi que ela lhe contou que estava grávida mesmo?

__Hum? Aé! Ela andava estranha naquele dia...



Nanao terminava alguns relatórios com a cabeça no mundo da lua, já deveria ter contado para shunsui que estava esperando um filho, mas tinha medo. Medo do capitão fugir da responsabilidade e deixa-la sozinha, não se perdoaria por ter cedido se isso acontecesse.



__ Nanao-chan? — ela nem reparara, mas parara subitamente de fazer os relatórios. O capitão a olhava preocupado, a tenente parecia distante já fazia alguns dias.

__ Hai, taichou?

__ Nanao-chan, você está bem? Tem algo que lhe incomoda?


__ É apenas algo que devo lhe dizer, mas não dever ser dito no horário de trabalho – respondeu séria, tentando espantar os medos e incertezas.

__ Diga. — não sabia o que era, mas estava perturbando sua amada. Precisava saber.

__ Taichou... eu... — “Tudo bem, talvez possa ser agora e acabar logo com isso” pensou. Tentava acalmar o coração. Toda vez que ficava nervosa, vomitava ou ficava tonta, mas parecia que os dois quiseram vir juntos de uma vez.

Levantou-se e com o restante do equilíbrio que ainda possuía consigo, correu para o banheiro, deixando para trás um capitão sem entender nada. Curioso e preocupado, ele a seguiu.

Quando chegou até onde ela estava, reparou no lugar.

__ Nanao-chan? — Não havia muitas mulheres na Hachi Bandai além dela, por isso não viu problema em entrar.

Não era grande só tinha duas cabines e duas pias. O espelho era um tanto enorme.As paredes eram vermelhas e o chão de pisos escuros. Bem simples, mas bonito.

Assustou-se ao descobrir que a morena colocara o café da manhã pra fora. Ela saíra da cabine e apoiara as duas mão na pia. Escovou os dentes e continuou segurando-se, olhando para baixo.

__ Nanao-chan, quer que eu te leve para a Yon Bandai? — perguntou ele se aproximando.

__Não é necessário – com todas as forças que possuía, tomou coragem e disse cabisbaixa:

__Eu estou grávida Shunsui.

Grávida...um filho... um fruto do amor deles.Estava feliz porém não entendia sua tenente. Pelo espelho seu semblante era triste, como as palavras que vieram.

__ Gomenasai, eu não planejei isso, foi um acidente.

Aproximou-se por trás a encurralando, colocou sua mãos entre as dela e olhou para o espelho.

__ Nanao-chan, por quê pede desculpas? Por acaso não está feliz de ter um filho comigo? Por que me parece triste?

Surpresa, virou-se para encara-lo. Ainda presa, observou a face de seu amado e percebeu que cometera um erro.

__ Eu pensei que fugiria da responsabilidade e me deixaria sozinha. — confessou

__Nanao, eu nunca me afastaria de você desse jeito, nunca a deixaria sozinha. Nanao-chan, por que duvida tanto do meu amor?

__ Gomen ne, Shunsui. — apesar de chateado, ele a perdoou. Não conseguia ficar muito tempo zangado com ela.

Aproximou-se mais dela e a beijou. Exploraram o novo território com urgência, tentando saciar o desejo que tinham um pelo outro que parecia não ter fim.

__ Nanao-chan – sussurou entre beijos – mas tarde te darei um gostoso castigo... — disse malicioso.Não pode evitar, a morena corara como um pimentão arrancando uma risada de Shunsui. Ele a surpreendeu e começou a gira-la rindo.

__ Pare! Se continuar vou vomitar em cima de você! — quando percebeu a palidez dela ele a soltou.

__ Gomenasai Nanao-chan – sem responder a morena abriu a porta com força da cabine e colocou pra fora tudo o que restava. Passado alguns minutos, a tenente saiu e escovou os dentes novamente fuzilando um certo Kyouraku com o olhar.

E assim seguiu o dia, com uma Nanao irritada e um taichou sorridente. Até a noite quando fizeram as “pazes” a madrugada inteira.



__ Eu realmente adorei fazer as “pazes”... — Kyouraku sorria abobalhado com suas queridas lembranças.



__ Você não muda nunca hein? — disse Ukitake servindo-se de saquê.

__Se eu mudar, Nanao-chan vai me matar quando voltar. — sorriu

__ É assim que se fala, ela volta e te mata. — levantou o copo rindo da cara do capitão da Hachi Bandai, contente por ele ter se animado um pouco.Ele realmente achava que a Ise-fukataichou voltaria.


__ Ukitakeee!!!

Em meio as risadas, lembraram de episódios engraçados e constrangedores do passado, fazendo a barriga deles doerem de tanto rir. Desse jeito passaram o triste dia, mergulhados em lembranças queridas.

Notas finais
E ai gostaram?