De Primavera À Inverno
7 Capítulo 7 - Kaoru
Notas iniciais
Tinha cheiro de grama. Grama verde e jovem. O ar ainda era frio e tudo doía. Estava mais fraco do que nunca. Pela fome, pela dor, cansaço pelas noites mal dormidas recheadas de pesadelos. Neles via sua família morrer e sua mãe tentar com todas as forças e suncumbir a morte depois de árdua batalha. A floresta que antes era sua casa parecia muito opressora. Opaca. Só havia tristeza e morte.
Ele só queria chorar. Era tanto...tanto. Não sabia como explicar. Era diferente da perna que ardia como fogo, ou do ar que rasgava os pulmões toda vez que inspirava. Estava difícil respirar. Se sentia muito quente ao mesmo tempo que tinha frio. Tinha certeza que estava suando.
Tinha algo macio embaixo dele e duas reiatsus fortes ao seu lado. Não eram opressoras. Com certeza poderiam esmagá-lo se fossem liberadas de tão densas. Seu pequeno corpo não suportaria. Na melhor das hipóteses desmaiaria.
Talvez um futon ou algo do tipo. Não tinha forças pra abrir os olhos.
— Ele tem a idade certa.
Não houve resposta imediata. Só uma longa pausa. Não parecia a voz do cara de haori rosa. Agora podia ter certeza que tinha olhos cerrados sobre si.
— Se ela tiver sobrevivido.
— Não foi sua culpa, Kyouraku.
Kyouraku.
…
kyouraku.
Isso seria muita cagada.
Será que aquele homem era Kyouraku Shunsui? Agora estava ficando nervoso. Lembrava-se do dia que sua mãe lhe contara sobre.
“Ele vai gostar de mim?”
Talvez fique decepcionado. Ele era muito fraco e pequeno. Não pode fazer outra coisa além de correr cegamente por aí enquanto sua mãe lutava.Nem falava quando o espancaram. Não tinha mais força pra reagir.
“Não deve nem mesmo acreditar em mim.”
Não havia razão pra isso. Carregar um emblema não provava que era filho dela.
Ele nem sabia se ela estava viva.
Kaoru começou a soluçar um pouco deixando um pouco das lágrimas saírem. Os dois devem ter percebido mas não disseram nada. Agradeceu mentamente por isso. Ele se sentia vazio e ao mesmo tempo preenchido de tristeza e culpa.
Seu corpo ainda dóia absurdamente mas era menos do que se lembrava.
— Não vou te machucar, criança.
O menino esfregou os olhos com uma das mãos e tentou se erguer. Foi quando percebeu que só o homem de haori rosa estava lá, sentado ao seu lado, o chapéu no chão o olhando com tristeza.
— O que aconteceu com sua mãe?
Respire, você consegue. Ela precisa que você consiga.
— Memna a achou. Ele matou ba-chan e oji-chan. Oka-san me mandou embora atras de ajuda. Disse que era pra achar um tenente ou capitão e mostrar emblema.
Que estava entre eles inclusive.
A criança encarava o capitão. Ele...parecia triste. Com certeza. Só que tinha algo familiar nele.
Ele reuniu suas forças e se aproximou. Estava sentado bem perto, o encarando. O capitão nem se moveu, só levantou uma sobrancelha e o olhou com curiosidade. Ainda calmo, o que era bom.
— O senhor conheceu minha mãe?
—Hai.
Fazia sentido. Ele era um capitão e shinigamis viviam muito tempo. Kaoru continuou encarando o capitão.
— Senhor taichou.
—Diga.
Ele engoliu em seco. Não sabia se queria ou não a resposta. Ele sempre quis mas agora, ele só tinha medo.
Aqueles olhos brilhantes da mesma cor dos de Nanao estavam temerosos. O mesmo cabelo liso e preto estava cortado curto. Mas as feições eram parecidas com as dele quando criança. Ele tinha muitos machucados. A boca rachada e sem cor e muitos hematomas. Nanao teria dado uma bronca nele.
Tudo no menino o lembrava ela. Ele se perguntou o que ela tinha passado. Todos os momentos que perdeu.
Agora seu filho estava na sua frente. Sim, ele sabia. As chances de Nanao-chan entregar seu emblema pra um menino chamado exatamente Kaoru que fosse tão parecido com ela eram improváveis, de tão baixas.
Era mais facil ele aparecer na frente dele.
— Você é filho de Ise Nanao.
— Tio, você podia só me responder um pouquinho? — e o menino mostrou um bico fofo que tirou um risada do mais velho.
—_ Eu sinto muito por seus avós... — Kaoru olhou para Shunsui ainda choroso — mas não se preocupe, vamos salvar sua mãe.
—_ Sério?! — seus olhinhos brilharam de felicidade, como nunca brilhara. Shunsui ficou muito feliz por faze-lo sorrir. Ele era um criança muito fofa. O capitão definitivamente ia trazer Nanao de volta e finalmente teria seus tesouros consigo.
—_ Hai, eu prometo.
—_ Arigato! — o garoto sorria, feliz por conseguir o que sua mãe mandara.
—_ Kyouraku-san!
—_ Ha-hai?
—_ Sabe quem era o capitão da Hachi Bandai à 25 anos?
—_Sei – respondeu, não entendendo o porquê da pergunta.
—_ Pode dizer a ele que Ise Nanao está viva?
—_Por que você não diz? Posso leva-lo até ele.
—_Eu tenho medo. — sua voz saiu falha e temerosa.
—_Por quê? — Shunsui não entendia, não consegui entender. Ele parecia ser igual a sua Nanao-chan, cheio de medo e temor em certas coisas.
—_ Oka-san me disse, que meu outo-san era seu capitão, da Hachi Bandai. Quando eu disser meu nome ele provavelmente, vai saber que sou seu filho. E se ele não gostar de mim? — o capitão não podia acreditar, seu filho tinha medo de que ele não fosse gostar dele, o que era praticamente impossível. Não fazia nem 1 dia que o havia encontrado e já o amava. Apesar de toda inteligência que o seu filho possuía, ele ainda tinha a mentalidade de uma criança.
—_ Não se preocupe, ele irá gostar de você. Talvez já goste e você nem saiba. — dizia sorridente e um pouco vermelho.
—_ Ei, de qual esquadrão você é? – de repente o cérebro do capitão congela, não sabia como seu filho ia reagir, mas não podia mentir pra ele.
—_ Do oitavo esquadrão.
Silêncio...
Do oitavo esquadrão.... oitavo esquadrão... oitavo! Mas ele era um capitão então, ele estava olhando para o seu outo-san! Mas porque ele não disse?
Shunsui esperava o menino dizer alguma coisa ansiosamente. Aquilo o estava matando por dentro. “Será que fora muito cedo? Talvez de tivesse dito com mais jeito...”
Kaoru lembrou-se do que sua mãe disse: “Ele nos amava”. Então não teria problema.
Seus medos então foram embora.
—_ Outooo-saaan!! Outo-san! Outo-san! Outo-san! Outo-san! — Der repente Kaoru se joga em cima do taichou. Chorava abraçando Shunsui, numa abraço apertado. O menino apesar de estar chorando, não tirava o sorriso do rosto.
—_ Meu filho... — retribuiu o abraço gentilmente, o apertando, porém tendo cuidado para não machuca-lo .Finalmente podia sentir um abraço de seu filho. Tinha esperado muito tempo por isso e agora ele estava ali.
—_ Outo-san é um manteiga derretida! — ria feliz no abraço, observando seu filho. Ele tinha razão.
—_ A culpa é sua, Kaoru-kun! — não queria soltá-lo. Estava contente demais pra isso. — eu vou trazer oka-san de volta.
Kaoru afastou-se um pouco do pai para encará-lo e disse:
—_ Ai a gente vai ficar junto? Eu, você e oka-san? Como uma família?
—_ Bom se ela me quiser,sim. — ria para esconder a dor da possibilidade dela gostar de outro agora.
—_ Não se preocupe, ela ainda te ama, outo-san!
—_ Como sabe disso, Kaoru-kun? — perguntou Shunsui.
—_ Ela fica distraída às vezes, quando pensa no senhor. Também dispensava todos os caras que a pediam em casamento.
—_ Casamento? — o quê? Queriam casar com sua Nanao-chan?
—_ Sim, homens do vilarejo sempre a pediam em casamento, afinal oka-san é muito linda e inteligente! Agora entendo porque ela sempre dizia que se algum deles quisessem mesmo casar com ela, teriam que vencer o capitão da Hachi Bandai. — ele olhava para cima, pensando, enquanto dizia.
—_ Então é por isso que de vez em quando aparecia um cara puxando briga comigo...
—_ Ei, Outo-san... você ainda ama oka-san?
—_ Mais que a minha própria vida. — respondeu sem pensar duas vezes.
—_ Oba! Então vou ter uma oka-san e um outo-san juntos!
Os dois riam felizes, até Kaoru abraça-lo novamente, arrancando um risada de Shunsui.
—_Eu não vou sumir, Kaoru. Muito menos ir embora. — falou em meio ao riso.
—_É só pra ter certeza.
Do nada, um estômagozinho começa a roncar, deixando o seu dono vermelhinho.
—_Acho que estou com fome. — confessou sem graça.
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