De Primavera À Inverno

11 Capítulo 11 - Surpresa Inesperada


Notas iniciais
Não me matem!!!Onegai!!!
A criatividade meio que andou fugindo de mim e eu demorei bastante para achar essa danada. Eu também tentei melhorar minha escrita, espero que gostem.

Sentado numa cadeira de madeira de carvalho velha, Memna observava de camarote a ex-tenente definhar. Sua pela já não tinha a mesma cor de antes, a boca se encontrava pálida, as olheiras profundas, os cabelos sem brilho. Nanao suava, respirar era algo difícil.Acordava diversas vezes devido a imensa dor que sentia em seus ferimentos expostos e provavelmente infeccionados.O lugar tinha cheiro de sangue podre e cadáveres em decomposição, o que embrulhava o estomago da Ise. Como se já não estivesse mal o bastante.

Uma das mãos apoiava a cabeça de Memna, enquanto a outra, encontrava-se no apoio da cadeira.De pernas cruzavas, desfrutava da bela visão a sua frente.A palidez excessiva, os ferimentos expostos, exitavam-o.

Foi naquele momento que lembrou-se de sua esposa.Sua doce e amada esposa. Ela ajudava as pessoas de Rukongai, cuidando das crianças e dos ferimentos das pessoas.Todos que a conheciam não resistiam ao seu encanto. Não havia um que não gostasse dela. Encontrou-a pela primeira vez, por acaso, defendendo uma criança. Ela destacava-se no meio da multidão com seus cabelos lisos meio alaranjados e os olhos verdes, verdes como as folhas das árvores.

Dês da primeira vez que ele a viu, passou a ama-la.Constantemente fugia de seu esquadrão para vê-la no distrito, passava horas conversando e a ajudando no que ela precisasse.Comprar algum remédio, carregar alguma coisa, varrer o quintal,vigiar os doentes...enfim, qualquer coisa fazia para ser-lhe útil. Com o tempo, ela também passou ama-lo e por fim, casaram-se.Seu nome, era Saraiyu.

Naquela época, o décimo segundo esquadrão estava fazendo uma experiencia para achar qualquer hollow que estivesse na Soul Society, se conseguissem, poderiam poupar muito mais tempo e vidas inocentes.

Ela foi dada como uma vast lord. Toda a Seretei ficou em panico, pensando em como um hollow dessa magnitude estava na Soul Society e não fora identificado mais cedo. Realmente estranho, mas com uma ameça daquelas...O comandante tinha ordenado sua morte e ele, um mero shinigami qualquer, sem poder intervir, só pode assistir, pedindo para que ela o perdoa-se por não poder fazer nada.

Não demorou muito para descobrirem que havia sido um erro. Não havia nenhum Hollow na Soul Society. Memna inconformado com tamanha injustiça, jurou vingança e fugiu da Seretei. Treinou, treinou e treinou, conseguiu seu shinkai e bankai, aperfeiçoou seus kidous, reuniu homens e atacou a Seretei. Sabia que não seria páreo para o comandante sozinho, por isso se preparou.Aquela tenente, era a ultima peça que precisava, bastava mata-la e realmente a invasão começaria.Ela tinha sido forte o suficiente para matar seu Onizaki. Precisava acabar com ela ou teria um grande problema se Nanao resolvesse intrometer-se.

__Aaaaaahhhhhhhhhh! — a tenente gritou quando, sem mais nem menos. Uma corrente elétrica havia percorrido seu corpo.

Memna deliciou-se com seu grito. Estava adorando ver o sangue escorrendo e misturando com o suor de sua pele pálida. Faze-la sofrer era realmente divertido, foi uma excelente ideia criar um controle remoto para aquela máquina.Uma grande invenção do mundo real.Cada grito e gemido de dor dado por ela , era como se estivesse ouvindo a mais bela canção.Aquilo trazia paz para ele e amenizava sua dor.

Ainda não entendia porque lembrara da esposa justo agora.Provavelmente ela não gostaria que ele estivesse fazendo isso e o repreenderia com todas as forças.Ela era doce e meiga, mas defendia as pessoas com todas as forças. Entretanto, Saraiyu não estava ali. Tudo por causa daquela maldita ordem! Assim como os capitães fizeram ele ver a morte de sua companheira, ele faria Kyouraku-taichou passar pela mesma coisa, como um aperitivo.Depois iria fazer o comandante ver sua querida Seretei cair.Seria sua esperada vingança.

__A essa hora, meus homens já devem estar lutando com eles – sorriso em seu rosto era largo, e o mais nojento e degradante para a tenente que mau conseguia manter os olhos abertos.

Seus pensamentos focavam-se no seu querido capitão.Mesmo depois de todo esse tempo, preocupava-se imensamente com ele e toda a Hachi Bandai. Sua primeira família, bons tempos foram vividos com eles.Um tímido sorriso surgiu em sua face com a simples possibilidade de revê-los. O que mais desejava naquele momento, era que todos ficassem bem.

Os shinigamis estavam atentos, esperando o sinal do capitão para atacar. O único que aparentemente não percebera a chegada do inimigo fora Kaoru.

O garoto tirava um pedaço de madeira de cima de um cordão dourado com um pingente. Conhecera a dona do colar, ela era gentil e amável.Dona Kinara, uma senhora cega, amiga de infância de sua baa-chan. Adorava ficar na casa da senhora ouvindo as histórias sobre outros tempos. Era como viajar num mundo desconhecido. Tudo parecia diferente e muito divertido, ele sempre prestava bastante atenção em tudo que a senhora lhe contava. Ela foi uma das pessoas com que ele mais tinha aprendido. Principalmente sobre os caminhos da mata e das plantas mais perigosas. Dona Kinara era uma segunda avó para o menino.

Shunsui pensava no que ia fazer com Kaoru. Se ele se machuca-se, Nanao com certeza não o perdoaria. Nem ele perdoaria-se.Olhou para o tenente, acenando levemente com a cabeça, já ciente de toda a situação e do que tinha que fazer. Kira aproximou-se do Ise rapidamente, o assustando. Pegou o menino e o levou para o outro lado da floresta não muito longe nem muito perto deles.

Enquanto o fukataichou levava seu filho para algum lugar seguro, o capitão dera o sinal ao seus homens, que já estavam impacientes pela demora.Logo cada shinigami estava golpeando um dos homens de Memna com fervor.A surpresa era evidente na face do inimigo tão confiante que estavam ocultos. Grande engano.

Kyouraku taichou golpeava seu oponente sem realmente prestar muita atenção nele.Concentrava-se em saber o que acontecia em outro canto da floresta. Sentia que algo estranho se aproximava, algo grande e pesado.

De longe o menino andava em círculos preocupado. Não queria que ninguém mais tivesse que se machucar mas sabia que era inevitável.

Der repente Kaoru começou a sentir o chão sobre seus pés tremer, algo minimo. De inicio ele pensou que fosse apenas sua imaginação pregando-lhe uma peça.Entretanto aquele tremor foi ficando mais constante e se repetia com maior intensidade. O menino virou-se, procurando o que poderia estava causando alquilo. A sua frente, via uma sombra ao longe balançando e levando ao chão algumas árvores. Os pássaros voavam apressados para o céu, longe da causa daquilo.Pequenos passos preventivos foram dados por ele.O vento soprou mais forte trazendo consigo o cheiro da criatura que se aproximava.Era podre e cheirava a uma mistura de cadáver, esgoto e enxofre.Se tivesse acabado de comer com certeza colocaria tudo para fora.

Finalmente, olhos nos olhos.Os vermelhos no castanho, sedentos pelo sangue do ser vivo a sua frente.Sua saliva escorria pela sua enorme boca, que apesar do tamanho, era pequena para suas presas afiadas escuras. Seus pelos eriçaram-se, tornando-se como espinhos venenosos prontos para serem expelidos. Seu rabo grande e fino balançava rapidamente, chicoteando as árvores atras de si.Havia chegado a “hora do lanche”.

O pequeno não tinha muita escolha.Usando toda a força de suas pernas, correu, tentando driblar do rabo da criatura, que derrubava as árvores quase esmagando o Ise. A floresta foi ficando mais estreita a medida que se aproximava de onde o esquadrão estava lutando.Enfiou-se entre as raízes de duas árvores, quando viu que a criatura se aproximava perigosamente. Dessa vez, golpeou-o,usando sua imensa pata com garras pontudas para lhe ferir.A força que o monstro usara, que nem de longe era sua máxima, partiu as duas árvores ao meio, fazendo os destroços caírem ao chão. Kaoru tentava desviar ao máximo mas um galho, não muito grande. o pegou desprevenido batendo com força em suas costas. Kaoru tinha caído de cara no chão.

Apesar da dor incômoda que sentia, tentou se levantar com todas as forças, porém foi impedido pela criatura que o aprisionara junto ao solo terroso com sua pata.

Era o fim? Depois de tudo que vivera, iria realmente morrer ali? Finalmente encontrara seu velho, bastava apenas buscar sua mãe e se divertiria muito com os dois.Tantos coisas que queria fazer, iria se tornar um shinigami um dia ,forte como seus pais para que nunca isso aconteça novamente.Queria conhecer os amigos de seus pais, saber sobre suas aventuras.Saber como era o mundo real.Além disso...quem sabe não ganhava um irmãozinho pra aporrinhar? Não. Ele não iria morrer ali.

Sentiu seu corpo se arrepiar com o bafo quente e mau cheiroso daquela aberração quando tocou-lhe a pele. Seu corpo era um tanto pequeno demais se comparado ao dele. Kaoru aproveitou-se disso e do solo úmido e irregular, e deslizou por debaixo dele.Pulou sobre seu rabo enquanto a criatura virava-se para procurar sua presa.Foi então que levantou-o dando altura suficiente para Kaoru pular para o galho de uma árvore.Ela era a primeira de muitas que marcava um nova área da mata. A partir dali as plantas eram mais duras e altas, seus galhos ficavam mais rentes que as de outras áreas.O tronco delas eram infinitamente mais duro, alem disso ficavam perto da montanha ao lado do vilarejo.Aquela parte era de difícil acesso para a maioria, mas não para o Ise que sempre foi travesso e adorou aventuras, preocupando Nanao por muito tempo.

Tomou um ponto de impulso e pulou para um outro galho, o agarrando com suas mãos.Aproveitou o tempo em que o mostro o procurava e balançou-se , quando sentiu-se seguro solto-o e girou no ar caindo perfeitamente numa pedra que se desprendeu há muito tempo da montanha, quando ela ainda não possuía o solo próprio para uma vegetação. Pulou sobre o tronco de uma árvore próxima e depois de novo na pedra. A altura era alta demais para que pula-se direto. Depois de ter decido uns três metros, foi para o chão amparando-se com uma das mãos. A criatura lutava com as árvores com dificuldade, por isso demorou muito para sair.

Ainda agachado Kaoru olhou para trás para ver sua situação.O monstro praticamente em cima dele. Apenas uma árvore o protegia e a pedra.Tinha definitivamente que correr.Levantou e foi em direção ao esquadrão seguido pelo animal a poucos metros de distancia,uns vinte talvez. Finalmente chegou a eles,um pouco longe ainda, correndo e alternando sua visão para o que estava a sua gente e o seu perseguidor.

O esquadrão lutava com dificuldade. Toda vez que derrubavam um, mais dois apareciam para lutar no lugar daquele.Com o tempo muitos já estavam cansados e feridos, as movimentações na floresta não paravam, deixando todos preocupados, principalmente um certo taichou.

__Kyouraku-taichou, olhe! — Kira disse-lhe acabando de matar um oponente.

Do meio da floresta, um pouco sujo de terra e com leves arranhões na mão, Kaoru fugia do monstro que o perseguia, desviando dos seus ataques.

__Kaoruuuu!!! — Shunsui gritou.

O esquadrão estava numa situação bem complicada.O sorriso estampado no rosto dos homens de Memna era impossivel de não ser notado, o que só fez crescer o ódio dos shinigamis.

Mas não era hora de perder a calma e sim de raciocinar direito e não deixar o inimigo ler tão precisamente seus movimentos.

Entretanto o grito do capitão chamou a atenção da criatura.Quando esta viu que teria muita diversão e presas pra devorar, largou o frágil e pequeno menino e foi em direção ao esquadrão. Os soldados de Memna recuaram para cuidar dos feridos e atacar numa hora inconveniente para seus inimigos.

Os que ainda estavam de pé e que podiam lutar, cercaram o monstro.Kira cuidava dos feridos atrás deles até perceber a chegada de Kaoru.

__O que está fazendo? Fuja!

__Mas... eu não posso ainda não chegamos no esconderijo. — respondeu o Ise

__Saia daqui, é perigoso!

__Mas..-

__Boshougoma... — disse o capitão ficando na frente dos dois, impedindo o ataque da criatura .A coisa estava realmente ficando feia.

A criatura recuara um pouco, mas continuava balançando seu rabo, lançando ao ar vários integrantes do esquadrão. Muitos conseguiam se erguer, porém alguns caiam sobre pedras e tiveram ferimentos mas graves. Se a luta continuasse desse jeito, talvez não fosse posse mais salvar ninguém.

__Oto-san...

Kaoru sabia o quão dificil estava sendo para todos.Ele tinha que ajudar.Será que era hora dele usar aquilo?

__Ajude o Kira a cuidar dos feridos Kaoru-kun, eu cuido dessa coisa.

__Hai! — respondeu rápido para o capitão não notar a mudança em sua voz.

“O monstrinho chato!” pensou o taichou. Aquilo estava demorando demais.Quanto tempo aquela luta ainda levaria?Afinal, tempo era o que não tinham.

__Taichou! A sua esquerda!! — gritou tatsufusa.

Tarde demais.Com uma velocidade impressionante o monstro virou-se e atingiu Shunsui o arremessando para longe. O feridos já haviam sidos levado para perto de Kira e Kaoru que ajudava como podia.Apenas dois estavam de pé.O capitão ainda estava no chão.Aquele monstro só estavam a 10 metros deles.O ataque viria.

__Oka-san...- sussurrou, recordava do que ela havia lhe dito. “Use somente quando for extremamente necessário, Kaoru-kun”.Parecia que ele ia lançar algum tipo de raio daquele rabo.Olhou para o seu pai.Ele estava preso , com o impacto duas árvores caíram em cima dele. Levantou-se enquanto o monstro preparava um ataque, colocando-se entre os shinigamis e o monstro.

__Pare!!!Nãoo!!! — gritou Kira tentando impedi-lo, mas infelizmente não podia. O homem deitado precisava de sua ajuda.

Levantou o rabo acima da cabeça, mirando bem na criança a sua frente.Todo o seu corpo foi coberto por uma luz negra e...

__Kaoruuuuu!!!! — Shunsui gritou ao longe, desesperado.


“Somente quando for extremamente necessário...”


__ Oh, dominador! A máscara de carne e sangue, todas as formas, bata suas asas! Aqueles que foram coroados com o nome "homem". Sobre a parede da chama azul, crave a Lótus Gêmea. No abismo do desespero, à espera do paraíso distante!-recitava o Ise num sussuro-

…atirou.

__Hadou #73: Souren Soukatsui!

Ambos os ataques colidiram numa luta para ver quem atingia o alvo.Durou alguns segundos, que pareceram uma eternidade.Ponto para Kaoru.Mesmo sendo o kidou mas alto que conseguia fazer não pareceu que causou muitos danos.Pelo menos tinha conseguido afastar o monstro deles.Agora 30 metros os afastavam e o monstro tinha alguns cortes.

__Hadou #63: Raikouhou!

Certeiro.Desta vez pode-se ouvir um gemido de dor da criatura(ou seria de raiva?).Mais 10 metros os separavam agora.

__Bakudou #63: Sajou sabaku!

Correntes surgiram, amarrando as patas e parte de seu corpo, fazendo-o cair no chão.Apenas o seu rabo escapara.Ele estava um pouco ferido mas ainda assim lutava contra as correntes, sem muito sucesso.

Kaoru estava cansado e arfava. Fazer três kidous daqueles seguidos consumiam muito de si. Oka-san sempre lhe disse para não fazer tão altos de uma vez, ele ainda era muito novo apesar de ser incrivelmente talentoso. Tudo tinha seu tempo e não havia necessidade de se apressar. Até agora.

Deixou os joelhos caírem no chão de cansaço.No momento, lutava para não desmaiar. Talvez, por causa disto, não percebera que o rabo do monstro crescia tornando-se mais fino e afiado. Principalmente que vinha em sua direção.

__Desvie, Kaoruuu! — escutou Kira falando mas não tinha mais forças pra se levantar.Fechou os olhos esperando o impacto...que não veio.

Poucos metros a frente estava o capitão um pouco machucado.Ao seu lado a parte do rabo que havia sido cortada.Para surpresa de todos o monstro começou a retorcer-se estranhamente e depois simplesmente desapareceu. “Interessante” pensou o Kyouraku mais velho.

Todos estavam surpresos com o que tinha acontecido. Como um garoto tão novo foi capaz de fazer Kidous tão altos, seguidos? Apenas o taichou e o fukataichou achavam alguma lógica naquilo. Kaoru era filho de Ise Nanao .Mas ainda assim era impressionante.

__Oto-san...

Até então, Shunsui estava de costas para seu filho observando o monstro desaparecer.Virou-se ao ouvir a voz fraca.O pequeno não aguentou e desmaiou em seus braços antes que pudesse dizer qualquer coisa.Muitos estavam feridos então teriam que ficar ali e recuperar-se, inclusive o pequeno e ele mesmo.Ainda teriam uma longa batalha pela frente.


“Aguente firme minha Nanao-chan, estamos chegando.”


Notas finais
E ai? Gostaram?Ficou confuso?Ficou ruim?Consegui melhorar?
Desculpem a demora...
Comentem, hein?
Bjs, Minna!