De Ponta Cabeça.
12 Capítulo 12- comunicado parte 2
Notas iniciais
-A razão pela qual vocês devem ir a esse baile, não é superficial. Mas sim, quero que se conheçam melhor, e que se comportem como adolescentes normais e não como os gênios, ou esportistas natos, ou famosos que vocês são. – Fiske faz uma pausa e sorriu – Quero ver se são bons em artes cênicas.
Alistair Oh, que havia se mantido calado o tempo todo, se animou.
-Sou ótimo em artes cênicas e dramáticas! Eu até fingi que morri uma vez por...
-Alistair, você está aposentado. Temos que deixar isso nas mãos das crianças. – disse Broderick Wizard, outro que até então estava quieto.
Alistair baixou a cabeça, parecendo chateado.
-Continue, Esquilo. –disse Madison.
-Como? – perguntou Fiske, confuso – esquilo? Onde?
-Ah, eu disse esquilo? Ah, não ligue pra mim, acho que mamãe me deu o remédio errado hoje.
-Remédio de Hemorroidas? – perguntou Dan, fazendo Reagan e Hamilton caírem na gargalhada. Piadas velhas, pensou, bom ter parentes distantes em casa. – posso te indicar alguns.
Mas Madison não caiu nessa.
-Você parece um especialista no assunto.
-Eu tenho a Amy em casa.
Jonah Wizard ri.
-Eu não deixava, Amy.
-Ora, cale a boca você. – retrucou ela, olhando feio pra Dan. –Te pego na saída, garoto.
Ted e Ned trocaram olhares maliciosos.
-Vai pegar seu próprio irmão, Amy? – perguntou Ned.
-Sim. Pelos cabelos.
-Ah...
-Posso terminar? – interrompeu Fiske.
-Claro. – responderam todos.
-Como eu disse anteriormente todos vocês se comprometeram com a causa madrigal, agora terão de receber um treinamento adequado. O que vocês farão no baile eu só direi no mesmo dia.
-Mas você disse que...
-O segundo comunicado – interrompeu o tio — é o seguinte: Todos vocês, excluindo os adultos, irão à escola com Amy e Dan.
Os irmãos começaram a protestar mas Fiske levantou a mão silenciando. Amy pensou ter visto um sorrisinho surgindo nos lábios de Ian Kabra e Jonah Wizard.
-Eu lhes disse que queria ver se eram bons em artes cênicas: tem um espião na sua escola, ele pode ser um professor, um aluno ou qualquer outra pessoa. Vocês terão de descobrir quem é, e ninguém pode desconfiar do que estão fazendo. Ninguém. Entenderam?
Os jovens assentiram.
-Quando descobrirem quem é – continuou Fiske – terão de encurralá-lo. O espião foi mandado por mim, é claro. Esse teste, crianças, é para testar suas habilidades. Eu já conversei com a diretoria da escola e disse-lhes que talvez vocês estudarão no instituto Adams no ano que vem. Bom, é isso. Quero agradecer por terem vindo e me desculpar por ter errado a data. Sejam bem vindos e sintam-se em casa, obrigado. Margaret – chamou – traga a sobremesa, por favor.
Uma mulher de meia-idade com cara de mamãe jovem, com cabelos negros se materializou de uma porta com duas bandejas nas mãos, seguida de outras moças jovens.
Elas anunciaram uma porção de nomes: Petit Gatêau de chocolate com cauda de doce de leite, pudim de leite com laranja, mil-folhas de banana caramelada e ganache, pêssegos ao vinho com canela e chocolate, pannacotta de limão com compota de morango etc. (N/A: créditos a coleção de grandes receitas de Ofélia).
A maioria dos presentes ficou com cara de paisagem ao ouvir tantos nomes esquisitos até que Fiske esclareceu suas cozinheiras exóticas.
Amy pediu licença e saiu da mesa, não achou que alguém havia a escutado no entanto subiu para o quarto.
Era muita coisa pra sua cabeça, um espião? Quem seria? Os primos no baile? Na escola?
Parecia uma grande brincadeira de mal gosto, mas o que mais a incomodava é que Ian Kabra a tinha beijado.
Então lembrou-se de uma frase do livro que estava lendo, ‘A menina que roubava livros’: “Ele mexe comigo, esse garoto. Sempre. É sua única desvantagem. Ele pisoteia meu coração. Ele me faz chorar.”
E ficou pensando nessa frase até adormecer, e no rosto do garoto que tinha certeza amar.
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