Notas iniciais
Voltei :3 Atendendo a pedidos, esse capítulo conta como o bando todo foi parar no reformatório heuheuheu eu escrevi ele no passado e no presente, então se ficar confuso, tirem suas dúvidas nos comentários! Boa leitura ♥

Alguns meses antes...

POV’S HENRY

Aterrissamos no lugar menos propício para se cair do mundo bruxo: no meio da calçada de uma avenida muito movimentada. Por sorte, eu só ralei um pouco a parte de trás das minhas pernas, porque caí sentado. Fui ver se Melissa não havia se machucado e por sorte ela estava bem. Cauê conseguiu aterrissar de pé, o que era quase impossível. Ele teve muita sorte. Também tivemos sorte por nenhum humano notar a presença de cinco pessoas caindo do nada no meio da calçada.

— Ai, minha bunda! – Gritou Jacqueline, enquanto colocava sua caixinha preta de volta no bolso. Aquilo sim chamou a atenção de alguns humanos, que olhavam desconfiados para ela. Lívia olhou feio para a namorada, que retribuiu o olhar.

Eu ajudei Mel a se levantar e ficamos todos nos olhando, sem saber direito o que fazer.

— E então? – Perguntei. Cauê parecia pensativo, ele queria demais encontrar sua amada, e isso me fazia sentir culpa, pois eu teria que ajudar Sabrina. Como eu havia sido idiota! Essa paixão que eu sentia pela Allana acabou se tornando algo muito maior, um amor de verdade, mas que agora eu sinto pela Melissa. Não queria que Sabrina fizesse algo ruim com ela.

— Acho que em primeiro lugar temos que procurar um hotel. – Disse Lívia. – O mundo humano é extremamente perigoso, até para nós, bruxos!

— A Lívia tem razão. – Disse Cauê, concordando com a cabeça. – Pelo que eu pesquisei na internet bruxa, há vários hotéis no centro da cidade. Só precisamos descobrir como chegar lá. – Ele olhou para o lado e avistou um casal de velhinhos, passeando com seu cão. – Eu já volto! – Cauê correu até o casal e começou a conversar com eles.

— Henry! – Melissa pegou em meu braço e disse, num tom um pouco mais baixo. – Você tem alguma ideia de como vamos encontrar a Allana?

— Na verdade, não. – Respondi. Sei que minha resposta a desanimou muito, mas eu não poderia mentir. – Mas ela está aqui, Mel. O seu tio consultou a Adivinha Bruxa e ela garantiu que a Allana reencarnaria aqui!

Melissa tentou sorrir, mas não obteve muito sucesso. Assim, observamos Cauê voltar correndo para onde estávamos parados.

— O centro é por ali! – Ele apontou para a sua esquerda, e sem dizer uma palavra, começamos a caminhar.

O caminho foi extremamente silencioso. Cauê foi andando na frente, olhando todos os lugares com atenção, provavelmente procurando alguma garota parecida com a sua Allana. Mais para trás, Jacque estava de mãos dadas com Lívia e eu com Melissa, também olhávamos atentos para todas as direções, mas não encontramos nada.

Depois de um bom tempo de caminhada, finalmente avistamos um hotel. Parecia ser bem caro, mas Emanuel tinha nos dado dinheiro o suficiente. Porém, o que mais me chamou atenção foi um emaranhado de cabelos ruivos, que estava em frente ao hotel, se agarrando com outra pessoa. Era Sabrina! E estava aos beijos com um homem que parecia ser bem mais velho do que ela!

— É o que eu estou pensando? – Lívia perguntou. Todos paramos e ficamos observando aquela cena. Acho que ninguém mais conseguia dar um passo.

— Sim. – Cauê respondeu, sem tirar os olhos da cena. – É a vadia ruiva.

Sabrina logo parou de beijar o cara. Me dava nojo o jeito que ele olhava e passava a mão no corpo dela. Logo, ele entrou em uma BMW preta e virou a esquina, deixando Sabrina com cara de idiota. Quando ela se virou e nos viu lá, não pareceu muito surpresa. Eu já tinha a avisado que sairíamos em busca da Allana. Senti nojo de mim mesmo.

— Ora, ora... – Ela disse, se aproximando. – E não é que a gangue se juntou para buscar a morta perdida?

— Sabrina, cala a boca! – Cauê praticamente gritou, o que chamou a atenção de um dos seguranças do hotel. Isso não era bom.

— Calma, meu amor. – Ela respondeu, calmamente. Percebi que Cauê estava tremendo, de tanta raiva que estava sentindo. – Eu estava beijando aquele homem, mas quem eu amo de verdade é você!

Sabrina jogou um beijo no ar para Cauê, o que o deixou mais bravo ainda. Ele iria avançar para bater nela, mas eu o impedi. O segurança se levantou do banquinho que estava sentado.

— Cauê, fica calmo! – Eu disse. Ele respirava de um jeito ofegante.

Sabrina se aproximou mais, ficando bem em frente dele. Antes que ela pudesse dizer qualquer palavra, Jacqueline deu um grito e atacou Sabrina, que caiu no chão.

Jacque puxava o cabelo ruivo de Sabrina, que gritava desesperadamente. Lívia, ao invés de tentar separar as duas, partiu para a briga também, dando vários tapas em Sabrina. Elas só pararam quando o segurança disse, com uma voz autoritária:

— Chega de arruaça em frente ao hotel! Cadê os documentos de vocês?

Eu gelei. As três se levantaram rapidamente, mas não disseram uma palavra. Nós não tínhamos documentos. O que tínhamos era do mundo bruxo, não servia para esse mundo que estávamos agora.

— Senhor, eu posso explicar... – Melissa começou, mas foi interrompida pelo segurança.

— Se não tiverem documentos, mando todos para a delegacia!

Estávamos perdidos. Sem documentos, sem Allana e na delegacia.

POV’S ALLANA

— Nossa, Henry! – Eu disse, impressionada com a história. – Quer dizer que vocês foram parar na delegacia porque estavam sem documentos e a punição foi vocês serem mandados para o reformatório?

— Sim, exatamente! – Henry confirmou. – Ninguém poderia provar nossa idade, então tivemos que ficar no reformatório.

Eu fiquei alguns segundos em silêncio, tentando absorver toda aquela confusão. Sabrina realmente devia tirar as meninas e Cauê do sério. Eles realmente gostavam de mim. Ah! Que saudade de todos!

— Henry, — Eu comecei, quando me recuperei do transe. – como foi o dia que aconteceu o incêndio com a minha melhor amiga, Luíza?

Henry suspirou. Ele devia estar esgotado, mas eu precisava saber de tudo.

— Bom, vamos lá. – Ele disse. – Vou te contar tudo também.

POV’S HENRY

Fazia mais ou menos dois meses que estávamos presos nesse reformatório para delinquentes juvenis. Nossas chances de encontrar a Allana tinham diminuído a quase zero e todos estavam muito desanimados. Eu também estava, mas por outro motivo. Sabrina precisaria da minha ajuda para trazer Allana para aqui. Ela não havia me dito como, mas eu podia pressentir que coisa boa não era.

Já tinha passado da meia noite quando saí do dormitório para encontrá-la. Iríamos para uma floresta, um pouquinho longe daqui, que Sabrina afirmava que Allana estaria acampando com a sua turma da escola. Cauê estava dormindo, percebi que seu rosto estava molhado. Ele chorava todas as noites.

Consegui sair daquele campus facilmente. Para um bruxo não era muito difícil passar desapercebido pelos lugares. Sabrina era ardilosa demais para uma humana e também conseguia fazer coisas que eu nunca entendi como.

Quando consegui chegar na floresta, avistei o emaranhado de cabelos ruivos, me esperando.

— Que bom que você veio, Henryzito. – Sabrina disse, com um sorriso malicioso no rosto.

— O que você quer que eu faça, Sabrina? – Fui direto ao ponto. Ela abriu um sorriso maior ainda e começou a andar pela floresta. Eu a segui.

Avistei um acampamento, o que me fez parar. Era ela ali. A Allana. Estava sentada em frente a uma fogueira, assando marshmallows, com duas garotas ao seu lado. Ela parecia muito feliz. Eu tive vontade de correr abraçá-la, mas ela me acharia um louco.

— É o seguinte! – Sabrina disse, me tirando do meu transe. – Eu quero que você influencie a garota loira a beijar aquele garoto loiro ali. – Ela apontou para um garoto loiro e forte. – O nome dela é Luíza e o dele é Tobias. A Allaninha é apaixonada por ele e a garota é sua melhor amiga, a única que sabe dessa paixãozinha boba.

— Sabrina! – Eu disse. Era proibido um bruxo usar o seu poder para influenciar qualquer outra criatura. – Você sabe que a influência é proibida, não sabe? E a troco de que você quer que a loira beije o loiro?

Sabrina bufou de raiva e revirou os olhos.

— Olha, Henry! Ou você faz o que eu mando ou eu corto a garganta da Melissinha ainda hoje!

Engoli em seco. Sem ter muita escolha, fiz o que Sabrina mandou e comecei a influenciar a garota. Sob o meu poder, ela se levantou da fogueira e começou a beijar Tobias, que correspondeu o beijo. Allana logo viu o beijo, que foi longe demais por conta dele e não por influência minha.

Logo ela começou a brigar com a garota. Eu senti vontade de chorar.

— Agora você vai influenciar o fogo a queimar a garota viva.

Olhei assustado para Sabrina. Eu não podia fazer isso. Matar uma inocente.

— Não. – Eu respondi, sério. – Porque isso nos será útil?

Ela bufou e revirou os olhos mais uma vez.

— Você é burro, ou o quê? Se acharem que a Allana matou a amiguinha, ela vai parar no reformatório, porque é menor de idade! E acho melhor andar logo com isso, senão você vai ter que procurar a Melissa na próxima encarnação!

Senti uma lágrima escorrer dos meus olhos. Eu não queria matar ninguém, mas também não queria que acontecesse algo ruim com Melissa. Rendido, fiz o que Sabrina me pediu. Influenciei o fogo a queimar a outra garota viva.

Allana pareceu muito assustada, assim como todos ali presentes. Sabrina gargalhava, se divertindo com a situação. Logo, todos os que estavam presentes no acampamento começaram a acusar Allana, chamá-la de bruxa, assassina e coisas muitos piores, tudo por minha culpa.

— Vamos sair logo daqui! – Sabrina me puxou e começamos a correr. Ninguém havia nos visto.

Dois meses depois de tudo isso acontecer, Allana chegou ao reformatório. Tive que disfarçar toda a minha angústia por ter matado uma garota viva e fingir felicidade ao ver Allana ali, na minha frente.

POV’S ALLANA

Quando havia acabado de chorar, Henry estava chorando muito. Eu não conseguia acreditar naquela história, no que ele havia feito. Mas acreditava no seu arrependimento, e que ele fez tudo isso para salvar a Mel. E agora ele sabia que não teria como reconquistá-la, o que tornou o sofrimento maior ainda. Eu o abracei e ficamos assim por um tempo, até ele se acalmar.

— Henry, eu sinto muito! – Eu disse quando o soltei. – Mas quero que saiba que eu acredito em você.

— Obrigada, Allana. – Ele esboçou um pequeno sorriso. – Eu vou te ajudar e juntos vamos derrotar Sabrina.

— Henry, você tem ideia de como faremos isso?

Ele me olhou bem sério e depois abriu um sorriso malicioso.

— Sabrina vai nos manter informados do que acontecerá na casa do seu pai. Vamos dar um jeito de pegá-la e fazê-la pagar por tudo.

Eu também sorri. Queria me vingar de Sabrina e faria qualquer coisa para conseguir isso.

Notas finais
O que acharam? Já acreditam no Henry? Comentem, lindezas! ^^