Notas iniciais
Olá! Gostaria de avisar que como começarei as minhas aulas da faculdade na segunda feira, não sei se conseguirei postar com a mesma frequência. Boa leitura!

POV’S ALLANA

Assim que Sabrina fechou a porta do quarto, eu comecei a chorar. Chorar mesmo, chorar alto. Aquilo não podia ser verdade, não fazia sentido! Como assim Cauê aceitou se casar com ela, a minha assassina! Tem algo muito estranho acontecendo nessa história. E o que eu poderia fazer? Nada.

Esmurrei a parede. Minha raiva era tanta que eu estava com vontade de esmurrar Sabrina até ela morrer. Eu queria justiça, queria o meu lugar de volta. Queria o homem que eu amo. Cauê não aceitaria se casar com Sabrina do nada. Meu pai havia dito algo muito, muito sério.

Henry teria que ter algum plano na manga. Esse casamento não poderia acontecer. Como uma forte sincronia, ele abriu a porta do quarto exatamente no momento em que eu pensei nele.

— Henry, temos que fazer alguma coisa! – Eu gritei, desesperada.

Ele respirou fundo, se sentou e segurou minhas mãos.

— Calma! – Ele disse, baixinho. – A Sabrina quer que você vá ao casamento dela. Quer que assista tudo, mas de longe. Sem Cauê te ver.

Comecei a chorar mais ainda. Vadia manipuladora! Isso é o que Sabrina era! E eu não conseguia acreditar que Cauê havia aceitado aquilo.

— Henry, ele aceitou mesmo? – Perguntei, chorosa.

Ele demorou alguns segundos para assentir com a cabeça. Meu mundo estava desmoronando a cada dia mais.

— Allana, fica calma. Vamos conseguir contornar essa situação. Eu prometo. – Ele me abraçou, o mais forte que conseguiu e eu retribuí o abraço.

— Mas como, Henry? – Perguntei depois que nos separamos.

— É fácil. – Ele abriu um sorriso malicioso. – Vamos invadir o casamento.

Também abri um sorriso igualmente malicioso, no meio das minhas lágrimas. Iríamos acabar com o casamento de Sabrina, da mesma forma que ela acabou com o meu há 300 anos.

POV’S SABRINA

Quando voltei para a minha casa, Cauê ainda estava na sala de estar e a porta estava aberta. Ele estava com a Lívia, que estava lhe trazendo uma xícara com um líquido, provavelmente chá. Os dois se sentaram lado a lado no sofá e não tinham percebido a minha presença ali. Fiquei observando-os.

— Lívia, você acredita em mim, não acredita? – Cauê perguntou, antes de bebericar seu chá. Sua voz estava mais limpa, ele estava mais calmo. Não chorava mais.

— Claro, Cauê! – Ela respondeu. Tinha uma voz de songa-monga inconfundível. – Perdoe Jacque e Melissa, elas estão nervosas por causa do desaparecimento de Allana e pela volta de Sabrina. Melissa perdeu Henry e agora Emanuel se foi. Elas não sabem o que dizem.

— Obrigada, Lí. – Cauê colocou sua xícara de chá na mesa central e a abraçou. – Eu não quero me casar com Sabrina, nunca! Ela matou a minha Allana! Mas Emanuel me fez prometer e você sabe que eu não sou de quebrar promessas.

Eles se separaram do abraço. Era a hora de eu mostrar que estava ali. Entrei fazendo barulho e parei bem na frente dos dois. Eles ficaram me encarando com o mesmo olhar enjoado de sempre.

— Então quer dizer que você não me ama? – Perguntei para Cauê. Eu sabia que não, isso era óbvio, mas eu tinha que bancar a menina arrependida e inocente.

— Ora, Sabrina! Não seja ridícula! – Cauê se levantou e ficou parado na minha frente. Ele parecia bem irritado. – Eu nunca te amei e nunca vou te amar! Vou me casar com você porque prometi para Emanuel, prometi que cuidaria do Mundo Bruxo!

Fiz de tudo para chorar de novo, mas dessa vez as lágrimas não saíam. Acho que já havia chorado demais e eu não estou mais afim. Gente que chora demais me irrita. Então eu simplesmente fiz uma cara de choro e continuei a falar.

— Você ainda vai me amar! – Eu disse calmamente.

Cauê riu. Era uma risada irônica, de deboche.

— Sabrina, nem que você morresse e nascesse de novo eu te amaria! – Ele disse. Havia crueldade em sua voz. – Nossa, estava me esquecendo! Você é humana! Não reencarna! Se você morrer, será para sempre!

Ouvir aquelas palavras realmente me arrepiaram. Isso nunca tinha acontecido comigo e acho que nunca aconteceria se não fosse Cauê quem as tivesse dito. Aquele garoto realmente mexia comigo, mas não iria hesitar em me defender, nem que for dele.

— Você está me ameaçando? – Perguntei, mudando um pouco o meu tom de voz.

— De forma alguma. – Ele me respondeu. – Como disse, sou um homem de palavra e honro as promessas que faço. Seu pai não queria ver mais sangue derramado e isso não vai acontecer. Fora que eu nunca teria coragem de matar alguém, eu não sou como você.

Percebi que ele estava dizendo a verdade. E percebi também que eu não podia deixar a maldade que havia em mim transparecer, então fiz a mesma cara de menina chorona e disse:

— Você ainda vai me amar, Cauê! Você vai ver que eu mudei e me arrependi do que fiz!

Não esperei resposta. Subi as escadas correndo. Avistei a porta do meu antigo quarto e corri para abri-la, mas uma coisa me chamou atenção naquele corredor. A porta do quarto que Cauê dividia com Allana. Não hesitei em entrar lá. Eu seria a sua esposa e ficaria lá a partir de agora.