De Outra Maneira
13 Capítulo XIII
Notas iniciais
POV’S ALLANA
Eu estava congelada e paralisada. Alguém havia tocado no meu ombro e eu estava sem coragem nenhuma de me virar para ver quem era. E se fosse Sabrina? Ela iria me matar com uma faca, como nos meus pesadelos! Mas poderia ser Henry, querendo se vingar de mim por tê-lo iludido. Na melhor das hipóteses, Cauê havia me seguido e estava querendo me levar de volta para a casa de Emanuel. Decidi me virar para acabar com o suspense.
Era ela. A ruiva misteriosa dos meus sonhos, que corria atrás de mim e me matava com um golpe no coração. Era aquela que eu havia conhecido no reformatório e que tentou me asfixiar. Era a Sabrina.
— Olá, Allaninha! – Ela disse, com um sorriso de deboche no rosto. Eu queria correr e me esconder daquela garota. – Quanto tempo!
— Sabrina, eu não sei o que você quer! – Respondi, sentindo as lágrimas chegarem aos meus olhos. – Mas não é comigo! Eu não sou a Allana certa! Sou uma impostora!
Sabrina fez uma cara esquisita, como se tivesse provado uma comida diferente e não tivesse gostado. Então ela começou a gargalhar.
— O que você está dizendo? – Ela perguntou, entre uma gargalhada e outra. – É claro que é você, sua vadia. – Completou, bem séria dessa vez.
— Não, Sabrina! – Eu disse, tentando manter a calma. – O Ritual para me transformar em bruxa deu errado, eu sou humana! Sou a Allana errada.
Ela não respondeu. Ao invés disso, ficou olhando para um ponto fixo atrás de mim. Me virei para ver o que estava acontecendo. Isso era arriscado, pois ela poderia me dar uma facada e me matar ali mesmo, mas meu coração simplesmente se aquietou quando eu virei para trás. Henry estava ali.
— Henry, ainda bem! – Eu disse, suspirando aliviada. – Diga para ela que eu sou a garota errada!
Ele me encarou por alguns segundos. Deu um sorriso e resolveu responder:
— Allana, você não é a garota errada. É a garota certa.
Franzi o cenho, intrigada. Como assim eu sou a garota certa? Então porque deu tudo errado no Ritual? O que estava acontecendo?
— Henry, como assim? – Eu perguntei, assustada.
— Conte para ela, Henryzinho. — Sabrina disse. Aqueles cachos ruivos me assustavam cada vez mais. Eu encarei Henry, esperando uma explicação.
— Allana, é o seguinte! – Ele começou e eu estava prestando atenção em cada palavra. – Como eu já te disse, eu sou muito apaixonado por você, desde a sua outra vida. Quando eu te vi a primeira vez, mais de 300 anos atrás, eu te achei simplesmente incrível! Esses olhos verdes brilhantes, seu cabelo negro macio, seu rosto tão lindo como o de um anjo! Eu me apaixonei, mas você só teve olhos para o Cauê. Mas mesmo assim, eu jurei que nunca desistiria de você e me casaria com Melissa para te acompanhar de perto.
— Já posso vomitar? – Sabrina interrompeu. Eu olhei feio para ela e pela primeira vez, ela pareceu intimidada.
— Você se casaria com Cauê no dia em que foi morta. – Henry continuou, ignorando-a. – Ou melhor, no dia em que Sabrina te matou. Os motivos basicamente foram porque ela queria ter mais atenção do seu pai, e você é uma bruxa e ela não. Fora que era apaixonada pelo Cauê.
Olhei para Sabrina, com mais raiva ainda. Ela apenas observava as unhas, fingindo não estar ali. Voltei a prestar atenção em Henry.
— Encontrei seu corpo no bosque, e Sabrina estava do seu lado. Conversamos e ela disse que se eu a ajudasse a conseguir seu lugar na família do seu pai, eu poderia ficar com você para sempre. E é o que eu quero.
Henry parou de falar. Talvez para eu absorver um pouco as informações, mas não estava funcionando muito. Como assim ficar comigo para sempre? E como eu era a verdadeira, se tudo tinha dado errado?
— Henry, — Eu comecei. – Porque o Ritual deu errado?
Ele deu um sorrisinho.
— O seu pai confiava muito em mim. Mais do que naquele palerma do seu ex noivo. – Me enfureci quando ele chamou Cauê de palerma, mas deixei passar porque eu queria muito saber o que estava acontecendo e não entrar em outra discussão, não com Sabrina ali. – Então ele me deixou organizar o Ritual. Eu simplesmente troquei a Lua em que tudo aconteceria. A Lua deveria ser Nova, e não Cheia. Por isso tudo deu errado. Tudo isso foi um pouco arriscado, porque o seu pai é um grande bruxo conhecedor dos Rituais místicos. Mas o trouxa nem percebeu. E agora você está aqui, Allana! Nós três vamos botar o plano em ação. Sabrina vai ir para casa, implorar o perdão do seu pai e se casar com Cauê e nós dois vamos fugir e viver juntos, para sempre!
Me enfureci. Quem eles achavam que eram, para brincar assim com a minha vida? Eu não amava Henry e não queria Sabrina, a minha assassina, perto do meu Cauê!
— Ora, por favor! – Eu me enfureci. – Sabrina, você acha mesmo que o meu pai vai te perdoar? Você me matou em outra vida, você é uma vaca e o meu noivo nunca vai querer você, ele nunca vai te amar! – Ela tirou o olhar de suas unhas e me olhava meio com raiva, meio com pena. – E você, Henry! – Olhei para ele, que sorria de deboche. – Você tinha uma noiva maravilhosa que te amava muito, a Melissa! Eu não amo você e nunca vou querer nada com você, aceita que dói menos! Agora me deixem ir!
Eu tentei desviar de Henry, mas Sabrina segurou o meu braço fortemente.
— Quer que eu te mate de novo, vadia? – Ela disse naturalmente. Fiquei em estado de choque. Ela foi aos poucos soltando o meu braço. Quando soltou completamente, eu não tentei fugir de novo. Eu detestava admitir isso, mas aquela ruiva me dava medo.
Quando olhei para Henry, já era tarde demais. Ele estava com as mãos estendidas na minha direção e tudo começou a ficar frio. De repente, não sentia mais minhas pernas, meu tronco, meus braços... Eu estava paralisada. Henry estava me enfeitiçando. Conseguia mexer apenas meus olhos.
— Me desculpe, Allana. – Ele disse, me pegando em seus braços e me levando para algum lugar, acompanhado de Sabrina. – Mas você vem com a gente.
No final do percurso, demos de cara com um carro prata. Devia ser de Henry, pois ele tirou as chaves do bolso e me colocou deitada delicadamente no banco de trás. Ele e Sabrina foram na frente, me levando para sei lá onde.
Fale com o autor