Notas iniciais
Oi gente.

A fic recebeu a 10ª recomendação, cês não sabem como isso me deixou feliz, ainda mais vindo de quem veio. Obrigada, Pryn, se eu me aventurei nesse mundo de fanfics saiba que a culpa é sua. Hahahahaha

Deus do céu, cês viram a Pepperzita usando a armadura no trailer novo? Claro que viram, né? Não tem ninguém ansiosa aqui. Hahaha

Vamos as emoções finais,durante a história toda a gente viu que o Hammer era doidão, nesse capítulo entra alguém pra tentar explicar um pouco da maluquice do Blake.

P.S.: Se a fic fosse um filme o Blake seria interpretado pelo Ryan Gosling (gosto de deixar a imaginação de vcs fluir com a descrição, mas eu só via o Ryan)

É feriado prolongado e ninguém vai ler issaque, certeza.

Pepper fazia o possível para manter-se calma, torcia para que Tony recobrasse os sentidos. Num primeiro momento foi impedida de ficar ao lado dele, efetuaram uma manobra e tanto para livrá-lo da armadura danificada. Rhodes, que aparecera com a ajuda, a confortava, e a acompanhou na ambulância que levou Tony para o hospital.

Ao chegar ao hospital, Tony passou por uma bateria de exames, sendo diagnosticada apenas uma fratura na clavícula, coisa que se curaria com quatro semanas de imobilização, informou o Dr. Gregory Wilson, um médico alto, grisalho e de olhos claros, que mancava de uma perna, por isso usava bengala.

—Se é só isso, porque ele não acorda?— ainda aflita Pepper perguntou.

—O organismo do seu namorado está sentindo falta de alguns nutrientes que serão administrados através de medicação, é como se ele tivesse que recarregar as baterias.— informou o Dr. Gregory.

—Quanto tempo ele irá dormir?— perguntou ao lado do leito dele.

—O suficiente, depende dele, do metabolismo dele, pode ser hoje ainda, amanhã, daqui uma semana.— disse o Dr.

—Pepper, acho que você deve ir até em casa tomar um banho, trocar de roupa, descansar, daqui a pouco a imprensa toda estará na porta do hospital.— alertou Rhodes. Pepper vestia um jeans, uma blusa de manga comprida com listras horizontais pretas e brancas e uma sapatilha preta, encontrava-se num estado lastimável, devido às consequências matinais.

—Não vou sair do lado dele, Rhodes, você não ouviu o Dr.? Ele vai acordar daqui a pouco.

—Pepper, o Dr. disse que pode ser hoje ou não.

—Será hoje, eu sei, ele é durão, não consegue ficar parado, ele vai acordar.— dizia com os olhos marejados enquanto afagava os cabelos dele.

—A Srta deve pelo menos, fazer um curativo nessa escoriação do seu braço.— observou o médico.

Pepper nem havia notado o machucado, não se lembrava como havia feito, talvez na hora que se jogou no chão para proteger-se da explosão, notou outros pequenos arranhões também.

—Eu não...

—Pepper, vá, eu a chamo se ele acordar.— disse Rhodes, ela aquiesceu.

O Dr. Gregory guiou Pepper até a sala de curativos onde uma enfermeira a atenderia. Durante o atendimento queixou-se de dores no joelho, foi aconselhada a tirar uma radiografia, mas recusou-se então a enfermeira decidiu dar-lhe um analgésico.

—Não são daqueles remédios que não sono, são?— perguntou ressabiada.

—Não.— a enfermeira assegurou, e saiu para buscar o medicamento.

Enquanto estava sozinha aguardando a volta da enfermeira, ouviu batidas na porta do pequeno ambulatório. Autorizou a entrada e viu em sua frente um velho conhecido.

—Agente Coulson, o que faz aqui?— surpresa levantava-se da maca onde estava sentada.

—Não precisa se levantar, Srta Potts.— disse adentrando a sala —Eu vim representando a SHIELD para prestar assistência, auxiliá-los no que for preciso.

—A SHIELD, mas,...como?— mostrava-se confusa.

—Nós estávamos investigando a vida do seu ex-assistente, desde quando ele começou a seguir o Sr Stark há poucos dias, então descobrimos a ligação dele com Obadiah Stane e...

—Vocês não nos alertaram por quê?— ela cortou-o.

—Apesar de ele ter se aliado a Justin Hammer não acreditávamos que ele oferecesse risco, até esta manhã.

—O que aconteceu esta manhã?

—Invadimos o apartamento dele e descobrimos que ele possuía verdadeira fixação pela Srta, algo preocupante, havia dezenas de fotos suas pelo local— Pepper mostrava-se surpresa e assustada ao ouvir aquilo —Não se preocupe, nós já o limpamos. Também havia diários da adolescência dele e mais recentes, onde os assuntos principais eram você, os dias na empresa, a vontade de descobrir quem de fato era o pai dele e os planos com Justin Hammer.—Coulson falou por alto sobre algumas anotações dos diários, Pepper ficou estarrecida.

—Eu achando que o Hammer oferecia perigo, não reparei que eu convivia com alguém perturbado.— digeria as informações.

—Blake Esteves não lhe faria nada, na cabeça dele o obstáculo entre ele e você era o Stark.— disse o agente.

—E na cabeça do Hammer, eu sou o porto seguro do Tony, por isso minar o nosso relacionamento encorajando o Blake a se aproximar de mim. Na infância e adolescência, Blake via o Tony com empecilho no relacionamento com o pai, e na vida adulta comigo.— Pepper começava a assimilar os fatos.

—Exatamente. Porém, ele não tinha coragem de se livrar do Stark, por isso associou-se ao Hammer, acreditava que ele o tiraria do caminho.

—E então hoje ele se deu conta que as coisas não estavam saindo como o planejado.— observou Pepper.

—Na verdade, nada saiu como o planejado, nem para o Hammer nem para o Esteves.— disse o agente.

—Acho que preciso fazer uma visita ao meu analista.— massageava as têmporas —Cadê a enfermeira que não volta nunca com o meu analgésico?

Pareceu se dar conta da gravidade. Hammer sempre foi uma ameaça, mas nunca viu Blake da mesma maneira, talvez ele não fosse, estava emocionalmente perturbado, foi usado e acabou tendo uma morte trágica. Começou a imaginar a forma que Tony reagiria ao ouvir toda a informação que ela havia recebido. Seu maior receio era que o agente tivesse omitido algo dela para contar somente a Tony. Passou a sentir um enorme peso em suas costas, precisava mesmo de um banho, um analgésico e de alguém com quem pudesse conversar. Só havia uma pessoa.

—Agente Coulson, me empresta seu telefone um minuto?— ela pediu, o agente atendeu ao pedido e com o celular nas mãos discou no número da melhor amiga. —Lauren? Pepper falando...

Coração, estou tentando falar com você há horas, o que houve?

—Muita coisa pra contar por telefone, você pode me encontrar em casa em 1h?

Claro.— respondeu preocupada.

—Obrigada, coração.— Pepper encerrou a ligação.

A enfermeira retornou com o remédio, Pepper o tomou sem protesto, passou pelo quarto de Tony e despediu-se dele, torcia para que ele não acordasse enquanto ela estivesse fora.

—Quer que eu a leve?— Rhodes perguntou.

—Não, fique, é bom que ele veja um rosto conhecido quando acordar.— respondeu. —Eu pego um táxi.— levou as mãos à cabeça ao lembrar-se que sua bolsa ficou na estrada no carro de Tony —Eu dou um jeito...

—Posso levar você.— disse o agente Coulson, Pepper agradeceu. Deixaram o hospital e, minutos depois, ele estava com o seu carro estacionado em frente ao modesto prédio dela. —Não se preocupe, Srta Potts, ele vai ficar bem.— disse ao reparar a sombra de preocupação que não deixava o rosto dela.

—Eu sei.— ela sibilou.

—A SHIELD, vai mascarar o ocorrido como sempre.— ele informou.

—Obrigada, Agente Coulson.— Pepper não sabia se mascarar a situação era realmente certo, mas, mesmo assim agradeceu.

—Pode me chamar de Phil.— ele sorriu cordialmente, Pepper retribuiu o sorriso e saltou do carro.


(...)

Cinco dias se passaram e nada de Tony acordar. Pepper foi ao hospital acompanhada de Lauren, que fazia o possível para estar ao lado da amiga desde que soube da história toda. Sempre que podiam, Rhodes e o Agente Coulson também estavam no hospital e, coincidentemente, nessa manhã todos estavam.

Pepper deixou a amiga na companhia dos rapazes e foi conversar com Tony, ele não abria os olhos, mas ela sabia que ele a ouvia. Baixou a luz do quarto, abriu os primeiros botões da camisa do pijama que ele vestia. Deitou ao seu lado e, como na maior parte das noites em que dormiu ao lado dele, moveu os dedos através do feixe de luz azul que refletia de seu peito, e falou por horas.

—Sra Potts, nós já dissemos pra você não subir na cama.— a enfermeira passou pelo quarto aumentou a luz e a repreendeu, Pepper desculpou-se e voltou a ficar em pé ao lado dele.

—Tá vendo, Tony, levo bronca por sua causa todos os dias? Chega de dormir, vai! Quando foi que você virou um preguiçoso? Acorda, por favor?— conversava com ele num tom doce e ao mesmo tempo autoritário. Pepper encostou os lábios nos dele por algum tempo, precisava senti-lo, sentir o calor que emanava dele mesmo inconsciente —Eu queria poder soprar vida dentro de você.— ela sussurrou e deitou a cabeça no peito dele, minutos depois sentiu um toque suave em seus cabelos —Tony?— seus olhos encheram de lágrimas.

—Somos mesmo o avesso dos contos de fada.— murmurou.

—Tony!— ela sorria, chorava, beijava o rosto dele e abraçava-o forte.

—Devagar, Pep, estou um pouco enferrujado.— ele brincou.

—Estou há dias esperando por isso.— disse com os olhos marejados.

—Você devia ter me beijado antes.

—Te beijei todos os dias, achei que eu não te afetasse mais.

—Impossível.— ele disse.

—Vou avisar que você acordou.— disse entusiasmada.

—Não, espera, me deixa ficar com você, sozinho, só mais um pouco. Já sei que eu vou ouvir uma porção de coisas e não vou gostar da maior parte. Deite aqui ao meu lado.— ele pediu.

—Vou levar bronca novamente. Mas acho que agora vai valer a pena.— deitou-se ao lado dele —Senti tanto medo de te perder.— ela chorava.

—Não precisa mais ter medo, pode parar de chorar. Como foi que você disse aquela vez “Eu vou viver muito, só por maldade”?— sorriu contra o cabelo dela —Mas eu senti muito medo de perder você também.— confessou. —Pep?

—Oi?

—Nunca mais se coloque entre mim e um maluco. Está me ouvindo?— disse firmemente —Naquela manhã depois da Expo Stark eu pedi pra que quando estivesse numa situação de perigo você corresse, lembra?

—Lembro, mas eu não podia deixar você.— respondeu.

—O Hammer... ele encostou em você?

—Não.— ela omitiu.

—Responde novamente olhando pra mim, eu vou saber.— ele disse e ela sentou-se o olhando nos olhos, Tony repetiu a pergunta e ela voltou a negar —Por que você não me diz a verdade?

—Não vai fazer diferença, Tony, acabou.

—Eu não consegui proteger você, tem ideia do que isso significa? De que adianta ser um herói e não proteger a mulher que ama?

—Você não deve se culpar pelo que aconteceu.

—Eu não fui capaz de salvar você, Pepper.— baixou o olhar.

—Mas você me salvou.

—Não, eu não salvei.— balançava a cabeça em negação.

Levou a mão ao queixo dele para que ele a olhasse —Você me salva todas as vezes que sai numa missão e volta pra casa, porque você sempre leva uma parte minha, e eu só volto a ser inteira quando você está comigo de novo.

—Pep, você pode me dizer uma porção de coisas pra justificar a minha falha, mas, como sempre eu agi da forma errada e você podia não estar mais aqui, eu podia não estar mais aqui.

—Nós estamos aqui, não estamos?— chegou mais perto dele e o abraçou.

Estava abraçada a ele, quando a enfermeira adentrou o quarto, avisando que o horário de visitas havia acabado.

—Quando foi que ele acordou?— ela perguntou.

—Tem algum tempo.— Tony respondeu.

—Eu já ia avisar.— disse Pepper.

—Vou avisar o seu médico, Sr Stark.— a enfermeira disse antes de deixar o quarto.

—Eu preciso ir embora daqui ainda hoje— ele disse levantando-se da cama, foi ao banheiro para lavar o rosto e escovar os dentes —Quero tomar um banho, fazer a barba, dormir na minha cama.— Pepper riu.

—Dormir, Tony, cinco dias não foram suficientes?

—Dormir é eufemismo, se você estiver comigo o que eu menos pretendo fazer é isso.— disse enxugando o rosto numa toalha, a fazendo revirar os olhos.

—Já sarou, né?— ela perguntou —Nem teve alta ainda, e já está pensando sacanagem.

—A maldade está na sua cabeça, você não ouviu a palavra que começa com S sair da minha boca, temos muito que conversar, Srta Potts.

—Na cama?— arqueou uma sobrancelha.

—Na cama, no sofá, no tapete da sala da lareira...— disse malicioso.

—Voltando ao assunto, ainda bem que o Sr não está pensando na palavra com S, porque eu quero explorar uma palavra que começa com C.

—Conversa, claro.

—Celibato.— ela sorriu.

—Você não teria coragem.— ele disse.

—Pague pra ver.— rebateu.

—Sr Stark, o que está fazendo em pé?— Perguntou o Dr. Gregory ao entrar no quarto.

—Fiquei deitado tempo demais.— respondeu num meio sorriso.

—Não está sentindo dores?

—Não.

—Temos que refazer alguns exames, para que você receba alta, isso só vai acontecer amanhã, ok?— disse o Dr.

—Amanhã? Eu vou ter que dormir aqui de novo?

—O Sr não tem reclamado.— o Dr. ironizou.

—A Pep pode passar a noite aqui comigo?— Pepper enviou-lhe um olhar de reprovação.

—A Srta Potts não pode ficar, mas ela pode voltar amanhã cedo trazendo as suas roupas, para você deixar o hospital.— disse o Dr.

—Me parece justo.— Pepper observou.

—Nada disso, que horas são?— Tony perguntou.

—Quatro da tarde.— Pepper e o doutor responderam ao mesmo tempo.

—Quanto tempo duram esses exames, Dr.?

—Umas duas horas.— respondeu o médico.

—Perfeito. A Pep vai até em casa pega as minhas roupas, enquanto eu fico aqui fazendo esses exames, e até às sete da noite eu estarei de volta na minha casa. Ok?

Pepper e o Dr. Gregory se entreolharam —O Sr não vai convencê-lo do contrário, Dr.

—Posso sedá-lo.— disse o Dr. —Mas não vou fazer isso. Tudo bem, Sr Stark, você venceu, vou reunir a equipe de enfermagem para começarmos os exames.— o Dr. deixou o quarto.

—Volto em breve, ok?— Pepper disse dando-lhe um beijo casto e se afastava quando ele a impediu —Seu ombro.— ela o repreendeu.

—Não estou sentindo dores e acho que mereço um beijo decente.

—Lhe dei um beijo decente.— sorriu próximo a boca dele.

—Então quero um beijo indecente.

—Não mova os braços, tá?— segurou o rosto dele entre as mãos dando-lhe um beijo mais profundo e intenso, ainda assim receoso.

—Não dá, você está com medo de me machucar, quanto tempo eu vou ficar com esse treco me imobilizando?

—Visto que você dormiu quase uma semana, só mais duas ou três, vai depender dos exames que você refará.— Tony revirou os olhos. —Volto daqui a pouco.— ela disse deu-lhe um beijo na comissura da boca.

Pepper foi até a sala de espera onde Lauren, Coulson e Rhodes aguardavam —Finalmente ele acordou.— disse em meio a um sorriso.

—Eu posso vê-lo?— perguntou o Agente.

Pepper ficou ressabiada, sabia que Tony não iria gostar do que o Agente tinha a dizer —Não creio que seja uma boa hora, ele precisa refazer os exames...

—Eu aguardo, então.— disse o Agente.

Na verdade Pepper desejava que Tony não soubesse dos fatos, principalmente maiores detalhes da obsessão de Blake por ela, mas não tinha o direito de interferir.

—Eu tenho que ir até a mansão buscar umas roupas pra ele, vamos comigo?— Pepper perguntou para a amiga.

—Claro.— Lauren respondeu, minutos depois deixaram o hospital.

No caminho até a mansão Pepper puxou assunto —O que você ficou fazendo enquanto estive com Tony?

—A maior parte do tempo respondendo e-mails.— respondeu —Você me deixou na companhia de homens muito sérios, não tivemos muito assunto.

—O Tony sempre achou que você e o Rhodes formam um par bacana.— disse Pepper.

—Eu e um militar? Não vejo futuro.

—Futuro?— ficou surpresa —Você querendo uma relação visando futuro?

—Não sei por que a surpresa, já que você domou a pessoa mais sem futuro dos Estados Unidos.— Lauren provocou.

—Eu não domei ninguém, e ele não era sem futuro.— Pepper rebateu.

—Por falar em futuro, tenho uma novidade.

—Que novidade, está namorando sério? É alguém do jornal?— Pepper mostrou-se curiosa.

—Tem a ver com o jornal, mas não com romance.

—O que é então?— Pepper perguntou ao estacionar no pátio da mansão.

—Me ofereceram um cargo de correspondente internacional.— disse entusiasmada.

—Mas você acabou de mudar de Nova York para Malibu.— Pepper não escondeu a tristeza ao descer do carro.

—Coração, estou em Malibu tem quase um ano, e não sei se você sabe Nova York e Malibu estão no mesmo país.— brincou indo atrás da amiga.

—Eu sei, é que você mal chegou e já vai embora.

—Não disse que aceitei.

—Lauren, te conheço o suficiente pra saber que quando você compartilha as coisas é porque já se decidiu. Para onde você vai agora?— perguntou ao entrar na mansão.

—Roma.— respondeu e correu o olhar pela sala —Deus do Céu, o Tony mora aqui sozinho?— perguntou embasbacada ao adentrar a mansão.

—Mora, e você vai morar na Itália sozinha.— Pepper fez bico.

—Mas não precisa chorar por causa disso, você vai me aguentar por uns dois meses ainda,capiche?

—Olha isso, você já está treinando o italiano.— Pepper observou —Jarvis?

—Quem é Jarvis, o mordomo?

—Nunca falei sobre o Jarvis?— perguntou —Jarvis é a casa toda, por assim dizer.

—Srta Potts?— a voz de Jarvis ecoou pela casa —Quem bom ouvir sua voz, onde está o Sr Stark?

—Ele está bem também, Jarvis, em breve estará de volta.— ela informou.

—O Jarvis é...

—Um programa de Inteligência Artificial criado pelo Tony, uma espécie de assessor virtual.

—Esse sotaque britânico é covardia, estou imaginando um inglês lindo, loiro, alto e de uns 40 anos. Vou sonhar com o Jarvis.— Lauren brincou.

—Ouviu isso, Jarvis?

—Se eu tivesse bochechas elas estariam rubras, Srta Potts.

—Own, ele ainda é tímido.— disse Lauren.

—Chega de falar bobagem, eu vou lá em cima buscar as roupas, pode andar pela casa se quiser.

—Posso me perder aqui dentro, prefiro esperar, vou conversar com o Jarvis.— respondeu.

Pepper subiu as escadas em direção à suíte, ao chegar deparou-se com a cama bagunçada, o bilhete que ela havia deixado para ele dias atrás estava caído no chão. Deu uma ajeitada no local, pegou uma troca de roupa, colocou dentro de uma mala de mão e deixou o quarto. Quando voltou à sala, Lauren estava fazendo uma porção de perguntas para Jarvis, que sempre a respondia cordialmente.

—Jarvis é inteligentíssimo.— Lauren disse —Fiz um roteiro para o meu primeiro mês em Roma só com as informações que ele me passou.

—Você está mesmo animada com a mudança?— Pepper perguntou.

—Sabe que eu sou inquieta, mas dessa vez serei uma amiga mais presente, ficamos sem contato um tempão, não foi?

—Mas quando você voltou foi como se nunca tivesse partido.— Pepper observou.

—Quando é de verdade é assim, tratando-se de amizade ou amor.— Lauren sorriu —Por falar nisso, como você e o Tony ficarão?

—Não tenho a menor ideia.— Pepper suspirou. Despediram-se de Jarvis e retomaram o caminho para o hospital.

Ao voltarem para o hospital, Lauren despediu-se de Pepper e foi para uma reunião no jornal. Apenas Rhodes ainda aguardava na sala de espera. —O Agente Coulson foi embora?— Pepper perguntou.

—Sim, ele recebeu um chamado, nem teve a oportunidade de falar com o Tony— Pepper suspirou aliviada —Pepper, eu tenho que ir também, só aguardava a sua volta, diga ao Tony que depois vou vê-lo em casa, ok?

—Tudo bem Rhodes, obrigada pelo apoio durante todos esses dias.

—Não há o que agradecer, Pepper.— Rhodes sorriu, Pepper retribuiu o sorriso.

Foi até o quarto de Tony, rapidamente ele trocou de roupas, e em pouco tempo estava pronto para ir embora.

—Você está tendo uma recuperação surpreendente, talvez mais uma semana de imobilização e poderá tirar o colete.— observou o Dr. Gregory. —Mas não abuse, sem movimentos bruscos, nem pense em dormir de lado, mantenha sempre as costas bem apoiadas...

—É só isso?— Tony perguntou.

—Basicamente, aqui estão os comprimidos, caso a dor volte, mas nada de misturar com álcool.— alertou o Dr.

—Eu vou cuidar pra que isso não aconteça.— disse Pepper.

—É isso, está liberado, Sr Stark.— o Dr. apertou a mão de Tony e Pepper e deixou o quarto.

Em menos de meia hora estavam na mansão. Tony foi direto para o banho, de acordo com ele, precisava tirar o cheiro de hospital do corpo. Pepper preparava-se para ir embora quando ele pediu que ela ficasse, acabou cedendo, banhou-se também, e agradeceu por ainda ter algumas roupas na mansão. Pediram o jantar, e comeram calmamente.

—Tenho que voltar pra empresa na próxima semana, aquilo deve estar um caos, preciso contatar a construtora em Nova York...

—Pep— ele levou a mãos sobre a dela —Trabalho, jura?

—Acho que agora eu posso voltar a pensar em trabalho.— sorriu fraco.

—Segunda-feira, tá?— ela sorriu concordando, ainda era sexta. —Você parece exausta.— ele observou.

—Muita coisa aconteceu, e enquanto você dormia, eu quase não consegui fazer o mesmo. — suspirou pesadamente e lágrimas brotaram em seus olhos —Eu morri mil mortes desde quando você fechou os olhos naquele hangar.

—Ei— ele caminhou até o lado do balcão onde ela estava —Acabou.— ele beijou-a no rosto e enxugou a lágrima que escorria pela face dela.

Pepper sabia, sentia que não havia acabado, que os acontecimentos recentes de alguma forma ainda afetariam a sua vida e a sua relação com Tony.

—Vamos subir? Você precisa descansar.— ele disse, ela aquiesceu e subiram para o quarto.

Tony subiu na cama, mas não deitou, manteve as costas apoiadas na cabeceira. Pepper deitou-se, estava exausta, puxou o lençol até a altura da cintura, vestia uma camisola de cetim preto, alças finas deixavam as sardas dos ombros amostra, os fios de cabelos ruivos espalharam-se sobre a roupa de cama branca.

—Seu cabelo cresceu.— ele disse ao reparar que as pontas voltavam a formar cachos.

—Mas não foi enquanto você dormia, faz uns dois meses já.— ela murmurou de costas para ele.

—Eu sei que ainda temos muito que conversar, mas vou deixar você dormir agora.

—Obrigada.— virou-se para ele e sorriu.

—Eu adoro te ver dormir, sabia? Nunca disse para você, mas naquela nossa primeira noite fiquei te vendo dormir por um bom tempo.

—Mesmo?

Acariciou o rosto dela com os nós dos dedos —Aquela noite eu me dei conta que poderia te ver dormir ao meu lado pro resto da vida.— disse num tom doce.

—Eu te amo, e se depender de mim você vai poder me ver dormir por muitos anos.— fazia força para manter os olhos abertos —Por que eu adoro acordar ao seu lado também.— sorriu e fechou os olhos.

Pepper não demorou a pegar no sono, Tony permaneceu na posição em que estava, pediu para que Jarvis baixasse as luzes e ficou a observando dormir enquanto corria com os dedos pelos cabelos ruivos.

—Eu amo você, Pep, mas sei que não posso te condenar a viver a vida que vivo.— sussurrou, pois não tinha coragem de confessar tal coisa em voz alta.


Tony não pregou o olho a noite inteira, repassava os últimos acontecimentos em sua vida. Tornar-se herói, e expor o fato. Descobrir-se apaixonado, assumir um romance, aprender a amar sem restrições. Podia não parecer, mas tudo tinha uma ligação. E agora parecia que ele teria que escolher entre amor e heroísmo.

Na manhã de sábado saiu da cama muito cedo, sabia que Pepper estava exausta, não esperava que ela acordasse tão logo. Desceu as escadas em direção à sala, Jarvis informou que o Agente Coulson desejava falar com ele, ficou surpreso pelo adiantado da hora. Ainda assim, recebeu o agente, que falou por horas. A SHIELD teve acesso aos servidores da mansão e das empresas de Hammer, as anotações de Blake, e agora, Coulson compartilhava tudo com Tony.

—Não culpo ninguém por se apaixonar por ela.— referiu-se a Blake, depois de ler os diários do rapaz, reconheceu que ele era sozinho, perturbado, chegou a colocar-se no lugar dele. O matou por questão de sobrevivência. Depois de muito tempo Tony formulou a frase —Maldito Hammer, soube me manipular do jeito que ele quis.— não conseguia conter a raiva.

—Nós achamos que você precisava saber de todos os fatos. Durante esse tempo todo você se deixou levar pela emoção, Stark, por isso foi manipulado. Você vive de extremos, 8 ou 80. Você tem que a prender a compensar razão e emoção, e encontrar um equilíbrio. Desse jeito não terá que abrir mão de nenhuma das suas vidas.— disse o Agente.

Tony ouviu tudo atentamente, Coulson parecia saber que ele estava em conflito, mas não bastavam as palavras do agente, a decisão cabia somente a ele.

—Isso é tudo?— Tony perguntou.

—Sim, nós manteremos contato.— Coulson apertou a mão de Tony e deixou a mansão.

Depois da saída de Coulson, Tony ficou pensativo, tomaria uma dose de uísque se pudesse. Na verdade ele podia, sempre fazia o que queria, mas sabia que Pepper não gostaria e já era hora de parar de suprimir a dor através de doses de uísque. Decidiu tomar um café. Forte, quente, sem açúcar, desceu queimando-lhe a garganta como uma dose da bebida destilada que sempre recorria.

—Nunca imaginei ver essa cena, Tony Stark e uma xícara de café.— Rhodes gracejou ao entrar na mansão.

—É cedo pra tomar uísque.

—Cedo? Passa da uma da tarde, e horário nunca te impediu, arrume outra desculpa.

—Estou tomando remédios.

—Outra.

—Pepper.

—Esse é um bom motivo.— disse Rhodes. —Como ela está? Ela não descansou um minuto nos últimos dias.

—Está bem. Dormindo lá em cima.

—Vocês se entenderam?

—Ela sempre vai me entender, Rhodes, mas eu não posso sujeitá-la a vida que eu levo.

—Ela parece não se importar, ela ama você, Tony.

Pepper que acordara há pouco tempo estava prestes a descer as escadas à procura de Tony quando ouviu a conversa dele com o amigo, parou onde estava.

—Eu sei que ela me ama, eu a amo também, de uma forma que eu não imaginava que pudesse, não consigo imaginar a minha vida sem ela. Mas ao mesmo tempo não posso arriscar a vida dela.

—Tony...

—Rhodes, o Hammer me afrontou, teve a audácia de ligar aqui, porque eu estava demorando a encontrá-la. E eu demorei porque enchi a cara na noite anterior, ele sabia disso. Tudo o que eu descobria a respeito dele era uma distração, ele jogou comigo. A Pepper sempre será o meu calcanhar de Aquiles, todo mundo sabe que eu faria tudo por ela.

—O Hammer morreu, Tony. Viva a sua vida com a mulher que você ama.

—Mas e amanhã, Rhodes? Com a vida que eu levo sempre terei inimigos, eles sempre irão usá-la para me atingir, eu não posso submetê-la a isso.

Pepper deixou de ouvir a conversa e voltou para o quarto, era hora de ir embora da casa dele, da vida dele.

Depois de muito conversar com Rhodes, Tony entrou no quarto e encontrou Pepper vestindo um jeans e uma camiseta branca, ela arrumava as coisas que haviam ficado na última vez que foi embora.

—O que você está fazendo?

—Eu ouvi a sua conversa com o Rhodes.

—O que você ouviu?

—O suficiente para não insistir mais.— ela tinha a voz embargada, mas continha as lágrimas. —O engraçado, é que ontem tínhamos muito que conversar, e hoje você simplesmente decidiu por nós.

—Pepper, entenda, as minhas atitudes sempre te afetarão, as minhas escolhas...

—As minhas escolhas interferem na minha vida, não as suas...

—Pepper...

—Fui eu, eu escolhi trabalhar para você quando todo mundo disse que seria difícil, escolhi ficar ao seu lado quando sua vida virou de cabeça para baixo. Uma coisa eu posso dizer que não escolhi, não escolhi amar você, isso é culpa sua. Por que você me fez te amar? Você sempre foi desprezível com todo mundo, sempre afastou todo mundo, porque justo comigo tinha que ser diferente, porque se importar comigo?— não dava espaço para ele falar —Porque depois de me fazer ficar você me afasta?

—Eu queria poder ficar com você e ter a certeza de que você não correrá perigos por ser minha namorada, mas é impossível.— ele baixou a cabeça.

—Já que você não quer mais não tem porque eu permanecer. Eu vou concluir a primeira fase do projeto da Torre e entrego na empresa, então saio da sua vida de vez.

—Você está se demitindo?— mostrou-se perplexo.

—Encare como um aviso prévio.— ela fechou a mala e saiu puxando-a.

No fundo ele não queria que ela fosse, mas também não pediu que ela ficasse.

Notas finais
Cês vão perguntar: Caraca, Tulipa, cê tá bem loca, pq isso?

Eu tinha que deixar o Tony fazer a última caquinha antes de crescer.

Visto como terminou o capítulo, semana que vem tem DR. Mas sem drama.

O Dr, é uma mistura do Dr House com o Dr Wilson, de House, precisava prestar a homenagem.

Ah... a descrição que a Lauren dá pra o Jarvis foi inspirada no Paul Bettany, o ator que dá voz a ele no áudio original dos filmes.

Bom feriado. Sem gordices, hein?

Beijos =)