De Ontem Em Diante
25 O homem é o lobo do homem
Notas iniciais
Minutos após sua captura, Pepper estava no que ela imaginava ser o tal hangar que os bandidos haviam citado, não podia ter certeza, estava vendada, embora feixes de luz atravessassem o tecido da venda, e amordaçada, com os braços e pernas presos a uma cadeira, parecia estar sozinha, não ouvia ninguém fazia algum tempo uns 5min, se as contas dela estavam certas. A última coisa que ouvira além da sua respiração foi a voz grave de um dos sequestradores dizer: —Deixe-a aí, são ordens do chefe.— ouviu passos e uma porta de aço se fechar e depois se fez silêncio.
Ouviu o barulho da porta outra vez, passos apressados em sua direção, teve os olhos descobertos e viu o rosto megalomaníaco de Justin Hammer, balbuciou algo que não se pode entender pois estava amordaçada, debatia-se na cadeira.
—Vamos conversar?— perguntou —Eu vou tirar a sua mordaça, mas seja uma boa menina e não grite, ou se quiser, pode gritar, ninguém vai te ouvir mesmo.— seus lábios se contorceram num sorriso grotesco. —Meus homens disseram que você deu trabalho, eles queriam sedar você, sabia?
—O que você quer Hammer?— Pepper perguntou com o olhar exalando fúria.
—Conversar, já disse. Não nos vemos há quanto tempo? Um mês? Você sumiu, e eu fiquei muito ofendido por você não ter ido ao meu baile. Estava reclusa, e quando resolveu sair da toca foi pega pelo lobo mau.— Hammer abusava do tom irônico, trajava um elegante terno cinza de três peças, camisa branca e gravata com listras diagonais cinzas e vermelhas, no bolso do paletó um lenço vermelho. Ao seu lado, no chão, havia uma maleta metálica.
—Lobo mau?— Pepper sorriu ironicamente —Você sabe qual é o fim do lobo mau, não é?
—Só que isso não é um conto de fadas, Virginia.— armou uma carranca.
—Foi você quem usou a referência, seu insano.— replicou.
—Eu dou um baile para conseguir capturar você, e a Srta não aparece, e então eu desisto de você. Arrumo uma reunião como pretexto para tirar Tony Stark da fortaleza e quem aparece na estrada?— sorriu —Deve ser presente de natal antecipado.
—A reunião era uma cilada?
—Claro, Virginia. Quem em sã consciência marca reunião de negócios num domingo? Pior, quem aceita isso? Tony acordaria cedo, levaria um chá de cadeira e na hora que estivesse voltando para o conforto de seu lar...BAM— Hammer gritou assustando Pepper —Isso, se ele fosse, caso ele não aparecesse eu marcaria uma outra coisa para depois da minha viagem.— olhou para seu jatinho nos fundos do hangar —Quando eu soube que ele não apareceu fiquei desolado, já ia mandar meus homens abandonarem o posto, e então...você caiu o céu. Aliás, cadê o seu namorado? Deve estar se curando de algum porre, suponho.
—Eu...não tenho namorado.— respondeu vacilante.
—Não? Vocês chamam essa relação do quê então?— perguntou —Na audiência vocês eram inseparáveis. No baile, Anthony diz que você não significa nada. Hoje você diz que não tem namorado. Acho que vocês precisam de...como chama mesmo? DR? Não, terapia de casal.— tagarelava, andando em volta da cadeira de Pepper.
—O que tem nessa maleta?— Pepper perguntou ao perceber que a todo o momento ele olhava para o objeto.
—Uma coisinha que eu bolei, olha.— ele disse e pisou num dispositivo na maleta que se transformou numa armadura negra cobrindo seu corpo. A amadura se assemelhava a de Tony, com um dispositivo vermelho no peito. Hammer passou a exibir a ‘sua criação’, disparava com os propulsores das mãos, fazia poses, num dado momento acionou um dispositivo e uma peça no antebraço da armadura moveu-se exibindo uma pequena arma. —Essa é pequena, mas faz estrago, imagine o que ela fará com o seu namorado.— ele disse —É sensacional, não é?— perguntou fazendo Pepper revirar os olhos depois da demonstração patética.
—Você bolou?— ela riu —A maleta não é novidade, Tony já fez isso, você viu em Mônaco, quanto à armadura, bem, acho melhor você parar de fuçar no lixo reciclável da mansão.— zombou deixando-o furioso.
—Sarcasmo, humor baixo típico do seu namorado. Imaginava que você fosse mais fina, deve ser influência dele. Nunca soube que você tivesse senso de humor, talvez você e Anthony se mereçam, mas só vai sobrar um ou outro hoje.
—E eu imaginava que você fosse mais inteligente, foi assim que ficou rico, roubando ideia alheia?— perguntou ignorando a ameaça dele.
—Não subestime a minha inteligência, afinal, você e Anthony dançaram conforme a minha música.
—Do que você está falando?
—Uma batidinha no carro e você desaparece. Ele vai ao baile sozinho, insinuamos uma porção de barbaridades e ele passa a sair por aí pelos bares enchendo a cara sozinho. Vocês são previsíveis.
—A sua falta de criatividade é deprimente. Sempre querendo as ideias dele, querendo diminuí-lo para que você possa aparecer, a sua vontade é ser ele.— ela constatou.
—Ser ele?— abriu o capacete e sorriu com escárnio —Posso ser melhor que ele. Não possuo nenhuma fraqueza, não sou sentimental ao contrário dele.
—Fraqueza?
—Sim, você é a fraqueza. Basta ameaçar você e ele perde o rumo. O coração do nosso querido Anthony é quem define as atitudes do super-herói agora, você o tem no bolso.— Hammer respondeu desativando a armadura, Pepper achou estranho.
—Já cansou da roupa nova?— perguntou.
—É um pouco desconfortável, não tive tempo de testá-la, está esquentando um pouco.— respondeu, deixando a maleta ao seu lado —Mas ela servirá para o que eu preciso. Quando o nosso convidado especial chegar, eu a coloco novamente.
—O Tony não virá, desista.— ela disse.
—Ele virá...— disse pegando o celular.
Mansão Stark
Jarvis usava toda a tecnologia de que dispunha para fazer barulho na mansão na tentativa de acordar Tony, depois de muito tempo de barulho intenso ele despertou.
—Que barulho infernal.— olhou para o lado e encontrou um bilhete de Pepper:
“Não, eu não te abandonei...
Não há nada para comer ou beber nessa casa, além de água e uísque. Preciso dar um jeito nisso. Vamos começar a pôr a vida em ordem?
Volto em breve, talvez antes de ler isso.
Ah...peguei o seu carro, não engoli a sua desculpa de reunião, mas, se por acaso houver uma reunião, há outros carros na garagem.
Amor, Pepper.”
Ele sorriu ao ler aquelas palavras, talvez significasse perdão, um sinal de recomeço. Olhou para relógio e constatou que passava das dez da manhã. O barulho na mansão era ensurdecedor.
—Jarvis, que droga é essa? Você está com algum vírus?— esbravejou.
—Sr, até que enfim despertou, a Srta Potts...
—Acabo de ler o bilhete, Jarvis.— interrompeu o sistema de inteligência artificial.
—Bilhete?— questionou Jarvis. —Sr, tenho motivos para crer que a Srta Potts tenha sido sequestrada.
—Como assim?— Tony perguntou e Jarvis liberou o áudio do momento do sequestro, entretanto, a última parte era quase inaudível. Desesperado, Tony corria para a oficina —Rastreio o carro.— ordenou.
—Encontra-se parado na estrada a 4 km daqui, Sr.— Jarvis respondeu.
—O telefone...
—Não consigo captar o sinal, temo que tenha sido danificado.
Tony vestia a armadura quando se lembrou que Pepper estava usando a pulseira —A pulseira, Jarvis.— Jarvis tentou rastrear o sinal emitido pelo objeto, Tony nunca admitiu para Pepper a existência do rastreador na pulseira, pois sabia que ela hesitaria em usá-la. Porém, a intenção dele nunca foi monitorá-la, sabia que só usaria de tal artimanha numa situação extrema, na verdade, torcia para nunca precisar rastreá-la.
—Sr, há um bloqueio de sinal, um dos elos da joia deve ter se rompido...— Tony gritou exteriorizando o seu desespero —Sr, há uma ligação de Justin Hammer...
—Tente rastrear o sinal, Jarvis, viva-voz.
—Anthony, meu caro.— a voz de Hammer ecoou na oficina —Estamos esperando por você. Eu e a sua namorada, ou ex-namorada...
—Não ouse fazer nada com ela, Hammer, não...
—Você não está em condições de exigir.— Hammer disse e silenciou.
—Hammer?!— Tony gritou.
—Estou aqui, Anthony, dando tempo para você rastrear a ligação.— respondeu —Vocês são tão patéticos, eu não precisei fazer quase nada além de te confundir, vocês ruíram sozinhos e eu só fiz assistir, até que vocês estivessem vulneráveis o bastante...
—Sr, localizei a chamada.— informou Jarvis.
—Esse é o problema de deixar o coração mandar na razão, Anthony.— Hammer encerrou a ligação.
—Sr, temo que o uso da armadura seja precipitado, o Sr encontra-se debilitado fisicamente, não se alimenta direito há dias...
—Balela, Jarvis.— disse fechando o capacete —Sinto-me perfeitamente bem, vou salvá-la mesmo que seja a última coisa que eu faça.— deixou a mansão. Jarvis buscaria reforços após a saída de Tony.
Hangar
No hangar, a porta de aço rangeu novamente, Blake adentrou o local, vestia um jeans escuro, camisa branca e jaqueta jeans, mostrou-se furioso ao ver Pepper amarrada.
—O que você faz aqui?— ela perguntou.
—Não era esse o nosso acordo, não era para você usa-la, eu disse a você, seu filho da...— Blake rosnava para Hammer.
—Ei, mais cuidado com as palavras, a minha mãe não era nada disso, quanto a sua não posso dizer o mesmo.— cortou-o —Não era minha intenção capturá-la, mas, Virgínia tem o péssimo hábito de se meter no meu caminho.— disse Hammer —O que são esses hematomas no rosto Jr, andou apanhando?— Blake não respondeu, Pepper estranhou ouvir Hammer chamá-lo de Jr.
—Vocês estão juntos nisso?— ela perguntou —Ontem a sua intenção era que o Tony fosse atrás de você por isso usou aquele carro?— Pepper perguntou para Blake.
—Anthony reconheceu o carro, então?— Hammer perguntou —Jurava que, quando ele sacasse que o Esteves o seguia daria um fim nele.
—Eu não o deixei sair atrás do Blake.— Pepper disse.
—Meu Deus, mulher, você se mete em tudo, como Anthony te suporta? Sua intrometida.— Hammer esbravejou.
—O mesmo carro que usou para causar o acidente deles. Por isso você me deu, para o Stark me tirar do jogo?— Blake perguntou.
—Quanto menos gente melhor.— Hammer deu de ombros.
—Acabou a brincadeira, Hammer, solte-a e me dê o que você me prometeu!— Blake disse num tom autoritário.
—Baixe a bola, Jr, não é você quem dá as cartas. Eu mando no jogo, foi você quem veio me procurar para entrar nele.— Hammer dizia e Pepper não entendia ainda a ligação de Blake na história.
—Você me prometeu respostas, me diria quem era meu pai, mas até agora não disse nada além do que eu sei.— disse o rapaz.
—Quer saber quem era o seu pai? Pois bem, seu pai era um homem ambicioso e sem escrúpulos, que se dedicou por anos a um legado, enquanto o herdeiro desse legado vivia na farra gastando todo o dinheiro que o seu pai ganhava...
—Você é filho do...
—Cale a boca, Virginia!— Hammer gritou —Que mania feia que você tem de se intrometer, detesto ser interrompido.— esbravejou.
—Não fale assim com ela.— Blake disse entre dentes, pegando Hammer pelo colarinho, deu-lhe uma testada.
—Você é tão ingênuo...— Hammer se levantava depois do golpe —Entrou naquela empresa a fim de sabe mais sobre seu pai e acabou se apaixonando por ela. —apontou para Pepper —Qual é o seu segredo, Virginia? Fazer com que esse paspalho se apaixone por você eu até entendo, você é gostosinha, bonitinha, mas, fazer Tony Stark abandonar a razão?— Pepper que o olhava enojada —Qual é? Você é meio sem sal perto das mulheres que ele já pegou.
—Cala a boca, Hammer.— rosnou Blake.
—Huuumm, deve ser o sexo, essas mulheres com esse ar angelical, no fundo são verdadeiras devassas, sempre incríveis na cama.— Pepper deixava claro o seu repúdio ao ouvir aquilo, Hammer tentou tocar o rosto dela, mas ela virou-o. —Não se faça de difícil, eu tenho tanto dinheiro quanto ele, posso pagar muito bem pelos seus favores.— Pepper cuspiu no rosto dele, Hammer pegou o lenço do bolso do paletó para se limpar —Sua va...— Hammer levantava o braço para desferir um tapa no rosto de Pepper, mas foi impedido por Blake que pegou-o e deu-lhe um soco.
—Fica longe dela!
—Moleque atrevido, ouse tocar em mim novamente e eu acabo com você.— disse Hammer ao chão.
—Não era para ela estar aqui.— Blake se aproximou de Pepper e desfazia as amarras, quando olhou-a no fundo dos seus olhos.
—Seus olhos— ela disse quando o verde-acinzentado do olhar dele encontrou com o azul do dela —Desde o principio achei familiar, são iguais aos dele.— voltou a enxergar nele a particularidade que havia percebido desde a sua entrevista.
Blake havia soltado as pernas de Pepper quando Hammer o impediu de continuar —Você não vai soltá-la, não até Tony Stark chegar, não até eu acabar com ele.
—Você não vê, Blake? Hammer usou você, seja lá o que ele tenha prometido a você, tenho certeza que ele não sabe nada sobre o Obadiah, não sabe nada sobre o seu pai, nem sobre a sua vida, nem a sua morte. Ele não tem como saber.
—Você deve saber, não é?— a pergunta de Hammer era uma acusação velada.
—Eu também não sei.— ela respondeu.
—Tudo bem.— disse Hammer —Quando Tony chegar perguntamos para ele antes de matá-lo. Já vou avisando, Jr, se ele se negar a cooperar teremos que torturá-la um pouquinho.— sorrateiramente, Hammer se aproximava de Pepper.
—Afaste-se dela!— gritou Blake.
—Ou o quê?— Hammer o enfrentou.
—Afaste-se dela!— Blake repetiu levou as mãos às costas e empunhou um revólver.
—Abaixe isso, eu sei que você não mata uma mosca.— disse, mas não recuou.
—Uma mosca não, mas um rato é mais fácil de acertar.— disse apontando a arma na direção de Hammer.
—Não acho que você deve subestimá-lo, Hammer— disse Pepper —Aliás, não acho que você devia tê-lo usado para conseguir uma vingança que era sua. Você é assim, usa as pessoas, acha que é predador, o lobo mau, como disse, mas só fala, não passa de um infeliz, um lobo que só sabe uivar— Pepper provocava.
—Cale a boca, sua cretina.— Hammer desferiu um tapa contra o rosto de Pepper, imediatamente, Blake disparou contra a perna de Hammer.
—Você me acertou, seu imbecil.— Hammer urrou de dor.
—Eu disse para você ficar longe dela.— Blake semicerrou o olhar.
—Acho que não é mais você quem dá as regras, Hammer.— Pepper falou sentindo o seu rosto queimar.
—Você acredita mesmo que ela vai trocar Anthony Stark um herdeiro rico, por você, Blake Esteves um carente órfão?— Hammer provocou.
—Hammer, você não sabe nada sobre ela, sobre mim, ou sobre meu pai.— disse Blake.
—Porque querer saber algo sobre um homem que abandonou você?— perguntou Hammer.
—Ele não me abandonou, ele me deu tudo, cuidou de mim, da minha educação e da minha mãe quando ela adoeceu.
—Seu pai não tinha escrúpulos, e tudo o que ele fez por você e sua mãezinha doente, foi para que vocês ficassem longe. Seu pai só quis uma coisa na vida, as Indústrias Stark, não mediu esforços pra tê-la. Abandonou o próprio filho, para apoiar um filho que não era dele, para que no futuro, pudesse tirar tudo o que Anthony Stark herdou. O seu pai, Blake Esteves, não lhe deu nem o nome dele, você não passa de um bastardo, sempre será um renegado.
—Cale a boca, Hammer!— Blake empunhou a arma, seus olhos lacrimejavam de ódio.
—Filho de um mercenário e de uma prostituta.— Hammer parecia fora de si —Você é a escória, um bastardinho, miserável...— Hammer não conseguiu terminar com seus insultos, pois recebeu um tiro na cabeça.
Do lado de fora do galpão, Tony ouviu o estampido do disparo e o grito aflito de Pepper. Depois, silêncio. Sentiu o coração apertar. Já começava a culpar-se, havia demorado demais para chegar até lá. Imaginava que o pior tivesse acontecido.
No interior do galpão, Blake voltou a desamarrar Pepper —Você atirou nele.— Pepper disse amedrontada e horrorizada.
—Ele mereceu— replicou friamente —Não precisa ter medo de mim, eu não vou machucá-la, eu a...— a fala de Blake foi interrompida pelo som do portão do hangar sendo aberto, amedrontado, ele pegou a maleta de Hammer e correu por uma porta lateral.
Tony adentrou o galpão, deixando o portão aberto, Pepper que, enfim, havia sido desamarrada correu até o seu amado.
—Você está bem.— ele constatou aliviado, abrindo o capacete —Eu ouvi o disparo, ouvi você gritar e pensei...
—Não era para você ter vindo, vamos embora agora, o Hammer queria matar você.— ela disse.
—Onde ele está?
—Morto, o...
—Eu o matei.— ecoou uma voz robótica interrompendo Pepper, e então ela viu Blake usando a armadura de Hammer.
—Blake, você não é mau, eu sei disso, eu vi, você foi usado, saia dessa armadura.— Pepper pedia enquanto andava na direção dele.
—Blake?— Tony mostrou-se surpreso —Blake Esteves matou o Hammer?
—E agora vou matar você.— Blake efetuou um disparo na direção de Tony, mas não o acertou, ele não estava familiarizado com a tecnologia da armadura.
—Blake, não faça isso, vamos...vamos conversar, mas você tem que sair da armadura.— Pepper tentava acalmar o rapaz.
—Ele sairá também?— Blake perguntou abrindo o capacete.
—Eu não.— Tony respondeu.
—Tony!— Pepper o repreendeu.
—Eu vou acabar com você, Stark você me privou de crescer ao lado do meu pai.— soou rancoroso.
—Eu nem sei quem é o seu pai.
—Blake é filho do Obadiah.— Pepper murmurou.
—Obadiah?!— perguntou num tom impressionado —O Esteves é filho do Stane?
—Ele diz que é.— Pepper respondeu.
—Eu sou! E por sua causa, cresci sem pai.
—Por minha causa?— Tony deu dois passos na direção de Blake, que recuou —Então é isso, o seu ódio para comigo é por causa do Stane? Não sei o que ele te disse, mas...
—Ele nunca me disse nada, ele nunca estava comigo, sempre com você ou cuidando da sua empresa, nunca de mim.
—Olha Esteves, meu pai também não cuidou muito de mim não, viu? Eu tive que aprender a me virar sozinho, isso não é motivo pra querer matar ninguém.— Tony disse. —Tira essa armadura, vamos conversar, quem sabe...
—Como ele morreu?
—O meu pai?— Tony perguntou.
—Não. O meu pai. Como ele morreu?!
—Ele sofreu um acidente de avião, estava de férias...
—Você o matou, não foi?
—Não, ele não matou.— Pepper respondeu aproximando-se de Tony —Mas o seu pai tentou matar o Tony, mais de uma vez, seu pai tentou me matar, assim como o Hammer queria ter feito hoje.
—Meu pai tentou matar você? Mas você é tão doce, tão especial, por que ele lhe faria mal?
—Seu pai sabia que ela é a única pessoal com a qual eu sempre me importei— Tony olhou para Pepper com doçura —O Hammer também sabia que feri-la era única forma de me machucar, e você...
—Eu a quero pra mim.— Blake afirmou.
—Você o quê?!— Tony e Pepper perguntaram ao mesmo tempo.
—Eu a amo, e preciso tirar você do nosso caminho, ela nunca será minha enquanto você estiver vivo.— Blake disse e atirou na direção de Tony, que empurrou Pepper para não ser atingida. O disparo de Blake acertou em cheio no peito de Tony, mas ele manteve-se firme na medida do possível.
—Tony!— exclamou Pepper levantando-se —Se você pretende matá-lo terá que me matar também.— ela colocou-se na frente de Tony.
—Pepper eu estou de armadura, você não, sai daqui.— Tony a repreendeu.
—Atira Blake, agora!— ela gritou na frente de Tony.
—Pepper deixa de ser maluca!— Tony censurou-a.
—Ele não vai me machucar, não é Blake? Você jamais me machucaria.— ela dizia na esperança de dissuadi-lo.
—Eu não tenho coragem.— ele respondeu.
—Então saia dessa armadura.— ela pediu. —Porque você não vai conseguir ferir o Tony sem me machucar.— afirmou.
—Feridas curam.— Blake levantou o braço apontando o propulsor na direção de Tony, porém, hesitava em atirar, sabia que conseguia atingir Tony sem acertar Pepper, visto que ela era menor do que ele com armadura, mas ele não tinha controle da armadura de Hammer, não conhecia o sistema, tinha receio de disparar a acabar a acertando.
Pepper manteve-se de costas para Tony, no entanto, envolveu os braços na cintura dele, não o largava por nada, por mais que Tony pedisse. —Escaneie a armadura dele.— ela sussurrou para Tony na esperança que Blake não ouvisse —O Hammer reclamou que ela estava superaquecendo.
Tony fez o que ela indicou e constatou um pequeno curto-circuito próximo ao dispositivo que a armadura de Hammer possuía no peito. Sabia que conseguiria derrubá-lo, mas teria que ser com um único disparo, precisaria usar o propulsor do peito, e era o que mais consumia energia, ao começar a desviar a energia para o peito recebeu o alerta de Jarvis.
—Sr a sua energia está em 80%, desviar energia para o propulsor do peito fatalmente o derrubará.— observou Jarvis, Tony não deu ouvidos e continuou concentrando energia para o disparo que poderia ser fatal tanto para ele quanto para Blake.
—Blake, as coisas não precisavam ser assim.— Pepper disse ao ver que ele não baixava a mão.
—Você disse que o Hammer me usava, mas você também está me usando agora. Usando o que eu sinto por você para que eu me compadeça da vida dele.
—Eu não estou usando você.— ela disse.
—Então saia de perto dele.
—Abaixe o braço.— ela pediu e Blake o fez, então Pepper deu alguns passos para longe de Tony, saindo do caminho dele e da mira de Blake consequentemente.
Blake armou o braço novamente e atirou contra Tony acertando-o no ombro, Tony cambaleou, mas não caiu, ativou o propulsor, atingindo Blake no peito. O rapaz deu de encontro ao jatinho de Hammer estacionado nos fundos do hangar, a colisão fez a aeronave explodir. Pepper jogou-se no chão para se proteger de estilhaços da explosão. Ao olhar na direção onde Tony estava, Pepper o viu ao chão, arrastou-se até ele.
—Tony!— chamou e ele não se moveu —Tony!— ela repetiu, passou as mãos nervosas pelos arranhões na armadura provocados pelos disparos que Blake desferiu contra ele. —Tony?!— chamou chorosa, e então ele abriu os olhos.
—Pep?— murmurou levando as mãos ao capacete e com o auxílio dela tirou-o de vez —Me desculpa?
—Pelo quê? Fui eu que contratei o Blake, eu que insisti eu ele ficasse na empresa quando você não queria.— ele levou a mão ao pulso dela —Eu perdi a pulseira que você me deu.— ela disse.
—Antes você perdê-la do que eu perder você. Enquanto estivermos juntos você vai ser sempre o alvo, você...
—Shhh— ela levou os dedos nos lábios dele impedindo que ele falasse —Não se atreva a mandar embora de novo.
Ao longe Pepper passou a ouvir barulho de sirenes, suspirou aliviada, significava ajuda.
—Eu acho que eu vou...
—Não ouse morrer também, eu preciso de você.— ela disse —Com quem eu vou brigar se você morrer?— brincou em meio às lágrimas, ele esboçou um sorriso, Tony não queria deixá-la, mas sentia as pálpebras pesarem, era mais forte que ele, então ele sucumbiu —Tony, não brinca assim, acorda, por favor?— ela suplicava enquanto as suas lágrimas molhavam a armadura dele.
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