De Ontem Em Diante
24 E depois de tudo, é você quem me protege
Notas iniciais
Era pra eu ter vindo antes, mas não para de chover em Sampa e o sinal da internet não tava ajudando.
Não tenho muito o que falar, vamos ao capítulo. Revisei grande parte dele ouvindo Wonderwall do Oasis, devo ter me deixado influenciar.
Aos trabalhos
Blake mantinha o olhar fixo sobre Pepper, que por sua vez, avistava Tony de soslaio. Lauren levantou-se de seu lugar sem entender muita coisa, mas sabia que algo estava errado.
—Que feliz coincidência.— Blake diz em meio a um sorriso.
—Coincidência demais.— sorri sem graça e olha na direção de Tony que já não está mais no balcão.
—Mil perdões.— Blake olha para baixo —Eu sujei a sua blusa com bebida, acho melhor ir limpar.
Pepper troca olhares com Lauren e seguem para o toalete, ao chegarem ela percebe que o estrago em sua roupa não passava de alguns respingos.
—Droga.— pragueja olhando-se no espelho —Você viu onde o Tony foi?
—Não, eu estava prestando atenção em você e no quanto ficou tensa.— Lauren respondeu —Quem é o lindo?
—É meu assistente, quer dizer, ex-assistente.
—Deus do céu, você é rodeada de homens bonitos.— Lauren diz eufórica.
—Quer a minha vida pra você? Pode ficar com ela.— Pepper brinca —Tony implica com o Blake, morre de ciúmes.
—Não me admira, ele é novinho, mas é bem charmoso.— Lauren observou.
—Lauren, sossega, por favor.
—O que você pretende fazer agora?
—Vamos embora.— disse Pepper —Estávamos de saída não era?
Pepper não tinha razões para fugir do rapaz, mas não queria dar motivos para Tony acusa-la de qualquer outra coisa, no entanto não podia ser indelicada. Ao passar por entre as mesas foi interrompida por Blake.
—Acho que a Srta me deve um drinque.— ele disse.
—Eu não lhe devo na...
—Bem— ele a cortou —Eu estava passando, você esbarrou em mim e a minha bebida caiu, então.— sorriu.
Pepper fitou Lauren que deu de ombros, discretamente procurou por Tony e não o avistou. Tony havia ocupado outro lugar, mais discreto, mas com visão privilegiada do local onde Pepper, Lauren, e agora, Blake estavam.
—Não acho prudente.— disse Pepper.
—Um drinque?— deu o seu melhor sorriso —Além do mais, nada a impede.— olhou ao redor e não notou mais a presença de Tony, imaginava que por isso ela relutava —E eu nem sou mais seu subordinado.
Relutante, Pepper aquiesceu. Ele levou a mão à base da coluna dela, guiando-a até a cadeira —Essa é Lauren Graham, uma amiga.— apresentou antes de sentar-se.
—Muito prazer, Srta Graham, Blake Esteves.— galantemente puxou uma cadeira para Lauren sentar-se.
—Não podemos demorar, já estávamos de saída.— disse Lauren, Pepper concordou com a cabeça.
—Será só um drinque, Srta Graham, quero desfrutar um pouco da companhia da Srta Potts, afinal, eu fui demitido e nem pude me despedir da minha chefe.— levou a mão sobre a de Pepper, desconfortável, ela colocou as mãos sob a mesa.
Pepper mantinha o olhar em Lauren como quem suplicava por ajuda para livrar-se da situação em que estava. —Sinto muito sobre a sua demissão. Eu estou temporariamente afastada das minhas funções na empresa, mas eu posso escrever uma carta de recomendação se...
—Não é necessário.— interrompeu-a —Já tenho outro emprego, mesmo assim, obrigado por se importar. A Srta sempre foi gentil e atenciosa comigo, ao contrário do Sr Stark. Por falar nele, tive a impressão de vê-lo aqui essa noite...
—Olhe— interrompeu Lauren —É Blake o seu nome, não é?— Blake aquiesceu —A conversa está ótima, mas deve ter alguém esperando por você, um rapaz tão bonito, com certeza, não sai num sábado à noite para beber sozinho.
—Vocês estão me fazendo companhia.— retrucou.
—Não por muito tempo, aliás...— Lauren fez sinal para o garçom que prontamente trouxe a conta, colocou algumas notas dentro da caderneta do homem. —Foi um prazer, Sr Esteves.— levantou-se fazendo sinal para Pepper fazer o mesmo.
—Adeus, Blake.— disse Pepper.
Caminharam alguns passos entre as mesas e quando estavam prestes a deixar o ambiente, Blake segurou o braço de Pepper.
—Me solta, o que é que você quer?— mostrou-se impaciente.
—Podíamos dançar, o que acha? A sua amiga não se importará em ficar alguns minutos sozinha.
—Na verdade, me importo.— Lauren sorriu irônica tirando a mão de Blake do braço de Pepper, fuzilou-o com o olhar e saiu puxando a amiga pela mão. Blake continuou no encalço delas, chegaram ao estacionamento.
—Vocês precisam de carona? Eu posso levá-las aonde quiserem.
—Você é insistente, hein, garoto? Não, nós não precisamos.— Lauren foi ríspida.
—Você está passando dos limites.— disse Pepper.
Blake deu dois passos na direção delas, que recuaram —Não dê outro passo, Esteves. Você não as ouviu? Elas não precisam da sua carona ou o que quer que seja.— Tony esbravejou no estacionamento aparentemente vazio.
—Bisbilhotando e ouvindo conversa alheia, Sr Stark?— perguntou voltando a sua atenção para Tony —O assunto não é contigo, volte para o seu uísque.
Tony sorriu irônico e levemente embriagado —Eu estava mesmo ocupado com o meu uísque até que elas chegaram e você entrou logo depois.
—Você está nos seguindo?— Pepper perguntou para Blake.
—Não...eu só...foi por acaso.— respondeu.
—Talvez você esteja me seguindo, não é? A pedido do seu chefe, quem sabe, nem era pra você entrar no bar só entrou quando a viu, não foi?— Tony caminhava na direção dele.
—Quem é o chefe dele?— Pepper perguntou a alguns passos dos dois.
—Diga quem é seu chefe, a quem você dá assistência agora.— Tony provocou.
—Para quem você trabalha, Blake?— Pepper perguntou.
—O Sr super-eficiente é moleque de recados de Justin Hammer.— Tony respondeu encarando-o.
—Eu não sou moleque de recados de ninguém.— Blake cerrou os punhos e desferiu um soco que pegou de raspão em Tony.
—Moleque atrevido.— Tony revidou o soco atingindo Blake em cheio, o rapaz tentou reagir e levou outro golpe, e mais outro indo ao chão.
—Tony!— Pepper exclamou, acudindo Blake.
—Eu achei bem feito.— Lauren gritou de onde estava.
—Você está bem?— Pepper perguntou agachada ao lado do rapaz.
—Você vai defendê-lo, depois de tudo o que eu disse?— perguntou indignado, Blake disparou um olhar vitorioso para Tony.
—Eu disse para você, não disse?— sussurrou para Tony e sorriu malicioso.
—O que você disse?— Pepper levantou-se e semicerrou o olhar na direção de Blake.
—Usando as palavras dele: “A Srta Potts, sempre arrumava um pretexto pra me ter na sala dela, cada cruzada de pernas que me deixava sem fôlego. A nossa relação era um jogo de sedução, e nossa, como ela joga bem”. Esqueci de alguma coisa?— Tony perguntou
—Seu cretino.— Pepper chutou Blake que continuava no chão.
—Ai, sua...— gritou e se conteve antes de insultá-la —Srta Potts, me ouça, por favor? Não foi bem assim.— Blake disse ao levantar-se.
—Não foi mesmo, ele também te chamou de Sra Robinson.— Tony disse e Pepper acertou o rosto do rapaz com um tapa estalado.
—Virginia!— Lauren exclamou, a pedido de Pepper ela manteve-se distante.
Blake levou a mão ao rosto, seus olhos exalavam ódio —Você vai pagar por isso.
—Não se atreva a encostar nela.— disse Tony.
—Não estou falando dela, estou falando de você.— rebateu com atrevimento, porém, recuando.
Tony avançava em Blake quando Pepper o segurou —Chega! E você...— voltou-se para Blake —Acho melhor ir embora.
—Acha mesmo que porque me deu alguns socos acabou, você ganhou?— dizia caminhando para trás. Pepper segurava Tony impedindo-o de voltar a bater no rapaz, até porque, no estado em que ele se encontrava fatalmente apanharia também —Em breve você não estará mais no nosso caminho.— Blake disse antes de entrar no carro, e arrancar cantando pneus.
—Era ele.— Tony ficou alerta.
—Era ele o quê?— Pepper perguntou ainda segurando-o.
—Aquele dia na estrada, o acidente.— Tony levou as mãos no bolso e pegou a chave de seu carro —Eu vou atrás dele.
—Você não vai atrás de ninguém!— Pepper tomou as chaves dele. —Como pode ter certeza?
—O carro, o som do motor, era ele. Me dê as chaves?— ele gritou.
—Não vou te entregar essas chaves. Olhe o seu estado, e se for uma emboscada e se...
—Você não tem nada a ver com isso!— ele gritou a interrompendo.
—Pepper, entregue as chaves e vamos embora.— Lauren disse ao se aproximar.
—Tome. Eu não sei por que eu ainda me preocupo com você, afinal, nós não somos mais nada um do outro.— ela disse e deu-lhe as costas caminhando a passos largos até onde estava o carro de Lauren.
—Pepper?— chamou vendo-a se afastar. —Pepper?!
—Vá atrás dele, Tony, não é isso o que você queria? Eu não vou te impedir.— respondeu com a voz embargada.
—Pepper nós precisamos...
—Nós não precisamos de nada, Tony, não existe nós, você não é mais nada meu.— disse antes de entrar no carro.
—Você é tudo pra mim.— ele gritou antes dela fechar a porta.
—Você ouviu isso?— Lauren perguntou.
—Ouvi.
—E?
—Vamos embora.— Pepper respondeu.
Tony caminhou até o carro de Lauren. —Pepper a gente precis...— não conseguiu terminar a frase.
—Meu Deus, eu atropelei ele!— Lauren exclamou ao sair do carro.
—Atropelou nada, você nem ligou o carro.— disse Pepper —Com certeza ele está fazendo drama.— caminhou até Tony —Saí do carro, vamos conversar?— ela disse e Tony não se mexeu —Tony!— exclamou ao ver que ele estava desfalecido.
Pepper ajoelhou-se ao lado dele trazendo a sua cabeça aos joelhos, deu-lhe alguns tapas de leve no rosto. Lauren foi até a bolsa e espirrou um pouco de perfume num lenço para que Tony cheirasse. Ele não demorou a recobrar os sentidos.
—O que aconteceu?— perguntou.
—Você desmaiou.— disse Pepper.
—De tanto beber, talvez.— acrescentou Lauren. Tony franziu o cenho.
—Você tem comido?— Pepper perguntou preocupada.
—Ninguém.— respondeu irônico.
—Seu sujo.— ela cerrou o olhar.
—O senso de humor está intacto.— Lauren comentou. —A cena está linda, mas acho que vocês deviam levantar desse chão.
—Você consegue levantar?— Pepper perguntou.
—Claro.— respondeu, levantou-se e cambaleou —Está tudo girando, mas estou bem.
—Há quantos dias você não se alimenta?— Pepper perguntou.
—Sei lá, uns dois.— deu de ombros.
—Acho que eu terei que levá-lo para casa, se importa em ir embora sozinha?— perguntou à amiga.
—Não precisa, eu estou bem, pode voltar com ela.
—É, aí você tem outro apagão e bate num poste, ou despenca numa ribanceira.— disse irritada e ele sorriu —Não sorria, eu não vou falar com você, eu te deixo na mansão e volto para casa.— ele levantou os braços em rendição.
—Não me importo em ir embora sozinha, mas você vai ficar bem, coração?— Lauren pergunta.
—Acho que vou.— Pepper responde olhando para Tony.
—Então eu vou, ligue-me depois para dizer que está tudo bem.— puxou Pepper num abraço —Quando conseguir que ele esteja normal converse com ele. Ele é confuso, mas ama você, e eu sei que você quer ficar bem com ele.— disse no ouvido da amiga. —Juízo, Stark, vê se não vai fazer besteira.— ela diz, entra em seu carro, e vai embora.
—Onde está o seu carro?— Pepper pergunta impaciente.
—Daquele lado, ou pra lá, não sei.— respondeu, Pepper revirou os olhos.
Levaram alguns minutos até encontrar o carro, o estacionamento ainda estava cheio, era pouco mais de meia noite. Pepper manteve-se quieta, enquanto Tony tagarelava.
—Precisamos procurar um lugar onde comprar algo para você comer, aposto que não há comida na sua casa.— ela disse firme, arrancando com o carro. Rodou por muito tempo até encontrar umdrive-thru.
—Eu não vou comerfast food.Isso é comida de adolescente.— gracejou.
—Perfeito, você age como um adolescente.— ela disse pegando o lanche e saindo.
—Sabe, eu gosto da sua amiga, achei fofo ela te chamar de coração.— disse e deu uma mordida no hambúrguer —Até que isso não está ruim, quer?
—Não.
—Quero ser amigo dela também, posso? Porque o Rhodey não me ajuda em nada.— deu outra mordida no hambúrguer.
—É você que não se ajuda.— respondeu séria.
—Ei ardida, guarde as pedras para podermos conversar. Sabe, quero te dizer uma coisa desde quando te vi entrar no bar, você está linda.— disse pondo uma mecha de cabelo atrás da orelha dela. —Desnecessário esse decote nas costas, mas o jeans está perfeito, eu gosto de te ver de jeans.
—Eu gosto de te ver sóbrio.— ela replicou e ele percebeu o quanto seria difícil manter um diálogo, então, calou-se.
Pepper dirigiu em silêncio por alguns minutos, por vezes olhava na direção de Tony, e seu olhar sempre encontrava o dele. Ele não tirava os olhos dela, tinha que conter o desejo de tocá-la. Já havia devorado o lanche, sentia-se melhor, menos aéreo.
—Esse carro é novo?— ela perguntou quebrando o silêncio.
—Não, é o mesmo, fiz funilaria, parece novo?— perguntou na tentativa de estender a conversa e, posteriormente, mudar de assunto.
—Depois do que aconteceu, achei que compraria outro.— referia-se ao acidente.
—Eu gosto dele, não foram necessários tantos reparos.
—Você pode comprar uma porção de carros iguais a esse e preferiu não fazer isso, não se desfaz de um carro em compensação...
—Em compensação?
—Nada.— fechou-se novamente, pisou fundo no acelerador.
—Vai devagar, tá?
—Eu dirijo devagar.— respondeu sem tirar os olhos da estrada.
—Não quando está com raiva. 12min da mansão até seu apartamento?
—Como você sabe?
—Tem um sistema de rastreamento no seu carro, em todos os meus carros, na verdade.— ele justificou.
—Seu maníaco por controle, eu tenho certeza que há um rastreador nessa pulseira também, por isso sabia onde eu estava.
—Se está se referindo ao bar, eu já estava lá quando você chegou, lembra?— perguntou fazendo-a resmungar em descontentamento.
Depois de quase uma hora que saíram do bar chegaram, enfim, à mansão. Tony abriu a porta do carro e esperou Pepper fazer o mesmo, mas ela manteve as mãos ao volante.
—Se não se importar eu vou voltar com o seu carro, peça para o Hogan buscá-lo amanhã.
—Amanhã o Hogan está de folga e, eu tenho uma reunião na empresa.
—Amanhã é domingo, Tony.
—Eu sei, o cara só podia nessa data.
—Você marcando reunião num domingo?— incrédula, pegou o celular.
—Pra quem você vai ligar?
—Vou pedir um taxi.
—A gente precisa conversar— tirou o aparelho da mão dela e saiu do carro.
—Conversar? Conseguimos? Acho difícil.— disse ao sair do veículo.
—Estamos conversando, não estamos?
—Não vou entrar na sua casa, já é difícil estar aqui no pátio, o que você me disse ainda ecoa na minha cabeça, tem noção?
—Sentiu isso?— Tony olhou para o céu escuro sem nenhuma estrela.
—O quê?
—Um pingo de chuva.
—Outra desculpa, não vai...— sua fala foi interrompida por um trovão trazendo consigo uma pancada de chuva.
—Acho que agora você vai ter que entrar.— ele disse e correu para a cobertura da entrada, Pepper ficou onde estava. —Vem?!
—Não vou.— respondeu sob a chuva.
—Deixe de ser teimosa, Virginia.— pegou-a nos braços e a levou para o interior da mansão. Estavam ensopados, colocou-a no chão e ela percorreu a sala com o olhar. Tudo estava como havia deixado dias atrás. Seu olhar voltou a encontrar o dele, seus corpos perigosamente perto. Ele levou a mão ao rosto dela, afastando os cabelos molhados, seu olhar não deixava o dele. Havia desejo, era palpável. —Teimosa.— ele disse.
—Idiota.— retrucou —Me dá meu telefone?— estendeu a mão.
Tony não deu o aparelho para ela, pelo contrário, colocou-o sobre um móvel próximo. Pegou a mão dela e beijou dedo por dedo. Um calor percorreu o corpo de Pepper, ela não esboçava reação, seus olhos azuis brilhavam observando-o.
—Dói?— ele plantou um beijo na palma da mão molhada. —Você deu um belo tabefe naquele atrevido, eu gostei.— seus olhos refletiam adoração.
Pepper queria se afastar, mas seu cérebro parecia não se comunicar com seu corpo, permanecia a mercê dele. Seu olhar era intenso, quente, os olhos castanhos nunca deixando os dela. Tony voltou a acariciar o rosto dela com os nós dos dedos, passou o polegar pelo lábio inferior. Com o braço livre enlaçou a cintura fina, Pepper soltou um suspiro trêmulo.
—Você acha que basta um pouco de teimosia e mal criação e tudo entre nós acaba?— perguntou, ela entreabriu o lábio, mas não formulou uma resposta —A nossa história está longe de acabar.
Tony praticamente a atacou com um beijo profundo e desesperado, ela tentou resistir, demorou um pouco para o encaixe perfeito, pareciam estar se redescobrindo. Pepper soltou a bolsa, precisava das mãos livres para segurá-lo, emaranhar os dedos nos cabelos dele. Devoravam-se. Pepper não demorou a sentir as costas apoiadas contra uma parede, o corpo viril pressionando o seu, levou a jaqueta dele ao chão. A mão máscula apalpou o traseiro dela, correu para a coxa. Como reflexo, ela trouxe o joelho na altura da cintura dele, enganchando-se a ele. Tony arfou, seu gemido reverberou pelo corpo dela. Separaram-se.
—Você não vai sair dessa com um beijo e algumas carícias.— disse embora não conseguisse largá-lo.
Ele mordiscou o seu lábio inferior, e beijou-lhe brevemente, encostou a sua testa na dela —Você precisava ter confiado em mim.
—Confiar?— perguntou —Como, se você não me diz nada? Você me fez sofrer de propósito. Insistiu para conversarmos e acabamos assim. Você me consome, eu não consigo pensar. Eu preciso pensar, Tony. Preciso ser mais forte e parar de me deixar inebriar por você. — afastou-o —Olhe para nós, encharcados e nos pegando feito...— balançou a cabeça —Sexo não conserta as coisas, eu nunca quis uma relação baseada nisso e, no entanto, acabamos assim. Talvez por isso você tenha acreditado no Blake, alguém diz barbaridades a meu respeito e você me julga como uma va...— ele levou os dedos ao lábio dela, não deixando-a terminar.
—Não diga isso, você sabe que não é isso o que eu penso a seu respeito. Vamos conversar, mas antes precisamos de roupas secas.
Subiram as escadas e pouco tempo depois estavam de roupa seca, Tony colocou uma calça de moletom e vestiu uma regata, Pepper encontrou uma camiseta e uma calça preta de algodão entre as poucas roupas que sobraram, estavam no mesmo ambiente, mas não conversavam.
—O que você está fazendo em Malibu, Pepper?— ele perguntou sentando-se em sua cama dando início a conversa.
—Eu moro em Malibu.— respondeu sentando-se à poltrona, e logo se levantando, pois ele havia largado a toalha úmida sobre a mesma.
—Era pra você ter ido embora, eu fiz de tudo pra que você saísse da cidade.— ele passou as mãos pelos cabelos.
—Por que você queria que eu fosse?— perguntou sentando-se na cama, mantendo uma distância segura.
Tony contou para ela toda a história. Falou de seus medos e desconfianças. Contou sobre a noite do baile de máscaras, das ameaças feitas por Hammer, Pepper ouviu tudo atentamente.
—Hammer é daqueles vilões de desenho animado, Tony, ele não é capaz...
—Ele é insano, é tão capaz que se juntou àquele seu assistente, a gente não sabe desde quando, aquela história do suco, eu nunca engoli, e ele parece ter desenvolvido uma paixão platônica por você. Eu não gosto dele, viu a forma com que ele me olha? Ele me odeia, e eu não sei por que. Eu olho pra ele e me lembro do Obadiah, desde a primeira vez que eu o vi.
—Porque você nunca me falou sobre esse receio em relação ao Blake?— Pepper também enxergava a mesma semelhança.
—Você com certeza diria que era ciúme. — Pepper revirou os olhos. —Hoje você viu o quanto ele é maluco, e eu não sei por que ele desenvolveu essa obsessão por você...
—Vai insinuar que fui eu?— levantou-se —Eu o encorajei, dei em cima dele? Você vai a uma festa dizem um monte de besteiras e você acredita, só faltou me acusar de estar com você por causa do seu dinheiro.— disse ferida.
—Eu não duvidei de você.— levantou alcançando-a —Em nenhum momento eu duvidei do seu caráter, Pepper. Sei que eu posso confiar cegamente em você.— disse olhando no fundo dos olhos dela —Mas eu precisava te afastar, então eu não ponderei o que dizer, eu só queria te afastar de mim para te proteger.
—Me proteger? Eu não consigo aceitar que você tenha me machucado de propósito para que eu fosse embora, a gente podia ter evitado isso, podíamos ter conversado.— exaltada desvencilhou-se dele.
—Você se lembra da sua reação quando eu sugeri que você ficasse em Nova York?— perguntou em tom acusatório.
—Agora a culpa é minha?
—Talvez seja, por que eu tenho que estar sempre errado, e você sempre certa? Você parou para pensar que a sua pressão e a sua pressa para voltar me fizeram agir dessa maneira?
—Você me feriu, me fez sofrer...
—Eu também sofri, Pepper. Eu ainda estou sofrendo, você não vê?— perguntou exasperado —Acha que só você sofre, por que chora? Me dói também, pare de analisar tudo e comece a sentir, sinta as minhas reações. Você acha que se não tivesse significado nada eu faria questão que você ficasse com a pulseira, que eu teria te beijado daquela maneira na noite eu que você foi embora? Eu desmoronei quando você foi embora.
—Essa maldita festa do Hammer, você devia ter me contado sobre ela.
—Você me faria desistir de ir— ele disse.
—Se você não tivesse ido, nós não estaríamos separados.— ela replicou —Em nenhum momento você percebeu que estava sendo manipulado?
—A ficha só caiu quando soube da viagem que o Hammer fará amanhã, ele queria me desestabilizar e sabia que ameaçar você era a melhor maneira para isso. E eu só pensei em te afastar de mim.
—Você não pensou que eu poderia acreditar no que me disse? Que eu fiquei mortificada por ter dizer coisas que eu não queria? Que eu posso não te perdoar e, se perdoar, posso nunca mais me sentir segura?— sentou-se próximo a cabeceira da cama.
—Acho que você podia ao menos tentar me entender.— respondeu sentando-se também.
—Entendo você há anos, Tony. Entendo a sua falta de compromisso com os negócios, entendia você trocar de mulher como quem troca de roupa para não se prender a ninguém, entendo você achar que tem uma droga de vida e tentar esquecer as besteiras que faz bebendo. Eu te entendo. Entretanto, entender é diferente de aceitar.
—Eu faço tudo errado, eu sei. Mas eu disse que meus meios não eram os melhores, você é a única coisa certa na minha vida, a única coisa sem a qual...
—...Você não pode viver... É isso o que eu sou na sua vida, uma coisa que você tenta mover de acordo com as suas vontades, eu não sou um desses seus robôs...
—Você é a mulher da minha vida, Pepper, é única, insubstituível, e foi por isso que te afastei. Se numa missão a minha armadura ficar destruída, eu conserto, se meu carro for avariado eu conserto, e você?— perguntou com voz trêmula —Se você for ferida gravemente, eu não vou conseguir... se eu perder você não me sobra mais nada.— ele piscou e uma lágrima caiu. Pepper nunca imaginou ver Tony chorar, nunca tinha visto a sua vulnerabilidade tão claramente. Sabia que ele era instável, inseguro, mas nunca acreditou realmente, porém, agora tratava-se dela, do medo de perdê-la, ele se aproximou, deitou a cabeça em seu colo envolveu os braços em sua cintura —Eu só fiz isso para não te perder. Eu sei que eu não te mereço, mas que droga, eu amo você, Pepper. Se você me deixar eu nunca vou amar alguém de novo.
—É claro que vai, você aprendeu a amar agora.
—Se acontecer, não vai ser como é com você, eu só queria te fazer bem, mesmo não acreditando que era bom o bastante.— disse a fazendo chorar. —Eu sou um miserável sem você, sou autodestrutivo, preciso de você para me proteger de mim.
—Tony— ele levou a mãos aos cabelos dele —Eu não posso viver assim, eu amo você, mas, como vai ser?
—Nós estamos juntos e amanhã o Hammer vai pro Iraque, se a gente tiver sorte ele morre num atentado.
—Ou seja sequestrado.— ela ironizou e ele se deixou rir.
—E ele não será capaz de construir nada para se salvar.— ele disse e silenciou por algum tempo —Eu nunca devia ter revelado ser o homem de ferro.
—Isso não tem nada a ver com você ser o homem de ferro.
—Mas se as pessoas não soubessem seria mais fácil.
—Talvez fosse, mas o Obadiah não quis acabar com você por ser o homem de ferro, e nem é por isso que o Hammer odeia você também.— ela observou —O que move gente como eles é inveja, é saber que por mais que tentem nunca serão brilhantes como você.
—Você me acha brilhante?— ele mudou a posição da cabeça no colo dela para poder olhá-la.
—A pessoa mais brilhante e mais volátil que eu já conheci.
—Eu sempre estrago tudo.— ele disse.
—Você acha que pode controlar tudo, por isso as coisas desandam.
—Foi assim com o nosso relacionamento?— ele perguntou.
—Não sei se quero falar sobre isso agora.
—Um dia você será capaz de me perdoar?
—Eu não tenho o que perdoar, Tony.
—Eu magoei você quando eu havia prometido que não iria.
—Tony eu realmente não quero falar sobre isso, vamos tentar superar? Ou eu vou embora, com chuva e tudo.
—Não vá, por favor. Eu só queria que você estivesse aqui porque quer, não por causa da chuva ou por pena.
—Quem disse que eu tenho pena de você?
—Eu me aproveitei da sua compaixão para ter você aqui.
—Tony, independente do que tenha acontecido ou do que venha a acontecer, eu preciso que você se sustente, não quero que você volte a ser aquele cara que vivia caindo de bar em bar, me fazendo ir te buscar no meio da noite, não quero que você se destrua.
—Volta pra mim?— seus olhos suplicaram.
—Eu estou aqui, não estou?— sorriu fraco.
—Fica comigo essa noite?
—Eu não vou a lugar nenhum, Tony. Acho que você precisa dormir.— disse acariciando os cabelos dele.
—Promete?— ele levantou o corpo para fitá-la
—Eu vou ficar aqui, mesmo que você durma, mesmo que a chuva cesse.— ela colocou as pernas sobre a cama deitou e ele se aconchegou com a cabeça no peito dela.
—Se eu tiver sorte, talvez amanhã você volte a gostar de mim.— ele sibilou antes de fechar os olhos.
—Eu não deixei de gostar de você.— sussurrou afagando os cabelos dele.
(...)
O domingo amanheceu ensolarado, Pepper saiu deixando Tony em sono profundo, não quis acordá-lo, ela não o havia abandonado, pelo contrário, saiu para providenciar algo para comerem. Dirigia calmamente, de volta para a mansão, gostava da privacidade da mansão, no entanto, ela era afastada de tudo e a estrada era quase deserta, ao passar por uma bifurcação notou algo estranho, parecia estar sendo seguida. Acelerou, e o carro atrás dela aumentou a velocidade também, então ela teve certeza. Era seguida. Acelerou na tentativa de fugir, achou estranho o carro não a coagir como na vez em que estava com Tony, ao fazer uma curva deparou-se com outros carros, então entendeu. Estava encurralada, não tinha para onde correr. Ligou o sistema Bluetooth para se comunicar com Jarvis.
—Jarvis?
—Srta Potts?
—Jarvis, apenas fique atento registre tudo o que acontecer daqui para frente.
Um homem com o rosto coberto desceu do carro que a seguia, andava na direção do carro dela, outro homem desceu do carro à frente. Ao chegarem ao lado do Audi empunharam armas, e então ela abriu a porta.
—Não é ele.— disse o mascarado.
—Ligue para o chefe.— disse o outro que também cobria o rosto, Pepper esboçou uma reação —Não se mova.— aproximou a arma coagindo-a.
—Chefe, é namorada dele.— disse o homem ao celular, falava com o mandante da emboscada, depois de algum tempo encerrou a ligação.—Acho que seremos recompensados, saia do carro.— Pepper não se mexeu.
—Ele disse, pra sair do carro— levou a mão ao rabo de cavalo dela puxando-o com violência.
—Vamos levá-la para a empresa?— o homem perguntou antes de pisar no celular dela, queria eliminar qualquer coisa que pudesse rastreá-la.
—Para o hangar.— respondeu —O chefe apressará a sua partida.
Notas finais
Até mais ;)
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