De Ontem Em Diante
29 A órbita do tempo
Notas iniciais
Pepper acordou e sentiu falta dos braços fortes dele a acolhendo. Olhou no relógio sobre o móvel, já passava das onze. Ainda estava com sono, mesmo assim, pensou em levantar, até ouvir o som do chuveiro. Sorriu com a lembrança da noite anterior e acabou cochilando.
Depois de um banho demorado, Tony vestiu uma camiseta de mangas longas e uma calça de moletom, ambas pretas. Olhou para a cama e Pepper repousava serena, estava de bruços, o lençol a cobria só até a cintura, não resistiu ao impulso de acordá-la. Subiu na cama e beijou-lhe as costas, afastou os cabelos ruivos para ter acesso ao pescoço.
—Hummm, serviço de despertador— ela murmurou ao sentir a barba dele roçar sua pele.
—Bom dia, dormiu bem?
—Como não dormia há meses.— abriu os olhos, mas continuou na mesma posição.
—Eu amo o seu cheiro.— disse roçando o nariz atrás da orelha dela.
—Seu cheiro em mim, você quer dizer.— sorriu —Preciso sair dessa cama, me recompor, mas preciso de roupas.— disse preguiçosamente.
—Pra que roupas? Estou tentado a tirar as minhas e entrar embaixo desse lençol com você.— corria uma mão sobre o corpo dela, causando arrepios.
—Se depender de você passamos o dia inteiro aqui, mas eu preciso levantar.— ela sentou e cobriu-se.
—Não só aqui, todos os cômodos da casa precisam saber que você voltou.— deu-lhe um sorriso sacana.
—Porque você é assim tão...?
—Pense bem antes de me chamar de pervertido, eu nunca ataquei ninguém no chuveiro.— ela cobriu o rosto com o travesseiro —Srta Potts, acho que você é pior do que eu. É tudo uma questão de controle.— passou a mão na coxa dela.
—É sério, Tony.— Pepper bateu nele com o travesseiro.
—Ainda tem roupas suas no closet, roupas íntimas principalmente, golpe baixo deixá-las, aliás.— ria do desconforto dela.
—Foi uma espécie de tortura. Fique com as minhas calcinhas, mas não comigo.— ela gracejou.
—Não duvido.— ele correu os dedos pelos cabelos ruivos —Ah, Pepper, você nunca me enganou.— disse maliciosamente —Ainda teve coragem de sugerir aquela história de celibato, só deu certo porque nós estávamos separados.
—Tony, para.— ela ficava cada vez mais sem graça, arrastou-se até a beira da cama e levantou enrolada ao lençol.
—Aonde você vai?— ele perguntou.
—Tomar banho.
—Quer companhia?— ela o olhou de cara feia —Vou parar de te aborrecer, tá?— se levantou, caminhou até ela e deu-lhe um beijo casto —Estarei na oficina, preciso analisar uma das armaduras, não tive cabeça pra isso ontem. Não demoro.— disse e sumiu pela porta do quarto.
Pepper seguiu para um banho relaxante, Tony havia deixado uma escova de dentes sobressalente junto a dele. Quando saiu do banheiro foi até o closet procurar algo o que vestir. Achou algumas peças de roupas esquecidas, mas optou por uma camiseta dele, que terminava caprichosamente na altura de suas coxas. Agradeceu pelo sistema de aquecimento da mansão, não era época para usar uma roupa como aquela.
Quando chegou ao andar de baixo, Tony estava na cozinha, foi ao encontro dele. Ele preparava uma bandeja de café, havia frutas, torradas, queijo branco, café e seu famoso suco de laranjas.
—Isso tudo é pra mim?— perguntou despertando a atenção dele.
—Essa camiseta é...— perdeu a fala ao vê-la usando a apenas a sua camiseta, uma das poucas que dava para ela usar daquela maneira, as pernas longas a mostra, pés descalços e cabelos ruivos em cachos caindo sobre um ombro.
—Sua.— ela disse —Se você ficar me mimando eu posso ficar insuportável.— referiu-se a bandeja de café.
—Eu aguento você, do contrário, não teria insistido tanto para você voltar.— ele disse —E aquele discurso anticamisetas de bandas de rock?— ela sorriu e deu de ombros —Sei o que você está fazendo, marcando o território, você é terrível, sabia?— aproximou-se dela.
—Só queria provocar você.— ela respondeu.
—Você é uma ciumenta incorrigível.— a pegou pela cintura —Não está com frio?— ela balançou a cabeça negativamente —Já que você desceu, comeremos aqui mesmo. E quero deixar claro que eu preparei o café.
Antes de sentar-se para desfrutar do café, ela vasculhou toda a cozinha. —De onde surgiu tanta comida? O que você fez com o meu namorado?— perguntou em tom de brincadeira e sentou-se ao lado dele.
—Dei uns puxões de orelha nele e disse: cresça, se ela não voltar você terá que aprender a virar-se sozinho.
—Eu voltei— ela sorriu.
—E eu cresci. Mas sem perder a essência.— observou.
—Que bom, eu nunca quis que você mudasse. Eu amo você, mesmo com esse seu jeito torto de ser.— acariciou o rosto dele e deu-lhe um beijo.
Após o café, conversavam sentados ao sofá, Pepper entre as pernas de Tony, encostada a ele —Aquele dia, no seu apartamento, ouvi você dizer algo sobre aulas de defesa pessoal?
—Fiz uma aula na academia que a Lauren frequentava, mas não gostei.
—Vamos retomar, eu darei aulas para você.
—Empresa, missões, aulas de defesa pessoal, que hora você pretende dormir?
—Eu dou conta.— beijou os cabelos dela.
—Nós dois, nos engalfinhando naquela academia?— ela o olhou sobre o ombro —Já sei como essas aulas vão terminar.— eles sorriram —Não há necessidade disso, Tony. Daqui a pouco você vai querer me enfiar numa daquelas armaduras.
—Se houver necessidade, não vou hesitar.— ele disse.
— Estamos indo tão bem. Não pira, por favor?
—Estou brincando.— respondeu.
Claro que ele não estava e ela sabia disso. Pepper escorregou o corpo sobre o sofá, ficando de lado, para poder envolver os braços nele —Tony, você acha que agora dará certo?— perguntou-lhe com os olhos azuis esperançosos.
—Só depende da gente, da minha parte tenho certeza— afirmou apertando os braços ao redor dela. —Nós já passamos por tanta coisa. Não há suco de morango, assistente maluco, concorrente megalomaníaco e ex-noivo apaixonado que nos separe se nós não deixarmos.
—Nem a obsessão por controle e o ciúme de Anthony Stark.— ela provocou.
—Nem as inseguranças e as reticências de Virginia Potts— ele rebateu —No começo eu tive medo do que sentia por você, sabia?
—Medo de me amar?— questionou surpresa.
—Medo do desconhecido, Pep.— ele respondeu —Na nossa primeira manhã, quando você disse que não havia significado nada, eu simplesmente não pude te deixar ir, não sabia se o que eu sentia era amor, mas sabia que era algo diferente.
—Eu sempre soube que amava você.— ela afirmou.
—Mas você já sabia como era se apaixonar. Eu sempre fugi disso, e você me mostrou como é amar, ser apaixonado por alguém.— disse apoiando o queixo na cabeça dela.
Pepper levantou a cabeça e seu olhar encontrou o dele —Sempre evitei perguntar isso, mas, por que eu?— ele suspirou pesadamente, sabia que um dia ela faria essa pergunta, esperava usar as palavras certas para respondê-la, e então ela continuou —Quer dizer, você podia ter qualquer mulher e me escolheu...
—É diferente, Pep— ele a interrompeu —Eu nunca quis dividir os meus dias com qualquer mulher, talvez por isso nunca deixei que elas acordassem ao meu lado. E você podia estar com um homem melhor que eu, com menos defeitos que eu, com uma personalidade melhor do que a minha, mas você me escolheu, Pep. Eu fui o escolhido, só fiz por merecer você.
—Acho que nos fizemos por merecer um ao outro.— ela o beijou.
—E respondendo a sua pergunta, você é linda, inteligente, sensível, forte, bem humorada, e muito sexy, você não acha que é, isso te faz sexy— ela corou —Você tem esse jeito doce, mas detesta ser subestimada. Quando se zanga é ardida feito pimenta, e então você se impõe, e eu gosto disso. Há cumplicidade entre nós, Pep, amizade, desejo e o sexo é...ótimo.
—Demorou pra chegar à perversão.— ela revirou os olhos.
—Estou apenas respondendo a sua pergunta— ele riu —Você nunca me olhou como Tony Stark, milionário, intocável e excêntrico, você me vê como uma pessoa normal.
—Porque você é uma pessoa normal.
—Antes de você, só o Rhodes me via assim, me dava broncas, puxava a minha orelha e me trazia para a realidade. Só que eu nunca cogitei me envolver romanticamente com o Rhodey, claro.— ele ironizou.
—Você é um bobo.— ela segurou o queixo dele e o beijou.
—Você me vê, Pep, além da minha aparência e conta bancária, você vê através de mim. E todas as vezes que você parecia me escapar eu percebia mais e mais como estava ligado a você. Então parei de sentir medo de amar e comecei a sentir medo de perder.
—Você jamais me perderia.— ela assegurou.
—Isso não me impedia de ter medo. E então desencadearam uma série de situações, teve a reação alérgica, o acidente de carro, você tendo que ficar sozinha em Nova York. Mas na noite em que eu tive que te convencer que não te amava foi quando eu mais sofri, porque poderia ser definitivo. Eu achava que te manter longe te protege, mas só eu sei o quanto fico perdido longe de você...
—Tony...— ela o interrompeu —Tanta coisa aconteceu, a gente aconteceu, estamos juntos agora, o resto é passado. E nós continuaremos acontecendo, vamos começar de novo, de hoje em diante— ela afirmou.
—De ontem. Desde a hora em que você voltou.
—De ontem em diante.— ela sorriu, foi à outra extremidade do sofá e vasculhou a sua bolsa até encontrar a pulseira, voltou para junto dele —Coloque novamente no meu pulso, mas não quero que você fique me rastreando através dela.
—Eu não...
—Você sim, eu sei que sim, é a sua cara fazer isso. Eu. Não. Quero.— disse firmemente.
—Não consigo mentir pra você, já percebeu? Mas, em minha defesa devo dizer que tentei te rastrear uma vez e não consegui, por que pulseira havia rompido.
—Tecnologia Stark.— ela ironizou.
—Engraçadinha.— ele a beijou após fechar a pulseira —Não se preocupe não vou colocar nada além do pingente que falta.
—Já que estamos contando as coisas...— ela voltou para os braços dele —Qual foi a promessa que você fez à Lauren?
—Prometi que ela seria a madrinha do nosso casamento...e do nosso filho.— disse com naturalidade.
Pepper ficou tensa e levantou-se —Ela sugeriu isso, claro.— ele balançou a cabeça concordando —E você aceitou?
—Exatamente.
—Desculpa, meu amor, mas eu não terei um filho com você.
—Por que não?— mostrou-se ofendido.
—Você traumatizaria a criança, imagina? ‘Filho, papai não pode mais ser seu pai, porque você corre perigo por ser meu filho’, e um tempo depois você quer ser pai de novo.— provocou enquanto ele a encarava com o olhar semicerrado —Estou brincando, meu amor— ela sentou no colo dele —Acho que você seria um pai amorosamente paranoico. Só que esse é um assunto para não ser discutido agora, precisa ser planejado, como aquele da noite passada.—deixou claro.
—Até agora, eu respondi tudo o que você me perguntou. E você, não tem nada para me contar?— mostrou-se desconfiado.
—Embarco para Roma no próximo sábado.— sorriu sem graça.
—O que você vai fazer em Roma? Você disse que não mudaria de cidade.— mostrou-se inquieto.
—Ei,...calma, lembra que eu tinha falado que tiraria férias? E o jornal deu uns dias para a Lauren se adaptar à cidade, então ela não tem nenhum trabalho, e...
—Eu vou à Itália com você.— ele a cortou —Nós estamos separados há dois meses, Pep.
—A culpa não é minha de nós estarmos separados. E você não pode viajar comigo, foi uma coisa acertada independente de você.
—Se eu não abrir o olho essa sua amiga te rouba de mim.— ele fechou a cara.
—Meu Deus, que ciumento.— ela apertou as bochechas dele —Você não corre esse risco, ninguém me rouba de você. Ficaremos uma semana separados, o que é isso perto de meses?
—Ela podia ter se acertado com o Rhodey, já pensou?
—A minha melhor amiga, e o seu melhor amigo. Estamos no colégio?— ela ironizou —Poderia ter dado certo, mas agora é improvável, o Rhodes aqui metido nessa burocracia da transferência das Indústrias Hammer para as forças armadas e a Lauren em Roma, deixe como está.
—Tive uma ideia. Você fica em Roma uma semana, depois viaja para Veneza.
—O que raios eu farei em Veneza, Tony?
—Eu estarei em Veneza esperando por você.— ele sorriu —Já pensou, fim de ano em Veneza, só nós?
—Gosto dessa ideia.— ela mordeu o lábio inferior —Mas e as suas obrigações?
—Deixo o mundo nas mãos de outros heróis e o Gilmore no comando da empresa.— ele disse —Quanto aos programas de hoje, podemos sair pra almoçar fora, o que acha?
—Preciso passar em casa, não posso almoçar com mesma roupa que jantei ontem.
—Passamos no seu apartamento, você troca de roupa e faz as malas.
—Malas pra quê?
—Acha mesmo que eu dormirei sozinho? Você precisa trazer as suas coisas de volta, aqui é a sua casa eu nunca devia ter te deixado ir embora.— ele entrelaça seus dedos aos dela.
—Tony, estamos no meio de dezembro e eu queria saber se...
—Se...?
—Em janeiro eu posso voltar para a empresa?— envolveu os braços ao pescoço dele.
—Claro, que pode. Quer ganhar um aumento também?— ele brincou.
—Adicional de insalubridade talvez.— ela piscou.
—Só estava esperando você pedir para voltar— os olhos dele brilharam —Aquele lugar é seu, meu amor. Seu cargo é vitalício na empresa e na minha vida.
—Eu pretendo viver muito.— sussurrou ao ouvido dele.
Tony a olha fixamente, ela está realmente de volta, ali diante dele, fazendo planos. Acaricia o rosto dela com as mãos, Pepper retribui o olhar apaixonado dele. Não dizem nada, não precisa. Então ele a beija docemente, uma reafirmação de tudo o que sentem, tudo o que não morreu apesar dos obstáculos.
(...)
Nova York — Um ano e quatro meses depois
É mês de abril, primavera em Nova York, faz calor, e os raios de sol invadem a sala da Torre Stark através da grande vidraça que vai do chão ao teto do ambiente.
—Eu não consigo parar de olhar pra ela, olha como ela é linda, Tony.— Pepper dizia com voz doce. Tony nunca a vira assim, mas seria ridículo ter ciúme de um bebê.
—É só um bebê, Pep. Eles têm sempre a mesma cara. Para de ficar babando na tela desse tablet, a sua amiga precisa para de mandar fotos dessa criança, com um mês ela não faz nem pose, só troca de roupa.— disse emburrado.
—O nome dela é Emma, ela é nossa afilhada.— Pepper ralhou.
—Irônico, né? Lauren me deu uma afilhada e eu ainda devo um a ela. Aliás, ela foi muito rápida. Aquele italiano a pegou de jeito.— ele brincou.
—Eu sabia que quando ela encontrasse alguém seria assim, é isso o que acontece com quem foge de relacionamentos. Quando se dão conta estão amarrados.— provocou.
—Eu não estou amarrado a ninguém.— impaciente caminhou até o bar e serviu-se de uma dose de uísque.
—É modo de dizer, Tony.— colocou o aparelho sobre a mesa e foi até ele. —E quanto ao que você prometeu a ela, um dia cumpriremos, mas o nosso último ano não foi fácil. Os últimos meses têm sido corridos, afinal, nós moramos em Nova York e não num vinhedo na Toscana.
—Eu não me importo em demorar pra cumprir uma das promessas, com tanto que nós nunca paremos de treinar para um dia...— ele sorveu um gole de uísque.
—Nunca. Vamos treinar muito.— beijou-lhe o canto da boca e se afastava quando ele a puxou de volta, e colocou-a sentada sobre o balcão do bar —Tony!— protestou.
Tony correu as mãos nas coxas dela, expostas devido ao curto short jeans, e enviou-lhe um sorriso lascivo. Os olhos de Pepper brilharam com o calor repentino do toque inesperado, então ele a beijou avidamente, ela pôde sentir o gosto dos resíduos de uísque nos lábios dele. Tony a colocou no chão e se afastou dela, Pepper encostou-se a bancada, ficaram em silêncio, havia uma energia pairando no ar eles só se olhavam, então ela trouxe os lábios dele nos dela outra vez. O beijo foi ficando cada vez mais ardente, as mãos deles vagavam pelo corpo um do outro, esquentando cada pedaço de pele em que tocavam.
—Pep?— murmurou contra a boca dela.
—Humm?
—Nós estávamos trabalhando, lembra?— ele se afastou ofegante.
—Você nunca se importou com isso, Tony. Aproveite o momento.— ela o puxou, mas ele se esquivou, odiava quando ele exercia seu autocontrole.
—Nós temos muito o que fazer até à noite, você perdeu o foco vendo fotos e agora...
—Foi você quem começou eu só continuei.— ela defendeu-se.
—Depois a gente compensa isso.— ele disse —Quer uma dose de uísque pra relaxar?— ela fez uma careta —Não? Eu vou precisar de uma.— ele virou o restante de uísque do copo de uma vez. —Vem, vamos trabalhar.— puxou-a pela mão —Trabalhar.— ele frisou.
Horas depois, Tony está no fundo da baia de Manhattan, ativando o gerador de energia do Reator Arc. Após tudo pronto ele emerge em sua armadura, em poucos segundos rasga o céu de Nova York, faz uma bela noite estrelada e ele voa de volta à Torre Stark.
—Está tudo certo, agora é por sua conta.— ele diz.
—Desconectou a transmissão? Estamos autossuficientes?— Pepper pergunta ao aparecer diante dos olhos dele através do comunicador do capacete.
—A Torre Stark está prestes a se tornar a maior fonte de energia autossustentável.— ele afirma.
—Bem, você está afirmando que o Reator Arc realmente funcionará?
—Eu asseguro. Ligue agora.— ele diz.
Na Torre Pepper ativa a transmissão de energia do reator, do céu de Nova York, Tony vê a Torre Stark iluminar e seu nome ficar em evidência entre tantos outros arranha-céus.
—Como está?— ela pergunta.
—Como no natal, mas com um toque especial meu.— ele responde.
—Precisamos ampliar as campanhas de conscientização, a divulgação precisa ser extensa. Amanhã irei a Washington ver como andam os outros prédios...
—Pepper, você está acabando comigo. Chatice. Aproveite o momento, lembra?
—Ah, vem pra cá pra eu aproveitar.— ela diz.
Tony pousa na plataforma especialmente projetada para que ele remova a armadura.
—Sr, o agente Coulson da SHIELD está na linha.— informa a voz robótica de Jarvis.
—Diga que eu não estou, aliás, estou fora.— Tony diz.
—Ele insiste, Sr.
—Sem estresse, Jarvis. Eu tenho um encontro.— ele diz ao adentrar a sala.
—Os níveis estão estáveis, eu acho.— Pepper diz e morde o lábio, analisando a tela projetada a sua frente.
—Claro que estão.— Tony afirma —O que me leva a seguinte pergunta: Como é ser um gênio?— ele caminha na direção dela.
—Sei lá, Tony. Como eu poderia saber?— ela vira para ele e apoia as mãos à mesa.
—Como assim? Tudo isso veio de você.— ele diz.
—Não. Tudo isso veio disso.— Pepper leva o dedo indicador ao reator no peito dele.
—Dê algum crédito a si mesma, por favor. A Torre Stark é o seu bebê. Fique com 12% do crédito.
—12%?— ela franze o cenho.
—Podemos discutir 15.— ele diz.
—12% do meu projeto?— ela caminha em direção à mesa de centro.
—Bem, eu fiz todo o trabalho pesado, literalmente.— ele vai atrás dela.
—Porque você soldou uns fios?— ele pergunta ajoelhando-se sobre as almofadas ao redor da mesa.
—Desculpa, mas a falha na segurança foi culpa sua— ele faz o mesmo —Meu elevador particular ficou cheio de operários suados.
—Quer dizer o nosso elevador?— ela tira uma garrafa de champanhe do balde com gelo sobre a mesa.
—Que seja.— ele diz —Eu pagarei pelo comentário dos 12% de uma maneira sutil— ele corre os dedos pelo rosto dela.
Pepper enche uma taça com champanhe e entrega para ele —Não vai ser tão sutil.— ela pende a cabeça para um lado.
—Prometo que no próximo prédio estará escrito Potts na torre.— ele diz enquanto ela serve-se de champanhe.
—Na escritura.— ela sorri e toca a sua taça com a dele.
—Na escritura só se for Potts Stark.— ele rebate.
—Isso por acaso não é outro pedido de casamento feito por impulso, é?— ela arqueia uma sobrancelha.
—Na-não!— ele se esquiva.
—Hum, imaginei.— ela sorri —Porque se você pretende me pedir em casamento, por favor, tenha um anel em mãos.
—Me lembrarei disso.— ele diz.
—Sr, telefone.— Jarvis interrompe —Receio que os meus protocolos estejam sendo controlados.
—Sr. Stark, precisamos conversar.— diz a voz do agente Coulson no celular de Tony.
—Aqui fala o modelo artificial Tony Stark, deixe mensagem.— Tony ironiza ao pegar o aparelho, Pepper se deixar rir da situação.
—É urgente.— rebate o agente.
—Deixe uma mensagem urgente...— Tony é surpreendido pela entrada do agente em sua sala —Falha de segurança!— levanta-se e caminha na direção do homem.
—Sr Stark?
—Phil?! Entre!— Pepper diz animada.
—Phil?— Tony murmura desconfortável.
—Não posso ficar.— responde o agente.
—O primeiro nome dele é Agente.— diz Tony.
—Entre.— Pepper se levanta e caminha na direção dos homens —Estamos comemorando.
—É por isso que ele não pode ficar.— Tony diz num meio sorriso.
—Precisa dar uma olhada nisso.— o agente direciona um aparelho eletrônico para Tony.
—Não gosto que me entreguem coisas.— ele diz sem largar a sua taça de champanhe.
—Tudo bem.— Pepper entrega a sua taça ao agente e pega o aparelho —Eu adoro receber coisas, vamos trocar— ele pega a taça de Tony e dá o dispositivo a ele.
—Oficialmente o horário de consulta é das 8h às 17h às quintas-feiras.— Tony diz caminhando para a mesa de projetos.
—É sobre os Vingadores?— Pepper pergunta e o agente a olha cismado —Eu não sei nada sobre isso.— ela desconversa.
—Achei que a Iniciativa Vingadores havia ido para o lixo e eu nem era qualificado.— Tony disse abrindo o arquivo que Coulson trouxera.
—Eu não sabia disso também.— disse Pepper.
—Aparentemente, eu sou volátil, egocêntrico e não sei trabalhar em equipe.
—Isso eu sempre soube.— ela diz.
—Não é mais sobre personalidade.— diz o agente.
—Tanto faz.— ele desdenha —Srta Potts, venha até aqui?
—Só um segundo.— Pepper deixa o agente parado na entrada e vai ao encontro de Tony.
—Pensei que nós fossemos aproveitar o momento?— Tony diz a ela.
—Só 12% do momento.— ela replica —Isso parece sério, Phil está nervoso.—ela olha para o agente.
—Que história é essa de Phil?— pergunta enciumado.
—O que é isso?— ela pergunta.
—Isso é...isso.— ele abre diante dela uma tela onde aparece imagens de diversos heróis em combate, Pepper observa assustada.
—Vou pegar o jato para Washington hoje.— ela diz.
—Amanhã?
—Você tem lição de casa pra fazer. Dará muito trabalho, muito mesmo.— Pepper diz.
—E se eu não tivesse?— ele pergunta.
—Você quer dizer, quando estiver terminado?— dispara um sorriso sacana —Bem...aí...nós— ela se aproxima do ouvido dele —Compensaremos o tempo, aproveitando 100% do momento, você ainda me deve por hoje de manhã.— ela sussurra. Tony arregala os olhos, ao longe o agente parece desconfortável.
—Fechado. Boa Viagem.— Tony diz.
—Bom trabalho, volte inteiro.— ela diz e então o beija —Você vai passar por LaGuardia?— Pepper pergunta caminhando na direção do agente.
—Posso te dar uma carona até lá.— diz o agente.
—Que ótimo, me dê um tempinho para trocar de roupa e calçar sapatos.— diz Pepper.
Não demora, Tony está sozinho analisando o material trazido por Coulson, depois de um ano tranquilo, na medida do possível, uma missão envolvendo ‘Os Vingadores’. Ele não tem a menor ideia do que esperar.
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