Como pode o mundo ser tanto...

Sendo mais do que pode supor a mente;

Enganar tanto aquele que se supõe inteligente,

E quando tudo parece tão certo, evocar o espanto;

Quando o inesperado põe em xeque as verdades da gente.

Mas antes de ser ideia, pensamento;

Antes de ser sociedade, regras, conceitos e valores;

Antes de ser palco da existência humana e seus atores,

O mundo é toda a vida do momento,

É o todo sentido — sons, perfumes, sabores...

O mundo é terra que vive em movimento, é elemental.

É o ar que nos faz vivos e inspira toda poesia

Que se pretende viva como o calor que irradia

Da chama da alma que anima todo o real,

Que mesmo quando imerso nas águas do lago tão abissal

Faz na escuridão caótica a mais bela harmonia.

Assim também somos nós;

Um mundo inteiro dentro de um corpo animal,

Cujas vísceras fazem vivos os desejos do imaterial

Que compõe a alma humana:

Coisa que nos é desconhecida,

Pois a mente é deveras insana

Ao tentar tornar tudo de seu tamanho,

Como se tudo pudesse conhecer.

Mas o que realmente devemos saber

É que o mundo é muito mais estranho

Do que se pode conceber.