Silêncio, o que falas tu?

És vazio deveras temido

Pelo homem tão perdido

Que teme se ver nu.

Um minuto silencioso,

Não menos falado

Do que nosso discurso mascarado,

Mas mais perigoso.

Perigoso porque nos oferece desilusão;

Ameaça fazer miragem

De tudo que pensamos ser imagem

Real, quando não passa de ficção.

O silêncio é como a água:

Constitui a maior parte de nosso ser

E flui sem fazer alarde, renovando e fazendo crescer

O homem que não guarda mágoa.

Silêncio encerra espaço e tempo

E nos acorda para o sentido

Não significado, mas plenamente vivido

Como a vida o pretende ser,

Já que aquilo que pelo homem é construído -

Como por exemplo o tempo -

Jamais nos dará a paz do agora:

O eterno momento

No qual a vida realiza seu movimento.