Caminhando pela rua

Vejo tantas vidas

Desprovidas

Cada uma na sua.

São todos iguais

E tão diferentes

São indiferentes

Aos atos não tribais.

Não enxergam a beleza

Da diversidade

Vivem com a certeza

De que pertencem à verdade.

Mas na verdade

Nem se pertencem

E nem parecem

Estar à vontade.

Cabelos pintados

Sonhos frustrados

A cor não disfarça

A dor e a desgraça.

Drogas pra viajar

Mas não pode fugir

Tem mesmo é que aceitar

Que aqui é seu lugar.

Foda-se o mundo

Diz o imundo

Acha que não se importa

E desse modo se comporta.

Você não é inédito

É um entre tantos

Tolos e santos

Que pagam no crédito.

Paga pra ser exclusivo

Paga de descolado

Descola um baseado

E se diz depressivo.

Deprimente

Fábrica de dementes

Sociedade mentirosa

Vida vergonhosa.

Vergonha para aparecer

Vejam, não quero que me vejam

Não importa o que quero ser

Desde que vocês também sejam.

Não seja diferente, então será

Não queira o que eles querem, então terá

Não lute como eles, então vencerá

Não viva como eles, então viverá.