Era um anjo, tão obediente,

Não bebia, não fumava, era exemplar.

A única coisa que queria era estudar.

Ela ainda era Luci, doce Luci.

Tão doce quando criança,

Tudo era tão belo até os catorze.

Até o padre nela fazer a mudança.

Ela ainda era Luci, doce Luci.

Antes de conhecer o pecado,

Achava que devia se confessar, pobre Luci,

Foi punida sem ter errado.

Ela ainda era Luci, doce Luci.

Foi naquela pequena igreja,

A doce, tão doce Luci foi estuprada.

Deus a deixou abandonada.

Ela ainda era Luci, doce Luci?

A doce Luci já não era mais tão doce,

Encontrou a salvação em forma de heroína,

A doce Luci já não era mais Luci.

Aos dezesseis, grávida e viciada,

Luci se viu dominada pela violência,

Luci perdeu a lucidez.

Luci já não era mais Luci.

Luci se vendia pra sustentar o filho,

Enquanto o padre era beatificado,

Luci quis deixar o seu recado.

Luci já não era mais Luci.

De súbito, a doce Luci foi até a igreja,

E com a bênção de Deus, atirou,

E o santo padre gritou.

Luci já não era mais Luci.

Luci descobriu que sempre foi Lúcifer!