De Coração

14 Perfeita Combustão


Notas iniciais
Olááá, lindíssimos! Como estão vocês nesta semana corrida de outubro? JÁ estamos em outubro, dá para acreditar? Tô chocadíssima com a rapidez em que este ano passou, gente! :,x Deve ser porque ele foi carregado de feriados, aí passou rápido. Sdds, sdds. ANYWAY, aqui estou eu com mais um capítulo! AVISO IMPORTANTÍSSIMO: tem lemon! Siiiim, altas limonadas neste capítulo, estejam espertos, hahahah! Espero de verdade ter escrito algo legal, já que (se surpreendam) é a primeira vez que eu escrevo um lemon, HAHAHA! Então, podem ser sinceros, digam o que está de errado, o que pode melhorar, etc. Irei aceitar com todo o amor do universo, certo? Certo! :3 Quero agradecer a todos os LINDOOOS comentários que recebi capítulo passado, SEI que demorei milênios para responder, e JURO que nunca mais farei isso! ~estica o mindinho para prometer/ o.k.? Perdoem-me qualquer errinho, espero que gostem! Boa leitura!

Após um tempo sendo considerado como um “integrante” da pequena, porém aconchegante, família Thomas, Lucas Rodrigues descobriu um novo passatempo: sentar-se a uma mesa e observar Nicholas e Antony Thomas assistirem a uma série de TV.

A grade de séries que os louros assistiam era bem ampla: assistiam qualquer coisa envolvendo morte, suspense, sangue, muita emoção e personagens bem característicos.

Eram oito da noite e os dois estavam lá, os olhos grudados na televisão, bem confortáveis no sofá, assistindo CSI: Miami como se suas vidas dependessem daquilo. Lucas estava na cozinha, bem em frente aos dois, encarando-os com um sorriso pateta no rosto.

Aquela semana, para o míope, estava sendo um porre. Seu emprego não estava dando mole, recheado de gente burra que o tratava como o deus da Contabilidade só pelo coitado conseguir bater balanços com perfeição. E, justamente por ser tão bom, tinha trabalho dobrado. Só continuava lá porque seu salário também havia dobrado, e como as coisas não andavam fáceis, ele tinha de ralar.

Kale e Kai estavam num nhénhénhém açucarado que estava matando-o de diabetes aos poucos. Kale parecia um trouxa abestalhado, andando pela casa com o telefone grudado na cara, esbarrando em coisas e rindo sozinho, parecendo estar três mil vezes mais feliz. Era um completo babaca apaixonado, e Lucas simplesmente não conseguia entender como os dois não percebiam isso.

Na realidade, era ridículo como os dois simplesmente não percebiam que nutriam um sentimento mútuo. Mas aquele tipo de relacionamento demandava teorias acerca de idiotas e ingênuos, coisa na qual Lucas não tinha tempo. Exatamente por esses motivos, o míope teve de sair daquele lugar antes que ficasse realmente doente.

E lá estava ele, calculando os prejuízos e lucros da empresa naquele mês, consultando a pesquisa quantitativa que Lisliel, uma das contadoras mais úteis dentro daquele lugar mequetrefe, havia feito. Somou algumas porcentagens, ouvindo aos fundos Nicholas gritando para algum personagem burro ir para fora de casa, não subir as escadas.

No fim das contas, as despesas foram inferiores. O lucro havia aumentado em dois por cento, o que já garantiria um novo ar condicionado ao departamento de finanças.

Suspirou, exausto, esfregando os olhos sob os óculos de lente quadrada. Os retirou para apenas limpá-los, começando a arrumar a bagunça de papelada que estava sobre a mesa. Guardou tudo em uma pasta com divisórias, suspirando novamente.

– Lucas! — Nicholas chamou-o de repente, sorrindo. — Vem aqui com a gente!

Lucas sorriu, caminhando lentamente até os dois, vendo-os abrirem um espaço grande o suficiente no sofá para que se encaixasse.

– Ah, Nick, eu vou aceitar. Tô tão cansado… — Admitiu, jogando-se entre os dois, não demorando nada para que fosse envolvido pelo abraço de Antony e para que Nick deitasse sobre seu colo.

– Sabemos que está. Só você mesmo para ficar trabalhando até tarde numa sexta… — Antony afagou seus cabelos negros, fazendo-o apoiar a testa em sua clavícula.

– Sim, Lu, você precisa ficar bem para quando sairmos amanhã… — Nick começou dizendo, mas logo se reprimiu quando Antony lhe lançou um olhar cortante. — Ah, não, Tony, você vai deixar, não vai?!

– Não, não vou, Nicholas. A gente já conversou sobre isso, não conversamos? Você não vai. E outra, você combinou com o Leo que iria amanhã na casa dele.

– Não tem problema se eu for no domingo, Ant… Por favor, me deixa ir também! — Implorou, subindo em Lucas e envolvendo-o pelo pescoço.

– Não, Nick! Ponto final! — Antony cortou o assunto de uma vez, ignorando os resmungos de Nicholas, que acabou por ir tomar banho batendo o pé, mal humorado.

– Vamos sair amanhã? — Lucas decidiu perguntar quando a situação se suavizou, não querendo interferir em assuntos familiares.

– Sim, vamos — Antony confirmou com um sorriso. — Abriu um restaurante mexicano na orla da praia, acho que chama Señor Taco. Dizem que lá é muito bom.

– Nunca comi um taco — Lucas admitiu, bocejando, ouvindo a exclamação surpresa de Antony.

– Como não?! — Olhou-o com singela surpresa, sorrindo quando percebeu que ele estava despencando de sono. — Pois bem, amanhã você irá comer. E, vem, Lucas, cê tá morrendo de sono. — Puxou-o para cima, vendo-o simplesmente andar até o cômodo ao lado e se jogar na cama, como se estivesse no ‘modo automático’. — Hey, hey, pelo menos tire o tênis — aconselhou-o, desamarrando os sapatos de Lucas e empurrando-o para o lado, a fim de posicioná-lo no centro da cama. Riu quando viu seus óculos despencando. — E tire os óculos, seu doido — parecia um pai preocupado, retirando os óculos do míope e colocando-os sobre a cômoda.

Antony deitou no colchão, bem ao lado de Lucas, observando todas suas ações enquanto sonolento, os olhos já fechados e a respiração ficando ritmadamente lenta, como se ansiasse profundamente por uma boa noite de sono.

Ouviu quando Nicholas despediu-se para ir dormir, já limpo e de dentes escovados, apagando todas as luzes do apartamento.

E, como quem não queria nada, acabou aconchegando-se ao lado de Lucas, ansiando dormir ao lado dele.

***

Se tinha uma coisa no mundo que Lucas realmente adorava, era cafuné. O que pode ser melhor que uma pessoa lhe fazendo carinho na cabeça?

Nada, certo?

Para seu deleite, foi dessa forma que foi acordado: com um delicioso cafuné na altura das orelhas, aqueles dedos divinos invadindo seus cabelos cor de ébano, uma massagem realmente maravilhosa no couro cabeludo.

Gemeu, bocejando, virando-se automaticamente de encontro ao responsável por aquele carinho, abrindo um olho de cada vez bem devagarinho.

– Bom dia — Antony Thomas lhe desejou, bem baixinho.

– Hm, bom dia... — Lucas respondeu, a voz rouca e arrastada de sono. Olhou para baixo, vendo o surfista vestido com uma bermuda azul marinho e uma regata cavada, molhada de suor. — Por acaso você foi correr? — Indagou, percebendo seus fios louros úmidos.

– Como em todas as manhãs — respondeu, prático, levantando-se da cama. — Tá um dia lindo hoje — conversou, enganchado os dedos sob sua regata, retirando-a num só solavanco. — Puta que pariu, Lucas, que calor! Dizem que hoje à noite vai ser registrada a temperatura mais alta do mês! — Exclamou como se estivesse horrorizado. — Trinta e três graus, Lucas! Trinta e três malditos graus!

O míope apenas sorriu, completamente acostumado àquele calorão. Até gostava, na realidade, mesmo que necessitasse de vestes mais leves — coisa que odiava vestir. Sentou-se na cama devagarinho, coçando a cabeça enquanto observava, ainda sonolento, o cômodo inundado de luminosidade.

Observou enquanto Antony caçava dentro de seu guarda-roupa uma veste apropriada para vestir. A imagem do surfista estava um pouco desfocada e borrada por conta de seu problema de visão, mas nada que o impedisse de reparar na enorme tatuagem tribal que recheava desde sua clavícula até um pequeno pedaço de seu cotovelo. Levantou-se, aproximando-se e acariciando a pele pintada, observando melhor as linhas difusas que foram registradas ali.

– O que significam? — Perguntou baixinho, ainda contemplando um pedaço dos desenhos.

– O que acha que significam? — Desconversou, talvez curioso para saber o que Lucas pensava a respeito.

– Hã… Não sei. Ou talvez você fez apenas pela estética? — Indagou, tocando uma espiral no ombro do surfista.

Antony sorriu, virando-se para o míope, que se esforçava para desvendar o significado da tatuagem.

Isso aqui significa exatamente o que pode parecer: caos. Desordem. Ela marcou um período da minha vida onde tudo o que eu vivia pareceu significar nada. Absolutamente tudo parecia incorreto, e eu me vi numa situação onde não podia recorrer a ninguém exceto eu mesmo. Ela marcou a fase da minha vida onde o meu caráter mais se solidificou, Lucas. Mesmo com tudo dando errado, eu consegui superar… — E suspirou, acariciando sua pele pintada. — Nada mais digno que marcar em mim mesmo o período que mais me ajudou a evoluir, não?

Lucas anuiu, parecendo ser absorvido pelas infinitas voltas, traços e linhas que marcavam a pele bronzeada de Antony.

– Tony, vamos? — Acordou com a voz de Nicholas, que estava parado na porta, vestindo um boné e mochila. — Bom dia, Lucas!

O míope sorriu docemente, o rosto ainda marcado de sono.

– Bom dia, Nick.

– Você parece cansado. Eu fiz suco de maracajú pra você…

Maracujá, Nicholas — Antony corrigiou-o enquanto vestia uma camiseta listrada. — Ma-ra-cu-já.

– Ah, é! Eu sempre confundo com caju! — E deu um tapinha em sua testa, como se estivesse recriminando a si mesmo. — Mas, vamos?

– Vamos, vamos… — Antony suspirou, dando um passo para frente. — Eu já volto, Lucas. Vou levá-lo até a casa do Leo, pode ficar à vontade para comer o que quiser.

– Ah, o.k., obrigado — agradeceu, tímido, torcendo os dedos ao encarar Nicholas. — E bom proveito, Nick. Obrigado mesmo pelo suco — odiava receber agrados de outras pessoas que não tinha tanta intimidade.

Nick apenas sorriu, despedindo-se dele com um breve aceno, provavelmente feliz por ir visitar um amigo e passar o fim de semana lá, mesmo que quisesse sair com os dois àquela noite.

Dali a cinco minutos, Lucas viu-se sozinho no apartamento. Andou até a cozinha, podendo ver a garrafa de suco sobre a mesa, ao lado de uma travessa com o pudim fatiado, gelatina e pãozinhos integrais com geléia ou manteiga à esquerda.

Sentou-se à mesa, cortando uma fatia pequena de pudim e despejando o suco em seu copo. Enquanto comia, ligou seu celular, tomando um susto quando o aparelho começou a apitar loucamente com o recebimento de mensagens.

Todas eram de Kale. Revirou os olhos, começando a lê-las com monotonia.

"lucas, porra, eu tô muito fodido."

"dsclp se eu estiver atrapalhando vc e o antony"

"pqp, vcs tão transando?"

"usa camisinha, na moral"

"mano"

"eu acho q o Kai é hétero"

Lucas começou a gargalhar sozinho a partir daquela mensagem.

"eu n sei pq, mas ontem a gente tocou no assunto 'relacionamento' e ele ficou meio amargurado, pq ele já foi apaixonado por uma garota antes.

"ela n quis ele pq ele é cego"

"imagina a minha cara, mano. qse pedi o nome da vagabunda pra dar um pau nela"

Lucas riu de novo, pegando o celular na mão para começar a digitar.

"Você pensando que o Kai é hétero me fez rir bastante, obrigado. Você acha MESMO que depois de toda essa diabetes de vocês dois, há a mínima possibilidade dele NÃO gostar de você? Talvez ele não tenha percebido ainda, só isso. Mas seja paciente, vai ser um choque colossal pra ele quando descobrir."

Kale não havia visto ainda a mensagem quando Antony retornou. O surfista colocou a chave da casa num pote ao lado da porta, aproximando-se de Lucas e lhe dando um selo gélido, pois havia tomado sorvete com Nicholas no caminho até a casa do Leo.

– É como se ele estivesse enjaulado — contou a Lucas, pegando um cacho de uvas verdes e comendo-o uma a uma, os antebraços apoiados na mesa, perdido em pensamentos. — Ele não pode nem ao menos usar o que bem entender na própria casa. O pai é do tipo preconceituoso — e revirou os olhos, entediado. — Se ele souber que eu sou gay, provavelmente nunca mais vai deixar o Nick pisar na casa dele.

Lucas sentiu um formigamento na base do estômago ao ouvir aquela confissão vindo dele. Obviamente sabia que Tony era gay, afinal nenhum ser hétero o agarraria tão apaixonadamente como Antony havia o agarrado. Mas, de qualquer forma, sentia-se estranho quando ele admitia tão diretamente aquilo — era surreal demais.

– É difícil acreditar que ainda existam pessoas assim — Lucas decidiu se pronunciar, molhando a garganta com um pouquinho de suco. — Você sabe, quando sua própria família te aceita muito bem, é bizarro. É como se o Leo vivesse numa dimensão diferente.

Antony anuiu, parecendo incomodado com o assunto. Silenciosa e rapidamente, recolheu tudo o que estava na mesa, perguntando antes a Lucas se ele iria comer mais alguma coisa, recebendo uma resposta negativa.

Lucas escovou os dentes, vendo o surfista se jogar no sofá e ligar a TV. Sentou-se ao seu lado, pegando seu celular quando o ouviu apitar. Era, novamente, Kale.

“eu sou o cara mais paciente do mundo, Lucas. mas, enfim, n era isso o que eu iria falar”

“a vagabunda que o Kai já gostou apareceu hj na lanchonete, quando eu tava conversando cm ele”

“vc não vai acreditar no que ela fez”

Lucas inspirou fundo, sentindo-se ansioso para saber o que aconteceu em seguida. Aquele ‘Kale está digitando’ o matava profundamente. Acomodou-se melhor ao lado de Antony, a tensão daquela conversa repentinamente pegando-o desprevenido.

ela SIMPLESMENTE se sentou na nossa frente e começou a me parabenizar pela competição. O Kai obviamente percebeu q era ela, já que a maldita tinha uma voz de prostituta inconfundível”

Lucas começou a rir descaradamente, adorando o fato de Kale xingar a todos que ele julgava poder prejudicar seu pseudo-relacionamento.

“o Kai simplesmente levantou e disse que iria no banheiro. eu n lembro o nome daquela mina, só sei que quando eu me levantei para segui-lo, ela me puxou e me impediu. Cara, eu tô passando álcool na minha mão até agora.”

Lucas entreabriu a boca, incrédulo. Rapidamente, digitou: “mas você o seguiu, né?” completamente esperançoso. Caso Kale negasse, iria sair dali imediatamente para estapeá-lo.

“claro” Kale respondeu-o milésimos de segundos depois. Seu ‘pff’ era tão explícito que se tornou audível.

“Eu a deixei falando com o estofado do banco e segui o Kai até o banheiro”.

“Mas eu acho que estou fodido”.

“Porque eu meio que deixei bem claro que n estava interessado em garotas no momento”.

“Mais precisamente, eu meio que deixei bem claro que eu estava interessado nele”.

– Isto é um problema — Antony exclamou, lendo as mensagens por sobre o ombro de Lucas. O míope levou um susto, alarmado, olhando para o surfista como se apenas naquele momento o tivesse notado.

– O Kale é um babaca — Lucas disse, revirando os olhos com tédio.

– Se ele fosse um babaca, não teria o seguido — ponderou, abrindo um sorriso cúmplice, quase em defesa de Kale. O maldito não era amigo de ninguém, mas todos eram seus amigos.

Lucas ergueu uma sobrancelha enquanto concordava a contragosto, virando sua cabeça rapidamente para ler mais uma mensagem.

"Tipo, eu meio q disse claramente 'o que a gente tem, ou melhor, o que eu sinto por vc, é a coisa mais forte que eu já senti por alguma pessoa. Vc acha mesmo q uma vagabundazinha pode simplesmente anular isso? Impossível'."

– Puta merda! — Lucas exclamou, levantando-se num salto, discando o número de Kale com a mesma força que usaria para socá-lo. — Qual parte do 'vá devagar, não o assuste' você não entendeu?! — Berrou, impaciente, querendo se teletransportar naquele instante para gritar no ouvido do surfista.

– Eu não tenho culpa, Lucas! — Kale se desesperou do outro lado. — Eu não sei o que fazer, eu tô completamente perdido! É exatamente por isso que eu agradeço levemente por ele ser cego, para não poder enxergar minha cara de trouxa que eu sempre faço quando ele aparece!

Lucas acariciou a têmpora, estressado. Não tinha uma única maldita folga. E sempre era por causa daquele idiota que simplesmente não sabia lidar com emoções fortes. O míope virou-se para Antony, que se mantinha expressivamente curioso.

– Tony, vou ter que ir pra casa resolver uma coisa... Hã... — Manteve a linha aberta, ignorando a exclamação maliciosa de Kale — eu já volto, é rapidinho.

– Ah, não, Lucas, pode relaxar. Eu passo na sua casa às oito pra te buscar, combinado? — Disse, levantando-se e envolvendo-o pelos ombros. Lucas anuiu, sendo gentilmente acompanhado até a porta. Antony sorriu, agarrando sua cintura e puxando-o sutilmente para si, encarando-o profundamente antes de beijá-lo de forma impiedosa, sentindo o gosto quase afrodisíaco dos lábios de Lucas, não querendo largá-lo nem por um segundo.

As pernas do garoto tremeram, recebendo uma onda quase elétrica passeando por seus músculos e tendões, alcançando até mesmo seu dedinho do pé. A cicatriz de Lucas perdeu momentaneamente a dor, sendo embebedada por aquele breve momento que lhe servia como sedativo. Fechou os olhos, envolvendo os ombros de Antony com pouca firmeza, agarrando-o apenas para não cair.

– Obrigado por me deixarem de vela! — Kale reclamou do outro lado da linha, fazendo-os se separarem, completamente assustados, mas rindo, quase tímidos.

***

Se tinha uma coisa que Lucas simplesmente odiava, era gente desesperada. Mal chegou em casa quando Kale o recebeu correndo, parecendo completamente esbaforido.

Depois de mandá-lo ir se foder, Lucas correu para tomar um banho, tendo que fazê-lo enquanto Kale se mantinha atrás da porta, enchendo-o de respostas para as questões nas quais ele não perguntara.

– Você é um idiota impulsivo, mereceu isso! — O míope gritou de dentro do box ao ouvir que Kai fez uma cara de chocado quando Kale lhe dissera aquilo. — Será que você nunca vai aprender? Com a Larissa foi exatamente a mesma coisa! No fim ela te deu um pé na bunda por você ser um panaca impulsivo! — Ralhou enquanto abria a porta de supetão, segurando a toalha pela cintura.

Kale seguiu-o pelo quarto, acompanhando-o enquanto não parava nem por um segundo de falar.

Não tem nada a ver com a Lari, Lucas! — Disse, por fim, olhando-o enquanto o amigo vasculhava seu guarda-roupa.

– Por quê?! Você só queria comer ela? — Perguntou com certo escárnio, achando-o ridículo por adotar aquela postura.

– Não! — Respondeu rapidamente, mas, após o olhar de 'really, man?' de Lucas, encolheu os ombros, bufando. — Tá... Sim. Mas isso só prova que não tem nada a ver! Eu não gostava nada dela, por isso nem me abalei quando ela me chutou. Mas, se o Kai me chutar sem nem ao menos termos alguma coisa, é bem provável que eu fique, no mínimo, arrasado.

– Depois eu sou a bicha — Lucas resmungou consigo mesmo, baixo o suficiente para que Kale não o ouvisse.

O surfista suspirou como se estivesse em uma crise interna, jogando-se em sua própria cama enquanto observava o míope caçando roupas pelo cômodo. Assim que terminou de falar, Lucas parou de repente, virando-se para encará-lo.

– S-só de pensar nessa possibilidade, me bate um treco estranho, Lucas...

Lucas permaneceu quieto, fitando-o longamente, segurando na mão esquerda uma camiseta cinza, simples. Os olhos embaçados observavam-no acariciar o tórax, como se uma dor repentina o atingisse bem no peito. Lucas afrouxou o aperto na peça em sua mão, dessa vez encarando seu melhor amigo com certo pesar.

– Kale. — Pronunciou seu nome de forma séria. O surfista olhou-o, curioso. — Responda sinceramente, o.k.? Você... Consegue explicar o que tá sentindo?

O outro torceu os lábios, como se estivesse pensando seriamente no assunto.

– Francamente? Não… — Respondeu, fazendo uma careta ao sentir aquele sentimento estranho apossando-se de sua alma. — É… Angustiante.

Se você simplesmente não consegue explicar o que está sentindo, é porque o que você sente é grande demais para ser cabível em palavras. E, para Lucas, só existiam três coisas grandes demais para serem explicadas: a depressão, a solidão e o amor.

Naquele instante, a estupidez de Kale aumentou um nível. Aumentou porque Kale estava amando Kai — e, inacreditavelmente, ele não conseguia perceber.

O amor deveria ser proibido para gente que não conseguia arcar com emoções fortes. Deveria ser um genérico com prescrição médica. “Uso gratuito, exceto para incapazes de pensar racionalmente e não levar tudo para o emocional.”

Queria gritar para o surfista algo como: “não seja idiota!”, mas preferiu ficar quieto e se vestir rapidamente, torcendo internamente para que Kale não saísse com o coração mutilado em mãos.

***

– O.k., então vamos lá criar uma pequena lista. Você já fez faculdade de Filosofia, Contabilidade e ganhou uma bolsa integral em Yale? Porra, Lucas, eu me sinto um analfabeto perto de você — Antony Thomas exclamou, incrédulo, sentado confortavelmente na cadeira de couro daquele restaurante pseudo-mexicano.

Lucas sorriu, tímido, apertando uma ameixa contra a boca, tentando disfarçar seu embaraço. Estava sentado bem de frente ao louro, que parecia acreditar que Lucas fosse uma espécie de alienígena super evoluído.

– Bom, eu ganhei sim uma bolsa em Yale, mas… Era num departamento de humanas, por isso rejeitei.

– Mas você já não tinha feito Filosofia? — Perguntou, agora curioso.

– Aham, mas… Eu só fiz por três meses. Depois disso, dediquei meu tempo para exatas. — Admitiu, olhando para o restaurante lotado. Todas as mesas estavam ocupadas, cheia de gente faladeira, comendo iguarias mexicanas até passar mal. Mas Lucas sentia-se, como de costume, estranho. Tinha a sensação de que todos estavam o encarando, olhando para sua cicatriz proeminente sob o tecido jeans de seu shorts, falando sobre o quão estranho era uma pessoa como ele estar sentada perto de uma pessoa como Antony.

Era ridículo, ele sabia. Era ridículo como ele se indagava o porquê de ter chamado a atenção mínima de Antony. Tinha medo de descobrir a razão exata daquilo estar acontecendo, até porque sabia que quando se indagava demais, acabava saindo ferido.

Era um círculo vicioso.

– Eu já tentei fazer faculdade, uma vez, há dois anos. — Antony começou, virando a página do cardápio. — Passei na Universidade Nacional da Austrália, mas… — Deu de ombros, indiferente. — Passou três semanas e eu descobri a burrada que eu estava fazendo. — E sorriu, fechando o cardápio. — Vinte anos é realmente uma idade complicada, Lucas. Ao mesmo tempo em que não sabe o que diabos você está fazendo, começa a se descobrir.

Lucas sorriu, também fechando o cardápio, ajeitando-se melhor na cadeira. Ia falar alguma coisa, mas calou-se imediatamente à medida em que duas pessoas entraram no restaurante.

– Ai, porra — resmungou um tanto quanto alto, cerrando os punhos como se elas fossem capazes de arruinar sua noite.

– Que foi? — Antony virou a cabeça para conseguir ver o que Lucas xingava. Não encontrou nada além de muitas pessoas estranhas.

– Hã, não, é que… — O míope começou, meio incerto, observando o rapaz esguio e seu amigo com a tatuagem de dragão acomodando-se numa das mesas aos fundos. — Tem uns babacas me enchendo desde o dia do resort, e eles estão aqui. — Despejou a informação, fechando a cara quando o magricelo o achou, sorrindo debochadamente e fingindo enfiar algo na boca, salientando sua bochecha com a língua. — Imbecil… — Lucas grunhiu mais para si mesmo, mostrando ambos os dedos médios para o idiota na outra mesa. — Enrustido maldito.

– Ah, o Troye e o Brandon? — Antony desprezou completamente a situação, virando-se para Lucas. — Se eu fosse você, não me preocupava. Na próxima vez em que piscarmos, o Troye já vai estar ajoelhado chupando o amiguinho de três metros dele — disse com seriedade, dando de ombros.

Lucas desatou a rir com a seriedade de Tony, puxando os cardápios quando um garçom veio lhes trazer a comida. Os pratos estavam recheados de, obviamente, tacos, tortilhas, burritos e outras coisas que Lucas não conseguiu identificar. Só sabia que era algo realmente gostoso e apimentado, já que até lacrimejou ao morder pela primeira vez um taco, fazendo Antony rir e chamá-lo de fracote, despertando em Lucas uma careta de desgosto ao avisá-lo que aquele era com a pimenta mais fraca.

– Eu preciso mesmo de um copo d’água — Lucas murmurou, a garganta seca e a língua pegando fogo. Levantou-se rapidamente, apoiando um das mãos na mesa e outra na garganta.

Antony riu, segurando a mão branquela de Lucas contra a mesa, levantando-se também.

– Fica aí, aproveito para pegar uma bebida para mim — anunciou naturalmente, andando e deixando Lucas à deriva.

O míope foi obrigado a voltar a se sentar, mesmo que a contragosto. Ajeitou os óculos, sentindo seu esôfago implorando por alguma bebida gelada. Acariciou a garganta, olhando com certa mágoa para os tacos envenenados de pimenta.

– Garganta dolorida, Lucas? — A maldita vozinha o importunou, fazendo-o erguer a cabeça com a maior cara de ‘não te suporto’ do universo. — Mas a noite mal começou.

– Sinceramente, por que você não vai se foder? — Lucas obviamente não era uma pessoa paciente com aquela espécie humana.

– Sempre ouvi dizer que o Brasil era mesmo um criadouro de prostitutas e de bichinhas. Digamos que você seja um ser híbrido, Luquinhas — Troye sorriu, o cabelo levemente comprido e desgrenhado lhe dando um ar cínico.

Lucas inspirou fundo, contou até três e decidiu não espancá-lo ali. Até porque:

a) Brandon estava bem atrás de Troye, seus braços estraçalhadores de carne humana cruzados contra o peito, olhando Lucas de forma suspeita, como se estivesse preparado caso o míope avançasse;

b) estava ali para se divertir, não para voltar para casa ensanguentado.

Uau, você sabe o significado de ‘híbrido’. Estou impressionado. — Disse com um tom ingênuo, sorrindo quando Troye olhou-o com escárnio, dando um passo para trás.

Seus olhos demonstravam nojo, como se a ideia de Lucas estar ali, dividindo o mesmo oxigênio que ele, lhe causasse um profundo asco. Era um ódio irracional que não sabia explicar. Mirou-o uma última vez antes de cuspir em seu copo vazio, andando rapidamente para longe dele.

Lucas xingou todos os nomes que lhe vieram a cabeça ao dar de cara com o copo enlameado de cuspe, mostrando inutilmente o dedo médio para as costas de Brandon, já bem longe dali.

– É a segunda vez hoje que te vejo com esses dedos levantados. O que está acontecendo? — Antony apareceu repentinamente, sentando-se de frente para Lucas, botando um copo cheio de refrigerante sobre a mesa, perto do míope.

Lucas desembestou a bebê-lo por inteiro, sentindo sua garganta gritar um grande ‘obrigado!’. Só parou quando o precisou de oxigênio, inspirando fundo ao encarar Antony.

– Ah, o mesmo de agora há pouco. Troye veio despejando seu pequeno discurso de ódio sem sentido para cima de mim. Mas, não se preocupe, já me livrei dele — adiantou o fim da história, segurando o copo cuspido com certo nojo. — Não, infelizmente, sem uma vítima.

O surfista continuou encarando-o com certa hesitação, como se Lucas tivesse mentido um pouco.

– Tem certeza? Às vezes ele é só um pé no saco que precisa de uma surra para se tocar. Posso fazer isso por você — ofereceu-se com certa naturalidade, segurando um taco e mordendo-o colossalmente.

– Ah, não, mas obrigado… — Lucas sorriu, segurando um burrito e separando-a com as mãos, verificando a existência de pimenta. — Meu Deus, o que há com esses mexicanos e a sua super paixão por pimenta?

– Valor cultural — Antony sorriu, bebendo de seu refrigerante. — A mesma coisa dos brasileiros. Brigadeiro não é brigadeiro se não for bem doce. — Explicou como se entendesse bem do assunto, colocando ketchup em seus nachos, devorando-os junto com o queijo e a pimenta. — Meu Deus, isso aqui tá muito bom… — Disse mais para si mesmo do que para Lucas, raspando com um nacho a bandeja ainda com queijo.

Antony parecia cem vezes mais contente quando estava comendo algo, Lucas percebeu.

– Ow, vamos rachar um guacamole? Dizem que o deles é o melhor – Tony obviamente estava completamente animado com a ideia. Assim que Lucas assentiu, Tony chamou o garçom, logo fazendo um pedido. Pediram guacamole com iogurte, coisa que Lucas jurava em seu âmago que iria odiar.

Aquela gororoba verde veio acompanhada de nachos, que decoravam o prato, formando uma espiral em volta do utensílio. Lucas engoliu em seco, pegando um dos nachos e mergulhando-o no guacamole, mordendo-o em seguida.

Era estranho.

Era muito estranho.

Acabou soltando uma careta obviamente desgostosa, tomando um pouco de refrigerante em seguida.

– Como assim você não gostou? — O surfista ergueu uma sobrancelha, mergulhando três nachos dentro do molho e mordendo-os de uma vez. — Isso é muito bom, Lucas.

– Sou chato pra comida, desculpa — e começou a rir, sentindo-se levemente culpado por fazê-lo ter de acabar com aquilo sozinho.

***

– Eu não acredito que você vomitou na menina! — Antony não costumava rir de se matar, mas naquela situação ficava difícil lidar com a risada.

– Vomitei, sim — Lucas apertou os olhos, como se a lembrança fosse complicada de lidar, os lábios crispados. — Eu não me orgulho, o.k.? A pobrezinha tinha gostado de mim, eu não sabia que era homo, mas ver aquele corpo magricelo embaixo de mim acabou com o meu estômago. Vomitei bem no pescoço dela — contou com certa vergonha.

A risada de Antony Thomas pôde ser ouvida da esquina. O loiro simplesmente se debruçou sobre o braço do sofá, rindo de se matar. Ouvir a catastrófica primeira vez de Lucas estava sendo demais para ele.

– Mas você conseguiu ficar duro? — Decidiu perguntar quando reuniu as forças, ajeitando-se no seu sofá.

– Nem um pouquinho. — E riu, tampando o rosto, como se estivesse incrédulo do que contava a Antony. — Deus, por que estou te contando isso? É exatamente esse o tipo de coisa que não contamos a ninguém — e riu de novo, envergonhado.

Ah, bobagem. A vergonha nos torna humanos, Lucas.

O míope sorriu, levantando-se do sofá para ir beber água na cozinha de Antony.

– Bom, então eu sou uma das pessoas mais humanas neste planeta, Tony — gracejou, começando a lavar o copo que havia sujado.

Antony Thomas sempre foi um homem de poucas palavras, mas, com Lucas, sentia-se confortável para falar. Acima de tudo, sentia-se confortável para agir. Levantou-se repentinamente, caminhando em sua direção, não desprendendo o olhar de seu corpo.

– Bom, se você é um dos mais humanos, eu não sei… Mas… — Antony posicionou suas mãos nas laterais do quadril de Lucas, de modo a quase prendê-lo contra a pia. — Que você é um dos mais bonitos, com certeza.– A última sentença saiu baixinho, quase como um sussurro.

Lucas ficou encarando-o, estático. Nem em um milhão de anos preveria aquilo, ainda mais vindo dele. Nunca foi do tipo acostumado a elogios, por isso sentia-se estúpido perante a eles. Sentiu quando as mãos do surfista seguraram com força sua nuca, mantendo-o parado, seus olhos fixos um nos outros.

– Você passaria a noite aqui comigo? — Era ridículo chamar aquilo de pedido quando a resposta era tão óbvia. Dos lábios do mais pálido, saiu uma monossílaba tímida, mas certa do que queria.

Antony acariciou com o polegar o maxilar de Lucas, sentindo a textura macia de sua pele nívea que residia no pescoço. Queria marcá-lo, mordê-lo, sugá-lo e beijá-lo até deixá-lo completamente roxo, para enfatizar muito bem o que aconteceu. Aproximou-se devagar, beijando-o com certo cuidado, talvez com medo que ele fugisse como um gato assustado.

Lucas correspondeu com um aperto firme nas mãos de Antony, que ainda lhe acariciavam o rosto, pressionando sua boca contra a do surfista, puxando-o para mais perto de si, querendo senti-lo mais do que ele estava lhe proporcionando.

Antony aproximou-se ainda mais, sua mão esquerda se infiltrando no cabelo cor de ébano de Lucas, puxando os fios com certa possessividade, empurrando sua cabeça para trás, podendo explorar a boca do mais pálido com mais facilidade. Sua mão direita seguiu para baixo, apertando toda a carne pelo caminho, posicionando-a na parte de trás das coxas de Lucas, abaixo de suas nádegas.

Lucas ofegou, sentindo com uma sensibilidade duplicada os toques fortes de Tony, gemendo quando o surfista apertou-o e, com uma única mão, ergueu-o para sentá-lo sobre a bancada de mármore.

Envolveu seus braços em volta do tronco de Antony, apertando-o contra si juntamente com seus calcanhares, que travaram sobre a região lombar do surfista, instigando seus quadris a friccionarem.

Antony moveu sua pélvis com força contra a de Lucas, fazendo questão de esfregar seu membro rijo na coxa do mais novo com força, tentando descarregar todo aquele desejo que emanava de seu corpo.

Lucas grunhiu, sua fala impedida pelo beijo que já estava lhe roubando todo o ar, afogando-o naquela maré de sentimentos voluptuosos. Antony se movia entre suas pernas, apertando suas coxas por baixo, puxando-o para mais perto enquanto saciava a fome que sentia por sua boca, não parando um segundo de apertar sua carne branca, os quadris bem intensionados se movendo para os locais que almejava alcançar.

Se afastou de repente com uma golfada de ar, os lábios dormentes e rubros, o rosto afogueado e as pernas meio bambas — por conta de um beijo. Isso dava uma ideia de quão e quanto tempo estava necessitado. Mas o surfista não lhe deu muito tempo para botar os pensamentos no lugar, pois logo quando Lucas o olhou, afetado, Antony envolveu-o pela cintura, carregando-o com extrema facilidade.

– O que você tá fazendo? — Lucas perguntou baixinho, rindo pela forma em que era carregado.

– Levando você para o quarto. Ou você gosta de transar em cima de pias? Nada contra fetichistas… — Gracejou, abrindo a porta com um chute, nada paciente, já que, no momento, estava sendo controlado por seus desejos.

Lucas era esguio, com poucos músculos para contribuir em seu peso, por isso era simples carregá-lo. O surfista simplesmente jogou o corpo cálido que jazia em seus braços sobre a cama, saltando sobre ele no instante seguinte. O míope sentiu-se num prazeroso déjà vu, onde era, novamente, vítima dos beijos esfomeados de Antony, que prensava-o cada vez mais contra a cama, seus dedos percorrendo toda a extensão lateral de seu tronco, arrepiando sua pele nívea e sensível àqueles toques.

Lucas abraçou-o pelos ombros, apertando seus deltóides com força desmedida, deslizando suas mãos pelas costas delineadas e tensas de Tony, alcançando a barra de sua camiseta, retirando-a num puxão sofrido, querendo mais contato, mais pele para marcar e agarrar.

Àquela altura do campeonato, quanto mais pele, mais toques, mais calidez, melhor. Gemeu na boca do surfista quando ele começou a descer os dedos até o zíper de sua bermuda, tocando sua área mais afetada. Levantou o quadril suavemente, ajudando-o quando Antony retirou a peça de jeans, jogando-a num canto do quarto com desleixo.

– Ah, Tony… — Acabou suspirando quando o loiro se afastou, agarrando sua mão e prensando-a contra o colchão, acima de sua cabeça. Antony beijava-o incessantemente no pescoço, clavícula e ombros, sentindo certo prazer ao vê-lo arrepiando-se e contorcendo-se sob si. Lambeu a curva nívea e macia de seu pescoço, mordendo-a logo em seguida, a fim de deixar uma marca. Lucas crispou os lábios, o prazer escaldante que saltava em sua virilha contrariando-se com a dor dos dentes de Antony cravados em sua pele.

Lucas era hipersensível, Antony percebeu. Sorriu com a constatação, os lábios ainda presos no pescoço deliciosamente marcado de Lucas, deslizando suas mãos até sua região lombar, virando-o de bruços de repente, de forma até um pouco brusca. Lucas surpreendeu-se com a ação repentina, seu rosto colado no travesseiro.

O surfista observou com atenção suas costas níveas, adorando como ela era cheia de pintinhas isoladas. Inclinou-se, beijando cada uma delas, trilhando um caminho até as costelas do mais novo, vendo-o estremecer em seus braços. A última costela era o calcanhar de Aquiles de Lucas; quando tocado ali, perdia as estribeiras. Estremeceu em ansiedade, percebendo o rumo que a língua do surfista estava tendo.

Gemeu alto quando Antony simplesmente pressionou sua língua naquele local, o corpo todo se retesando. Arfou, sentindo uma necessidade absurda de se tocar e de se livrar daquela sensação enlouquecedora que já estava assolando seu corpo. Estar com Antony era estar preso numa realidade distorcida, como se a Terra começasse a girar mais devagar.

Estar com ele era estar e simplesmente não estar. Era enlouquecer lúcido e estar sóbrio em meio à sandice; era duvidar de certezas e ter convicção em descrenças; era perder-se e nunca mais se achar.

Era meramente intenso. Sentia-se imerso em toda aquela vórtice de sentimentos voluptuosos e enlouquecedores, atingindo-o como ondas elétricas por todo o seu corpo. Podia sentir com clareza o membro rijo de Antony tocando-o nas nádegas, atiçando-o, instigando-o a mover seu quadril contra ele, querendo mais contato.

Gemeu, mordendo os lábios já rubros e meio inchados. Era loucura querer ser penetrado sem preparação nenhuma, mas seu estado de libido era tanta que a ideia até lhe pareceu plausível.

Antony continuou afagando-o nas costelas enquanto alcançava o lubrificante dentro da gaveta (comprado há justamente alguns dias atrás, pensado exatamente para aquela situação), pedindo para que Lucas erguesse o quadril suavemente. Não fora necessário um segundo pedido; o míope afundou um pouco o rosto contra o travesseiro, seu corpo inteiro tomado em êxtase e ânsia.

– Há quanto tempo você não faz sexo, Lucas? — Antony perguntou como quem não queria nada, lambuzando os dedos com o lubrificante.

– Há a-algum tempinho… — Lucas mordeu os lábios, assustando-se levemente com o teor gélido tocando em sua pele. “Há algum tempinho” era eufemismo. Lucas não transava há meses. Não por falta de oportunidades, e sim porque estava ocupado demais lidando com seus problemas. Um gemido mais alto se pronunciou quando Antony lhe acariciou entre as nádegas.

– É que você tá bem sensível — explicou, mas pareceu tudo, exceto uma reclamação. Lucas muito provavelmente iria dizer alguma coisa, algo como um ‘mas eu sou sensível’ arrastado, porém o surfista lhe impediu de forma gloriosa. Começou a movimentar seus dedos, preparando-o da forma mais carinhosa que pôde, deslizando sua mão livre por debaixo de seu quadril e encontrando seu membro necessitado.

Lucas afundou o rosto nos travesseiros quando Antony começou a masturbá-lo no ritmo em que o preparava, afogando seus gemidos meio chorados no algodão, sentindo seu interior explodir. Sua perna latejava, a patela implorando para mudar de posição, mas, àquela altura, o único movimento que podia e conseguia fazer era o de mover o quadril a favor dos toques, instigando-o a alcançar sua próstata.

Antony tocou o ombro magro de Lucas, virando-o novamente, desta vez inclinando-se para olhá-lo bem fundo nos olhos. Estava prestes a cometer um ato homicida se não se livrasse logo daquela ereção, sua libido explodindo, ainda mais ao se deparar com o rosto choroso de Lucas, que o agarrava pelos ombros, puxando-o para baixo.

– Chega, Antony… Eu preciso de você dentro de mim — murmurou, a voz frágil, completamente tomada pela excitação. Suas mãos, que tentavam agarrar os ombros de Antony, perdiam gradualmente a força, trêmulas tamanha a expectativa que tomava suas veias.

O corpo de Tony já não mais correspondia aos seus pensamentos. Agiu por impulso, assolado pelo pedido irresistível de Lucas, colocando uma camisinha com pressa desmedida, agarrando o míope pelos glúteos e, sem hesitar, penetrando-o. Ambos gemeram, o êxtase do preparo para o alívio atingindo-os com uma corrente elétrica.

Os gemidos de Lucas se sobrepuseram aos de Antony à medida em que o surfista se movimentava dentro dele, agarrando desesperadamente com uma mão os lençóis e, com a outra, o ombro tatuado de Tony, que já estava vermelho por conta dos arranhões.

A dor de toda aquela movimentação o fez engasgar com seus próprios gemidos, algumas lágrimas lhe saltando os olhos, a garganta congestionada. Sexo sempre doía no início, ainda mais com alguém como Antony, ele sabia. Mas, em compensação, conhecia seu corpo bem o suficiente para saber que toda aquela sensação de ser rasgado ao meio iria passar aos poucos. Tentou relaxar ao máximo, agarrando-se às costas do surfista e se impulsionando para frente, roubando-lhe um beijo lascivo e carregado de um desespero perturbador.

Antony mordia, chupava e lambia os lábios róseos de Lucas, apertando a carne branca de seus glúteos enquanto arremetia com força, as coxas delineadas do mais novo apoiadas em suas próprias. Lucas afogava seus gemidos na boca do surfista, que recebia aquilo como uma combustão completa, apertando-o mais contra si, instigando-o a subir e descer cada vez mais, observando com êxtase o corpo de Lucas sacolejando inteiro em seus braços por conta da força aplicada em suas investidas.

As bocas descolaram uma da outra assim que Lucas afastou-se, não reprimindo um grito assim que Antony atingiu-o em cheio na próstata, o corpo inteiro tremendo, tomado por uma onda de prazer que não pôde aguentar. Piscou, os olhos úmidos, vendo estrelas assim que o outro prosseguiu com movimentos contínuos no local exato, não parando nem por um segundo de acertá-lo na próstata, segurando sua nuca e puxando-o para baixo, sentindo a necessidade de beijá-lo, como se sua boca fosse a mais deliciosa das frutas.

Era ridiculamente prazeroso. Lucas sentia seu corpo em chamas, o suor que escorria por sua pele e cabelos, os gemidos e os apertões servindo apenas como gasolina para aquela explosão. Sua mente estava desconexa à realidade, presa ao instinto de dar e receber tudo aquilo que estava disposto.

E era exatamente isso que estava fazendo. Deu a Antony seus melhores gemidos, seus melhores beijos e seus melhores carinhos, recebendo em troca uma das melhores noites que já teve.

Aquela noite, Honolulu estava quente como o inferno, mas sua temperatura não chegava nem aos pés daqueles dois corpos em perfeita combustão.

Notas finais
Mesmo o capítulo sendo escrito PARA o Lucas, o maldito Kale tem que aparecer, né? HUAHUHUAHUA A peste é uma sarna xD Eu espero MESMO que vocês tenham gostado, de verdade, ainda mais porque eu estou com uma grande pressão acerca do lemon (falhar nessa parte é tipo ferrar a feijoada, cês 'tão ligados). GENTE, acerca das fotos dos personagens, calm down! Estou buscando incessantemente por algum ser neste planetinha azul que se pareça com um alguém que eu criei nessa minha cabecinha maluca. Então, paciência, o.k.? Obrigada por lerem até aqui! See u :3