De Caso Com A Máfia
1 Capítulo 1 - Um lindo dia
Amanheceu um lindo dia hoje, ficar em casa seria um desperdício. Na verdade ficar entre quatro paredes seria um desperdício, o sol está radiante. Nova York é linda no verão! É linda em qualquer época, mas ao invés de ficar pensando o melhor é agir... levantar e aproveitar o dia.
- Bom dia Ana, um capuccino por favor! – eu disse. Ana era a dona da pequena Cafeteria próxima a meu apartamento, o capuccino dela era o melhor de Nova York.
- Bom dia Bella, apareceu cedo hoje!
- É resolvi começar mais cedo meu dia...
- Aqui está, com caramelo como você gosta!
- Obrigada! Até amanhã Ana! – eu disse
Acho que é cedo mesmo, a cafeteria está vazia, estou surpresa comigo mesma... sempre tive uma dificuldade enorme em acordar cedo... minha mãe tinha que me chamar várias e várias vezes até eu finalmente levantar. Nossa quanto tempo faz isso... na verdade parece que foi ontem!
Os anos passaram rápido, ela se foi, eu cresci... pelo menos é o que parece! As lembranças de minha mãe eram sempre muito vivas pra mim... apesar de meu pai não fazer muita questão de mantê-las vivas. Acho que pra ele é sempre muito doloroso falar ou lembrar dela... quando me lembro dos dois a impressão que tenho é de que eles viviam em movimento sincronizado.
O dia realmente está lindo, vou aproveitar pra fotografar esse momento.
Eu adoro fotografar no Central Parque, tenho tantas fotos daqui, mas ainda acho que são poucas, e sempre, sempre consigo imagens surpreendentes.
Na volta pra casa, eu mal abri a porta e ouvi o telefone berrando...
- Alô! Oi pai, como vai?
- Pequena Bella, pra que você tem celular se nunca está com ele...
- Desculpe, esqueci de levar. Está tudo bem?
- Sim, estive procurando por você a manhã toda!
- Oh, estive dando uma volta pela vizinhança...
- Venha jantar com seu velho pai hoje e me conte como foi sua viagem.
- Ok! Estarei aí mais tarde pai.
- Então até, não se demore!
- Sim senhor, um beijo!
- Amo você, pequena Bella!
- Também te amo pai! Tchau
Pro meu pai eu sempre seria a pequena, pequena Bella — ele sempre me chamou assim. Bem acho que um banho é tudo o que eu preciso agora, estou colando de suor.
(...)
- Como vai Sam?
- Senhorita Swan, faz tempo que não aparece. Eu vou bem obrigada!
- E meu pai?
- Na biblioteca, ao telefone. A senhorita pode entrar.
- Ok!
Essa casa sempre me pareceu tão grande, e depois que minha mãe se foi ficou maior ainda.
- Papai? Ele gesticulou pedindo que eu entrasse. A biblioteca é o xodó de papai, acredito que deva ter mais de 5000 títulos aqui.
- Meu amor! Ele me disse — Estava com saudades! Me abraçando forte — Deixe-me vê-la, parece mais magra.
- Eu estou bem pai!
- Me conte tudo. Como vai a Itália?
- Continua linda, trouxe imagens incríveis!
- Quero ver todas...
- Trarei assim que revelar!
- Está com fome? Mafalda fez o suflê que você gosta!
- Que delicia! E o senhor, como vai? Tem trabalhado muito?
- O de sempre filha, muito trabalho e muitos problemas... e um governo que não ajuda!
- Acho que a crise afetou o bolso de todos. Na Europa as coisas não estão diferentes.
- Fale mais da minha Itália. Já nem me lembro da última vez que estive lá...
- O senhor precisa sair mais... sempre nesse telefone, sempre resolvendo problemas...
- Bem vamos comer... O telefone tocou, e é claro ele atendeu... desta vez a conversa parecia ser séria — Como não chegou, mas a data de entrega é hoje... ligue para o porto... Como de costume o jantar iria atrasar, certas coisas nunca mudam, resolvi sair e ir até a cozinha.
- Olá Mafalda! Como vai?
- Minha princesa, você está cada dia mais linda! Dizia com um grande sorriso e me dando um forte abraço — Cada dia mais parecida com sua mãe!
- (Uhm) O cheiro parece bom!
- O que você acha que é?
- Papai já me disse.
- Foi ordem dele.
- Como andam as coisas por aqui?
- O de sempre minha filha. Eu e Sam tentando cuidar de seu pai e ele sempre reclamando de tudo. Não me lembro da casa de meus pais sem Mafalda e Sam, quando nasci eles já estavam aqui. — Quando sua mãe estava aqui não era assim Quando Mafalda lembrava da minha mãe ficava emotiva, já tinha idade, me viu crescer...
- Mafalda, só você e Sam pra ter paciência com as rabugices de papai.
O jantar foi rápido, a impressão que tive era a de que papai estava bem aborrecido. O que quer que tivesse acontecido com certeza lhe custaria dinheiro, e papai não ficava nenhum pouco feliz em perder sequer um centavo.
- Já é tarde! Eu disse
- Durma aqui, seu quarto está sempre a sua espera!
- Obrigada pai, mas prefiro ir pra casa. Nos falamos depois, ok?
- Me traga as fotos da viagem.
- Pode deixar!
- Elas também vão virar livro?
- Ainda não sei, talvez quem sabe. Boa noite!
- Boa noite pequena!
- Tchau Sam!
- Boa noite senhorita Swan!
No caminho de volta pra casa, fiquei pensando. O que será que tinha irritado tanto meu pai. Eu nunca quis me envolver com os negócios dele. Aliás sempre me mantive bem afastada, por ordens da minha mãe. Nunca se comentava nada sobre os negócios. Ela é claro sabia de tudo, mas nunca comentava nada. Me lembro de quando criança ouvir ela dizer – Não mude o combinado! Nessa casa não se fala de negócios! – Na adolescência eu descobri que os negócios de papai não eram digamos politicamente corretos, cheguei a esta conclusão depois de ouvir uma conversa dele ao telefone. Ele gritava – Não me importa quem vai pagar! Resolva isso, limpe a sujeira! Se tiver que sumir com ele, então suma! – Nessa época mamãe já não estava mais entre nós, e pouco tempo depois eu fui pra faculdade. Como disse nunca me envolvi nesse assunto, mas nesses anos eu vi o nome do meu pai umas duas vezes envolvido em escândalos relacionados a grandes políticos. Estes escândalos apareciam e desapareciam rápido. Naquela noite eu fiquei intrigada e me lembrei dele ao telefone a anos atrás.
(...)
Eu jamais poderia imaginar que entrar na cafeteria naquela manhã iria mudar a minha vida... ele estava sentado próximo a grande vitrine que dava para rua, logo que entrei dei de cara com ele...
- Bom dia Ana, meu capuccino por favor! Queria poder perguntar a ela quem era aquela espécie de deus grego sentado ali, mas e a coragem?, e ele com certeza iria ouvir...
- Aqui está, parece que o sol não quer aparecer hoje não é?
E eu me importava com o sol, se aqui dentro já estava fazendo um enorme calor...
- Éacho que o dia será cinzento – Eu disse, e como não tinha mais nada a dizer me virei e fui indo de encontro a saída que ficava próxima de onde ele estava... e qual não foi a minha surpresa... quando cheguei na porta e fui recebida com um sorriso – dele é claro... porque mesmo saindo eu não perdi a oportunidade de dar mais uma olhadinha...
- Pra que sol? – Ele diss. Me senti em um romance barato onde a garota é tão ingênua que dá dó... é óbvio que não respondi, apenas sorri e segui meu caminho.
O dia se arrastou, estava abafado e com cara de chuva.
Não estava muito feliz, a editora do meu primeiro livro de fotos estava me pressionando para que eu apresentasse material para mais um volume. Eu nunca gostei de trabalhar sobre pressão, aliás escolhi viver da minha arte por achar que seria livre. Mas hoje essa liberdade parecia cerceada pela editora na qual eu tinha um contrato.
Como o primeiro volume estava sendo bem vendido, eles queriam aproveitar a boa fase e publicar um novo.
Resolvi esfriar a cabeça. Andar sempre foi uma boa solução pra mim. Sai de guarda-chuva na mão, o tempo parecia imprevisível. Aproveitei pra comprar uns rolos de filme, apesar de adorar minha câmera digital, a minha antiga câmera era sempre usada, pra variar foi presente dos meus pais.
Na saída da loja de matérias fotográficos, fui pega pela chuva. E na hora de abrir o guarda-chuva, o bendito emperrou e não abria de forma nenhuma. A chuva começou a aumentar e eu a me irritar.
De tanta raiva joguei o guarda-chuva no chão, mas infelizmente ele não caiu no chão e sim foi parar nos pés de um rapaz que passava andando apressado pra também fugir da chuva. De imediato eu me virei e disse...
- Me desculpe! Pra minha vergonha o rapaz era o mesmo da cafeteria, é obvio que eu fiquei desconcertada sem saber onde enfiar a cara. Ah... e a chuva continuou caindo.
- (rindo) É realmente o sol não saiu hoje!
- Por favor, me desculpe! Falei extremamente envergonhada — Eu sinto muito!
- Só desculpo se você aceitar tomar um café comigo!
- Desconcertada eu disse — Ah... um café? Bem seja como for, o melhor a fazer é sair dessa chuva!
- Concordo! Vamos?
Acho que pela manhã eu não reparei direito, ele é lindo. Não é só o sorriso é ele todo.
— Bem eu não costumo tomar café com estranhos!
— Vamos fazer isso direito então! Meu nome é Edward! E você é Isabella, certo?
- Sem graça eu respondi — Sim! Quer dizer, muito prazer Edward! Eu é claro aceitei o convite para um café, achando que assim eu poderia me desculpar melhor.
- Você mora perto da cafeteria?
- A cafeteria?
- Sim hoje de manhã nos encontramos... não se lembra?
- É claro! Sim moro próximo. E você mora por ali?
- Na verdade não, eu moro no Broklin... Manhattam não dá pro meu bolso.
- O Broklin é um ótimo bairro... Estava sem graça, o que ele estava dizendo... que eu era rica e ele, coitado, era pobre...
- Sempre morei lá, gosto muito! Mas é claro que o movimento sempre está por aqui...
- Se você gosta de movimento, Manhattam é o lugar certo com certeza!
- Eu já vi você várias vezes na cafeteria.
Como assim já me viu várias vezes?, impossível eu não tê-lo visto antes. Ele não era o tipo de pessoa que passaria desapercebida.
- Você vai muito lá?
- Pelo menos uma vez por semana. Ele disse
- Certo! Eles fazem o melhor capuccino de Nova York.
- É verdade! Estava fazendo compras? Ele me perguntou olhando pra sacola que eu deixei na cadeira ao lado.
- É material de trabalho!
- Você é fotógrafa?
- Sou — Respondi intrigada. Ele é muito observador eu pensei
- Desculpe! É por causa da sacola, do que está escrito nela... nesta loja só vende artigos profissionais.
- É verdade! Sem problema!
- O que você fotografa?
- Paisagens, arquitetura...
- Interessante, sempre gostei de arquitetura. E esta cidade é muito rica pra isso.
- Com certeza! E você o que faz?
- Trabalho com segurança. Respondeu parecendo inseguro. O meu café já tinha acabado, e eu decidi que era melhor ir embora.
- Muito obrigada, pelo café!
- Não tem de que. É claro que não é tão bom quanto o da nossa cafeteria. Disse baixinho. Como assim nossa cafeteria?
- Eu gostei! Mais uma vez obrigada e me desculpe a cena com o guarda-chuva! Me levantei e peguei minha sacola.
- Desculpe se pareci intrometido.
- Não, sem problemas. Nos vemos por aí. Tchau
- Em pé, ele me disse) Até logo! Foi um prazer conversar com você!
Eu sai sem olhar pra trás... Cheguei em casa encharcada da chuva, logo me livrei das roupas molhadas e tomei um banho. O sorriso de Edward não saia da minha cabeça... Após o banho, fiz um lanche rápido e resolvi continuar meu trabalho, que estava há dias protelando, revelando as fotos que tirei na Itália.
Enquanto estive dentro do laboratório de revelação o mundo parecia ter ficado em suspenso, era sempre assim todas as vezes que eu me envolvia com algo relacionado à fotografia. Rever as imagens que capturei na Itália me fez lembrar de meu pai mais uma vez, a Itália sempre fez os olhos de papai brilhar. Quando terminei de revelar as fotos cheguei à conclusão de que aquela viagem tinha me rendido um material muito enriquecedor. Quando saí do laboratório já tinha anoitecido.
Uma taça de vinho era tudo que eu precisava agora! Entre um gole e outro fiquei pensando, sobre aquela tarde, sobre o encontro inesperado com Edward. Como eu nunca tinha visto ele na cafeteira? Quem realmente era ele? Será que o veria mais uma vez? Será que ele me achou... O que será que ele pensou a meu respeito?
Bella, Bella... Você está viajando como sempre. Esse rapaz só foi gentil e educado. E você... você foi grosseira e... A pare de pensar nele, isso tudo é tão ridículo! Acabei rindo sozinha e fui interrompida pelo telefone...
- Alô!
- Bella, até que enfim você voltou... pensei que fosse ficar eternamente na Itália.
Notas finais
E aí, gostaram? Espero que sim, como disse é minha primeira Fic... me ajudem dando idéias, suas opiniões e tendo paciência comigo, ok?
Bjos
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