Dc

18 Capítulo 18


POV Magali

–(...)então a gente brigou feio -minhas mãos tremiam segurando o celular a orelha — e eu terminei com ele.

Sentei-me no chão da sala, me apoiei no sofá e apertei minha pernas com força. Meus olhos estavam chorosos, e a minha barriga roncava de fome. Não tinha comido nada até o momento, ou melhor: não consegui comer. O cheiro do jantar de ontem me causou náusea e por isso o joguei fora, não tomei café pois os pães me lembravam a Padoca, que me lembrava ao Quim, que me lembrava da briga, que me lembrava do nosso término e por fim do tapa que ele me deu.
Não tinha almoçado pois quando tentava fazer algo o esforço do meu jantar fracassado vinha a tona e eu ficava mais deprimida.
Por horas estive vagando do quarto até a sala, da sala para a cozinha, da cozinha para o quarto sem conseguir fazer nada, até me estarar no chão da sala sem forças para continuar minha caminhada.
Quis ligar para a Mônica e desabafar, até disquei seu número, porém quando percebi que se contasse para ela o que realmente aconteceu o Quim iria apanhar feio, e põe feio nisso provavelmente pararia em um hospital, preferi desligar.
Depois pensei em chamar o Cascão, só que eu não sabia o que falar " -Meu namorado, err ex-namorado me bateu e a gente terminou, estou livre para transarmos quando quiser."Nãaoooo, tá louco que vou falar algo assim.
Por fim, decidi ligar para quem me deu o conselho.

–Mas você está bem??

–Não estou bem. -falei chorando ainda mais- não rola de estar bem!

–Calma, calma. Tua mãe tá ai?

–Não! Tu acha que eu ia chamar o Quim para uma noite especial, que eu pretendia que durasse até o outro dia, se meus pais estivessem em casa!

–Por que tás gritando comigo?!?

–EU NÃO TO GRITANDO.

Ok, eu definitivamente estava gritando. Porém ele não tinha culpa, seu conselho foi dado com a melhor das intenções.
Desabei em choro:

–Desculpa, eu to gritando.

–Eu to indo ai.

–Não precisa vir — Percebi que já estava falando sozinha.

(#)

POV Xaveco

Eu estava preparando um mingau, motivo? Ela recusava-se a comer pão.
Perguntei o por que, e ela tentou explicar, mas eu só entendi BuuaaaQuim, buuuaaaapão, buuaaaaanaoquero.
Não persisti.

Coloquei um cobertor envolta de seu corpo, ela ainda estava de pijamas, o cabelo bagunçado e os olhos cheios de lágrimas. Eu estava preocupado de verdade, não sabia o que deveria fazer.
Disquei novamente o mesmo número e liguei para a Aninha, ela saberia lidar melhor com a situação, porém ela resolveu me ignorar. Droga, não podia escolher um momento melhor?
Desesperado de tanto ela desligar na minha cara, tentei até ligar para a Dê, afinal ela era mulher né? Saberia lidar com isso melhor do que eu.
E por surpresa o que ela fez? Desligou, também.
Por fim desisti e tentei dar o meu jeito.

–Pronto. — Coloquei o mingau no prato e ofereci. Ela fez bico. — Magali, você precisa comer...

–Não dá — ela empurrou o prato, porém fui persistente.

–Você precisa comer garota! Você sempre come! Seu organismo não vai aguentar!

Ela trouxe o prato para mais perto, pegou uma colherada e botou com tudo na boca, depois fez uma cara de nojo tão grande que cheguei a ficar meio magoado. Ok, concordo que não sou o melhor cozinheiro do mundo, mas não podia estar tão horrível assim. Pus uma com um bocado de mingau na boca e como imaginei não estava ruim. Sinal de que o que estava mal era a Magali.

–Você não vai comer mesmo, não é?

Ela se virou, seu rosto estava abatido com um branco predominante, fazendo um pequeno roxo em sua bochecha se destacar. O Quim tinha passado dos limites, não imaginei que ele fosse um cara que resolvia as coisas no tapa, mas não dá para saber como as pessoas vão reagir a esse tipo de acontecimento.

–Não consigo comer...

E agora? Na boa, não estou preparado psicologicamente para uma Magali que recusa comer.

–To cansada...- ela disse se jogando na mesa, deixando totalmente de lado o meu mingau.

–Calma, primeiro tu come, depois tu dorme.

–Não quero mingau...

–Tá, o que você quer? — Falei quase suplicando que ela dissesse que queria comer algo.

–Pizza.

Disquei o número da pizzaria e pedi uma gigante. Sim só tinha duas pessoas na casa, mas a Maga não tinha comido NADA o dia todo e vai que o buraco negro abrisse e ela devorasse TUDO? Eu to com vontade de comer uma pizza de calabresa também.
Depois de algum tempo de puro tédio, sem que nada além do choro baixo da garota a minha frente, lembrei daqueles filmes chatinhos que a Xabel vivia assistindo, e conclui ser uma boa ideia baixar um para assistirmos. Ela precisava pensar em outra coisa além do fim do namoro.
Arrumei as coisas para ver o filme na sala enquanto ela ficou lá se lamentando da vida.

–Eu devia ter ficado quieta, afinal ele estava trabalhando... não foi culpa dele não poder vir mais cedo.

Ela estava estarada por cima da mesa, cabeça, braços e mãos pendiam de maneira desengonçada.

–Você tinha que falar, um namoro é feito por duas partes. Não adianta apenas uma estar feliz com o relacionamento. Os dois precisam estar claramente satisfeito com a relação.

–hunb..- concordou ela, por meio de um murmúrio. -Mas — voltou a falar- e você?

Ela se ajeitou na mesa e vi certo interesse na sua voz. -Como tá a sua situação? Dênise? Aninha?

Sentei-me no sofá, era bom ver que ela mudou o assunto. Mas logo para esse?

–Uma merda. — Respondi.

Ela riu da minha cara, e eu comecei a rir de mim também.

–Mas por quê?

Passei a mão no cabelo, desembaraçando os fios.

–Não sei, as duas estão o dia todo sem falar comigo.

–Quem mandou querer ficar com as duas.

–Não quero ficar com as duas!

Ela riu de mim e perguntou :

–Então quer ficar com qual das duas?

–Sei lá, -falei meio pensativo- pode ser as duas?

–Não kk, não pode. — continuou rindo da minha desgraça de vida que precisa escolher entre a pessoa perfeita e a que você acha que gosta/ama. -Já sei! Meus pai sempre tem umas bebidas guardadas, vou pegar para gente.

Não sou de beber... Mas acho que hoje era uma boa ideia. Além de que isso ia deixar a chorona um pouco mais alegre, né? Eu acho... Não estou acostumado a beber.

(#)

–E teve aquela vez que ele fez um bolo de chocolate desse tamanho aqui ÓH, e eu comi tudo!! NÂO DEIXEI NADA PARA ELE! Sou uma péssima namorada!!!!

–KKK Você é mesmo uma péssima namorada kkk!

–Não disse?!! Eu não merecia ficar com ele! CONCORDA?!

–kkk To_tal_men_te kkk!

–Cala a boca Xaveco!! Pelo menos eu não to ficando com DUAS! DUAS!! — botou os dedos na minha cara.- DUAS!

–To pegando geral..! uhhhuuull

–Safadão!!

–Nem sou tá! — dei uma pequena pausa para poder rir um pouquinho. — Ok, ok! Sou sim! -falamos juntos — SAFADÃO! — e começamos a gargalhar sem motivo. Tava tudo tão engraçado.

–Nenhuma das duas te atende! KK tá se dando tãoooo bemmmmm!

–E daí! Quando eu quero beijar elas me beijam! To feliz pra caralhoOOO!

–SAFADÃO!

TOC TOC TOC

–Shhhiiiiiiii. Fica quieta.

TOC TOC TOC

–QUEM PODE SER?! -Gritou ela para mim.

–Shhhhiiii! — Falei, fazendo sinal para ela ficar quieta. — Shhhhiii!

–ABRE A MERDA DESSA PORTA MAGALI! — falou a voz do outro lado.

Eu levantei e a puxei junto, a voz não me era estranha. Ficamos do lado da porta, com os ouvidos nela tentando decifrar o que se passava.

–Shiiii! — Fiz gesto para que ela ficasse quieta, e ela me respondeu da mesma forma. — Shhiiii!

–Porra, tu pede pizza e não atende! To aqui mais de meia hora tentando te entregar a merda da pizza! Abre logo isso.

–É o Cascão! — gritou ela do meu lado. — É o Cascão!

–Shhhiii!

–Tá, shiii!

Abri a porta devagar, e aos poucos vi o semblante dele mudando de irado para surpreso. Foi engraçado.

–O que foi mano? — falei, me segurando para não rir.

Ele congelou, totalmente. A Magali saiu por trás de mim e pulou no nosso meio.

–Pizzaaaaa!

O Cascão finalmente abriu a boca: -Mas que merda é....

E foi calado com um selinho da Magali. Que gritou depois um: -Obrigada! — e correu para dentro com sua caixa com pizza.

Depois eu fechei a porta, sai correndo e fui comer.

–PIZZZA!!!!!

E ela gritou também.

–PIZZAAAA!!!!!!

Notas finais
Gente, alguém me falou que "uaal, que cap incrível! Merece uma recomendação!" e ela nunca chegou :/ Magoei.