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12 Capítulo 12
Notas iniciais
Faxinar a casa estava sendo uma tarefa cansativa, mas uma boa distração à minha mente perturbada. Sim, uma mente incontrolável e perturbada!
Eu passava o pano no vidro depositando um pouco mais de força e atenção nesta tarefa, fazendo novamente os pensamentos “detestáveis” se afastarem.
“Nós terminamos” foi o que a Cascuda me disse, no meio da aula com um sorriso sarcástico no rosto. “Faça bom proveito”.
Terminaram??? Mas que tipo de brincadeira de mal gosto era aquela?
O vidro já estava brilhando, e eu sabia disso. Então botei meu dedo nele para criar uma mancha e assim ter motivo para continuar a esfregar o pano com força, em movimento circulares, na esperança de esquecer os meus problemas.
Estava magoada. Não havia me decido sobre ficar com ele, ou ficar com o Quim. Restavam muitas dúvidas! Meu coração e mente não estavam conseguindo se entenderem e eu não desejava acelerar o processo, queria ter certeza absoluta. E ele termina com a Cascuda assim? É quase como se eu não pudesse decidir ficar com o meu namorado e PRONTO. Aquilo estava me emputecendo!
E deixando minha mãe orgulhosa com a filha prendada que tem!
A casa estava um brilho, já tinha passado aspirador, pano, limpado o banheiro e agora terminava o ultimo vidro.
Por isso esse vidro estava sendo tãooo demoradoooo de limpar.
Precisava de mais alguma coisa, já passavam das onze e meia e eu não estava cansada o suficiente. Tinha que deitar na cama com a certeza que ia entrar em coma de tanto cansaço.
–Vou organizar minha gaveta, murmurei.
Minha gaveta de bagunças/recordações precisava sim de uma boa limpeza.
Cheia de fotos antigas e cartinhas das amigas e meninos, fazia jus ao apelido carinhoso.
Eu sabia que tinha um álbum, daquela época em que ainda revelava-se as fotos, resolvi procura-lo para guardar as fotos jogadas na gaveta.
Achei-o em cima do guarda roupa, dentro de uma caixa velha com mais tralhas. Decidi deixar essas tralhas para outro dia e me segurei para pegar apenas o objeto procurado.
A foto de capa do álbum me trazia boas lembranças, estávamos eu, a Mônica, o Cascão e o Cebola. Nós duas fazíamos uma posse de paz e amor, enquanto os meninos: caretas.
Eu ri.
Era tão bom ser criança com eles, eu tinha liberdade para ser como sou. Uma comilona, fofa e animada.
Nos divertíamos muito, e enquanto a Mônica corria atrás do Cebolinha “as vezes” eu e o Cascão brincávamos de bonecas. Tá, eu o obrigava à brincar comigo, mas o importante é que ele aceitava. Dei um leve sorrisinho com a lembrança.
Ele odiava brincar de boneca e mesmo assim ficava comigo, imitando umas meninas fúteis comprando roupas caras ou criando histórias com mistério, agente secreto e vilões. Sempre divertido.
Não sei quando comecei a folhear o álbum, mas parei em outra foto. Eu e o Quinzinho. Beijava-lhe na bochecha e ele segurava uma cesta de pães quentinhos. Delicia.
“namoro de criança... Pegar na mão, andar junto, comer os pãezinhos e essas coisas...”
Eu não queria admitir, mas o que a Mônica falou tinha mexido muito comigo. Mesmo não querendo, parei várias vezes depois disso pensando: Será que eu gostei dele apenas por que ele me dava comida?
–Gostei? Quer dizer GOSTO!... Mente perturbada. –sussurrei, falando sozinha.
Sentei no chão, apoiando as costas na cama, estiquei as pernas e fixei meus olhos na foto.
Uma coisa eu tinha certeza, eu gosto do Quim. Ele é um garoto incrível, honesto. Sempre esteve comigo, foi a minha alegria em vários momentos, me dava a mão quando precisava.
“Pegar na mão, andar juntos...”
Será que era isso? Uma grande amizade, um grande apreço?
Esse pensamento me torturava! Semana passada eu tinha certeza do amor que sentia e agora não tinha certeza se algum dia eu o tinha amado.
Que merda Mônica, para de falar essas coisas! Vai confundir outra!
– Ai ai, arrumar isso aqui não tá adiantando nada. To pensando mais ainda! –reclamei, continuando a mexer nas coisas.
Peguei uma foto avulsa naquela bagunça e me choquei. Era uma foto minha e do Cascão juntos, abraçados. A mesma foto que tinha causado tantos problemas meses atrás, quando quase ficamos juntos. A culpada pela foto? Dênise.
Como estávamos saindo, acabei mandando revelar ela para mim.
Vendo aquela foto hoje percebia o quanto nossos namorados deviam ter ficados PUTOS com a gente! Na época eu só conseguia ver ali dois amigos se reconfortando, mas agora via algo a mais.
Via duas pessoas que se entendiam, que buscavam respostas JUNTOS. Que não tinham receio um com o outro. E no fim, vi algo que não queria acreditar. EU ESTAVA COM UM OLHAR APAIXONADO??
A surpresa era tanta que sai da minha posição confortável, fiquei de joelhos encarando a imagem.
Sim, eu estava olhando para o Cascão com uma cara de menina apaixonada que abraçava o seu príncipe encantado! QUE MERDA!
Pior, não era apenas eu! Eu tava correspondendo ao meu olhar!
Juro pela minha melancia que até o momento eu só via “dois amigos se reconfortando” um com o outro. Mas agora, ?!
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Novamente o trabalho de Biologia me perseguia, levei a maior bronca do professor na escola. Ele disse que eu poderia entregar amanha, mas só valeria 7 pontos. E olha que conhecidencia? Eu precisava de EXATAMENTE sete pontos para passar direto!
Estava começando a bater o desespero! Eu precisava fazer o trabalho da minha vida e não conseguia me concentrar!
O CASCÃO ME VIU TRANSANDO. O CASCÃO ME VIU TRANSANDO.
Era apenas nisso que eu pensava!
E o espertinho não foi à escola para que eu pudesse resolver as coisas! Idiota safado!
Botei as mãos na cabeça, eu precisava esquecer isso e me concentrar. Mas era difícil.
–Era sempre nessas horas que o Cebola me ajudava nos trabalhos... –suspirei com a ideia, e depois em meio a um sobressalto raciocinei.
E por que eu não posso pedir ajuda? Afinal ele ainda é meu amigo. Um amigo muito inteligente por sinal! E no momento: minha melhor opção!
Peguei o celular e disquei o número dele. Não tinha certeza se ele aceitaria me ajudar, mas não custava tentar.
Alguns segundos depois uma voz sonolenta atendeu o telefone:
–Boa noite – a voz estava meio arrastada e de difícil compreensão, no final ainda fui surpreendida por um breve bocejo.
–Boa noite Cebolinha, é a Mônica.
–Cebola. –falou e deixou o silêncio pairar no ar, mas quando ficou incomodo ele continuou. – O que você quer? Sabes que horas tem?
Eu não sabia que horas eram, afinal fiquei tanto tempo de cara com o livro que nem obsevei como estava escuro e que devia ser bem tarde. Olhei para o relógio em cima do bidê e me choquei ao ver os números marcados. 23:33h.
–Desculpa, eu ligo amanhã. – Ia desligar, até que ouvi ele, parecendo um pouco mais acordado, me chamar.
–Mônica, não desliga não.
–Tá.
– Estou curioso, por que você me ligou? Faz um tempo que a gente não se fala.
–Faz tempo mesmo...
–Você e o Do Contra terminaram ou algo assim?
Fiquei vermelha com a insinuação e respondi rapidamente:
–Nãoo!!
–Então por que você me ligou?? –senti uma certa raiva e desgosto naquela voz. Não gostei nem um pouco.
–Não posso ligar para saber como você está?? – Respondi alto, mentindo. Pois mesmo curiosa para saber como ele estava não era por isso que havia ligado.
–Estou bem, agora tchau.
Ele desligou na minha cara e eu fiquei puta! Aquele idiota! Como pude gostar dele por tanto tempo?!
Voltei a fazer o trabalho, mas agora além do Cascão atrapalhando meus pensamentos, tínhamos também um vegetal.
Será que não poderíamos nos dar bem? Porra! Afinal, SEMPRE FOMOS AMIGOS. Por que não podemos voltar a ser??
Desisti novamente do trabalho e fui dormir.
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