Dc
10 Capítulo 10
Notas iniciais
Já faziam duas horas e eu estava quietinho ali escutando música, deitado na cama dela. E mesmo assim, nem uma única vez ela largou o caderno para conversar comigo ou fazer qualquer outra coisa.
Juntei toda a minha coragem e decidi tira-la do transe que se encontrava. Verdade seja dita, até uma briga seria melhor que aguentar a minha playlist repetida.
Fui furtivamente até a cadeira dela e a abracei por trás.
–Que tal descansar um pouco? Tás o dia todo nisso — sussurrei, meus lábios encostados em sua orelha.
–Não estou cansada. -falou olhando para cima, com um sorriso reconfortante nos lábios. — tenho que terminar muita coisa ainda... tem certeza que não quer ir embora?
Não quer ir embora? Ela já tinha perguntado algumas vezes. Isso meio que me incomodava, peça para eu ficar! Não para ir embora.
–Obrigada minha linda, mas prefiro ficar aqui esperando você terminar. — Falei apoiando minha cabeça em seu ombro.
–Já disse que vou demorar... -levou a mão até minha cabeça e fez um cafuné em meus cabelos.
–Sim, to sabendo. –relaxei, e me deixei ficar naquela sensação boa de ser acariciado por sua namorada. Algo tranquilo, calmo, relaxante. — Mas se eu não ficar aqui agora, não ficamos juntos nunca. –falei sem prestar atenção no que estava falando.
Ela parou o cafuné. Mancada Cascão, tava gostoso. Virou-se para trás e eu percebi que ela ia começar o discurso que eu já conhecia bem.
–Você acha que eu gosto de ficar aqui estudando?
Sim, eu realmente acho que ela ama estudar. Me seguro e guardo essa resposta tão correta apenas para mim e a deixo continuar.
–Isso é importante! O vestibular é no fim desse ano! Se eu não me esforçar não tenho chances de passar.
Quieto Cascão, se você não falar nada isso termina mais rápido.
–Mas como você não se esforça, não estuda e tem essa quantidade incrível de tempo livre, fica imaginando que eu tenho o mesmo! – Ela disse, vermelha e com o dedo na minha cara. — Alguém nessa relação tem que pensar no futuro!
Isso foi a gota d’água, e eu já não gosto muito de água, o que me deixa mais louco ainda. Ficar quieto? Haha, uma qualidade incrível que não tenho.
–Que bom que você pensa tanto no futuro Cascuda. Só não sei se vai existir algum futuro para “nós” se o presente continuar o mesmo!
Nos encaramos, os dois alterados. Ela ficou um tempo sem falar nada e eu fiz o mesmo.
–Saiba que eu não vou parar de estudar para te dar atenção. –ela falou, cabisbaixa. – Teremos muito tempo para bancarmos os namoradinhos apaixonados depois da prova.
–Eu não quero “bancar” os namoradinhos apaixonados. Eu quero ser parte dos “namoradinhos apaixonados”! – ela não levantou a cabeça — Você não gosta mais de mim? É isso?
–Gosto!
Ela respondeu rapidamente, o que deixou meu coração feliz. –Mas, — porra de mas estragando minha felicidade. – Eu não vou deixar meus estudos de lado para cuidar do nosso namoro. Eu gosto de você. Você gosta de mim. Isso não é o suficiente?
Ah bom, era isso.
Ela que um amor platônico?! QUE PORRA É ESSA! Namorar tantos anos para ela querer voltar a etapa 0? Tá louca?
–Não é o suficiente!! Do que adiante você dizer que me ama e não demonstrar nem um pouco?
Meus olhos estavam cheio de lágrimas, eu tava preste a fazer algo que eu não devia. Ou devia. Não sei... A confusão na minha cabeça e no meu coração era tanta que eu já me considerava louco.
– Vamos terminar? – a abracei, e percebi que ela também chorava. Então cai aos prantos, exatamente como um bebê. E ficamos ali, chorando enquanto colocávamos um fim no nosso amor.
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–SEIS?!–entrou um furacão no meu quarto. Eu sabia que ela vinha, mas foi tão rápido que gelei até a alma. — Achei que podia ser uma, ou duas! Mas seis? Foi a um putero e comeu todas as putas de uma só vez?
Larguei a guitarra e a coloquei num canto do quarto. Minha vontade era por debaixo da cama, pois VAI QUE A LOUCA PEGA A MINHA GUITARRA E ME ACERTA A CABEÇA COM ELA?? Tentei não pensar muito nisso.
–Nunca fui em um putero. Você não tava fazendo o trabalho?
–Tava, -sentou na minha cama- e agora estou aqui. Perguntando como que um cara de 17 anos já transou com 6 garotas. Ou melhor, SETE contando comigo!
–Sou popular.
–E por isso decidiu sair transando com qualquer uma por ai?! –ela disse, indignada.
–Também transei com você, tás se qualificando como qualquer uma agora? – senti que ela ia agredir, então a abracei forte. –Não foram qualquer uma, eu sempre escolhi a dedo com quem ficava.
–Seu besta. -Ela se debateu, mas não usou toda sua força, pois se tivesse feito eu não teria chance.
–Por que eu devia ficar esperando enquanto você brincava de cão e gato com o Cebola?
Ela relaxou, então não a apertei tanto. Mas, quando eu menos esperava ela levantou a mão e me deu um belo tapa. Doeu. Doeu muito essa merda.
–Seis? Sério, seis?!
–Você queria o que? Que eu fosse o menino perfeito, o príncipe encantado que espera a donzela até o fim? Enquanto você tava com outro? Se agarrando na minha frente e tudo?
–Sim! EU QUERIA!
–Pois saiba que eu não sou! Todas as vezes que eu via vocês juntos me doía o coração! Eu ao mínimo tinha a decência de não ficar na sua frente, isso mesmo sem ter certeza se você tinha o mínimo interesse em mim! E você? –ela não disse nada, não tinha o que dizer- Mesmo sabendo dos meus sentimentos você ia para cima e para baixo com aquele cara, na MINHA FRENTE.
–A gente tava junto, mas nunca transamos. Eu não fui lá e trazei com os primeiros SEIS caras que passaram na minha frente!
–Já disse, elas não foram a toa. Eu fiquei com elas porque na hora estava afim.
–Eu não sei se isso deixa as coisas melhores!
–Nós nem estávamos juntos! Não vem me cobrar sobre algo que fiz antes da gente começar a namorar!
–Mas você disse que me amava! Que me amava antes da GENTE começar a namorar!
–Sim, eu amava e amo. – A agarrei pela cintura, juntei nossos corpos e a beijei. Eu só queria calar a boca dela com aquele beijo, mas depois de alguns segundos me perdi. Já tava entregue ao desejo e fui continuando com aquilo. Até que perdi o fôlego, puxei seu cabelo e afastei sua boca. — Mas isso não quer dizer que eu queira ficar sozinho porra!
Acho que ela desistiu de conversar, pois me puxou novamente para outro beijo, colocou sua mão por baixo da minha camisa e passou suas unhas em minha costas. Imagino que ainda estivesse com raiva, pois suas unhas afundavam na pele e o estranho é que eu estava gostando. Mordi seu lábio inferior como resposta e ela gemeu. Sim, aquilo era interessante.
A joguei na cama e tirei sua roupa sem cuidado nenhum. Nunca senti tanta fúria com vontade de sexo antes. Eu a queria, e rápido. Ela me queria, e tinha que ser rápido. Então não perdemos tempo com vergonha ou insegurança. Segurei seus braços acima da cabeça, e deitei-me por cima do seu corpo, a deixando imóvel. Mordi seu peito, seu pescoço, sua barriga e não a deixei fazer nada. Principalmente pensar.
Minha mão deslizou por sua coxa, e comecei a masturba-la. Tocando o seu clitóris, seus lábios, seu clitóris e ela começou a se debater, seus braços quase se soltaram. Mas não! Hoje quem faria algo era eu. Ela que se comportasse e ficasse paradinha. Tranquei seus braços com mais força e continuei. Ela estava excitada, arfando e provavelmente perto de um orgasmo. Quando...
–Cara, tua mãe me deixou entrar... E.
As três pessoas naquele ambiente ficaram momentaneamente imóveis. Eu estava PUTO, envergonhado e PUTO.
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MERDA. Uma grande MERDA foi o que eu fiz.
Sempre me falaram, “entrar sem bater na porta é falta de educação” e eu nunca ouvi. Mas, se tivessem me dito: “Cascão, bata na porta pois as pessoas podem estar transando do outro lado” eu tenho certeza que escutaria.
–Não vi nada, juro! – botei as mãos na cara, como se fosse adiantar alguma coisa. É claro que eu tinha visto tudo! O DC e a Mô no meio da transa, ele a tocando e eu vi! Meu Deus, eu vou morrer!
–Sai daqui seu merda! – o Do Contra gritou e ele tinha toda razão em fazer isso.
–Desculpa Mônica. – Ainda com as mãos na cara, dando marcha ré e esbarrando nas coisas.
Ela não respondeu. Eu só podia pensar em duas coisas, ou ela estava em choque e não conseguia falar ou estava vindo me matar. Torci que fosse a primeira.
Desci as escadas correndo, e sai daquela casa amaldiçoada com a certeza que eu ia morrer. Podia não ser hoje, mas os dois iam me matar. Fiz o que achei mais sensato no momento.
–Cebola!!! Velho, abre essa porta! – Eu nunca mais vou entrar sem bater em outro lugar! Nunca!
Ele demorou, mas do que eu conseguia esperar. Então fui na janela do quarto dele e gritei de novo. Ouvi passos e logo a janela abriu.
Algo parecido com um Zumbi abriu a janela, e eu me assustei.
–Que merda é essa?!
–Cala a boca Cascão! Esse barulho logo pela manhã??
–Já passou das 11h bostinha, mas que porra aconteceu contigo? Seu puto. Olha a tua cara!
–Fui numa festa ontem.
Ele tava aos pedaços. Roupa rasgada fedendo a maconha, o rosto tinha um hematoma feio e os olhos estavam vermelhos.
–Meu Deus, eu devo ter dado pau na ordem natural das coisas terminando com a Cascuda, só pode! Kkk Bem minha cara fazer isso kkk Primeiro vejo a Mônica transando e agora a putinha do meu amigo tá rebelde? Kk
Ele levantou a sobrancelha e me fez aquela cara de “COMO É QUE É??” E eu fiquei rindo, boa parte porque o dia tava engraçado, outra parte de nervoso e o resto MEDO dessa porra toda!
–Acho que ainda to tendo alucinações. – o Cebola disse fechando a janela, como se eu não estivesse ali.
E eu ri.
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