Dc
24 Capítulo 24
Notas iniciais
Pov Cebola
Da janela do meu quarto me entretia ouvindo o tumulto gerado pelas minhas “boas intenções” ao avisar minha queridíssima amiga, da pouca vergonha acontecida na casa do meu quase vizinho, Mauricio Hiromashi Fagundes Takeda Filho. E com isso fui presenteado com sons quase teatrais, quase dissimulados, seguindo a risca o roteiro da minha tragédia.
Abri um lindo sorriso ao imaginar as cenas que ocorriam quase ao lado. A parte B era apenas uma pequena contribuição ao meu “Gran Finale”, porém já me deixava assim, em completo gozo.
Só de saber que a Mônica nunca brigou com uma garota em toda sua infância esquentadinha e muito menos na sua adolescência, nunca levantou a mão para um ser feminino porque sua cabeça tinha o princípio de que as mesmas são muito frágeis, e por isso a discussão seria no máximo verbal, me fazia ter certeza da loucura a qual ela estava passando.
Ah... sua mente deve estar repleta de confusão nesse mesmo momento.
Passei a mão no rosto retirando uma gota de suor que se fazia presente, todos os meus sentidos estavam alterados com meus saborosos pensamentos destrutivos.
Ela provavelmente estava lutando bravamente com sua própria moral, afim de dar uma surra merecida na meretriz do seu amado. E eu gostava de imagina-la assim, sofrendo. Sem saída em sua própria prisão de princípios e éticas e explodindo com tudo, descarregando sua raiva. Essa imagem me deixava seduzido de tal maneira...
Deixei-me abandonar meu corpo pelo peitoril da janela, só de imaginar a agonia da minha amiguinha de infância meu corpo se derretia todo.
Peguei um cigarro do bolso e o levei a boca, eu merecia uma compensação por meu belo trabalho.
Traguei, porém senti que aquilo começava a me tranquilizar e me senti frustrado com a sensação, então o joguei na grama da frente de casa e logo depois que fechei minha janela, a cortina. E fui andando vagarosamente até a cama, com a excitação dos meus pensamentos correndo em minhas veias.
Infelizmente não poderia mais chamar o Toni para me ajudar com esse problema, mesmo ele tendo sido bom em me satisfazer sexualmente por muitas e muitas vezes, ele já tinha caído perfeitamente na sua parte do plano e eu não podia estragar nada.
Sentei na cama e amarrei um elástico amarelo que guardava na gaveta, em meu bíceps e então peguei eu mesmo a seringa e injetei a droga no meu braço.
Senti a adrenalina percorrer meu corpo, e aos poucos minha sanidade se esvair.
Curti o momento, agora deitado na cama e mirando o nada, porém vendo o tudo. Todos os momentos que tive o gostinho de quase destruí-la. Sim, a verdade é que eu a amo. Amo seu olhar confuso, sua ira, sua incapacidade de desconfiar do próximo, seu jeito único que deixa todos os seus sentimentos estampados na face rubra e fervorosa.
Meu corpo se aquecia e estremecia, minha imaginação era mais fértil pela dose de adrenalina. E eu a imaginava ardendo em desespero, caída no chão por mim e implorando que eu repensasse. Era tão linda a ideia que me fazia gemer, imagina quando de fato for realizado?
Não irei conter minha alegria ao vê-la chorar.
(#)
Pov Do Contra
Coloquei as duas num táxi e parti rumo ao hospital, a Luna continuou todo o caminho com aquela cara birrenta, olhando pelo vidro.
Eu estava no meio e a Mônica com a cabeça no meu colo, desmaiada.
Me martirizava por não conter as duas.
Mas como? Elas pareciam dois cães ferozes lutando por um pedaço de carne! E só de pensar que sou a carne que poderia ser estraçalhada por seus dentes furiosos, me arrepio.
Chegando em frente ao hospital peguei a Mônica no colo jogando-a por cima do ombro, e a Luna pelo braço.
Entrei na emergência muito "bonito", "lindo" e "charmoso" e só por isso todos me encaravam abismados.
Não, eu creio que o motivo não sejam as duas garotas, uma desmaiada com hematomas em meus ombros e a outra, tão inteira quanto, sendo quase arrastada a força para dentro daquele ambiente maravilhoso.
Claro que tão me encarando por que sou muito sexy.
Vi uma enfermeira correndo para nos atender e entreguei Luna aos seus cuidados, e já fui pedindo explicações para onde levar a Mô.
A enfermeira me passou as coordenadas e depois perguntou para Luna, mesmo tendo total ciência que eu podia ouvi-la, se a garota gostaria que a polícia fosse chamada.
— Para ser acusada por agressão física? Por favor, cuide dos meus machucados e nada mais...
A enfermeira pareceu fingir não perceber a grosseria a deixou o mal temperamento da garota de lado, cumprindo com o seu dever.
Gostei dela, foi bem profissional.
Mas parei de observar a cena para seguir as indicações da mesma.
Quando cheguei na sala indicada um velho todo preocupado gritava para que eu fosse mais rápido.
A coloquei na maca e o Doutor começou a perguntar o que havia acontecido.
— Ela baixou o sarrafo na outra guria — disse quase chorando. — Não sei porquê está assim, ela bateu bem mais do que apanhou — conclui totalmente desesperado.
(#)
O silêncio se fazia presente no consultório médico, mesmo cheio de perguntas me segurei para deixar o médico seguir com seu trabalho.
— Ela está desgastada — falou com calma após examinar minha Moniquinha. — Deixe-a dormir por algum tempo, depois podemos ter melhores conclusões.
— Mas Dr, como assim desgastada?
— É Doutor garoto, não D R, Doutor. -me direcionou um olhar reprovador — Mas, voltando a paciente, o que posso perceber é que a garota anda muito nervosa, por isso entrou em colapso e desmaiou.
— Colapso? — Coloquei minhas mãos na cabeça, ela não tinha acordado ainda e eu só podia lembrar de um motivo para ela estar nervosa. E eu era o motivo!
Claro, não fiz nada errado de propósito. Mas ela chegou na cena do beijo forçado, e depois entrou numa briga e desmaiou. Eu era culpado.
— Ela é a sua namorada, certo? — Cortou minha linha de pensamento, nem pensei ao responder.
— Não.
— Não é? – Me olhou desacreditando. E eu queria me bater, um surto de contrariedade estava chegando e eu precisava para-lo o quanto antes.
— Sim!
Me olhou e soltou um sorriso amigável. — Acho que vou te internar como louco.
Fiquei sem reação, ele não poderia estar falando sério. Né? Marcar de nunca confiar no sorriso desse velho.
Por fim me olhou de forma estranha e depois suspirou como se meu caso fosse perdido.
— Então, os motivos mais comuns para o estresse são briga entre namorados, com os pais... Amigos, coisas assim.
— Certo.
— Não a deixe se envolver em mais problemas e faça os já existentes diminuir.
— Certo.
— Aqui está à receita, por ora indico remédios homeopático, porém se ela não ver melhora significativa vamos ter que altera-la.
Fiquei nervoso. Como deixar a Mônica fora de problemas? O lema da Tmj é problema!
Oi, você ai! Já viu alguma estória da Turma da Mônica sem problema?
Zero.
— Calma garoto, eu sei que você vai dar conta. — Bateu com a mão no meu ombro, me confortando como se fosse simples a minha tarefa.
Mas respondi agradecido ao gesto, eu precisava de esperança. Um potão de esperança.
–Obrigado.
(#)
Pov Magali
Quando o Do Contra me ligou avisando que a Mônica estava no hospital já imaginei o pior, afinal minha amiga tem uma saúde de ferro e é forte como um touro! Por anos acreditei que somente um acidente a levaria para o hospital, fiquei aliviada ao me enganar.
Estávamos aflitos esperando que acordasse, e demos um jeito de entrar todos no quarto mesmo que todos os enfermeiros e médicos tenham sido totalmente contra.
Eu, DC, Cascão, Marina, Denise, Aninha, Xaveco, os pais da mesma e o resto da turma deixamos aquele lugar bastante apertado.
Quando ela fez o primeiro movimento, rodeamos a mesma e já a enchemos de perguntas. Talvez por isso o médico tenha nos expulsado do quarto.
Porém ela parecia estar bem, o que deixou meu coração bastante feliz.
(#)
Pov Mônica
Vi a turma toda me encher de perguntas e me senti meio tonta com a situação, por sorte um velhinho mandou a maioria se retirar. Deixando apenas meus pais e meu namorado.
— Do Contra o que houve? — me vi sentada numa maca, fiquei preocupada, não tinha ideia do que estava fazendo ali.
Mexi o pé direito, o esquerdo, as mãos, a cabeça e fiquei muito contente por constatar que não tinha nada quebrado. Obrigada senhor.
Mas se não sofri um acidente, o que pode ter me levado a um hospital? Não tenho ideia.
— Você desmaiou por causa de nervosismo e depois dormiu – disse meu namorado.
— Nervosa? — arregalei meus olhos — EU?
— Haham.
— Que palhaçada, deixe-me sair daqui logo. — falei tirando o lençol e tentando levantar da maca.
— Daqui a pouco. — Disse Mamãe enquanto segurava minha mão, logo me deu um abraço carinhoso. E meu pai se juntou ao abraço terno.
— Eu fiquei tão preocupada, quando o Do Contra me ligou avisando que você estava num hospital senti meu coração se despedaçar!
— E o que são esses roxos? Você se machucou como?! — perguntou papai.
— Briguei com uma guria e... – fiquei quieta, me lembrando agora da pirua.
— Que garota? Você nunca brigou com uma garota! – relembrou mamãe.
— Poisé. Mas essa pediu para apanhar — respondi.
Conversamos um pouco mais, até que eu pudesse pedir educadamente que os dois me deixassem sozinhos com o DC.
— Ah, seu safado! Lembrei porque estou nervosa!
Gritei e apontei, porém ele me deu um beijo me calando totalmente, depois de alguns segundos de linguá e mais linguá, o empurrei e desfiz o contato.
— Ora seu!...
Mais um beijo.
— Quer parar?
Ele deu uma risadinha que me quebrou por inteira.
Fiquei com vontade de rir também e não consegui brigar com ele.
— Vai me escutar agora? – perguntou.
— Não.
— Mais um beijo, só que esse foi rápido.
— E agora?
— Não.
Um selinho.
— E agora?
— N... — nem deu tempo de falar e fui atingida por seus lábios brincalhões.
— Agora?
O olhei com uma falsa raiva, e um riso zombeteiro, meu coração se inclinava ao seu pedido mesmo que minutos antes eu não conseguia me imaginar aceitando ouvir suas desculpas.
Que desgraçado, me confundindo a cabeça.
— Vai vai. Só que não garanto aceitar ser enganada. – ri das minhas próprias palavras, claro que eu não ia aceitar ser enganada.
— Ok. Vou explicar brevemente o que entendi... – disse me olhando no fundo dos meus olhos, fazendo a conversa ser muito intensa e verdadeira — É tudo culpa do Cebola.
Levantei a sobrancelha.
— Tá, essa parte eu já sabia.
— Já? — olhou abismado.
— Sim, foi ele que me disse sobre vocês estarem agarrados.
— E você tá brava comigo por quê??
— VOCÊ ESTAVA REALMENTE SE AGARRANDO COM A GURIA! QUERIA O QUE?
— Eu não tava, ela que me AGARROU.
— Ahhh. E você não teve escolha se não aceitar ser agarrado?
—Foi bem na hora que você chegou!
— E o que ela tava fazendo na sua casa? – perguntei irritada. Mas ouvi a porta abrir e eu ser interrompida.
— Cahamm! — resmungou o médico chegando no quarto. — Dá para ouvir lá no refeitório vocês "conversando". Eu não disse para deixa-la calma?
Olhou para o Do Contra, que logo o respondeu: — E você imagina ser tarefa fácil? To tentando.
–Tá tentando bem errado então. – ironizou.
–Já posso ir para a casa? – perguntei esperançosa.
–Se terminar com ele, pode sim querida.
–Mas ei! – o DC gritou em protesto.
–To brincando. – Ficou olhando para o prontuário, assinando algumas folhas. — Porém vocês dois precisam se controlar e conversar numa boa, ou então menina... Esteja preparada para ver esse velho mais vezes.
Disse por fim, me mostrando um belo sorriso que significava a minha liberdade.
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