Dc

23 Capítulo 23


Pov Do Contra

Eu a olhava sem acreditar muito.
Tem uma miragem em frente a minha porta?
Só para contrariar, tentei levar a sério esse pensamento, porém tive que deixa-lo e me contentar com a verdade assim que a "miragem" falou.

–Não vai me convidar para entrar? Já fosse mais educado. -disse a mesma voz oriunda de sonhos e pesadelos antigos.

Abri passagem, só não sei exatamente por que o fiz se a desejava bem longe daqui.
A muitos quilômetros daqui.

–Que devo o desprazer da visita? -perguntei.

Não bastava tudo o que já tínhamos passado, ela queria causar maior sofrimento?

–Saudade dos velhos amigos, serve?

Continuou andando no mesmo ritmo de sempre. Era incrível que seu calçado ainda causa-se o mesmo barulho, o mesmo "poc poc".
Acho que quando ela vai loja, escolhe o calçado pelo ruído que causa e não pela beleza ou conforto do mesmo.

Do que estou reclamando? Foram essas peculiaridades que a tempo despertara meu interesse na mesma.

A guria sentou-se no sofá da a sala, só não me recordo de ser receptivo a ideia e a convida-la a faze-lo. Porem a garota nunca foi de me escutar.

Ela era um pouco, como posso dizer... parecida comigo.

–Luna. Vamos as verdades, você está com saudade do seu ex chifrudo por que? – olhei com indignação. Eu não a queria aqui, não depois de tanto tempo.

–Novamente com isso? Pensei ter superado. — falou ofendida.

–Claro, foi uma cena muito fácil de esquecer. Você, o Marcelo e tudo o que faziam.

Me apoie na pare, estava cansado dessa cena e aquilo ali não me cheirava bem.
Luna não tinha até o momento feito qualquer contato e duvidava que viesse pedir desculpa depois de 1 ano já se passado.

–Desculpa. -falou a mesma, fazendo-me repensar na possibilidade de uma miragem falante. — Desculpa por ter ficado com o vocalista enquanto a gente tava junto. -disse suplicante.

Luna sempre me surpreendendo.

–Mesmo que você não me desculpe, deixe-me explicar o porquê te trai.

–Oh, tem uma explicação? -Falei achando graça. — Me surpreenda, novamente.

–A Mônica. — Arqueei minha sobrancelha.

–É essa a sua desculpa?

– Do Contra, me escuta! Você sempre, eu digo SEMPRE, ficava morrendo de amores por ela.

–E isso é motivo para me trair? Você já sabia que eu era apaixonado por ela antes de começarmos.

–Eu sei. E fui uma boba por achar que conseguiria lidar com isso.

–E que tal terminar? Sabe, se não ta dando certo Termina! Tão difícil assim?!?

–Olha! — levantou. — Eu gostava mesmo de você, queria que desse certo.

Colocou o dedo na minha cara, apontando. E eu fui indo para trás. -Mas toda vez que você dormia era o nome dela que ecoava no quarto. Mesmo que eu me esforçasse para esquecer como eu era a segunda opção você fazia questão de me lembrar! Dormindo.
Mesmo depois de uma ótima transa, era o nome dela e não o meu que você chamava!

Ela começou a chorar, sua maquiagem extremamente exagerada escorria por seu rosto.

–Eu não sabia disso...

–Claro que você não sabia. — ela tentava com dificuldade engolir o choro. — Como que eu podia te contar isso?

Voltou novamente a desabar em lágrimas.

Eu sabia o quanto ela odiava parecer fraca, o quanto ela se odiava por cair aos prantos e não conseguir se controlar.
Não pude me conter, fui para perto dela e a abracei a confortando.

–Vai ficar tudo bem... -sussurrei e acariciei sua cabeça.

–Não vai. — disse chorando e traspassando suas pernas pela minha cintura e consumindo meu lábios, se enterrando neles sem pedir meu consentimento.

Nesse momento ouvi a porta se abrir e alguém se mover consideravelmente rápido até arrancar Luna do sofá e de minhas mãos.

–QUEM É ESSA MOCREIA?

Droga. Droga. Droga.

(X)

Pov Mônica

Recebi uma mensagem em anônimo pela Esk, logo percebi que se tratava de zueira de algum babaca desocupado.

"Você sabia que nesse momento seu namorado está transando com uma gostosa? "

Dei gargalhada! Até parece que "EU", Mônica de Souza, vou acreditar no que um anônimo da Esk insinuou.
Me garanto, da licença.

E também confio demais no meu namorado, ele não é como os outros que traem.
Ele é o Do Contra, o meu Do Contra.

Então nem respondi aquela pergunta, só a apaguei.

Porém, logo depois recebi outra:

"Não tinha ideia que vocês tinham um relacionamento aberto assim, posso tentar a sorte?"

Apaguei.

"Parece que os dois tão se divertindo... Vocês transam a três?"

Apaguei.

"Ual, a coisa tá ficando quente."

Apaguei.

"Ela é muito gostosa, e ele também. Delícia.
Acho que vou gravar e fazer disso um filme pornô, OLHA SÓ ESSA POSIÇÃO!"

Apaguei.

"E essa tatuagem? Só o deixa mais excitante."

Apag....

Calma ai? Como que essa criatura sabe da tal tatoo?

Fiquei encarando o desaforo em questão.
O retardado anônimo pode ser qualquer um tirando à tarde para me perturbar, a questão é: temos aqui um retardado bem informado.

O que nos leva a uma queda drástica nos números de suspeitos.

O tal "retardado" já viu ou ouviu sobre a tatoo, então "provavelmente" é um dos garotos da turma. Afinal, na educação física o Dc troca de camisa.
Preta suada por preta seca, mas troca.

Enquanto divagava minhas teorias abriu na tela mais uma pergunta:


"Ah, acho que reconheço a garota.
É a Luna né? Faz tempo que não a vejo."

Luna? Da onde reconheço esse nome?

"Vocês tão pegando ex?
Mônica, vás me pegar também?
Sou todo seu."

Levantei já irritada, o mouse sofrendo as dores de ser quase esmagado.
Parece que meu "anônimo" não tem medo de apanhar!

Estava pronta para fazer o BARRACO. O Do Contra e o Cebola iriam me encontrar putona da cara!

Abri a porta do meu quarto e sai correndo com uma única esperança, a de que o único que merecesse apanhar fosse o Cebola por me fazer agir que nem uma retardada.

A caminho, passei que nem um furacão em frente a casa do próprio e este ser se encontrava na janela aproveitando a visão.

–Hey. Mônica! Pra que correr? É inevitável que sua cabeça doa pelo esforço. — passou a mão pela testa, insinuando chifres.

Se minha raiva matasse, ele sufocaria, ficaria roxo e por fim desmaiaria tombando no chão. Porém, como meus super poderes mentais não existem, voltarei e ei de fazer tudo isso com minhas próprias mãos.

Não o respondi.

Deixei aquela criança no vácuo sabendo que isso doeria mais que tudo na vida. Afinal, é claro que a brincadeira de mau gosto vem da necessidade dele de chamar atenção. Porém isso não ameniza o fato dele agir como um idiota.

Minhas pernas me surpreenderam mostrando-se realmente útil quando necessário. Eu quase voei da minha casa até a porta do meu namorado.
Mesmo tentando não acreditar em nada do que o Cebola havia insinuado não pude deixar de abrir a mesma com tudo, sem ao menos chamar antes.

Depois eu poderia me desculpar e rir da situação com o Do Contra, agora eu precisava acalmar meus ânimos e confirmar a possível morte do Cebola.

Poderia, não fosse a branquela no sofá engolindo meu namorado.

Haha. Até parece que ficaria assim!

Não houve qualquer outro pensamento, apenas meu corpo agindo por vontade própria.

Corri e peguei a mocreia pelos cabelos e a arrastei para longe do que era meu. Enquanto o fazia gritei por explicações, porém se alguém me respondeu não tenho ideia. Não iria resultar em nada tentar conversar comigo, eu tava POSSESSA.

Bem, estou exagerando... Eu só queria estapear essazinha nojenta que estava agarrando o safado do meu namorado no sofá.
E foi o que fiz.

A joguei no chão e sentei por cima da sua barriga. Senti minha mão cheia de cabelo arrancado da piranha, depois proferi um belo tapa em sua cara e logo vi sangue sair por sua boca.

–Sua desfrutável!- surtei e peguei a guria pelos ombros a chacoalhando — tu pensa o que?

Senti mãos tentando me conter, porém continuei. Bati a cabeça dela com tudo no piso da sala e as tais mãos circularam minha barriga, me erguendo do chão.

–MÔNICA, VOCÊ VAI MATA-LA!

–AH QUERIDO, TO MUITO LONGE DISSO.

Consegui me soltar, mas sem perceber fui acertada com um soco no estomago.
Doeu pra caralho essa porra.
A menina era pequena mais batia que nem homem.

Observei ela passando a mão nos lábios retirando o excesso de sangue, e depois tive que ouvir a seguinte baboseira.

–O Cebola exagerou um pouquinho ao me falar da sua força. Isso ai qualquer uma faz.

Suas pernas estavam afastadas uma da outra, buscando equilíbrio. Suas mãos me chamavam para a briga.

Soltei uma gargalhada inebriada pela irá.

–Mal comecei fofinha.

E corri em sua direção como um touro, a pegando pela cintura e indo com tudo para a parede.
Suas unhas se enfiaram na minha pele e depois do choque ela acertou uma cabeçada em cheio no meu nariz.

–Sua puta. — exasperei.

Eu podia ouvir um DC gritando para pararmos, porém NÃO ESTÁVAMOS AFIM.
Qual é! Ele que me aguardasse acabar aqui pra ver, depois seria ele nesse chão sentindo meus chifres perfurarem seu corpo.

A ”sem noção da morte eminente” mordeu meu pescoço que nem uma vampira sanguinária.

Eu puxei seu cabelos e acertei sua cabeça na parede e ela não desmaiou.

–Ah, mas que merda. Quer fazer o favor de morrer?

A guria não riu da piada, porém entrelaçou suas pernas na minha e me derrubou.

Nós duas estávamos caídas no chão. Seu joelho brevemente posicionado na minha barriga, agoniando.

Só que eu era mais forte, fazer o que? Tadinha.

Peguei e a empurrei, voltando a primeira cena. Eu por cima, batendo e ela por baixo, apanhando.

Bati muito, até me sentir satisfeita. Até ela parar de revidar e pedir misericórdia.

Usando todo meu autocontrole, vendo-a suplicar para que eu parasse, deixei que o Do Contra me retirasse de cima dela e me colocasse no sofá. Mas me senti bem, com a alma lavada.

O vi ficar alarmado ao me olhar, porém não entendi muito bem. Afinal eu venci a luta.

Vi ele discando no celular e não prestei muita atenção, afinal meu corpo e mente latejavam, ele gritava com a pessoa do outro lado do telefone. Depois pegou a ridicula no colo e a colocou no sofá, do meu lado.
Eu me sentia anestesiada, e nada me incomodava no momento, nem o fato da guria estar do meu lado.Nem o fato do Do Contra estar me olhando preocupado, ou ficar andando de um lado para o ...