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15 Capítulo 15
Notas iniciais
POV Denise
Se a atriz principal daquela ceninha desprezível não fosse “eu” neste momento todos os holofotes do Limoeiro estariam "gritando": GAROTA É SEDUZIDA E DEIXADA A VER NAVIOS!
Seria a bomba nas fofocas, o ápice de toda conversa, a cereja do bolo! E se tivesse uma foto então? Era capa garantida de todos os blogs!
O único problema nessa palhaçada toda é que a garota era "EU"! E Denise, linda, maravilhosa e poderosa NÃO é deixada a ver navios!
Ou pelo menos NINGUÉM iria saber sobre algo assim, (não por mim. Mesmo que seja uma matéria tentadora.)
Fazem dois dias que houve o beijo, ou melhor a agarração, ou seria o acidente? Bem, fazem dois dias que “aquilo” aconteceu e aquele bocó do Xaveco nem se dignou a ligar se desculpando. Me deixou no meio da rua morrendo de tesão, com o rosto envergonhado e o sutiã aberto!
Primeiro: Quem deixou ele por a mão lá? Tá ficando abusado aquela peste!
Segundo: Pelo menos termine o que começou criatura!
Mas não! Aquele vagabundo mexeu onde não podia, saiu no meio do “negócio” e deixou meu sutiã aberto! BOI!
Não lembrava dessa criatura ser assim arrogante, deve ser a "má" companhia.
–Que raiva! –murmurou- Ele parou nosso beijo para atende-la!!! E deixou isso bemm claro! Oi aninha... Unff, e o que era aquela voz de viadinho purpurinado! –se revirou novamente na cama, apertando com a unha o travesseiro.- Que idiota.
Passava das 02:00h da manhã e meu sono era igual 0.
Quem eu quero enganar, a grande idiota aqui sou eu, chorando litros que nem uma menina em sua primeira decepção amorosa.
Peguei novamente o celular, conferi pela centésima vez e Nada’. Nenhuma ligação, nenhum sms, nenhum sinal de fumaça. NADA.
Que raiva que eu estou de mim!
Reagir daquela forma! Era apenas para eu dar um selinho nele e deixa-lo em dúvida sobre os seus sentimentos, porém ele foi lá e fez isso... e aquilo... e isso.... Ahhhh! E como foi bom! Muito booomm! Chego a ficar com vontade só de lembrar.
Antes que você pense: eu não sou inexperiente. Já fiquei com o Titi, Jeremias, Toni, Tikara, Felipe, e outros que vocês n conhecem. Falando sério, sendo gostoso estou me jogando em cima! ADORO a sensação dos músculos masculinos, tenho uma tara enorme por homem definido. E o Xaveco não é, nem um pouquinho, um homem definido, então: “por que esse chororo todo por ele?”
Não tenho ideia, meus olhos e mente estão fazendo isso por vontade própria! Juro! Nenhum controle de mim mesma, parece TPM.
Que saco.
Mas tirando o problema com os músculos no restooo. Nhac. Ele é muito bom.
Foi totalmente diferente do que eu já tinha feito com os outros garotos. Ele sabia EXATAMENTE o que estava fazendo, e como fazer. Tudo no tempo certo, do jeito certo. Muito, mas muito bom.
Que raiva! Ele deve estar se agarrando com a Ana e eu aqui, me remoendo! Nem parece que sou eu mesma!
– Deu desse mimi chato. Vou dormir. –resmunguei.
(#)
8h da manhã e eu já estou acordadaça, vocês já devem ter uma ideia de como esta a minha cara, né? Minha pele de pêssego parece uma casca de laranja!
Então, como eu não estava me sentindo "eu mesma" a algum tempo, decidi dar um jeito na minha autoestima.
Fiz a Carmem acordar cedo, o que foi muito difícil, sem exagero, e a puxei para um salão de beleza.
Afinal o tratamento com ela é Vip, ganho desconto em um monte de coisas e eu PRECISO de um bommm desconto, pois pretendo gastar tudo o que não tenho.
Depois do salão recebemos uma massagem, cortesia a Carmem Frufru, e eu que não tenho nada de tansa me enfiei junto, afinal massageada eu não nasci.
Depois, ao shopping e lá quase gastei o meu rim em compras. Até que a Carmem tirou o cartão de credito da minha mão.
–Ta louca! Devolve isso aqui.
–Não mesmo, — guardou o meu cartão de credito em sua bolsa, tirando o seu. — Pode passar nesse aqui, por favor?
A atendente pegou o cartão da Carmen e terminou nossa compra. Saímos da loja, e fomos comer um Croassonhho big de chocolate com chocolate. Bem, eu comi um Croassonhho... ela, foi no sumbay. Hoje eu não tava com vontade de comer aquela gororoba cheia de mato, eu merecia um pouco mais de calorias obrigado.
–Sabe, eu não preciso da sua generosidade. -ralhei.
Ela nem se importou em me respondeu, mudando o foco da nossa conversa: -Vai me contar o porque de tudo isso?
–Do que você esta falando?
–Não se faz de sonsa! -bateu a mão espalmada na mesa, seu olhar me fuzilava. Carminha sempre odiou não saber das fofocas, acho que por isso nos damos tão bem. Afinal, ninguém fofoca mais que euzinha’ aqui. — O que estamos fazendo aqui?
–Compras?
–Ai Meu Pai Amado! As vezes eu entendo a Mônica, que vontade de te baterrr!
Eu dei um risinho, Carminha Frufru perdendo a paciência e entrando no tapa? Essa eu quero ver, fotografar, filmar, mostrar para todo o mundo e rir.
–Vai contar ou não?
–Se acalma linda, não é nada demais, só precisava de um up na autoestima.
Ela me olhou confusa.
–Denise? Você precisando de um "up na autoestima"?? Você é a pessoa mais autoestimada’ que eu conheço!!! O que houve mulher? Desembucha!!
É, não dá mesmo para esconder algo assim da melhor amiga... contei tudo. Ou quase.
Esqueci convenientemente a parte da ceninha micosa’ e apenas falei do meu sentimento para com ele.
–Só isso?
–Só? !?!
–Além de não ser novidade, você já sabe a minha opinião sobre ele: pouco.
Ele é pouco para você em TODOS os sentidos.
Na boa, eu não ia discordar. Também achava isso até ele estar com a Ana e eu perceber que estava com ciúmes.
– Você é muito Diva para aquela criatura sem brilho.
Parei o meu raciocínio para prestar atenção no que ela disse. Que fofa!
–Ohh -meus olhinhos brilharam- você me acha Diva?
–Claro amiga, se não eu não andava com você.
–Vem cá me dar um abraço!
–SAII, XÔ...
Nos abraçamos e caímos na gargalhada.
Isso mesmo, Denise é Diva! E como tal tem que causar! Não baixar a cabeça e esperar as coisas acontecem.
Hora do contra ataque!
(#)
Mas contra atacar com o que?
Sinceramente, com o que??
Não tenho ideia do que fazer com aquele garoto!
Estava andando lentamente, rumo a minha sala pensando na minha vidinha quando tive o desprazer de me deparar com uma criatura que lembrava vagamente o Cebola, este ser se arrastava pelos corredores parecendo mais desnorteado do que eu, logo pude perceber que isso era impossível com meios normais, então ele deveria estar drogado. E sim, era o Cebola.
Seu andar era inconstante, sua fisionomia que normalmente já não era digna de um Galã de novela estava medíocre, e esse quadro de mal gosto contava ainda com um olho roxo.
"Minha mente se contorcia de emoção. Lá estava uma fofoca de primeira! Prontinha na minha frente pedindo para ser enviada ao mundo. "
Bati umas 3 fotos do meu "modelo" e postei nas redes sociais logo em seguida.
Publiquei com a seguinte legenda:
"Voltaram os velhos tempos??"
E sorri em satisfação, poucos minutos foram o suficiente para aparecer um grande publico digno da matéria de primeira, como era bom ser reconhecida pelo meu "bom" trabalho! Não havia como colocar tanta satisfação em meu rosto, continuei o meu caminho com um sorriso de orelha a orelha.
(#)
POV Xaveco
Uma aura estranha prevalecia naquela sala, mesmo com toda a bagunça costumeira das aulas de Informática permanecia um certo desconforto. Talvez por que o Cebola reapareceu após algum tempo sumido com as roupas amassadas e sujas, um olho roxo e ainda andava com um masso de cigarro pelos cantos.
Ou talvez pelo olhar lascivo, que a menina com maior força e menor tamanho do colégio, que constantemente atingia o Cascão e repentinamente passavam por mim (!?), até virarem olhos de preocupação no Cebola e apaixonados para o Do Contra.
Ou quem sabe o meu sexto sentido esteja aflorando e consigo perceber pensamentos nada agradáveis saindo da Denise.
Não sei... mas aquilo estava mexendo comigo. Me percebi impaciente, e a Magali mais avoada que o normal não estava ajudando.
–A folha Maga. — Falei um pouco mais alto, chamando finalmente sua atenção.
–Folha? -perguntou, acordando dos seus devaneios.
–Sim. F O L H A. –soletrei, vagarosamente. — Escutou alguma coisa que o professor de História falou agora a pouco?
Ela me olhou surpresa, talvez eu nunca tenha falado com ela dessa maneira...
–Não, acho que não. — Passou a mão no seu cabelo, tirando-os do rosto. -O que era mesmo?
–Lembra a aula de História que e perdemos por causa do professor? – ela concordou com a cabeça — Então, ele vai repor e precisamos assinar isso aqui. Vai ser no museu do bairro.
Ela pegou a folha e me olhou, uma ponta de preocupação era perceptível nos seus olhos. Até me senti culpado por ter reclamado antes, ela definitivamente estava estranha.
–Você vai? –ela perguntou.
–Claro, adoro história, e Museus. Você não?
–Gosto sim. Mas não tenho certeza se vou.
–Por quê?
–Xaveco? Magali? Querem conversar, -fomos interrompidos pela professora.- então saiam da sala!
A professora estava impaciente já que ninguém prestava a atenção em sua didática por ser relativamente: ruim.
Ela nos tratava como crianças e correspondíamos a suas expectativas, jogando, conversando e vendo séries.
–Desculpa profes- tentou falar a Maga, mas foi cortada.
–Desculpas aceitas Magali, mas mesmo assim saiam da sala.
Eu levantei e sai, aquela mulher era uma fera quando queria e SEMPRE descontava nos alunos errados.
Olhei para a Maga que ainda tentou argumentar algo e disse: -Vamos?
Nós dois saímos, a sala ficou em silencio por um instante como a professora esperava. E voltou a ser barulhenta assim que dobramos o corredor, como eu esperava.
Que merda. Ela não vai dar presença e vou perder matéria. E sou um dos poucos que se preocupa em copiar alguma coisa na aula dela. – Cocei a cabeça. — Que merda.
Só sobrava uma opção, Do Contra.
Ele era o melhor aluno em todas as matérias "chatas". Entre os alunos, tinha o caderno mais organizado e completo. Sua letra dava inveja nas meninas e em mim.
Mas, como eu disse ele era bom apenas nas matérias "chatas". Cabulava várias aulas de educação física, história e matemática. As aulas que todos gostavam, e ele não fazia parte do TODOS.
E também não emprestava o caderno. Difícil, mas vou ter que dar um jeito.
–E então? -voltei a puxar conversa- por quê?
–Só meio cansada.
–Sei.
Olhei ao longe pela janela e vi a quadra cheia de caras suados.
–Nenhum Cascão é motivo para isso, certo?
Suas bochechas ficaram rosadas e ela me encarou nervosa: -Como assim?
Bingo, o sujinho era mesmo o responsável por ela estar assim.
–Sou bom observador.
Ficamos conversando até bater o sinal, dei algumas sugestões para ela e acho que ela ficou animada com a ideia. Sempre fui um bom conselheiro para as meninas, por este mesmo motivo que a Aninha e eu estávamos saindo. Acho.
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