Daytime Nightmares
13 A Kiss To Your Beloved/ The Blonde Bitch
Notas iniciais
Mizu estava tirando uma soneca sob o sol do jardim, deitada ao lado de uma roseira. Estava tudo calmo, tirando as explosões que vinham da cozinha e o barulho de pratos sendo quebrados. Apenas mais um dia normal na mansão. Ou pelo menos, ela pensou que fosse. Ela abriu os olhos lentamente, bocejando. "Chocolate..." Ela murmurou, sonolenta. A gata se levantou, se dirigindo à cozinha.
O sol batia suavemente na copa das poucas árvores distribuídas pelo terreno da mansão, gerando sombras perfeitas para um cochilo. Todos os animais queriam aproveitar o sol ao máximo, já que era algo raro naquela região, inclusive Mizu. Ainda estava com raiva de Ciel, pelo beijo e palavras inesperadas durante a viagem, mas seu comportamento infantil não poderia ser parado por nada.
Estava prestes a entrar no escritório de Ciel, para ver se ele queria algo, quando ouviu uma voz diferente. Não era nenhum dos três idiotas e não era Sebastian. Uma visita... Seu rabo balançava de um lado para o outro, curiosamente. Ela abriu um pouco a porta para espiar a conversa.
"Sentiu saudades? Dessa vez eu vim sozinho..." Um momento de silêncio. O outro menino era loiro... Com olhos azuis, da mesma idade de Ciel. "É o pirralho daquela vez", pensou Mizu. Alois, certo? Se ele estava ali... Então Koi também estava, certo? Não, não... O loiro viera sozinho... Ei, ele não estava um pouco perto demais do conde? Mizu franziu o cenho.
" Alois. Já tivemos essa conversa antes. Eu não entendo esse seu interesse doentio..." Ciel finalmente respondeu, suas palavras seguidas por um suspiro. "Ora, costumávamos jogar xadrez juntos semanas atrás! " Alois inflou as bochechas. "Irá mesmo abandonar sua rainha? É por causa daquela vagabunda, não é? De cabelos prateados. Tsuna, certo?" As orelhas da gata se levantaram com a menção de seu nome e ela chiou, furiosa.
Vagabunda? A única vagabunda era Alois, com os shorts entrando na bunda... Ciel se levantou bruscamente, sua expressão demonstrava que estava prestes a matar alguém. Não era raiva. Fúria. Era puro ódio. Estava tão sério que, se olhares matassem, Alois já estaria enterrado e decomposto.
"Não. Fale. Dela. Assim. Não tenho tempo para lidar com seus ciúmes. Não sei o que você acha que existe entre nós, Alois, mas deixarei isso bem claro e posso repetir quantas vezes 'sua majestade' quiser. Nada. Não sou seu amante. Não sou seu amigo. Não sou um objeto para você usar como bem entender. Não sou uma peça de seu jogo de xadrez. Pois sou o líder do meu próprio jogo. Agora suma da minha frente antes que Sebastian faça isso por você." Ele disse simplesmente. O loiro franziu o cenho, ao invés de ficar sério como Ciel, o ódio estava aparente em seu rosto.
"Tsc." Ele se levantou e segurou a maçaneta. "Você ainda vai ser meu, Phantomhive." Antes que a gata pudesse reagir, Alois girou a maçaneta e puxou a porta, fazendo Mizu cair aos seus pés. "Há. Não entendo por que se importa tanto com essa... Essa aberração." Mizu se levantou, olhando para baixo, sua franja cobrindo seus olhos. Ciel, pensando que ela ia chorar, andou até Alois, prestes a lhe dar um soco. Mas Mizu se adiantou, com um sorriso assustador.
Ela acertou um tapa no loiro que o fez voar na estante, derrubando alguns livros. Ele cuspiu um pouco de sangue. Mizu andou até ele lentamente é, quando ele tentou levantar, ela pisou no estômago dele, com força, fazendo-o voltar ao chão. "Estou me cansando de você, seu pirralho mimado. Mude essa atitude ou a quantidade de sangue no chão vai ser bem maior da próxima vez." Ela cuspiu nele e tirou o pé de cima. Alois se levantou e estava prestes a revidar, quando Claude apareceu por trás e segurou sua mão. "Vossa majestade, creio que já fez o suficiente." Ele disse, sorrindo. Alois olhou para ele, com uma expressão sonhadora. "Tudo bem... Vamos..."
Dito isso, o loiro e o mordomo foram embora, deixando os dois sozinhos. Mizu olhou para Ciel, que tentava esconder o choque pela atitude dela, como se nada tivesse acontecido. "O que a loira de shorts curtos queria?" Ela perguntou, em um tom frio. Ciel balançou a cabeça. "Nada. Apenas confusão." Mizu inflou as bochechas. "Se ele quer um pouco da carne, tem que esperar o alfa. " ela disse, fazendo uma comparação com lobos. Obviamente, a gata era o alfa. E Ciel era a carne.
O conde suspirou pesadamente e a encarou com culpa nos olhos. "Mizu, sobre o beijo eu... Venho pensado um pouco... E acho que deveria te contar uma coisa... Eu--" ele foi interrompido por uma explosão vinda da cozinha. "Bardroy..." Ele murmurou, trincando os dentes. "O que dizia?" Mizu perguntou, curiosa. Mas sabe o que dizem. A curiosade matou o gato. "Acho que... Acho que devia ir embora." Ele disse. Era o certo. Ele esperava que fosse. Era melhor que fosse, pois o nó em sua garganta era tão grande que ele quase não respirava.
O jovem menino nem se lembrava qual era a sensação de chorar. Mas sabia que estava muito perto de um reencontro e queria evitá-lo ao máximo.
Mizu, por outro lado, não conteve o choro. Lágrimas escorriam de forma descontrolada em suas bochechas, pingando no piso de madeira. "Eu... Ciel, eu... Eu não posso... Eu não... Eu... Por você, eu..." Ela se esforçou. Se esforçou de verdade. Mas nada saia. Ela respirou fundo e convidou Ciel a se sentar com ela. Ela explicou tudo. Desde como Echo matara sua irmã até Koi e o trato com a rainha. Ciel escutava tudo com atenção e cuidado.
"Mizu... Quer dizer..." Ele se levantou bruscamente. Sua face antes inexpressiva, agora demonstrava desgosto e nojo. Se sentia traído. "Você... Só continua aqui... Por causa de uma merda de trato?! PRA ACHAR ELE?!" A dor era clara tanto em sua voz quanto em seus olhos. "Eu... Eu sou tão idiota... Eu realmente... Realmente achei que gostasse de mim. Que fossemos amigos." Mizu agora chorava feito uma criança de joelho ralado."NÃO!! Ciel, não! No começo era por causa do trato... Mas... Mas eu me apeguei demais..." Ele levantou uma sobrancelha para ela, ainda em dúvida. Nada que ela dissesse iria mudar o fato de que ela o havia traído.
Ela se ajoelhou no chão e olhou para cima. Para seu olho, o que não estava coberto pelo tapa-olho. Ela sabia. Por tudo que ele havia passado. A rainha lhe contara. Agora era o mesmo. Estava sendo traído. Pela segunda vez, como acontecera com sua tia, Ann. Ficaria sozinho, apenas ele e Sebastian. Por um longo tempo. Mizu não conseguia suportar essa ideia. Ela não aguentava ver Ciel sofrendo daquele jeito.
Ela se levantou em um pulo, e beijou-o profundamente. Tentando transmitir seu sentimentos. Ela segurou nos ombros dele e apoiou sua testa contra a de Ciel, os dois ofegantes. "Um beijo... É apenas para a pessoa que você ama..." Ciel disse, imitando ela. Mizu sorriu de leve. "Eu sei."
Ela apoiou a cabeça em seu ombro. "Eu sei. Ciel... Não estou com você a muito tempo... Mas... Eu... Me apaixonei rápido demais... Eu consegui me ver dentro de você... Todo esse ódio... Somos muito parecidos... Mas... Eu não quero que você fique como eu... Um monstro..." Ela fungou.
Ciel abraçou-a. Ele não conseguia ficar bravo com ela. Ela realmente sentia. O sentimento era mútuo. Ela falava a verdade sobre ter desistido do trato. Mas o que aconteceria agora? E Koi? Ciel beijou carinhosamente o pescoço de Mizu e sorriu, fazendo-a ficar vermelha como um tomate.
"Mizu-chan... Você não é monstro nenhum... Você fez o que fez por amor. E você não tem culpa de ter esses poderes. De ter a Echo. Além do mais, sem o ódio, quem seríamos nós?" Ele perguntou. "Mizu... Eu também... Eu também te amo..." Ele suspirou de alívio "Nossa. Pensei que nunca mais ia dizer algo assim...' Mizu riu baixo. "Eu te amo demais..."
E assim permaneceram. Abraçados. Trocando carícias e doces bobagens nos ouvidos um do outro, até a hora de jantar. Dormiram na mesma cama naquela noite. Nada além de dormir.
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