– Pare com isso agora — disse Claude, com uma voz fria e grossa.

Me virei para trás, bem devagar, Claude estava com uma espingarda apontada para mim.

– Levante agora mesmo e bem devagar! — falou Claude, segurando bem firme a arma.

– Tudo bem, estou me levando. Mas por favor abaixe essa arma. — falei me levantando devagar.

– Agora volte para o chalé — disse Claude com a voz tremula — de onde não deveria ter saído.

– Eu voltarei Claude, mas por favor abaixe essa arma e volte junto comigo assim ninguém se machuca — falei, e enquanto falava Claude abaixava a arma bem devagar, quase cedendo e voltando comigo.

– Não, eu ficarei aqui! Volte você agora mesmo! — Claude falou levantando a arma novamente, mas desta vez não a apontou para mim. Ele estava a apontando para a sua própria cabeça e sussurrando algumas palavras que não consegui entender.

– Não me faça repetir de novo Emily. Volte para o chalé imediatamente! Você não deveria estar aqui, você deveria estar lá dentro junto com James e Danielle. — sua voz saiu tremula e quase falhando, de novo. Notei uma lágrima saindo de seu olho, e quando percebeu que eu não pretendia sair dali, volto a apontar a espingarda para mim de novo.

– Você não está entendendo, você tem que voltar agora mesmo, não quero ser obrigado a fazer uma coisa que não pretendia fazer. Então volte agora mesmo ou atirarei em você! — segurou a arma com mais força ainda. Mas eu sabia que ele não iria fazer nada, sabia que ele não teria coragem de fazer nada daquilo que ele falou que iria fazer, mesmo sendo um homem alto e forte, que aparenta ser brabo e não ter medo de nada, sabia que ele não teria coragem de fazer nada.

– Largue essa espingarda e levante as mãos! — ordenou James apontando uma arma para a cabeça de seu pai. — Eu não estou brincando, largue essa arma e levante as mãos!

Claude estava se abaixando para largar a arma no chão, quando viu que James tinha abaixado e largado sua arma também. Logo pegou as duas armas e se levantou, enquanto James corria em minha direção para me abraçar.

– Esta tudo bem com você? O que ele te fez? Ele te machucou — perguntou James me abraçando bem forte e me beijando logo em seguida. — Ai meu Deus! Vo..Você..Você esta sangrando! O que aconteceu? O que este disgraçado fez com você? Eu vou te matar! — gritou James correndo em direção ao seu pai — O que você fez com ela? Eu vou te matar seu cretino!

– James se acalme! — falei tentando acalma-lo, mas de nada adiantou — Eu estou bem, isso não foi nada.

James viu a faca, a qual Claude me feriu, com sangue, e ficou mais desesperado e com mais raiva ainda.

– Se acalme James, e vamos conversar — falou Claude jogando no chão umas das armas e escondendo a outra nas suas costas — Eu não queria machuca-la, foi uma acidente, eu tentei impedi-la de continuar a cavar na neve, pois ela estava cavando desesperadamente, como se quisesse achar algo, mas não há nada ali para ela encontrar. Então quando fui conte-la, ela começou a me agredir com essa faca, — e mostrou a faca cheia de sangue, que pingava cada vez mais na neve — então a imobilizei e tirei a faca da sua mão, mas ela não parou, estava descontrolada, então peguei a faca e acertei na sua barriga, eu não pretendia fazer isso, eu juro, mas foi tudo muito rápido que quando percebi ela já estava sangrando, então voltei para o chalé e peguei a minha espingarda, e vim correndo para cá. — Claude terminou de falar e começou a cair lágrimas de seu rosto, e cada vez mais caia lágrimas de seu rosto, então ele disse: — Desculpa filho.

E então tudo parou, olhei desesperadamente para um lado e depois para o outro e nada, tudo está parado, e então tudo começou a girar, e cada vez girava mais rápido e mais rápido, e voltou, bem devagar, ao normal, e a única coisa que consegui ver foi Claude sacar a arma de James, que ele havia escondido em suas costas, e apontar para James, e então eu desmaiei e não consegui ver mais nada, eu só consegui ouvir dois tiros, e as gotas de sangue caindo uma a uma no chão formando uma grande poça de sangue na neve.



Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.